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CINEMA E TV

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OS CINCO FILMES DA MINHA VIDA

Bom, acho justo começar dizendo que a essa altura já está claro que a cilada BEDA em abril 2k17 foi um verdadeiro flop, que só não foi pior porque eu tive a decência de pelo menos tentar fazer com que ele acontecesse. Não aconteceu, mas não foi de todo um desperdício de tempo: longe de render todos os textos que eu esperava, pelo menos foi uma bagunça divertida, ao lado de gente A+, o que por si só já faz essa zona valer à pena. Mas a verdade é que o mês só acaba quando termina, de modo que eu ainda tenho alguns poucos dias para brincar e rir na cara do perigo, exatamente o que devia ter feito nas semanas anteriores e não fiz. Não tem textão (não ainda), mas tem blogagem coletiva – uma ideia da Mia, que gentilmente salvou o dia – e tem euzinha falando sobre os meus filmes da vida.

A principal diferença entre filmes da vida e favoritos é que, enquanto os favoritos podem ser, literalmente, qualquer coisa, os filmes da vida têm aquele apelo especial, aquele detalhe que parece conversar diretamente com a gente, de uma maneira profunda e especial que só a ficção é capaz de fazer. Não dá pra explicar, apenas sentir, etc etc. Tenho certeza absoluta que a maior parte dos filmes que vão me dizer coisas profundas e especiais ainda nem foram assistidos, mas tudo bem. Por enquanto, essa é a minha lista (que era pra eu ter postado ontem, mas tudo bem porque não se pode ter tudo mesmo).

1. REALITY BITES


Reality Bites é um filme dirigido pelo Ben Stiller, que ainda era um jovem ambicioso em início de carreira, e que em português ganhou o nome absolutamente ridículo de Caindo na Real (pois é) – que é um título que até faz sentido, mas que soa bem ridículo se você parar pra pensar. Acontece que, contrariando todas as expectativas, a história que ele conta é realmente muito, muito ótima, e reúne numa só narrativa questões que abordam, ao mesmo tempo, carreira, romances, amizade, relações familiares, crises existenciais, doenças mentais e aids. Lelaina, Vickie, Sammy e Troy são jovens de vinte e poucos anos que se veem naquele limbo do fim da faculdade – todos os sonhos tão perto e tão longe – e se apoiam num discurso bastante idealizado sobre a vida adulta; que negam o tempo todo suas origens e tentam se afastar o mais radicalmente possível dos próprios pais até que, numa sucessão óbvia de fatos, são confrontados pela realidade que não é assim tão interessante quanto eles imaginaram. Um dos meus momentos favoritos do filme é quando, frustrada com a própria vida e a dificuldade em conseguir um emprego na área que sempre sonhou em trabalhar – cinema ou televisão, ironicamente, risos -, Lelaina diz que imaginava que seria algo mais aos vinte e três anos, ao que Troy responde que a única coisa que ela deveria ser aos vinte e três é ela mesma; o que não deixa de ser uma verdade. Embora a história termine sendo mais sobre o romance entre Troy e Lelaina no final das contas, eu ainda consigo me enxergar em cada plano, em cada cena – às vezes de um jeito besta e idealizado, mas é pra isso mesmo que serve a ficção.

2. CLUBE DOS CINCO

Lembro exatamente da primeira vez que assisti esse filme: eu tinha acabado de voltar do shopping com minha então melhor amiga, passando mal adoidado, e nós decidimos assistir esse filme pra matar o resto de tempo que a gente ainda tinha – eu, com a cabeça no colo dela, enquanto ela mexia no meu cabelo em silêncio. De lá pra cá, já assisti Clube dos Cinco aproximadamente 192873891273 vezes, e todas elas foram exatamente como a primeira: um festival de reflexões e amor verdadeiro e eterno. Embora ele não converse diretamente com minha faixa etária – os personagens, afinal, estão no ensino médio e já faz bastante tempo que eu saí do ensino médio, risos -, é curioso como os conflitos e questões que eles têm continuam muito próximos e atuais, ao ponto de conversar não só com adolescentes, mas com faixas etárias mais abrangentes. Embora os filmes do John Hughes sejam problemáticos em muitos níveis, amo a forma como ele não trata adolescentes como jovens rebeldes e insatisfeitos sem causa ou motivo algum, mas como os seres humanos complexos que verdadeiramente são, algo que eu gostaria muito de conseguir imprimir na tela também. Me perguntaram algum tempo atrás no curious cat (favor, me sigam) qual filme eu gostaria de ter feito, e não foi preciso pensar muito para dar uma resposta: Clube dos Cinco it is!

3. PIERROT LE FOU

Longe de ser o meu Godard favorito, Pierrot le Fou acabou se transformando na minha referência favorita do cineasta porque ainda é o que conversa comigo de forma mais profunda, e para o qual eu sempre retorno quando preciso. A história é muito simples: frustrado com a vida que leva, Ferdinand decide fugir com Marianne, uma jovem adorável, romântica e cheia de frases de efeito que o leva por uma aventura sangrenta (!) e de final trágico para ambos. Antes disso, no entanto, os dois dividem momentos de alegria e frustração, passeiam por paisagens belíssimas, cantam como se vivessem num adorável musical e são perseguidos pela máfia, tudo ao mesmo tempo. Eles se envolvem com tráfico de armas e conspirações políticas, mas ainda são pessoas que sonham em viver sob as próprias regras e ideais, negando a realidade que lhes aprisiona. Lançado em 1965, o filme é tido como um dos grandes marcos da nouvelle vague, movimento artístico do cinema francês que, na contramão do que vinha acontecendo na época, buscava transgredir as regras do cinema clássico comercial; e que para muitos ~estudiosos~, teve fim na cena icônica em que Ferdinand explode a própria cabeça, ao final de… Pierrot le Fou. Independente de importância histórica ou qualquer coisa assim, no entanto, o filme é realmente maravilhoso e eu sempre recomendo sem nem pensar duas vezes, pra quem quer que seja.

4. GOD HELP THE GIRL

God Help The Girl não é apenas um dos filmes da minha vida: ele é, também, o meu filme com a Yuu, minha baby girl, uma das minhas melhores amigas e uma das pessoas mais importantes da minha vida; o que por si só já é suficiente pra transformá-lo, senão no mais importante dessa lista, ao menos em um dos mais relevantes dela. Mas ele também é o filme sobre uma jovem com transtornos alimentares e mentais, que encontra na música uma saída para superar os próprios traumas, e constrói amizades lindas e sinceras a partir daí. Entre músicas adoráveis, cenários belíssimos e lukinhos inspiradores, o que essa história – que nasceu de uma música composta pelo próprio diretor, que também calhou de ser vocalista do Belle & Sebastian, por sua vez criada para a banda mas que, segundo o próprio Stuart Murdoch, parecia pertencer a um universo a parte; daí a ideia de criar um musical em cima dessas canções – faz é construir uma história linda e repleta de significado. Gosto principalmente de como, mesmo tratando de temas tão pesados, a narrativa consegue manter-se leve, mas nunca deixa de ser profundamente honesta. Não há nada de bonito em ser assombrada por transtornos mentais e o filme não se esquiva dessa realidade; mas isso não quer dizer que as pessoas que lidam com essas questões não podem também ter uma vida bonita, amizades sinceras, e músicas deliciosas que servem de trilha sonora para suas jornadas, enquanto dançam em seus quartos – ou no meio da rua – com os braços pra cima. Esse filme – e suas músicas – tem me segurado nos momentos mais difíceis, tornando-se um importante lembrete de que, embora a ansiedade e a depressão sejam coisas muito reais, elas jamais serão capazes de definir quem eu sou.

5. A BELA E A FERA

Porque lógico, né. Peguem uma menina de três anos, completamente obcecada por livros e princesas, e a apresentem a uma princesa que seja não apenas gentil e adorável, mas igualmente obcecada por livros, ao ponto de ler infinitas vezes suas histórias favoritas. Pronto. É assim que nasce a identificação. Bela foi a primeira personagem com o qual eu me identifiquei, muito antes de saber que diabos significava se identificar com alguém que não fosse minha própria mãe, a professora, uma coleguinha da escola ou um parente mais próximo; mas foi também uma das minhas primeiras referências, aquela com quem eu desejava parecer de qualquer jeito e me inspirava em tempo integral. Aos cinco anos, eu me vesti de Bela e ganhei uma festa com balões dourados, num salão que não era tão grande quanto o do castelo da Fera, mas que emulava um salão de baile em cada pedacinho. Ali, eu era a Bela, única possível, e desde então nunca deixei de ser – no meu próprio tempo e espaço, mas ainda assim.

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MARATONA OSCAR 2017 – PARTE III

Antes tarde do que nunca, cá estou para a terceira e última parte da minha maratona. Infelizmente, não consegui cobrir todos os filmes que queria, mas foi o ano que consegui cobrir mais categorias e fico feliz por ter superado minhas expectativas, embora o cansaço seja muito, muito real. Não confirmo nem nego que minha vontade sincera era ficar alguns meses sem assistir filme nenhum – o que será absolutamente impossível, mas bear with me. A maior parte dos filmes desse ano são maravilhosos, então apesar do cansaço, a maior parte da maratona foi igualmente maravilhosa – eu só estou feliz demais que acabou e depois de hoje vou poder dormir em #paz.

Como de costume, mais tarde vou estar lá no twitter comentando, me revoltando e dando pitacos não requisitados sobre os indicados. Sigam-me os bons e não me deixem falando sozinha. Grata.

LION – UMA JORNADA PARA CASA (Garth Davis)

Indicações: Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Dev Patel), Melhor Atriz Coadjuvante (Nicole Kidman), Melhor Roteiro Adaptado (Luke Davis), Melhor Fotografia (Greig Fraser) e Melhor Trilha Sonora (Dustin O’Halloran e Hauschka).

Sobre o que é? Um jovem indiano que se perde da família e acaba indo viver na Austrália com uma família adotiva. Vinte anos depois, ela tenta reencontrar a mãe, redescobrir suas raízes e entender o que aconteceu naquele dia em que ele saiu de casa com seu irmão mais velho para nunca mais voltar.

Prestou? Muito, muito, muito! A história é realmente linda, as atuações são impecáveis e você se emociona sem nem fazer força. Embora o filme não se dê o luxo de passar tempo demais explorando os vários aspectos da vida de Saroo, o personagem principal, você consegue entender as relações que ele constrói com cada pessoa, entender suas necessidades, suas frustrações, e se importar verdadeiramente com tudo o que está acontecendo. Por mais que eu nem sempre concordasse com sua atitudes, era impossível ficar com raiva de uma pessoa que perdeu tanto, mas que ao mesmo tempo era tão adorável, simples, com um sorriso enorme no rosto e que realmente valorizava as oportunidades que teve – e num filme que fala tanto de raízes quanto fala de privilégio, é realmente incrível ver um personagem que entende os privilégios que adquiriu, entende que aquilo não é a regra, mas sim a exceção, e que nunca cospe no prato que comeu. É um filme delicado demais, sensível demais, bonito demais, e que despertou em mim sentimentos muito preciosos. Então sim, é um filme que eu recomendo e recomendo com força.

Sinceramente? O que esse filme me destruiu não tá escrito. Queria dar um abraço no Dev Patel, pedir pra ser amiga, colega, pinguim de geladeira, qualquer coisa; e levar pra casa o pequeno Sunny Pawar, a criança mais adorável que você respeita. Infelizmente, numa disputa que só existe pra cumprir protocolo como a desse ano, acho bem difícil que leve alguma coisa. No entanto, se eu pudesse dizer alguma coisa é: assistam Lion, se apaixonem pela história e me agradeçam depois.

LOVING (Jeff Nichols)

Indicações: Melhor Atriz (Ruth Negga).

Sobre o que é? O casal Loving que se casou na década de 50, quando o casamento inter-racial ainda era proibido no estado da Virgínia, onde ambos residiam. Como punição, os dois são exilados do estado e só podem voltar separados, e é dessa forma que eles vivem durante alguns anos – pelo menos até que Mildred Loving, cansada de viver longe da família e em um lugar tão pouco favorável para se criar uma criança, escreve para Bobby Kennedy, que passa o caso dos Loving para a UCLA. A partir daí, o casal entra em uma briga na justiça contra o estado da Virgínia em busca do direito de viverem felizes onde bem entenderem.

Prestou? Horrores. A história de Mildred e Richard Loving é real e eles foram responsáveis por mudar toda a constituição dos Estados Unidos, estabelecendo que sim, o casamento inter-racial era um direito de todos os cidadãos norte-americanos, onde quer que eles estivessem – uma luta que não só beneficiou os dois, mas muitos outros casais que se viram contemplados pela decisão da Suprema Corte. Ruth Negga faz um trabalho espetacular como Mildred, uma mulher tímida, mas cheia de vontade de viver uma vida plena ao lado do marido e dos filhos, e com uma força que quase nunca está associada à mulher no cinema. É um filme lindo de verdade.

Sinceramente? O fato de ter recebido tão poucas indicações já diz um bocado sobre a opinião da Academia. Por mais que seja um filme lindo, sensível do início ao fim e com uma personagem tão fundamental em um momento que tanto se fala sobre a representatividade da mulher no cinema, é realmente uma pena que Loving não tenha sido indicado em mais categorias, e que saia de mãos abanando logo mais.

MOONLIGHT – SOB A LUZ DO LUAR (Barry Jenkins)

Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor (Barry Jenkins), Melhor Ator Coadjuvante (Mahershala Ali), Melhor Atriz Coadjuvante (Naomie Haris), Melhor Roteiro Adaptado (Barry Jenkins e Tarell Alvin McCraney), Melhor Fotografia (James Laxton), Melhor Edição (Nat Sanders e Joi McMillon) e Melhor Trilha Sonora (Nicholas Britell).

Sobre o que é? Procurei um milhão de sinopses diferentes, mas nenhuma delas faz jus à história que Moonlight de fato conta. Porque ele não é apenas um filme sobre um jovem negro descobrindo a si mesmo enquanto vive a implacável realidade que o maltrata em tempo integral. É sobre isso também, é claro, mas é muito mais, infinitamente mais – e talvez por isso seja tão difícil escrever sobre ele. É sobre um jovem tentando fugir da criminalidade quando esteve a vida toda no meio dela. É sobre relacionamentos. É sobre pessoas que são boas e más ao mesmo tempo, complexas como qualquer ser humano. É sobre negritude. É sobre a socialização masculina. É sobre o tráfico, sobre bullying. Mas é, principalmente, um filme sobre pessoas, tão delicado quanto deveria ser.

Prestou? Nada que eu diga vai ser suficiente pra dizer o quanto esse filme prestou, então só posso dizer que sim, prestou e prestou demais. A história é extremamente sensível, e embora trate de assuntos pesados como o tráfico de drogas, bullying e o uso de drogas, tudo é contado com uma delicadeza e um cuidado que deveria ser regra no cinema, mas infelizmente ainda é a exceção. Gosto particularmente de como a sexualidade é introduzida na vida de Chiron, das conversas com Juan e Teresa, e da relação com a mãe, que embora seja muito complexa e extremamente conturbada, é tratada com o mesmo cuidado de todo o filme – que não assume uma postura condenatória para com a personagem, dando a dimensão das consequências de suas escolhas não somente na vida do filho, mas na dela própria.      

Sinceramente? Podia sair rapando os prêmios tudo que ia ser bem merecido. Ainda tenho esperanças que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas esteja realmente empenhada em não só indicar negros e negras nas categorias principais, mas também a premiar essas pessoas quando elas merecerem – e Moonlight merece demais. Nada contra La La Land (inclusive, amo profundamente!), mas alguns filmes merecem infinitamente mais levar o prêmio pra casa e é importante que a gente reconheça isso também. Moonlight é um desses – que a Academia não dê mais uma bola fora esse ano.

Pra finalizar, a lista com minhas apostas (lembrando que esses não são, necessariamente, os filmes que estou torcendo para levarem o prêmio, mas aqueles que eu acredito que têm mais chances, mesmo ainda estando MUITO confusa e sem muita certeza de nada. 2017, definitivamente um ano estranho pra cacete).

Melhor Filme: Moonlight – Sob a Luz do Luar
Melhor Diretor: Damien Chazelle
Melhor Atriz: Isabelle Huppert
Melhor Ator: Casey Affleck
Melhor Ator Coadjuvante: Mahershala Ali
Melhor Atriz Coadjuvante: Viola Davis
Melhor Roteiro Original: La La Land
Melhor Roteiro Adaptado: Moonlight – Sob a Luz do Luar
Melhor Animação: Zootopia: Essa Cidade é o Bicho
Melhor Canção Original: “Audition (The Fools Who Dream)” – La La Land
Melhor Fotografia: A Chegada
Melhor Figurino: La La Land
Melhor Maquiagem e Cabelo: Star Trek: Sem Fronteiras
Melhor Mixagem de Som: Até o Último Homem
Melhor Edição de Som: A Chegada
Melhores Efeitos Visuais: Doutor Estranho
Melhor Design de Produção: La La Land
Melhor Edição: Até o Último Homem
Melhor Trilha Sonora: La La Land

> Esqueci de avisar no último post: agora estou devidamente registrada no Gato Curioso, o que significa que vocês estão liberados para me perguntarem o que quiserem sobre a vida, o universo e tudo mais. Como sou completamente maluca, prometo responder até as perguntas mais cabeludas, então vão lá, deixem suas perguntas, façam confissões e é isso aí.

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MARATONA OSCAR 2017 – PARTE II

É possível que eu tenha jurado de pé junto que nenhuma temporada de premiações da vida dessa que vos escreve tinha sido tão preguiçosa, mas aí, depois de finalmente começar a assistir aos filmes, me arrependi por não ter começado antes. Porque é uma verdade universalmente conhecida que embora os indicados muitas vezes não pareçam promissores, quase sempre a gente acaba se apaixonando por um ou outro – e a segunda parte da minha maratona está aí pra provar que, por mais que a gente esbarre com alguns filmes bem mais ou menos no meio do caminho, alguns são tão incríveis quanto a gente torce pra ser.

Antes que alguém venha falar alguma coisa (ou a quem interessar possa): a terceira parte da maratona e as minhas apostas (!) entram mais tarde, assim que eu terminar de assistir os filmes que ainda faltam, risos. Ia postar tudo junto dessa vez, mas preferi não abusar da paciência de ninguém e dividir em três posts ao invés de dois pra não ficar grande demais. Por favor, não desistam de mim.

UM LIMITE ENTRE NÓS (Denzel Washington)

Indicações: Melhor Filme, Melhor Ator (Denzel Washington), Melhor Atriz Coadjuvante (Viola Davis) e Melhor Roteiro Adaptado (August Wilson)

Sobre o que é? Um homem negro de meia-idade, pobre e frustrado com a carreira como jogador de beisebol que não decolou, que passa por uma crise no casamento e vive um momento particularmente conturbado de sua vida, que começa a estabelecer limites nas relações que, pouco a pouco, vão se desfazendo – daí o nome do filme. Baseado na peça homônima (que é interpretada pelos mesmos atores do filme), a história se passa no norte dos Estados Unidos e mostra que mesmo num estado onde o racismo era tido como uma questão superada, a realidade ainda estava muito distante disso. Ele não é Um Filme Sobre Racismo™, mas deixa muito claro como essas questões pautavam a vida de seus personagens, colocando um milhão de obstáculos em seus caminhos.

Prestou? São questões. É uma história densa sobre pessoas, relacionamentos, racismo e raiva, principalmente sobre raiva. Existe muita raiva – às vezes contida, às vezes nem tanto – em praticamente todas as relações que o personagem principal estabelece com as pessoas ao seu redor, e quase todas as atitudes dele são pautadas por esse sentimento: seja a fuga de sua própria realidade quando trai a mulher; a frustração, a agressividade, a forma como trata os filhos e a esposa. Gosto particularmente que praticamente todas as cenas mais relevantes se passem no quintal, especialmente quando a câmera nos lembra da própria experiência teatral, quase como se realmente estivéssemos sentados em uma poltrona e tudo aquilo se desenrolasse num palco à nossa frente; e talvez por isso o filme erre tanto ao tentar fazer algo diferente. Além disso, embora a analogia com a cerca construída pelo personagem seja muito boa, ela nunca recebe atenção suficiente pra que a gente realmente entenda aquilo como uma parte que diz muito mais sobre a história do que aquilo que é dito em cena.

Sinceramente? Queria matar o personagem do Denzel Washington de cinco em cinco minutos – e isso não é exagero, considerando que todas as minhas amigas que assistiram ao filme tiveram a mesma reação. É muito difícil gostar de um cara que agride tanto as pessoas ao seu redor, que afasta aqueles que o amam por ser incapaz de superar a própria frustração. A relação que ele tem com Rose, sua mulher, interpretada belamente por Viola Davis, é problemática demais, demais, demais, ao ponto de eu dar graças quando ela finalmente se viu livre daquela sombra horrorosa do marido, sozinha com sua filha – porque sim, Raynell se tornou sua filha também. É uma história que eu realmente tive bastante dificuldade de engolir e, não por acaso, foi um dos filmes que menos gostei de toda a maratona. Viola merece demais o Oscar e acho que esse prêmio dela ninguém tira, mas provavelmente vai ser só isso mesmo.

FLORENCE: QUEM É ESSA MULHER? (Stephen Frears)

Indicações: Melhor Atriz (Meryl Streep) e Melhor Figurino (Consolata Boyle).

Sobre o que é? Florence Foster Jenkins, uma cantora e socialite norte-americana, apaixonada por música, que ficou famosa na década de 40 pelo seu talento peculiar como cantora, risos. Florence cantava mal, muito mal. Mas isso não a impedia de se apresentar e fazer aquilo que mais amava. Muito além da música, no entanto, a história de Florence é a trajetória emocionante – e por vezes triste – de uma mulher que sofreu demais em vida e ainda assim encontrou um jeito de continuar seguindo seu caminho; que amou, foi amada, e encontrou em meio à dor uma forma de continuar sorrindo.

Prestou? Demais! Meryl Streep dá vida a uma Florence adorável e muito apaixonada – pela música, pelo seu marido e pela vida -, às vezes um tanto inocente, mas também muito determinada. Mesmo lutando contra a sífilis, uma doença que a limitava de várias formas – ela precisou deixar de tocar piano quando a doença atacou os nervos da sua mão, não podia manter relações sexuais com o próprio marido, além da perda dos cabelos e do mal estar físico que sentia por vezes -, Florence não se permitia abater e nem entristecer. Ela se torna luz na vida daqueles que a conhecem e não é difícil que, do outro lado, a gente se sinta tocado da mesma forma. É inevitável não se apaixonar, chorar e se inspirar com essa mulher.

Sinceramente? Amei demais. Embora não seja um filme inovador, a história é muito delicada, sensível, mas cheia de luz e boas energias, assim como a própria Florence. Ao mesmo tempo que chorei horrores com a sua história, Florence me fez rir como nenhum filme dessa temporada de premiações fez e deixou meu coração verdadeiramente aquecido num momento em que tudo que eu mais precisava era justamente disso. Infelizmente, não imagino que ele ganhe alguma coisa. Embora Meryl Streep esteja adorável, só uma zebra muito grande vai tirar a estatueta da mão de Isabelle Huppert – e mesmo que isso aconteça, duvido que Meryl seja a pessoa a fazer isso. Melhor figurino é uma questão, mas sempre há esperança.

ATÉ O ÚLTIMO HOMEM (Mel Gibson)

Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor (Mel Gibson), Melhor Ator (Andrew Garfield), Melhor Mixagem de Som (Kevin O’Connel, Andy Wright, Robert Mackenzie e Peter Grace), Melhor Edição de Som (Robert Mackenzie e Andy Wright) e Melhor Edição (John Gilbert).

Sobre o que é? A história real do médico Desmond Doss, o homem que se alistou no exército norte-americano durante a Segunda Guerra Mundial, mas que se recusou a pegar numa arma e não só sobreviveu para contar sua história, como ajudou muitas pessoas a sobreviverem também, mesmo no meio do caos que era o front de batalha.

Prestou? Com força. A história de Doss é realmente incrível, cativante, uma dessas histórias que me fazem crer que, embora a gente ainda fale muito sobre guerra – especialmente sobre a Segunda Guerra – ainda existem muitas histórias por aí que podem e devem ser contadas. Ao mesmo tempo, eu, que não conhecia o trabalho do Mel Gibson como diretor, fiquei realmente sem chão por gostar TANTO de algo feito por um homem que eu não tenho nenhum motivo pra gostar. Seu trabalho é realmente impecável, as cenas de batalha são muito viscerais, sem medo de mostrar a verdadeira face da guerra, e eu admirei o suficiente pra pensar que se algum dia fizesse um filme sobre guerra, queria fazer algo no mesmo estilo, com a mesma força e o mesmo cuidado. Bem triste, mas não deixa de ser verdade.

Sinceramente? É uma verdade universalmente conhecida que Damien Chazelle possivelmente vai levar o prêmio de direção pra casa, mas eu realmente me questiono se Mel Gibson não tem chances reais também. Se ganhar, vai ser aquele prêmio com gosto de derrota: amei o trabalho, mas realmente não vou bater palma pra um maluco desses dançar. Andrew Garfield, por outro lado, é uma figura tão adorável que eu me vi torcendo genuinamente pra ele arrancar o prêmio das mãos do babaca do Cassey Affleck de uma vez e levar essa estatueta pra casa. Ademais, tem chances em edição e mixagem de som, mas acredito que só.

A QUALQUER CUSTO (David Mackenzie) 

Indicações: Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Jeff Bridges), Melhor Roteiro Original (Taylor Sheridan) e Melhor Edição (Jake Roberts).

Sobre o que é? Dois irmãos que, depois da morte da mãe, decidem assaltar uns bancos pra alguma coisa que até agora eu não entendi direito enquanto dois policiais tentam encontrar esses bandidos que roubavam por algum motivo que ninguém conseguiu entender também.

Prestou? Infelizmente, não. O cenário é maravilhoso, a trilha sonora é um primor para quem gosta de música country, fora que Jeff Bridges e Chris Pine são bem ótimos; mas isso não é suficiente pra segurar por quase duas horas uma história que não faz sentido nenhum. O filme nunca engrena de verdade, os personagens não são exatamente interessantes e a história não chega a ser o tipo de coisa que você vai ter vontade de passar quase duas horas da sua vida assistindo. Foi o filme mais fraco dessa temporada de premiações que assisti e, não por acaso, o mais esquecível também.

Sinceramente? Eu queria gostar muito desse filme, de verdade. Eu amo o Jeff Bridges, amo que a trilha sonora seja cheia de pérolas da música country e até consigo ir com a cara do Chris Pine, mas não deu. Fora a última cena e as tomadas no meio da estrada, que mostram as paisagens lindíssimas das estradas americanas ao som da melhor country music que você respeita, não tem nada ali que valha a pena. Não duvido nada que ele termine sendo o Grande Desaplaudido da Noite™, e infelizmente não vai ser uma surpresa quando isso acontecer. Triste, mas tem outros troféu.

LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES (Damien Chazelle)

Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor (Damien Chazelle), Melhor Atriz (Emma Stone), Melhor Ator (Ryan Gosling), Melhor Roteiro Original (Damien Chazelle), Melhor Canção Original (“Audition (The Fools Who Dream)” e “City Of Stars”), Melhor Fotografia (Linus Sandgren), Melhor Figurino (Mary Zophres), Melhor Mixagem de Som (Andy Nelson, Ai-Ling e Steve A. Morrow), Melhor Edição de Som (Ai-Ling e Mildred Iatrou Morgan), Melhor Design de Produção (David Wasco e Sandy Reynolds-Wasco), Melhor Edição (Tom Cross) e Melhor Trilha Sonora (Justin Hurwitz).

Sobre o que é? Mia e Sebastian são dois jovens sonhadores que vão para Hollywood atrás daquilo que desejam pra si: ela, se tornar uma grande atriz de cinema; ele, apaixonado por jazz, um respeitado músico. No meio do caminho os dois se conhecem, se odeiam, depois se apaixonam, tudo isso enquanto correm atrás dos seus sonhos e dançam e cantam por uma Los Angeles ensolarada que brilha como as estrelas de uma noite sem nuvens. É um filme lindo, completamente deslocado da realidade, cheio de referências, que celebra não só o jazz, mas principalmente Hollywood, o cinema clássico e os sonhos que sempre foram a força motriz dessa indústria imensa.

Prestou? Demais! Embora ele não seja tudo isso que as pessoas estão dizendo, fico feliz que ele exista pra nos lembrar que ainda existem pessoas nesse mundo que acreditam em sonhos, que são apaixonadas por aquilo que fazem, que acreditam demais numa ideia tão ambiciosa quanto essa, mas principalmente que existam pessoas dispostas a fazer esse sonho – que é o que o filme é, no final das contas – acontecer. É por isso que eu realmente fico desgraçada da cabeça quando as pessoas começam a falar mal do filme e traçar paralelos com a situação atual dos Estados Unidos e a presidência do Trump. La La Land é uma ode ao cinema clássico, à Hollywood, ao sonhos, e também ao american dream, é claro, mas isso não quer dizer perigoso como muita gente se cansou de escrever por aí. Nenhum filme existe no vácuo, eles sempre vão ter uma mensagem além, mas dizer que o filme é o pavor dos nossos tempos é demais pra mim.

Sinceramente? É uma verdade universalmente conhecida que La La Land vai levar todos os prêmios e não sou eu que vou dizer que não. Embora ele não seja tão inovador, é um filme ambicioso, que se arrisca, e que tem a coragem de entregar algo que já não acontecia há bastante tempo. Mesmo que minha torcida não esteja com ele em todas as categorias – existem filmes mais importantes, melhores e que merecem mais levar o prêmio pra casa -, não vou ficar descontente caso ele leve, porque às vezes a gente só precisa lembrar que o cinema é essa fábrica de sonhos linda, imensa e incrível, e que num mundo tão difícil quanto o que vivemos, às vezes é importante ter alguém (ou algo) pra nos lembrar que é possível continuar a sonhar.

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MARATONA OSCAR 2017: PARTE I

Desde o ano passado, eu tenho sentido uma preguiça muito particular com o Oscar. Embora ele continue sendo minha premiação favorita, cada ano que passa os filmes me empolgam menos, a premiação em si me empolga menos, e fica difícil levar os resultados realmente a sério quando os bastidores provam que quem ganha e quem perde é muito mais uma questão de contatos e referências do que, necessariamente, uma recompensa por trabalho duro e um atestado de qualidade. Sad but fucking true.

Ao contrário de 2016 – o ano dos caras brancos de óculos, como todos os outros -, 2017 trouxe algumas novidades que deveriam, em tese, me animar um bocado: muitos filmes protagonizados por mulheres, vários desses protagonizados por mulheres negras, e uma diversidade de indicados que, embora ainda não seja suficiente, foi bastante significativo se comparado aos anos anteriores. Mas mesmo assim eu continuei desanimada, continuei a ter uma dificuldade ridícula de sentar a bunda na cadeira e assistir algum indicado, e principalmente escrever sobre ele depois. Não por acaso, todos que eu assisti até o momento foram os filmes que precisei assistir para escrever sobre depois e que envolviam prazos que eu precisa, na medida do possível, cumprir – o que diz muito sobre minha boa vontade (ou falta de) para com o cinema no momento, de modo geral.

A maratona desse ano é uma tentativa possivelmente frustrada de tentar dar conta dos principais indicados e enfrentar toda a preguiça do mundo – que é o que toma conta do meu corpo cada vez que penso no assunto – e dar minha opinião não requisitada sobre cada um deles, mantendo a tradição deste maravilhoso blog. Assim como no ano passado, resolvi usar o formato que a Anna Vitória usou em 2015 – o mesmo que usei em 2016 e foi sucesso. Apertem os cintos e vamos lá.

A CHEGADA (Denis Villeneuve)

Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor (Denis Villeneuve), Melhor Roteiro Adaptado (Eric Heisserer), Melhor Fotografia (Bradford Young), Melhor Mixagem de Som (Bernard Gariépy Strobl e Claude La Haye), Melhor Edição de Som (Sylvain Bellemare), Design de Produção (Patrice Vermette e Paul Hotte) e Melhor Edição (Joe Walker).

Sobre o que é? Baseado no conto de Ted Chiang, o filme conta a história de Louise Banks, uma doutora em linguística que passa a trabalhar em conjunto com o governo norte-americano para descobrir uma forma de se comunicar com alienígenas que chegaram na Terra sabe-se lá vindos de onde, mas aparentemente não estão interessados em começar uma guerra ou qualquer coisa assim.

Prestou? DEMAIS! A princípio, ele parece só mais um filme de ficção científica, mas ele é muito, muito mais, o tipo de filme que capaz de construir uma experiência verdadeiramente única, que te faz refletir sobre a nossa própria histórica e arranca lágrimas sinceras, sem nunca se tornar piegas – o tipo de filme que eu adoraria fazer se algum dia fosse trabalhar com direção. Amy Adams traz à tona uma Louise Banks assustadoramente real, que é corajosa, determinada e de uma força inestimável, mas que também sente medo e também se sente insegura. Sua história nos atinge em um nível muito profundo, mas com a mesma delicadeza com que sua relação com os extraterrestres é construída. Não foi por acaso que ele se tornou um dos meus filmes favoritos da vida inteira, que possui um significado enorme pra mim e do qual eu jamais vou ser capaz de esquecer.

Sinceramente? Acho um absurdo que Amy Adams não esteja concorrendo à Melhor Atriz porque o que aquela mulher faz em cena é um troço absurdo (!) de tão bom e eu queria de verdade vê-la pelo menos concorrendo ao prêmio. Além das categorias técnicas, que acho que o filme tem chances reais de levar a maioria, não imagino que leve nenhum outro prêmio – fora o de roteiro que, embora a briga esteja acirrada, acho que ainda tem chances reais de levar.

JACKIE (Pablo Larraín)

Indicações: Melhor Atriz (Natalie Portman), Melhor Figurino (Madeline Fontaine) e Melhor Trilha Sonora (Mica Levi).

Sobre o que é? O assassinato do presidente John F. Kennedy, em 1963, e o que aconteceu no período entre sua morte e o velório, tudo pela perspectiva da ex-primeira dama, Jacqueline Kennedy. Ele vai e volta a partir das memórias de Jackie, como ela era conhecida em seu círculo mais íntimo de pessoas, ao mesmo tempo que, no presente, ela conversa sobre os eventos com o jornalista da revista Life, responsável pela primeira entrevista da primeira-dama após o assassinato do marido.

Prestou? São questões. Assisti ao filme duas vezes e ainda não consegui identificar o que me incomoda particularmente. Na teoria, Jackie é um filme incrível: ele realmente mostra como é feita a construção do mito, como a mídia manipula fatos, histórias e principalmente a imagem das pessoas, e como por trás das figuras imortalizadas de celebridades e pessoas públicas, existe muito mais do que acredita nossa vã filosofia. Jackie era uma mulher inteligentíssima, que tinha plena consciência disso, e mesmo após a morte do marido, cuidou para que seu legado nunca fosse destruído. Mas na prática, ele não é tão incrível assim. De todas as coisas que me incomodaram, no entanto, acho que a trilha sonora é a pior: eficiente em construir o clima do filme, mas ao mesmo tempo precisa em destruí-la. Vai entender.

Sinceramente? Provavelmente leva figurino, talvez leve trilha sonora, mas só uma zebra muito grande faz Natalie Portman levar essa estatueta pra casa.

ELLE (Paul Verhoeven)

Indicações: Melhor Atriz (Isabelle Huppert).

Sobre o que é? Um thriller protagonizado por uma mulher que, após ser estuprada dentro da própria casa, passa a receber ameaças do seu abusador enquanto tenta lidar com o trauma que sofreu e descobrir quem é o criminoso por trás do abuso.

Prestou? Elle é um filme intenso, controverso, polêmico, e que joga algumas ideias que eu não sei se são realmente boas ou se são um desserviço completo, mas eu gostei demais. Ainda que seja a história de uma mulher contada por um homem, ele desconstrói radicalmente o estereótipo do estuprador em um beco escuro, e mostra que, na maioria dos casos, quem comete o crime é uma pessoa próxima à vítima. Ao mesmo tempo, ele constrói uma protagonista que não se deixa definir pelo trauma, e que embora possua sentimentos conflituosos em relação ao que sofreu, alguns dos quais eu questionei o tempo inteiro, se torna muito humana justamente por isso. Foi uma representação completamente nova pra mim, que me surpreendeu horrores e que, por mais que não seja um filme fácil de assistir, eu recomendo com força pra todo mundo.

Sinceramente? Isabelle Huppert é rainha e só não leva essa estatueta pra casa se um repeteco de 2013 acontecer. Minha torcida é dela e eu realmente vou tacar uma bomba nessa Academia fajuta se ela não for a vencedora. Ao mesmo tempo, queria muito que o filme concorresse nas demais categorias, por ser um filme fora do eixo norte-americano, mas principalmente por dar visibilidade – e uma nova interpretação – para uma questão tão importante. Infelizmente, não vai ser dessa vez, mas tem outros troféu.

ESTRELAS ALÉM DO TEMPO  (Theodore Melfi)

Indicações: Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante (Octavia Spencer) e Melhor Roteiro Adaptado (Allison Schroeder e Theodore Melfi).

Sobre o que é? A trajetória de Katherine Johnson, Dorothy Vaughn e Mary Jackson, três cientistas negras da NASA que foram absolutamente fundamentais na corrida espacial travada entre Estados Unidos e União Soviética, durante a Guerra Fria. O filme é um retrato do privilégio branco, que oprime e silencia inúmeras pessoas até hoje, mas que é amplamente ignorado por quem dele usufrui; pessoas que fizeram com que essas mulheres – assim como muitas outras – se tornassem figuras até então desconhecidas pelo grande público, mesmo exercendo papéis tão fundamentais na história norte-americana.

Prestou? Prestou tanto que dizer que ele é, muito provavelmente, o melhor filme dessa temporada de premiações não é exagero. É absolutamente impossível não se emocionar com a história de Katherine, Dorothy e Mary, e se identificar com elas, torcer por elas, querer ser como elas, chorar suas derrotas e celebrar suas vitórias. É um filme construído com um cuidado e delicadeza impressionantes, que não desumaniza suas personagens, mas apresenta mulher complexas e multifacetadas, cheias de nuances, com personalidades muito distintas e que traçam trajetórias muito diferentes, enfrentando cada uma a sua própria batalha. É lindo, lindo, lindo demais, mas acima de tudo um filme importante, que todo mundo deveria parar para assistir.

Sinceramente? É quando filmes como Estrelas Além do Tempo não recebem todas as indicações que merecia, que eu perco totalmente a minha fé no Oscar. Acho um abuso muito grande que Octavia Spencer tenha sido a única indicada, quando tanto Taraji P. Henson quanto Janelle Monáe fizeram trabalhos tão sensíveis e excelentes. Além disso, o fato de concorrer apenas em três categorias continua dizendo muito mais sobre o Oscar e seus critérios que ninguém entende, do que sobre a qualidade de um filme – ou, no caso, de uma preciosidade como Estrelas Além do Tempo. Espero de verdade que Octavia Spender leve a estatueta pra casa, mas já me preparo psicologicamente para decepções futuras.  

MANCHESTER À BEIRA-MAR (Kenneth Lonergan)

Indicações: Melhor Filme, Melhor Direção (Kenneth Lonergan), Melhor Ator (Casey Affleck), Melhor Ator Coadjuvante (Lucas Hedges), Melhor Atriz Coadjuvante (Michelle Williams), Melhor Roteiro Original (Kenneth Lonergan) e Melhor Fotografia (James Laxton).

Sobre o que é? Um cara que, após perder o irmão, é obrigado a voltar para sua cidade natal e desenterrar vários fantasmas do passado, ao mesmo tempo que luta com o próprio luto – pela morte do irmão, mas também por tragédias anteriores que se passaram naquele mesmo cenário. É um filme sobre a dor de perder alguém, as diferentes formas de lidar com o luto, e a morte, de um modo geral.

Prestou? Depende muito do que você avalia. Enquanto produção, Manchester à Beira-Mar é sim um bom filme. Ele trata o luto com uma delicadeza surpreendente, mas ao mesmo tempo o constrói de uma forma muito crua, que se aproxima de uma forma assustadora da realidade: a vida segue, a dor continua, mas precisamos continuar dando um passo depois do outro, esse tipo de coisa. Mas ele é ainda um filme sobre homens brancos, contados sob a perspectiva de um outro homem branco, o que pra mim já é suficiente pra não colocá-lo no pedestal que todas as pessoas do mundo parecem colocar. Além disso, pra mim é impossível ignorar que esse é um filme protagonizado por um casa acusado de tantas coisas absurdas, e isso automaticamente me faz gostar bem menos dele.

Sinceramente? Queria enfiar um murro nas fuças de quem ainda acha que caras como o Cassey Affleck devem ser julgados pelo seu trabalho e que tudo bem ignorar seu comportamento repulsivo na vida pessoal. Entretanto, esse é bem o tipo de mentalidade retrógrada dos caras que compõe a Academia, fora que o filme, por si só, é o tipo de coisa que a Academia ama de paixão premiar, então sim, as chances de que Manchester à Beira-Mar e Cassey Affleck saiam vitoriosos são maiores do que eu gostaria de  admitir. Sad, but true.

CINEMA E TV

ÚLTIMOS FILMES ASSISTIDOS

Já faz bastante tempo desde que escrevi sobre os filmes que andei assistindo por aqui, o que pode ser uma coisa boa ou não, depende do referencial (pro blog é péssimo, mas bear with me porque juro que a causa dos meus sumiços são quase sempre boas se levarmos em conta todo o resto, risos). Muita coisa aconteceu nesse meio tempo, é verdade, e eu pretendo colocar o papo em dia em algum momento, mas ainda não. Porque incrivelmente, desde o meu último sumiço tenho assistido bastante coisa, inclusive filmes – em casa, daquele jeito que eu até pouco tempo atrás morria de preguiça -, e se não falar deles agora, as chances de que minhas opiniões fiquem perdidas no tempo são muito grandes.

Por favor, não desistam de mim.

0a8b3ace9e72710b3c96125466006b40A Onda (Dennis Gansel, 2008): No início do semestre, meu professor de Tecnologia da Comunicação sugeriu que assistíssemos a esse filme como um complemento para o texto que estávamos trabalhando em sala de aula (que eu nem lembro mais qual era, perdão). Ele conta a história de um professor que decide fazer um experimento em sala de aula que seja capaz de explicar os mecanismos utilizados por regimes fascistas – até que, claro, a coisa sai completamente de controle. O mais assustador é que, embora tudo não passe de ficção (baseada em fatos reais, mas ainda assim), toda a situação parece muito real e muito possível, especialmente no momento político que vivemos. Ainda quero muito escrever sobre ele e prometo fazer isso em algum momento. Por enquanto, assistam “Die Welle” (título original) e deixem a cabeça de vocês explodirem com ele.

8b0f8ce0521791aebac9f745b9b22af2Meia-Noite em Paris (Woody Allen, 2011): Não sei se é uma benção ou se é uma tragédia que eu tenha vivido pra pagar minha língua e favoritar um filme do Woody Allen com toda a força do meu coraçãozinho pisciano sofredor. Não é uma história inovadora muito menos livre de problemas – um protagonista fraco, alguns personagens que são extremamente estereotipados, fora o final que é bastante preguiçoso -, mas ainda assim é um filme adorável e muito gostosinho de assistir, que celebra Paris e a literatura de um jeito muito delicado e especial, e que deixa o coração quentinho no final. Gosto, principalmente, da forma como personalidades como Scott e Zelda Fitzgerald, Ernest Hemingway e Gertrude Stein aparecem na história, tão maravilhosos que a gente até esquece que Gil é um homem bem dispensável e um péssimo protagonista.

8ed15c51494c1a54cd7e387d3db31fdaAos Treze (Catherine Hardwicke, 2003): Já fazia muito tempo que eu queria assistir esse filme, mas foi só uns dois meses atrás que consegui sentar de fato na cadeira e entender o que, afinal de contas, esse filme sobre duas garotas muito loucas de treze anos com piercing na língua tinha para me contar. Só que eu acho que esperei tanto, mas tanto tempo, que a experiência acabou sendo… decepcionante? Na teoria, Aos Treze é um filme excelente. A história merece todo o hype que (ainda) tem e, embora minha adolescência não tenha sido tão trevosa, muita coisa presente ali me fez pensar nos meus 13 anos – que também não foram tão limpinhos quanto meus pais costumavam imaginar.  Só que, no fundo, não foi um filme que me causou muita emoção. É bom e tal, mas é só isso mesmo. Evan Rachel Wood segue maravilhosa, tho.

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Clube da Luta (David Fincher, 1999): David Fincher é aquela unanimidade que, ao contrário do Woody Allen, eu sinto muitíssimo por não fazer parte. Não é que eu não goste dele, muito menos do seu trabalho, mas ao mesmo tempo não consigo entender o que diabos faz esse cara ser tão especial pra tanta gente. O Clube da Luta, por exemplo, é um bom filme em vários aspectos, mas ele não chegou nem perto de causar em mim o mesmo impacto que o livro causou, sabe assim? Odeio entrar nesse mérito principalmente porque defendo 100% a teoria de que cinema e literatura são coisas bem diferentes, logo, possuem prioridades muito diferentes, mas né. Acontecem coisas. Continua sendo um bom filme e eu recomendo especialmente se você está bem afim de ver uns caras sem noção apanhando e levar uns tapas na cara metafóricos de quebra, mas é isso aí.

be5491460ad93cc9b28e0f8fd5c65c2aAs Vantagens de Ser Invisível (Stephen Chbosky, 2012): Nunca imaginei que fosse gostar tanto, tanto, tanto desse filme, mas eu gostei. Muito. Do fundo do meu coraçãozinho pisciano sofredor. Amo como ele consegue contar uma história tão simples, mas ao mesmo tempo cheia de significados e descobertas e sentimentos. Ezra Miller me conquistou pra todo sempre, Emma Watson segue sendo a rainha dos nossos corações e até o Logan Herman ganhou um cantinho especial pra chamar de seu – embora eu continue achando o Charlie um pé no saco em vários momentos. Muito diferente do livro, o filme foi realmente capaz de me fazer entender a dimensão de seus problemas e conflitos e me solidarizar com sua história de uma forma muito profunda e honesta, ao mesmo tempo que me senti jovem, livre e principalmente infinita. É um filme realmente precioso e que eu recomendo de olhos fechados.

o-bebe-de-rosemary_t5550_sdhb4ajO Bebê de Rosemary (Roman Polanski, 1968): Esqueçam tudo que vocês sabem sobre filmes de terror – sangue que espirra nas paredes, jovens inconsequentes, monstros que adoram aparecer para as câmeras, loucos usando máscaras e tocando o terror, esse tipo de coisa – e abracem duas horas do terror mais maravilhoso que vocês já viram. Sem exagero. Odeio que ele seja um filme justamente do Polanski, um cara tão babaca e nojento que por mim poderia arder no fogo do inferno, mas que infelizmente é um cineasta muito do competente. Filme de terror que dá medo, mas não entrega exatamente o que está acontecendo, roteiro incrível, trilha sonora ESPETACULAR e uma história tão cheia de detalhes e misticismos que é um abuso não ser real (brinks). Fora Mia Farrow, rainha de todos as coisas, minha filha terá nome de santa, etc.

fc52fc43a1539814dbbd36b18c96cd3aStar Trek (J. J. Abrams, 2009): Preciso ser sincera aqui e admitir que antes de assistir Star Trek, eu já odiava Star Trek. Sério, só de pensar em um filme que se passava no espaço e que ainda tinha o Chris Pine como protagonista já me fazia querer estar morta, de preferência em uma dimensão em que o Chris Pine nem existisse pra começo de conversa. Aparentemente, minha missão na Terra é pagar pela minha enorme língua, porque bastou assistir ao primeiro filme da trilogia pra me render totalmente e ficar completamente obcecada porque that’s how we roll. Nunca imaginei que fosse possível gostar tanto de um filme com o Chris Pine no papel principal, mas Star Trek é um trocinho adorável demais, excelente entretenimento que ao mesmo tempo deixa o coração mais quentinho e que entrega uns personagens tão maravilhosos que missão impossível é não morrer de amores.

b7e66fd211cff977e1216e661dff844bStar Trek: Além da Escuridão (J. J. Abrams, 2013): Porque pagar a língua uma vez é bobagem. Ainda acho que o primeiro filme se sobressai justamente por apostar numa história mais simples e sem grandes reviravoltas (é um filme de origem, afinal de contas), mas isso não significa que Além da Escuridão seja ruim, muito pelo contrário. Se o primeiro foi capaz de me fazer voltar atrás e pagar a língua, foi o segundo filme que reforçou todos os sentimentos, que me fez chorar e rolar na cama de tanto amor só pra depois querer esfregar a cara de todos esses personagens maravilhosos no asfalto. Kirk e Spock seguem sendo um dos melhores bromances que esse mundo já viu e Benedict Cumberbatch mata a pau como um vilão horrivelmente maravilhoso que por si só já vale o filme inteiro.

star-trek-sem-fronteiras_t77719_83fzj6iStar Trek: Sem Fronteiras (Justin Lin, 2016): MELHOR FILME, MELHOR ELENCO, MELHORES PERSONAGENS, MELHOR HISTÓRIA. Sério, pensem num filme maravilhoso, delicado, diverso, doce, cheio de mocinhas badass e vilões horrorosos e discussões relevantes sendo feitas, tudo ao mesmo tempo. É disso que eu estou falando. Star Trek: Sem Fronteiras é um filme incrível que te faz rir, chorar e pular na cadeira de tanta empolgação, mas que também te aflige um bocado e te faz querer salvar todos os personagens porque MEU DEUS ESSAS PESSOAS SÃO MUITO ADORÁVEIS E MERECEM SER PROTEGIDAS. Mensagem linda que deixa o coração quentinho e te faz ter mais fé na vida, no universo e tudo mais. Definitivamente um dos melhores filmes do ano and i’m not even sorry.

b9b609003d70c51b0cbde3b243a48ae5As Virgens Suicidas (Sofia Coppola, 1999): Baseado no romance homônimo, As Virgens Suicidas se passa na década de 70 e conta a história de cinco irmãs adolescentes criadas por pais muito rígidos que em determinado momento decidem que o suicídio é a única saída que lhes resta. Assim como no livro (que não li hehe) a história é contada pelo ponto de vista dos garotos que moram na mesma rua das meninas e são apaixonados por elas – ou, pelo menos, pela ideia delas. E é aí que mora o perigo porque, se por um lado, o filme me fez pensar imediatamente nas dificuldades enfrentadas por adolescentes, especialmente garotas adolescentes, ele também me fez questionar porque diabos essa bosta de história tem que ser contada por um bando de garotos com titica na cabeça. Estética linda, atuações bem boas e trilha sonora impecável, mas não é meu favorito de Coppola Filha.

god-help-the-girl_t61290God Help The Girl (Stuart Murdoch, 2014): Eu não ouço Belle & Sebastian, eu odeio filme com pegada hipster (na real, eu odeio qualquer coisa com pegada hipster) e por mais que ame a Emily Browning do fundo do  meu coração, sua presença nunca foi suficiente pra me convencer a assistir qualquer coisa. Mesmo assim eu decidi assistir God Help The Girl e essa acabou sendo uma das melhores decisões que eu podia tomar na vida. Embora ele trate de temas que são, por si só, bastante densos (doenças mentais, etc etc) é incrível como o filme consegue construir uma história tão leve e com uma vibe tão positiva, cheia de musiquinhas bonitinhas que te fazem querer jogar os braços pra cima e dançar junto com os personagens. Fotografia gracinha, figurino super inspirador e uma mensagem que – surprise, surprise! – deixa o coração super quentinho no final. Virou favorito sem nem precisar se esforçar pra isso.

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Jovens, Loucos e Rebeldes (Richard Linklater, 1993): Queria sinceramente saber o que o Linklater tinha na cabeça quando achou que tirar esse filme do papel era uma boa ideia porque meu deus, que filme horrível. Que morte tenebrosa, que pavor desses jovens inconsequentes e sem noção que só querem saber de fumar maconha e encher a cara. Ou serem escrotos com seus calouros. Odeio o fato desse filme ser considerado um retrato da juventude dos anos 70 porque isso só me faz pensar que os anos 70 foram uma época horrorosa para ser adolescente (e mulher, principalmente), cheio de gente machista e ignorante que mereciam arder no fogo do inferno. Figurinos lindinhos e trilha sonora espetacular, mas é só isso. Fujam enquanto ainda é tempo que ninguém é obrigado. Eu avisei.

louder-than-bombs_t81587Louder Than Bombs (Joachim Trier, 2015): Sonhei um sonho lindíssimo de amar esse filme com todo a minha alma e meu coração, mas infelizmente não rolou. Ele conta a história de três homens – um pai e seus dois filhos – que foram marcados pela morte da esposa/mãe, que é vivida pela Isabelle Huppert. É uma história que até certo ponto se questiona sobre o luto, a perda e essa mania que a gente tem meio de santificar uma pessoa após a morte quando ela na verdade era só um ser-humano, que também cometia uma porção de erros, etc, fora a própria imagem da mãe, que por si só já transforma a mulher numa espécie de santa. Falando assim parece incrível e realmente é. Mas é bem menos incrível do que eu esperava. Não é um filme que eu vou esquecer facilmente, mas não é um filme que eu indicaria de olhos fechados, não é um filme tão forte quanto a temática exige, muito menos um filme que eu levaria pra vida.

65fbab95bc460afa97ee564ace0729e3Footloose (Herbert Ross, 1984): Pendência de anos que só fui resolver agora, Footloose é o típico filme dos anos 80 que a sua mãe amava quando tinha a sua idade: brega até dizer chega, cheio de estereótipos típicos da época, personagens tão ruins que chegam a ser maravilhosos, cidadezinha do interior repleta de pessoas absolutamente malucas, jovens loucos para rebolar a bunda protestando contra uma cidade inteira pelo direito de rebolar a bunda, esse tipo de coisa. Definitivamente, não tem como ficar ruim. Figurinos bregas até dizer chega, porém maravilhosos, Kevin Bacon sendo o galã mirim que nós nunca seríamos capazes de imaginar com aquela boca murcha, Bíblia sendo usada como argumento para jovens poderem fazer um baile de formatura e rebolar a bunda até o dia raiar, e toda a creicisse dos anos 80 diretamente na sua casa. É maravilhoso demais.

c9a67d82726812c29b84602101f5c665Persépolis (Marjane Satrapi & Vincent Paronnaud, 2007): Nada que eu diga sobre esse filme vai ser capaz de dar pra vocês a dimensão do quão realmente importante é a história de Marjane Satrapi – uma iraniana que viu sua cabeça, e a de sua família, virar de cabeça pra baixo por causa da Revolução Iraniana – e, acima de tudo, necessária, ou o quanto ela é uma mulher incrível, cheia de opiniões fortes e extremamente inspiradora, embora muito já tenha sido dita sobre ela ao longo dos anos. Nunca achei que sua história fosse me tocar tão profundamente, especialmente porque sua realidade parece muito distante num primeiro momento, mas é aí que mora toda a mágica, porque Marjane, com uma delicadeza ímpar, consegue nos transportar diretamente para aquele ambiente e nos faz entender do jeito mais dolorido possível o que é viver uma guerra. É um filme verdadeiramente precioso e que dói o tempo inteiro, mas é pra isso, afinal de contas, que servem as boas histórias.