JOHN HUGHES NÃO DIRIGE MINHA VIDA

AQUELE EM QUE A GENTE FOI ASSISTIR ROGUE ONE

E voltou pra casa sem assistir Rogue One, risos.

Na última quarta-feira, eu fui ao cinema assistir a pré-estreia de Rogue One. Depois de acordar aflitíssima do pior pesadelo do mundo, tomei um banho, vesti a primeira roupa que vi na minha frente (camisa jeans, calça preta, coturno e jaqueta de couro, caso você esteja se perguntando), passei um pouco de maquiagem na cara, sequei meu cabelo e parti com meu namorado rumo ao cinema, mais ou menos meia hora antes da meia-noite.

Desde que comecei a escrever no Valkirias, tenho o costume de assistir os filmes na estreia ou na pré-estreia e dessa vez não podia ser diferente. Rogue One é um dos lançamentos mais esperados do ano, e sendo um filme protagonizado por uma mulher, era impossível deixá-lo passar batido no site. Assim, comprei os ingressos com algumas semanas de antecedência e, na data marcada, lá estávamos eu e Guilherme – meu companheiro jedi, parceiro de crime, amor da minha vida, etc etc. Compramos enormes sacos de pipoca, litros de refrigerante, pegamos nossos óculos 3D – desgraça, bela desgraça – e entramos na sala, que a essa altura já exibia os primeiros trailers na tela. Sentamos, desligamos os celulares, guardamos nossas carteirinhas e ficamos ali, comendo pipoca e bebendo refrigerante como se não houvesse amanhã enquanto Marion Cotillard e Michael Fassbender tocavam o terror na Espanha do século XV…em português. O fato de estarmos em uma sessão legendada não nos chamou a atenção de imediato. Conforme o tempo foi passando, no entanto, as coisas começaram a ficar meio estranhas e enquanto as pessoas se mexiam desconfortáveis na cadeira, claramente sentindo que algo estava errado ali, Guilherme pediu que eu tirasse meu celular da bolsa e iluminasse o ingresso só pra ele ver “um negócio”.

O negócio, no caso, era o ingresso, que ele queria conferir se era ou não de uma sessão legendada ou se tinha, de fato, alguma coisa muito errada acontecendo naquele cinema. Depois de constar que não havia nada, absolutamente nada, que indicasse tal informação no ingresso, concluímos que a sessão devia ser legendada mesmo e que só os trailers eram dublados – o que não seria de todo uma novidade, muito embora não fizesse o menor sentido. Foi só quando o filme realmente começou e nós ouvimos a ainda pequena Jyn Erso gritar pela mãe em português que eu pude ouvir a música da Maysa tocar no fundo da minha cabeça. O filme era dublado. Meu mundo caiu – mas não foi o único. De repente, várias pessoas começaram a gritar em voz alta que o filme era legendado enquanto outras se levantavam para reclamar com quem quer que estivesse à disposição. As luzes foram finalmente acesas, o filme foi interrompido, e sentada no meu canto, eu comi minha pipoca quietinha enquanto observava uma verdadeira revolução acontecer na minha frente, risos eternos.

Não demorou muito para que um funcionário do cinema aparecesse, numa tentativa frustrada de conter aqueles espectadores de ânimos exaltados. Ele, que claramente não tinha culpa de nada, que passou o dia inteiro trabalhando e já devia estar de saco cheio daquele lugar, ele que provavelmente ganha muito menos do que o verdadeiro responsável pelo erro, foi a pessoa que sofreu com aqueles que buscavam alguém a quem culpar. Fiquei com uma vergonha genuína quando, após ele perguntar pela última vez se alguém gostaria de ir para a outra sessão – essa sim, legendada – um cara na fileira ao lado perguntou, de um jeito grosso e completamente desnecessário, se ele achava que estava fazendo um favor. Foi com um alívio genuíno que eu vi outra pessoa, um pouco mais adiante, responder que não precisava falar daquele jeito, que o cara só estava fazendo ali o seu trabalho. Mas fiquei com vontade de dizer, também, que ele estava sim fazendo um favor. Que o cinema tinha falhado, é verdade, mas ele não tinha a menor obrigação de enfiar alguém numa sala nova, especialmente quando o filme certo estava sendo baixado para ser exibido dali alguns minutos. Eles estavam possibilitando que, quem quisesse arriscar ir para outra sala e sentar nos lugares que sobraram, podia fazer isso, o filme estaria pausado esperando por eles lá. Mas eles não podiam sacrificar uma outra sala inteira em função de uma segunda e manter o filme parado eternamente porque um cara achou que eles não estavam fazendo mais do que a obrigação deles de oferecer a opção de assistir o filme na sala ao lado.

Eu entendo a frustração, é claro. Antes de mais nada, eu estava ali porque meses atrás eu me comprometi a escrever sobre esse filme – algo que eu queria (e ainda quero!) fazer com todo o meu coração. Eu não me esforçaria tanto para assistir logo se não me importasse tanto com o que escrevo no Valkirias, e embora eu reconheça que o filme não vai sair correndo e que as pessoas interessadas em ler sobre ele vão continuar ali de qualquer forma, eu também sei que é muito mais legal ler sobre um filme quando ele acaba de chegar ao cinema e você pondera se deve ou não gastar seu dinheiro naquilo ali (especialmente quando o ingresso está pela hora da morte, como é o caso aqui). Mesmo assim, eu sabia que a culpa não era daquele cara e que meus problemas eram só meus, que não era justo eu soltar meus cachorros em alguém que só estava ali dando a cara pra bater enquanto quem realmente deveria estar atento nesse meio tempo, não esteve. Fiquei feliz quando, mais tarde, esse mesmo cara foi aplaudido, mesmo que tivesse trazido notícias ruins. “Vai demorar muito para baixar o filme legendado”, ele disse, “mas vocês podem carimbar o ingresso e vir assistir outro dia se não quiserem assistir dublado mesmo”. Tudo bem, tem outros troféu.

Enquanto esperava Guilherme carimbar nosso ingresso e garantir um novo combo de pipoca e refrigerante (risos), fiquei rindo sozinha, lembrando da cara de todo mundo quando Jyn gritou “mamãe”. Meus planos de escrever sobre o filme e entregar o texto antes de sexta-feira foram por água abaixo, assim como meu lukinho foi um desperdício, mas no meio de um Blogmas que você claramente já não sabe mais sobre o que escrever, as chances de qualquer coisa virar texto são enormes.

Pelo menos agora, entre todas as histórias de luzes de emergência que acenderam sem necessidade e apagões no meio de uma sessão das quais eu só ouço falar, eu também tenho uma história mais ou menos sobre confusões no cinema pra contar, risos.

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1 Comment

  • Reply BA MORETTI 12 de janeiro de 2017 at 12:33 AM

    SEN OR, só imagino a cena. dia desses namorado foi assistir pela milésima vez um dos episódios de got e, o vídeo sendo dual áudio, começou dublado. foi aquele voadora na costas né. que coisa infeliz HAHAHA mas de cinema já aconteceu algo parecido comigo. só que no caso eu fui assistir jogos mortais e do nada começou high school musical, foi horrível HAHAHAHAHA acho que todo mundo ficou traumatizado HAHAHAH

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