VIDA DE FANGIRL

ARROW E A TEMPORADA DO MIMIMI

Ou: You have failed this season.

Arrow

Desde o ano passado que eu não sei o que é acompanhar uma série de verdade. Quer dizer, eu continuo acompanhando uma porção de coisas, claro, só não com aquela regularidade de sempre. Por exemplo, eu só fui terminar de assistir Supernatural umas duas semanas atrás, mais de um mês depois do lançamento do último episódio; e só comecei a assistir a quinta temporada de Game of Thrones agora, um bom tempo depois da season finale ter ido ao ar e muitos spoilers serem jogados ao vento. Tudo isso pra dizer que, no último sábado, depois de uma maratona que durou dois fins de semana, eu consegui matar os 23 episódios da terceira temporada de Arrow, e meu deus, essa temporada foi ruim demais. 

Tá, ruim demais talvez seja um pouco de exagero, ainda mais se a gente considerar que tem coisa bem pior rolando por aí (The Walking Dead, querida, estou olhando pra você), mas não dá pra negar que foi puxado (pra dizer o mínimo) acompanhar uma história que a cada episódio fazia questão de pisar em cima de tudo que foi construído até então, transformando personagens incríveis em pessoas insuportáveis e inventando plots que não. faziam. o. menor. sentido.

Passei metade da temporada querendo matar e esfolar a cara de metade do elenco no asfalto num nível que não acontecia, sei lá, desde a última temporada de Dexter; e a outra metade passei aflitíssima porque a real é que eu me importo demais com aquelas pessoas, ainda que elas não existam de verdade, e eu não queria ser manipulada ao ponto de desacreditar nelas ou em suas ações ou no que elas acreditam e, no final das contas, desistir de vez. Em resumo, não tenho maturidade pra lidar.

Aí temos a Felicity. Gente, a Felicity.

ILY

miga, pare

Comecei a odiar em tantos níveis diferentes que parecia improvável que até pouco tempo atrás ela fosse minha personagem preferida, mas eu juro, ela era. E era porque, vejam bem, ela merecia ser. Felicity era aquela mulher incrível, dessas que a gente quer no mínimo ser amiga, mas que no fundo a vontade mesmo é ser igualzinha – se não der pra ser ela de uma vez. Ela era engraçada, inteligente, tinha um coração enorme e era muito mais corajosa do que a gente imagina quando olha pra ela pela primeira vez. Ela não tinha um passado generoso e nem muito limpinho, e isso só tornava ela ainda mais interessante do que já era. Então vocês podem imaginar minha revolta quando, sem mais nem menos, resolveram transformar a moça numa pessoa que só sabia chorar o tempo inteiro e dar lição de moral em todo mundo, como se ela realmente pudesse dizer alguma coisa sem automaticamente virar a pessoa mais hipócrita do mundo.

Eu torci muito pra que as coisas ficassem bem, sabe? Quis segurar a mão dela e dizer que sim, eu entendia a tristeza, entendia de verdade, ainda que aquela situação toda parecesse muito errada. No fundo eu acreditei que era só o luto normal, sei lá, ela ia sentir a dor por um tempo, mas vida que segue. O que aconteceu, no entanto, foi que a cada episódio ela ia ficando mais e mais afetada, infinitamente mais chata que no episódio anterior, até que ficou insuportável continuar assistindo ela chorar como se não houvesse amanhã, mesmo quando ela já nem tinha mais motivo pra isso.

Pra não dizer que eu sou uma pessoa assim tão insensível quanto faço parecer, a cena ~da noite de amor~ fez meu útero dar tantas cambalhotas que eu achei que fosse explodir de tanta alegria. Gente, os feels. Que momento. Mas aí eu lembrei que aquilo só estava acontecendo porque ela era muito maluca e tinha ignorado qualquer limite apontando. o dedo. na cara. do Ra’s Al Ghul himself. só porque ele. não. tinha. o. direito. de. ser. tão. cruel. Risos. Risos eternos.

(Não que ele tivesse o direito, mas sei lá né, olha minha cara de quem vai insultar um maluco desses e correr o risco de ter uma espada me atravessando)

Aí como se isso já não fosse suficiente, Diggle resolve embarcar nesse bote errado e de repente começa a pagar de nobrezão, noooooossa não vou fazer isso, nooooossa o que minha filha vai pensar de mim, noooooooossa, noooooossa. Migo, seje menas. Acho compreensível que ele se preocupe com a filha e o desenvolvimento dela e o quando a vida que ele leva pode ter um impacto terrível na vida da menina. O episódio do casamento foi sensacional nesse sentido porque mostrou de forma bem clara o quanto é perigoso que ele e a mulher se metam nessas missões que podem acabar muito muito mal e no real risco que eles correm de deixar a menina órfã. Mas por mais que eu saiba que o trabalho da ARGUS não é lá a coisa mais louvável do mundo, ver a Layla decidir que ELA vai se demitir, que ELA vai ficar em casa e que ELA vai cuidar da Sara em tempo integral me pareceu uma escolha bem manjada. Esse é um ponto que dá muito pano pra manga e eu já adianto que não condeno mulheres que preferem abrir mão da carreira em prol do filho, mas enquanto narrativa, achei bem previsível a alternativa que eles escolheram pra contornar a situação.

Aí tem o Lance, que voltou a ser aquela criatura odiável da primeira temporada (só que pior) e tem também o Roy com aquele papo chato de ter matado o policial, Oliver sendo Oliver e o Ray odiando o arqueiro e AI MEU JESUS CRISTINHO, ABENÇOA ESSE POVO DE STARLING CITY, OBRIGADA. Tive a impressão que tudo isso foi uma forma de tentar dar maior profundidade aos personagens, mas o resultado foi só um bando de gente chata e dramática mesmo. Até Ra’s, que era todo fodão, começou a me parecer um vilão de novela mexicana, uma coisa meio caricata que pode ser real ou só eu arranjando uma desculpa pra não ter que lidar com o fato que eu nunca aceitei ele de verdade.

he loves a woman he knows he cannot have

don’t call my name, Alejandro

De longe, meu núcleo preferido foi o de Tatsu e Maseo. Por um bom tempo eles foram a única coisa interessante e minimamente complexa acontecendo e eu não estaria mentindo se disesse que mais de uma vez tive vontade de agarrar aquela família e sair correndo do inferno que eles se meteram. Me apaguei demais aos personagens e chorei horrores quando me dei conta do tipo de perda que eles iam ser obrigados a lidar e aquilo doeu tanto em mim que era como se eu tivesse perdido alguém da minha própria família. Eles fizeram escolhas erradas, mas tudo parecia tão insignificante perto do que eles viveram que sei lá, nem conseguia julgar. Torci pra que eles pudessem reconstruir suas vidas e ficar numa boa de novo, como se fosse possível ficar numa boa e seguir em frente depois de tanta coisa, mas aí eu percebi que algumas coisas não têm volta. Ver Maseo encontrar sua paz pelas mãos de Tatsu foi poético e cruel ao mesmo tempo, descaralhou minha cabeça e eu sei lá se vou conseguir superar aquela cena alguma dia. No fundo, torço pra que Tatsu apareça de novo e de novo e de novo, mas a real é que eu só quero mesmo que ela fique bem e inteira de novo, ainda que ela não exista assim de verdade.     

A história segue meio capenga, umas coisas meio sem sentido surgem do além  (metas wtf), uns furos de roteiro, umas coisas meio aleatórias acontecendo (o que cês me dizem do Flash salvando aquele povo em Nanda Parbat e se recusando a salvar Starling City porque tinha uma ~reunião~ ou qualquer coisa assim), umas cenas de luta muito boas, outras terríveis, Felicity salvando Oliver e me fazendo revirar os olhos, Felicity e Oliver fugindo de tudo e todos, meu estômago embrulhando, Felicity e Oliver sendo felizes pra sempre – meu deus acho que vou vomitar – num final de temporada que podia muito bem ser final de série e que, como todo o resto, não fez o menor sentido.

you forget to see that there are people who love you

*revirando olhos*

Aí de repente, acabou. E o que ficou foi aquele gosto amargo de ter desejado tanto uma coisa e ela acontecer de um jeito tão miado que era melhor não ter acontecido. De ter criado tanta expectativa diante de alguma coisa que tinha sim muito potencial, mas que acabou se perdendo porque um ciclo precisava ser fechado, porque alguns ganchos precisavam ser feitos, etc. Deveria eu cagar baldes pra tudo isso, paciência, é só ficção? Sem dúvida. Vou fazer isso? É claro que não. Não sei até que ponto é saudável me importar dessa forma e por hora sei que o que eu mais quero é sossego desse povo, mas no fundo eu espero que as coisas voltem a ser boas de novo, que Malcolm toque o terror por aí, que Felicity volte a me fazer rir e Oliver continue dando umas flechadas em gente ruim por aí.

Isso, ou vou ser obrigada a dar eu mesma uma flechada nos responsáveis por essa merda.                    

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4 Comments

  • Reply Thay 18 de julho de 2015 at 5:00 PM

    MUITO obrigada por esse post! <3

    Sério, você simplesmente descreveu tudo o que ficou engasgado no meu coração desde que assisti aquele season finale. Que coisa mais horrível, SENHOR! Sério, Felicity também era uma das minhas favoritas nas seasons 1 e 2, e o que fizeram com ela na season 3 foi simplesmente um horror. Era simplesmente outra personagem, totalmente terrível. Não sei o que acontece com a CW, mas eles simplesmente não conseguem escrever uma mocinha (par do herói) que seja legal. É a mesma coisa que aconteceu com a Laurel na S1 e com a Iris (do Flash): todas ficam chatas, insuportáveis e cheeeeias de não me toques. Só não fico ainda mais irritada com Arrow pq imagino que esse final todo poético (nada, foi ridículo) dos dois no pôr-do-sol seja quebrado na próxima temporada, quando Oliver vai se transformar no Green Arrow de vez.

    Acho que os roteiristas perderam a mão quando inventaram de colocar o Ra’s Al Ghul na história. Tecnicamente, ele é mais do cânone do Batman do que do Green Arrow, aí deu esse samba do crioulo doido que foi a S3. Torço que eles voltem às origens da S1 (que foi mara), que não tentem abraçar o mundo e que fiquem com Starling City que já estava de bom tamanho.

    =**

  • Reply Suelen 20 de julho de 2015 at 11:39 PM

    parei de ler logo no começo por motivos de: ainda não assisti porém pretendo e logo e pfvr não me desmotiva assim migues :(((

    assisti alguns eps aleatórios na warner e amei tanto como se acompanhasse sempre. <3 quase toda série tem alguma temporada que é meio NHÉ, mas miga, fé que a coisa melhora, HAHA

    ;*

  • Reply Aline 24 de julho de 2015 at 2:35 PM

    Oi, rs.
    então, queria uma explicação para uma coisa, entendo que não tenha gostado dessa temporada e tudo mais. Só queria entender qual é a dificuldade das pessoas em aceitar Oliver e a Felicity? Eu não achei forçado :/. Até porque estava meio que na cara que a Felicity gostava do Oliver, e que com o tempo o sentimento mudou para ele também. Sei lá, acho natural eles juntos. Por exemplo, em Smallville o Oliver Queen, fica com a Chloe, o que não tem nada ver com a história original, já que até pouco tempo atrás a Chloe nem existia nos quadrinhos. E neste caso também achei ideal na questão da série em si. Eu acredito que tudo seja um processo sabe? A passagem de Arrow para Green Arrow. Afinal o que seria de um herói sem seu contato com outras pessoas, sem amor, sem paixão, sem empatia? Estou levando na questão da evolução dele. E achei super natural, e cá entre nós, sou apaixonada pelo estilo da Felicity rsrs, e como você disse, ele é o tipo de pessoa que qualquer um quer ter como amiga. Acho que o Oliver precisa da Felicity. E acho isso super natural.

    Aliás amei tudo aqui.
    Primeira vez que entro o/

    Desculpe, coloquei no post errado da primeira vez rsrsrs

    • Reply Ana Luiza 24 de julho de 2015 at 10:13 PM

      Oi, Aline! Então, não sei o resto das pessoas, mas pra mim o problema não foi nem eles ficarem juntos, mas a forma como as coisas aconteceram. Também acho muito natural que os dois fiquem juntos, inclusive torci por isso o tempo inteiro, só não queria que tivesse acontecido da forma que aconteceu, com ela se transformando numa chata e a história parecendo muito mais uma novela mexicana do que qualquer outra coisa. Eu acho importante esse relacionamento entre os dois, tanto que achava um porre quando ele vinha com aquele papo de nossa sou um herói não posso ficar com ninguém não posso me permitir nadazzZzZz, mas enfim, foi a forma como tudo aconteceu que me fez ficar chateada, acima de tudo.

      Fico super feliz que cê tenha curtido tudo aqui, volte mais vezes <3

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