JOHN HUGHES NÃO DIRIGE MINHA VIDA

A DINÂMICA DO OPEN BAR

Ou: Que mania é essa de jogar bebida pro alto?

Sábado eu fui num show open bar. Querido leitor, eu não sei o quão familiarizado você está com essa história de pagar pra entrar num lugar com bebida liberada, mas foi a primeira vez que eu me dignei a ir num lugar assim. Eu já fui em muitos shows nessa vida, ou pelo menos tantos quanto meu bolso permitiu que eu fosse. Eu já vi bebida ser vendida à preço de banana e também já vi pedirem um rim em troca de um copo de cerveja que nem era tão grande assim, mas nunca vi ao vivo essa história de comprar um ingresso que automaticamente te dá o direito de tomar toda a bebida disponível no local. Isso talvez tenha a ver com o fato de que, em toda a minha vida, a maior parte dos shows que eu fui foram shows de rock e, via de regra, shows de rock não têm essa história de nem sempre bons drink inclusos no pacote. Vocês sabem do que eu estou falando. É aquela coisa de pagar uma pequena fortuna pra ver seu ídolo no palco e pronto, qualquer coisa além disso é cobrado sem dó. Ninguém vai em show de rock pra encher a cara (pelo menos não a maioria das pessoas que eu vejo) e ninguém vai pra ficar beijando bocas por aí. Shows de rock, total minha vibe crente. Risos.

Então eu nunca tinha visto como funcionava essa história de pegar bebida num bar sem precisar pagar e confesso que tinha até um pouco de vergonha de chegar lá e pedir alguma coisa, sem obrigatoriamente ter que entregar uma fichinha no ato, mas aí sábado eu vi isso e vi um pouco mais também, mais até do que eu gostaria de ver.

Acontece que, por algum motivo que ainda não consegui encontrar, eu resolvi ir num show open bar de um cara que eu nem curtia tanto assim e só conhecia umas três músicas na melhor das hipóteses, mas sendo essa pessoa que adora um trem errado, eu comprei o ingresso, com direito à bebida liberada só porque sim, ainda que eu não fosse beber nada além de água e refrigerante porque ia ter que voltar dirigindo pra casa ¯\_(ツ)_/¯.

Logo ficou claro que não rolava nenhuma frescura pra pegar as bebidas e que as pessoas ali, trabalhando, eram muito tranquilas e dispostas. Ninguém me olhou com cara feia porque eu pedi um refrigerante e ninguém me olhou com cara feia quando eu peguei meu copo sem dar uma fichinha em troca. Não existia, de verdade, uma dinâmica acontecendo que justificasse minha aflição em não ter nada pra dar em troca, porque eu já tinha dado quando comprei aquele ingresso que custou metade de um rim, e todo mundo sabia disso. Tudo acontecia com muita tranquilidade: as pessoas chegavam, pediam o que queria, pegavam e iam embora, sem precisar se justificar. Até fiquei me sentindo meio boba depois, mas acho que isso é só aquela velha mania que eu tenho de pedir desculpas o tempo inteiro. 

O show começou com quase uma hora de atraso, mas foi tão divertido. Sei lá? Nunca imaginei que eu fosse bater palmas pra você que merece o título de pior mulher do mundo ou que fosse gritar quando Jorge e Matheus subiu no palco pra cantar meia dúzia de músicas e ir embora, mas eu me diverti pacas e me diverti mais um pouco também, e dancei com o Gui e ri com os amigos dele que estavam ali pra caçar, e conheci uma menina linda de morrer e ultra simpática que eu já queria chamar de miga, que era namorada de um dos amigos de um amigo do Gui (?). Foi uma noite improvável, mas muito divertida, e eu poderia repetir de novo qualquer hora dessas se não precisasse me recuperar psicologicamente de algumas coisas antes.

Porque é óbvio que alguma coisa ia dar errado.

Sempre dá errado.

Não sei o que aconteceu, mas num momento estava tudo bem e daí no momento seguinte começou a chover alguma coisa, e eu não sabia se era cerveja ou wisky, mas era alguma coisa e eu definitivamente não queria uma coisa daquelas em cima de mim. Foi aí que eu descobri o grande problema do open bar, e o grande problema das coisas à vontade de um modo geral: o desperdício. Qual o problema em jogar essa cerveja pro alto se daqui a pouco eu posso ir ali no bar pegar outra?   

Então eu lembrei do aniversário de um amigo que comemoramos numa boate bem cara aqui de Brasília, e de um filhinho de papai bem babaca que estava no camarote (?) ao lado do nosso e achou bacana abrir uma garrafa de champagne e jogar nas pessoas que estavam ali embaixo, na pista, só porque sim, porque ele podia, porque ele tinha dinheiro pra ostentar daquele jeito. Na época eu achei a atitude bem nojenta e continuo achando até hoje, e foi por isso que eu me irritei tanto com aquelas pessoas que jogavam cerveja pro alto e me faziam agachar o tempo inteiro enquanto o Gui se inclinava pra me proteger. Mas lembrar disso me fez perceber que o que aquelas pessoas estavam fazendo, no final das contas, era ostentar mesmo. Não era uma dessas chuvas que a gente recebe em outros shows por acidente, paciência, acontece. Era uma chuva proposital de quem talvez nunca tenha a chance de fazer isso quando a bebida não é “de graça” porque, verdade seja dita, bebida alcoólica é um trem caro pra cacete.

ewwwww

O resultado disso foi uma roupa toda molhada e um cabelo tão duro que laquê nenhum seria capaz de botar defeito, mas nada que um banho e a máquina de lavar já não tenham resolvido. Se vocês me perguntassem se a noite foi ruim, eu diria que não foi, porque a verdade é que eu me diverti pra caramba. Mas Deus me dê coragem pra um repeteco, porque não sei se serei capaz de suportar. No fundo mesmo, eu só queria saber quem foi que inventou que esse negócio de ostentar é bonito. Que a gente precisa provar algo pra alguém e mostrar que nossa, somos foda, ainda que jogar bebida nos outros só prove o quanto a gente é nojento e mal educado mesmo. Ninguém precisa continuar bebendo a cerveja que ficou quente, mas a lata de lixo é sempre serventia da casa. Por favor, usem à vontade da próxima vez. Obrigada. 

No mais, tudo muito bom, tudo muito divertido, mas já deu a experiência pra uma vida inteira. Que voltem os shows de gente crente da nossa programação oficial.  

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10 Comments

  • Reply Juliana 4 de agosto de 2015 at 12:24 PM

    Eu comecei a ler o texto e já sabia que ia terminar aqui na caixa de comentários dizendo: miga, nem me fale! Se tem uma coisa que definitivamente me faz correr de boates e outras coisas no mesmo estilo (veja bem, corro tanto que nem sei dar nome aos lugares) é a mania horrorosa que as pessoas tem de achar que a gente não toma banho antes de ir e portanto se dão o direito de nos encharcar de álcool. Querida, eu nem gosto desse perfume!!! Apenas, EW! E o pior de tudo é mesmo o que você disse: só pra mostrar que podem. Não sei de onde veio essa coisa de ostentar, sei que é nojento, desrespeita a liberdade dos outros e já me fez sair de muito lugar e perder noites que poderiam ter sido incríveis. Paciência né…

  • Reply Analu 4 de agosto de 2015 at 12:30 PM

    Amiga, cheguei!
    Morri de rir porque percebi uma coisa idiota: me imaginava super familiarizada com o conceito… mas só de ouvir falar mesmo, porque nunca fui em uma assim!
    Quero dizer, fui num “churrasco” do centro acadêmico de comunicação da faculdade, no primeiro ano porque calouro tem mania, né? Só que a parada era tipo uma rave a céu aberto e durante o dia todo e todo mundo mamava e ficava INSUPORTÁVEL agarrando os outros e: nunca mais voltei, rs.
    Se eu tomasse um banho de cerveja com certeza ficaria muito puta. Pessoas.

    Te amo! <3

  • Reply Ana 4 de agosto de 2015 at 12:31 PM

    Olha, eu não tenho experiências muito ~boas~ com open bar(es?). Fui em três, na mesma casa que eu uso frequentar normalmente. O primeiro foi mega desorganizado, a cerveja tava quente, a casa ficou um lixo de tão suja e eu detestei (mas bebi a ponto de cair da escada e deixar a bunda literalmente preta do tombo). O segundo foi organizado, eu bebi tanto, mas tanto, que beijei bocas que nunca beijaria sóbria. C’est la vie. A casa também tava mega suja.
    O terceiro foi mais organizado ainda, e foi o que eu paguei mais caro. Mas eu gostei, meus amigos foram quase todos e foi divertido, embora eu tenha passado metade da noite bebendo sentada no sofá. E de novo, a casa ficou um lixo.

    Acho que deve ser regra jogar bebida por tudo nesses casos, mas eu não curto andar com medo de cair e ficar grudando no chão.

    Beijos!

  • Reply Gab 4 de agosto de 2015 at 5:17 PM

    Amiga! Eu nunca fui em festa open bar porque é caro demais para o meu bolso e porque eu tenho um preconceitozinho do tipo: se a bebida é de graça, não vai acabar em boa coisa, então acho que sempre vai ter umas pessoas muito bêbadas e sem noção. Até acho que isso de jogar bebida pra cima não seja ostentação, mas só a loucura de se estar bêbado, porque eu fui numa festa normal, onde todos pagavam suas bebidas e eles jogavam para o alto igual. As pessoas perdem a noção, né?

    Beijos meu abor <3

  • Reply Wanila 4 de agosto de 2015 at 5:56 PM

    Já vi que vou me divertir muito por aqui! hahaha Eu nunca fui num open bar e nem planejo, aqui acontece a mesma coisa: minha cidade tem uma das melhores boates do estado inteiro, mas nunca vem rock. Na verdade vem esse fim de semana e eu vou, mas mesmo a bebida sendo cara pra caramba por lá, sempre acabo saindo com alguma coisa grudenta nas pernas ou no cabelo. :/

  • Reply Anna 4 de agosto de 2015 at 8:00 PM

    Amiga, momentos.
    Aqui em Uberlândia, terra de ninguém, todas as festas universitárias são open bar. Todas. É por isso que eu nunca fui em uma (open bar pra mim é festa de 15 anos e formatura de migos): é caro e só tem cerveja e vodka. Eu não bebo cerveja e tenho pavor de vodka, então não vou pagar 40 reais pra ficar ali sendo linda e bebendo Coca quente, né?
    (vamos ignorar o fato que eu tô com um ingresso de festa open bar de cerveja e vodka que eu paguei 40 reais pra setembro, mas é porque vai ter POZINHO COLORIDO, Taylor Swift, pagode, e gatinhos da RI. pfvr, né?)

    Eu ia dizer que não estou familiarizada com o conceito de jogar a bebida pro alto porque nunca vi, mas na verdade sempre que eu saio, seja pra show ou balada, sempre rola um episódio de bebida pro alto. E ela normalmente cai em mim. Sério, eu tenho ímã pra bebida. Na formatura da Passarinha, fui com um vestido que só tinha usado uma vez. Ele tava guardado porque em sua grande estreia (?) foi manchado porque assim que cheguei na festa um amigo me deu um banho de vinho. Daí fizeram milagre na lavanderia e eu fui com ele pra formatura. Pra chegar lá e levar um banho de bebida voadora (que no caso era nossa hehehe) e manchar o vestido de novo. Acontece.

    Levei banho de cerveja no Arctic Monkeys, e no casamento da Couth certas Milenas derrubaram um copo inteiro de drink em mim. Sou obrigada, não sou.
    Mas enfim. Happens. E às vezes vale a pena.
    beijos!

  • Reply Rafaela 4 de agosto de 2015 at 9:57 PM

    Amiga,
    Que gente abusada, nunca vi isso. Eu já fui em algumas festas open bar e talvez não tenha reparado, sei lá, ou só ande mesmo com gente maluca que prefere — tcharã — BEBER a bebida “de graça” do que sair por aí jogando em quem só quer ficar de boa. Olha, se eu fosse você, xingaria todo mundo. Mesmo. Porque, só de me imaginar no seu lugar, eu já sinto vontade de bater nas pessoas. Eu hein?

    Beijo!

  • Reply Couth 5 de agosto de 2015 at 1:35 AM

    A única festa open bar que já fui na vida foram casamentos, e sempre penso que vou aproveitar para ficar bêbada sem gastar, mas isso nunca acontece, hahahahahah. Acho que eu nem precisava ter dito isso, é tão a gente, né?

    Banhos de cerveja já levei vários, e inclusive conheço pessoas que curtem comprar uma cerveja só para ficar jogando ela em todo mundo. É o preço de sair de casa.

    Só que às vezes até o netflix cansa, né? Hahahahahah!

    Beijooo

  • Reply Pássara 5 de agosto de 2015 at 5:52 PM

    Miga, me abraça. Se eu já fico pra morrer quando levo chuvas de álcool de gente bêbada que esquece que gravidade existe e acha de bom tom pular com o copo pro alto, imagine de quem faz isso de propósito. Não tenho o costume de ir em festa open bar porque custa os rins e eu sou pobrinha e pão dura, mas entendo seus sentimentos.

    Pelo menos você se divertiu, é o que importa.

    Te amo <3

  • Reply Alessandra Rocha 5 de agosto de 2015 at 10:36 PM

    Shows de rock <3 melhor tipo de show, eu só fui numa balada sertaneja muitos anos atrás e era tudo pago, então não rolava essa ostentação, mas gente… ECA. Preguiça desse povo que faz coisas só porque "pode"

    Acho que só iria numa festa de open se fosse tipo indie/alternativa mesmo eu não sendo nenhum dos dois, ainda teria meia duzia de musicas que eu curto para ouvir e realmente: bons drinks custam os olhos da cara né?

    Beijo!

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