JOHN HUGHES NÃO DIRIGE MINHA VIDA

AQUELE COM OS ALUNOS PELADOS

Entre todas as coisas que me contaram sobre a Universidade de Brasília, a mais curiosa, de longe, era sobre os alunos que corriam pelados pela faculdade.

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Vejam bem, ninguém sabe até que ponto isso é verdade ou mentira. Afinal, estamos falando de uma história que vem sendo contada há anos, geração após geração, sem que ninguém questione a veracidade dos fatos – no fundo, porque ninguém leva esse papo muito a sério. O negócio é que a história foi sendo passada para frente de tal modo que, hoje, ela já se tornou tão popular quanto, sei lá, o trans-minhocão – que muito calouro jura de pé junto que existe até hoje -, ao ponto de fazer muita gente começar a, de fato, acreditar que em algum momento da história da UnB existiram esses tais estudantes que corriam pelados sem nenhum motivo aparente, apenas porque eram livres, muito livres, e nada mais libertador do que correr sem roupa por uma universidade federal, o antro da perdição, como diriam os mais conservadores.

Até hoje, eu não conheci uma pessoa que realmente estivesse envolvida nessas histórias (que viu a cena ou foi o aluno peladão, não importa), mas se vocês perguntarem para qualquer pessoa que more em Brasília, podem ter certeza, ela vai ter pelo menos uma história para contar sobre a galera que curtia pegar um vento onde o vento normalmente não bate nas horas vagas, risos eternos.

Não lembro quando ouvi essa história pela primeira vez, muito menos quem me contou (provavelmente um professor do colégio ou do cursinho, eles sempre têm umas histórias cabeludas pra contar), mas eu me divertia horrores imaginando esse povo correndo pelado por aí só porque sim, enquanto imaginava o dia que eu faria um filme ambientado na universidade e enfiaria uma pessoa correndo pelada pelo Minhocão sem mais nem menos – tudo numa fotografia meio anos 80/90, pra ficar ainda mais legal (desculpa, sou doente), mesmo que, no fundo, eu não acreditasse que isso pudesse acontecer de verdade. Quer dizer, existem leis que proíbem esse tipo de coisa, não existem? Sei que universidades têm essa imagem de lugares livres, onde as pessoas podem pensar e fazer o que quiserem (você até pode pensar o que quiser, fazer são outros quinhentos), mas na prática a coisa não é bem assim, e mesmo que todo mundo seja muito legal e a favor de certas rebeldias, também existem pessoas que odeiam esse tipo de coisa e que não aceitariam uma coisa dessas numa boa. Ou seja, as chances de que isso acontecesse enquanto eu estivesse lá eram menores do que, sei lá, eu meter a mão numa aranha e curtir a experiência.

Até que aconteceu. Do jeito mais improvável possível, mas ainda assim.

Foi mais ou menos assim: eu estava no primeiro semestre de contabilidade (long story short: antes de entrar para o audiovisual, passei por outros três cursos na UnB – gestão de saúde, contabilidade e comunicação organizacional, respectivamente – dos quais cheguei a cursar de verdade somente dois) (a não ser que vocês considerem a primeira e única semana que fui às aulas de gestão de saúde, risos), no meio de uma aula bem monótona sobre produção de textos (meio uma extensão das aulas de redação do colégio) e de repente, não mais que de repente, um monte de gente pelada começou a entrar na sala de aula. Gente pelada com sacos de papel pardo na cabeça, vale dizer. Uma coisa maravilhosa. Ninguém sabia o que fazer. Ninguém sabia o que não fazer. O circo estava formado.

Sabem aquele episódio em Gilmore Girls onde o Logan invade a sala de aula da Rory e faz um teatrinho com os amigos, dispersando todo mundo? Então. Eu me senti como uma daquelas pessoas na sala de aula – a diferença é que, ao invés de um teatrinho, nós tínhamos alunos pelados de verdade, com sacos de papel pardo na cabeça, andando casualmente pelo anfiteatro e depois indo embora como se nada tivesse acontecido. A professora, coitada, até tentou colocar ordem na sala novamente – depois, claro, de passado seu choque inicial -, mas foi um ato completamente desesperado, que terminou com ela jogando a toalha e liberando todo mundo mais cedo porque era absolutamente impossível retomar o controle da situação. Sério, quais as chances de um monte de jovens recém-saídos das fraldas verem um monte de gente aleatória andando pelada no meio da sala de aula, com um saco na cabeça, e seguir com a vida numa boa? Não dá. Maturidade: definitivamente não trabalhamos.

Até hoje não sei o que, afinal de contas, foi aquilo. Reza a lenda que tudo não passou de um protesto feito pelos estudantes em prol de uma causa “x” – uma informação que não confirmo nem nego, porque a verdade é que eu não consegui prestar muita atenção nas cabeças ensacadas ou em qualquer outra coisa que não as ppks aleatórias e os pintos meio murchos. De todo modo, foi uma ótima experiência antropológica, o jeito perfeito de tirar a prova que, afinal de contas, os estudantes pelados existem de verdade – eles só são um pouco diferentes do que as histórias costumam contar.

Pelo menos agora eu vou poder contar para meus filhos e netos que essas pessoas existem de verdade e que eu as vi com meus próprios olhos. Aposto que eles vão adorar, risos eternos.

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10 Comments

  • Reply Nay 12 de setembro de 2016 at 1:58 PM

    QUE HISTORIA MARAVILHOSA. por mais pelados nas universidades eu voto SIM.

  • Reply Rhay 12 de setembro de 2016 at 3:40 PM

    aghhahahaah,
    melhor comparação da face da terra!! sempre que acontece algo inesperado me sinto como uma pessoa aleatória do dia que o logan fez o teatro para a rory. ahaha. dia desses uma menina foi pedida em casamento em plena aula de produção radiofônica, a menina não sabia aonde enfiar a cabeça. não sei se ria ou se chorava por ele.
    enfim, não sei como reagiria no seu lugar. acho que tamparia os olhos ahaha, não conseguiria olhar para pessoas nuas. não sei lidar.

    enfim, gostei muito do seu blog, ♥. os últimos filmes que você viu já estão todos na minha listinha de “ver”, principalmente o do totoro!!
    respondi uma tag lá no blog e te indiquei.
    se você respondesse ficaria felizona!!

    bjos e uma boa semana!!

  • Reply BA MORETTI 12 de setembro de 2016 at 7:03 PM

    HAAAAAAAHAHAAHHA sem or what the fuck
    acho que eu ficaria confusa feat hipnotizada numa situação dessas também
    e não é bem o tipo de cena que costuma sair da nossa cabeça né? HAHAHA

  • Reply Bianca Geisler 12 de setembro de 2016 at 7:59 PM

    Que história foi essa, Jesus? Eu ri muito e fiquei de boca aberta só de pensar. Acho que eu nunca vou ter maturidade suficiente para superar algo assim, caso fosse eu sentadinha, prestando atenção na aula, e BAAAAM pênis e vaginas à mostra. Que loucura! Eu só imagino a professora mesmo hahahaha
    Mas olha, vai ser uma ótima história para contar para os filhos e netos. Ah, e não imagino qual a causa que levou eles a fazerem isso, viu? Mas eu ri.

    Beijos,
    Bi.

    http://www.naogostodeunicornios.com

  • Reply KARINE 13 de setembro de 2016 at 5:47 AM

    HAHAHAHAHA mas gente, que loucura!

  • Reply Wanila 13 de setembro de 2016 at 10:07 PM

    HAHAHAHA meu deus! eu pagaria pra ver uma coisa assim
    ou não

  • Reply Tati 18 de setembro de 2016 at 5:33 PM

    Miga, enquanto eu lia o post só conseguia pensar no Marty de GG, e só fui lembrar do Logan entrando na sala de aula quando você citou. Euzinha, a maior poser de GG que você respeita hehehhee
    Eu não sei qual seria minha reação vendo isso ????? ia ter um ataque de riso infindável provavelmente ????
    Essas coisas me deixam sad pois queria estar na famigerada faculdade :( meh

    Novembro Inconstante

  • Reply Gabriela Leite 21 de setembro de 2016 at 5:13 PM

    Eu só posso dizer que AMEI

  • Reply Manu 1 de outubro de 2016 at 2:42 AM

    Eu JURAVA que tinha comentado aqui! AMIGA?????????? COMO ASSIM? Acho que minha versão caloura ficaria perpetuamente assombrada com a visão dessa que é mais uma das maluquices da vida universitária (felizmente nunca me deparei com gente pelada, mas já cruzei com gente enrolada em plástico-bolha no meu próprio bloco) e sairia correndo dali HAHAHAHAHHAHA. Mas o que importa é: VOCÊ VIU OS LENDÁRIOS ALUNOS PELADOS! Isso realmente dá um filme, viu – acho que você super deveria investir na ideia, hahahahahah
    :**** <333

  • Reply Mari' 3 de novembro de 2016 at 4:52 PM

    Meu Deus UHSAUHSUAHS que história fantástica. Adoraria ter alguma história retardada de universitários para contar para os meus filhos também!

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