VIDA DE FANGIRL

A DOR PRECISA SER SENTIDA

Uma coisa que vocês precisam saber sobre mim é que, via de regra, eu nunca assisto as coisas que me indicam. Não faço isso por mal, juro, inclusive espero que vocês não façam o mesmo com minhas indicações (risos), é só que é bem difícil que eu vá mesmo assistir aquele filme ou aquela série incrível que alguém me indicou e que jurei de pé junto que ia ver sim. Em minha defesa, eu diria que na maior parte dos casos o que acontece é resultado da minha péssima memória, que é capaz de esquecer não somente o título dos filmes, livros e séries que me indicam, como a indicação em si. Também não confio muito em unanimidades, seja aquela série que está em alta, seja o filme que todo mundo viu e amou, ou o best seller do momento; mas em alguns casos, o que acontece é que eu justamente sinto que vou gostar tanto de determinada coisa, que de repente prefiro esperar o momento certo pra’quilo (?), e fico saboreando a expectativa e nutrindo minhas próprias fantasias, num desses momentos que podem dar muito muito errado ou que simplesmente dão tão certo nos fazem perder o rumo de casa e mesmo assim a gente não quer mais saber de voltar.

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Foi assim que eu me senti durante todo o tempo em que assisti Penny Dreadful, uma série que deixei em banho-maria por mais tempo do que consigo lembrar, e que me deixou de joelhos já no episódio piloto: completamente perdida, afundada até a cabeça numa história que me encantava na mesma medida que me assustava, mas não o suficiente pra dar meia volta e desistir no meio do caminho. Terminei de assistir a segunda temporada na madrugada de sábado pra domingo (a terceira só sai no ano que vem) e desde então não tenho conseguido pensar em outra coisa – e quando digo não pensar em outra coisa, é literalmente não pensar em nada, da hora que acordo até a hora que vou dormir, porque estou muito preocupada com o rumo da vida daquelas pessoas, pessoas que eu nem sabia que existiam até semana passada e em menos tempo do que eu estava preparada pra lidar já se tornaram as minhas favoritas no mundo inteiro. Como era a vida sem Vanessa Ives, Mr. Chandler, Dorian Gray e Dr. Victor Frankenstein? Jamais serei capaz de lembrar.

Pra quem não faz a menor ideia do que estou falando, Penny Dreadful é uma série de terror, mas nem tanto, que basicamente conta a história de um grupo de pessoas que se une para combater as forças do mal que ameaçam Londres durante a era vitoriana. Digo nem tanto porque, apesar dos seres sobrenaturais estarem ali, da cota de possessões ser cumprida, do ambiente sombrio e o suspense constante no ar, ela nunca foi tão sobre isso quanto é sobre seus personagens, sobre seus dramas individuais, sobre a luta de cada um contra seus próprios fantasmas, e sobre seus sonhos e desejos também – ainda que isso pareça muito distante dentro de um ambiente tão hostil. Eu fico com medo enquanto assisto porque sou o tipo de pessoa que se impressiona fácil, que até hoje tem medo de escuro e que às vezes precisa deixar as luzes acesas pra conseguir ter um pouco de paz. Mas o medo nunca é tão grande quanto o sentimento que eu fui nutrindo por essas pessoas, um sentimento que eu sequer sei o nome, mas que deixa meu coração quentinho e me angustia na mesma medida.

Quanto mais penso sobre o final dessa temporada, mais esgotada eu me sinto. Porque dói demais ver aquelas pessoas desempenharem, ao mesmo tempo, o papel do mocinho e do vilão em suas próprias vidas. Pessoas que não existem de verdade, eu sei, mas que me cativaram de uma forma muito intensa e honesta, que só conheci antes com Supernatural e Breaking Bad – duas séries que amo demais, vocês sabem, mas que arregaçaram meu emocional sem dó. Não tem um dia que eu passe sem chorar porque não sei o que vai acontecer com o Ethan, porque não sei o que vai acontecer com Mr. Clare, porque tenho pavor de pensar no que o Dr. Frankenstein vai fazer com a própria vida, nem como vai ser a vida da Vanessa daqui pra frente. Eu sofro de verdade por pessoas que não existem, chego a ter reações físicas de vez em quando, só porque não consigo me desassociar desse universo o suficiente pra acabar com tudo assim que os créditos sobem e seguir com minha vida normalmente. Alguns diriam que é loucura e quem sou eu pra dizer que não é. Só me deixem abraçar esse sentimento em paz.

oh fuck me

Penny Dreadful chegou sem pedir licença, colocando o pé na mesa e dizendo que veio pra ficar, mesmo que minha vida acabe um pouquinho no processo. Talvez eu ainda esteja me sentindo como um papel amassado, quebrada feito uma promessa, chorando toda vez que penso demais no assunto, mas é pra isso que servem as boas histórias afinal de contas.           

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5 Comments

  • Reply Mia 14 de setembro de 2015 at 5:44 PM

    Ai, nem me fale nesse final de temporada. Eu estou agoniada pensando no que acontecerá. SÉRIO, ESSA SÉRIE SUGA A NOSSA VIDA! Eu amo Penny Dreadful e lembro que fiquei meio com medinho nos primeiros episódios, mas logo passou – porém, não a vejo à noite, apenas durante o dia, porque não quero ter pesadelos, hahahaha

    O que será do Mr. Chandler? Sério, ele é o que mais me agonia nisso tudo. Aquela última cena dele… ai. Não quero soltar spoilers porque vai que alguém que ainda não tenha visto leia os comentários, mas CARAMBA, tu sabe, né?

    Torcendo muito pra haver altas fugas com transformações sob a lua e sangue. o/

  • Reply Thay 14 de setembro de 2015 at 5:55 PM

    Penny Dreadful é muito incrível! ♥♥♥

    Aconteceu comigo a mesma coisa, só que ano passado. Havia baixado o episódio piloto, mas não assisti logo de cara, deixei passar um tempo. Quando resolvi que era o momento, pronto, fui fisgada pra sempre (até escrevi no blog, porque amei muito). A série é toda incrível, os cenários, os figurinos (quero muito os vestidos da Vanessa) e, claro, os personagens.

    Sim, a série tem o sobrenatural ali, mas é só pano de fundo para a história de todas esses personagens incríveis. Quando assisti o finale da S2 eu fiquei no chão por uns dois dias (#drama) porque, sério, COMO ASSIM, todo mundo ficou sozinho e separado? COMO ASSIM cortaram o cabelo do Ethan?! AHH, gente, não, não. Fiquei destruída, não gostei de todo mundo triste e sozinho.

    Ai, Ana, vamos nos dar as mãos e chorar juntas até o ano que vem, não tá fácil. </3

    =**

  • Reply Patthy 14 de setembro de 2015 at 6:41 PM

    Eu tenho esse mesmo problema que você para indicações de filmes. No caso das séries vejo tantas que eu mesma me dou indicações. heh
    Não sei como falar de Penny Dreadful sem ser extremamente paga pau. Enfim, o final da segunda temporada me deixou ARRASADA, querendo dar um abraço apertado em cada personagem.
    Mas a cena que mais me marcou foi o exorcismo da 1ª temporada. Como você disse, o sobrenatural fica de plano de fundo, eu me envolvi emocionalmente com os personagens naquele instante (pronto, a boboca aqui tá toda arrepiada). Já vi dezenas de exorcismos em Supernatural (que é outra série que eu curto pra caramba) mas jamais senti o mesmo do que quando vi o de PD.

  • Reply Monique Químbely 24 de setembro de 2015 at 12:36 AM

    Sem ooooor. Eu juro pra você que assim que me deparei com esse post e vi esse gif da Vanessa e o nome Penny Dreadful de relance eu fui correndo no twitter comentar em caixa alta que eu tinha acabado de achar um post sobre Penny Dreadful e que o resto poderia esperar.
    Minina, QUE SEASON FINALE FOI AQUELA. Partiu meu coração em dez e eu estou ainda tentando decidir o que foi mais doloroso: as lágrimas escorrendo da cara da nossa Vanessa ou o Ethan praticamente careca naquele navio que o estava levando pra longe, muito longe, longe demais da Miss Ives, e meu coração de shipper não aguenta (apesar de eu sempre conseguir permanecer viva para mais uma temporada .-.)
    O pilot de Penny eu assisti na casa de uma amiga. Eu que chamei ela pra ver, só que a coitada tava morrendo de dor de cabeça, virou pro lado e dormiu, e eu tava daquele jeito, morrendo de sono num típico meio de semana, e vi todo o episódio como num sonho (não pareceu muito real o fato de eu ter assistido quando tentei lembrar das cenas), e nem foi amor à primeira vista. Só sei que me fiz continuar e agora é só feelings por essas pessoas.
    E, gente, o Dorian Gray, que homi é esse, que personagem é esse, que trem marlindu, af.
    A EVA GREEN, A EVA GREEN TÁ DESTRUIDORA. É tanta cena fodástica protagonizada por ela que dá até um coiso pensar nelas.
    Acho que o terror da série tá mais ligado aos próprios personagens, porque, mesmo com dificuldades geradas por seus inimigos, o que eles mais odeiam, mais até do que tais inimigos, são os monstros que acham que são, e talvez sejam, mas que formam uma parte de cada um deles. E eles são tão humanos, mesmo sendo cercados de coisas bizarras, eles ainda são só pessoas tentando se encontrarem, se aceitarem ou mudarem a si mesmas porque não gostam do que são. Então o terror é mais um tom, uma atmosfera apenas, permeada por aquela ambientação maravilhosa da Londres vitoriana, e de vez em quando nos presenteando com cenas realmente tenebrosas.
    Beijos no coração <3

  • Reply BA MORETTI 29 de setembro de 2015 at 1:56 PM

    a minha memória também é péssima e quando pego indicações de primeira a decepção é quase iminente. eu preciso me preparar psicologicamente antes sabe? então eu crio listas com o nome de quem indicou (ou não, vai da vibe do momento) e deixo ali pra quando eu acordar inspirada pra conhecer algo novo. vou até aproveitar a deixa pra te indicar algo que tem me ajudado na questão da memória. um site pra organizar os seriados que tu assiste e os que quer assistir depois. particularmente o layout do site me irrita mas ele me é muito mais útil do que irritante. é o http://www.bancodeseries.com.br

    e quanto a pennydreadful: amo tanto a ponto de não saber lidar. e senti saudades de cada personagem enquanto lia teu post. que aflição!

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