JOHN HUGHES NÃO DIRIGE MINHA VIDA

O abismo no meio do caminho

Não lembro exatamente quando, tampouco por quê, mas em algum ponto em meados de setembro, comecei a assistir Gilmore Girls pela segunda vez. Era pra ser um rewatch banal e descompromissado, minha companhia em dias difíceis, noites insones e horas de almoço – às vezes, meu único momento de paz e sossego real ao longo do dia -, mas de repente as coisas começaram a ficar meio estranhas e já não fazia mais sentido assistir qualquer outra coisa ou fazer qualquer outra coisa quando eu simplesmente poderia fugir para Stars Hollow e me deliciar com a existência daquelas pessoas, me solidarizar com seus conflitos, erros e mágoas, e viver uma realidade que parecia tão melhor.

Assim como Downton Abbey, Gilmore Girls se transformou num bote salva-vidas, cujo maior objetivo era me manter sã; o barquinho que impedia meu coração de se afogar. A grande diferença entre as duas, no entanto, é que enquanto em Downton tudo parecia pertencer a uma realidade tão, tão distante – estamos, afinal, falando de uma história que gira em torno uma família aristocrata inglesa e seus empregados, tudo isso ambientado no século passado, um mundo que definitivamente não existe mais -, Gilmore Girls sempre me forneceu um conforto muito mais próximo, como o abraço apertado de alguém que sabe exatamente o que você está passando e entende o quanto pode ser difícil, doloroso e traumático, mas que também reconhece que vai ficar tudo bem. Rory Gilmore, sobretudo na faculdade, sou eu em todos os níveis possíveis, sejam eles bons ou ruins (principalmente os ruins), e existe algo de muito confortável – num nível totalmente pessoal – em ver outra pessoa que não uma amiga, colega ou conhecida viver coisas tão parecidas e ainda encontrar uma saída em meio ao caos.

Não é por acaso que tantas amigas, colegas e conhecidas se identificam com a Rory – e se inspiram nela, e querem ser como ela, e sentem-se profundamente incomodadas pelos erros dela. Ainda que a experiência esteja longe de ser universal, porque contempla uma bolha muito específica de mulheres brancas e privilegiadas, com acesso à educação de qualidade, que nunca tiveram que se preocupar com muito além de serem boas alunas, boas filhas e entrar numa faculdade de prestígio, a trajetória da Rory representa muito dos nossos conflitos internos, que derivam em grande parte por esse estigma de perfeição (a filha perfeita, a aluna perfeita, a namorada perfeita, a neta perfeita, etc etc) que não corresponde à realidade. Crescer significa ser constantemente confrontada pela perspectiva de que ser um floquinho de neve especial é uma missão fadada ao fracasso, que por mais perfeitas que sejamos, jamais vamos chegar lá. É por isso que gosto tanto da quarta temporada em diante, quando Rory finalmente vai para Yale e começa a caminhar por conta própria. Sem a presença constante da Lorelai – que, talvez pela primeira vez, também já não tem mais todas as respostas – Rory precisa descobrir sozinha por que e como resolver aquilo que acontece em sua vida, e mesmo que nem sempre tome as decisões certas, ela ao menos está tentando. Muita gente odeia essa nova versão da personagem, que é intensificada no revival, mas eu adoro justamente porque é quando ela se permite ser mais humana. Nos acostumamos a ter esse referencial de perfeição e é por isso que vê-la errar chega a ser tão incômodo, mas é, ao mesmo tempo – e ironicamente, e contraditoriamente – tão libertador.

As coisas dão errado. Elas dão tão errado que às vezes a gente se pergunta se algum dia elas já deram certo, porque não pode ser possível que algo dê tão errado sem que exista um histórico de erros cabeludos por trás. E ainda assim elas dão, porque, bom, essa é a vida. Um dos grandes motivos que me levaram à terapia foi minha incapacidade de lidar com o futuro e o fato de não poder ter uma vida inteira planejada, perfeita, estável, com todos os movimentos calculados previamente. Desde muito nova, eu sabia exatamente o que fazer, como fazer, e mesmo que não soubesse com precisão a carreira que gostaria de seguir – tinha um fraco por algumas áreas -, a certeza de que dali alguns anos eu estaria na faculdade já era suficiente. Estar na faculdade transformou tudo, no entanto: de repente, o próximo passo já não parecia tão óbvio – eu estava num penhasco, à frente havia apenas uma neblina densa e horrível -, me desestruturando por completo. O que vai acontecer depois? se tornou uma das minhas perguntas favoritas – e também a mais desesperadora delas – e ninguém te conta o quanto pode ser angustiante pensar num futuro que, embora repleto de opções, sempre parece tão abstrato.

“Pra onde eu vou agora?”, ela perguntou, sentou na estrada e começou a chorar sozinha.

Um dos meus momentos favoritos de Gilmore Girls é quando Rory vai para Stars Hollow com Lucy e Olivia, suas novas amigas da faculdade, e elas jogam conversa fora, riem, pintam os cabelos de rosa, roxo e verde, vasculham álbuns de fotos, fazem doces de flocos de arroz, e se divertem de verdade. Mas é ali, em meio a uma banal girl’s night out, que Rory tem seu momento e despenca, confessa que não sabe o que fazer em seguida, chora o fim da faculdade que se aproxima mais e mais, lamenta sua saída da editoria do Yale Daily News, se entrega à todas as dúvidas que a destroem por dentro. Ela sente muito, naturalmente e intensamente, e chora no chão do banheiro com os cabelos pintados de rosa, numa dicotomia que faz todo o sentido do mundo; tão, tão adulta e, ainda assim, tão ridiculamente vulnerável. Ela não é uma pessoa de verdade, não ainda, assim como a personagem principal de Frances Ha, e há algo de reconfortante ali – não somos também, afinal. Quando permite que suas angústias se transformem em palavras, ganhando forma e tamanhos reais, Rory é um pouco (muito) como nós. Em qualquer outra circunstância, ela permitiria que esses monstros a consumissem por dentro, tornando-os uma ilusão menos real, ainda que tão maléfica quanto; mas quando os expõe, ela os confronta realmente – e encontra de volta amor, apoio, carinho e uma compreensão que parte, principalmente do entendimento de que não é a única naquele barco. Lucy e Olivia também se sentem assim; e eu, e vocês aí do outro lado, e todas as garotas do mundo que foram criadas para serem lindos floquinhos de neve especiais, até descobrirem que o mundo era um lugar grande demais para nos limitarmos  a uma caixa. Rory Gilmore não está sozinha justamente porque nós também não estamos.

As últimas semanas foram um processo doloroso de ser muito adulta, o que significa que na maior parte do tempo eu só queria me esconder embaixo das minhas cobertas, fingir que jamais tinha existido e que todas as merdas que já havia feito não eram problemas meus, tampouco minha responsabilidade. Foram tombos atrás de tombos, atrás de outros tantos tombos, até que eu não quisesse mais me levantar, mas ser adulto é levantar uma, duas, três vezes – e levantar rápido -, só para cair de novo, dessa vez por um motivo completamente diferente. Foi preciso me lembrar constantemente que falhar não era o fim do mundo – nem da minha carreira ou da minha vida -, que errar era humano e que não fazia o menor sentido chorar por erros que chegaram muito perto de acontecer, mas não aconteceram de verdade. Tive a sorte de contar com pessoas nesse meio tempo que tinham a paciência e firmeza necessárias para lembrarem que nem tudo estava perdido e me mandar engolir o choro e voltar ao trabalho, mas que também me abraçaram e confortaram, que me lembraram que todos os êxitos pesavam mais do que as falhas que sempre pareciam monstros tão maiores e assustadores com os quais lidar na minha cabeça.

Ao mesmo tempo, quando tudo acabou, foi preciso lidar com o fim de algo que vinha me consumindo por inteiro, pro bem e pro mal, e ao qual me apeguei profundamente; chegar ao fim foi como me sentir órfã e descobrir que, embora o cansaço e o desgraçamento fossem reais, e não sobrasse uma roupa limpa no meu armário, eu não queria que aquilo terminasse. Eu sentia falta da rotina, das pessoas, dos problemas que pareciam impossíveis de serem resolvidos, até acontecerem como num passe de mágica, porque a magia do cinema existe também – e principalmente – nos bastidores. No último dia, nós nos abraçamos longa e fortemente, trocamos mensagens fofas, celebramos o quanto aquela experiência havia sido incrível, mas dois dias depois, sozinha e de pijamas no meu quarto, eu só conseguia me sentir terrivelmente perdida, como se um pedaço grande e importante de mim tivesse ido embora. Eu tinha mergulhado em um oceano inteiro de emoções, conflitos, altos e baixos, sem que tivesse tempo de respirar antes de enfiar cabeça e corpo inteiros na água – o que poderia ter sido traumático, é verdade, mas foi uma das melhores experiências que eu podia ter tido, mas principalmente vivido; e eu vivi, cada segundo. Eu coloquei não apenas os pés na água, mas me joguei inteira, sem saber direito o que me esperava, e foi incrível. Estar de volta no meu quarto escuro foi como me sentir presa depois de experienciar a imensidão azul incontrolável, totalmente sem limites do mar, e depois sequer poder sentir o vento na cara.

Em “French Twist”, é a saída do Yale Daily News que faz a Rory ter essa percepção de que as coisas estão acabando; ela saíra do jornal, em breve saíra da faculdade e, de repente, não tem nenhum emprego para ir, nenhuma pós-graduação para começar. Pra mim, o fim das gravações é o que marca esse momento. Porque tudo está acabando. Ainda faltam alguns semestres para o fim da faculdade, mas ela já está em sua reta final – o fim parece mais próximo do que o início, afinal – e muito embora exista uma porção de coisas a serem feitas, projetos a serem produzidos, experiências a serem vividas, toda a perspectiva do fim já começa a fazer seu estrago. E ainda assim, ela não deixa de ser natural – terrivelmente, mas ainda assim. Minhas crises de ansiedade voltaram com força total; meu cabelo jaz no chão do meu quarto enquanto, pouco a pouco, um buraco começa a ser aberto na minha cabeça; e uma atrás da outra, embalagens de comida chinesa começam a ser empilhadas no lixo da minha cozinha, e ainda assim, a única certeza é que tudo isso passa – só para começar de novo e de novo em outro lugar. Eu sou Rory Gilmore de cabelos cor-de-rosa, chorando no chão do banheiro, apavorada demais com o que me reserva o futuro – mas isso também vai passar.

JOHN HUGHES NÃO DIRIGE MINHA VIDA

Fluxo de consciência e outras inutilidades

Inspirado nesse post aqui

1. Perdi completamente o filtro na hora de falar sobre minha cabeça desgraçada. Ninguém perguntou, mas estou falando mesmo assim. Meu nome é Ana Luíza, tenho 24 anos, tenho depressão, ansiedade, não sei lidar com lugares lotados, arranco meus cabelos nas horas vagas, mas juro que sou uma boa pessoa. Complicada, mas legal. Desgraçada demais, mas com bom coração.

2. Por que eu me importo tanto?

3. Thor: Ragnarok é um bom filme, mas a Marvel devia parar de tentar ser tão engraçada o tempo inteiro. E fazer cenas pós-créditos melhores. Eu odeio cenas pós-créditos. Quem inventou que era legal fazer cenas pós-créditos?

4. Não sei o que acontece com a minha cara quando alguém aponta uma câmera na minha direção. Não é possível que eu seja assim tão feia, não é isso que vejo quando me olho no espelho. Se bem que já me disseram que a gente se enxerga algumas vezes mais bonitos do que realmente somos. O que isso quer dizer? Talvez eu não seja bonita, afinal. Eu queria ser bonita. Queria acreditar quando as pessoas dizem que sou bonita. Só queria sair bonita em uma foto espontânea. Só isso.

5. É uma falta emocional ou técnica? As duas. Mais emocional ou mais técnica? Não sei.

6. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Ninguém se importa.

7. Odeio ficar sozinha. Será que alguém vai vir ficar comigo? Será que alguém vai sentir a minha falta e vai me procurar? Provavelmente não, mas seria legal se acontecesse. Mas não vai acontecer. Infelizmente. Eu deveria me importar tanto? Provavelmente não. Mas eu me importo. Não queria ficar sozinha. No escuro. Sozinha. Queria abraçar alguém. Precisava abraçar alguém. Mas está calor. Ninguém quer ser abraçado no calor. Eu quero. Qual o meu problema? Por que diabos eu preciso de carinho o tempo inteiro? Daqui a pouco alguém vai confundir carência com outra coisa. Que coisa? Eu gosto de abraçar meus amigos. Eu gosto de cuidar deles, gosto de dar beijo, carinho. Eu durmo de conchinha com minhas amigas. Gosto de me sentir segura, amada. Ninguém tem nada a ver com isso. Ou tem? Por que eu preciso tão desesperadamente ser amada? É patético, mas talvez eu seja patética. E é por isso que eu quero abraçar as pessoas no escuro, no calor; porque sou tão legal com todo mundo o tempo inteiro. Porque evito conflitos. Eu só quero aprovação. Amor. Pertencimento. Carinho. Patético.

8. Por que as pessoas continuam aqui? Por que elas não saem correndo? Elas deveriam sair correndo. Seria mais fácil, mais seguro – pra mim, pra todas elas. Não consigo sair correndo. Não confiem em mim. Não entrem na minha tempestade, não dancem nela. Era disso que a Lorde estava falando, não é? Por que diabos estou chorando de novo? Sempre foi assim. Quer dizer, não sempre, sempre, mas quase sempre. Dói, dói, dói. Por que tem que doer tanto? Merda, será que não podia ser um pouquinho mais fácil? Claro que não podia. A vida. A porra da vida. Eu só queria um yakissoba e um episódio de Gilmore Girls pra me consolar.

9. Escrever. Eu preciso voltar a escrever. E lavar roupas. Meu Deus, eu realmente preciso lavar minhas roupas.

10. Se eu estiver em um carro com os vidros abertos, mas não completamente abertos, e acontecer um acidente, é provável que esse vidro venha parar diretamente na minha bochecha. Quão aberto o vidro precisa estar para ser seguro que ele não venha parar no meio da minha cara se qualquer coisa acontecer?

11. Eu não sou o apêndice de ninguém. Eu tenho uma VIDAAAAAAAA. A porra de uma VIDAAAAAAAA. Não dependo de um homem pra ter a porra de uma vida. Eu também trabalho pra caralho. Porra, eu trabalho PRA CARALHO. Tenho todo o direito de estar cansada, ninguém pode me julgar por preferir passar o fim de semana em casa depois de uma semana escrota. Eu não preciso inventar uma desculpa pra isso, não preciso me justificar pra ninguém. Quem essa mulher pensa que é pra falar sobre mim dessa forma? E ODIAR PESSOAS? De onde ela tirou que eu odiaria pessoas? Eu mal tenho tempo pra lidar com as pessoas que amo, pra que caçar gente pra odiar? Eu não aguento mais.

MEMES

60 perguntas que ninguém perguntou

Tenho certeza de que não é nenhuma surpresa quando digo que adoro falar sobre a minha vida – o que não significa que eu me sinta confortável para falar sobre ela o tempo inteiro, só que gosto bastante quando isso acontece. Tive uma infância marcada por programas aleatórios da TV aberta dos anos 90, que levavam celebridades do Brasil e do mundo para darem entrevistas e falarem abertamente sobre suas vidas, de modo que meu maior sonho era um dia poder dar entrevistas e falar abertamente sobre minha vida pessoal, risos eternos.

Infelizmente, cresci e não me tornei celebridade, mas encontrei um jeito de continuar falando sobre a minha vida assim mesmo, sobretudo quando as pessoas não estavam tão interessadas assim em ouvir; o que sem dúvida deixaria a pequena Sharon orgulhosa. Sempre me perguntam se não me importo em me expor dessa forma, e a verdade é que, embora eu seja reservada em muitos lugares, a internet definitivamente não é um deles – o que é bastante contraditório, mas bear with me. Assim sendo, aproveito a minha momentânea falta de assunto para celebrar as maravilhas de ter um espaço só meu, onde posso falar qualquer abobrinha e responder perguntas que ninguém jamais me faria, não fossem esses memes maravilhosos que, tenho certeza absoluta, são inventados pelas mesmas crianças que passaram os anos 90 assistindo televisão demais.

(O meme saiu do blog da Michas, amor da minha vida que segue salvando a vida desse blog como se não houvesse amanhã. Jesus conserve.)

1) Quais são as suas três músicas preferidas?
No momento, a tríade “Perfect Places“, “Liability” e “The Louvre“, todas da Lorde. Aparentemente, jamais superarei Melodrama, risos. Menção honrosa pra “Something Just Like This“, do The Chainsmokers com o Coldplay, que se tornou uma favorita fácil demais até pra mim.  

2) Se você pudesse conhecer alguém nesta terra, quem seria?
É uma questão. Muito embora tenha vontade de conhecer muitas pessoas, de atores famosos até amigos de amigos, vivo uma contradição de não querer conhecê-las de verdade, sobretudo porque pode ser meio decepcionante e isso certamente me mataria. Ao mesmo tempo, não tenho vontade de simplesmente conhecer essas pessoas, mas também me tornar amiga delas, o que muda absolutamente tudo; conhecê-las não basta, é preciso me relacionar com elas, do jeito que for. O mundo é um lugar bem pequeno e às vezes não acho que isso seja tão impossível assim, em alguns casos menos do que em outros, mas não sei se realmente gostaria que esses encontros acontecessem. De qualquer forma, adoraria conhecer o Harry Styles, o Johnny Massaro e a Tavi Gevinson.      

3) Pegue o livro que você esta lendo, vire a página 23, o que tem na linha 17?
Estou agarrada à minha tigela de batatas chips já vazia, e chupo os dedos cheios de sal quando uma tia passa e me vê“. 

4) O que você pensa sobre a maioria das pessoas?
Prefiro cachorros.

5) Já teve um poema ou canção escrita sobre você?
Não.

6) Você tem fobias estranhas?
Não que eu me lembre. Tenho bastante medo de aranhas e baratas, e também de morrer, mas nada muito fora do normal, né? 

7) Qual é a sua religião?
Católica. 

8) Se você estiver na rua, o que você provavelmente está fazendo?
Pensando em alguma coisa aleatória e/ou mexendo no celular.

9) Simples, mas extremamente complexo. Banda favorita?
Scorpions. Não tenho ouvido com a frequência que já ouvi em outros momentos, mas acho que é exatamente isso: uma questão de momento. Eles sempre vão ser minha banda favorita da vida, ainda que nem sempre sejam a banda favorita do momento.

10) Qual foi a última mentira que você contou?
Não uma mentira, mas uma meia-mentira: disse pro meu pai que não o tinha visitado no dia dos pais porque acordei passando mal. Não era de todo uma mentira, mas não era a verdade completa. 

11) Você acredita em karma?
Acredito.  

12) O que o seu URL significa?
O nome do meu blog? Já contei essa história em outro momento, mas o nome do blog foi escolhido de modo bem aleatório: o “queen” eu já usava desde os meus primórdios como blogueira de moda, enquanto o “starships” surgiu enquanto eu assistia Star Wars. O nome não faz o menor sentido, mas já são quase quatro anos com ele, de modo que não consigo desapegar, muito menos pensar em algo melhor.  

13) Qual é a sua maior fraqueza, a sua maior força?
As pessoas que amo.

14) Qual é a sua estrela do cinema preferida?
Anna Karina, amor da minha vida, inspiração eterna.

15) Como você extravasa a sua raiva?
Chorando e/ou ouvindo música. Às vezes também escrevo, mas no auge da raiva é meio complicado colocar as palavras no papel de um jeito que elas façam algum sentido.

16) Livro preferido?
Estação Onze, da Emily St. John Mandel.

17) Você está feliz com a pessoa que você se tornou?
Com certeza. Ainda tenho muitas questões mal resolvidas, sentimentos que não entendo muito bem e nuances da minha personalidade que gostaria de compreender melhor, mas cada vez mais tenho feito as pazes com a pessoa que me tornei, que não é alguém perfeito, mas ser perfeita jamais foi uma possibilidade real. Nesse sentido, a terapia tem me ajudado muito, mas acho que as experiências e relacionamentos que tive até agora também me moldaram. Apesar dos pesares, quando me olho no espelho, me sinto muito em paz com a pessoa que me olha de volta e isso já tem sido suficiente.         

18) Qual é a música que você odeia?
A maioria das músicas que os jovens de hoje escutam e passam na rádio 24/7, pois velha & chata demais.  

19) Qual é o tipo de arte que você mais gosta?
Qualquer tipo, mas sobretudo o cinema, a música e a literatura; as três produções artísticas que tenho mais proximidade e que, não por acaso, sempre falaram mais de perto comigo. Embora o cinema seja aquela que decidi fazer e tomar como minha, não consigo deixar a música e a literatura de fora, porque foram elas que abriram esse espaço de compreensão e entendimento sobre mim, mas principalmente sobre o mundo, de um jeito que às vezes eu não era capaz de ver por conta própria. Se hoje procuro significado em toda e qualquer coisa, é muito porque esses três me fizeram as perguntas certas e me mostraram um mundo completamente diferente daquele com o qual eu estava acostumada, onde existia muito mais do que eu acreditava ser possível. É o tipo de experiência que muda uma vida inteira, e por mais que muita gente ache idiota, eu só consigo ser infinitamente grata por ver o mundo através dessas lentes ao invés de enxergar e aceitar as coisas como mais simples do que elas realmente são.      

20) Você acredita em fantasmas? E alienígenas?
Acredito, mas menos de um jeito óbvio e mais como uma metáfora para outras coisas, ao menos no caso dos fantasmas. Nós somos assombrados por muitas coisas, que nos assustam e permanecem vivas na gente até que sejamos capazes de exorcizá-las, esses são nossos fantasmas. Já acreditei por muito tempo na possibilidade de pessoas mortas também habitarem a Terra e não sei até que ponto desacredito, mas acho que como a maior parte das criaturas que criamos para nos aterrorizarem durante a noite, fantasmas também são uma representação de medos mais complexos. Já alienígenas, gosto de acreditar que existem sim, porque o Universo é grande demais para sermos os únicos seres vivos e pensantes que existem.      

21) Quem te inspira?
Minha mãe, as mulheres da minha família; minhas amigas e amigos; meus professores; artistas que não conheço de verdade, mas comunicam muito com suas produções; alguns personagens, etc etc.

22) Que cheiro você esta sentindo agora?
Nenhum, pois nariz entupido. 

23) Qual é o pior lugar que você já foi?
Correndo o risco de soar cafona, acho que lugares são mais um estado de espírito do que necessariamente um lugar físico. Eu já estive em lugares – físicos – terríveis, que qualquer pessoa em sã consciência teria saído correndo assim que colocasse os pés, mas eu tinha as companhias certas, de modo que toda a situação ganhou ares muito mais interessantes e divertidos do que teriam sido em qualquer outro caso. Talvez por isso, seja muito difícil lembrar de lugares realmente horríveis que eu tenha estado. Acho que a última vez que realmente senti isso foi há uns 2 anos atrás, quando fui na festa de aniversário de um amigo e me senti completamente deslocada. 

24) Qual é a sua cantora ou seu cantor preferido?
Para todos os efeitos, Taylor Swift é minha cantora favorita, mas tenho estado particularmente apaixonada pela Lorde. De homem, tenho me apaixonado cada vez mais pelo Harry Styles, que vai salvar o rock e fazê-lo valer à pena de novo, risos.

25) Para você, qual é o sentido da vida?
É uma boa pergunta. Não tenho uma resposta para ela, mas cada vez mais tenho me importado menos em encontrar um sentido em tudo isso e me preocupado mais em viver a jornada; o que é bem brega, mas nunca me pareceu tão real. 

26) Você dirige? Se sim, já sofreu um acidente?
Dirijo desde os 18 anos e é algo que amo profundamente, ainda que já tenha tido alguns problemas, inclusive pequenos acidentes. O pior deles foi quando, na faculdade, fui fazer um retorno e não vi uma moto, que acabou batendo na parte da frente do meu carro. Nada aconteceu com o rapaz de moto ou comigo, mas o mesmo não pôde ser dito da moto, menos ainda do carro, que ficaram suficiente destruídos para que uma pequena fortuna fosse gasta no conserto dos dois. Toda a situação acabou me deixando bastante assustada e eu passei meses sem conseguir pegar num carro. Eventualmente o trauma foi superado e hoje dirijo sem grandes problemas.    

27) Qual foi o último filme que você viu?
A Torre Negra“, do Nikolaj Arcel; que é um cara muito bem intencionado, mas o filme infelizmente é uma bosta.

28) Qual é a pior lesão que você já teve?
Até segunda ordem, nunca sofri nenhum acidente sério, muito menos tive lesões, fraturas ou qualquer coisa que merecesse muita atenção, mas quando era pequena, prendi meu dedo mindinho do pé embaixo da portaria do meu prédio, o que me fez passar semanas sem conseguir caminhar direito, tamanha a dor. Na época, lembro de tentar fingir que não estava doendo tanto assim, que aquilo era besteira, da mesma forma que tentei fingir que não tinha doído na hora, com medo que os outros meninos começassem a me zoar, quando minha vontade sincera era chorar até não aguentar mais, mas minha mãe percebeu que algo estava errado e até considerou me levar ao médico. No final das contas, isso acabou não acontecendo porque melhorei por conta própria, mas se no médico tivesse ido, talvez tivesse descoberto algo mais grave do que pareceu num primeiro momento. Outra história mais ou menos assim, que acabou não dando em nada, mas deixou minha mãe bastante assustada foi quando eu sentei em uma taturana, ou lagarta-de-fogo. Minha amiga, que estava comigo na hora, riu horrores, e de novo eu me vi naquela situação de dor e sofrimento em que tudo que eu queria era chorar, mas não podia fazê-lo pra não passar vergonha – pré-adolescentes, não sejam. Parecia bobagem, mas quando cheguei em casa, minha bunda estava toda roxa, de um jeito que deixou minha mãe apavorada. Acabei conseguindo convencê-la a não me levar ao médico, mas foi por pouco, bem pouco, e por sorte minha bunda voltou sozinha ao normal, risos. Lendo sobre isso depois, descobri que tocar em uma taturana pode ser um troço realmente sério, e minha sorte foi que eu estava de calça jeans, de modo que o tecido acabou me protegendo de potenciais consequências mais sérias. 

29) Você tem obsessões por algo?
Obsessão é meu nome do meio, mas nos últimos meses tenho estado particularmente obcecada por Downton Abbey, como vocês já estão carecas de saber. 

30) Já teve um rumor sobre você?
Alguns, quase sempre quando era adolescente porque adolescentes são esse tipo maravilhoso de ser que adora criar rumores uns sobre os outros. O primeiro deles foi quando eu ainda estava no ensino fundamental e, depois de terminar com meu primeiro namorado, as pessoas começaram a questionar minha sexualidade. O rumor ganhou força quando fiz 14 anos e uma menina roubou (!) uma página que eu tinha com minhas amigas no Orkut e afirmou que eu era lésbica, algo que estava muito longe de ser verdade. A segunda vez foi quando, chegando na escola, passei mal e vomitei na lixeira em frente ao colégio. Era só o suco de graviola que eu tinha tomado de manhã e não tinha batido muito bem no meu estômago, e eu me senti infinitamente melhor depois de colocá-lo pra fora, mas muita gente viu a cena e achou que aquilo era a óbvia confirmação de que eu estava… grávida. Contudo, cheguei aos 24 com um total de zero bebês, de modo que vocês podem imaginar a veracidade do rumor. Já mais velha, algumas pessoas se questionaram quando eu e a Ju nos afastamos, inclusive fazendo perguntas de tempos em tempos sobre o assunto, mas nesse caso, como diria nossa melhor amiga famosa: the rumors are terrible and cruel but honey most of them are true. A maioria era mesmo verdade, mas tudo isso ficou no passado.     

31) Você tende a guardar rancor de pessoas que te magoaram?
Já quis muito fazer isso, mesmo sabendo que não me faria bem algum, mas eventualmente descobri que não tenho dom para ser rancorosa – o que nem sempre é muito bom, mas acho que prefiro assim.

32) Qual é o seu signo?
Peixes com ascendente em gêmeos e lua em aquário.

33) Qual é a última coisa que você comprou?
Um yakissoba pra me consolar. 

34) Amor ou luxúria?
Amor.

35) Está em um relacionamento sério?
Yep.

36) Quantos relacionamentos você já teve?
Namoro de verdade, só dois. Mas já me enrolei com outras pessoas por mais tempo do que seria saudável admitir.

37) Qual é a sua arma secreta para conseguir que alguém goste de você?
Não sei se tenho exatamente uma arma secreta, especialmente porque confio muito pouco nas minhas qualidades para sentir que alguma delas possa fazer com que as pessoas gostem de mim com mais facilidade. Mas sempre tento ser honesta, sorrir e dar a atenção que gostaria de receber de volta. A máxima de tratar os outros como você gostaria de ser tratado não se aplica em todas as situações, mas acho que esse é um caso em que ela funciona bem. 

38) Onde está o seu melhor amigo (a)?
Provavelmente em casa, mas são questões.

39) O que você estava fazendo ontem à meia-noite?
Escrevendo.

40) Você é o tipo de amigo que você gostaria de ter como amigo?
Embora eu seja uma pessoa complicada e meio relapsa, gosto de acreditar que compenso essas falhas sendo uma boa amiga, com quem as pessoas podem contar sempre que precisarem e alguém em quem sempre vão encontrar honestidade e carinho. Então, sim, provavelmente eu gostaria de me ter como amiga.  

41) Você está andando pela rua no seu caminho para o trabalho. Há um cão se afogando no canal no lado da rua. Seu chefe lhe disse que se você chegasse atrasado mais uma vez você seria demitido. O que você faz?
Existem muitos empregos no mundo, talvez até melhores e com um chefe menos escroto; mas bichinhos são únicos. Sem dúvida salvaria o cão.

42) Você está no consultório médico e acaba de ser informado de que só tem cerca de um mês para viver. a) Você não diz a ninguém que você vai morrer? b) O que você faz com os seus dias restantes? c) Você teria medo?
Esse negócio de contar ou não é uma grande questão. Contar mudaria absolutamente tudo; as pessoas passariam a ter pena de mim, me tratariam de um jeito diferente, e eu não gostaria que isso acontecesse, sobretudo se estivesse em vias de morrer. Contudo, ao mesmo tempo, não me imagino guardando um segredo tão sério sem sentir o peso disso, o que provavelmente afetaria meus últimos dias de um jeito bastante negativo. No final das contas, acho que não contaria pra todo mundo, mas escolheria algumas pessoas com quem dividir esse segredo, na tentativa de tornar o momento menos pesado e tentaria vivê-los da melhor forma possível. Um mês é pouco tempo para fazer coisas grandes, mas isso não significa que eles não possam ser extraordinários ao seu próprio modo. Então tentaria me cercar de amor e experiências novas, que pudessem fazer com que eu sentisse que minha vida tivesse realmente valido à pena. Ao mesmo tempo, sou idiota o suficiente para me importar em deixar uma marca e ter absoluto pavor de que minha existência tenha sido algo banal, de modo que tentaria deixar alguma coisa para trás; provavelmente, um livro ou um diário, mas poderia ser um filme também, ou só o roteiro dele. Eu teria muito, muito medo, mas aí algumas vezes na vida, a gente precisa aceitar e seguir em frente com medo mesmo; é isso que diferencia as verdadeiras pessoas de coragem, acho, e gosto de pensar que nesse momento, eu seria uma delas.    

43) Qual a música que sempre faz você se sentir feliz quando ouve?
Perfect Places“, da Lorde. É uma música que me faz querer dançar, de um jeito bastante honesto, ao mesmo tempo que me fez fazer as pazes com a minha vida e a pessoa que eu me tornei. Lugares perfeitos não existem, mas talvez a gente possa forjar um espaço que chegue perto de ser. 

44) Na sua opinião, o que faz um grande relacionamento?
Acho que isso varia de pessoa pra pessoa, mas de um modo geral, os clichês quase sempre se aplicam: honestidade, confiança e parceria. As pessoas se surpreendem quando não falo do amor logo de cara, mas acho que, embora eu acredite demais nele, nem sempre o amor é capaz de segurar um relacionamento que não tenha uma base sólida – o que não significa que ele não seja importante (we’re just humans drunk in the idea love can fixes everything), só que não é a única coisa importante. Ao mesmo tempo, acho que a gente não deve levar a vida muito a sério, e isso também se aplica aos relacionamentos. Deve ser muito chato viver ao lado de alguém que está o tempo inteiro muito sério e não consegue rir das situações absurdas que inevitavelmente acontecem, então esse é um ponto importante também. O mundo já é um lugar difícil demais pra se viver, então a gente não precisa transformá-lo em algo pior.

45) O que alguém deve fazer para ganhar o seu coração?
A tríade de carinho, atenção e risadas não falha, e acho que ainda são a melhor forma de ganhar meu coração, seja de um jeito romântico ou não.

46) A “loucura” traz mais criatividade?
Não necessariamente. Acho que as pessoas tidas como loucas saem da caixa com mais facilidade, o que a gente normalmente atribui como criatividade, mas não acho que seja pré-requisito, pelo contrário. Muitas pessoas que conheço e são extremamente criativas não tem sequer um traço de loucura, inclusive não podiam estar mais distantes disso. Pra elas, muitas vezes, a criatividade é um instrumento de trabalho e elas não dependem dela como uma graça divina, mas vão exercitando esse lado até que possam utilizá-la independente do momento que estão vivendo ou qualquer coisa assim. Ao mesmo tempo, acho difícil encontrar uma definição para loucura, porque existem mais nuances do que a gente muitas vezes é capaz de ver, assim como existem muitas formas diferentes de ser louca. Até algum tempo atrás, transtornos como a depressão eram vistos como loucura, mulheres que saiam um pouquinho da linha eram vistas como histéricas, condenadas a viver eternamente em manicômios, e a homossexualidade, por muito tempo, foi considerado um desvio de conduta gravíssimo; mas eu jamais diria que sou louca por ter depressão, por exemplo, muito embora a tristeza me torne mais produtiva e criativa em alguma medida. Então não sei se existe uma resposta correta nesse caso, muito menos uma que chegue perto de dizer com alguma certeza se a criatividade é ou não uma característica de loucos; talvez só sejamos meio loucos, todos, e alguns um pouco mais criativos que outros.        

47) Qual é a melhor decisão individual que você fez em sua vida até agora?
Começar a estudar audiovisual. Não foi a mais memorável, mas foi a que abriu todas as portas para decisões que vieram depois – ter um site, arriscar um edital, essas coisas. 

48) O que você quer que seja escrito em sua lápide?
Já passei muito tempo pensando sobre isso, e por mais que tenha encontrado algumas respostas, ainda não encontrei a certa. Espero ainda ter bastante tempo para pensar nos assunto, risos. 

49) Diga a primeira coisa que vem à mente quando você ouve a palavra “coração”.
Minha mãe.

50) Pergunta básica: qual é a sua cor preferida.
Azul, acho.

51) Qual é a imagem atual no seu desktop?
Um céu estralado, com os dizeres no meio “she believed she could, so she did”. Faz séculos que uso a mesma imagem, mas ela continua sendo meu lembrete favorito de que posso qualquer coisa, desde que jamais deixe de acreditar. 

52) Se você pudesse apertar um botão e fazer qualquer pessoa no mundo explodir instantaneamente, quem seria?
O Temer.

53) Qual seria a pergunta que você teria medo de dizer a verdade?
Não exatamente medo de dizer a verdade, mas medo de descobrir a verdade: o que eu quero para o meu futuro. Eu tenho uma noção do que quero, mas muitas dessas coisas são excludentes, e eu não posso ter tudo. Me dá medo ser obrigada a pensar em quais são minhas prioridades e dizê-las em voz alta, porque no fundo eu queria tudo, absolutamente tudo. 

54) Se pudesse ter super-poderes, qual seria?
Não um, mas dois: me teletransportar, porque a maior parte das minhas amigas mora longe e eu gostaria de ter um modo mais fácil de vê-las; e ser capaz de ler o pensamento das pessoas. Sou um serzinho naturalmente encucado com a opinião alheia e com aquilo que os outros pensam sobre mim, de modo que facilitaria um bocado ter certeza do que elas pensam ao invés de me deixar levar pelos meus próprios pensamentos devastadores.

55) Se você pudesse reviver qualquer acontecimento em sua vida, que momento seria?
Primeiro, pensei no show do Scorpions, que foi extremamente especial. Depois, pensei no meu primeiro Encontrão, igualmente especial. Mas no fundo, acho que o momento que eu mais gostaria de viver seria algo mais banal, mas nem por isso menos especial. Era 2008, minha casa estava em reforma e eu estava morando na casa da minha tia. Meus avós estavam passando um tempo com a gente à época, e enquanto minha vó dava banho no meu avô, no banheiro do quarto onde eu dormia, eu usava o computador e ouvia os dois discutirem de um jeito absolutamente adorável, como só meus avós conseguiam. Em determinado momento, daquele seu jeito bravo, minha vó mandou o meu avô lavar o cu, ao que ele respondeu, falsamente chocado “o cu??????????”. Acho que nunca ri tanto na minha vida, e continuei rindo depois que meu vô saiu do banho e continuou fazendo graça, enquanto minha vó fingia se estressar. Sinto uma saudade profunda desses momentos e realmente daria qualquer coisa pra poder vivê-los de novo. 

56) Se você pudesse apagar qualquer experiência horrível de seu passado, o que seria?
A noite de Natal de 2007.

57) Você tem a oportunidade de dormir com a celebridade de sua escolha. Quem seria?
No momento, o Harry Styles, porque estou vivendo esse momento. Mas também adoraria dormir com o Sebastian Stan ou o Jensen Ackles ou, ainda, o Chris Evans. Em comum, todos são pessoas absolutamente adoráveis, então acho que temos um tipo, risos.

58) Qual é o seu ringtone?
O toque padrão do iPhone.

59) Você já viajou para o exterior?
Não, mas adoraria.

60) Se pudesse viajar para qualquer lugar com um amigo/a, para onde seria e com quem?
É difícil responder essa pergunta porque tenho os melhores amigos do mundo e adoraria viajar com qualquer um deles. Contudo, podendo escolher apenas um, eu possivelmente escolheria a Yuu, amor da minha vida, porque acho que já vivemos longe por tempo demais e precisamos muito ter a oportunidade de viver esse momento. O lugar importa menos tendo ela como companhia, de modo que deixaria que ela escolhesse o destino.

♥ 

MEMES

A cara da riqueza… se eu fosse rica

A Manu, essa pessoa lindíssima que amo demais, me indicou para responder um meme sobre o que faria se eu fosse… rica. O meme foi criado pela Jessica, do blog “Sem Drama” (que eu não conheço, me desculpem) e achei a ideia absolutamente genial, não só porque amo responder memes, mas principalmente porque boa parte dos meus dias é gasto imaginando como seria minha realidade se herdeira fosse. Eu queria ser rica, mas não apenas rica, eu queria ser princesa, e esse meme é apenas a realização de um pequeno sonho – que não vai se tornar realidade, mas ninguém se importa, não é mesmo. Como sempre, existem algumas regras, mas eu sou uma princesa rebelde e vou ignorar todas elas. Sorry not sorry.

1. Por qual motivo ou situação você gostaria de se tornar rico?
Sendo bem sincera, meu sonho era ter nascido em uma família de gente rica e famosa, ou na realeza, e ser herdeira, nunca precisar me preocupar com dinheiro, etc etc. Como isso não vai acontecer, gosto de pensar que ficaria rica com o meu trabalho, seja ele como escritora ou cineasta, já que ser uma rockstar também não é mais uma possibilidade.   

2. Todo famoso e/ou rico tem uma frase única que ao escutá-la lembramos dele. Qual seria a sua?
Feelings are the only facts – mas essa já é meio que meu lema da vida de qualquer jeito.  

3. Quem são os ricos que você gostaria de conhecer?
Assim como a Manu, não tenho a pretensão de me tornar rica para enturmar com outras pessoas igualmente ricas. Eu sou a pior pessoa do mundo para enturmar, o que por si só já é um obstáculo enorme. Enturmar com pessoas ricas exigiria um pouco mais porque, provavelmente, eu me sentiria muito desconfortável, os papos talvez não fossem exatamente a minha vibe, e eu talvez preferisse estar na cozinha confraternizando com os empregados do que na sala de jantar conversando sobre qualquer coisa. Ao mesmo tempo, não gosto dessa imposição de sou rica, logo sou amiga de pessoas ricas, porque me parece pouco genuíno relações que se estabelecem por algum tipo de acordo social. Eu adoraria conhecer algumas pessoas famosas, por exemplo, que também são bastante ricas, mas gostaria de fazê-los de um jeito natural, não porque somos ricas, não porque eu posso e fim de papo.     

4. Onde você teria suas mansões?
Também não tenho a pretensão de ter uma mansão, quem dirá várias. Se rica fosse, teria um apartamento de tijolinhos em Nova Iorque, uma casinha gracinha e de aspecto meio antigo em Londres, e possivelmente um apartamento em algum lugar do Brasil e um sítio na cidade dos meus avós. Uma das coisas que eu mais gostaria de fazer se tivesse dinheiro sobrando é passar algum tempo em vários lugares diferentes, de modo que escolheria alguns lugares estratégicos para ter uma casinha para chamar de minha; Londres e Nova Iorque são esses lugares. No Brasil, levaria em consideração o lugar que fosse mais viável morar – Brasília ou São Paulo, provavelmente -, enquanto o sítio seria uma forma de manter minhas raízes e ter sempre um lugar para onde voltar e ficar em paz.

5. Quais os produtos que jamais poderiam faltar pra você?
Cosméticos!  

6. E os que você não compraria mais só porque se tornou rico?
Sei lá? Acho que deixaria de comprar coisas porque simplesmente estão na promoção ao invés de comprar algo que eu quero, mas é infinitamente mais caro; ou então coisas que pretendo não precisar mais, tipo cera pra depilar, porque a essa altura já não ia precisar sofrer com depilação nunca mais (kkk).  

7. O que você gostaria de provar que só os ricos podem?
Viajar horrores e gastar bastante dinheiro conhecendo restaurantes. Não é nem questão de “só os ricos podem”; acho que qualquer pessoa poderia fazer qualquer uma dessas coisas, desde que reserve um dinheiro só pra isso ou junte de vez em quando, mas sendo rica, eu não precisaria economizar, o que muda totalmente o cenário. Tive uma colega na faculdade que em 24h organizou uma viagem pra Disney com uma amiga e foi, simples assim, porque ela podia, e acho que se eu pudesse também, esse seria o tipo de coisa que eu faria.    

8. Que local você faria sua primeira entrevista, sessão de fotos e autógrafos?
Depende. Provavelmente num lugar confortável e intimista, em que eu pudesse colocar os pés no sofá e conversar com as pessoas como se estivesse recebendo amigos em casa.   

9. Que local você fecharia um dia inteiro só pra você?
Só pra mim, lugar nenhum porque deve ser chato pra cacete ficar sozinha onde quer que seja. Queria muito poder ter a Disney só pra mim e meus amigos por um dia, e poder fazer o que quisesse sem enfrentar filas e poder tirar foto de tudo quanto é jeito sem ninguém pra me julgar ou passar no meio. 

10. Quais seriam seus passeios preferidos?
Restaurante, restaurante, restaurante. Viajar, viajar, viajar, conhecer todos os lugares do mundo, esse tipo de coisa.

11. Como gastaria seu dinheiro?
Com comida, viagens, sapatos (!), livros, equipamentos que jamais saberemos se realmente vou usar, mas tudo bem, tranqueiras, presentes pras pessoas que amo, esse tipo de coisa. Transformaria o Valkirias numa empresa de verdade, com sede em algum lugar do Brasil, expediente e funcionários de verdade, do jeitinho que sempre sonhamos em fazer um dia. Também compraria um jeep, porque é meu sonho de consumo automobilístico, e um apartamento pra poder morar em paz e chamar de meu, além de um café, que é meu sonho bocó. O resto provavelmente deixaria guardado ou tentaria investir de alguma forma.   

12. Por qual motivo ajudaria e lembraria de um pobre?
Porque sim? Não acho que a gente precise se justificar por ajudar quem quer que seja e nesse caso não seria diferente. Adoraria poder ser rica e ajudar pessoas, bichinhos e causas importantes, porque eu acredito em muitas coisas e queria poder ajudar quantas fosse capaz. 

13. Você acha que seria humilde ou deixaria a fama e o dinheiro subir à cabeça?
Acho difícil deixar o dinheiro subir à cabeça porque seria quase como negar a pessoa que eu sou e minhas origens. Eu não sou essa pessoa, o que eu ganho tentando enganar os outros? É diferente de ser famosa, por exemplo, algo que eu acharia legal demais porque seria a realização de um sonho besta e infantil; mas só ao ponto de sentir o gostinho da coisa toda, de ser reconhecida, de ter pessoas agradecendo ou elogiando meu trabalho. De resto, não gostaria de ostentar meu dinheiro e realmente não me enxergo fazendo isso.

14. Tem algo que você faria ou não faria só porque é rico? O quê?
Mais uma vez, acho que não sairia por aí ostentando meu dinheiro ou me sentindo melhor que os outros por causa da minha conta bancária; isso não diz absolutamente nada sobre o caráter de ninguém. Ao mesmo tempo, não acho que o fato de ser rica me faria fazer coisas diferentes das que já faço: eu continuaria trabalhando demais, porque essa sou eu; continuaria frequentando os mesmos lugares, usando roupas no mesmo estilo de sempre, convivendo com as mesmas pessoas, etc etc. Provavelmente viajaria mais e sairia com mais frequência, mas é meio que isso aí.

15. Deixe uma frase/mensagem para todos os ricos e uma para as pessoas pobres para finalizar a tag.
Cuidado com o que vocês desejam, RISOS.

VIDA DE FANGIRL

Um pequeno registro de sonhos

Há coisas nessa vida que podemos tomar como certas – uma delas é que piscianos sonham demais. Quando digo que piscianos sonham demais, estou dizendo isso de forma literal e também metafórica; nós sonhamos o tempo inteiro, de um jeito que desconhece limites e sem qualquer compromisso com a realidade (pois lógico), mas que muitas vezes se parece tanto com ela que difícil é aceitar que aquilo jamais aconteceu. Me parece o tipo de coisa com chances altíssimas de se tornar problemática, principalmente porque sonhos são perfeitos de um jeito que a realidade jamais vai ser, e é muito fácil se deixar levar por esse infinito de possibilidades. Um dos meus filmes favoritas conta, não por acaso, a história de um casal – na verdade é a história do cara, mas o relacionamento entre os dois é o ponto central da coisa toda – que tem seu casamento e a vida que conhecia destruído por… sonhos. No filme, Don é um ladrão que invade os sonhos das pessoas para roubar segredos ou implantar ideias, em um universo onde muita gente literalmente pagava pra sonhar. A história é complexa pra caramba, com direito a um milhão de dimensões de sonhos e sonhos e mais sonhos, mas a grande questão paralela da vida de Don é que aquele mesmo trabalho tirou a vida de sua mulher, e ele se culpa, não sem alguma razão, por tê-la jogado naquele mundo, ao ponto dela já não ser mais capaz de distinguir fantasia e realidade.

Gosto de como o Nolan (se não ele, quem?) constrói esse universo de um jeito meio cínico, que não enxerga sonhos como algo necessariamente bom ou ruim, mas um híbrido entre as duas coisas. A gente passa muito tempo dizendo que sonhos são importantes, preciosos, que a gente precisa sonhar acima de qualquer coisa, e eu acredito muito nisso na maior parte do tempo. Mas e se não? E se eles também forem perigosos pra caralho? Eu, por exemplo, acredito muito em todas essas coisas – sobre a importância dos sonhos, etc etc – e ainda assim tive momentos de me entregar ao mundo que era criado na minha cabeça, ao ponto de literalmente querer fechar os olhos e dormir o tempo inteiro porque tudo na minha mente parecia tão melhor. É assustador, mas ainda é um ponto que a gente deixa passar quando romantiza a coisa toda; ninguém te diz que isso existe de verdade, ninguém diz como nossa mente é perigosa até que ela saia de controle. O que não significa que sonhos não sejam importantes – apenas que existe mais sobre eles do que normalmente nos dispomos a ver. Nossa mente não produz nada por acaso, eis aí um fato, e é bacana prestar atenção naquilo que ela diz; às vezes pode ser simplesmente que você tem uma crush pelo Harry Styles, mas também pode comunicar coisas mais importantes, como medos que a gente tem e nem sempre entende, ou qualquer coisa assim. Não entendo tanto de sonhos quanto gostaria, mas tenho uma memória muito boa e um apego especial por alguns deles, de modo que o post de hoje nada mais é do que um registro daquilo que se passa na minha cabeça quando estou dormindo.

1) Rolando na grama com Sam Winchester
É uma verdade universalmente conhecida que a melhor forma de confirmar uma crush é… sonhando com ela. Não tem erro: você acha a pessoa bonita, tem uma quedinha por ela, mas então, e só então, sonha com ela e aquilo que antes era uma atração meio besta se transforma na crush do milênio – ou da semana. Dizem que nosso cérebro não é capaz de criar rostos, de modo que as pessoas com as quais sonhamos possuem características já conhecidas, que podem passar despercebidos para nós, mas não pra nossa mente. Eu sonho bastante com celebridades, o que significa que muito tempo da minha vida é gasto olhando foto dessas pessoas; é parte do meu trabalho e também da diversão. Meu sonho com o Sam Winchester foi assim: a descoberta de uma crush que eu nem sabia que existia. Jared Padalecki é lindo. Jared Padalecki é tão lindo que meu estômago dá cambalhotas só de pensar naquele homem enorme e maravilhoso. Mas Sam Winchester sempre foi aquela pessoa cuja minha admiração e atenção estavam muito mais voltadas para o fato de parecer uma pessoa muito gente boa do que, necessariamente, para o fato de ser lindo de morrer. Até, claro, o dia que sonhei com ele. No sonho, a versão do Sam ainda era a mesma das primeiras temporadas de Supernatural, o jovem de vinte e poucos anos com cabelo bonito e sorriso encantador, que queria ir para uma boa faculdade e viver uma vida normal. Era uma versão que eu odiava, sobretudo por ser tão distante da família, por negar o family business e querer ter uma vida diferente. O que é um desejo muito genuíno, é claro, mas que me parecia idiota pra alguém que vinha de uma família tão maneira apesar de todos os pesares. Então o sonho mudou tudo. Nele, eu e Sam estávamos deitados em um gramado imenso, longe de tudo e todos, e ele sorria pra mim e me olhava de um jeito que imagino que seja a mesma forma como o Jared olha pra Gwen. Eu me senti profundamente amada, de um jeito lindo e meio idiota, e tentava devolver esse mesmo amor em forma de sorrisos sinceros e olhares apaixonados. E só. Não teve confusão, não teve romance proibido, não teve demônio querendo estragar tudo; só nós dois num gramado nos amando demais.

2) Casando com Dean Winchester
Eu me apaixonei pelo Dean, nas palavras de Hazel Grace, do mesmo jeito que alguém cai no sono: gradativamente e de repente, de uma hora pra outra. E, ainda assim, foi só depois de anos, literalmente anos, que sonhei com ele pela primeira vez. No sonho, eu chegava na porta de uma igreja abandonada, vestindo moletom, jeans e um tênis, o cabelo preso meio de qualquer jeito, e quando finalmente entrava na igreja, o Dean estava lá, me esperando, com seu combo de camiseta/camisa/parka e o sorriso mais lindo do mundo estampado no rosto. “Você estava me esperando?”, eu me perguntava enquanto um sorriso começava a surgir no meu rosto; e ele respondia de volta, apenas com o olhar, como quem diz “sim, sim, sim”. Então o tempo pareceu suspenso, e mesmo que na minha cabeça uma voz repetisse que aquilo não poderia ser verdade, que aquilo jamais aconteceria sob qualquer circunstância, eu não me importei. Eu não me importei e fiquei ali, pelo o que pareceu um pequeno infinito, sorrindo feito idiota, quase sem conseguir me conter de tanta felicidade. O sonho acabou antes mesmo que eu tivesse a chance de walk down the aisle e ter uma aliança colocada no meu dedo, mas naquele pequeno espaço de tempo, eu acreditei estar vivendo aquela cena, e foi eterno enquanto durou – um eterno precioso e pequenino, que guardei com carinho no meu coração, quase como se a vida toda tivesse esperado por esse momento; e esperei de fato.

3) Fugindo de alguma coisa com o Jared Leto
Um dos meus maiores medos nessa vida é ser perseguida – pelo menos, é isso que meus sonhos dizem. Desde pequena, tenho pesadelos horrorosos com pessoas estranhas que me perseguem, e quando tento gritar por socorro, minha voz jamais sai; ou então com situação mais dramáticas em que literalmente alguém quer me matar e eu preciso tentar sobreviver. Já perdi as contas de quantas vezes sonhei que Lord Voldermort queria me pegar ou que fugia de regimes totalitários que queriam me ver morta e enterrada. Às vezes, dou a sorte de encontrar nesses cenários pessoas que me ajudam ou simplesmente decidem percorrer essa jornada macabra junto comigo, exatamente o que o Jared Leto fez. Sem saber como ou por quê, ele estava ao meu lado, me ajudando enquanto fugíamos, os dois, de algo que a essa altura já não me lembro mais (um bruxo das trevas? um ditador maluco? um assassino de aluguel? são questões). O medo era um sentimento real e constante, e nós fugíamos, pulávamos telhados, nos escondíamos em lugares improváveis e escuros, numa aventura com hora certa para acabar. Como num filme B, eventualmente nós acabávamos nos apaixonando, e foi lindo e intenso enquanto durou, mas como todo sonho, chegou ao fim – tal qual minha crush, que foi perdendo força à medida que eu descobria que o Jared da vida real não era um cara tão bacana assim.

4) Filha do David Bowie
Uma das maiores falhas da minha formação musical foi nunca ter tido um contato mais profundo com a vida & obra de David Bowie. Em uma família que sempre me apresentou artistas de décadas passadas e me incentivou a curtir essas coisas, independente do que fosse dito fora de casa, é irônico que Bowie nunca tenha aparecido de forma significativa nessa construção de gostos que me acompanham até hoje. Estou cercada de pessoas completamente obcecadas pela obra do artista e pelo seu trabalho em diferentes âmbitos; o fato de nunca ter me aproximado dele não fazia sentido algum. Quando faleceu, eu vi meus amigos e pessoas próximas lamentarem, e eu lamentei também; um sentimento totalmente gratuito que fazia com que eu me sentisse uma mentira perto dos verdadeiros fãs de David Bowie. À época, lembro de ver uma foto lindíssima dele com a Iman e a filha dos dois, o que me fez lamentar profundamente. Não era só o mundo que perdia um grande artista, não eram só os meus amigos que perdiam um ídolo; um pai, um esposo, um amigo também eram perdidos ao mesmo tempo. Na mesma semana, eu tive um sonho muito bonito em que o Bowie era meu pai, e ele era um pai tão, tão legal e amoroso que foi difícil acordar e, de repente, ter a realidade jogada na minha cara: eu não apenas não era filha do David Bowie como ele nem sequer estava vivo. O sonho, entretanto, fez com que minha admiração gratuita por ele crescesse; se ele foi ou não o pai amoroso e dedicado com o qual eu sonhei, é uma coisa que jamais vou saber, mas no fundo, não consigo imaginá-lo de forma diferente.

5) Stalker do Tiago Iorc
A essa altura, chega a ser meio idiota pensar que um dia eu não apenas sonhei com o Tiago Iorc, como fiz o papel ridículo de stalker, que não parava de seguir o cara por um minuto sequer, quando a única coisa que consigo pensar quando olho aquele belo rosto é que ele deveria voltar a ser um artista menos conhecido e longe da péssima influência da Tatá Werneck, mas divago. No sonho, Tiago era um rapaz muito, muito legal mesmo, mas cujo interesse não estava na minha pessoa – pelo menos, não o tempo inteiro. Nossa relação era um pouco confusa, porque ao mesmo tempo que me lembro de persegui-lo de um jeito que às vezes fazia com que eu me sentisse num papel realmente ridículo, em outros momentos nós éramos apenas colegas de trabalho ou conhecidos, que conversavam de forma amigável quando estavam no mesmo ambiente – a única diferença é que eu não queria ser apenas uma colega de trabalho ou mera conhecida, enquanto ele parecia se satisfazer plenamente nessa perspectiva. Lembro de vê-lo se interessar por outra garota cujo rosto não lembro qual é, e eu me sentir trocada e injustiçada por passar tanto tempo sendo legal quando ser legal não me deu nada em troca; então o sonho acabou e eu voltei a viver feliz minha vida em que o amor é um lugar infinitamente mais seguro e gentil.

6) Show do Harry Styles
Eu, Anna Vitória, Analu Bussular, Paloma Engelke e Michas Borges invadindo o camarim do Harry Styles e fingindo ser da produção do show, observando tudo meio de longe, com o coração batendo com força e nos enturmando com pessoas que nem imaginavam quem a gente era de verdade. Ainda lembro como foi a primeira vez que vi o Harry de pertinho, só o batente da porta separando nós dois enquanto ele dava uma entrevista, e ele me viu ali e sorriu, do jeito lindo como só ele sorriria, e eu sorri de volta meio sem graça, voltando aos meus afazeres logo em seguida. Por algum motivo que não me lembro mais, acabei perdendo o show, mas foi um sonho delicioso e memorável, e eu gosto como na versão da minha cabeça o Harry é sempre uma pessoa doce e absolutamente adorável, algo que, no fundo, acredito que ele seja de verdade.

7) Visita do Jensen Ackles e do Jared Padalecki
Um dos meus maiores medos (medo, na realidade, é um jeito meio exagerado de colocar a situação, mas bear with me) é receber a notícia sobre o fim oficial de Supernatural. São anos, literalmente anos, sendo assombrada por esse possibilidade, que ganha cada vez mais força à medida que o tempo passa: já são dez anos de história, afinal, e eventualmente esse ciclo também terá que ser fechado. A cada temporada que passa, no entanto, me sinto menos preparada para o momento em que isso vai acontecer, algo que só piorou quando a coisa toda pareceu ganhar contornos mais sérios, e as conversas sobre um possível fim, de fato, começaram a se tornar uma realidade. A visita de Jensen e Jared, ainda que só em sonho, serviu pra acalmar meu coraçãozinho e dizer que tudo bem, tudo chega a um fim, mas isso não é necessariamente ruim. Nele, os dois vinham ao Brasil para uma despedida e passavam na minha casa para passar alguns dias comigo e a Thay – alguém que também os ama profundamente, mas lida com o fim infinitamente melhor do que eu. Dessa vez, não havia qualquer traço de romance, mas sim uma amizade bonita e sincera entre nós quatro, e eu me senti profundamente amada durante todo o tempo. Foi um sonho longo em comparação aos outros, onde muitas conversas foram jogadas fora e nós passamos horas explorando lugares, jogando jogos de tabuleiro, trocando abraços, confidências e dando risadas até o dia que eles inevitavelmente tiveram que ir embora. Foi triste, mas não só triste, e embora fosse muito difícil dizer adeus, eu me sentia incrivelmente em paz por deixá-los ir em busca de novas aventuras. De certa forma, foi como fazer as pazes com algo que eventualmente vai acontecer, e vai ser difícil e triste demais, mas muito especial também, e hoje já consigo ser grata por ter tido a oportunidade de amar a série e seus personagens e sofrer pelo fim iminente porque isso só significa que foi bom demais enquanto durou.

8) Descendo por um corredor/escorregador com infinitas portas
De todos, esse talvez seja o sonho mais antigo e também o mais memorável, ainda que até hoje eu não faça a menor ideia do que ele significa. Como diria a Madonna, não tinha começo, muito menos um fim; de repente, eu estava escorregando por um imenso corredor, que mais parecia a pista do arco-íris do Mario Kart, e de um lado e do outro haviam infinitas portas que eu sequer podia tentar entrar, já que escorregava rápido demais para conseguir segurar na maçaneta de qualquer uma delas. Então eu fiquei ali, escorregando ad infinitum, ao lado de criaturas esquisitas, porém inofensivas, sem nunca chegar a lugar algum. Até hoje não sei como esse sonho terminou, muito menos se cheguei em algum lugar de tanto escorregar, ou, ainda, que diabos significa escorregar entre um milhão de portas, mas fica o registro.

9) Harry Styles, o cara mais legal do mundo
Eu não lembro como, muito menos quando comecei a me interessar pelo Harry e ter uma crush assumida por ele, mas sei exatamente por quê isso aconteceu: o Harry é um cara legal. Ou finge muito bem ser, de modo que é impossível não se apaixonar. Existe algo realmente especial naqueles olhos, naquelas tatuagens horrorosas e principalmente naquele sorriso que poucos caras com os quais sonhei um dia, tem. O Harry me dá a impressão de ser uma pessoa muito gente boa de verdade e com a cabeça no lugar, do tipo que eu adoraria ser amiga, colega, o pinguim da geladeira. Seu álbum (ainda vou falar sobre ele, prometo) reforçou essa impressão, que já vinha desde a época do One Direction, e hoje só posso sentir muito pelos meus sentidos terem me enganado tão fortemente ao ponto de eleger o Zayn como meu favorito. Mas essa é outra história. Nesse sonho especificamente, eu e o Harry nos amávamos demais, de um jeito muito sincero e poético, como eu imagino que amar o Harry seja também. Desde o lançamento do seu álbum, tenho imaginado histórias para as canções ali contidas – algo que faço com frequência, mas que me dediquei a fazer especialmente nesse caso – e acho que, de certa forma, sonhar com ele foi a concretização dessas histórias meio idiotas que só existiam na minha cabeça e onde eu podia me permitir ser a protagonista ou qualquer coisa assim. Gosto de lembrar que, mesmo sendo um ano mais novo do que eu, ele agia como um cara realmente maduro, gente boa e especial, como ele era apaixonado – não só por mim, mas pela vida – e como por alguns minutos, a fantasia pode se tornar realidade.

10) Jared Padalecki no aeroporto
Percebo agora que, ainda que o Jared não seja exatamente uma crush na minha vida, ele aparece com demasiada frequência nos meus sonhos – o que significa, muito provavelmente, que passo tempo demais com ele na minha cabeça, risos. Nesse caso, mais uma vez, nós não éramos amantes, mas duas pessoas que se conheceram de forma casual no aeroporto e decidiram passar o tempo que esperavam jogando conversa fora. No sonho, eu estava com a Thay, voltando de uma viagem aos Estados Unidos, e nós esbarramos com ele no aeroporto, enquanto esperávamos o nosso voo. Como sempre, Jared foi uma pessoal totalmente adorável, nos convidou para tomar um café – que acabou se transformando numa conversa de horas e horas e horas – e ainda esperou que eu fizesse compras numa farmácia, indecisa demais com todas as opções disponíveis. Nós conversamos sobre a Gwen, conversamos sobre seus filhos, seus trabalhos, e sempre que eu falava alguma bobagem, ele ria alto, como se fosse a coisa mais engraçada que ele havia ouvido em anos. Eu não sou uma pessoa engraçada, eu sequer me acho uma pessoa interessante, mas junto com o Jared eu quase acreditava que não só era essas duas coisas, como era com bastante força. Mais uma vez, o sonho acabou de repente e sem grandes explicações, me deixando com aquela sensação maravilhosa de que, ao menos por alguns instantes, eu quase fui melhor amiga de Jared Padalecki himself.