Browsing Category

DRAMAS REAIS

DRAMAS REAIS

TEMOS NOSSO PRÓPRIO TEMPO

Como todos os textos que nasceram da necessidade meio tosca de justificar minhas ausências, pensei em começar esse com um imenso e ridículo pedido de desculpas, mas então decidi que não valia à pena. Não que pedir desculpas não seja importante, mas a essa altura já é uma verdade universalmente conhecida que a rotina desse blog é feita de pequenos hiatos, que cedo ou tarde chegam ao fim, e eu já deixei de me sentir culpada por eles há tempo demais para continuar a me desculpar. Embora nem sempre tenha sido assim, nos últimos meses, o blog assumiu um espaço na minha vida que passa muito longe de ser uma obrigação; o que é, ao mesmo tempo, bom e ruim: bom porque, naturalmente, eu não passo mais tanto remoendo todos os textos que não escrevi; ruim pelo exato mesmo motivo. Entre uma atualização e outra, muita coisa acaba ficando perdida, e eu estaria mentindo se dissesse que eu não sinto muito, muitíssimo, por todos os textos que não viram a luz do dia.

Curiosamente, essa nova relação com a escrita, de um modo geral, me deixa muito mais tranquila, e taí uma coisa que eu tenho priorizado bastante na minha vida. Aos 24 anos, sempre imaginei que tranquilidade fosse estar muito longe da minha cota de prioridades – “quero dinheiro”, eu pensava, “um casamento”, “um trabalho maneiro”, “viagens”, etc etc -, mas sendo a vida essa grande piada cósmica, é impossível não olhar ao redor e querer viver num mundo em que a gente tenha tempo pra fazer tudo ou não fazer nada se preferir. Se minha vida fosse um filme, o transformaria numa narrativa cheia de silêncios carinhosos, tons pastéis e músicas fofas, e cenas que deixassem o coração de quem assiste mais quentinho. Ainda hoje (na verdade ontem, porque comecei a escrever esse texto num dia, mas só fui concluí-lo no dia seguinte), disse pra uma amiga que, embora eu amasse filmes frios e grandiosos, esse não era o tipo de cinema que eu gostaria de fazer, e é verdade. Não por acaso, os filmes que eu desejo fazer são aqueles que falam sobre pessoas muito desgraçadas, mas que curiosamente contam histórias leves, quentinhas, com sabor de comfort food, que é mais ou menos como eu desejo que minha vida seja também.

Sempre gostei de pensar que eu podia fazer o que quisesse, ser o que quisesse e conseguir o que quisesse, mas foi preciso que minha saúde física e mental entrassem em cena para que eu entendesse que, ainda que eu me sentisse muito capaz o tempo inteiro, nada nesse mundo valia o risco de perdê-las de vez. E que nem sempre eu ia conseguir fazer o que quisesse, ser o que quisesse, etc etc. Tenho a sorte – e o azar – de estar envolvida em muitos projetos e ter responsabilidades pelas quais eu sou completamente apaixonada e que fazem todo o esforço valer à pena. Eu amo a faculdade, eu amo fazer filmes, eu amo escrever. Mas existe uma diferença fundamental em amar todas essas coisas de maneira saudável e esquecer de si mesma no processo. Ser workaholic parece muito bacana na teoria; um milhão de vezes eu disse que era assim que eu queria ser, desde que fizesse o que amava, e era exatamente essa pessoa que eu estava me tornando, sempre ocupada demais para qualquer coisa. Então eu fiquei doente; uma vez, duas vezes, três vezes em pouquíssimos meses. Minha ansiedade voltou com força total. E enquanto eu era obrigada a abandonar um, dois, três projetos, quatro, cinco, seis ideias de textos, invariavelmente, eu me sentia uma fraude. Uma mentira. Uma pessoa incapaz e ridícula e falha e que não ia chegar em lugar nenhum porque ninguém chega a lugar algum se não consegue sequer cumprir um prazo porque está com a cabeça desgraçada demais pra isso.

Quando a Anna Vitória escreveu no Valkirias sobre colocar o pé no freio e se permitir absorver as coisas com calma, uma parte de mim jazia no chão completamente exausta depois de passar horas gritando na minha cabeça que aquele era um passo terrivelmente equivocado e que eu ia me arrepender amargamente de tê-lo aprovado num futuro nem tão distante assim. Depois de um ano intenso, porém maravilhoso, parecia uma decisão estúpida seguir na contramão daquilo que vinha dando tão certo. 2017 seria um ano do trabalho duro, diziam os astros, de fazer as coisas acontecerem, e eu, que nunca precisei de muito incentivo para acreditar nessas coisas, levei a máxima a sério o suficiente para me permitir ser engolida pelo trabalho. E pelos meus sonhos e projetos e ambições, como se de algum modo eu precisasse provar que eu era uma pessoa ocupada de verdade e que não passava o dia inteiro sentada na frente do computador atoa, assistindo vídeo de gato e jogando conversa fora com minhas amigas – ironicamente, as coisas que eu deveria estar fazendo também, mas que simplesmente não encontravam espaço para coexistir com a loucura entre faculdade e projetos que se multiplicavam de maneira insana. Eventualmente, consegui entender que pisar o pé no freio não significava fracassar ou admitir uma possível derrota; é uma decisão que parte muito mais da consciência de que, para acontecer da forma que queremos, nosso trabalho precisa de cuidado e atenção e tempo, do que de supostos fracassos. Além disso, somos todas humanas e não adianta nada falar sobre a humanidade não aceita de tantas personagens se nós sequer somos capazes de aceitar nossas próprias limitações.

Por mais difícil que seja, aceitar que nem sempre dá pra fazer tudo, ser tudo, dar conta de tudo, é fundamental para seguir com o baile. Continuo acreditando que crescer é importante, que fazer cada dia mais e melhor também é, mas desde que isso não custe tão caro ao ponto de se tornar prejudicial. É uma relação completamente nova com a escrita, é claro, mas também com minha vida acadêmica, profissional e também pessoal porque nem só de trabalho e problematização e artigos de cinco mil palavras é feita a vida; o que naturalmente também reflete no blog. Diferente de muitas pessoas que abandonaram os blogs para continuar falando sobre a vida em outras plataformas ou simplesmente se dedicar a outros projetos, eu continuo incrivelmente determinada a continuar nesse espaço, mas sem a obrigação que um dia já foi regra. Quero continuar a escrever sobre a vida e registrar minhas memórias aqui, mesmo que nem tudo seja explicitamente escrito, porque essa ainda é a melhor forma que encontrei para lembrar e guardar aquilo que é importante, e o que não é também, mas que eu vou gostar de lembrar quando tiver 84 anos e conversar com meus netos e deixar para trás depois que eu morrer – mesmo que ninguém se importe com isso além de mim mesma. Uma das minhas maiores frustrações é não ser fruto de uma família de gente que escreve, obcecada por registros e memórias, e nunca ter tido a oportunidade de passear pelas lembranças dos meus avós, que são pessoas que eu admiro tão profundamente e que tenho certeza que viveram coisas incríveis, mas que jamais foram registradas e que terminaram se perdendo com o tempo.

Meu avô nasceu em 1914, dois anos após o naufrágio do Titanic e no mesmo ano em que começou a Primeira Guerra Mundial, um conflito de importância histórica que, dizem alguns, foi ainda mais traumático, sujo e brutal do que a Segunda Guerra. Ambos parecem distantes demais da nossa realidade, separadas por um período de mais de cem anos, mas que não parece tão distante assim quando sabemos que pessoas que conhecemos estiveram lá de alguma forma e fizeram parte da história, mais ou menos como nós também estamos fazendo agora. Meu avô assistiu muitos dos maiores fatos históricos que marcaram o século XX acontecerem em tempo real, e eu realmente gostaria de saber o que ele pensava sobre esses assuntos, quais eram suas opiniões, seus medos, frustrações. O homem que eu conheci – e que infelizmente já não está mais entre nós – é uma versão infantil e carinhosa moldada pela perspectiva da neta que passou dezesseis anos sendo chamada de passarinho, que ria de suas piadas e que acreditava que nenhum outro homem poderia ser tão gentil quanto aquele; mas existiam muitos outros e sinto muito por não tê-los conhecido também. Não é muito diferente do que acontece com a minha avó. Ela, que nasceu em 1927, também já viveu e assistiu muita coisa, mas ainda que conversemos um bocado sobre o passado, algumas memórias simplesmente se esvaem com o tempo.

É uma obsessão idiota, mas não vazia, e é isso que, de certa forma, me faz continuar aqui. Me perguntaram uma vez porquê eu continuava com o blog quando existia um sem fim de plataformas onde eu poderia fazer exatamente a mesma coisa, e eu não precisei pensar duas vezes antes de responder: porque o blog ainda é, dentre todas as coisas, algo essencialmente meu. Tirando duas ou três coisas nessa vida, esse é o único espaço do qual eu tenho pleno controle e que não vai sofrer mudanças se alguém além de mim mesma quiser; o que é muito mais do que eu posso esperar de um Medium da vida ou de um Tinyletter qualquer. Esse foi um dos motivos, aliás, que me fez desistir da newsletter nos moldes em que ela estava; embora eu ainda tenha a pretensão de fazer algo novo com ela, escrever sobre a minha vida em um novo espaço pode fazer muito sentido pra muita gente, mas definitivamente não faz pra mim. O blog é minha casa, é meu lar, é o cantinho que tem a minha cara e que muda comigo cada vez que eu achar necessário, como um corte de cabelo que muda ao longo dos anos, cada vez que sentimos a necessidade de apresentar uma nova faceta ao mundo. É aqui que eu quero poder sentar no tapete com uma taça de vinho na mão e falar sobre a vida e não faz o menor sentido tentar mudar o que acontece nesse espaço se eu já me sinto tão confortável aqui.

Ainda existem muitas coisas que eu quero fazer e pouco tempo para, de fato, fazê-las. Quero escrever mais e em novos lugares, quero remodelar a newsletter, aprender a bordar, voltar a fotografar, escrever mais roteiros, começar uma pequena produtora e produzir mais filmes, fazer colagens, terminar um livro; mas são coisas que inevitavelmente precisam de tempo e calma – e às vezes dinheiro – para acontecerem e eu estou disposta, talvez pela primeira vez na minha vida, a esperar e dar um passo de cada vez ao invés de sair atropelando tudo sem nunca ser capaz de curtir nada porque estou mais preocupada em fazer com que elas aconteçam do que realmente aproveitar cada uma dessas conquistas – que podem ser pequenas ou não, mas devem ser celebradas da mesma forma. Escrever mais ainda é meu maior objetivo, mas ao final de um dia de trabalho, eu ainda quero poder entrar nesse blog e descobrir que esse é exatamente o lugar em que eu desejo estar.

DRAMAS REAIS

I’M JUST A KID AND LIFE IS NIGHTMARE

No ano passado, fiz um teste do Buzzfeed que prometia me dizer quão preparada para viver esse Mundo dos Adultos™ eu estava, a partir de uma porcentagem calculada com base nas minhas respostas. Era um teste até bem simples – como todos são – em que, basicamente, a gente tinha que responder quais seriam nossas reações em algumas situações banais do dia-a-dia, tipo uma lâmpada queimada ou ficar doente e ter que decidir se prefere morrer em casa ou se vai ao médico por conta própria. Eu me escangalhava de tanto rir porque algumas respostas eram tão absurdas que não parecia possível que alguém fizesse aquilo na vida real, enquanto escolhia minhas próprias alternativas, imaginando qual seria a porcentagem no final – naturalmente, baixa, bem baixa.

Eu só não esperava que fosse tão baixa.

Querido leitor, caso você tenha chegado nesse cantinho agora (por favor, sente-se aqui, vamos tomar um café, risos eternos), saiba desde já que a única certeza que eu tenho na vida desde que passei a ser vista – e tratada – como adulta, é o fato de que eu não tenho certeza de nada – o que, pra uma pessoa ironicamente tão controladora quanto eu, é absolutamente assustador. Mas o fato de não ser uma adulta ideal, uma pessoa totalmente independente, que sabe com perfeição executar tarefas triviais do dia-a-dia – tipo trocar uma lâmpada ou ir ao médico por conta própria -, nunca foi uma questão muito grande na minha vida. Eu nunca tive a necessidade de fazer nenhuma dessas coisas, porque minha mãe sempre se dispôs a fazer cada uma delas pra mim. Foi só quando a gente se mudou pra uma casa nova e muito maior do que o apartamento em que morávamos antes, que eu passei a assumir algumas tarefas que não eram minhas até então, tipo arrumar a cama, tirar o lixo do banheiro e fazer uma faxina no meu quarto de tempos em tempos. Não é que eu goste de fazer essas coisas, vejam bem, tanto é que de vez em quando me permito não fazer nenhuma delas só porque sim: porque eu não tenho saco, não sou obrigada, fuck the police. Mas eu faço na maior parte do tempo, e quando faço, faço sem reclamar. De um jeito ou de outro, eu sei que são coisas que precisam ser feitas: ninguém vai morrer se deixar o lixo um dia a mais no banheiro, se passar um dia sem arrumar a cama, se deixar o quarto por alguns dias mais bagunçado do que o normal; mas eventualmente é preciso que alguém faça essas coisas porque, do contrário, a casa vira um caos. E se eu não gosto de viver no caos, o mínimo que eu posso fazer é ajudar a manter as coisas mais ou menos sob controle.

Todas essas tarefas são coisas que eu faço porque preciso fazê-las; foi por isso que as aprendi. É muito diferente, por exemplo, de como eu aprendi a cozinhar: eu não tinha nenhuma obrigação ou necessidade de fazê-lo, até o dia que comecei a me interessar por gastronomia e ter vontade de testar comidas diferentes das que minha mãe fazia pra gente em casa. Assim, nós duas acabamos aprendendo juntas: ela, pratos mais elaborados, com ingredientes diferentes; eu, a fazer o básico feijão com arroz de cada dia. Da mesma forma, eu só aprendi a usar de verdade a máquina de lavar algumas semanas atrás, quando senti a necessidade de começar a lavar minhas roupas por conta própria ao invés de esperar a boa vontade da minha mãe, e tem sido uma experiência maravilhosa, de dupla satisfação: por ter aprendido algo novo e pela independência conquistada. Mas o fato de saber fazer essas coisas não me torna necessariamente mais adulta do que alguém que não sabe, da mesma forma que uma pessoa que sabe fazer mais do que eu pode não ser exatamente a mais adulta do mundo, só uma pessoa que sabe fazer mais tarefas domésticas do que eu.

E era meio isso que o resultado do teste avaliava. Todas as perguntas se baseavam em coisas que no fundo, no fundo, não eram capazes de determinar quem era adulto e quem deixava de ser: ele apenas dizia quem era mais preparado ou não pra lidar com certas situações e manter o controle, mas ser adulto não é isso – ao menos, não só isso.

“Seria uma maravilha se ser adulto significasse ter controla da ordem da sua casa, do seu estoque de lâmpadas e de um faqueiro extra para ocasiões especiais. Na minha concepção, isso são só aparatos. A pessoa pode tê-los e ainda não saber o que fazer da vida. Ser adulto não depende da hora que você acorda aos fins de semana, pois se você acorda cedo de segunda à sexta, e não tem motivos para o fazer o mesmo aos fins de semana, qual é o problema em só levantar da cama lá pelas 15h? E por que trocar os lençóis a cada duas semanas me faz menos adulta do que uma pessoa que os troca toda semana? ada família tem seu hábito de acordo com as necessidades, então para mim isso não faz muito sentido. Outra coisa que me deixou meio assim foram as questões que te induzem a determinadas respostas. Porque exemplo: eu moro com meus pais, portanto cozinho quase nunca e não pago a maioria das contas. Porém, se eu moro com meus pais é porque não tenho meios financeiros de me sustentar sozinha e decidi não arriscar minha qualidade de vida para conquistar a so-called independência, se isso significasse morar num buraco qualquer e comer miojo sete dias por semana. Fora que meus pais precisam de mim tanto eu deles. E eu pago as contas que me dizem respeito, compro a ração dos meus gatos, os livros e as roupas que eu quero. Mas ser adulta, para mim, vai ainda além disso. Ser adulta é a capacidade de tomar decisões, assumir responsabilidades, saber cuidar de você e de alguém quando as circunstâncias te jogarem para isso.” (YOGI, Yuriko, também conhecida como a pessoa mais sábia do universo)

Quando eu escrevi sobre isso em uma newsletter, a maior parte das pessoas se identificou profundamente porque todas, de um jeito ou de outro, se encontravam numa situação muito parecida. Eram pessoas que também se sentiam muito desconfortáveis em se assumir como adultas e se enxergar como uma, porque se julgavam despreparadas demais para assumir essa posição. É por isso que eu acho a resposta que a Yuu me deu naquele dia – e que compartilho um pedaço com vocês agora – tão fundamental: a gente não se torna adulto quando aprende a trocar uma lâmpada, a cozinhar, a ir no médico por conta própria, sem pedir ajuda à ninguém. A gente se torna adulto nas pequenas situações diárias, quando passamos a assumir mais responsabilidades, a tomar decisões e abraçar as consequências, a ser a pessoa responsável numa situação “x”, “y” ou “z”. Eu, por exemplo, me sinto incrivelmente adulta quando almoço a pizza que sobrou da noite anterior, ou então quando preciso buscar o meu primo mais novo em algum lugar e sou a responsável por levar seus amigos em casa, quando sou em quem minha mãe ou minhas tias chamam quando precisam de companhia para ir numa consulta ou fazer algum exame, quando algum dos meus bichinhos ficam doentes e sou eu quem conversa com o veterinário, quando eu viajo sozinha; fora todas as coisas que já aconteceram na minha vida e que me obrigaram a amadurecer muito mais rápido do que muita gente. Situações simples, quase banais, mas que me fazem sentir muito mais adulta do que passar o dia limpando a casa ou enfrentar a fila de um banco.

A gente precisa parar com essa mania de achar que só é adulto quem sabe fazer isso ou aquilo, quando existe uma infinidade de possibilidades e caminhos que nos tornam tão adultos quanto nossas referências. É até ilógico achar que existe um jeito certo de ser tornar essa tal pessoa adulta idealizada, com um salário de quatro dígitos, que viaja para o exterior uma vez por ano, que planeja filhos e paga todas as contas da casa, porque se nossas realidades são tão distintas, se nossas vidas são tão diferentes, nada mais natural que cada um percorra seu caminho de forma gradual e aprenda o que tiver que aprender de acordo com suas necessidades e vontades. E isso não te torna mais adulto ou menos adulto do que ninguém. Então, no final das contas, acho que o que importa na realidade não é o que a gente sabe fazer, mas aquilo que a gente está fazendo, e como isso contribui para nossas vidas, para nossas realidades, como isso nos torna pessoas melhores. No final das contas, estamos todos no mesmo barco, tentando dar o nosso melhor – e isso, às vezes, já é o suficiente.

Já faz uns dois anos que eu não tenho nenhum problema em me perceber como adulta e principalmente me assumir como adulta, embora ainda dê um monte de tropeços no meio do caminho. Ou seja, como quase tudo nessa vida, tornar-se adulto também é um aprendizado: algumas pessoas só demoram mais do que outras para concluí-lo, risos.

DRAMAS REAIS

LIMPEZA DE FINAL DE ANO OU QUALQUER COISA ASSIM

Eu preciso fazer uma limpeza no meu quarto. Essa foi a primeira coisa que eu pensei enquanto tentava, pela milésima vez, encontrar o carregador do meu celular. Não era a primeira vez e certamente não seria a última: a diferença é que dessa vez eu tinha sentido a real necessidade de organizar a minha bagunça para além da lixeira esvaziada e das roupas largadas em cima da cadeira, algo que nunca tinha acontecido antes. Minha mãe já cansou de me pedir para colocar um pouco de ordem no lugar, mas era exatamente o tipo de coisa que entra num ouvido para sair no outro logo em seguida, e eu nunca fiz a menor questão de colocar ordem numa bagunça que eu já conhecia tão bem. De certa forma, era como se cada roupa em cima da cadeira, cada maquiagem fora da gaveta ou a bagunça da cama desfeita, colocassem um pouco de vida entre minhas quatro paredes e servissem como um reflexo de mim mesma. Se eu sempre fui uma pessoa imperfeita tentando a todo custo ser perfeita aos olhos dos outros, meu quarto era meu refúgio, onde eu podia ser a bagunça de pessoa que sempre fui sem pedir desculpas pra ninguém.

É estranho, então, que essa bagunça tenha se tornado um incômodo também pra mim. Olho as toalhas (três, sem nenhuma necessidade) jogadas em cima do móvel, o edredom limpo todo embolado em cima da cama esperando a hora de ser gentilmente guardado, os lencinhos demaquilantes largados em cima da penteadeira na noite anterior, e tudo me parece uma bagunça horrorosa. Não existe nada de atrativo ali, não existe nada que me faça pensar “opa, estou em casa”. É só um monte de tralha jogada de forma descompromissada e que acaba ficando ali até que alguém – nunca eu – decida tomar uma atitude. Vejo minhas amigas com seus quartos belamente arrumados, fazendo suas faxinas de fim de semana, e me pergunto que diabos deu errado comigo no meio do caminho porque agora, que eu realmente sinto necessidade de dar uma geral no meu quarto, eu não faço a menor ideia de por onde começar. Jogo as tralhas fora? Limpo o chão do quarto? Tiro todas as roupas do guarda-roupa? Dá pra fazer tudo num dia só? São questões.

A Dani falou recentemente sobre o destralhamento de fim de ano, que nada mais é do que uma grande limpeza que ela faz antes de iniciar um novo ciclo em sua vida, algo que pra ela já se tornou uma tradição. Aquele texto conversou tão diretamente comigo que me inspirou a escrever um texto que, embora ele fale mais da minha relação com as coisas que eu tenho do que da minha necessidade em deixar várias dessas coisas irem embora, essa história só começou porque eu me deparei com o texto da Dani no Bloglovin e não sosseguei enquanto não abri uma aba pra ler. Naquela época, a ideia de eventualmente ter que sair de Brasília era o que me assustava porque eu não queria deixar minhas coisas para trás. Eu sofria só de imaginar abandonar meus sapatos ou então todos os meus livros – o tipo de coisa que não faz o menor sentido. Só que hoje, enquanto penso em tudo isso e escrevo pra quem quer que esteja lendo aí do outro lado, a sensação de ter tanto é muito diferente, quase como se eu estivesse trilhando meu caminho rumo ao acumuladores e logo, logo estivesse soterrada por todas essas coisas que não me deixam em paz. Fora isso, tem essa sensação absurda (mas muito real) de que quanto mais eu tenho, menos chances eu tenho de bater asas e voar pra onde quer que seja.

Por mais que eu me importe com as coisas que tenho e reconheça que nenhuma delas caiu do céu, de repente elas não parecem mais tão sedutoras assim, ou uma vantagem, mas só uma representação da pessoa que eu fui há muito tempo, mas que felizmente já não sou mais. E talvez a necessidade de mudanças resida justamente aí. Minha psicóloga sempre diz que, antes de demolir uma casa e começar do zero, é muito melhor ver se uma reforma já não é suficiente para resolver os problemas e que eu devo pensar dessa forma quando analisar a ~maquete~ da minha vida. Então eu não vou fazer como a Emily Gilmore, eu não vou seguir os ensinamentos da Marie Kondo. Mas talvez eu precise parar um minuto e organizar o meu quarto – de todos os lugares, aquele que é mais meu nesse mundo inteiro – e deixar aquilo que já não possui mais significado nenhum ir embora. Por mais difícil que seja, me prender ao passado não vai me trazer nada de bom, da mesma forma que acumular tantas coisas inúteis que remetam à ele só vai fazer com que eu continue esperando por um barco que já partiu faz muito tempo.

Isso não quer dizer que lembranças não sejam importantes, muito pelo contrário. Mas se tanta coisa deixou de fazer sentido na minha vida faz tempo, então talvez seja hora de deixar pra lá todas as coisas que, de certa forma, me prendem a um passado onde eu não quero estar. Além do mais, ninguém precisa guardar o papel de bala que comeu com fulano ou o tubo vazio de gloss que comprou naquela ida ao shopping com ciclana, e eu não preciso guardar o sapato que beltrana me deu sendo que eu nem uso mais só porque foi um presente. No final do dia, as fotos continuarão lá, assim como todas as coisas que realmente importam – só o suficiente para que eu possa relembrar aquilo que foi bom e especial enquanto durou. Da mesma forma, eu não preciso guardar todas as sombras que jamais vou usar e as roupas que já não dizem muito sobre mim, embora sejam poucas (e eu me orgulho de ter um guarda-roupa 100% com a minha cara, embora ele ainda seja exagerado para minhas necessidades), podem abrir lugar para coisas novas, ou então dão espaço suficiente para visualizar bem cada peça contida ali dentro. Os papéis da gaveta precisam ser jogados fora, as fotos do mural precisam ser trocadas, a penteadeira merece uma limpeza. Uma limpeza geral, é isso que eu preciso.

Talvez tudo isso não passe de uma vontade besta com hora certa para acabar. Por outro lado, pode ser que finalmente eu esteja assumindo as rédeas da minha vida e reconhecendo que, embora eu não possa ter controle sobre tudo nessa vida, pelo menos eu sou capaz de manter as coisas minimamente organizadas. O caos sempre foi onde eu me senti mais confortável, mas pela primeira vez em muito tempo ele deixou de ser acolhedor para se tornar um monstrinho – a sorte é que eu sei muito bem como eliminá-lo. Não é como se uma faxina geral fosse mudar minha vida inteira, mas talvez a gente realmente só precise mudar os móveis antes de decidir se precisa mesmo quebrar uma parede inteira.

Desde já, aceito toda a ajuda disponível, risos.

DRAMAS REAIS

DOS SONHOS HORRÍVEIS

Ontem eu tive um sonho pavoroso.

Começou como todos os outros: num momento eu estava dormindo, simplesmente dormindo um sono maravilhoso sem sonhos e, no momento seguinte, eu estava numa realidade alternativa, fugindo com minha família sabe-se lá de quê, no meio de uma Brasília lamacenta e esquisita pra cacete. As pessoas se enfiavam em trincheiras e tentavam se proteger da chuva enquanto guardas que mais pareciam stormtroopers passavam pra lá e pra cá tocando o terror. Eu estava com minha mãe, meu padrasto, meu tio e a mulher dele, e João Guilherme no colo – que eu tentava a todo custo manter quietinho enquanto a gente se escondia. Em determinado momento, encontramos uma lanchonete que ficava no subsolo da cidade e paramos ali para comer um cachorro-quente (!). E foi aí que as coisas começaram a sair do controle, porque ali, enquanto eu comia um cachorro-quente mais ou menos na paz com João Guilherme e minha mãe, meu padrasto assassinou uma pessoa (!), meu tio descobriu que ele era um rebelde (!) e os dois começaram a brigar muito, muito feio, me obrigando a fugir com minha mãe, João Guilherme e meu padrasto pra longe dali.

Ao invés de sossegar o facho e não perseguir a família da sua irmã, meu tio iniciou uma caçada que tinha por objetivo acabar com meu padrasto e, consequentemente, com minha família. Junto com meu tio mais velho, os dois se aliaram aos stormtroopers, ganharam postos privilegiados e começaram a correr contra o tempo para nos pegar. Nesse meio tempo, eu tentei levar João Guilherme para uma espécie de abrigo, mas depois descobri que as estradas estavam sendo fechadas (!) e que aquele abrigo era, na verdade, uma farsa, e decidi fugir com ele dali. Eu tentava correr desesperada pela lama e pela chuva, mas meus pés pareciam não se mover na velocidade necessária. Meus tios chegavam cada vez mais perto de nos alcançar e eu temia pela minha vida, é claro, mas principalmente pela a da minha mãe e do meu padrasto – JG, eu sabia, não corria perigo nenhum. Eu sentia meu coração bater com muita força, eu sentia o medo, a frustração e o desespero em cada parte do meu corpo, eu sentia os músculos da minha perna queimarem e o cansaço nos meus braços de tanto correr com João Guilherme enquanto tentava alcançar a estrada antes que os portões se fechassem de vez. No meio da lama, no meio da chuva.

Então eu acordei.

Foi com um alívio muito genuíno que eu abri os olhos e me dei conta de que continuava no meu quarto escuro, que Brasília não era um lugar lamacento e que as pessoas não tentavam se abrigar em trincheiras enquanto uma pseudo guerra rolava do lado de fora. Eu não estava num filme de ficção científica, meu padrasto e meu tio continuavam sendo ótimos amigos, minha mãe provavelmente estava na sala assistindo alguma novela tranquilamente e minha única preocupação no momento era se eu tinha acordado tarde demais e perdido a sessão de pré-estreia de Rogue One, risos. Corri até a sala só para me certificar de que estava tudo certo mesmo e que minha casa não tinha ardido em chamas nas duas horinhas que eu decidi tirar um cochilo e criei toda uma realidade alternativa horrorosa na minha cabeça. Minha mãe, claro, estava exatamente onde eu imaginei: assistindo televisão na sala com minha tia e minha avó, Loki casualmente jogado aos seus pés, parecendo um tapete. Contei pra ela do meu sonho pavoroso, ao que ela sorriu e respondeu que tinha sido só um pesadelo.

Embora eu estivesse muito mais tranquila do que na hora em que acordei, não pude deixar de ficar apreensiva ao mesmo tempo que pensava em todos os motivos que fizeram meu inconsciente trabalhar daquele jeito e criar aquela narrativa específica na minha cabeça – que de todas as possibilidades, foi projetar justamente um futuro distópico horrível. Somos todas Katniss Everdeen. Porque fora as coisas absurdas, tipo as pessoas vivendo em trincheiras e acampamentos no meio da lama, os abrigos de ficção científica e os stormtroopers, e salvo as devidas proporções, tudo ali me parecia assustadoramente real. Naquele mesmo dia, comentei com minha psicóloga que minha visão política era radicalmente diferente da minha família que não mora comigo – tios, primos, essas pessoas – e que eu evitava me expor nesse sentido como uma forma de me preservar e me poupar da dor de cabeça. Eu sei o quanto isso é terrível, mas vocês entendem a diferença entre conversar sobre política com alguém que realmente está disposto a entender seu ponto e com pessoas que, embora te amem e você ame muito profundamente, não tem a menor intenção de ouvir nada além daquilo que elas querem. Eu também contei pra ela que, no dia anterior, meu tio (o mesmo do sonho, vejam só que coisa) e meu padrasto tiveram uma discussão acalorada demais pro meu gosto sobre política e esse era exatamente o tipo de coisa que eu buscava evitar enquanto sorria e acenava de boas no meu canto.

Não demorou muito pra que eles baixassem as cristas e começassem a conversar naturalmente sobre outras coisas, como se aquela discussão nunca tivesse acontecido. Mas eu tenho medo que com o andar da carruagem as coisas comecem a tomar um rumo totalmente equivocado. Eu ouço histórias de pessoas que viveram no tempo da ditadura, que contam de pais que denunciavam os próprios filhos para os militares e eu tenho medo muito real de estar no meio de algo parecido. Sei que parece exagero e eu sou alarmista assim mesmo, mas ao mesmo tempo não posso deixar de me questionar quando o mundo inteiro parece viver um momento político e social tão conturbado. A gente jurou que o Trump não ia ser eleito e olha só o que aconteceu. A gente jurou que o Temer jamais ficaria no governo e olha só o que aconteceu. Não é por nada não, mas às vezes, minha sensação é a de justamente estar vivendo um pesadelo do qual eu não posso acordar. Ou então que o mundo acabou mesmo em 2012 e a gente só não se deu conta disso ainda.

Não é por acaso que distopias são um dos meus gêneros favoritos – e é bem possível que eu esteja lendo e assistindo distopias demais, risos. Elas sempre são pautadas por um discurso muito político e revolucionário, e é assustador como tudo aquilo parece tão distante e, ao mesmo tempo, tão próximo da nossa própria realidade. Mas na moral, é de cair o cu da bunda ver gente ler 1984 e depois defender a ditadura, ou então assistir Star Wars e sair espalhando discurso de ódio por aí, e o pavor que eu sinto de ver todas essas coisas é muito real. Não é questão de qual lado você está, é questão de reconhecer que seu umbigo não é a única coisa que importa no mundo e lembrar de todas as atrocidades que seres humanos já cometeram antes. O mundo está sempre em constante mudança porque nós também estamos mudando com o tempo – mas daí começar a dar passos pra trás são outros quinhentos. No fundo eu só espero que eu continue sendo só a maluca que leva ficção a sério demais e que todas essas barbaridades continuam sendo apenas uma parte da minha imaginação ridiculamente fértil.

Enquanto despertar for o suficiente para sair de um pesadelo, então estamos bem.

DRAMAS REAIS

SOBRE ESCREVER E PUBLICAR

Até o ano passado, uma das coisas que eu mais me perguntava sobre o blog era se alguém estava verdadeiramente interessado em ler as abobrinhas que eu escrevia (e sigo escrevendo) aqui. Eu não sou famosa, minha vida não é tão mais legal ou diferente das pessoas que conheço e por mais que vira e mexe eu fale sobre assuntos que parecem muito próximos da vida de muita gente, eventualmente eu percebi que existem pessoas – muitas! infinitas! – que falam sobre esses mesmos assuntos infinitamente melhor do que eu. Se fosse racionalizar sobre isso, eu provavelmente ia descobrir que todo esse tempo de páginas e páginas e páginas ocupadas com a história da minha vida não serviu pra nada, absolutamente nada, além de ocupar o meu tempo (às vezes, livre demais) e me dar a impressão – talvez falsa, talvez não – de registrar minha própria vida de alguma forma.

Por muito tempo, essa foi uma questão delicada e pra qual eu não tinha resposta. Embora a linha que eu tenha traçado entre aquilo que é publicável e o que não é seja muito tênue – às vezes, de um jeito até meio problemático -, a questão nunca era tão sobre isso quanto era sobre meu desejo de trocar ideia com as pessoas. O desejo de registrar continuava o mesmo e foi se fortalecendo ao longo dos anos. Mas ao mesmo tempo, eu reconhecia – muito mais pra mim do que pra qualquer outra pessoa – que ter uma troca era importante e que muito mais do que o desejo de ter as minhas memórias gravadas em algum canto, muitas vezes que eu apareci aqui foi só porque eu precisava de alguém pra conversar, um jeito de extravasar minhas emoções e ter alguém de fora me dando uma opinião sincera sobre aquilo que estava acontecendo na minha vida. Não por acaso, a maior parte das minhas amizades hoje surgiram graças ao blog e eu morro de orgulho sempre que olho as fotos e penso que esse cantinho, muito mais do que um registro daquilo que eu vivo, me fez cruzar com tantas pessoas incríveis e que significam tanto pra mim.

Lembro de uma vez, num grupo no site feices, em que uma moça se questionou sobre continuar escrevendo quando ela claramente sabia que aquilo não tinha importância pra mais ninguém além dela mesma. Não lembro exatamente qual foi a minha resposta na época, mas naquele dia eu deixei de lado muito dos meus próprios receios e abracei de vez essa experiência. Pela primeira vez em muito tempo – talvez desde a criação do Starships & Queens – eu me dei conta de que não era preciso ser nada além de mim mesma pra escrever sobre a minha vida e que a identificação do outro era uma consequência – uma consequência boa, é claro, mas que jamais foi capaz de validar aquilo que eu fazia ou deixava de fazer nessa página. Por mais que eu continuasse sendo um pontinho num mar de pessoas incríveis – ou nem tanto – existiam pessoas que iam se identificar comigo, com aquilo que eu escrevia – e continuo escrevendo – e que isso era o mais importante. Ao mesmo tempo, eu também fui capaz de enxergar que por trás daquelas pessoas que eu tanto admiro, existem seres humanos que são falhos, também se sentem inseguros e não fazem a menor ideia do que aquelas pessoas estão fazendo lendo sobre a sua vida.

É mais ou menos nesse momento que eu começo a pensar  em todas as coisas maravilhosas que aconteceram na minha vida por causa do blog e que não teriam acontecido não fosse essa vontade de escrever sobre a minha vida e registrar minhas memórias. São pessoas que hoje se tornaram absolutamente fundamentais na minha vida, amigas que estão comigo nos momentos bons e ruins, que celebram minhas vitórias e choram minhas derrotas junto comigo, e sem as quais eu não saberia viver. Da mesma forma, nesses três anos que já dura o blog, eu recebi infinitas mensagens de gente que não me conhecia e que eu também não conhecia, mas que de alguma forma se identificaram com aquilo que eu escrevia – fosse o amor por uma série ou sobre a aparente incapacidade millenial de lidar com a vida adulta. Coisas bobas, mas que foram importantes pra mim e que, de algum modo, também foram importantes para alguém que estava do outro lado. Saber que eu não chorei sozinha pelo fim de Penny Dreadful, que mais gente também amou o Adam Lambert à frente do Queen e que ninguém sabe mesmo o que fazer com a própria vida pode não ser a solução de todos os problemas do mundo, mas mostra que nesse mundo horroroso em que a gente vive, ainda existia um lugarzinho onde todos estaríamos a salvo.

Estou dizendo tudo isso porque hoje li a newsletter da Larie e embora não me identifique mais com tudo o que ela escreveu, eu consigo lembrar de quando eu mesma tinha as mesmas questões e tentava encontrar respostas de algum modo. Hoje, eu não escrevo com a frequência de sempre – porque a vida acontece, porque eu não sou mais a pessoa com tanto tempo livre que fui um dia -, não porque eu decidi que o blog não tem mais espaço na minha vida ou porque simplesmente reconheci de vez que não faz a menor diferença estar aqui ou não. Porque, aconteça o que acontecer, eu sei que ainda vou ficar aqui por bastante tempo, nem que seja pra falar sobre como meu cachorro é lindo, compartilhar meus dramas com a faculdade ou falar que pizza é, definitivamente, a cura de todos os problemas – e espero que vocês do outro lado continuem aí também.