COM AMOR

7. YOUR EX-BOYFRIEND

Inspirado nesse desafio incrível aqui

Querido T.,

Como você está? Sei que de todas as pessoas do mundo, talvez eu seja a de quem você menos espera receber uma carta. Já faz mais de dez anos desde a última vez que nos falamos e eu sinto muito que as coisas tenham terminado da forma como terminaram. Minha intenção nunca foi magoar você.

Talvez você não acredite em mim e no seu lugar, acho que eu não acreditaria também. Mas tudo aconteceu há muito tempo e naquela época eu era nova demais para entender o que um namoro realmente significava, o que era se comprometer com outra pessoa num nível tão íntimo e especial. Nos poucos meses que ficamos juntos, você se mostrou uma pessoa linda e verdadeiramente especial – algo que eu só pude enxergar alguns anos depois do nosso término. É uma pena que eu nunca tenha correspondido seus sentimentos à altura.

Poucas pessoas sabem desse capítulo da minha história. É possível que menos ainda saibam desse capítulo na sua. Mas eu lembro de tudo como se fosse ontem e de um jeito meio tosco, porém bastante honesto, eu espero que você se lembre também. Das vezes que ficamos juntos depois da escola. Dos fones de ouvido divididos durante o intervalo. Do nosso primeiro beijo, no subsolo do colégio, perto do auditório. De como nós fazíamos um casal tão bonito juntos. Eu lembro da primeira vez que te vi, de como eu queria ser pelo menos sua amiga, ao mesmo tempo que achava improvável que algum dia fosse chegar perto de você. Eu lembro de contar os dias para ir para a escola só pra poder ver você, mesmo que, no início, só de longe; lembro de quando minhas amigas me ligaram dizendo que você ia ficar comigo no dia seguinte; lembro de sentir as pernas bambas enquanto você me beijava pela primeira vez. É irônico olhar para trás agora e pensar que o jogo virou tão radicalmente e eu me transformei na pessoa que quebrou seu coração – se fui a primeira ou não, é algo que eu realmente nunca vou saber.

Não preciso te lembrar o que aconteceu, muito menos como as coisas terminaram – na biblioteca, se você bem se lembra. Desde então, não trocamos nada além de olhares acusadores até que você saísse do colégio de vez. Mas ainda hoje me deixa triste pensar que naquele 12 de junho fatídico, eu já não sentia mais nada por você. E que eu não senti mais nada depois. Enquanto você dizia que era melhor a gente terminar, eu via no seu rosto que aquilo não era exatamente o que você queria, e eu me sinto horrível por ter te deixado ir embora daquela forma, naquele dia, mesmo que eu soubesse que jamais seria capaz de te dar em troca o que você merecia de verdade. Se você me perguntasse o que aconteceu de errado, onde as coisas começaram a desandar, eu realmente não saberia responder. Porque de repente estava tudo bem e, no momento seguinte, não estava mais. A vida, talvez. Mas hoje, enxergo tudo que aconteceu como uma própria consequência da nossa imaturidade – especialmente a minha. Talvez você fosse a pessoa certa, num momento absurdamente errado.

Por algum tempo, eu me senti verdadeiramente culpada pelo o que tinha acontecido. Em outros, eu cheguei a acreditar que tinha feito uma escolha totalmente equivocada e que eu jamais deveria ter te deixado ir. No entanto, hoje eu sei que foi melhor assim. Não foi fácil pra você e eu tenho certeza que, no fundo no fundo, eu sempre vou carregar uma culpa, por menor que seja, por ter te tratado como eu tratei. Mas são coisas que precisavam acontecer pra que a gente crescesse e eu espero de verdade que você tenha aproveitado todas as portas que se abriram depois. Não sei se você continua com a B. ou não, mas se sim, espero que vocês estejam felizes.

Alguns anos atrás, te vi pela faculdade. Fiquei surpresa, porque já não pensava em você há muito tempo e te ver ali, ainda tão bonito, mas ao mesmo tempo tão diferente, desenterrou muitos pensamentos que eu achei já estarem enterrados e esquecidos para sempre. Você me viu também e ali, naqueles cinco segundos que nos encaramos, eu quis ir até você e pedir desculpas por tudo que aconteceu. Infelizmente, eu sei que jamais serei capaz de fazer uma coisa dessas – e é por isso que estou escrevendo essa carta. No fundo, espero que você esteja feliz e realizado, ao lado de uma pessoa que verdadeiramente possa retribuir os sentimentos que você dá com tanta facilidade, que te faça rir e te conforte quando necessário, que goste da sua família e dos seus amigos, mas principalmente de quem você verdadeiramente é. Se algum dia você se perguntar por onde eu estou, saiba que eu estou muito, muito feliz e realizada de uma forma que eu nunca estive antes. Torço para que, a essa altura, você já seja capaz de olhar o passado e não se lembrar apenas das coisas ruins que aconteceram, mas também das lembranças boas que ficaram. É o que eu tento fazer. Espero que você tente também.

Com carinho.

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