COM AMOR

2. YOUR CRUSH

Inspirado nesse desafio incrível aqui

Querido Dean,

Sonhei com você esses dias. Eu sempre lembro dos meus sonhos, sempre lembro do que acontece neles, onde eu estava, com quem estava, e alguns são tão fortes que viram lembranças que às vezes posso jurar que aconteceram de verdade. Mas com você foi diferente – e ainda não sei se de um jeito bom. Quer dizer, sonhar com você foi incrível, mas eu queria poder lembrar mais, saber o que aconteceu depois da única cena que ainda tenho na cabeça: você me esperando numa igreja abandonada, na cidadezinha que minha mãe nasceu.

Sei que não faz o menor sentido. Até faria, sei lá, se a gente encontrasse um demônio ou espírito maligno ali, mas não era o caso. Porque você estava me esperando no altar de uma igreja vazia, pronto para oficializar algo diante de um Deus que você não confia (eu diria que você não acredita, mas acho que a essa altura já ficou claro que Ele existe – ou, pelo menos, que existiu algum dia), e quando você me viu ali, abriu um sorriso tão lindo e sincero que só posso ser piegas e citar Taylor Swift: you’ve got a smile that could light up this whole town (desculpa ser tão brega, juro que não sou sempre assim). Então, numa reação automática, eu sorri de volta, mesmo que uma voz na minha cabeça dissesse que aquilo não estava acontecendo, que era impossível estar acontecendo. O tempo pareceu suspenso enquanto ficamos ali, sorrindo um pro outro, igual dois idiotas, até que, tão rápido quanto começou, o sonho acabou.

Dizem que nossa cabeça tenta compensar as coisas ruins que acontecem nos dando sonhos bons. Não sei até que ponto isso é verdade, mas até que faz bastante sentido, né? Ou não. Mas tem gente que acredita que eles podem significar alguma coisa, então talvez seja isso. Sonhar com você não significa nada prático, tipo eu não vou me casar por tão cedo e até segunda ordem, não pretendo me casar numa igreja abandonada de moletom e calça jeans (a ideia até que é bem a minha cara, mas acho que no futuro eu bem ia me arrepender por não ter aproveitado a oportunidade de usar um vestido branco e brega até dizer chega), mas talvez signifique alguma coisa, ou talvez só signifique a única coisa que ficou óbvia até agora: que eu realmente me casaria com você, numa igreja abandonada, vestindo uma calça jeans e um moletom velho.

Eu tenho um fraco por caras errados e sorrisos bonitos, então não é exatamente uma surpresa que eu tenha me interessado por você. Até tive uma quedinha pelo seu irmão por algum tempo (sorrisos bonitos definitivamente serão a minha morte), mas daí eu via você ali, com essa pinta de durão, fazendo piadas ruins, ouvindo música boa (acredite, homens com bom gosto pra música são raros) e dirigindo um carro tão tão legal, e imediatamente “I Knew You Were Trouble” começava a tocar na minha cabeça (desculpa citar Taylor de novo, é mais forte que eu) (mas eu realmente não tenho culpa se ela tem uma música perfeita pra tudo nessa vida) e eu simplesmente não tinha mais pra onde fugir. I knew you were trouble when you walked in, mas como resistir?

Não me leva a mal, tá? É só que eu não consigo me imaginar colocando uma aliança no seu dedo e te apresentando pra minha vó. Porque você ainda é o cara escorregadio, que está sempre com uma mulher diferente e com nenhuma, ao mesmo tempo. Mas eu entendo. Entendo, mas não aceito. Entendo, mas não queria que as coisas fossem assim.

Sabe, Dean, você é um cara especial. Sei que você não concorda comigo, mas não conheço muitas pessoas que conseguem ser tão boas e tão fiéis àquilo que acreditam carregando um peso tão grande nas costas. Você consegue – e eu te admiro muito por isso. Admiro o quanto você é fiel à sua família, por mais imperfeita que ela seja; admiro seu trabalho e como você se arrisca para proteger pessoas que você nem conhece, de coisas que eles sequer sabem que existem, sem pedir nada em troca; admiro seu coração enorme, sempre pronto pra acolher alguém e como você pode ir literalmente do céu ao inferno pelas pessoas que ama; admiro que você sempre esteja pronto pra fazer o que tem que ser feito, quando tem que ser feito, mesmo quando isso te enche de medo; e admiro, principalmente, como você ainda se permite agir com o coração, mesmo quando todo mundo te diz pra fazer o contrário. Sei que você já errou um bocado, mas, ao mesmo tempo, acho que poucas coisas são tão corajosas quanto isso, sabe? Você até pode se esconder atrás dessa pinta de durão, mas eu sei que, no fundo no fundo, essa foi só a saída que você encontrou para não sucumbir e não parecer fraco num mundo que sempre exigiu demais e que nunca se preocupou em ser gentil. Por mais que tudo dê errado às vezes, existe algo de muito bonito aí, não acha? Você é um cara especial de verdade – de colocar uma aliança no dedo e apresentar pra vó – e sei lá, se nada der certo, pelo menos você pode fazer uma piada horrível depois.

Aliás, taí outra coisa que admiro em você. Sei que é clichê falar de caras que fazem rir, mas tenho pra mim que nada se torna clichê por acaso, e eu realmente acho que todo mundo merece ter alguém pra segurar a mão e ser idiota também, alguém que nos lembre que a vida é boa – com tudo, por tudo e apesar de tudo. Suas piadas são horríveis, a maioria delas, mas o que eu não sabia é que aparentemente me transformei numa pessoa que ri de piadas ruins, porque não é difícil que, numa noite qualquer te vendo acabar com alguns monstros, eu vá dormir com a barriga doendo e os olhos cheios d’água de tanto rir. É maravilhoso, e queria muito poder te agradecer por isso.

Acho que de todos os seus defeitos, o pior deles é não existir de verdade. No fundo, não acho que nossos caminhos iam se cruzar caso você existisse, mas não deixa de ser uma pena saber que isso, de fato, nunca vai acontecer. A sorte foi que a vida me deu de presente um cara tão especial quanto você, que calhou de ter um excelente gosto musical, que me faz rir o tempo inteiro, que gosta tanto de você quanto eu (eu diria que ele até questiona a própria sexualidade quando te vê, mas acho que ia pegar meio mal), e que me faz muito muito feliz. Um cara de colocar uma aliança no dedo e querer apresentar pra vó, ainda que não de um jeito muito óbvio. Ele não tem os seus olhos verdes, mas ele também não caça monstros, então acho que tudo bem. Não se pode ter tudo (e eu realmente prefiro fingir que não acredito nas coisas que você encontra por aí).

Queria que você pudesse viver isso. Por mais que eu morra de ciúmes, por mais que eu sempre torça o nariz pra qualquer moça que você encontra no meio do caminho. Porque você merece ter alguém que te faça feliz, que te faça querer entrar numa igreja abandonada e oficializar algo diante de um Deus que você não confia, que dance com você sob a luz da geladeira, que cante rock clássico ou Taylor Swift (eu sei que você curte, não tente me enganar), e que te faça rir quando a vida parecer ruim demais. Eu queria que você tivesse a vida que você merece, mas o mundo é injusto o suficiente pra não te dar isso. Eu queria ser essa pessoa, mesmo que fosse perigoso demais, mas, mais uma vez, não se pode ter tudo. Então tudo bem. Acho que o que me resta é torcer pra que fique tudo bem com você.

Com (muito) amor.

P.S: Prometo tentar ser menos brega da próxima vez.

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3 Comments

  • Reply Yuu 6 de dezembro de 2015 at 6:46 PM

    Ana, vamos ter que trocar as falas dessa vez: você não sabe o quanto eu queria que você tivesse escrito essa carta antes de mim pra eu poder me inspirar nela, porque QUE PERFEIÇÃO! Como eu não pensei nisso antes, escrever pra minha crush fictícia? Tenho várias. Na vida real, nem tanto, rs.

    Achei lindo você ter escolhido o Dean para declarar todo o seu amor, pelo tempo que eu acompanho o seu blog, já aprendi o quanto você ama Supernatural e acho digníssimo ele ser destinatário de todas essas palavras sinceras. Não acho que ele mereça menos, sabe? É verdade que a vida como um Winchester não é fácil e nem justa, e as atitudes dele podem sim ser justificadas quando a gente assiste toda semana os perrengues pelos quais ele passam. Quem seria capaz de fazer o mesmo? Dean e Sam estiveram em encruzilhadas literais e figuradas e lutaram monstros literais e figurados, abdicando de muita coisa nesse processo. Uma infância, alguns amores, um punhados de familiares e amigos que eram como familiares. E ainda assim, por trás daqueles olhos verdes a gente pode sentir todos aqueles sonhos de uma vida normal reprimidos e em conflito com o dever de salvar pessoas, caçar coisas, seguir em frente com o negócio da família. Olha, dói só de pensar.
    Minha crush maior é o Sam – é algo mais forte do que eu, um amorzinho que surgiu junto com o fato dele ser o Jared Padalecki, que em outros tempos foi Dean. Dispenso pesar os atributos dos dois irmãos em uma balança por causa disso, sabe? É claro que dessa forma o Dean ganharia. Eu o amo também, mas de outra forma. Enfim: antes que meus feelings de fangirl aflorem mais ainda vou encerrar o comentário por aqui. Acho lindo ver você participando desse desafio também, mesmo que em outra frequência. <3

    Beijinhos!

    P.S: ADOREI o novo layout! Posso só pedir um "sobre" mais detalhado? Seria bem bacana descobrir mais sobre você, à medida do que você permitir, claro. <3

  • Reply Luh 8 de dezembro de 2015 at 4:27 PM

    Belo poder de descrição que você tem aí, viu?! Consegui imaginar toda a cena do seu sonho como se eu estivesse no seu lugar (e juro que não foi só porque eu gostaria de estar… =P)
    Achei sua carta muito bonita e bem escrita, mas diria que o trecho que mais me pegou foi “Sabe, Dean, você é um cara especial. Sei que você não concorda comigo (…)”, porque MEU DEUS, SIM! Se tem uma coisa que eu queria entender é o motivo pelo qual ele tem uma imagem tão ruim de si mesmo. Às vezes eu fico vendo aquelas cenas em que ele está se sentindo péssimo e tudo que eu consigo pensar é “por que ninguém foi dar um abraço nele até agora, aproveitando pra dizer que ele é maravilhoso?”. E o mais legal disso tudo é que os roteiristas escrevem o personagem tão bem que conseguem deixar os fãs todos emocionalmente envolvidos como se ele fosse real, né?!
    Sua carta foi muito gostosa de ler, Ana. Como encontrei seu blog há pouco tempo, vou sair caçando mais textos sobre a série pra ler por aqui, porque esse é, sem dúvida, um assunto do qual eu nunca me canso hahaha

  • Reply Analu 9 de dezembro de 2015 at 3:58 AM

    Sharon, tô tão desatualizada da vida que nem sabia que você tinha entrado no desafio das cartas! Amei. Achei tão mas tão linda que já peguei um trecho inteiro pra esfregar na cara de Gabrielzinho, hihihi. E: melhor que todas as crushs platônicas da vida só mesmo os nossos boys da realidade, né? Nunca acreditei que era assim mas é. Tô ridícula. Deixa eu parar logo.
    Te amo! <3

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