TOO COOL FOR SCHOOL

AQUELE EM QUE USAMOS COROA NA BALADA

Ou: It feels like one of those nights we won’t be sleeping.

Li recentemente que quando a gente prefere ficar em casa ao invés de sair, pode ser um sinal de que tem algo bem errado acontecendo. Sei lá até que ponto dá pra acreditar nessas coisas aleatórias que a gente vê no feed do Facebook (resposta: quase nunca), mas se isso for mesmo verdade, tenho até pena do meu diagnóstico porque gente, eu amo tanto, tanto ficar em casa que vocês não têm ideia. Eu amo sair, claro. É verdade, amo mesmo. Mas prefiro infinitamente ficar em casa de pijama, curtindo minha cama e meu edredom quentinho. Gosto de pensar que tive sorte na vida de encontrar amigas que são assim, tão parecidas comigo, que olham as fotos das pessoas na balada e só conseguem pensar que estão muito melhor dormindo em casa do que passando frio num vestido mais justo que deus. Mas de vez em quando a gente resolve quebrar as regras e fazer tudo diferente, especialmente quando temos um ótimo motivo pra isso, e então ganhamos um punhado de histórias pra contar pros filhos, aqueles mesmos que vão revirar os olhos com nossas histórias um dia. E é pra contar uma dessas histórias que eu estou aqui hoje.     

Quando fomos pro Rio de Janeiro, em maio deste ano, um dos combinados era que a gente iria numa festa, afinal de contas, era a despedida de solteira da melhor noiva do mundo e ainda que nossa festa particular tenha sido a melhor possível (com direito a canudos com formato muito peculiar, homens sem camisa – don’t call my name, Alejandro – e brincadeiras que obviamente não foram levadas a sério), não dava pra terminar a experiência sem uma festa assim, de verdade, onde a gente pudesse ver o sol nascer da pista sem precisar se preocupar com a playlist da vez. Então escolhemos uma festa, jogamos na mala nossas melhores roupas to dress up like hipsters (ou não) e embarcamos rumo ao que, mais tarde, eu chamaria de melhor feriado da vida até aqui.

O que ninguém se preocupou em nos dizer (e nenhuma de nós parece ter pensado também) foi que o dia 1º de maio seria um dia muito cheio. Afinal, a gente tinha um Chá de Pinto pra organizar, e uma praia pra curtir, e pizzas pra comer, e um bolo delicioso e garrafas de champagne esperando para serem consumidos, tudo isso considerando que tínhamos chegado de viagem no dia anterior, tínhamos dormido tarde porque sim, óbvio, e provavelmente nem teríamos dormido se não fosse Lili dizendo que a gente tinha que acordar cedo no dia seguinte pra arrumar tudo, e estávamos todas exaustas de alguma forma. Então quando chegamos em casa, tomamos banho, vestimos o pijama, dividimos as pizzas, eu jurei, por dois segundos, que a festa tinha miado de vez. Quer dizer, nós estávamos de pijama (!), quase cochilando no sofá, felizes da vida. A gente não ia pra festa, ia? É claro que ia.

Lembro que um pouco antes eu tinha ligado pro Gui pra dar boa noite, como a gente faz sempre, e eu disse que o combinado da noite era ir numa festa, mas que estávamos todas de pijama no nosso apartamento (risos) e que achava difícil a gente sair naquele estado (?). Ele riu e disse que tudo bem, mas que tivesse cuidado se a saída fosse rolar mesmo. Nos despedimos. Então eu voltei pra sala, naquela dúvida se já era permitido dar boa noite ou não, mas já passava das dez e a gente continuava sem um pingo de maquiagem no rosto, sem a menor vontade de levantar e tomar alguma providência quando, sem mais nem menos, alguém levanta e diz algo tipo “é, acho que a gente já pode começar a se arrumar”.  

Nos dois minutos que se seguiram meu coração parou, meu corpo protestou e eu quis verdadeiramente me jogar no chão e fingir estar morta, até que eu lembrei que estava com as melhores pessoas do mundo e que se fosse pra uma festa dar certo, era com elas que daria, e de repente meu cansaço foi embora e meu sono também, e eu corri pro quarto pra colocar meu vestido novo, que eu não tinha sido comprado exatamente pra’quela situação, que na verdade eu tinha sido comprado muito antes de eu sequer saber que estaria no Rio no feriado de 1º de maio, mas acho que no fundo eu só estava esperando o momento certo pra usar. Então, não mais que de repente, as moças de pijama rodopiavam pelo apartamento com suas roupas de festa, todas ainda mais bonitas que o normal, dando os últimos retoques na maquiagem. Foi quando a Analu (ou talvez tenha sido a Mimi?), perguntou se a gente não iria com nossas coroas pra festa. Será que é uma boa ideia? Será que vai ficar bom? Vamos? Não vamos? É claro que vamos. Então nós fomos.

Numa das partes mais marcantes de “As Vantagens de Ser Invisível”, Charlie, o personagem principal, diz que se sentiu infinito. Naquela noite, eu me senti infinita. Eu dancei com pessoas que conhecia em carne e osso há poucos dias e senti como se estivesse dançando com amigas de infância, e aquilo foi o suficiente pra que eu soubesse que estava no lugar certo, na hora certa. Do contrário, eu nunca ia conseguir me soltar daquele jeito. A gente dançou a noite inteira, até que nossos pés doessem e ainda assim dançamos mais um pouco, só porque a música era boa demais pra gente pensar em parar. Nós gritamos as letras de nossas músicas preferidas e pulamos abraçadas em metade delas. As pessoas paravam pra ver a gente, meio curiosas e intrigadas com aquelas moças tão alegres com suas coroas na cabeça que pareciam não se cansar nunca. Mais tarde, as fotos da festa renderiam maravilhosas crises de riso, fosse pelo intrometido de óculos ou pelo mal amado revoltado atrás, mas nada se compara ao misterioso João João, que de tão intrigado, foi perguntar no evento do Facebook quem eram as meninas na despedida de solteira.                

Queria dizer que realmente conseguimos ver o sol nascer da pista, mas aí eu estaria mentindo pra vocês. Se servir, teve uma parte d’A Gente que viu na praia mesmo, o que acho ainda mais bonito, mas outra parte d’A Gente preferiu ir pro nosso apartamento tomar banho e dormir um pouco, e depois de um dia que possivelmente durou mais de 24h, eu me permiti ir junto com a segunda leva. Então nós chegamos no apartamento e eu deitei na cama enquanto esperava minha vez de tomar banho e acabei cochilando de vestido mesmo, até que chegou minha vez e eu levantei no susto, mas nossa, como é bom tomar um banho quente depois de um dia tão movimentado.

Já passava das seis quando eu finalmente vesti meu pijama e deitei minha cabeça no travesseiro, numa cama que ainda parecia grande demais sem minhas pessoas ali do lado (ainda que ela nem fosse tão grande assim) (talvez fosse pequena pra todas nós) (mas nunca é pequena de verdade pra todas nós), mas eu sabia que logo, logo elas iam chegar e eu nunca estaria sozinha de qualquer forma. Então eu pensei no dia anterior, em tudo que eu tinha vivido e na noite memorável que tivemos. Que eu já tinha tido sim muitas noites especiais na vida, já tinha ido em muitas festas boas e me divertido um bocado, mas nada se comparava ao que eu vivi ali, em terras cariocas, ao lado das melhores pessoas do mundo. Eu sabia que não voltaria a mesma pra Brasília porque algumas coisas mudam a gente pra sempre, mas então eu tive certeza que aquele feriado mudaria também a forma como eu me divertia, porque nunca seria a mesma coisa se eu não tivesse minhas pessoas, meus pedacinhos espalhados por esse Brasil enorme, dançando comigo a noite inteira. Eu podia ficar triste porque, com muita sorte, a gente consegue reunir todo mundo uma ou duas vezes por ano. Mas querem saber? Eu não trocaria isso por nada no mundo. Então fechei meus olhos e dormi de vez.

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6 Comments

  • Reply Ana Flávia 16 de agosto de 2015 at 5:38 PM

    Ei Ana! Eu acho tão linda essa amizade e esses textos que vocês escrevem sobre que parece que vivo de perto!
    Que a vida sempre permita esses encontros e que seja sempre incrível.

    Beijos

  • Reply Couth 17 de agosto de 2015 at 12:53 AM

    Amiga, eu estou aqui lendo e chorando, porque de repente morri de saudades de você (?), porque até agora não consigo superar o casamento. Desculpa estar falando nisso de novo, mas só de pensar que você não estava nos colchões da minha sala dá uma pane: você estava sim, ali, no meio da gente, fazendo conchinha.

    Eu te amo, e amei ler o seu relato, e mal posso esperar para te ver de novo e me sentir infinita ao teu lado!

    Beijo, baby sis <3

  • Reply Analu 17 de agosto de 2015 at 11:46 AM

    Ai amiga, que delícia de relato. Não a toa, acabamos escolhendo o mesmo momento para narrar porque FOI INFINITO DEMAIS, né? Alguns infinitos são maiores que outros <333
    Foi incrível esse seu primeiro encontrão, e vai ter um monteeeee pela frente.

    Te amo!

  • Reply Passarinha 17 de agosto de 2015 at 1:36 PM

    Estou eu no primeiro dia de volta ao trabalho. Aí eu leio esse texto. Aí no momento seguinte estou eu no banheiro chorando. Ok, voltei, posso comentar agora.

    Ai, amiga, estou com o coração apertadinho da saudades, posso voltar para esse dia? Com a gente é assim mesmo, a gente fica meio morta até a hora de levantar e se arrumar, se chama modo economia de energia. E a verdade verdadeira é que eu dormi no sofá RISOS E foi a pior coisa que eu fiz, porque levantar foi um parto, mas valeu muito a pena.

    Te amo <3

  • Reply Ana 17 de agosto de 2015 at 2:24 PM

    Acho que devo comentar em todos os posts sobre a amizade de vocês. Não parem nunca, porfa.

    E existe algo muito bom em deitar cansada depois de uma festa, né? É um cansaço muito bom, sei lá.

    Sobre as coroas: quero.

    Beijos!

  • Reply Plan 27 de agosto de 2015 at 4:59 PM

    EU NAO TINHA COMENTADO AQUI AINDA?????

    Amiga, primeiro te amo. Segundo te amo de novo. Terceiro que eu te achei uma heroína por ter se jogado na gente. E se jogou tão bem que em nenhum momento pareceu que tu era ~nova~, sabe? Que coisa boa a tua amizade, amiga!

    Te amo (de novo)
    <3

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