COM AMOR

5. YOUR DREAMS

Inspirado nesse desafio incrível aqui.

Queridos sonhos,

Escrever pra vocês é, ao mesmo tempo, muito fácil e muito difícil – uma contradição que é totalmente proposital. Logo que descobri que a próxima carta do desafio seria pra vocês, achei que ela seria, possivelmente, uma das mais fáceis até agora, talvez porque falar sobre algo que faz tão parte de mim, ao ponto de se tornar uma parte tão fundamental da minha vida e da pessoa que sou hoje, mas principalmente daquela que eu quero ser um dia, realmente pareça muito fácil à primeira vista. Nós nos conhecemos muito profundamente e eu sou a única pessoa nesse mundo inteiro que conhece a dimensão real de vocês – que às vezes são pequenos, como um grãozinho de feijão; ora são enormes, ao ponto de me dar medo e paralisar minhas pernas. No início deste ano, um professor perguntou quais eram meus sonhos e eu travei, mesmo que a resposta estivesse o tempo inteiro na minha cabeça – algo que acontece com mais frequência do que vocês gostariam de imaginar. O tempo, no entanto, foi suficiente pra mostrar que, muito além das coisas boas que vocês me trouxeram em todos esses anos, escrever pra vocês – e, principalmente, sobre vocês – também exigia que eu desenterrasse fracassos, coisas que ficaram no passado e que eu talvez não tenha superado tanto quanto gosto de acreditar, além de escancarar fantasmas que ainda me aterrorizam e com os quais eu ainda não sei se sou capaz de lidar.

Ou seja, fácil, mas também difícil.

A maior parte de vocês cresceu junto comigo. São sonhos que eu guardo com muito carinho, mas que já ficaram para trás há muito tempo, e isso não é de modo algum algo ruim, muito pelo contrário. Vocês são sonhos que, a essa altura do campeonato, eu já consigo ter uma relação mais saudável, que não é de cobrança ou decepção, mas que me fazem olhar pra trás e perceber que tudo bem que as coisas não tenham saído exatamente como meu plano de quinze anos atrás e que, pelo menos, eu vou ter vocês sempre guardados na minha memória, como uma lembrança boa da criança que eu fui um dia. Se hoje eu sou essa pessoa que leva sonhos tão a sério e que sonha até demais é só porque, lá atrás, vocês já me ensinaram que sonhar é importante, que acreditar é essencial, e que se não tivermos algo pelo o que almejar, a vida perde muito da sua graça.

Entretanto, existem muitos de vocês com as quais eu ainda preciso fazer as pazes. Sonhos de dez, às vezes menos, anos atrás que foram deixados de lado por questões diversas – pela falta de dinheiro, principalmente, mas também por falta de foco e persistência. Vocês ainda passeiam pela minha cabeça, como uma promessa não cumprida que, no fundo, no fundo, ninguém prometeu, e por mais que eu tente, às vezes é difícil não encará-los com uma certa mágoa. Porque eu queria que cada um de vocês se tornasse realidade, mesmo que ter absolutamente tudo nunca tenha sido uma opção. Seria injusto não admitir que, por trás de todo o ressentimento do mundo, vocês ainda fazem meu olho brilhar com força e meu coração bater mais forte, e que em uma realidade alternativa seriam vocês a minha realidade, porque é assim que eu gosto de pensar. Mas, a essa altura, eu já tenho a capacidade de compreender que mesmo o fracasso também foi importante e que a frustração de não ter todos os meus sonhos realizados também me ensinou um bocado. Por mais que a Ana de dez anos atrás nem sempre me olhe com um sorriso no rosto, mas com a descrença com a qual jovens adolescentes, em toda a sua complexidade, olham para adultos que se tornaram pessoas tão comuns, eu consigo entender que isso foi necessário para que eu quebrasse muitas das minhas próprias expectativas e entendesse que o mundo não é uma máquina de realizar desejos, mas uma caixinha de surpresa, que reserva inúmeras reviravoltas pelo caminho – algumas incríveis, outras nem tanto – e são essas reviravoltas, no final das contas, que constroem nossas histórias. Se soubéssemos exatamente como seria o caminho, de nada valeria a jornada.

A maior parte das minhas questões com a vida adulta são justamente fruto dessa bolha privilegiada que eu vivi durante muitos anos e que, quando estourou, me jogou em um mundo com o qual eu nunca fui inteiramente capaz de lidar. Embora eu ainda esteja bem longe do ideal que criei de mim mesma aos 23 anos, foram vocês os responsáveis por, de certo modo, me prepararem para o mundo que esperava – um mundo muito maior do que aquele em que eu cresci e com pessoas com sonhos tão importantes quanto os meus. Mesmo assim, vocês encontraram espaço para crescer para além de qualquer fronteira e foram capazes de me mostrar que, se tantas pessoas chegaram lá – onde quer que esse tal “lá” seja – então eu também sou capaz de chegar onde quiser. Meu esforço nem sempre vai ser capaz de me fazer chegar nos lugares onde eu sonho em estar um dia, mas isso não significa que eles não me ajudem a chegar num lugar – um lugar que talvez seja muito melhor do que aquele que eu e vocês imaginamos juntos.

Embora eu tenha custado a admitir isso pra mim mesma, no entanto, é verdade também que muitos de vocês ainda me dão medo. Não só porque vocês são enormes, difíceis, porque cresceram muito além da conta, mas porque eu morro de medo de que, perdida no mundo de vocês, eu termine me perdendo de mim mesma. Dizem que piscianos têm essa tendência a sonhar alto demais e, muitas vezes, ultrapassar os limites daquilo que é considerado saudável até chegar em um ponto em que a realidade se tornou tão brutal, que ligar o modo automático e viver no mundo dos sonhos em tempo integral se torna muito mais fácil, para não dizer a única alternativa válida. Um dos meus filmes favoritos conta justamente a história de um cara que perdeu a mulher porque ela, de repente, se deixou perder nos próprios sonhos de tal modo que, ao se perder em uma realidade construída sob medida, tirou a própria vida para viver aquilo que ela acreditava ser sua única realidade. A primeira vez que assisti ao filme, achei a personagem burra, estúpida, idiota. Aos poucos, no entanto, percebi nela muito de mim mesma, e por mais que doa admitir isso, cada vez mais eu consigo enxergar o quanto eu e ela estamos ligadas – e foi preciso que eu passasse por períodos terríveis na minha própria vida para reconhecer que entre eu e ela existiam muito mais semelhanças do que acreditava minha vã filosofia.

Embora eu nunca tenha pensando em nada tão extremo e o contexto no qual ela está inserida seja cheio de artifícios possíveis apenas na ficção, eu consigo enxergar a linha – às vezes muito tênue – que separa a Ana que sonha alto e corre atrás dos próprios sonhos, mesmo quando morre de medo deles, daquela que prefere rejeitar sua própria realidade em prol do mundo que construiu em sua cabeça. Conversando sobre isso com a Yuu, durante um dos momentos mais difíceis pelos quais passei esse ano, fui pega de surpresa pela genuína – e inevitável – preocupação dela. Até ali, eu não acreditava que vocês pudessem ser um problema na minha vida para além da minha dificuldade nata de lidar com o fracasso, mas não demorou muito para que eu mesma reconhecesse na preocupação dela um motivo pra que eu mesma desse mais atenção ao que estava acontecendo e procurasse ajuda antes que fosse tarde demais. Eu amo cada um de vocês, com uma força que nem sempre parece existir em mim, mas eu também preciso admitir que lidar com alguns de vocês sozinha era exaustivo e que eu precisava passar por isso de forma apropriada antes que toda essa situação levasse embora de vez a minha sanidade. Por mais que vocês sejam uma parte importante – enorme, fundamental – da pessoa que sou hoje, alguns de vocês cresceram ao ponto de se tornarem monstros e é preciso que eu aprenda a lidar com vocês da melhor forma possível antes que vocês se tornem os vilões da minha história, e não meus aliados, aqueles que me motivam a colocar um pé na frente do outro e seguir o meu próprio caminho mesmo quando as coisas ficam difíceis, que é o papel que vocês sempre desempenharam na minha vida.

Talvez vocês fiquem chateados e eu entendo. Mas eu precisei reunir um bocado de coragem para escrever sobre isso e eu espero que vocês saibam reconhecer isso também – e aí, abram um sorriso, mesmo que meio a contragosto, ao perceber que a garotinha que cresceu junto com vocês está tomando as rédeas da própria vida, ganhando perspectiva e seguindo seu caminho como deve ser. No final das contas, eu sempre vou ser a mesma pessoa que acredita e tem muita fé – em Deus, nas pessoas, na vida, em vocês – e isso é algo que não vai mudar jamais. Se Izzie Stevens, que sempre foi minha spirit animal, continua acreditando em tantas coisas mesmo depois do caos se instalar em sua vida, nada mais justo que eu faça jus à ela e siga meu caminho de mãos dadas com vocês, acreditando que juntos somos capazes de conquistar o mundo. Eu acredito, acredito, acredito. Obrigada por continuarem comigo, fazendo meu coração bater com força mesmo depois de todos esses anos.

Com amor.

MEMES

ALL I WANT FOR CHRISTMAS

Isn’t you, risos.

Já é uma verdade universalmente reconhecida que listas são o fraco de qualquer blogueira que se preze. Fora o fato de ser algo realmente divertido de fazer, elas são a solução perfeita para aqueles dias de pouco tempo e/ou inspiração, a salvação de blogueiras desajuízadas que se metem em ciladas com uma frequência duvidosa e depois não fazem a menor ideia do que fazer. Nos três anos que tenho esse blog, várias listas foram feitas sobre os mais diferentes temas e todas, de um jeito ou de outro, sempre me lembram de momentos muito específicos da minha vida, que podem ou não ter tido alguma relação com o tema em questão.

De todas as listas que já fiz, no entanto, wishlists nunca foram meu forte – talvez porque, desde que comecei o blog, minha relação com o consumo tenha mudado um bocado. Cinco anos atrás, quando eu ainda tinha um blog de moda pra chamar de meu (risos eternos), as wishlists eram muito frequentes e esbarravam na própria linha entre aquilo que era apenas a minha vida e o que virava conteúdo pro blog, justamente porque muitas dessas listas também estavam nos meus caderninhos, que ficavam comigo o tempo todo e me lembravam daquilo que eu gostaria de investir o meu dinheiro em, quando tivesse algum dinheiro. O negócio é que, aos poucos, eu comecei a perceber que meus desejos nem sempre batiam com aquilo que eu realmente precisava ou que era, de algum modo, relevante pra mim. Todo mundo tem os seus fracos, seja envolvido com moda em algum nível ou não, mas vocês percebem a diferença entre comprar roupas demais que você realmente usa e comprar uma porção de vestidos que nunca vão ver a luz do dia, né?

Além disso, ainda podemos contar o fato de que, ao contrário de outras listas, wishlists ficam muito mais bonitinhas quando acompanhadas de uma montagem igualmente bonitinha, com todos os desejos reunidos em uma só caixinha (?) – e aí só de pensar eu já sinto uma vontade muito real de sentar num canto e começar a chorar, tamanha a preguiça de abrir o Photoshop e reunir imagens, preços e links que no final só vão servir pra embelezar o blog, porque ninguém vai me dar nada mesmo, risos -, sem contar que, embora tenha sido um ano muito bom na minha vida e que eu tenha comprado bastante coisa, ele foi um ano mais fraco do que o normal nesse sentido – uma consequência da crise, é claro, mas também do meu próprio consumismo, que se antes era desenfreado e atirava para todos os lados, hoje é mais direcionado e trabalha de acordo com meus propósitos.

Como é Natal e eu já perdi a vergonha na cara mesmo, resolvi, então, fazer uma wishlist um pouquinho diferente: ao invés de criar uma montagem bonitinha para ilustrar e reunir imagens, preços e links, preferi fazer uma lista mais livre, com coisas que eu realmente preciso/quero ganhar, mas sem dar muito direcionamento, e tudo ilustrado com gifs e imagens aleatórias, porém bonitinhas, que já são características da casa. Não é como se eu fosse ganhar alguma dessas coisas, mas pelo menos vocês vão saber o que eu gostaria de ganhar nesse Natal, risos.

1. CAMISA JEANS


Eu nunca tinha notado o quanto precisava de uma camisa jeans até o dia que eu realmente precisei de uma camisa jeans, que servisse perfeitamente no meu corpo e não fosse algo emprestado – ou roubado, risos – de alguém. A que tenho hoje no meu armário foi um achado do armário do meu primo, que usou a camisa quando era criança mas que, de repente, se viu grande demais pra ela, que é de um modelo infantil. Por mais que ela sirva quase perfeitamente em mim e continue quebrando o galho em várias situações, os braços dela são muito curtos e  às vezes tudo o que eu quero é uma camisa jeans que vá até o pulso e que eu possa abotoar sem problema algum. Tenho gostado muito de usar camisas por baixo de suéter, com a golinha pra fora, e ter uma camisa com braços que acompanhem o suéter (e não que fiquem no meio do caminho) é fundamental.

2. BOLSA DA RORY NO REVIVAL

Ou seja, a bolsa mais linda do mundo. Não é exatamente uma novidade que Gilmore Girls tenha influenciado também meu guarda-roupa nesse meio tempo desde que comecei a assistir a série, que deu um tempo do jeitinho gótica suave de ser pra dar lugar aos vestidinhos com botinha e jaqueta, ou suéter com camisa e calça jeans (e ocasionais moletons) – meu jeitinho de trazer meu lado Rory Gilmore pra vida real. O revival, no entanto, foi a coroação de tudo isso, porque além de lukinhos maravilhosos, ela ainda me deu de presente a bolsa mais linda do mundo com a qual sonhar e desejar encontrar uma igual pra chamar de minha. Infelizmente, vocês só vão poder ver a alça dela, que é o que aparece no gif acima, mas eu tenho certeza que vocês sabem exatamente de que peça estou falando – e muito provavelmente, também estão loucas por uma também.

3. UMA FILMADORA


Pra uma estudante de audiovisual que vira e mexe está gravando alguma coisa e que pretende continuar gravando coisas mesmo após o fim da faculdade, é mesmo um absurdo que eu não tenha uma filmadora até hoje (mas vocês também podem chamar de falta de dinheiro, risos). É bem verdade que eu tenho uma DSLR, mas como ela não tem a opção de gravar (um vacilo pelo qual jamais irei me perdoar), só me resta comprar outra ou então torcer para encontrar uma filmadora legal e que não tenha um preço muito absurdo, já que pra fotografar a câmera continua funcionando 100%. Como vendê-la está fora de questão – é muito apego emocional, risos -, aguardo ansiosamente o dia que terei uma câmera nova – ou uma filmadora – pra chamar de minha e aí sim poder tirar todos aqueles roteiros, ideias e a promessa de um canal no Youtube do papel.

4. LIVROS, LIVROS, LIVROS

Quando a pessoa assume pra quem quiser ouvir que seu maior sonho na vida é ter a biblioteca de A Bela e a Fera, você sabe que livros sempre vão ser uma boa ideia de presente. A pessoa, no caso, sou eu, de modo que não preciso dar maiores explicações sobre o meu desejo de ganhar cada vez mais livros, mesmo que meu armário já esteja pedindo arrego. Atualmente, minha lista de desejos na Amazon conta com 160 itens até o momento, todos de preços variados e com temáticas igualmente distintas, ou seja, pra quem interessar possa, fica aí uma belíssima e preciosa dica, risos.

6. FÉRIAS


De todas as coisas que eu desejo ganhar nesse Natal, férias são, muito provavelmente, a mais importante delas. Porque eu preciso de férias, de preferência num lugar longe de Brasília e se possível, sem acesso a internet, porque eu sou absolutamente doente e sempre arranjo algo novo com o que me preocupar. Por mais que eu não esteja tendo efetivamente aulas no momento, é bem verdade que estar em casa nem sempre significa descanso, muito pelo contrário. Escrever, por si só, já é uma coisa que consome muito meu tempo, especialmente porque meu processo é completamente ineficiente e, por mais que eu ame profundamente o que faço, em alguns dias a sensação é a de que meu cérebro vai escorrer pelo ouvido a qualquer momento. Fora isso, as pessoas da minha casa têm o péssimo costume de acreditar que, só porque eu estou no meu quarto, na frente do computador – às vezes assistindo uma série ou um  filme – significa que eu não estou fazendo nada e pra eles, entender que esse é justamente o trabalho, muitas vezes implica longas conversas que matam um tempo enorme, sem contar que sempre tem alguém que vem pedir um favor que eu, sendo pisciana pra cacete, nunca sou capaz de dizer não. Por essas e outras, meu maior sonho no momento é ir para as colinas, me isolar do mundo com um livro e um estoque infinito de chá e chocolate quente, e vários moletons quentinhos por pelos menos umas duas semanas e depois voltar, porque em algum momento eu também sinto falta dessa maluquice.

7. UM VÍDEO GAME

Um minuto de silêncio em homenagem ao dia que jogaremos vídeo game com o Sebastian Stan, risos. Sendo bem sincera, eu tenho um vídeo game em perfeitas condições – que na verdade é do meu primo hehe – e que eu não sinto a menor vontade de substituir, não fosse o fato de não saírem mais jogos pra ele e meu computador ser 100% incapaz de rodar um jogo de forma decente – fora que eu odeio jogar qualquer coisa em computador, mesmo The Sims. Da última vez que conversei sobre o assunto com minha mãe, ela ficou bastante interessada em vídeo games com jogos de dança que ajudam a gente a se exercitar sem sair de casa, já que a maior meta dessa mulher é me fazer mexer a bunda e praticar algum exercício físico. Espero, no entanto, que esse troço saia logo porque não aguento mais ler críticas dos lançamentos e não poder jogar absolutamente nada.

8. VESTIDINHOS

Depois da fase shortinho e camiseta, é chegada a hora da pessoa que vos escreve ficar completamente obcecada por vestidinhos, infinitos vestidinhos, de preferência com uma pegada atemporal, desses que poderiam facilmente ter sido da sua avó quando jovem e continuam servindo perfeitamente pra você. Tenho uma pasta inteirinha no Pinterest que é dedicada só a guardar modelos de vestidos que pretendo mandar para a costureira (aka mamãe) (ou vovó) em algum momento da vida, nem que seja só pra ter no meu guarda-roupa, pois ocasião eu provavelmente jamais terei pra usar – infelizmente, quando o assunto são vestidos, eu continuo sendo totalmente esse tipo de pessoa. Bless my little heart.

JOHN HUGHES NÃO DIRIGE MINHA VIDA

IT’S A TRAP

Você sabe que uma pessoa é completamente sem noção quando ela decide, sem mais nem menos, embarcar numa cilada com algumas amigas no mês mais ferrado do ano.

Querido leitor, a essa altura você nem deve estar se perguntando quem é essa pessoa, afinal de contas, não restam dúvidas de que ela e eu somos a mesma pessoa – e eu não preciso nem fingir que não. Prometi pra mim mesma, ainda ontem, que não inventaria nenhuma moda, porque dezembro já é um mês naturalmente intenso e eu realmente não precisava – e continuo não precisando – de algo a mais com o que me preocupar. Só que eu sou eu, também conhecida como a pessoa mais sem juízo do mundo, que sempre quer abraçar o mundo e que nunca hesita diante de uma ideia que pareça boa, boa demais, para não ser colocada em prática. Foi assim que eu topei as coisas mais absurdas que já fiz na vida, de tocar campainha de gente desconhecida e sair correndo até pegar uma avião pra ver gente que eu nunca tinha visto na vida, e foi exatamente assim que eu me vi topando participar do Blogmas, que nada mais é do que uma versão do BEDA em clima de Natal, risos.

A última vez que eu inventei de postar todos os dias durante um mês foi esse ano mesmo, e o resultado foi tão bom que eu larguei de mão já na primeira semana. Naquela época, aconteceram várias coisas (inúmeros gatilhos que desencadearam crises de ansiedade e depressão horrorosas) que me motivaram a parar tudo que eu estava fazendo pra respirar fundo e colocar minha cabeça no lugar, e nessa sucessão inevitável de fatos, abrir mão do BEDA era a única saída possível pra que eu continuasse com a mente mais ou menos sã.

Quando eu digo que levo essa porra muito a sério, é porque eu levo mesmo essa porra muito a sério.

Eu não tinha a menor intenção de entrar de novo em nada parecido. Embora eu goste de manter esse espaço, não me cobrar para mantê-lo atualizado me ajudou um bocado e me deixou muito mais leve em relação ao papel dele na minha vida. Se o blog nunca foi uma obrigação – e eu nunca quis que ele virasse uma obrigação -, nada mais justo do que eu só aparecer aqui quando realmente tiver o que falar e, principalmente, quiser falar, mesmo que entre uma atualização e outra se passem muitas semanas. É um jeito muito mais honesto de trabalhar, especialmente porque esse é um espaço que nasceu pra que eu falasse da minha vida, sobre coisas que nem sempre as pessoas ao meu redor estavam interessadas em discutir, e onde eu pudesse registrar minhas memórias, e por mais que a gente consiga fazer graça até do que já virou rotina, às vezes a gente também só quer deitar na cama e assistir Gilmore Girls até não aguentar mais, sem a obrigação de ter que transformar tudo em texto.

Acontece que dezembro é o meu mês favorito do ano inteiro e as chances dele passar em branco por aqui eram mínimas, pra não dizer inexistentes. O Natal é minha celebração favorita, as comidas dessa época são minhas preferidas, eu adoro me arrumar pra beber vinho com minha família e jantar com a família do meu namorado, e o fim iminente do ano sempre me deixa mais reflexiva (brega, eu sei). Meus textos favoritos são sempre aqueles que escrevo no último dia do ano, justamente porque eles são um balanço muito fiel daquilo que me aconteceu em um período de tempo específico e eu sempre gosto de poder voltar pra eles de vez em quando e relembrar as coisas boas e ruins que ficaram – ou não – pra trás e do quanto minha vida mudou nesse meio tempo. Além disso, gosto de fazer um balanço nessa época daquilo que andei lendo, ouvindo e assistindo durante o ano, e minha opinião sobre todas essas coisas – que podem ou não mudar com o passar do tempo. Querendo ou não, são todas formas de registrar aquilo que está acontecendo na minha vida. Se a cultura pop me influencia tanto ao ponto de eu decidir criar um site com minhas amigas só para discutir o assunto, nada mais justo que uma parte disso também venha parar no blog – de um jeito diferente, é claro, mas ainda assim. Ou seja, eu daria as caras por aqui em dezembro de qualquer jeito.

O negócio é que postar todos os dias – ou, pelo menos, tentar postar todos os dias, que é o que eu me propus a fazer – muda completamente todo o meu planejamento pra esse mês. Tem a faculdade, que alguma hora vai renascer das cinzas e transformar minha vida num inferno; tem os textos que precisam ser entregues; os filmes e séries que precisam ser assistidos; as revisões que precisam ser feitas; fora a minha vida inteira que não precisa de mais incentivo pra se tornar inexistente no meio de tudo isso. E mesmo assim, eu resolvi que deveria fazer isso – não por fui obrigada, não porque sou maria-vai-com-as-outras (sou mesmo, e daí?), mas eu porque eu tive vontade, porque eu claramente não tenho juízo nenhum na cabeça, e porque é certo que eu terei pessoas maravilhosas do meu lado nessa.

Não garanto que vamos ter posts novos todos os dias porque, como eu bem disse, tenho trabalhado melhor com a ideia de tentar e respeitar meu próprio tempo, ao invés de fazer alocka e me obrigar a fazer alguma coisa e depois ficar arrancando os cabelos enquanto choro desesperada e ando em círculos no quarto porque claramente não dou conta de tudo. Mas eu espero realmente conseguir, não como uma forma de me redimir pelo BEDA não alcançado, mas de fazer uma coisa diferente, com pessoas – nem tão – diferentes e me divertir um pouquinho no processo – e espero, de verdade, que vocês possam se divertir um pouquinho também.

Aguardem cenas dos próximos capítulos, risos.

JOHN HUGHES NÃO DIRIGE MINHA VIDA

PLACES WE CAN HIDE

Uma das perguntas que eu mais recebo quando as pessoas descobrem que eu tenho um blog pessoal é como, afinal de contas, eu consigo escrever sobre a minha vida em um espaço que, por mais meu que seja, está aberto pra quem quiser entrar. É um questionamento que eu, na realidade, acho bem válido, especialmente pra quem cresceu numa época que você precisava ir na casa de outra pessoa se quisesse ver seus álbuns de família ou saber seu número de telefone pra manter algum tipo de contato. Minha mãe e minhas tias cresceram numa época em que as pessoas precisavam entregar convite em mãos se quisessem convidar os outros para sua festa de aniversário e minha vó ainda acha difícil entender esse tal de zap-zap ou como a gente descobre coisas sobre a vida de todo mundo só dando uma olhada em um perfil no Facebook. Mas pra mim, que cresci fazendo amizade com pessoas que nunca conheci pessoalmente e que encontrei na internet um lugar repleto de pessoas com gostos e opiniões parecidas com as minhas, mais até do que as pessoas que se encontravam ao meu redor em diferentes momentos da vida, sempre pareceu muito natural falar sobre meus dramas e contar os causos da minha vidinha sem graça de millenial num blog qualquer – e continua sendo, mesmo depois de tanto tempo.

O fato de me expor de alguma forma na internet não é – nem nunca foi – um big deal. Embora a frequência com que eu tenho aparecido por aqui tenha diminuído bastante em 2016, isso só aconteceu porque agora eu tenho mais coisas com as quais lidar do que tinha até o ano passado e não porque eu desisti de me expor em algum nível. Por mais que eu não conheça a maior parte das pessoas que estão aí do outro lado, a verdade é que, cada vez que venho aqui, a sensação é quase a mesma de abrir a porta da minha casa e convidar vocês pra se sentarem no tapete da sala comigo enquanto jogamos conversa fora e dividimos uma pizza e uma garrafa de vinho. São coisas que eu facilmente faria com uma amiga e que eu faço com vocês com a mesma facilidade – e aí sim, é muito curioso, pra mim, especialmente, perceber que, enquanto eu sou uma pessoa que tem uma dificuldade enorme em me abrir com as pessoas da vida real (o que quer que isso seja), uma vez no blog, eu consigo falar sobre a vida, o universo e tudo mais com uma naturalidade realmente inesperada. Se a escrita sempre foi uma forma de terapia, que me ajuda a compreender melhor o mundo ao meu redor, nada mais justo do que ter pessoas do outro lado acompanhando o que acontece, compartilhando seus aprendizados e, quem sabe, aprendendo junto comigo também. Pode até ser que, pra quem é de fora, pareça estranho que alguém que eu nunca vi na vida venha aqui dar pitacos sobre o que acontece ou deixa de acontecer na minha trajetória, mas eu realmente acho que o que acontece aqui é muito, muito especial.

Graças ao blog, eu conheci pessoas que hoje fazem parte verdadeiramente da minha vida. Pessoas que viajam comigo, pessoas que estão comigo nos momentos mais difíceis da minha vida, com quem eu divido minhas angústias e alegrias, pessoas que conhecem os bastidores por trás de cada página desse blog. Pessoas que assistem séries comigo, que estão sempre dispostas a me ajudar com o que quer que seja, que dão pitacos sobre as minhas roupas. Pessoas que sonham comigo e constroem o meu sonho junto comigo. Ou seja, é realmente especial o que está acontecendo entre um texto e outro – seja ele um meme engraçadinho, um texto mais sério ou só mais um casinho bobo da minha vida. Aqui estão os registros de tudo isso, coisas que me lembram o tempo inteiro que, mesmo o que não está escrito nessas páginas, está registrado aqui de alguma forma, em um comentário, em uma foto, em algo nas entrelinhas que somente aquelas pessoas que de fato estão vivendo comigo em tempo integral vão saber que está ali, presente de alguma forma.

Hoje foi um dia realmente especial. Depois de uma semana que pesou em vários sentidos, foi bom poder, finalmente, ter motivos pra sorrir com vontade de novo. O Valkirias está crescendo. Os novos episódios de Gilmore Girls finalmente foram ao ar e eu assisti o primeiro com um sorriso no rosto e lágrimas nos olhos, enquanto me esbaldava com um enorme balde de pipoca cheia de manteiga. Eu recebi um prognóstico bastante positivo do meu tratamento e talvez, num futuro nem tão distante assim, eu possa seguir em frente sem a ajuda de remédios. Eu abracei meu cachorro que nunca deixa ser abraçado, joguei conversa fora com minhas amigas, dancei na cozinha com meu afilhado, deitei no chão da sala e me permiti ficar ali só admirando a árvore de Natal que montamos ontem, tão linda quanto vocês puderem imaginar. Coisas assim, tão bobas, mas ao mesmo tempo, tão fundamentais. Se a vida não é feita de viagens à Viena, mas de festinhas de aniversário, então talvez seja isso que, afinal de contas, torna nossas vidas mais especiais.

Estamos todos lutando uma batalha e seria ingenuidade acreditar que, daqui pra frente, todos os dias serão assim, porque eles não vão ser. Mas, ao mesmo tempo, um dia bom às vezes é exatamente o que a gente precisa pra voltar acreditar que a vida pode, em meio ao caos, ser muito boa, como o ponto fora da curva, a florzinha que nasce no meio do asfalto ou qualquer coisa assim, e depois de dois textos particularmente baixo astrais, é importante que eu também venha aqui para contar sobre as coisas boas que acontecem, mesmo quando elas parecem tão pequenas diante de todo o resto. Talvez seja a hora de parar de pensar um pouquinho em tudo de ruim que acontece e valorizar as pequenas coisas – maravilhosas, incríveis, adoráveis e tão, tão especiais – que acontecem no meio do caminho.

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DRAMAS REAIS

DRAMAS DA MADRUGADA

Uma das coisas que mais me incomodam em Doutor Estranho é o fato do filme tentar abordar um assunto complexo como a morte e a falta de controle do ser-humano sobre a vida, mas não tratá-lo com a seriedade que ele realmente merece. Ah, mas é só um filme de super-herói, diriam vocês. E, de fato, é um filme de super-herói – só não apenas mais um, o que faz toda a diferença do mundo. Me chateia um bocado que tenhamos chegado num ponto em que é impossível esperar que um filme de super-herói – ou blockbusters, de modo geral – seja capaz de ir além daquilo que é esperado nesse tipo de produção. Conversando com um cara mais ou menos famoso nesse meio da cultura pop sobre o filme, ouvi que era ele era bacana, mas que eu não deveria esperar uma obra-prima. Ah, mas aí é esperar um pouco demais, né?, respondi. Me odiei no mesmo instante. Mas aí vocês veem como as coisas são, porque se eu, que defendo blockbusters com unhas e dentes, disse uma coisa dessas, imagina só quem sempre acreditou que esse era um nicho de alguma forma inferior, né.

Às vezes, fico pensando se chegamos mesmo num ponto em que já se tornou ingenuidade acreditar que podemos tirar mais de um filme desses do que aquilo que eles realmente prometem. Sei lá, será que eu nunca vou parar para refletir sobre a vida, o universo e tudo mais depois de assistir um filme de super-herói? Isso já aconteceu antes, por que diabos não pode acontecer de novo agora? Eu achei, do fundo do meu coração pisciano sofredor, que Doutor Estranho seria esse filme. Ele foi vendido como o filme mais sombrio da Marvel até então, e a própria história do Dr. Strange abria espaço suficiente para que a Marvel mandasse todo mundo pro inferno com essa ideia. Uma pena, então, que não tenha mandado, mas feito justamente o contrário.

A princípio, o filme é exatamente aquilo que venderam. Diferente. Protagonista complexo. Primeira vez que um filme vai fazer o 3D realmente valer à pena, esse tipo de coisa. Fora, claro, o fato dele abordar um tema que sim, é bastante complexo, e que sim, particularmente, me interessa demais. Mas entre piadas que às vezes funcionam, às vezes não, ele acaba se tornando um filme que nunca é realmente capaz de chegar lá. Ouvi – ouvi é modo de dizer, já que nossas conversas são inteiramente escritas – desse mesmo cara que a cena da morte da Anciã tinha sido uma das coisas mais fortes que ele já tinha visto num filme da Marvel, e eu concordo, demais até – ela só não é suficiente pra compensar todo o resto.

A morte é uma questão bem séria na minha vida, do tipo que já me fez perder noites de sono e ficar caminhando em círculos pelo meu quarto tentando entender se a vida, afinal, valia alguma coisa se no final todo mundo acabaria virando comida de minhoca mesmo. É uma coisa horrível de se pensar – e dizer, me desculpem pela imagem mental -, mas pra mim, é inevitável. Não por acaso, meu livro favorito é Estação Onze, que conta justamente uma história que aborda, entre outras coisas, a efemeridade da vida e a falta de controle do ser-humano. Vira e mexe, minha mãe me diz que esse medo todo é falta de fé em Deus. Que eu não tenho confiança o suficiente para entregar minha vida nas mãos Dele e abraçar o que quer que venha pela frente – até o inevitável fim, quando chegar a hora -, etc etc. Seria mentira se eu dissesse que isso não faz algum sentido na minha cabeça também, porque faz um bocado, embora não seja só isso, muito menos o tempo inteiro.

Quando digo que tenho medo de morrer, as pessoas normalmente imaginam que esse medo tenha algum motivo religioso por trás, que eu tenho medo de ir pro inferno ou qualquer coisa assim. Só que não é sobre isso, nem nunca foi. Também não é o medo da forma como isso vai acontecer, embora eu prefira que seja durante o sono, de forma serena e sem grandes traumas; muito menos porque eu temo pelas pessoas que vão ficar aqui, nesse mundo, e vão sentir a minha falta e seguir a vida sem mim – uma razão muito mais nobre para se temer a morte, na minha humilde opinião. Não. Meu medo é morrer, e simplesmente morrer, e me dar conta de que a única existência é essa que estamos vivendo agora e que nada além dela existe fora um vazio angustiante e o inevitável esquecimento. Uma vez, sonhei que morria com uma facada na barriga, e após sentir, literalmente, a vida se esvair do meu corpo, eu fui parar nesse lugar escuro, completamente sozinha, até a hora de acordar. Foi desesperador e eu espero, do fundo do meu coração, nunca ter que voltar lá.

Em 23 anos, eu vi a morte acontecer algumas vezes – com pessoas próximas, com pessoas nem tão próximas, com pessoas que estavam literalmente na minha frente – e embora cada situação seja única, todas me ensinaram, do jeito mais difícil, que não existe nada de bonito ou poético na morte. Talvez por isso exista esse costume de dizer que ninguém é capaz de compreender a morte tão profundamente até, de fato, ter perdido alguém próximo. E talvez por isso, também, assistir esse assunto ser tratado de forma leviana na ficção ainda seja algo que mexe tão profundamente comigo. E vai continuar sempre mexendo, acho.

Se posso passar a vida inteira ignorando meus monstros ou escondê-los no armário e sair correndo, a morte se faz presente de um jeito ou de outro, e por mais que eu passe a vida inteira fugindo, me escondendo, em algum momento vamos acabar nos esbarrando – resta saber se, quando isso acontecer, eu serei pega de surpresa e irei embora esperneando, ou se darei as mãos para ela, como uma velha amiga, partindo juntas para uma nova aventura pelo o que quer que exista além deste mundo. Ficamos na torcida pela segunda opção.

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(Perdão pela bad vibe, prometo melhorar)