THE ROAD SO FAR

STILL ALIVE

‘Cause I was lost at sea while the waves were dragging me underneath. Shine a light on, shine a light on me.

Quando 2016 começou, eu tinha apenas duas coisa em mente: não fazer resoluções mirabolantes e não criar expectativas. Depois de um ano tão difícil – e pesado, e terrível, e estranho – quanto 2015, a única coisa que eu queria para aquele novo ciclo era poder ter um pouco mais de paz e a possibilidade de viver um dia de cada vez, como a pessoa serena que eu nunca fui – pelo menos, não até aquele momento. Não havia nada de mirabolante aí. Mesmo assim, naqueles minutos que antecediam a virada, prometi pra mim mesma que não ficaria com a bunda no sofá esperando que as coisas acontecessem na minha vida, e reforçando o combinado que tinha feito com uma amiga algum tempo antes, prometi que também não reclamaria tanto, mas abraçaria o que estivesse por vir com todas as consequências inclusas no pacote. Não sei até que ponto vocês acreditam no poder das palavras ou na força do pensamento, mas a essa altura, não posso deixar de pensar que todas as mudanças – rápidas, enormes, assustadoras – e todas as coisas que aconteceram nesse meio tempo não tiveram algo a ver com aquela versão meio rabugenta de mim mesma que não esperava nada, absolutamente nada, daquele ano que estava chegando.

Sometimes you have to allow yourself to be weak in order to grow stronger. Quem disse isso foi Eleanor Waldorf em um contexto que agora já não lembro mais, mas precisei anotar essa frase para nunca esquecer que às vezes é preciso se permitir ser fraco, vulnerável e cair de cara no chão, antes de se levantar mais forte que nunca. Em um ano tão intenso, talvez essa seja a frase que melhor resume os meus últimos 366 dias. Quando o ano começou, eu não tinha a menor consciência de que estava embarcando numa montanha-russa determinada a me deixar sem fôlego, com os cabelos em pé e a calcinha saindo pela cabeça. Foram muitos altos e infinitos baixos, e às vezes eu ainda tenho dificuldade em assimilar que tanta coisa tenha acontecido na minha vida num período relativamente curto de tempo. De certa forma, era como se o tempo todo algo potencialmente importante estivesse acontecendo – pro bem e pro mal – e eu nunca tinha tempo de compreender a complexidade dos meus sentimentos e das minhas reações antes de efetivamente tomar alguma decisão. Em muitos momentos, minha vontade sincera era jogar tudo pro alto e fugir para as colinas, mas na maior parte do tempo eu quis ficar, mesmo quando isso significava abraçar uma porção de coisas ruins e situações difíceis demais para se encarar de frente – coisas que me assustavam profundamente e me faziam sentir pequena e incapaz. Não era difícil que, num dia (ou numa semana, ou num mês) particularmente ruim, eu me refugiasse embaixo do meu edredom e chorasse até não aguentar mais, numa tentativa desesperada de continuar seguindo em frente em busca de respostas difíceis demais de encontrar. Entretanto, se só os covardes vão embora quando as coisas ficam difíceis, 2016 talvez tenha me dado algo do que me orgulhar.

Por mais que muitos momentos tenham sido dramáticos ao ponto de eu me questionar se sairia viva dessa, os últimos doze meses foram um lembrete constante de algo que aprendi no ano passado, mas que por algum motivo ainda custo a acreditar: eu aguento infinitamente mais do que posso imaginar. Isso não significa que eu não chore um bocado no processo, ou então que eu não tenha tentado me refugiar nos meus próprios pensamentos, numa fuga irreal da vida que eu gostaria de ter, mas infelizmente – ou felizmente – não tenho. Mas tudo o que aconteceu, de alguma forma, contribuiu para que eu começasse a confiar um pouquinho mais no meu potencial, no meu trabalho e na minha capacidade em resolver os meus próprios problemas. Não foi fácil, mas aqui estamos para contar essa história. Entretanto, uma coisa importante que aprendi esse ano é que eu não preciso aguentar nada sozinha e que existem pessoas incríveis ao meu lado para segurar as pontas junto comigo. Me dar conta disso após todas as coisas horríveis que aconteceram em 2015 foi como encontrar uma pequena luz acesa em meio ao breu – uma luz que, à medida que eu me aproximo, se torna maior, maior e maior, até me engolir inteira e de uma vez só. Em 2016, eu fui inteiramente engolida pelo amor daqueles que me cercavam – da minha família, dos meus amigos, do meu namorado – e vivi momentos preciosos ao lado dessas pessoas, momentos que vou lembrar por muito tempo, talvez pela vida inteira. I have learned that the best way to find light in the darkness is not by pushing people away but by falling straight into them.

Equilibrar minhas inseguranças e minha absoluta certeza de que todo mundo sairia correndo tão logo descobrissem a pessoa horrível que eu sou de verdade foi desafiador ao ponto de às vezes eu acreditar que seria muito mais fácil seguir em frente sozinha do que correr o risco de me magoar de novo. No entanto, foi só quando Guilherme chegou na minha casa em um dia particularmente ruim, ignorando minhas mensagens e depois de ouvir que eu não queria vê-lo de jeito nenhum, e me pegou no colo e permitiu que eu desabasse ali, todos os meus cacos jogados no chão de uma vez só, que eu me dei conta de que nem todas as pessoas vão embora quando a vida se torna escura, feia, sem esperanças. Foi libertador descobrir que existem pessoas nesse mundo que vão me amar, independente do que aconteça, e que essas pessoas estão mais perto do que eu podia imaginar. Por mais que me assuste um bocado a ideia de permitir que cada uma delas ultrapasse a guarda que construí com todo o cuidado no último ano, ver alguém desconstruí-la é como um respiro de ar fresco depois de muito tempo vivendo em um quarto abafado. Assim, aprendi que somos todos humanos e que, por mais triste que possa parecer em um primeiro momento, decepções são inevitáveis quando nos relacionamos – a diferença é que algumas pessoas vão entender nossas complexidades e encontrar aí um motivo para ficar, enquanto outras vão fugir na primeira oportunidade. Talvez seja a hora de reconhecer que só as primeiras merecem espaço na minha vida.

Foi movida por essa nova perspectiva que eu permiti, talvez pela primeira vez em toda a minha vida, que uma amiga me visse desabar de uma forma tão crua e triste, e me convencesse de que algo realmente estava errado comigo e que eu precisava de ajuda o mais rápido possível – e, contrariando até a mim mesma, eu pedi. Foi, muito provavelmente, meu momento mais difícil do ano inteiro, aquele que eu não gosto de lembrar tanto assim, embora a lembrança seja uma parte muito importante: ela é, afinal de contas, um lembrete constante de que as coisas poderiam ter sido muito piores se eu continuasse me recusando a falar sobre os meus problemas em voz alta e seguisse lidando com tudo sozinha, mesmo que no fundo eu já não estivesse me arrastando, completamente incapaz de continuar. Ser diagnosticada com ansiedade e depressão não foi exatamente o fim do mundo – foi apenas a confirmação de coisas que eu já vinha sentindo há bastante tempo, só tinha um bocado de medo de admitir pra mim mesma que eram reais. A ajuda, no entanto, foi essencial para que, nas palavras dessa mesma amiga, eu ganhasse perspectiva e pudesse voltar a enxergar as coisas com mais clareza dali em diante. Alguns dias ainda são melhores do que outros e eu estaria mentindo se dissesse que as crises sumiram completamente – essa semana, por exemplo, tive momentos realmente ruins de chorar na frente do espelho por ser quem eu sou -, mas a essa altura já consigo ter um pouco mais de calma e lidar com certos fantasmas sem parecer que minha cabeça pode, a qualquer momento, explodir em mil pedacinhos. Eu já não passo mais tantas noites em claro e já não sinto vontade de passar um fim de semana inteiro (literalmente) chorando no meu quarto e assistindo Grey’s Anatomy porque minha vida é uma bosta (o que aconteceu alguns meses antes de eu iniciar o tratamento, e por mais engraçadinho que pareça num primeiro momento, foi terrível e extremamente desgastante). Meu caminho ainda é longo e ainda tenho um bocado de dragões com os quais lutar na terapia, assim como ainda preciso tomar remédios todos os dias pela manhã e tenho consultas periódicas com médicos variados, mas aos poucos já consigo ter forças suficientes para tomar as rédeas da minha própria vida e reconhecer que eu sou a dona da minha história. É quase como voltar a respirar depois de tanto tempo submersa por ondas: é um alívio enorme, embora o peito ainda arda de vez em quando, como uma lembrança de tudo o que aconteceu.

Não por acaso, muito disso me fez lembrar da Ana Luíza de dez anos atrás. Minha psicóloga sempre diz que eu falo muito dos meus treze anos e é verdade. Muito mais do que os doze, os 13 foram repletos de mudanças intensas, decepções avassaladoras e experiências que refletiram diretamente na pessoa que sou hoje. Eu consigo lembrar claramente de todas as coisas horríveis que fiz, das pessoas que conheci, dos problemas de autoestima, das brigas com a minha mãe, das coisas horríveis que disse na cara dela, de todas as vezes que eu desejei que meu primo, hoje com 14 anos e alguém que amo muito profundamente, nunca tivesse nascido, ou então de todas as vezes que eu escrevi textos enormes na parede do meu quarto dizendo que preferia morrer do que continuar vivendo daquele jeito. Embora hoje eu reconheça que era – e continuo sendo – uma pessoa privilegiada em muitos aspectos, tudo que eu mais queria era poder dar um abraço nessa versão de mim mesma e pedir que ela buscasse ajuda o quanto antes – algo que, ironicamente, eu demorei um bocado para fazer, mesmo dez anos depois. Não foi por acaso que eu decidi escrever para ela justamente esse ano. Se 2016 foi um ano tão estranho, intenso e cruel, 2006 foi o equivalente em todos os sentidos e, por mais que eu tenha saído viva dele, muitos fantasmas daquela época continuam me assombrando até hoje, ao ponto de terem criado raízes em mim e se expandido para setores da minha vida que eu jamais imaginaria.

Talvez por isso, estar tão próxima e tão conectada ao meu eu adolescente não tenha me feito sentir menos adulta do que sou hoje, ou uma pessoa menor e mais imatura, muito pelo contrário. Por mais que eu continue muito diferente da pessoa que eu imaginei que seria aos 23 anos, depois de passar tanto tempo relutante em crescer e me tornar adulta, hoje eu consigo assumir que é isso que eu sou, e que envelhecer é uma parte natural da vida de qualquer ser humano e não é uma porção de questões mal resolvidas, medos e inseguranças empilhados um em cima do outro que vão me fazer pensar o contrário. Fazer as pazes com o tempo e, principalmente, com a passagem dele, é algo que eu ainda preciso aprender. Contudo, isso não significa que eu não possa aproveitar o que tenho agora e assuma, mais pra mim do que pra vocês, que é possível ficar, viver e celebrar – a vida, os erros, as escolhas ruins, os joelhos ralados, as promessas quebradas, os sonhos perdidos. Que continue sendo sempre assim – nos 23 ou nos 94.

Pensando nisso agora, talvez tenha sido justamente esse pensamento que me manteve viva esse ano e que não me deixou perder as esperanças mesmo quando tudo parecia perdido. Pra quem acredita em astrologia, existe toda uma explicação que justifica as coisas ruins que aconteceram no Brasil e no mundo, mas também nas nossas vidas – todas as tragédias, os ciclos que inevitavelmente se fecharam, etc etc. Eu acredito um bocado nisso, ainda que não cegamente, mas foi difícil manter o controle e pensar que eram só os astros quando o mundo explodia na porta de casa. Foram inúmeras batalhas perdidas, derrotas que sentimos de verdade, absurdas, doídas. Li em algum lugar que o mundo tinha acabado em 2012 mesmo, alguém só tinha esquecido de avisar, e isso nunca pareceu tão real quanto agora. Em outro lugar, li que 2016 foi o ano em que todas as coisas absurdas e que jurávamos impossíveis aconteceram. Eu não podia concordar mais. Golpe? Teve. Trump presidente? Teve. Brexit? Teve também. Isso só pra citar alguns. Se tivéssemos mais uma semana no calendário, tenho certeza que o mundo daria um jeito de explodir inteiro em mil pedacinhos só para acabar com essa palhaçada de uma vez. Foram coisas que, inevitavelmente, me fizeram questionar e principalmente duvidar do que, afinal de contas, estávamos fazendo no mundo, e se a vida realmente merecia ser vivida e celebrada num ambiente que, de repente, se tornara tão hostil. Eu chorei várias noites pensando no que aconteceria no dia seguinte; eu cheguei a realmente acreditar que ninguém sairia vivo dessa, que a Terceira Grande Guerra explodiria e mandaria todo mundo pro espaço junto, e por mais absurdo que isso possa parecer agora, a possibilidade nunca me pareceu tão grande quanto este ano. Se 2016 foi o ano dos absurdos, é bem possível que eu tenha chegado no nível de só esperar pelo próximo enquanto calmamente tomava um café ou qualquer coisa assim.

Se seres humanos sempre foram criaturas horríveis, é como se esse ano muitos tivessem feito questão de mostrar que o são de fato. Eu chorei várias noites pensando no que aconteceria no dia seguinte, em todos os refugiados, na Dilma, nos protestos, em todo o caos que tomou conta do mundo em 2016, pelo time da Chapecoense, pela Carrie Fisher e pela Debbie Reynolds, não porque sou uma pessoa ultra sensível (eu sou), rainha da empatia ou qualquer coisa assim, mas porque eu nunca senti tanto medo do futuro na minha vida inteirinha, pelo menos não de um jeito tão amplo quanto agora. Mais de uma vez me vi em conversas sobre como eu adoro a ideia de ter filhos, mas como, ao mesmo tempo, me apavora o fato de estar colocando pessoinhas em um mundo fadado ao fracasso. Não era uma questão pessoal – será que vou ter dinheiro para pagar escola para essas crianças?, será que vou ter um emprego?, sei lá -, não era apenas sobre mim: era sobre um mundo inteiro que, pouco a pouco, dava passos para trás. Várias vezes, eu presenciei meus próprios familiares apoiarem discursos tenebrosos, acreditando que aquilo era verdadeiramente o melhor. Não é como se meus ideais fossem os mais corretos, muito menos os únicos corretos, mas me assusta pensar na incapacidade do ser humano em olhar para além do próprio umbigo e perceber que o problema não é só aquilo que te afeta, que existem pessoas sem qualquer privilégio no mundo e que deveríamos usar os nossos para ajudar quem realmente precisa de apoio. Isso e não esquecer nunca da história, que está aí com todas as desgraças da humanidade registradas pra quem quiser ver.

É irônico, então, que num ano tão repleto de tragédias, eu tenha conseguido manter o pensamento positivo – nem sempre, mas quase sempre. Nas minhas conversas quase diárias com a Yuu (tão necessárias para que eu continuasse me mantendo sã), frequentemente me lembrava daquele longo discurso que a Izzie faz, em Grey’s Anatomy, quando a Meredith se afoga e a esperança de todos de que ela possa sair do episódio com vida começa a vacilar. Nele, ela diz que acredita em uma porção de coisas – I believe that if I eat a tub of butter and no one sees me, then calories don’t count; and I believe that surgeons who prefer staples over stitches are just lazy, etc etc – e termina dizendo que acredita que acreditar que sobrevivemos é justamente o que faz a gente sobreviver. I believe we survive, George. I believe that believing we survive is what makes us survive. Poucas coisas fizeram tanto sentido pra mim este ano. Às vezes, me sinto meio ridícula por ter tentado me manter positiva em situações que claramente não tinham nada de bom para oferecer, mas ao mesmo tempo, acredito que foi essa confiança de que, apesar de tudo, as coisas iam se ajeitar em algum momento, que me mantiveram aqui essa ano inteiro – viva, com o coração batendo com força – e foi isso também que, de certa forma, me ajudou a conseguir ajudar outras pessoas que precisaram de mim em alguma medida nesse meio tempo.

Aos trancos e barrancos, todos nós sobrevivemos – ainda bem.

No entanto, se sobreviver não é suficiente, 2016 também me deu motivos de sobra para agradecer todos os dias por estar viva. Embora o turbilhão de experiências ruins e sentimentos conflitantes tenha sido muito real, nesses 366 dias eu também consegui viajar sozinha mais uma vez, dessa vez para passar o aniversário da minha Passarica junto com ela e conhecer sua filhinha Mabel. Foram dias maravilhosos de sol, amor e vinho rosé, e que só não foram ainda melhores porque eu fiz o favor de ficar doente no meio do caminho. 2016, that’s how we roll. Nesse ano, eu também abracei a Couth mais de uma vez; virei noites e noites conversando (ou jogando adedonha) (ou fazendo palavras cruzadas) com a Analu; marquei dates maravilhosos com a Thay e dividi com ela todas as minhas angústias e medos, mas também todas as alegrias, crushes e infinitos episódios de séries porque é isso que a gente faz quando encontra uma irmã de alma.

Em 2016 eu comecei um BEDA, desisti do BEDA e aí decidi participar do Blogmas com pessoas incríveis e, contrariando todas as expectativas, o que antes era um projeto fadado ao fracasso acabou dando muito, muito certo. Ao contrário do ano passado, quando eu me planejei inteira, escrevi textos com antecedência e fiz tudo conforme manda o figurino, dessa vez tudo foi feito no susto e foi divertido poder trabalhar de um jeito diferente e ver tudo dar certo no final. Eu fiz 8 anos de namoro com meu melhor amigo e depois de tantas coisas que vivemos esse ano, foi um alívio enorme perceber que o amor continua vencendo. Assim como sempre fazemos, no dia propriamente dito, fugimos para um hotel e tivemos um dia só nosso, com direito a todas as risadas do mundo, infinitos episódios de séries, jantar no meu restaurante favorito dessa vida, e muito, muito amor. Eu vi minha avó por parte de pai, que já não via há anos, e foi maravilhoso. Assisti um show do Guns – com Duff, Axl e Slash juntos! – e choveu horrores quando eles tocaram November Rain (em novembro), o tipo de coisa mágica que só fã idiota vai querer viver. Eu finalmente comecei a estudar audiovisual e a gostar da faculdade, como não acontecia há bastante tempo. Fui ao cinema tantas vezes quanto foi possível e comi tanta pipoca que me surpreende o fato de que eu mesma não tenha virado um enorme saco de pipoca vermelho. A Luna teve uma bebêzinha e, embora ela não tenha ficado com a gente, foi uma das coisas mais lindas e preciosas que aconteceram no meu ano.

Em 2016 eu abracei JG quantas vezes foram necessárias – e todas as que não foram também – e passei momentos preciosos ao lado dele, tipo todas as vezes que ele se aninhou em mim antes de dormir, quando ele gritou pra eu buscar “meu pacotinho” depois do banho – que no caso era ele, enrolando no roupão (daí o pacotinho, risos) -, ou quando ele me chamou de dindinha feia, o jeitinho carinhoso e rebelde que ele resolveu me apelidar. Todas as risadas, todas as tardes assistindo Peppa Pig, todos os nossos pequenos segredos.

Em 2016 eu conheci a Yuu de uma forma muito profunda e esse talvez tenha sido o presente mais precioso que esse ano me deu. Como eu sempre gosto de dizer, estar com ela é como flutuar num mar enorme, lindo, mas um pouco hostil também, tendo alguém para apoiar minhas costas e manter os pés fincados no chão para que eu não me perca na imensidão azul, mas que de vez em quando se permite flutuar junto comigo – e eu amo tanto essa imagem de nós duas que espero de verdade um dia poder viver esse momento. Eu também conheci várias pessoas novas e incríveis que quero levar comigo pra toda a vida; eu fortaleci amizades que já existiam há algum tempo e abracei meus amigos com toda a força que pude. Eu disse que amava pessoas mais vezes do que achei que alguma vez fosse capaz, sem me preocupar se ouviria de volta ou não – porque era isso que eu estava sentindo e era importante que eu deixasse que as pessoas soubessem que elas realmente eram importantes na minha vida antes que fosse tarde demais; eu nunca ouvi tantos “eu te amo” em toda a minha vida, risos. Eu saí várias vezes, infinitas vezes; bebi mais caipirinhas do que em todos os anos que vivi até agora e muito mais vinho também; mas também passei dias maravilhosos em casa, com as pernas pra cima, assistindo aproximadamente todas as séries do mundo ou rolando com meus bichinhos.

Em 2016 minha filha nasceu e isso já seria motivo suficiente para valer o ano inteiro. Porque eu ganhei uma família, amigas que pretendo levar para minha vida inteira, parceiras de crime maravilhosas, confidentes espetaculares. Hoje, quando vejo o que construímos, é quase impossível acreditar que tudo só começou porque um dia eu tomei coragem e decidi perguntar no twitter se alguém (assim, quem sabe) estava interessado em embarcar numa cilada junto comigo – suando frio, morrendo de medo de não ter nenhuma resposta e pronta para apagar o tweet assim que me desse conta de que aquela tinha sido uma ideia furadíssima, mas ainda assim. Contrariando minhas expectativas, no entanto, as pessoas certas apareceram e hoje são elas que contam essa história comigo e se apaixonam todos os dias por aquilo que construímos juntas. É nessas horas que acho mais difícil acreditar que não existe uma força superior agindo, e é uma alegria enorme saber que as coisas têm dado certo desde então. Conflitos existem, problemas brotam do nada e a correria é inevitável, mas é bonito como nós passamos por cada obstáculo de mãos dadas e construímos uma relação que vai muito além do projeto que nos uniu, que ultrapassa as barreiras do site e todos os dias me faz acreditar que juntas somos realmente mais fortes. É por isso que eu sempre fico tão feliz quando alguém vem falar que sente uma vibe boa emanando do site, quando fazem um elogio, quando agradecem pelo nosso trabalho. Por mais que a gente não ganhe nenhum dinheiro com o que fazemos ali, é um presente gigantesco saber que conseguimos fazer a diferença na vida de outras pessoas e que todos os sentimentos – a felicidade, a gratidão, a amizade tão forte que construímos nesse meio tempo – transborde em cada novo texto, em cada postagem numa rede social, em cada newsletter, em cada e-mail respondido. Eu estaria mentindo se não dissesse que sonho que nossa filha cresça até o infinito e domine o mundo inteiro, mas por mais sonhadora que eu seja, é preciso admitir que nem nos meus melhores sonhos eu imaginaria que teríamos um retorno tão positivo em tão pouco tempo, e se hoje eu arranco meus cabelos e abro mão de tanta coisa para trabalhar só mais um pouquinho, é só porque eu – assim como todas as outras meninas – acredito em cada pedacinho daquilo que construímos e em cada pessoa que está nessa junto comigo, e amo demais cada parte do trabalho que a gente faz. Eu arranco a calcinha pela cabeça com um sorriso no rosto e a segurança de quem acredita de verdade naquilo que faz e que tudo dá certo no final (nem sempre dá, mas a gente precisa acreditar mesmo assim, risos).

É claro que eu também tive algumas derrotas pessoais nesse ano que passou. Eu ouvi um não para cobrir a Comic-Con, meu roteiro foi recusado em uma seleção de estágio, meu padrasto foi demitido de novo – dessa vez, para sempre, porque a empresa fechou as portas oficialmente em Brasília -, e o inferno continua sendo a ausência das pessoas de que temos saudade, fora todos os dramas que eu já contei antes e não preciso repetir mais uma vez. No entanto, quando paro para olhar o todo, percebo que todas essas coisas foram muito pequenas perto daquilo que foi especial, verdadeiro, importante, e eu preciso reconhecer isso também. Eu nunca estive tão segura daquilo que quero e embora o caminho não seja fácil, saber para onde estou indo já é suficiente. Por mais que ainda seja muito difícil agir para mim e não em função da plateia que me assiste e coloca expectativas em mim o tempo inteiro, pela primeira vez eu fui capaz de reconhecer que para estar onde eu quero estar, talvez seja necessário abandonar muitas certezas e abraçar um futuro cheio de possibilidades – algo que me assusta em tempo integral. No entanto, eu ainda tenho um caminho enorme pela frente. E como minha psicóloga me disse uma vez, aos poucos eu vou entender que talvez não seja necessário destruir tudo para construir algo completamente novo, que às vezes uma reforma já é suficiente. 2016 foi assim, o ano que eu acordei e descobri que as paredes do meu quarto já não me representavam mais e agora estou em busca de uma nova cor para cobri-las. Azul? Rosa? Branco? São questões – mas que bom que eu ainda tenho bastante tempo para refletir sobre a escolha.

Termino 2016 – esse ano maluco, contraditório, intenso e cheio de riscos – dançando no meu quarto sozinha, com os braços pra cima, enquanto tento escolher uma roupa para usar na festa de logo mais. Parece que a vida tem corrido mais rápido do que eu podia esperar e pela primeira vez, decidi passar a virada numa festa com meus amigos. Definitivamente, acontecem coisas. Minha vida continua cheia de problemas, eu ainda estou longe de terminar a faculdade, ainda tenho muitos medos e uma porção de perguntas sem resposta. Também não fiz minha limpeza de fim de ano e não comprei roupa nova para usar hoje, tudo porque eu estava exausta demais para pensar em qualquer uma dessas coisas, quem dirá colocá-las em prática. Mas eu nunca me senti tão plena, em paz e ao mesmo tempo tão viva como agora, e é realmente maravilhoso poder conhecer essa versão de mim mesma. Não faço a menor ideia de como isso aconteceu, mas talvez eu devesse tomar logo vergonha e tirar não uma, mas duas tatuagens do papel. A chance é maravilhosa, vocês vão ter que concordar. Aguardem cenas dos próximos capítulos, risos.

O que 2017 guarda ainda é um mistério, mas por enquanto me reservo o direito de não criar muitas expectativas, embora continue sempre esperando por um ano incrível. Temos muito o que reconstruir nesses 365 dias que nos aguardam. Espero que nunca faltem forças para que a gente continue lutando e não deixe de acreditar nunca. Feliz ano novo, meus amores. A gente se encontra no ano que vem.

Você devia tentar compreendê-los. Tudo que eles desejam é ver a luz do sol outra vez. Não podemos condená-los por isso.

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MEMES

O MAIOR MEME DE FIM DE ANO

Então falta só mais um dia pro fim de 2016. Gostaria de dizer que estou muito animada, mas em nome da honestidade, preciso confessar que minha vontade sincera era dormir e acordar só no ano que vem. 2016 foi um ano que me deixou exausta, me arrastando, que pesou no chicote mais pro mal do que pro bem (pelo menos, num plano geral), e a essa altura minha única vontade é poder deitar na minha cama com o computador no colo e um pijama bem fofinho (eu ia dizer quentinho, mas no calor que está fazendo em Brasília, com um pijama quentinho eu provavelmente ia derreter).

Uma das coisas boas que aconteceram esse mês, no entanto, foi o Blogmas, um projetinho que eu tinha certeza que estaria fadado ao fracasso, mas que deu bem certo na maior parte do tempo e de quebra me presentou com pessoas que eu realmente quero ter na minha vida sempre, que entre papos sobre crushes, problematizações variadas e essa grande piada cósmica que estamos vivendo, se tornaram verdadeiras amigas pra mim. No meio de um mês tão intenso – nem sempre de um jeito bom – foi importante ter mais gente com quem chorar as pitangas, especialmente quando essas pessoas estavam chorando pelas mesmas pitangas que eu. Hoje é o último post conjunto da nossa parceria, e se algo de bom ficou desse ano que vai chegando ao fim, foi a amizade que construímos em meio ao caos. Enfim, chega de lenga, lenga. Segurem minha mão e vamos lá.

1. Onde você estava quando 2016 começou?
Em casa, rabugentíssima, provavelmente doente e com uma taça de vinho na mão. Foi um início de ano péssimo porque eu realmente só queria estar de pijama, assistindo Meninas Malvadas dublado na tv e bebendo um vinho bem quietinha no meu canto, mas minha mãe e meu padrasto nunca sossegam o facho e precisam fazer uma ceia enorme para três pessoas – às vezes um pouco mais. Não usei roupa nova, não fiz lista de resoluções porque depois do fracasso que foi 2015, eu só queria poder abraçar o que viesse pela frente sem pensar muito se aquilo era algo potencialmente bom ou ruim. No final das contas, as poucas expectativas deram certo: por pior que tenha sido, 2016 foi um ano que me ensinou um bocado e me deu alguns bons presentes ao longo do caminho e, principalmente, momentos que eu vou lembrar na minha vida inteirinha.

2. O que você fez em 2016 que você nunca tinha feito antes?
Terapia, tomar antidepressivo, falar sobre meus fantasmas em voz alta, criar um site do zero com pessoas que já eram minhas amigas antes, mandar e-mail para editoras na cara de pau pedindo livros para resenhar, começar a beber (e gostar!) de café. Acho que só.

3. Você manteve suas resoluções de fim de ano e fará novas para 2017?
Como disse lá em cima, não fiz resoluções no fim de 2015 e foi algo que deu muito certo, de modo que não pretendo fazer para 2017. A única coisa que eu desejo é saúde, coragem e muito amor – pra mim e para os meus.

4. Você foi a algum show em 2016?
Infelizmente, só um, mas que valeu cada minuto em pé embaixo de chuva. Nem nos meus melhores sonhos eu imaginei que algum dia assistiria Guns ‘N Roses ao vivo, com Slash, Axl e Duff dividindo o mesmo palco de novo e em 2016 isso aconteceu. Foi incrível e especial, mesmo que meu humor no dia estivesse péssimo, e eu só me arrependo por não ter arrancado mais dinheiro do meu bolso pra poder ficar na grade logo de uma vez.

5. Você procurará um novo emprego em 2017?
Eu deveria, mas ainda não sei. A verdade é que em 2017 eu pretendo começar a tentar enviar meus textos para sites que pagam por isso e torço para que o Valkirias comece a dar algum retorno financeiro, nem que só o suficiente para manter as contas do site. Fora isso, pretendo continuar me dedicando aos meus estudos mesmo, especialmente porque pretendo me formar ao final desse ano ou no início do ano que vem, então toda minha atenção e dedicação vai se voltar para isso.

6. Você bebeu muito em 2016?
Mais do que bebo normalmente, mas meus padrões são baixíssimos, então não muito. Foram muitas taças de vinho, algumas caipirinhas que me fizeram ficar tonta (risos, tenho 12 anos) e algumas – poucas – cervejas, mas nada demais.

7. Você viajou nas férias? Para onde?
Em julho fui passar alguns dias com dona Passarica no Rio de Janeiro e embora eu tenha voltado doente pra casa e ameaçado estragar a experiência por completo, foi importante estar ao lado dela, dividindo o quarto, dando abraços ocasionais e recebendo carinho em tempo integral.

8. Qual foi sua maior conquista em 2016?
O Valkirias, sem dúvida. Não só porque o site é incrível e eu amo cada pedacinho dele, mas principalmente por todas as portas que se abriram e por todas as relações que eu fortaleci por causa dele. Quando eu digo que a gente não apenas construiu um site, mas uma família, é muito verdade e saber que o sentimento é o mesmo pra todo mundo que faz parte do site de alguma forma é muito, muito importante. Eu não ganhei apenas parceiras de crime: eu ganhei amigas de verdade, que me deram as mãos nos momentos mais difíceis que passei esse ano e que seguraram todas as pontas comigo, celebraram nossas conquistas e choraram pelas inevitáveis derrotas. A gente ainda tem um bocado pra crescer e fazer acontecer, mas é incrível como menos de um ano foi tempo suficiente pra que a gente construísse uma relação tão linda e tão forte, e o que vocês veem no site é um reflexo muito honesto disso.

9. Se você pudesse voltar no tempo, para qualquer momento de 2016, e mudar alguma coisa, o que seria?
Acho que a única coisa que eu teria feito diferente esse ano seria pedir ajuda antes quando eu precisei. Foi necessário que eu estivesse quase me arrastando, sem conseguir comer, chorando o tempo inteiro para que as pessoas ao meu redor percebessem que algo estava bem errado comigo, mas foi só quando a Yuu me disse que eu precisava pedir ajuda que eu tomei coragem e admiti, em voz alta, tudo que estava acontecendo. Foi um momento dramático e terrível, mas extremamente necessário, e se hoje eu dou passinhos em busca de uma versão melhor de mim mesma e menos atormentada, foi só porque eu consegui trilhar esse caminho. Entretanto, eu teria poupado um bocado de desgaste – físico, mas principalmente mental – se tivesse pedido ajuda mais cedo. Não é fácil, mas ninguém disse que seria mesmo.

10. Você ficou doente ou ferido?
2016 foi o ano que eu finalmente fui diagnosticada com depressão e ansiedade – algo que eu meio que já desconfiava que estava ali, mas que até então ficava mais como uma suspeita do que como uma certeza. Em 2016 eu tive essa certeza. Como eu disse lá em cima, foi um momento muito dramático e que doeu o tempo inteiro, mas que foi absolutamente necessário para que eu encarasse meu problema de frente e admitisse que eu já não conseguia lidar mais com a minha cabeça sozinha. Então eu pedi ajuda. Hoje eu estou em tratamento, faço terapia, tomo remédios e vou ao médico todo mês, fora toda a ajuda que eu recebi – de amigos, de familiares, às vezes de completos estranhos – e a melhora é incomparável. Claro que existem alguns baixos no meio do caminho, alguns dias são melhores que outros, etc etc, mas eu já consigo ter mais perspectiva agora, algo que eu não tinha de jeito nenhum quando tentava esconder meus sentimentos e todos os meus problemas de todo mundo. Além disso, tive algumas gripes e resfriados, duas amigdalites e infinitas crises alérgicas. Nada muito sério, tho.

11. Qual foi a melhor coisa que você comprou?
Acho que o remédio de carrapato pro Loki. Depois de testar absolutamente tudo e não conseguir resultado (funcionava com a Luna, com ele nunca), comprei um remédio oral que ele come e qualquer carrapato que pegue nele morre imediatamente. É um milagre e nada paga a felicidade de ver meu bichinho livre dessas pragas.

12. Quais são as pessoas cujo comportamento mereceu aplausos?
Tanta gente! Não vou citar nomes porque provavelmente ia acabar esquecendo de alguém, mas num ano tão estranho quanto 2016, foi realmente incrível saber que as pessoas – próximas a mim ou não – estavam aí fazendo coisas bem incríveis e ajudando uns aos outros – ou me ajudando, risos.

13. E quais são as pessoas cujo comportamento você reprovou?
Infelizmente, muitas também. Mas não é agora que eu vou dar palco para esses malucos dançarem.

14. Onde você investiu a maior parte do seu dinheiro?
Em roupas e livros. E cinema. Eu realmente fui muito ao cinema esse ano, risos.

15. O que te deixou muito, muito, muito feliz?
A criação do Valks, o show do Guns, virar madrinha de JG, fazer novas amizades, fortalecer laços antigos, ganhar alguns presentes, viajar, ter sido cara de pau o suficiente para conversar com pessoas que eu nunca imaginei e pedir coisas para outras. Sei lá, teve bastante coisa.

16. Qual música sempre vai te lembrar de 2016?
Shine A Light, do Banners. Existem outras, é claro, mas acho que essa vai ser a lembrança mais forte de um ano tão maluco quanto 2016. Ah, e What’s My Age Again, do Blink 182, porque eu sou dessas e nenhuma música conversou tanto com meus 23 anos quanto essa, risos.

17. Comparando este momento com o que você viveu exatamente um ano atrás, você está mais feliz ou mais triste?
Mais feliz, sem dúvida alguma. Vocês provavelmente já sabem disso, mas 2015 foi um ano pavoroso pra mim, de alguns altos mas MUITOS baixos e eu precisei fazer uma força gigantesca pra continuar colocando um pé na frente do outro até que ele acabasse. Foi o ano que eu perdi minha melhor amiga, fui despedida do estágio na mesma época que o meu padrasto perdeu o emprego, perdi o casamento de uma amiga, Luna ficou doente e os primeiros sinais da depressão e da ansiedade começaram a surgir na minha vida. Hoje eu ainda não encontrei outro estágio, ainda sinto falta da minha antiga melhor amiga embora saiba que a essa altura ela já se tornou uma estranha, meu padrasto vai ter que sair do emprego de novo e infelizmente jamais vou ver o casamento da minha amiga além do que me foi contado ou mostrado em fotos e vídeos. Mas, a Luna não ficou doente, eu estou tratando meus problemas e aprendendo a lidar com meus fantasmas, fiz várias melhores amigas e abracei minha amiga que casou mais vezes do que achei que fosse possível. O resto se ajeita com o tempo.

18. O que você queria ter feito mais?
Saído mais, acho. Viajado mais, com certeza. Infelizmente, coisas que a gente ainda precisa de dinheiro pra transformar em realidade.

19. O que você gostaria de ter feito menos?
Dormido. O que eu dormi esse ano não tá escrito.

20. Como você passou seu Natal?
Diferente dos anos anteriores, em 2016 eu passei o Natal na casa dos avós por parte de pai de JG, aqueles que não são meus tios (deu pra entender? risos) e foi muito melhor do que eu podia esperar. Estava me sentindo horrorosa, com a autoestima cagadíssima, uma roupa que me fazia sentir um balão. Entretanto, contrariando todas as expectativas, a noite foi realmente agradável, eu dei um monte de risadas e me senti à vontade – coisa que, sendo a pessoa introvertida que sou, é bem difícil de acontecer. Foi uma noite memorável e eu realmente espero que a gente possa repetir outras vezes num futuro nem tão distante assim.

21. Quem foi a pessoa de quem você mais sentiu falta este ano?
Minha antiga melhor amiga. Embora a essa altura eu ache que as coisas estão muito melhores do que no ano passado ou no início deste ano, eu ainda sinto falta de ter alguém com quem fazer coisas banais, alguém com quem eu possa chamar pra vir pra minha casa só pra comer gelatina e jogar conversa fora, alguém que vai topar ir ao zoológico comigo e que eu posso convidar para as festas de família. No entanto, tenho tentado aprender a lidar com a ausência dela, com a falta inevitável, especialmente porque hoje reconheço que estamos vivendo coisas radicalmente diferentes em nossas vidas e que, da mesma forma que eu não a conheço mais, ela também não me conhece – e talvez, essas duas novas versões de nós mesmas não tenham sido feitas para serem amigas mesmo.

22. Você se apaixonou em 2016?
Pela mesma pessoa que me apaixonei em 2008, um milhão de vezes.

23. Qual foi a maior mudança para você em 2016?
O Valks, sem dúvida.

24. Quais foram os seus programas de TV favoritos?
Foram tantos! Acho que nunca assisti tantas coisas quanto assisti esse ano e foi uma experiência maravilhosa – embora, às vezes, meio angustiante também (experimentem assistir 18273987213 séries de uma vez e começar a ver todas ficarem atrasadas e saberão do que estou falando hehe). É muito difícil escolher um favorito porque, mesmo com as coisas ruins que acabei assistindo (Preacher, estou olhando pra você), eu assisti muita, muita, MUITA coisa boa mesmo. Pra não correr o risco de esquecer de nada, vou apenas dizer que Gilmore Girls foi uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida e possivelmente a melhor série que assisti esse ano. De resto, vocês veem depois no Starships & Queens Awards, risos.

25. Você odeia alguém agora que você não odiava há um ano?
Ódio é um sentimento que eu definitivamente não quero cultivar na minha vida, então não.

26. Qual foi o melhor livro que você leu?
A Arte de Pedir, da Amanda Palmer.

27. Qual foi a melhor descoberta musical?
São questões reais.

28. O que você queria e conseguiu?
Juntar dinheiro pra viajar. Deu bem certo, amém.

29. O que você queria e não conseguiu?
Um estágio em roteiro (me inscrevi, mas não consegui), ir na Comic-Con representando o Valkirias. Que eu lembre agora, só.

30. Qual foi o seu filme favorito em 2016?
A Chegada, definitivamente. Mas chegaram bem perto: Rogue One e Animais Fantásticos e Onde Habitam.

31. O que você fez no seu aniversário (e quantos anos você tem)?
Tenho 23 e não lembro de ter feito nada esse ano – o que é bem triste, se for parar pra pensar. Isso não significa que tenha sido um aniversário ruim, muito pelo contrário, e meus 23 anos serão certamente lembrados como um dos meus melhores anos – apesar de todos os pesares.

32. Que coisa teria tornado seu ano imensuravelmente melhor?
Ter conhecido as meninas do Valks que eu ainda não conheço pessoalmente. Mas a gente ainda vai conseguir fazer isso em algum momento (quem sabe no ano que vem?).

33. Como você descreveria seu conceito pessoal de moda e estilo em 2016?
Gótica suave romântica vintage ou qualquer coisa assim.

34. O que manteve sua sanidade?
Minhas amigas, meu namorado, o Valks, todos os momentos incríveis que vivi esse ano. E meu tratamento, lógico.

35. Qual celebridade/figura pública que mais te fascinou?
Acho que a Chloe Bennet. Fiquei realmente obcecada por ela e se eu voltar a assistir SHIELD vai ser 100% por causa dela. Também fiquei bastante obcecada pelas atrizes de séries que assisti esse ano porque that’s how we roll, e pela Lauren Jauregui e pela Alexa Chung (de novo).

36. Escolha o trecho de uma canção que melhor resume seu ano de 2016.
‘Cause I was lost at sea while the waves were dragging me underneath. Whoa, shine a light on, shine a light on me.

37. Do que você sente falta?
De pessoas. Alguns momentos que eu vivi. Esse tipo de coisa.

38. Quem foi a melhor pessoa que você conheceu em 2016?
Foram muitas e elas sabem exatamente quem são, então não preciso citar nomes aqui.

39. Conte uma lição de vida importante que você aprendeu em 2016.
Foram tantas! Mas acho que a mais importante foi uma que a Brené Brown diz no prefácio de A Arte de Pedir e que o ano todo eu tive provas de que era algo muito real: que a gente não encontra a luz no meio das trevas se afastando das pessoas, mas caindo nos braços dela. E é muito verdade.

40. Quais são os seus planos para 2017?
Não quero fazer muitos planos e nem me cobrir de expectativas pelo o que vem por aí. Desde que eu tenha saúde e minhas pessoas segurando minha mão, então vai dar tudo certo.

LIVROS

STARSHIPS & QUEENS AWARDS 2016 #1: RETROSPECTIVA LITERÁRIA

Então estamos naquela época do ano. Os perus foram comidos, os presentes foram trocados e finalmente podemos respirar aliviados – ou quase isso. Ainda falta menos de uma semana para o fim de 2016 e não sei exatamente como me sinto em relação ao fim de um ano que, mesmo estranho pra cacete, trouxe coisas incríveis para minha vida. Acompanhem cenas dos próximos capítulos. Enquanto isso não acontece, no entanto, gostaria de informá-los que já estamos autorizados a iniciar mais uma edição do Starships & Queens Awards, a maior premiação deste blog que vocês respeitam demais, risos.

Ao contrário dos outros anos, preferi começar falando sobre os livros que li em 2016. Foram poucos, bem poucos (16, se vocês estiverem se perguntando), quase nenhum livro lido esse ano, mas se quantidade não é sinônimo de qualidade, os poucos livros que li foram suficientes para me lembrar porque a literatura continua sendo uma das minhas coisas favoritas nesse mundo. São histórias incríveis, algumas que me ensinaram um bocado, e é justamente por isso que decidi quebrar as minhas próprias regras e começar por aí. Assim como no ano passado, decidi fazer uma retrospectiva mais livre, usando algumas categorias daquele questionário da Tary e outras da retrospectiva que a Manu fez este ano, de acordo com o que andei lendo nesse meio tempo. Por favor, coloquem o champagne na geladeira, puxem uma cadeira e venham comigo.

LIVROS LIDOS (E RELIDOS) EM 2016

Os Garotos CorvosCartas de Amor Aos MortosA Arte de PedirO Oceano No Fim do CaminhoGuerra CivilA Garota da BandaNoites de AlfaceTigres em Dia VermelhoA Redoma de VidroAs Aventuras de Wonder Woman na Super Hero HighTá Todo Mundo Mal: O Livro das CrisesOrgulho e PreconceitoGirlboss – Harry Potter e A Pedra FilosofalHarry Potter e a Câmara SecretaHarry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

1) MAIOR LIVRO

Orgulho e Preconceito. Tão grande que eu ainda nem consegui terminar, mas tenho fé que concluo as quase 500 páginas antes do ano acabar. Orgulho e Preconceito foi também o único clássico que li este ano, além de ser o meu primeiro contato com uma autora que eu já admirava um bocado: Jane Austen. Embora eu já conhecesse a história de cabo a rabo (risos), a experiência de finalmente ler o livro que originou tantas adaptações foi uma das coisas mais preciosas do meu ano, que me deu um pouco mais de paz e me ajudou a enfrentar as complicações que inevitavelmente surgiram em 2016. Acompanhar a trajetória de Lizzie Bennet e Mr. Darcy tem deixado meu coração quentinho, quase como se alguém estivesse me abraçando de dentro pra fora.

“Há tanta gratidão ou vaidade em quase todos os relacionamentos amorosos, que não é seguro deixar nenhum deles entregue a si mesmo. Todos podem começar espontaneamente (uma ligeira preferência é muito natural); mas pouquíssimos de nós somos corajosos o suficiente para nos apaixonarmos de verdade sem um incentivo.”

2) MELHOR AQUISIÇÃO

Tigres em Dia Vermelho. Uma aquisição meio inconsequente em uma promoção da Amazon que se mostrou uma escolha super acertada, Tigres em Dia Vermelho foi um dos melhores livros que li este ano. Um drama familiar que percorre diferentes épocas e apresenta diferentes pontos de vista, enquanto pouco a pouco nos mostra a verdadeira face de cada um de seus personagens. Liza Klaussmann, a autora, consegue construir protagonistas que são extremamente complexas e nunca são uma coisa só, e que nunca se contentam com a vida que têm, muito pelo contrário. O relacionamento entre Nick e Helena, duas primas criadas muito de perto, cresce ao longo da narrativa só para entrar em decadência à medida que a história avança. O que nasce como uma relação sadia entre duas mulheres, aos poucos dá lugar aos dramas, conflitos e diferenças, e é possível compreender, pouco a pouco, os sentimentos equivocados que nascem dessa relação e que muitas vezes ficam apenas nas entrelinhas. Ao mesmo tempo, a complexidade de ambas se estende para além da relação entre uma e outra, contemplando também os personagens secundários – e também com pontos de vista -, como os filhos de cada uma e o marido de Nick. Embora o final não seja tão bom quanto todo o livro, é uma leitura que de fato vale à pena, e que eu recomendaria de olhos fechados.

“Tia Nick não fazia parte do mar de mesmice. Ela exercia certo fascínio sobre mim, era algo em seu jeito de andar, mas eu não gostava muito dela. E, em muitos aspectos, por baixo de sua aparência incomum, ela era exatamente igual a todo mundo. O mundo parecia formado por dois tipos de pessoas: os como eu e Daisy, que viviam o mais honestamente que podiam, e o resto, pessoas que por variadas razões não conseguiam deixar de mentir para si mesmas.”

3) SÃO QUESTÕES

Noites de Alface. Sabe um daqueles livros em que a gente se apaixona pela escrita da autora, mas não necessariamente pela história que está sendo contada? Pois então, Noites de Alface foi esse livro pra mim. Não conhecia o trabalho da Vanessa Barbara e acho que não teria ouvido por tão cedo não fosse a Analu me puxando pelo braço e gentilmente convidando para bicharmos. Ela precisava ler uma autora nacional para um trabalho da pós e eu não estava fazendo nada melhor mesmo, então pensei “por que não?”, e de repente estava com esse livro – curtinho que só – em mãos. Nele, conhecemos a história de um senhor que, após mais de 50 anos de casado, perde a esposa de forma repentina e se vê completamente sozinho. Eles não tiveram filhos e ele nunca fez questão de interagir com outras pessoas – muito diferente de sua esposa, que era amiga de todos na vizinhança. Ao mesmo tempo, existe um mistério rolando, mas que não é tão forte ao ponto de segurar a história e que hoje, alguns meses depois da leitura, eu nem me lembro mais do que se tratava. O relacionamento de Ada e Otto, por outro lado, é uma coisa realmente preciosa e as reflexões que ele faz sobre o casamento e a morte são muito, muito especiais.

“Em quatro horas sem sono, é possível fazer uma viagem de ida até o inferno e por lá ficar, ruminando ansiedades e coisas terríveis, antecipando a morte de entes queridos e rasgando coisas que deviam ficar bem enterradas no passado, como brigas que nunca se resolveram, raivas represadas de gente que sumiu há tempos, coisas ouvidas e não compreendidas, tragédias, notícias ruins. Em quatro horas, dá para repassar os piores episódios da sua vida, na ordem, derretendo-se em dor de garganta, taquicardia e suor.”

4) MELHOR PERSONAGEM

Gansey, de Os Garotos Corvos. Sei que Ronan é a unanimidade, mas enquanto lia o primeiro livro da saga dos Garotos Corvos, eu não conseguia lidar com o amor que crescia, página depois de página, pelo Gansey. Esse garoto rico que não se contenta apenas em ser um garoto rico, esse garoto que busca umas coisas bizarras e que nunca deixa seus amigos na mão. Sinto uma inveja bem sincera da Blue por ter um lugar garantido em seu coração e só não sofro mais porque aquele papo do beijo faz meu coração doer de verdade. Ainda preciso ler os outros três livros pra saber o que acontece, mas se o primeiro já foi suficiente pra me fazer ficar de quatro pelo moço (risos), não quero nem imaginar o que vai acontecer nos próximos.

“– Talvez – disse Gansey. De alguma maneira, ver os pais sempre o lembrava de quão pouco ele havia conquistado, quão parecidos ele e Helen eram, quantas gravatas vermelhas ele tinha, como ele estava lentamente amadurecendo para se tornar tudo que Ronan tinha medo de se tornar.”

5) HOMÃO DA PORRA

Mr. Darcy, de Orgulho e Preconceito. Porque lógico, né? Como lidar com esse homem que não é apenas um bom partido com o qual qualquer mocinha em sã consciência adoraria casar, mas uma pessoa justa, honesta e com um coração tão grande? Descobrir o verdadeiro homem que reside por trás da máscara esnobe que ele não se cansa de exibir é uma viagem sem volta e com destino certo. É impossível não se apaixonar por Mr. Darcy e, depois que isso acontece, impossível é voltar atrás – e dona Elizabeth Bennet que o diga. Aliás, os dois também foram o melhor ship desse ano, aquele que fez meu coração doer de tão maravilhoso, mesmo já sabendo o final.

6) O MAIS IMPORTANTE

A Redoma de Vidro. Todo mundo sempre me falou como era assustadora a sensação de ler A Redoma de Vidro e se enxergar inteiramente na Esther, personagem principal do livro, que é também uma semi-biografia de sua autora, Sylvia Plath, que se suicidou aos 30 anos de idade em decorrência da depressão. A leitura do livro coincidiu com um período muito específico da minha vida, em que eu mesma fui diagnosticada com depressão e ansiedade, e precisava acima de tudo de alguém que me entendesse nos termos mais difíceis. A Redoma de Vidro fez esse papel na minha vida. Não vou dizer que é uma leitura fácil, mas fui surpreendida por não ficar tão pior do que eu já estava, ao mesmo tempo que me senti inteiramente compreendida. Se para tantas pessoas é tão difícil entender porque pessoas que têm aparentemente tudo acabam apresentando doenças mentais, Esther foi a prova mais clara de que não existe justificativa e que qualquer pessoa está sujeito a sofrer com esse tipo de problema, independente de cor, classe e oportunidades que teve na vida. Diferente do que acontece na tv e principalmente no cinema, mas na ficção de um modo geral, o livro não romantiza a doença, mas mostra o sofrimento que uma tristeza tão profunda pode trazer para a vida de uma pessoa de uma forma muito honesta e visceral. Foi um livro que realmente mudou a minha vida, que me deu muito sobre o que pensar e que, de um jeito meio torto, me ajudou a levantar do buraco em que eu tinha me metido.

“Acontece que eu não estava conduzindo nada, nem a mim mesma. Eu só pulava do meu hotel para o trabalho e para as festas, e das festas para o hotel e então de volta ao trabalho, como um bonde entorpecido. Imagino que eu deveria estar entusiasmada como a maioria das outras garotas, mas eu não conseguia me comover com nada. (Me sentia muito calma e muito vazia, do jeito que o olho de um tornado deve se sentir, movendo-se pacatamente em meio ao turbilhão que o rodeia.)”

7) NÃO-FIÇÃO

Do ano passado pra cá, tenho tentado explorar mais livros de não-ficção – um gênero que até pouco tempo atrás eu ignorava completamente. Comecei devagar, no ano passado, e consegui ler um pouco mais esse ano (e já tenho alguns na estante esperando para serem lidos no ano que vem). Ajuda muito o fato de que, finalmente, pessoas pelas quais eu me interesso profundamente – seja pelo trabalho, seja pela pessoa em si – estejam escrevendo sobre a vida, o universo e tudo mais. É por isso que minha lista de desejados não para de crescer e é justamente por isso que é bem possível que ela não pare nunca mesmo. Bless my little heart.

Tá Todo Mundo Mal: O Livro das Crises foi uma leitura de praticamente uma sentada, que eu bichei com a Analu sem ninguém saber (não que fosse segredo, só não foi uma bichice anunciada, risos) e que me fez pagar a língua por sempre dizer que eu jamais leria livro de youtuber, mesmo que a youtuber em questão fosse a Jout Jout, uma mulher que eu gosto bastante do trabalho e admiro um bocado. Seu livro é quase como extensão do seu trabalho na internet, e como a Analu colocou muito bem em uma das nossas conversas, lê-lo é quase como ouvir a voz da Jout Jout contando cada um dos causos como se estivesse na frente das câmeras. Gosto de como ela parte de situações muito pessoais para falar de questões que são universais, e como consegue manter sempre o bom humor. Eu me identifiquei o tempo inteiro e quis dar um abraço na moça ao final, com a certeza de que, embora todo mundo esteja de fato muito mal, nós nunca estaremos sozinhas nesse barco.

“É engraçado como chegamos a conclusões muito diferentes quando questionamos um costume que já está arraigado em nossas entranhas. Você percebe que nem concorda com grande parte deles e que só continua fazendo algumas dessas coisas porque nunca as questionou. Tipo não tomar banho depois de comer, porque pode levar à morte. Alguém disse que não podia em uma época que outras pessoas formavam o seu caráter, em que você não tinha opiniões formadas sobre nada. Tinha certos e errados muito bem definidos e ditados por outros. E aí você cresce e vê que mocinhas não têm que ser mais comportadas do que mocinhos. Que comer manga com leite não mata ninguém. Que suas celulites não são um impeditivo para movimentos naturais como cruzar as pernas.”

A Garota da Banda, por sua vez, foi o tipo de leitura certa, num momento meio errado, mas que ao mesmo tempo me ensinou uma porção de coisas importantes e me transformou em fã de uma mulher que eu nunca tinha procurado saber quem era para além da sua carreira no Sonic Youth – uma banda que, a propósito, eu nunca fui muito fã. Kim Gordon é uma dessas mulheres que nos inspiram de uma forma muito profunda e que consegue subverter muito da imagem que se tem de uma rockstar. Entrar em seu mundo é como passear por um corredor imenso e cheio de portas que escondem diferentes momentos da sua vida e pelos quais podemos aprender muito sobre a vida, o universo e tudo mais. Amo especialmente quando ela fala da sua relação com a música, sobre feminismo e como era, de fato, ser a – única – garota de uma banda. Para alguém que romantizou a música a vida inteira, seu relato tão visceral é como um convite para visitar os bastidores de um mundo em que eu sempre quis estar, e reconhecer que nem tudo é perfeito quando as luzes se apagam.

“Eu sempre achei que há algo geneticamente incutido e inato nos californianos – que a Califórnia é um lugar de morte, um lugar para o qual as pessoas são atraídas porque não percebem, no fundo, que elas na verdade têm medo do que querem. Tudo é novidade, e elas estão fugindo de suas histórias enquanto ao mesmo tempo correm em direção à sua própria extinção.”

Leitura dos 45 do segundo tempo, Girlboss é um desses livros que você é absolutamente incapaz de largar e prova disso é que eu, também conhecida como a pessoa mais enrolada do mundo, consegui lê-lo inteiro em, literalmente, uma sentada. A verdade é que a história de Sophia Amoruso, CEO da Nasty Gal, é leve, inspiradora e incrivelmente fácil de ler mesmo que nem sempre trate de assuntos fáceis. Embora não concorde com todas as suas lições muito menos com toda a sua forma de enxergar o mundo ao seu redor, acho incrível que Sophia não impõe regras à ninguém, mas conta sua história enquanto pede de joelhos que a gente quebre todas as regras se assim tivermos vontade de fazer. Ela mesma, que foi uma pessoa tão fora da curva, que nunca se deu bem ao tentar se encaixar em padrões, que nunca tirou boas notas e que nunca conseguiu ficar muito tempo nos empregos ao longo da vida, é a inteira representação da quebra de regras, e acho importante que, enquanto muita gente venda sua trajetória como o conto de fadas moderno, ela recusa completamente essa visão. Muitas de suas lições acabam sendo realmente valiosas e um relato tão honesto é, no mínimo, um empurrãozinho muito bem vindo pra quem sempre sonhou em conduzir o próprio negócio ou tem uma porção de sonhos esperando para serem tirados da gaveta.

“Fique acordada e fique viva. Não existe Corretor Automático na vida – pense antes de enviar mensagens ao universo. Quebrar as regras só por diversão é fácil demais – o verdadeiro desafio está em aperfeiçoar a arte de saber que regras aceitar e quais reescrever. Quanto mais você experimentar, enfrentar riscos e errar, mais poderá se conhecer, mais poderá conhecer o mundo, e mais focada estará.”

8) OS MELHORES DE 2016

Num ano tão estranho quanto 2016, não é exatamente uma surpresa que minhas leituras favoritas tenham sido um reflexo muito honesto do que eu vivi nesse ano que passou. Foram leituras que, embora muito diferentes entre si, falam muito sobre a vida em diferentes perspectivas, e que de alguma forma foram capazes de me segurar em pé quando o mundo inteiro parecia desabar na minha cabeça.

Cartas de Amor Aos Mortos, da Ava Dellaria, não costuma ser uma unanimidade, muito pelo contrário. Sua presença na minha estante, aliás, só aconteceu porque eu sou muito, muito, muito cabeça dura e comprei mesmo com as recomendações das minhas melhores amigas, que juravam de pé junto que esse livro era pavoroso, um repeteco mal feito com personagem feminina de As Vantagens de Ser Invisível – um livro que, contrariando todas as expectativas, eu não gostei tanto assim. Eu acredito muito que alguns livros surgem na nossa vida quando mais precisamos deles e, de certa forma, acho que foi isso que aconteceu aqui. Embora Laurel, a personagem principal, esteja vivendo um momento muito diferente do meu na sua vida e enfrente problemas que não são, à primeira vista, tão similares assim aos meus, suas cartas deram voz a muitos sentimentos com os quais eu ainda não sabia lidar completamente – a perda, o luto, o medo, a confusão, o inevitável amadurecimento – e me ajudaram a exorcizar alguns demônios que eu vinha tentando ignorar há tempo demais e me perdoar por erros que me assombravam de um jeito que não fazia mais o menor sentido. É um livro realmente delicado e sensível, que me fez chorar um bocado, e que transmitiu uma força fundamental para que eu continuasse colocando um pé na frente do outro nesse ano e tivesse esperanças.

“Talvez ao contar histórias, por pior que sejam, não deixemos de pertencer a elas. Elas se tornam nossas. E talvez amadurecer signifique que você não precisa ser uma personagem seguindo um roteiro. É saber que você pode ser a autora.” 

Oceano no Fim do Caminho, por sua vez, foi meu primeiro contato com um autor que eu já admirava de monte: Neil Gaiman. A surpresa, no entanto, foi descobrir que, muito mais do que uma fábula sobre experiências que temos na infância, a história do livro me fez pensar muito na vida – na minha vida – e que levanta algumas questões que são fundamentais na vida de qualquer pessoa. Não se trata apenas de uma história que você termina e segue com a vida, porque é absolutamente impossível seguir com a vida depois de ter um monte de pequenas porradas sendo jogadas na sua cara em doses homeopáticas, fingindo como se nada tivesse acontecido. Não é por acaso que a história é considerada um romance adulto: embora apresente a jornada de uma criança, todos os assuntos contidos ali conversam muito de perto com questões que, em algum medida, se tornam muito mais próximas à medida que crescemos e tomamos consciência de coisas que, até então, não nos faziam perder o sono. Eu tive inúmeros pesadelos e várias noites mal dormidas durante a leitura, mas foram coisas essenciais para a experiência de ler uma história tão diferente de tudo aquilo com o qual eu já tinha tido contato até então e que me conectou tanto com a minha própria infância.

“Existem monstros de todos os formatos e tamanhos. Alguns deles são coisas que as pessoas têm medo. Alguns são coisas que se parecem com outras das quais as pessoas costumavam ter medo muito tempo atrás. Algumas vezes os monstros são coisas das quais as pessoas deveriam ter medo, mas não têm.”

De todos os livros que li este ano, no entanto, A Arte de Pedir, da Amanda Palmer, foi de longe o meu favorito, aquele que me fez sentir o tempo inteiro e que me ensinou lições que, embora ainda sejam muito difíceis de serem colocadas em prática, são coisas que eu pretendo levar para a vida inteira. Embora o título de autoajuda engane um pouco no início, as quase 300 páginas do livro escondem a história preciosa de uma mulher, artista, mãe, esposa, amiga, filha e tudo mais que possa existir aí no meio, em busca do seu sonho de ser artista e a importância dos laços e conexões em sua vida, bem como a necessidade de aprender a se permitir ser vulnerável. Por mais que pedir seja uma parte importante de sua trajetória, é a vulnerabilidade que está por trás de tudo, e pouco a pouco ela nos mostra que, embora seja difícil pra cacete se permitir ser vulnerável no mundo em que vivemos, essa é uma parte essencial das nossas vidas – uma parte que vai nos encarar quando a gente menos esperar e que, por mais que a gente tente com força, nem sempre vamos ser capazes de fugir. Amanda foi a ajuda que eu precisava para encarar os ciclos que se fecharam no ano passado e com os quais eu não sabia lidar completamente ou que ainda me recusava a aceitar, porque era difícil demais imaginar minha vida sem as pessoas x, y ou z. Hoje, no entanto, por mais que não coloque em prática todos os seus ensinamentos, já não me fecho mais para o mundo como costumava fazer no passado, mas abraço cada possibilidade, cada relação, cada novo caminho, com o que quer que esteja incluso no pacote. É como a Brené Brown diz no prefácio do livro: Passei a maior parte da vida tentando ficar a uma distância segura de qualquer coisa que parecesse incerta ou qualquer pessoas que pudesse me ferir. Porém, como Amanda, aprendi que a melhor maneira de encontrar a luz nas trevas não é afastando as pessoas, mas caindo nos braços delas. É isso aí.

“A percepção de que vulnerabilidade é fraqueza é o mito sobre a vulnerabilidade mais difundido e o mais perigoso. Ao passarmos a vida repelindo e nos protegendo da sensação de vulnerabilidade ou de sermos vistos como emotivos demais, sentimos desprezo quando os outros são menos capazes ou menos dispostos a mascarar os sentimentos, a engolir as coisas e marchar em frente. Chegar ao ponto de, em vez de respeitar e reconhecer a coragem e a ousadia por trás da vulnerabilidade, deixar que nosso medo e nosso desconforto se convertam em juízo e crítica.”

Que sejamos todos mais vulneráveis daqui em diante (e aceitem a porra dos cookies) (ou da flor, risos).   

DRAMAS REAIS

LIMPEZA DE FINAL DE ANO OU QUALQUER COISA ASSIM

Eu preciso fazer uma limpeza no meu quarto. Essa foi a primeira coisa que eu pensei enquanto tentava, pela milésima vez, encontrar o carregador do meu celular. Não era a primeira vez e certamente não seria a última: a diferença é que dessa vez eu tinha sentido a real necessidade de organizar a minha bagunça para além da lixeira esvaziada e das roupas largadas em cima da cadeira, algo que nunca tinha acontecido antes. Minha mãe já cansou de me pedir para colocar um pouco de ordem no lugar, mas era exatamente o tipo de coisa que entra num ouvido para sair no outro logo em seguida, e eu nunca fiz a menor questão de colocar ordem numa bagunça que eu já conhecia tão bem. De certa forma, era como se cada roupa em cima da cadeira, cada maquiagem fora da gaveta ou a bagunça da cama desfeita, colocassem um pouco de vida entre minhas quatro paredes e servissem como um reflexo de mim mesma. Se eu sempre fui uma pessoa imperfeita tentando a todo custo ser perfeita aos olhos dos outros, meu quarto era meu refúgio, onde eu podia ser a bagunça de pessoa que sempre fui sem pedir desculpas pra ninguém.

É estranho, então, que essa bagunça tenha se tornado um incômodo também pra mim. Olho as toalhas (três, sem nenhuma necessidade) jogadas em cima do móvel, o edredom limpo todo embolado em cima da cama esperando a hora de ser gentilmente guardado, os lencinhos demaquilantes largados em cima da penteadeira na noite anterior, e tudo me parece uma bagunça horrorosa. Não existe nada de atrativo ali, não existe nada que me faça pensar “opa, estou em casa”. É só um monte de tralha jogada de forma descompromissada e que acaba ficando ali até que alguém – nunca eu – decida tomar uma atitude. Vejo minhas amigas com seus quartos belamente arrumados, fazendo suas faxinas de fim de semana, e me pergunto que diabos deu errado comigo no meio do caminho porque agora, que eu realmente sinto necessidade de dar uma geral no meu quarto, eu não faço a menor ideia de por onde começar. Jogo as tralhas fora? Limpo o chão do quarto? Tiro todas as roupas do guarda-roupa? Dá pra fazer tudo num dia só? São questões.

A Dani falou recentemente sobre o destralhamento de fim de ano, que nada mais é do que uma grande limpeza que ela faz antes de iniciar um novo ciclo em sua vida, algo que pra ela já se tornou uma tradição. Aquele texto conversou tão diretamente comigo que me inspirou a escrever um texto que, embora ele fale mais da minha relação com as coisas que eu tenho do que da minha necessidade em deixar várias dessas coisas irem embora, essa história só começou porque eu me deparei com o texto da Dani no Bloglovin e não sosseguei enquanto não abri uma aba pra ler. Naquela época, a ideia de eventualmente ter que sair de Brasília era o que me assustava porque eu não queria deixar minhas coisas para trás. Eu sofria só de imaginar abandonar meus sapatos ou então todos os meus livros – o tipo de coisa que não faz o menor sentido. Só que hoje, enquanto penso em tudo isso e escrevo pra quem quer que esteja lendo aí do outro lado, a sensação de ter tanto é muito diferente, quase como se eu estivesse trilhando meu caminho rumo ao acumuladores e logo, logo estivesse soterrada por todas essas coisas que não me deixam em paz. Fora isso, tem essa sensação absurda (mas muito real) de que quanto mais eu tenho, menos chances eu tenho de bater asas e voar pra onde quer que seja.

Por mais que eu me importe com as coisas que tenho e reconheça que nenhuma delas caiu do céu, de repente elas não parecem mais tão sedutoras assim, ou uma vantagem, mas só uma representação da pessoa que eu fui há muito tempo, mas que felizmente já não sou mais. E talvez a necessidade de mudanças resida justamente aí. Minha psicóloga sempre diz que, antes de demolir uma casa e começar do zero, é muito melhor ver se uma reforma já não é suficiente para resolver os problemas e que eu devo pensar dessa forma quando analisar a ~maquete~ da minha vida. Então eu não vou fazer como a Emily Gilmore, eu não vou seguir os ensinamentos da Marie Kondo. Mas talvez eu precise parar um minuto e organizar o meu quarto – de todos os lugares, aquele que é mais meu nesse mundo inteiro – e deixar aquilo que já não possui mais significado nenhum ir embora. Por mais difícil que seja, me prender ao passado não vai me trazer nada de bom, da mesma forma que acumular tantas coisas inúteis que remetam à ele só vai fazer com que eu continue esperando por um barco que já partiu faz muito tempo.

Isso não quer dizer que lembranças não sejam importantes, muito pelo contrário. Mas se tanta coisa deixou de fazer sentido na minha vida faz tempo, então talvez seja hora de deixar pra lá todas as coisas que, de certa forma, me prendem a um passado onde eu não quero estar. Além do mais, ninguém precisa guardar o papel de bala que comeu com fulano ou o tubo vazio de gloss que comprou naquela ida ao shopping com ciclana, e eu não preciso guardar o sapato que beltrana me deu sendo que eu nem uso mais só porque foi um presente. No final do dia, as fotos continuarão lá, assim como todas as coisas que realmente importam – só o suficiente para que eu possa relembrar aquilo que foi bom e especial enquanto durou. Da mesma forma, eu não preciso guardar todas as sombras que jamais vou usar e as roupas que já não dizem muito sobre mim, embora sejam poucas (e eu me orgulho de ter um guarda-roupa 100% com a minha cara, embora ele ainda seja exagerado para minhas necessidades), podem abrir lugar para coisas novas, ou então dão espaço suficiente para visualizar bem cada peça contida ali dentro. Os papéis da gaveta precisam ser jogados fora, as fotos do mural precisam ser trocadas, a penteadeira merece uma limpeza. Uma limpeza geral, é isso que eu preciso.

Talvez tudo isso não passe de uma vontade besta com hora certa para acabar. Por outro lado, pode ser que finalmente eu esteja assumindo as rédeas da minha vida e reconhecendo que, embora eu não possa ter controle sobre tudo nessa vida, pelo menos eu sou capaz de manter as coisas minimamente organizadas. O caos sempre foi onde eu me senti mais confortável, mas pela primeira vez em muito tempo ele deixou de ser acolhedor para se tornar um monstrinho – a sorte é que eu sei muito bem como eliminá-lo. Não é como se uma faxina geral fosse mudar minha vida inteira, mas talvez a gente realmente só precise mudar os móveis antes de decidir se precisa mesmo quebrar uma parede inteira.

Desde já, aceito toda a ajuda disponível, risos.

COM AMOR

DEAR SANTA,

Já faz mais de dez anos desde que escrevi pra você pela última vez. Não sei se deveria pedir desculpas ou não, embora no fundo tenha quase certeza de que isso não é realmente necessário. Crianças crescem, afinal de contas, e assim como bonecas e carrinhos de controle remoto são deixados de lado, é natural que a sua figura caia na descrença, a lembrança de uma ingenuidade tão característica. Embora hoje eu já não acredite mais num Papai Noel concreto, de roupa vermelha e um trenó puxados por renas, eu continuo acreditando na sua existência e, principalmente, em tudo que sua figura representa.

Lembro quando minha mãe me contou a verdade sobre você. Na realidade, ela não me contou que você não existia: um belo dia, ela simplesmente resolveu que não me levaria no shopping. Eu pedi. Ela disse que eu já era grandinha demais. Eu devia ter 11 anos. Sei que parece cruel quando coloco as coisas dessa forma e é possível que na época eu tenha chorado um bocadinho por conta disso. Hoje, no entanto, reconheço que ela tentava fazer o melhor, e naquele momento, colocar meus pés no chão e jogar a real parecia a coisa certa a se fazer. E eu não guardo nenhuma mágoa, muito pelo contrário. Todos esses anos de infinitas visitas e presentes serviram para me deixar com o coração mais quentinho sempre que me lembro de cada Natal, e que ainda me fazem sentir incrivelmente amada e privilegiada quando essa época chega. Não é por acaso que o Natal é minha época favorita do ano inteiro, aquela que eu espero com mais ansiedade e que me faz começar uma contagem regressiva assim que vai embora. Eu me lembro da minha infância, me lembro de todos os dias que esperecei você chegar só para cair no sono em seguida, e de todas as vezes que acordei com um presente novo embaixo da árvore e, feliz da vida, ouvia minha mãe contar, pela milésima vez, como você era capaz de entrar por uma janela com grades. São lembranças importantes, o tipo de coisa que me mantém viva quando o mundo se torna difícil demais, e que me faz ter esperanças mesmo quando tudo parece perdido. Eu te agradeço por isso, do fundo do meu coração.

Sabe Papai Noel, uma coisa que a vida me ensinou é que a gente precisa acreditar sempre. Talvez por isso, mesmo depois de todo esse tempo, eu continue acreditando em você de alguma forma, com tanta força que, a essa altura, nada é capaz de me provar o contrário. É por isso que até hoje eu morro de amores por quem me dá presente em seu nome ou então porque eu me esforço tanto pra criar momentos tão especiais pra JG, porque no final das contas, os presentes até podem ir embora, mas as lembranças, essas ficam conosco para todo o sempre. Ontem, quando o relógio marcou meia-noite e todos desejamos feliz Natal, eu olhei pra carinha dele, tão feliz em ver suas pessoas favoritas reunidas, e me senti incrivelmente feliz. Foi o mesmo sentimento quando vi seus olhinhos brilhando quando o seu tio, vestido como você, bateu na porta trazendo a bicicleta que ele tanto queria. Foram momentos especiais demais e, embora ele ainda seja muito novo para se lembrar de cada um deles quando crescer, essas memórias estarão sempre comigo – e aí eu vou me sentir infinitamente feliz de novo, o suficiente para conjurar um patrono.

E é por isso que, se eu ainda pudesse te pedir alguma coisa, eu pediria por mais memórias como essa. Por mais felicidade, mais momentos ao lado das pessoas que amamos, mais carinho, mais amor. Por mais sorrisos e olhinhos brilhando, e por mais pessoas que acreditem em você, mesmo que não de um jeito idealizado. A vida já é complicada demais, e o mundo cheio de coisas horríveis, para que a gente não se permita acreditar no que quer que seja. Enquanto escrevo essa carta, estou com a barriga cheia e o coração quentinho como nunca, como se tivesse recebido um abraço que vem de dentro – e é sobre isso que é o Natal. Obrigada por me ensinar tanto, mesmo agora, e por me lembrar, ano após ano, porque essa data importa – e importa muito.

Feliz Natal!
Com carinho.