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MEMES

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GUILTY READER

Eu sei que ninguém mais aguenta me ver respondendo meme. Eu não aguento mais responder memes, ainda que seja a coisa mais divertida do mundo, e eu entendo que seja chato, quase insuportável me ver responder mais um. Peguei realmente pesado na última semana, não com um ou dois, mas três memes de uma vez. Eram tempos desesperados, que pediam medidas desesperadas, mas prometo maneirar da próxima vez. Não desistam de mim, não ainda. Hoje também foi um dia difícil, cansativo, mais pra lá do que pra cá; mas amanhã vai ser melhor, tenhamos fé. Assim, aproveitarei o cansaço e a falta de assunto para falar sobre culpas que nutro enquanto leitora. O meme é um oferecimento do canal Read Like Wild Fire, e a Michas gentilmente traduziu para nosso bom e velho português.

1. Já presenteou alguém com algum livro que você ganhou de presente?
Mais ou menos. Uma vez, ganhei num amigo secreto o mesmo livro que já tinha comprado algumas semanas antes. Sem poder trocar e sem saber o que fazer com dois livros iguais, decidi dar um pra Juliana. O livro era Fangirl, da Rainbow Rowell, e eu o entreguei no dia do aniversário dela. Mas ela sabia o motivo de estar lhe dando aquele livro e o presente real oficial foi outro: uma plaquinha amarela, de madeira, onde lia-se “friends”. Em outras palavras, o livro foi um presente, mas um presente aleatório, e não como o de uma data especial ou algo assim.   

2. Já disse que leu algum livro quando, na verdade, não leu?
E quem não? Por mais que sempre tenha gostado bastante de ler, nunca me interessei por literatura clássica brasileira, por exemplo, de modo que passei reto por todos eles no ensino médio e só recentemente quis correr atrás do prejuízo. Até hoje não li Dom Casmurro, o que pode parecer um absurdo pra muita gente, mas não necessariamente pra mim, embora eu morra de vergonha de dizê-lo em voz alta. É uma discussão longa e que não pretendo iniciar aqui, mas o modo como os livros são introduzidos nas escolas faz, sim, com que a literatura – especialmente a clássica – se transforme no horror dos nossos tempos, e foi exatamente por isso que passei batido por histórias que hoje, quando leio as sinopses, me parecem absolutamente incríveis. Na época, entretanto, eu preferia mentir para os meus professores e continuar lendo meus livros ao invés de ser honesta e dizer que não, não tinha lido, porque nada daquilo me parecia interessante.  

3. Já pegou algum livro emprestado e não devolveu?
Já. Sei que isso é péssimo, mas em minha defesa, os poucos livros que ficaram comigo e que não me pertenciam são livros que ficaram por viradas da vida e sumiços espontâneos dos donos – que, por sua vez, sumia com livros meus. Talvez por isso, hoje eu tenha absoluto pavor de emprestar meus livros, e pelo mesmo motivo não pego livros emprestados, nem mesmo em bibliotecas; prefiro baixar, no caso do livros que não faço tanta questão de ter, ou simplesmente esperar ter dinheiro para comprar aquelas que, acredito, farão diferença ao serem lidos no material físico. 

4. Já leu alguma série fora de ordem?
Não. Inclusive, pavor absoluto, me perdoe.

5. Já deu spoiler de algum livro para alguém?
Gente, kkk. Eu sou a pessoa que menos se importa com spoilers no mundo (ou, pelo menos, no mundo que é a minha bolha), de modo que eu não só já dei spoiler de livros pras pessoas, como eu o faço o tempo todo, e às vezes imploro pra fazê-lo, só pra ter alguém com quem discutir o assunto. Isso serve, também e principalmente, para séries, porque é triste demais acompanhar algo sozinho, especialmente uma coisa tão boa que você precisa dividir com o mundo. Entretanto, existem alguns casos que até eu sou obrigada a admitir que um spoiler pode estragar toda a experiência, de modo que seguro minha língua e espero a pessoa ter seu momento.     

6. Já dobrou a página de algum livro para marcar?
Já, mas não é um costume. Realmente só acontece quando, por algum motivo, eu perco meu marcador, então preciso encontrar um jeito de marcar e, na falta de um clipe, flag ou qualquer outra coisa que possa fazer o trabalho pra mim, dobrar é a única solução.

7. Já disse para alguém que você não tem um livro quando, na verdade, tem?
Não?

8. Já disse que nunca leu algum livro quando, na verdade, já leu?
De modo algum; inclusive adoraria conhecer pessoas que já fizeram isso. Qual o motivo? Vergonha? Receio? Embora não seja, naturalmente, público alvo de todas as obras do mundo, acredito que sempre existe o livro certo pra pessoa certa, de modo que, no final das contas, o mais importante não é aquilo que você está lendo, mas o fato de você estar, pra começo de conversa, lendo. O resto é um mero detalhe.    

Já pulou um capítulo ou trechos de algum livro?
Já tive vontade, mas nunca fiz. O sentimento de que algo muito importante vai ficar pra trás é maior do que eu, então o máximo que faço é ler rápido alguma parte que não está me agradando assim e, se pescar algo interessante, leio de novo, com mais atenção. Mas pular, não.  

Já falou mal de algum livro que, na verdade, você gostou?
Não. Felizmente, tenho a sorte de conviver com pessoas que embora leiam muito e leiam o tempo inteiro, tem um profundo respeito pelos meus gostos e jamais me julgariam por ler alguma coisa que elas julgam ruim ou que não tenham gostado tanto assim. E eu faço o mesmo em troca. Aquela história de que existe livros certos para pessoas certas também cabe aqui: nem sempre aquilo que eu gosto vai ser o favorito de todas as pessoas do mundo e tudo bem! Não há nada mais insuportável do que gente que tenta limitar os outros levando em consideração somente aquilo que a gente gosta, de modo que se eu me sentir pressionada a falar mal de algo que gostei ou me sentir pequena por alguém que odeia algo que eu amo profundamente, então o problema não sou eu, muito menos a obra, mas a pessoa; então o melhor talvez seja me afastar ao invés de negar meus gostos em troca de nada.

 

MEMES

31 QUESTÕES ALEATÓRIAS

Esse não era o texto que eu tinha programado para hoje. Esse sequer é um texto, o que já faz cair por terra qualquer possibilidade de termos algo realmente programado, agendado, conforme deveria acontecer, mas não acontece. Estou exausta, descabelada, uma visão bastante perturbadora de mim mesma, de modo que responder um meme me pareceu a única solução para não deixar a peteca cair de vez. Eu estou tentando. Tenham paciência comigo.

O meme de hoje é um oferecimento da Natália, que agora tem o seu nome registrado no meu coração, no espaço reservado ao seleto grupo de pessoas que salvaram minha vida em meio à ciladas blogueiras, risos.

1. Você gosta de coentro ou acha que tem gosto de sabonete?
Em um teste do BuzzFeed para saber quão fresco você é pra comer, eu sou a pessoa que marcou apenas um item, que era tofu, e mesmo assim na dúvida, porque na verdade eu nunca comi tofu e não me oporia a experimentar qualquer hora dessas. Eu comeria tofu da mesma forma que como coentro e adoro, e não tenho qualquer problema com isso; na realidade, acho engraçado quem tem e acha que ele tem gosto de… sabonete? Vocês realmente sabem como é o gosto de sabonete? Eu sei. Não tem nada a ver com coentro.

2. O que você acha de áudios do WhatsApp?
Maravilhosos na maior parte do tempo. Inconvenientes em todo o resto.

3. Você também comia o chocolate da Turma da Mônica pelas bordinhas?
De jeito nenhum.

4. Qual é a melhor consoante do alfabeto?
Boa pergunta.  

5. Qual é a primeira rede social que você vê de manhã?
Instagram, porque é a única que tenho no meu celular. Depois checo meus e-mails, o WhatsApp e o chat do Facebook, e só depois que tomo café da manhã é que pulo pro computador e confiro todo o resto.

6. Você acha que existe alguma bala melhor que 7 Belo?
Provavelmente, só não vou lembrar qual agora.

7. Que cor você acha menos confiável?
Laranja, porque é a cor favorita dos publicitários ambiciosos.

8. Qual foi o último filme que você viu e odiou?
Acho que no início desse ano, quando assisti Aliados e foi uma morte horrível. Confesso que esperava bastante de um filme com Marion Cotillard, Brad Pitt e Jared Harris no elenco, ambientado no pós-Segunda Guerra Mundial e que trazia uma mulher como a grande suspeita de espionagem, mas eu me senti desconfortável em toda a sessão, o que foi coroado por aquele final tenebroso, que só faz sentido quando pensamos que a história não faz nenhum sentido at all.

9. Qual animal parece mais simpático, um pato ou um golfinho?
Os dois, não me façam escolher.

10. Toddy ou Nescau?
Nenhum.

11. Você acha que bebês conversam uns com os outros?
Conversar, conversar mesmo, de forma consciente, como naqueles filmes sobre bebês falantes do século passado, não. Mas eu acredito que eles tenham uma forma muito própria de se comunicar entre si, do mesmo modo que se comunicam com a gente – com choro, grunhidos, esse tipo de coisa.

12. Sabia que todo mundo é feito de poeira de estrelas?
Sabia. Acho poético pra caramba.

13. Ouro Branco ou Sonho de Valsa?
Sonho de Valsa, mas só porque não tem outra opção.

14. Qual era seu desenho favorito na infância?
Pokémon, acho, embora tenha tido fases distintas ao longo toda infância. Mas Pokémon foi realmente uma febre na minha vida, então acho que ele acabou sendo meu favorito.

15. Que série você jamais reveria?
Land Girls. A ideia da série, na realidade, é muito boa: contar a história de mulheres que cuidavam das fazendas e do trabalho anteriormente feitos por homens, enquanto seus maridos, irmãos, pais, etc, estavam lutando na guerra. Seria uma série maravilhosa, mas o ritmo dela é péssimo, os dramas são realmente desnecessários, e a trama é realmente cheia de pequenos problemas que, no todo, se tornam quase insuportáveis.

16. Qual personagem do Harry Potter você menos gosta?
Crabbe. Goyle. Tanto faz.

17. Qual é sua opinião sobre barrinhas de cereal?
Na época do colégio, sempre tinha uma dessas barrinhas na bolsa e gostava bastante, mas o costume me fez enjoar da maioria delas, de modo que hoje só como as de banana e olhe lá.

18. Com quem você dividiria um Bis?
Com meu namorado ou alguma amiga, provavelmente.

19. O que você faria se achasse R$ 50 na rua?
Gente, kkk, a vida anda tão ridícula que acho que se achasse cinquenta golpinhos na rua eu realmente ia parar por um minuto e, depois de constatar que era realidade, ia começar a chorar compulsivamente e agradecer o universo pela graça alcançada. Depois, provavelmente gastaria o dinheiro em comida, pois that’s how we roll.

20. Quanto tempo uma comida precisa estar na geladeira para você considerar ela velha?
Depende. Algumas coisas duram mais que outras, então normalmente levo em consideração a aparência, o cheiro e, por fim, o gosto pra decidir se a comida está velha ou não.

21. Qual é seu número preferido?
Já tive vários, mas atualmente é o seis.

22. Qual é o aplicativo mais inútil do seu celular?
O Boomerang, porque não uso essa bosta nunca, seguido pelo VSCO, que só tenho por costume, mas raramente uso.

23. Quem você tiraria do elenco de “Friends” se fosse obrigado?
A maioria das pessoas que responderam essa pergunta responderam o Ross, e eu entendo, mas eu dificilmente o tiraria, porque acho que toda a narrativa dele com a Rachel, embora problemática, precisava acontecer de algum modo. Assim sendo, eu provavelmente tiraria algum personagem secundário, de preferência algum que não fizesse muita falta.

24. Você é contra ou a favor de comer macarrão com arroz?
Nem contra, nem a favor, cada um come do jeito que quiser #pas.

25. Qual foi a última vez que você precisou usar a Fórmula de Bhaskara?
No ensino médio (já faz 84 anos, etc).

26. Você acha que dá para morrer de overdose de rúcula?
Não mesmo.

27. Quanto tempo você levou para entender como funciona o Snapchat?
Pouquíssimo, e realmente queria entender qual era a dificuldade das pessoas em assimilarem o aplicativo. Acho  o insta stories bem mais difícil e bem menos instintivo, mas paciência, tem outros troféu.

28. Qual é sua opção favorita no restaurante por quilo?
Depende muito. Se for um restaurante por quilo com opção de massas, então elas provavelmente serão minhas opções favoritas. Quando não é o caso, acho que palmito e batata frita são as opções que nunca passam batido.

29. Você gosta de “Sorry” do Justin Bieber?
Demais, até hoje.

30. Você prefere passar muito frio ou muito calor?
Prefiro o frio ao calor, mas entre passar muito frio ou muito calor, prefiro passar muito calor.

31. Você está dormindo e sobe uma barata na sua cara. Você prefere continuar dormindo e nunca saber ou acordar e fazer alguma coisa?
Continuar dormindo e nunca saber. Se acordar, a única coisa que vou fazer é gritar, acordar a casa inteira e não dormir nunca mais, então é melhor manter a tranquilidade e não saber o que aconteceu. O que os olhos não veem, o coração não sente, risos.

MEMES

UM MEME PARA FALAR DE DOWNTON ABBEY

Eu comecei a assistir Downton Abbey depois de terminar Call The Midwife, num momento em que a única coisa que eu precisava na vida era uma série que me desse um prazer genuíno de passar horas na frente na televisão, que aquecesse meu coração e me encantasse de um jeito confortável e gostoso como um abraço e um carinho na cabeça, e não necessariamente pela sua complexidade ou viradas cabeludas de roteiro. Downton Abbey faz tudo isso, e quase como um barquinho no meio do oceano, me salvou quando me afogar em incertezas parecia o único jeito de lidar com a vida naquele momento – algo que, ao seu próprio modo e tempo, Call The Midwife também fez; e não é exagero dizer nenhuma dessas coisas. Brinco com minhas amigas que elas criaram um monstro porque, desde então, tenho achado particularmente difícil assistir outras coisas ou falar sobre qualquer outra coisa, ao ponto de ter assistido a série inteira por duas vezes consecutivas e ter iniciado uma terceira na sequência. Nunca disse que sabia lidar com limites.

Hoje foi um daqueles dias em que tudo que eu queria era um abraço gostoso, um carinho na cabeça, ser cuidada e amada de um jeito que precisamos sempre, mas que precisamos em alguns dias mais do que em outros; eu estou de tpm, ansiosa e exausta, e faz pelo menos dois dias que não consigo escrever. Quando a Michas sugeriu que eu adaptasse um meme que ela respondeu no ano passado e falasse sobre Downton Abbey, me perguntei como não tinha pensado nisso antes. Downton Abbey: definitivamente a única solução possível.

1. Seu personagem favorito.
Todos, mas com um pouco mais de força a condessa viúva Violet Crawley. É muito fácil amar Maggie Smith sem que ela precise se esforçar para isso; é muito fácil dizer que ela é um monstro (e ela é!) e nutrir um carinho especial por aquela que sempre será Minerva Mcgonagall em nossas lembranças infantis. Mas existe mais. Violet Crawley é, antes de mais nada, a antiga Lady Grantham, muito antes de Mary, Edith e Sybil sequer pensarem em existir, e Cora sonhar em um dia habitar a propriedade da família ou Downton estar sob o comando de Robert; o que significa que o compromisso de Violet para com Downton e o pequeno vilarejo que cerca a propriedade é imenso. Longe de ser uma figura afável, Violet possui uma compreensão gigantesca sobre o papel e dever de sua família, e não deixa de agir quando acredita que é a coisa certa a se fazer – ainda que esteja profundamente errada. Às vezes, isso significa recorrer a discursos conservadores, mas é incrível como, à medida que a série avança, ela pouco a pouco se torna mais flexível, compreensiva e humana, uma faceta reservada à poucos, é verdade, mas que ainda faz parte de sua personalidade. Uma de minhas cenas favoritas é quando Violet vai ao quarto de Mary e diz que a ama, porque expor-se daquela forma não parece algo do seu feitio, mas elas ainda são uma família, e embora todos sejam muito bons em esconder os próprios sentimentos, ainda se amam profundamente. Entre todas as mulheres Crawley, Violet se sobressai como uma figura complexa, engraçada e extremamente inteligente, que não tem medo de dizer o que pensa ou manipular aqueles ao seu redor para conseguir o que deseja, sobretudo quando precisa defender a honra de sua família.

2. O personagem de que você menos gosta.
Edna Braithwaite. É preciso resistir para não falar sobre O’Brien: embora seja uma mulher odiosa em muitos momentos, acredito que existe mais sobre O’Brien do que acredita nossa vã filosofia; seria muito fácil classificá-la como uma personagem simplesmente horrível, embora ela o seja em 90% do tempo. É mais ou menos o que acontece com Thomas, que faz muita merda ao longo das seis temporadas da série, mas nenhuma dessas merdas existem no vácuo. O que nos leva à Edna – a empregada dos Crawley que começa a dar em cima de Tom, só para depois fingir uma gravidez que nunca existiu. Odeio a forma como ela é petulante, como desrespeita tudo e todos, como é cínica e tenta manipular as pessoas de um jeito completamente horrível e sem escrúpulos. Mas odeio, especialmente, como sua narrativa reforça a ideia da mulher que se utiliza de uma gravidez falsa para se dar bem. Por sorte, as coisas acabam indo de mal a pior, e sua farsa é descoberta. Edna vai embora de Downton com o rabinho entre as pernas para nunca mais voltar, amém.

3. Sua temporada favorita.
Todas, mas em especial a segunda. Ainda que eu goste muito da primeira e da terceira, a segunda é quando as coisas verdadeiramente começam a acontecer, quando a vida de todos é virada de cabeça pra baixo por causa da guerra e quando patrões, criados e todas as pessoas em Downton são obrigadas a mudar seu modo de vida. O casarão se transforma numa casa de apoio onde soldados vão passar um tempo para se recuperar após receberem alta do hospital, e toda a rotina da casa, bem como o mundo em que vivem os Crawley, muda drasticamente. Não é por acaso que, mesmo após o fim do conflito, as coisas jamais voltem a ser as mesmas: eles conheceram um outro modo de vida, conheceram os horrores da guerra, e é impossível voltar a ter a vida como conheciam novamente, como se nada tivesse acontecido.

4. Temporada de que menos gosta.
Nenhuma. Acho que as coisas mudam muito a partir da quarta temporada e, talvez por isso, ela se torne uma temporada mais fraca, quase como uma readaptação: novos personagens passam a ter mais espaço, outros vão embora de forma definitiva, e tudo isso, de um jeito ou de outro, interfere no ritmo da série. Eventualmente, ela volta ao seu curto natural, mas ainda assim, não há como dizer que seja uma temporada ruim: sentimos falta de Matthew, amaldiçoamos os novos pretendentes de Mary; mas ainda é quando Edith começa a finalmente ganhar o espaço que lhe é negado ao longo das outras temporadas e sair da sombra da irmã mais velha, quando acontece o estupro dentro do casarão, e tantos outros acontecimentos que mudam drasticamente os rumos da série e acontecem nesse período.

5. Episódio favorito.
O Especial de Natal da segunda temporada!

6. Episódio de que menos gosta.
Possivelmente o que Patrick – ou, assim ele diz – retorna à Downton, numa tentativa de recuperar aquilo que lhe era de direito: a propriedade, o casamento, o título de nobreza. Amo que essa é uma questão nunca resolvida e Patrick vai embora antes mesmo que fique provado que ele era o falecido herdeiro de Downton.

7. Sua frase favorita.
São tantas! Amo, especialmente, as ditas por lady Violet, talvez a personagem com maior acervo de frases incríveis da ficção, de modo que escolher apenas uma é uma missão quase impossível. Entre minhas favoritas, no entanto, estão: “I’m a woman, Mary. I can be as contrary as I choose”, “never complain, never explain”, “I’m not a romantic but even I concede that the heart does not exist solely for the purpose of pumping heart”, “life is a game where the player must appear ridiculous”, “no life appears rewarding if you thing too much about it” – e chega, risos.

8. Música favorita.
“Did I Make the Most of Loving You?”, dã.

9. Personagem secundário favorito
É difícil falar sobre personagens secundários quando todos os personagens de Downton Abbey são tratados com tanto cuidado e carinho, e possuem jornadas construídas com o mesmo esmero daqueles que seriam, em um primeiro momento, os protagonistas. Gosto muito de como a série não se restringe ao universo da alta sociedade inglesa, mas também utiliza a criadagem como uma parte essencial da narrativa e não personagens secundários como meros assessórios dentro da história. Amo, particularmente, a trajetória de Daisy, que começa como uma jovem inocente e sem família, e pouco a pouco ganha mais autonomia, se torna assistente de cozinha, começa a estudar e se torna uma mulher esclarecida, o que é lindo, lindo de ver.

10. Apresentação favorita de personagem.
Atticus Aldridge. Sua participação na série é bem pequena e restrita, mas acho uma gracinha como ele aparece pela primeira vez, de um jeito completamente aleatório, se oferecendo para carregar as sacolas da Rose num dia de chuva; e os dois riem e conversam e se encantam um pelo outro. A história dos dois é tão linda quanto esse primeiro encontro e fico feliz que eles tenham ficado juntos no final, mesmo que suas famílias fossem tão contra o relacionamento a princípio; a mãe de Rose, por Atticus ser judeu, o pai de Atticus, por Rose não ser judia. As diferenças, contudo, são eventualmente deixadas de lado e os dois vivem felizes, muito felizes, nos Estados Unidos.

11. O personagem que mais se parece com você.
São questões. Gosto de pensar que num mundo perfeito, eu seria a Sybil, com seu jeito revolucionário e doce, absolutamente doce. Parece um jeito totalmente pisciano de encarar o mundo – e de fato, é! -, mas na prática, me enxergo muito mais nas outras duas irmãs Crawley: Mary e Edith. É uma identificação menos óbvia, porque no fundo não sou ipsis litteris nenhuma das duas, mas que ainda existe e vez ou outra bate com força. Contudo, ironicamente, em dois testes que fiz para saber que personagem era, os resultados foram, respectivamente, Carson e Lorde Grantham. Vai entender.

12. Season finale favorita.
A da primeira temporada, quando Lady Grantham perde o bebê, Mary e Matthew desmancham o possível noivado antes mesmo que ele tenha a chance de existir, e a Primeira Guerra Mundial é anunciada – algo que tem um peso gigante pra série. Era o início de tudo, ninguém podia imaginar o que viria a seguir; e eram muitas coisas. Ainda, gosto muito do final da terceira temporada, quando Lorde Grantham, Branson e Matthew celebram os pontos num jogo de críquete. É irônico que, dali pra frente, as coisas descessem tão baixo, mas gosto do contraponto que essa cena faz com todo o resto, numa ironia necessária, ainda que extremamente dolorosa.

MEMES

50 PERGUNTAS

No meu calendário, segundas-feiras não eram dias de memes. Embora eles ainda sejam a salvação dos blogueiros em crise e nem só de textões™ se faça um BEDA, tentei equilibrar a quantidade de memes com o resto de conteúdo. Mas eu tive um dia bosta hoje. Segundas-feiras são um dia bosta pra caralho, por sinal; e depois depois de comer um pedaço de lasanha e duas fatias de pizza, colocar meu pijama e assistir um episódio repetido de Downton Abbey, a última coisa que eu precisava era me preocupar em escrever um texto de duas mil palavras. Esse dia ainda vai chegar, mas não hoje, e de preferência que também não seja amanhã, pelo amor de Deus.

O meme de hoje é um oferecimento de dona Manu, salvadora da porra toda, amém.

1) Qual foi a última coisa que você escreveu num papel?
Meus episódios favoritos da primeira e da segunda temporada de Downton Abbey, pra fazer uma lista depois. #spoiler

2) O que está sempre na sua bolsa?
Carteira, chave do carro, documento do carro, bolsinha com remédios, band-aid, maquiagem se for o caso, espelho e coisinhas de higiene pessoal, uma caneta, um caderninho caso precise anotar alguma coisa, celular, capinha do meu óculos de grau e um tercinho que minha mãe me deu pra me proteger (<3). Se for ficar muito tempo fora de casa, também costumo carregar um livro comigo, mas não é sempre que isso acontece, então não é sempre que tenho um livro na bolsa.

3) O que você costuma pedir num café?
Café ou chocolate quente (se tiver muito, muito quente, peço um chá gelado ou suco ou qualquer coisa assim), bolo ou muffin, e empada se estiver afim de algo salgado. Depende muito do dia – e também do meu humor.

4) Quais websites você visita diariamente?
Facebook, por causa do Valkirias; WordPress pelo mesmo motivo; Instagram e WhatsApp – tanto no celular quanto no computador.

5) Para quem você liga quando está triste/com raiva?
Pra ninguém porque odeio telefone, mas normalmente converso com a Yuu, com a Analu, a Thay, Guilherme, a Michas ou a Manu. De novo, depende muito do dia, do meu humor e também do que aconteceu. Às vezes também converso com minha mãe.

6) De que cor é a sua escova de dentes?
Verde.

(Por algum motivo, as perguntas 7 e 8 desapareceram no além)

9) Você tem piercings?
Não.

10) Qual a melhor época do ano na sua terra?
Gosto muito dos meses de maio e junho, porque costumam ser os mais frios do ano, embora isso nem sempre seja a regra. Também é época de festa junina e quando eu sinto mais disposição pra fazer minhas coisas, além de me vestir infinitamente melhor. Também gosto muito de dezembro, porque é Natal e o clima de fim de ano é algo que gosto demais, demais, demais. Mas nenhuma dessas datas são particularidades da minha terra. Se pudesse dar uma dica, diria para que vocês fujam de Brasília nos meses de agosto e setembro, que são os mais difíceis de sobreviver na capital. De resto, é quase sempre tranquilo e pouco dramático.

11) O que deixa você realmente triste?
Frustrações com a vida, de um modo geral, sejam elas num âmbito pessoal ou de forma mais ampla, como as pessoas horríveis que existem nesse mundo, os passos que nossa sociedade tem dado para trás, esse tipo de coisa.

12) O que deixa você realmente feliz?
Comida, carinho, conversar com minhas amigas, conseguir fazer todas as coisas que preciso dentro do prazo, a natureza, meus bichinhos, Downton Abbey. São coisas pequenas e às vezes meio idiotas, mas tenho cada vez mais tido certeza de que a felicidade está mesmo nas pequenas coisas e não necessariamente no extraordinário – que é maravilhoso, é claro, mas nem só de coisas extraordinárias é feita uma vida.

13) Qual o seu emprego dos sonhos?
Não é nenhuma novidade que meu maior sonho é transformar o Valkirias em um trabalho real, que pague minhas contas e ao qual eu possa me dedicar em tempo integral – ou, ao menos, em horário comercial. Então é ele meu emprego dos sonhos; um sonho que, espero, um dia se torne realidade. Ao mesmo tempo, também tenho o sonho de produzir alguns filmes e poder ganhar algum dinheiro com eles; não ao ponto de ficar milionária ou super famosa, mas o suficiente para continuar fazendo ~minha arte~ numa boa.   

14) Você assina alguma revista?
Não.

15) Qual foi a última coisa que você comprou?
Um oxford vinho.

16) Você gosta de comida chinesa?
Mais do que seria saudável admitir, risos. 

17) Qual foi a última vez em que você esteve numa igreja?
Não tenho o costume de ir à missa, mas de vez em quando vou, porque é algo que me faz bem. A última vez foi esse ano, mas não lembro exatamente quando.

18) Qual foi a última pessoa que fez algo realmente especial para você?
Provavelmente Guilherme, mas tenho a sorte de ter pessoas ao meu lado que estão sempre dispostas a fazer coisas especiais por mim – o que parece loucura e MEU DEUS EU NÃO MEREÇO ISSO, mas graças a Deus essas pessoas existem.

19) Você já esteve em uma ambulância?
Nope.

20) Você consegue enrolar a própria língua?
Sim, mas não como a maioria das pessoas.

21) Quanto tempo leva para se vestir antes de sair?
Gosto de me arrumar com calma e poder aproveitar cada etapa do processo: da escolha da roupa até a maquiagem e o cabelo, quando é o caso. Todas essas coisas demandam tempo, o que na minha vida – e da maioria das mulheres que conheço – é um sonho dourado que só existe na teoria. Na prática, ainda preferimos passar mais cinco minutos na cama ao invés de pular junto com o despertador e começar nossa rotina de beleza. Uma coisa que sempre me ajuda bastante, embora não faça sempre, é escolher a roupa no dia anterior quando sei que não vou ter tempo pela manhã, ou escolher com antecedência no caso de algum compromisso que sei que não vou ter tanto tempo assim pra me arrumar. De todas as etapas, a escolha da roupa é sempre a mais complicada pra mim, e não por acaso já desejei por muitas vezes ter alguém só pra escolher minhas roupas e me vestir. Quando saio à noite, o esquema costuma ser diferente porque normalmente tenho mais tempo, de modo que consigo cumprir cada uma das etapas com louvor.

22) Você fala palavrão?
Com menos frequência do que falava quando era mais nova, mas mais do que muita gente que eu conheço.

23) Você já acampou?
Não.

24) Quantos irmãos você tem?
Três, todos por parte de pai.

25) Qual é o seu nível educacional?
Superior incompleto (ainda).

26) Em quais lugares você já morou?
Até hoje, nunca mudei de cidade, e mesmo de casa foram pouquíssimas vezes: até os três ou quatro anos morei em um apartamento, até os vinte em outro e agora moro numa casa, de onde só pretendo sair quando tiver um lugar pra chamar de meu.

27) Qual a parte favorita do seu corpo?
Meu cabelo.

28) Qual a parte menos favorita do seu corpo?
Meus bracinhos de biscoitera, acho, mas não tenho certeza.

29) Você acha importante celebrar aniversários?
Sem dúvida. Por mais idiota e infantil que possa parecer, aniversários são o único dia do ano em que podemos ser especiais de um jeito completamente infantil e idiota, e poucas coisas são tão maravilhosas quanto se permitir ser infantil e idiota de vez em quando. Ao mesmo tempo, o mundo é terrível demais, chato demais, e um lembrete constante de que não somos tão especiais assim; ninguém é um floco de neve, afinal de contas. Mas acho justo que, em pelo menos um dia do ano, exista a possibilidade de sermos esse floco de neve, de celebrarmos a vida como ela é ao lado das pessoas que amamos e que nos amam de volta. Levo aniversários muito a sério e queria que mais pessoas os levassem também.

30) Você tem roupas da sua infância?
Sim! Minha mãe guardou algumas roupas, sapatinhos e mantas de quando eu era bebê, e ainda que muita gente ache a coisa mais sem critério do mundo guardar esse tipo de coisa, sempre fico encantada de saber que um dia eu coube naquelas roupinhas tão lindas, que minha mãe me carregou em seu colo usando aquele body branco com detalhes azuis, e tenho um carinho muito grande por todas essas pecinhas.

31) Uma coisa ruim sobre ter um blog?
A exposição que às vezes pode ultrapassar a linha do aceitável, a possibilidade de alguém que não queiramos lendo sobre a nossa vida, esse tipo de coisa. Mas acho que é o preço.

32) Quantos copos de água você bebe por dia?
Tento beber – com algum esforço – pelo menos 1L de água por dia. Às vezes bebo mais, dependendo do dia, mas no geral é isso mesmo.

33) A que horas você vai dormir?
Quando consigo manter uma rotina saudável, tento deitar por volta das 23h, que na minha cabeça parece um horário razoável pra largar o celular e sossegar, enquanto espero o sono vir. No entanto, com a loucura que anda minha vida nesses últimos dias, quase sempre tenho ido dormir pra lá da 1h da manhã e ainda assim com alguma dificuldade.

34) Matérias preferidas na escola?
Biologia, Inglês e Redação.

35) Batata frita ou doces?
Depende do doce, mas quase sempre batata-frita.

36) Último filme que você assistiu:
O Filme da Minha Vida, do Selton Mello.

37) A coisa mais romântica que você já fez:
Gente, eu sou a pessoa menos dada a gestos de romantismo que vocês vão conhecer nessa vida, então provavelmente alguma carta que escrevi pra Guilherme quando começamos a namorar ou cozinhar pra ele, sei lá. Realmente sou uma péssima namorada.

38) O presente ideal para alguém que se hospeda na sua casa levar:
Alguma coisa bonitinha, que me faça lembrar da pessoa quando ela for embora. Ou comida. Comida é sempre uma boa opção.

39) Qual a idade do seu pai?
57, acho.

40) Você já saiu no jornal?
Já! Primeiro foi meu nome, quando passei no vestibular; depois meu rosto, na propaganda do colégio.

41) Uma citação favorita?
Tenho um caderno inteiro de citações e é sempre um troço complicado escolher uma favorita, porque são muitas, cada uma com um significado. No momento, tenho vivido de modo a me aproximar mais das minhas raízes e do passado da minha família, e principalmente a marca que deixamos no mundo, algo que ignorei por muito tempo, então a primeira frase que pulou na minha cara foi uma do Walter Benjamin, que diz que “habitar é deixar rastros”. Eu acredito bastante nisso, e espero cada vez mais poder ter consciência do tipo de rastro que estou deixando no caminho.

42) Qual a sua cor de esmalte favorita?
Vermelho e nude; preto quando me sinto um pouco mais gótica.

43) Em quem você se inspira?
Em bastante gente. Minha mãe é minha maior inspiração, porque é a mulher mais incrível que eu conheço e tenho um orgulho danado por poder chamar essa mulher de mãe; mas também me inspiro um bocado nas mulheres da minha família, no meu avô, nas minhas amigas, em alguns professores, e algumas pessoas famosas, porque lógico.

44) Você é vaidosa?
Bastante, mas essa é uma parte da minha personalidade que às vezes fica escondida em meio ao caos que virou minha vida. Sou uma pessoa vaidosa, mas não faço a unha com frequência, mas morro de preguiça de passar creme, mas vivo saindo de casa sem maquiagem, mas tenho preguiça de pentear o cabelo, mas faz pelo menos três meses que não faço a sobrancelha, mas amo sair de moletom por aí e meu sonho dourado era tornar o pijama uma roupa de verdade e não só um troço que a gente usa pra dormir. Amo me sentir bonita, me arrumar, usar roupas bacanas, mas às vezes a preguiça vence e tudo bem.

45) Existe algo que você gostaria de comprar mas ainda não teve a oportunidade ou dinheiro?
Copiando a resposta da Manu, porque essa mulher sou eu em outro corpo: don’t even get me started.

46) Como foi seu noivado?
Pra responder como foi meu noivado, eu primeiro preciso NOIVAR, algo que não vai acontecer por pelo menos os próximos dois anos.

47) Você prefere comprar roupas, bolsas ou sapatos?
Depende muito. Já tive uma fase de praticamente não comprar roupas, mas ter um armário lotado de sapatos; já tive fases de comprar um milhão de roupas e usar sempre os mesmos sapatos, etc etc. Hoje vivo o momento mais equilibrado desde que comecei a ganhar meu próprio dinheiro e pagar pelas minhas roupas e pelos meus sapatos; um nível de maturidade que só fui reconhecer de verdade quando experimentei uma saia, amei, mas deixei ela na loja porque sabia que não precisava tanto assim e que, pelo preço, talvez não compensasse levar uma peça que no fundo eu não precisava. Bolsas, por outro lado, não podia me importar menos. São belas, interessantes, mas não é algo com o qual costumo gastar muito dinheiro. Normalmente uso as mesmas bolsas por anos, até que elas comecem a se desintegrar de vez, e só então compro uma nova como substituta. Ironicamente, tenho MUITAS bolsas, bem mais do que preciso, e é algo que me dá uma aflição imensa: ainda que eu gostei muito de todas elas, o fato de ficar acumulando tralha realmente me dá nos nervos.

48) Você se sente jovem ou velha para a sua idade?
Tenho 84 anos.

49) Quais são os seus maus hábitos?
Dormir muito tarde, não praticar exercícios físicos, procrastinar, aceitar mais trabalho/compromissos/obrigações do que posso arcar.

50) O que você vai fazer quando terminar de responder a essas perguntas?
Assistir um episódio de Downton Abbey e dormir porque amanhã tenho aula e não aguento mais ficar na frente do computador, risos.

MEMES

POR QUE EU ESCREVO

Em 2015, a Sofia e a Anna Vitória responderam algumas perguntas inspiradas no “Why I Write”, uma espécie de meme sobre escrita que circulou entre alguns blogs gringos naquele ano e que a Sofia gentilmente decidiu traduzir para o português. Foi mais ou menos na mesma época que comecei a me aventurar por outros tipos de escrita que não dependiam tanto da minha vida como matéria prima – pelo menos, não de um jeito óbvio – e explorar outras formas de contar histórias, de colocar uma letra depois na outra do papel ou na tela, e transformar aquilo em algo completamente novo. Começar a ler sobre escrita e me interessar pelo processo criativo dos outros, mais até do que pelo resultado final, foi um processo natural e que continua acontecendo até hoje. É por isso que fico feliz por responder essas perguntas só agora, e não em 2015, como tive vontade de fazer: não porque eu não soubesse respondê-las naquele momento, mas porque as respostas de hoje farão sentido por muito mais tempo, mesmo que eventualmente eu diga o contrário.

1) O que eu ando escrevendo?
Muita coisa – o que, basicamente, significa que quando não estou dormindo, comendo ou suprindo qualquer outra necessidade do meu corpo, eu possivelmente estarei escrevendo ou fazendo pesquisa/lendo/assistindo algo para escrever alguma coisa, o que dá praticamente no mesmo. Na maior parte do tempo, tenho escrito textos para o Valkirias, que é, e sempre será, minha maior prioridade. A maioria desses textos, no entanto, exige bastante pesquisa, reflexão e cuidado, além de imersão em alguma obra, quando é o caso, o que quase sempre significa que, entre a ideia e o texto pronto, existe um longo caminho, e é por isso que quase sempre meus textos demoram tanto pra sair. No momento, estou trabalhando na crítica de O Filme da Minha Vida, do Selton Mello, e no texto sobre Minha Vida Fora dos Trilhos, da Clare Vanderpool, mas eventualmente surgirão outros, porque é assim que a banda toca por lá. Além dos textos que publicamos diariamente, as redes sociais do site também são atualizadas por nós, editoras, de modo que somos nós que escrevemos os textos que acompanham as publicações – o que também exige cuidado, tempo e alguma pesquisa. Esse não é meu formato favorito (#TeamTextão) (minha carreira como social media foi morta e enterrada), mas gosto como essas pequenas notas e notícias exigem uma agilidade que normalmente não tenho quando escrevo.

Por causa da faculdade e de projetos paralelos, também tenho escrito alguns roteiros e me debruçado sobre outros mais antigos, numa tentativa de melhorar essas histórias. Todos são projetos de ficção, um gênero que gosto bastante, mas que não exploro com tanta frequência. Por motivos óbvios, o formato de roteiro me deixa muito mais confortável para explorar o gênero e colocar no papel as histórias malucas que surgem na minha cabeça; e é o que tenho tentado fazer desde o semestre passado. Contudo, pra não dizer que esse é o único formato que me permito explorar, também tenho trabalhado (em passos de formiga, mas bear with me) em uma história cujo formato não é roteiro, mas sim, literário. É um desafio imenso e não sei se desse mato sai algum coelho, mas eu precisava começar por algum lugar e é isso que tenho feito. Quando sobre algum tempo, também tento contribuir com projetos de outras pessoas e escrever para outros sites, plataformas ou publicações. No momento, minhas prioridades nesse sentido são três textos sobre cinema – dois artigos e uma crítica – para duas publicações e um site, respectivamente.

Ademais, continuo a escrever no blog sobre a minha vidinha sem graça e registrar minhas memórias, impressões e outras obsessões irrelevantes – o que, se tudo der certo, continuarei a fazer pelos próximos 27 dias (risos nervosos).

2) Como minha escrita se diferencia de outras do gênero?
Não faço a menor ideia. Por muito tempo, essa foi uma questão que me assombrou, em partes porque não conseguia analisar minha escrita a uma distância segura, mas sobretudo porque tinha absoluto pavor de descobrir que minha escrita não passava de uma caricatura das minhas referências. Hoje, embora não tenha muita certeza sobre a minha voz dentro do texto, tenho muito mais segurança sobre aquilo que escrevo e consigo me enxergar ali de algum modo. Ao mesmo tempo, uma coisa que ouço com certa frequência é que minha escrita é sempre muito carregada de sentimentos, emoção e vulnerabilidade, o que faz com que essas pessoas também consigam me enxergar ali de alguma forma e reconhecer um texto de minha autoria a léguas de distância. Ouvir isso me dá a certeza de que, apesar dos tropeços, eu ainda estou no lugar certo, fazendo a coisa certa, e é isso que me faz continuar colocando uma palavra depois da outra. Belo será o dia que eu não precisar da validação externa para me sentir confortável em dizer que sou uma pessoa que escreve em voz alta, mas enquanto isso não acontece, me contento com a beleza e a preciosidade da opinião alheia.

3) Por que eu escrevo?
Já disse uma ou duas vezes, mas escrevo, principalmente, por necessidade; não financeira – ao menos, não ainda -, mas para colocar meus pensamentos em ordem, entender o que está acontecendo ao meu redor e concretizar coisas que até então só estão na minha cabeça. Ao mesmo tempo, sou uma pessoa obcecada por registros e memórias, o que significa que a escrita também foi uma forma que encontrei de registrar minhas lembranças e impressões sobre o mundo, sobre o que acontece ao meu redor, mas principalmente dentro de mim, quase como uma tentativa de encontrar um sentido em tudo isso. Não venho de uma família de pessoas preocupadas em manter o passado vivo, menos ainda registrado, de modo que tomei para mim essa função de desenterrá-lo e mantê-lo vivo; e escrever sobre o presente também é uma forma de fazê-lo. A ficção, por outro lado, é um reflexo de tudo isso: ainda que aquelas histórias não sejam exatamente sobre mim, elas são parte de mim, e projetam aquilo que eu sou, quero ser, etc etc.

Existem duas citações sobre isso, ainda, que resumem muito bem os motivos pelo qual escrevo. A primeira delas é da Elena Ferrante, que numa entrevista ao El País, disse que “as mulheres escrevem muito, e não tanto por profissão, mas por necessidade. Recorrem à escrita sobretudo em momentos de crise, e o fazem para se explicarem a si mesmas. Há muitas coisas de nós que não foram contadas até o fundo ou que simplesmente não foram contadas, e acabamos descobrindo isso quando a vida de cada dia se turva e sentimos necessidade de pôr ordem”. A segunda é da Lena Dunham, que escreve, na introdução de Não Sou Uma Dessas, o seguinte: “Não há nada mais corajoso para mim do que uma pessoa anunciar que sua história merece ser contada, sobretudo se essa pessoa é uma mulher. Por mais que tenhamos trabalhado muito e por mais longe que tenhamos chegado, ainda existem muitas forças que conspiram para dizer às mulheres que nossas preocupações são fúteis, que nossas opiniões não são relevantes, que não dispomos do grau de seriedade necessário para que nossas histórias tenham importância. Que a escrita pessoal feminina não passa de um exercício de vaidade e que nós deveríamos apreciar esse novo mundo para mulheres, sentar e calar a boca”. Eu acredito na escrita como uma forma de resistência, e é como uma forma de resistir a esse mundo que nos engoliria com sal e limão se pudesse, que eu continuo a escrever.

4) Como eu escrevo?
Normalmente, escrevo no Word, no Google Docs ou direto no WordPress; exceto roteiros, que prefiro escrever no Celtx, porque me permite pensar mais na história e menos na formatação. É muito difícil que eu escreva no papel, muito embora tenha sido assim que comecei a me aventurar na escrita, ainda na infância (quando escrevi um manual com recomendações da minha mãe, risos eternos), mas quando acontece, costuma ser fora de casa, quando não tenho nenhuma outra forma de anotar alguma ideia, o início de um texto, ou pontos importantes que preciso abordar numa crítica ou resenha e não quero correr o risco de esquecer. Fora isso, também gosto de escrever listas, prazos e algumas ideias no papel porque ainda me parece algo mais concreto do que um arquivo perdido no computador.

5) Como supero bloqueios criativos?
Não supero. Um dos meus maiores problemas com a escrita, especialmente a escrita profissional, que precisa cumprir prazos, respeitar demandas, etc, era minha dependência da famigerada inspiração. Seria incrível poder escrever textos sempre inspirados, incríveis, cheios de sacadas geniais? Seria. Mas isso não existe na vida real, de modo que quando tenho algum bloqueio, tento entender porquê ele está ali – porque quase sempre não se trata apenas de um bloqueio criativo no vácuo, mas uma porção de outras coisas que acabam gerando esse bloqueio – e só então buscar uma forma saudável de conviver com ele. Nos últimos anos, minha alternativa não tem sido superá-los, mas aprender a trabalhar apesar deles. Algo que sempre me ajuda é me afastar um pouco do texto, dar uma volta, tomar um café, brincar com meus bichos, conversar com algumas pessoas, assistir um episódio de Downton Abbey e só então voltar. Às vezes, os bloqueios só aparecem porque estamos exaustas e é preciso reconhecer a hora de parar um pouquinho. Tempo é um troço precioso e não adianta nada ficar frustrada na frente do computador se você pode usar seu tempo pra outra coisa no meio tempo.

No entanto, quando isso não é possível, aprendi com a Lauren Graham que o segredo não é tentar fazer um milhão de coisas ao mesmo tempo, nem estabelecer metas semi-impossíveis, mas trabalhar com algo que seja realmente possível. Você nunca vai conseguir escrever três textos em um único dia, então que tal ficar feliz se conseguir terminar um só? Para se sentir menos frustrada, a Lauren tem um método chamado Cronômetro de Cozinha (risos eternos), que basicamente consiste em marcar uma hora num cronômetro desses que a gente usa na cozinha – daí o nome (mas também pode ser o cronômetro do celular ou o que você quiser) – e, no tempo que o cronômetro estiver contando, você não fazer absolutamente nada além de… escrever. Ou não escrever absolutamente nada, se for o caso. O mais importante nesse método é você ter a certeza de que aquele tempo foi gasto exclusivamente no seu projeto e que se nada saiu, não foi culpa sua ou de todas as distrações que inevitavelmente surgem quando decidimos começar alguma coisa. Não é algo que uso com frequência, mas funciona sempre que preciso. Contudo, a lição mais importante que aprendi com a Lauren é que não dá pra trabalhar em cima de nada. Expectativa e medo são duas coisas que me bloqueiam fortemente, e às vezes é difícil começar um texto que te assombra e encanta na mesma medida. Mas ninguém consegue trabalhar o nada. Você pode editar, melhorar, trocar a ordem e as palavras de um texto escrito, mas não pode fazer isso se tiver apenas uma página em branco. Então, o mais importante ainda é escrever, escrever e escrever mais um pouco. A done something is better than a perfect nothing, e é a tentativa, no final das contas, que vai nos levar a algum lugar.