DRAMAS REAIS

BEAR WITH ME

Meu mês pode ser facilmente resumido em três fases.

A primeira delas é aquela em que eu me sinto maravilhosa, a rainha da porra toda, a diva que todos querem copiar. É a fase em que eu me olho no espelho e, embora saiba que não sou perfeita, consigo me sentir muito confortável na minha própria pele, não desejando ser ninguém além de mim mesma. Eu faço dancinhas ridículas na frente do espelho enquanto rio com meu próprio reflexo, faço amizade com minhas celulites e finjo não me importar com minha bunda ou com minhas coxas que em qualquer outro momento pareceriam moles demais. Nessa época meu cabelo sempre parece incrível, minha pele fica mais bonita e eu sempre sinto uma vontade incontrolável de me arrumar um pouco mais, mesmo que no fundo esteja me sentindo maravilhosa sem nenhuma gota de maquiagem no rosto e um pijama velho no corpo. Claramente uma fase maravilhosa.

A segunda, por outro lado, é aquele terrível período do mês em que me sinto vivendo o inferno na terra e tudo, de repente, parece fora do lugar. Minha vida vira um caos, eu me sinto um lixo humano na maior parte do tempo, brigo com todo mundo ao meu redor, questiono todas as minhas decisões e choro o dia inteiro só pra depois descontar todas as minhas frustrações em comida porque that’s how we roll – e aí vou chorar mais um pouco porque não é possível que eu continue comendo igual uma porca no cio com esse corpo horroroso e todas as celulites do mundo, enquanto minha cara explode em espinhas por causa de todo o chocolate consumido. Eu me sinto estufada, apática e desiludida, e a culpa nem é do Natal. É quase como se eu nem fosse mais a mesma pessoa, mas uma versão horrorosa de mim mesma que muitas vezes nem eu consigo suportar.

Já a última é quando minha menstruação desce (dã) e eu fico basicamente em casa de pijama o dia inteiro, curtindo uma fossa bem marota e cólicas que fariam qualquer homenzinho desejar estar morto, e me permito faltar aproximadamente todas as aulas e compromissos do mundo porque eu não sou obrigada.

No momento me encontro na segunda fase, ou seja, as coisas estão tão maravilhosas pro meu lado quanto vocês conseguem imaginar (não). Por mais que eu esteja acostumada com essa bagunça de sentimentos – afinal, são 11 anos lidando com esses altos e baixos – e saiba que essas crises têm data certa para acabar, alguns meses são piores que outros, e por algum motivo outubro tem se saído especialmente ruim nesse sentido. E não é só porque eu tenho me sentido horrorosa, porque ando chorando o tempo inteiro, porque tenho consumido doses cavalares de chocolate ou porque tenho brigado com toda e qualquer pessoa, mas porque desde o início dessa semana eu tenho me sentido particularmente deprimida, sem nenhuma vontade de fazer qualquer coisa o dia inteiro além de dormir e fingir que meus problemas vão se resolver sozinhos (ou então fantasiar sobre uma vida que não tenho, o que imediatamente faz toda a minha vida parecer uma bosta), sem qualquer motivação para fazer qualquer coisa, mesmo aquelas que amo profundamente, e com uma necessidade de isolamento que eu já não sentia há muito tempo.

A Manu escreveu uma vez sobre essa concha em que ela se enfia quando sente que sua mente precisa de um descanso da vida real e sendo a pessoa introvertida que sou – e sendo a Manu uma das pessoas com quem eu mais me identifico nesse mundo – não é nenhuma novidade que eu tenha me identificado com cada palavra dela, coisa que fiz questão de contar pra ela depois. Eu disse também que precisávamos respeitar isso e que, embora o tempo não pare nunca pra ninguém, isso não significa que a gente não precise respeitar nossos limites e parar um pouquinho pra tomar fôlego e voltar a viver nossas vidinhas numa boa. Se o cotidiano nos consome tanto, se nossas energias são drenadas quando socializamos, então nada mais justo do que, na medida do possível, a gente tirar esse tempo para entender o que se passa ao nosso redor e deixar que nossa cabeça, sempre tão barulhenta, tenha o descanso necessário para colocar nossos pensamentos em ordem.

Eu realmente acredito nisso e é por isso que, quando as coisas começam a ficar meio estranhas pro meu lado, eu também me enfio na minha conchinha e fico por lá até me sentir bem o suficiente para voltar. O negócio é que nada é tão fácil na prática como faz parecer na teoria, e esse isolamento, por mais necessário que seja, sempre me faz ficar muito deprimida, como se de alguma forma eu estivesse deixando de viver coisas incríveis e dar amor e atenção para as pessoas que me rodeiam. É algo que me faz sentir extremamente culpada, mas, ao mesmo tempo, não é como se eu tivesse forças para tentar reverter a situação, e quando tento elas só parecem ficar ainda mais estranhas, como se eu fosse uma péssima atriz tentando convencer um público que em momento algum compra minha encenação.

É mais ou menos nesse ponto que eu começo a me questionar sobre todas as escolhas que fiz na vida, a lamentar por não estar vivendo aquilo que sonhei 10 anos atrás (!) – embora eu saiba que a vida não é perfeita pra ninguém e que a gente não pode prever o que vai acontecer (fora que eu estou bem feliz com a forma como as coisas vêm acontecendo) – e começo a sofrer por escolhas que eu ainda nem tive que fazer (e que nem sei se vou ter que fazer em algum momento) porque escolher significa abrir mão de coisas e eu nunca sei até que ponto estou disposta a largar essas coisas, afinal eu quero tudo sempre, o tempo inteiro. Se ser neurótico é querer ao mesmo tempo duas coisas mutuamente excludentes, então acho que temos um diagnóstico.

(Eu não faço a menor ideia do que estou fazendo)

No fundo, sei que é questão de tempo até que as coisas melhorem e eu fique numa boa de novo, mas enquanto isso não acontece, pelo menos vocês já sabem o que está acontecendo e não vão achar que eu morri ou abandonei o blog de vez, risos. Vocês sabem que eu sempre volto e dessa vez não vai ser diferente – só tenham um pouquinho de paciência comigo (e com esses hormônios pentelhos, e com minha cabeça desgraçada) mais uma vez.

(E que da próxima vez que eu aparecer meu cabelo esteja incrível e eu me sinta a rainha que esse blog merece – ou quase isso, risos).

Previous Post Next Post

2 Comments

  • Reply Michelle 10 de outubro de 2016 at 6:19 PM

    Miga, li o post e me identifiquei com cada palavra.
    Não sei muito o que te dizer além de “vai ficar tudo bem, é só uma fase ruim e já vai passar”, porque por mais que isso faça sentido, não faz nenhum sentido. Hormônios não nos deixam fazer sentido. :'(
    Mas, assim, tire o seu tempo e volte quando se sentir pronta para isso. A gente te espera :)
    Beeeeeijos <3 <3 <3

  • Reply Tany 16 de outubro de 2016 at 10:10 PM

    É muito foda isso de altos e baixos mas acredito que depois que você sai da escola a vida é basicamente isso. E a gente tem que lidar e a gente nunca aprende porque cada vez acaba nos afetando de um jeito. Antigamente eu achava que o melhor resultado era esquecendo tudo e deixando o tempo tomar conta, e eu ainda acho que o tempo ajuda, mas hoje em dia prefiro abraçar esse momento pra pensar sobre e quem sabe crescer. Até porque tudo que acontece, mesmo o que dá errado, é por algum motivo. Também sou do time que acha que ninguém precisa estar bem e acessível o tempo inteiro e que sim, às vezes a gente só precisa se isolar e se proteger.

    Espero que as coisas se resolvam logo! :)

  • Leave a Reply