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TOO COOL FOR SCHOOL

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Abraçando o overshare

Vira e mexe alguém me pergunta se não é incômodo ou meio esquisito esse negócio de compartilhar a vida na internet. Sempre fico sem saber o que responder, especialmente porque, na maioria das vezes, quem pergunta não está realmente interessado numa resposta, mas em dar sua opinião. Eu jamais aguentaria expor minha vida desse jeito, é o que eles normalmente dizem, enquanto eu sorrio e aceno de um jeito mais ou menos simpático. Escrever sobre a própria vida e permitir que outras pessoas tenham acesso é, como qualquer outra coisa na vida, bom e ruim. Na maior parte do tempo, o bom pesa muito mais, e é por isso que continuo fazendo isso – ainda que o ruim também exista. É esquisito e às vezes incômodo, mas é incrível pra caramba na maior parte do tempo.

Na semana passada, conversando sobre isso com Guilherme, descobri que ele também acha meio desconfortável esse negócio de namorar alguém que não apenas escreve, mas que expõe, em alguma medida, a própria vida na internet, e eu entendo, da mesma forma que ele me entende e respeita de volta; que é o que importa, no final das contas. Muita gente diz que minha escrita é, ao mesmo tempo, muito pessoal e muito sentimental, e eu concordo. Ainda existem barreiras, é claro, mas elas são muito tênues e são muito mais uma orientação do que, necessariamente, um muro intransponível. Me expor um pouco além da conta é o preço. Tenho certeza que, depois de descobrir e ficar horrorizado com a existência do Gato Curioso (Deus tenha misericórdia da alma inocente do meu homem) (me sigam), ele certamente teria um ataque com a ideia de um post que não serve pra nada – absolutamente nada – além de expor fatos aleatórios sobre a minha pessoa e minha vidinha sem graça, mas ainda bem que a Pessoa Que Escreve™ nessa relação ainda sou eu, risos.

1. Embora não me importe com o fato de ter cabelos brancos, me incomoda profundamente a necessidade que as pessoas têm de me lembrar que eles estão ali. Eu já sei, disso. Eu me olho no espelho todo santo dia, pelo menos duas vezes ao dia. Eu realmente não preciso que ninguém me lembre da existência deles o tempo inteiro.

2. Quando era mais nova, as pessoas costumavam dizer que eu era parecidíssima com meu pai. Hoje, elas costumam me achar mais parecida com minha mãe.

3. Pijama é um dos meus presentes favoritos da vida, ainda que eu dificilmente vá usá-los. A verdade é que, em casa prefiro dormir com camisetas imensas e meio velhas, quase sempre roubadas do guarda-roupa de Guilherme, e um shortinho xexelento de mil anos atrás já até ganhou pernas e passeia sozinho pela casa, como minha mãe costuma dizer. Pijamas só são usados quando durmo fora de casa ou quando viajo com pessoas que não estão acostumadas com meus trajes pouco convencionais.

4. Entre as coisas que mais odeio sobre a megalomania da Marvel, a principal é a nova abertura dos filmes, que sintetiza muito bem o conceito de: farofa. Kevin Feige claramente perdeu completamente a noção do ridícula e agora só nos resta sentir saudade das páginas passando que eram suficientes para fazer nossos corações sofredores baterem mais forte.

5. Já dormir falando no telefone, risos.

6. Um dos incisivos (?) centrais (???) precisou de ajuda para nascer. A verdade é que meus dentes são relativamente grandes e, quando os dentes de leite começaram a cair, o incisivo – qual é realmente uma questão – decidiu que não daria conta de nascer sozinho. Foi preciso que minha mãe me levasse ao dentista para resolver a situação, mas hoje todos os envolvidos passam bem e, embora meus dentes estejam longe de serem perfeitos (dois anos de aparelho pra nada, etc etc), eu gosto bastante de todos eles.

7. Adoro conversar sozinha na frente do espelho e dar entrevistas na hora do banho ou quando estou dirigindo sozinha. A maioria dessas conversas são feitas em inglês, risos.

8. Foi só no ano passado que comecei a tomar café de verdade, num misto de desespero para me manter acordada e vontade. Hoje não consigo viver sem, ao ponto de sentir falta quando fico muito tempo sem beber um cafézinho sequer. Além disso, uma das minhas horas favoritas do dia é, justamente, quando paro para tomar café – seja de manhã, após o almoço ou no final da tarde.

9. Passei a maior parte da minha vida morando em apartamento, o que significa que toda a minha infância foi vivida embaixo do prédio e boa parte das minhas primeiras amizades e memórias foram construídas ali. Uma das minhas brincadeiras preferias nessa época era tocar campainhas aleatórias e sair correndo depois. Em uma dessas vezes, no entanto, eu toquei a campainha e, em algum momento entre tocar e sair correndo, acabei fazendo xixi no corredor. Não foi a primeira vez que fiz xixi na roupa e fora de casa, porque achei mais fácil prender do que correr de volta pra casa ou pedir para ir ao banheiro. Aos seis anos, na escola, fiz xixi no meio da aula e me molhei inteira na frente de todos os meus colegas porque fiquei com vergonha de pedir para a professora para usar o banheiro. Lembro como se fosse ontem de ser levada pra casa mais cedo pela minha mãe, que teve que sair correndo para me buscar e trocar minha roupa, e da minha professora dizendo que eu não precisava ter vergonha, que era só pedir da próxima vez e tudo bem. Curiosamente, tive bem menos vergonha de estar mijada do que de pedir permissão – o que diz muito sobre a pessoa que eu sou até hoje -, e mesmo que meus colegas nunca tenham esquecido essa história, nunca me incomodei quando ela era desenterrada – pelo contrário.

10. A primeira vez que fui ao cinema sozinha foi no mês passado, numa cabine para imprensa do novo filme do Selton Mello. Foi uma experiência realmente incrível – eu e a tela, completamente sozinhos, embora existissem outras pessoas na sala – e o tempo todo me perguntei por que diabos não tinha feito aquilo antes; uma pergunta pra qual eu sei exatamente a resposta, mas que não vem ao caso agora.

11. Minha primeira grande festa de aniversário aconteceu quando eu fui fazer três anos. O tema foi Branca de Neve e Os Sete Anões e eu me vesti de Branca de Neve, com direito a diadema e vestido de baile, e dancei a noite inteira, literalmente. Aos quatro e aos cinco anos eu me vesti de Cinderela e Bela, respectivamente. A partir daí minha mãe cansou, o dinheiro acabou, e minhas festas de aniversário deixaram de ter temas definidos.

12. Sinto cheio de sangue com MUITA facilidade – o que normalmente me faz parecer muito esquisita aos olhos da maioria das pessoas. Nada como dizer “mas que cheiro de sangue é esse?” para as pessoas começarem a te olhar torto e trocarem de calçada, risos.

13. Ainda sobre cheiros, álcool e água sanitária são dois que me incomodam profundamente; me lembram hospitais e, consequentemente, todas as injeções que já tomei nessa vida.

14. Um dos meus sonhos megalomaníacos é dirigir um filme de super-herói. Sempre me sinto meio idiota quando falo isso porque as pessoas normalmente encaram como um sonho distante e impossível, mas ainda que seja, de fato, distante e semi-impossível, a dificuldade não me faz abrir mão de… sonhar. No mais, sonho em conseguir ganhar dinheiro suficiente para me sustentar produzindo/dirigindo filmes independentes e de orçamento mais modesto, escrever um livro, ter um filho, e fazer um mestrado (e, posteriormente, um doutorado).

15. Nunca trabalhei em set de longa-metragem. Todos os filmes que fiz até hoje foram curtas e quase sempre fiquei em funções como direção de arte, fotografia ou assistente de direção.

16. Se em Hogwarts estivesse, eu veria testrálios; cavalos alados de corpo esquelético que são invisíveis para a maioria das pessoas. Não é preciso que eu diga o que vê-los significa: quem é fã ou simplesmente assistiu aos filmes certamente sabe o que separa as pessoas que veem essas criaturas das que não os veem ou simplesmente supõe que as carruagens que levam os alunos de Hogwarts até o castelo são puxadas por… nada.

17. Downton Abbey foi a única série que consegui assistir do início ao fim mais de uma vez. Além dela, também recomecei Penny Dreadful e Call The Midwife, mas não cheguei a terminar nenhuma. Friends, Supernatural e Gilmore Girls são outras duas séries que já assisti episódios repetidos, mas só no modo aleatório.

18. Antes de ter um blog pessoal e dividir um site sobre cultura pop com minhas amigas, já tive outros dois blogs de moda e dividi um blog – também de moda – com uma outra amiga. Hoje não me importo com moda tanto quanto antigamente, mas ainda é um assunto que me interessa em algum nível, especialmente enquanto forma de expressão e identidade, e como elemento capaz de contar histórias inteiras por conta própria.

19. Quando era criança, pensei algumas vezes em me tornar freira, quase sempre inspirada pelas novelas mexicanas ou pelos filmes água com açúcar que eu assistia na época. Nessas histórias, as freiras sempre eram mocinhas lindas e adoráveis, que se apaixonavam por homens lindos e igualmente adoráveis, que se apaixonavam por elas de volta, mas não podiam viver esse amor por motivos óbvios. A ideia de viver um amor proibido sempre me pareceu muito atraente e até hoje essas são histórias que me fascinam, ainda que na prática eu não deseje de modo algum viver algo parecido.

20. Não costumo assistir muitos filmes de terror com frequência – em partes, porque me impressiono muito fácil e odeio sentir medo -, mas tenho um interesse muito particular pelo terror enquanto gênero e pela mitologia por trás dessas histórias. É um interesse muito particular e meio esquisito, porque me aproxima e repele ao mesmo tempo, mas bastante real.

21. Minha personagem favorita de Orgulho e Preconceito é Jane Bennet; em partes, porque me identifico muito com ela, mas principalmente por ser um exemplo de como não é preciso que uma personagem feminina tenha uma língua ferina ou chutar bundas – metafórica ou literalmente falando – para ser considerada incrível. Jane é doce, delicada e carinhosa, uma mulher que enfrenta os problemas que surgem em seu caminho com muita calma, mas ainda com a cabeça erguida, mesmo que esteja profundamente machucada, e que sempre busca ver o melhor nas pessoas – muito mais do que muita gente consegue fazer. Elizabeth é uma mulher igualmente incrível, ao seu próprio modo, e muitas vezes fiquei chateada quando meus testes para saber quem eu seria num romance de Jane Austen sempre davam a Jane Bennet, Jane Bennet, Jane Bennet. Hoje, no entanto, sei que se numa história escrita por Jane Austen eu vivesse, Jane Bennet seria com muito orgulho e amor.

22. Ultimamente, tenho tido o sonho dourado de fazer um a dois filmes por ano e me sustentar com o dinheiro deles, vivendo em uma casinha no meio do mato, com piso de taco, um monte de livros e lareiras para esquentar. Também queria ter uma criação de bichos, uma horta e me alimentar das coisas que a natureza… dá. Parece meio idiota quando a gente fala assim – e talvez até seja -, mas diferente de quando eu era mais nova e sonhava em viver na Cidade Grande, cada vez mais esse ritmo insano e essa obsessão pelo consumo tem me deixado esgotada, e eu não quero, de modo algum, viver essa vida. Ao mesmo tempo, não quero criar meus filhos dentro dessa bolha em que o celular que você tem é mais importante do que a pessoa que você é. Deus me livre viver sem internet, ou Netflix, ou meus filmes, minhas séries, minha câmera e um vídeo game, mas tudo nessa vida tem limite e eu realmente gostaria de ensinar pros meus filhos o que realmente importa, antes de soltar meus passarinhos para voarem por aí. (Contei essas coisas pra minha mãe e ela me olhou com horror, certa de que sua filha, seu bebê, estava fumando alguma coisa nas horas vagas, risos.)

23. Eu sou uma pessoa bastante contraditória, que acredita em várias coisas ao mesmo tempo, e que muda de opinião com certa facilidade. Não é algo que me incomode particularmente, mas às vezes tenho medo de que isso me faça parecer fraca. Ou influenciável. Ou sem personalidade, falsa e mentirosa.

24. Meu primeiro show sem a presença de um adulto responsável foi do Nx Zero, em 2007. O show foi organizado por alguns amigos da minha prima – que na época tinha 22 anos, mas estava longe de ser responsável – e me deixou livre, leve e solta para curtir o show com meus amigos na época. Eu estava doente, com a garganta inflamada e febre, mas foi um dia memorável, que eu curti como se fosse estar morta no dia seguinte. Ironicamente, foi mais ou menos isso que aconteceu e na segunda-feira, lá estava eu no hospital, com a bunda dolorida depois de tomar injeção. Bons tempos, risos.

25. Sempre gostei muito de história, mas tenho estado particularmente obcecada por ela desde que passei a consumir mais produções de épocas mais recentes – mas nem tão recentes assim – e adquirir a consciência de que muitos dos fatos históricos apresentados na tela foram vividos, de algum modo, por pessoas que fazem parte da minha história pessoal. Adoro assistir Downton Abbey e pensar que a série se passa mais ou menos na época em que meu avô nasceu, e termina dois anos antes do nascimento da minha vó; ou Call The Midwife, em que a última temporada foi ambientada mais ou menos no ano do nascimento da minha mãe. Ao mesmo tempo, gosto de pensar que minha história começou ali, com aquelas pessoas, e que se não fossem elas, não seria eu, e acho bonito como a vida simplesmente acontece e vai se desenrolando, como um novelo, construindo histórias e mais histórias em diferentes épocas e contextos. Desculpa ser tão brega.

 

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25 coisas que vocês provavelmente não sabiam sobre mim

É uma verdade universalmente conhecida que a base dos blogs pessoais é o overshare. Não importa se você faz a linha mais reservada ou 100% dunhanesca, em algum momento você vai se perguntar se não está compartilhando mais do que é realmente necessário, só para constatar que sim, é claro que está, mas tudo bem também porque ninguém se importa. Não é como se alguém fosse ser preso ou qualquer coisa assim. Em três – acho – anos de blog, eu já compartilhei um bocado sobre a minha vida e, por mais que algumas partes continuem aqui apenas nas entrelinhas, elas estão ali de algum modo, o que me faz pensar que o blog é exatamente aquilo que eu quis que ele fosse desde o início: o registro mais honesto possível da minha vida. Se falhei miseravelmente com a fotografia, pelo menos com a escrita ainda dá pra registrar aquilo que nem sempre a memória sozinha dá conta.

O negócio é que, entre uma postagem e outra, muita coisa acaba se perdendo no meio do caminho e eu sempre fico com a impressão de que, embora fale um bocado sobre coisas infinitamente pessoais, nem sempre vocês sabem daquilo que é mais bobinho, mundano. Em outras palavras, é como se eu compartilhasse todas as viagens à Viena, mas nunca as festinhas de aniversário, risos. Pensando nisso – e aproveitando a falta de pautas, pois lógico – decidi compartilhar com vocês alguns fatos aleatórios sobre mim e que vocês provavelmente ainda não sabiam que existiam. Nada de muito interessante, mas espero que vocês gostem mesmo assim.

1. Eu nasci e sempre morei em Brasília, e até hoje só me mudei de casa duas vezes: uma entre os três ou quatro anos e outra aos vinte. Eu também só estudei em dois colégios ao longo da minha vida, o que é muito pouco perto da maioria das pessoas que conheço – e talvez essa estabilidade tão grande seja, em partes, o motivo de muitas questões que eu tenho hoje sobre a vida, o universo e tudo mais.

2. Minha família é dona de uma pequena criação de gado no interior e por volta dos meus 20 anos eu ganhei uma vaquinha pra chamar de minha, risos. Por algum motivo, eu nunca dei um nome pra ela (péssimo, eu sei), mas hoje não tenho nem coragem de chegar perto dela pois a bichinha cresceu e agora é uma das vacas mais bravas que já se teve notícia por aquelas bandas. Pois é.

3. Eu não sei assobiar e nunca aprendi a fazer estrelinha.

4. Quando eu era mais nova, um dos meus maiores sonhos era parar de crescer e ser baixinha como minhas amigas, tão mais lindas do que eu. Hoje eu tenho 1.73 de altura, conheci uma porção de meninas altas e maravilhosas, e não trocaria minha altura por nada nesse mundo (inclusive, não me importaria nem um pouco de crescer um ou dois centímetros mais).

5. Eu fui aprovada no meu primeiro vestibular aos 17 anos, no meio do último ano do colegial pra um curso “x” que eu só escolhi porque o professor disse que as chances de passar eram altas. Como minhas notas eram boas, fiz alguns trabalhos e pude pegar meu diploma antes dos meus colegas. De lá pra cá, eu já passei em outros dois vestibulares – um pra contabilidade e outro pra comunicação, que é o que eu estudo hoje.

6. Eu nunca viajei pro exterior. Sad but true.

7. Meus pais se separaram quando eu tinha menos de dois anos, mas sempre tiveram uma relação muito boa entre si e nunca precisaram brigar por nenhum motivo. A ausência do meu pai também nunca foi um problema pra mim. Minha mãe nunca deixou que nada faltasse na minha vida e, se por um lado, a presença do meu pai na minha vida sempre foi mais restrita (não por imposição de ninguém, só porque a vida aconteceu mesmo), por outro, eu sempre tive a figura do meu padrasto como referência já que ele e minha mãe estão juntos desde que eu tinha quatro anos.

8. Minha casa em Hogwarts sempre foi a Corvinal, até que no último teste do Pottermore eu fui jogada na Sonserina. Ainda é uma realidade que preciso aprender a lidar, embora tenha começado a gostar da casa com o tempo (só não o suficiente para me sentir parte dela, risos). Em Ilvermorny eu sou Thunderbird. Já meu patrono é um blackbird. Minha varinha vocês vão ter que perdoar, mas eu realmente não lembro qual é.

9. Nunca levei uma multa de trânsito, mas já bati o carro algumas vezes. A mais grave foi um dia, chegando na faculdade, quando eu sem querer não vi uma moto e acabei entrando na frente dela. Ninguém se machucou, mas tanto a moto quanto meu carro ficaram bem destruídos.

10. Eu tenho uma pasta no meu computador e outra no Pinterest só pra guardar foto de comida. Bless my little heart.

11. Quando eu tinha 14 anos, inventei de pintar o cabelo de loiro. Foi, muito provavelmente, a coisa mais idiota que eu já fiz com meu cabelo e na semana seguinte eu já estava morena de novo. Ainda pretendo ficar loira de novo em algum momento, mas de preferência que eu faça isso direito na próxima, risos.

12. O primeiro filme que eu assisti no cinema foi A Espada Mágica, sozinha com minha mãe porque meu primo (que tem a mesma idade que eu) ficou com medo quando descobriu que o cinema era escuro, risos. O segundo filme foi Mulan, com minha mãe e meu padrasto, numa sala no subsolo (!) do cinema que eu frequento até hoje – e que, a propósito, é onde tem a melhor pipoca de Brasília. Não é preciso dizer, mas os dois filmes são favoritos até hoje.

13. Minha mãe tem o costume de me chamar de Xú – um apelido que pegou na minha família e também entre algumas amigas mais antigas e é assim, aliás, que meu JG me chama. Na internet, as pessoas me chama de Sharon, um apelido dado gentilmente pela minha versão loira de olhos azuis. Fora isso, as pessoas normalmente me chama de Ana ou Aninha – exceto minha tia, avó de JG, que por algum motivo me chama sempre de Luciana, risos eternos.

14. Meu signo é peixes, meu ascendente é gêmeos (e não touro, como eu disse uma vez!), minha lua é em aquário e meu vênus é em áries. Por favor, não desistam de mim.

15. Se eu não estudasse cinema, provavelmente teria me tornado média – que é o que todo mundo jurava que eu ia fazer quando crescesse – ou piloto de avião.

16. Falando em ser piloto de avião, voar é uma das coisas que eu mais gosto na vida. Enquanto entrar no avião é um tormento pra muita gente, pra mim é uma experiência mágica que eu sinto por não poder experimentar com frequência. Tanto é que, quando era mais nova, eu costumava me empolgar muito mais com a viagem em si do que com o destino. Hoje já consigo me divertir com as duas coisas, é claro, mas estaria mentindo se não dissesse só a perspectiva de entrar num avião já me faz abrir um sorriso enorme.

17. Eu usei aparelho fixo por dois anos – dos 15 aos 17. Infelizmente, alguns dos meus dentes saíram do lugar e por mais que eles não tenham ficado tão pavorosos quanto eram no passado, em algum momento eu ainda quero poder consertá-los, mesmo que pra isso eu precise abraçar mais alguns anos de dor e sofrimento. O que nóis num faz por um sorriso bonito.

18. Embora não colecione nada rigorosamente, eu sempre gosto de guardar os ingressos dos shows que eu vou. Faço isso desde 2009 ou até antes, e desde então não parei mais. Infelizmente, não fui em tantos shows quanto gostaria e alguns ingressos se perderam pelo caminho, mas sempre tento ter alguma recordação além das fotos e das lembranças, nem que seja um ingresso amassado ou uma pulseirinha fuleira.

19. Scorpions é uma das minhas bandas favoritas – se não for a favorita – e no show deles aqui em Brasília, em 2009, eu apareci no telão. Foi um momento mágico porque eles estavam tocando uma das minhas músicas favoritas (The Best Is Yet To Come, caso você esteja se perguntando) e eu estava muito, muito, muito feliz, vendo tudo do alto do ombro do Gui, batendo palmas e cantando com vontade que o melhor estava por vir, até que comecei a aparecer no telão – não uma ou duas vezes, mas várias vezes – e foi tão incrível quando vocês podem imaginar.

20. Quando eu era pequena, tive uma amiga imaginária chamada Bigaibe. Não me perguntem de onde eu tirei esse nome.

21. A quote do meu perfil do twitter é de uma música da Sia. Já a do tweet fixado é uma quote de Penny Dreadful, também conhecida como a melhor série de todos os tempos.

22. Eu adoro nomes pouco convencionais e que não são necessariamente nomes próprios, mas que podem ser utilizados dessa forma, tipo Serena ou Flor. Eu também gosto muito de Hannah, Emma, Violet e Lorelai. Infelizmente, tenho um namorado bem fresco, então é possível que minha filha termine se chamando Olivia ou Helena mesmo – que são nomes lindos, é claro, mas absolutamente comuns. Pra meninos, eu gosto bastante de Rafael.

23. Meu primeiro namorado era dois anos mais velho e eu terminei com ele no dia dos namorados. Péssimo, eu sei.

24. Eu tenho muita dificuldade em dar nome às coisas que sinto, mas incrivelmente consigo descrever muito bem meus sentimentos. Descobri isso na terapia e, para minha psicóloga, isso tem muito a ver com o fato de eu ser uma pessoa que escreve e que desde sempre aprendeu a usar as palavras para descrever as coisas, mas não necessariamente para nomeá-las, o que pra mim fez muito sentido, especialmente porque, quando as pessoas falam sobre a minha escrita, elas sempre dizem que ela é bastante sentimental. Por outro lado, isso também tem muito a ver com a minha relutância em admitir certos sentimentos que estão ali, mas que eu nem sempre gostaria que existissem e aí prefiro ignorar ou então tratar como algo maior do que eles realmente são. Mas é aquela história: o medo de um nome só faz aumentar o medo da própria coisa. Juro que estou tentando melhorar.

25. O meu primeiro beijo com Guilherme aconteceu debaixo do prédio que eu morava na época, no dia 21 (!) novembro de 2008. Eu estava bêbada, ele também, e enquanto nossos amigos igualmente bêbados faziam folia por ali (pensem em pintos sendo balançados para fora das calças e coisas desse tipo), a gente se amava depois de um maravilhoso ano vivendo feito gato e rato. Encerramos a noite comigo vomitando no canteiro do prédio e o resto são quase oito anos de namoro. Definitivamente um ótimo jeito de conquistar alguém (só que não, mas pelo menos deu certo, risos eternos). Romantismo, a gente vê por aqui.

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Aquele em que usamos coroa na balada

Ou: It feels like one of those nights we won’t be sleeping.

Li recentemente que quando a gente prefere ficar em casa ao invés de sair, pode ser um sinal de que tem algo bem errado acontecendo. Sei lá até que ponto dá pra acreditar nessas coisas aleatórias que a gente vê no feed do Facebook (resposta: quase nunca), mas se isso for mesmo verdade, tenho até pena do meu diagnóstico porque gente, eu amo tanto, tanto ficar em casa que vocês não têm ideia. Eu amo sair, claro. É verdade, amo mesmo. Mas prefiro infinitamente ficar em casa de pijama, curtindo minha cama e meu edredom quentinho. Gosto de pensar que tive sorte na vida de encontrar amigas que são assim, tão parecidas comigo, que olham as fotos das pessoas na balada e só conseguem pensar que estão muito melhor dormindo em casa do que passando frio num vestido mais justo que deus. Mas de vez em quando a gente resolve quebrar as regras e fazer tudo diferente, especialmente quando temos um ótimo motivo pra isso, e então ganhamos um punhado de histórias pra contar pros filhos, aqueles mesmos que vão revirar os olhos com nossas histórias um dia. E é pra contar uma dessas histórias que eu estou aqui hoje.     

Quando fomos pro Rio de Janeiro, em maio deste ano, um dos combinados era que a gente iria numa festa, afinal de contas, era a despedida de solteira da melhor noiva do mundo e ainda que nossa festa particular tenha sido a melhor possível (com direito a canudos com formato muito peculiar, homens sem camisa – don’t call my name, Alejandro – e brincadeiras que obviamente não foram levadas a sério), não dava pra terminar a experiência sem uma festa assim, de verdade, onde a gente pudesse ver o sol nascer da pista sem precisar se preocupar com a playlist da vez. Então escolhemos uma festa, jogamos na mala nossas melhores roupas to dress up like hipsters (ou não) e embarcamos rumo ao que, mais tarde, eu chamaria de melhor feriado da vida até aqui.

O que ninguém se preocupou em nos dizer (e nenhuma de nós parece ter pensado também) foi que o dia 1º de maio seria um dia muito cheio. Afinal, a gente tinha um Chá de Pinto pra organizar, e uma praia pra curtir, e pizzas pra comer, e um bolo delicioso e garrafas de champagne esperando para serem consumidos, tudo isso considerando que tínhamos chegado de viagem no dia anterior, tínhamos dormido tarde porque sim, óbvio, e provavelmente nem teríamos dormido se não fosse Lili dizendo que a gente tinha que acordar cedo no dia seguinte pra arrumar tudo, e estávamos todas exaustas de alguma forma. Então quando chegamos em casa, tomamos banho, vestimos o pijama, dividimos as pizzas, eu jurei, por dois segundos, que a festa tinha miado de vez. Quer dizer, nós estávamos de pijama (!), quase cochilando no sofá, felizes da vida. A gente não ia pra festa, ia? É claro que ia.

Lembro que um pouco antes eu tinha ligado pro Gui pra dar boa noite, como a gente faz sempre, e eu disse que o combinado da noite era ir numa festa, mas que estávamos todas de pijama no nosso apartamento (risos) e que achava difícil a gente sair naquele estado (?). Ele riu e disse que tudo bem, mas que tivesse cuidado se a saída fosse rolar mesmo. Nos despedimos. Então eu voltei pra sala, naquela dúvida se já era permitido dar boa noite ou não, mas já passava das dez e a gente continuava sem um pingo de maquiagem no rosto, sem a menor vontade de levantar e tomar alguma providência quando, sem mais nem menos, alguém levanta e diz algo tipo “é, acho que a gente já pode começar a se arrumar”.  

Nos dois minutos que se seguiram meu coração parou, meu corpo protestou e eu quis verdadeiramente me jogar no chão e fingir estar morta, até que eu lembrei que estava com as melhores pessoas do mundo e que se fosse pra uma festa dar certo, era com elas que daria, e de repente meu cansaço foi embora e meu sono também, e eu corri pro quarto pra colocar meu vestido novo, que eu não tinha sido comprado exatamente pra’quela situação, que na verdade eu tinha sido comprado muito antes de eu sequer saber que estaria no Rio no feriado de 1º de maio, mas acho que no fundo eu só estava esperando o momento certo pra usar. Então, não mais que de repente, as moças de pijama rodopiavam pelo apartamento com suas roupas de festa, todas ainda mais bonitas que o normal, dando os últimos retoques na maquiagem. Foi quando a Analu (ou talvez tenha sido a Mimi?), perguntou se a gente não iria com nossas coroas pra festa. Será que é uma boa ideia? Será que vai ficar bom? Vamos? Não vamos? É claro que vamos. Então nós fomos.

Numa das partes mais marcantes de “As Vantagens de Ser Invisível”, Charlie, o personagem principal, diz que se sentiu infinito. Naquela noite, eu me senti infinita. Eu dancei com pessoas que conhecia em carne e osso há poucos dias e senti como se estivesse dançando com amigas de infância, e aquilo foi o suficiente pra que eu soubesse que estava no lugar certo, na hora certa. Do contrário, eu nunca ia conseguir me soltar daquele jeito. A gente dançou a noite inteira, até que nossos pés doessem e ainda assim dançamos mais um pouco, só porque a música era boa demais pra gente pensar em parar. Nós gritamos as letras de nossas músicas preferidas e pulamos abraçadas em metade delas. As pessoas paravam pra ver a gente, meio curiosas e intrigadas com aquelas moças tão alegres com suas coroas na cabeça que pareciam não se cansar nunca. Mais tarde, as fotos da festa renderiam maravilhosas crises de riso, fosse pelo intrometido de óculos ou pelo mal amado revoltado atrás, mas nada se compara ao misterioso João João, que de tão intrigado, foi perguntar no evento do Facebook quem eram as meninas na despedida de solteira.                

Queria dizer que realmente conseguimos ver o sol nascer da pista, mas aí eu estaria mentindo pra vocês. Se servir, teve uma parte d’A Gente que viu na praia mesmo, o que acho ainda mais bonito, mas outra parte d’A Gente preferiu ir pro nosso apartamento tomar banho e dormir um pouco, e depois de um dia que possivelmente durou mais de 24h, eu me permiti ir junto com a segunda leva. Então nós chegamos no apartamento e eu deitei na cama enquanto esperava minha vez de tomar banho e acabei cochilando de vestido mesmo, até que chegou minha vez e eu levantei no susto, mas nossa, como é bom tomar um banho quente depois de um dia tão movimentado.

Já passava das seis quando eu finalmente vesti meu pijama e deitei minha cabeça no travesseiro, numa cama que ainda parecia grande demais sem minhas pessoas ali do lado (ainda que ela nem fosse tão grande assim) (talvez fosse pequena pra todas nós) (mas nunca é pequena de verdade pra todas nós), mas eu sabia que logo, logo elas iam chegar e eu nunca estaria sozinha de qualquer forma. Então eu pensei no dia anterior, em tudo que eu tinha vivido e na noite memorável que tivemos. Que eu já tinha tido sim muitas noites especiais na vida, já tinha ido em muitas festas boas e me divertido um bocado, mas nada se comparava ao que eu vivi ali, em terras cariocas, ao lado das melhores pessoas do mundo. Eu sabia que não voltaria a mesma pra Brasília porque algumas coisas mudam a gente pra sempre, mas então eu tive certeza que aquele feriado mudaria também a forma como eu me divertia, porque nunca seria a mesma coisa se eu não tivesse minhas pessoas, meus pedacinhos espalhados por esse Brasil enorme, dançando comigo a noite inteira. Eu podia ficar triste porque, com muita sorte, a gente consegue reunir todo mundo uma ou duas vezes por ano. Mas querem saber? Eu não trocaria isso por nada no mundo. Então fechei meus olhos e dormi de vez.

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10 coisas que ninguém te disse quando você estava na escola

Pra ler ouvindo:

As pessoas sempre querem saber como vão as coisas na faculdade, se eu estou estagiando e, se sim, como anda o estágio. Elas querem saber quais são meus planos para o futuro, o que eu pretendo fazer depois que me formar e querem saber quando vai ser minha formatura, ainda que eu não tenha uma resposta pra isso ainda. Elas também perguntavam, num passado nem tão distante, sobre a minha nota no vestibular e sobre minhas ambições para o futuro, qual curso eu tinha escolhido e se pretendia fazer carreira no serviço público. As pessoas sempre tiveram uma porção de perguntas, mas elas nunca se interessaram pelos meus anos de escola e nunca se perguntam sobre o que eu vivi entre aquelas paredes, quando tudo era muito mais fácil e divertido do que agora.

Acho injusto que ninguém esteja realmente interessado num período tão importante das nossas vidas. Quer dizer, não foi um período fácil, pra algumas pessoas foi um período até bem esquecível, mas não é como se não tivéssemos vivido e aprendido uma porção de coisas nesse ambiente assustador e encantador na mesma medida.

Movida pela sessão nostálgica que o último post deixou, pelo resgate de velhas amizades e pelo maravilhoso post da Ana, resolvi falar sobre as coisas que ninguém me disse quando eu ainda estava na escola. Queria que alguém tivesse segurado a minha mão e dito as coisas que eu precisava ouvir. Em outras palavras, farei o papel da tia velha que dá conselhos que ninguém escuta, mas que são incrivelmente úteis, mas aparentemente a gente só percebe quando é tarde demais. É, parece que eu virei esse tipo de pessoa também.

1. MATE AULA

love ya

Tudo tem limite, é claro, e ninguém quer perder o ano porque não cumpriu a cota de 75% de presença. Mas todo mundo precisa parar e respirar de vez em quando, nem que seja só durante aquela aula insuportável de química orgânica. Tive a sorte de ter uma mãe relativamente tranquila nesse sentido, que me deixava faltar sem exigir grandes motivos (uma cólica ou uma vago “passando mal” eram suficientes pra eu ganhar o dia de folga), mas acho que todo mundo devia se permitir de vez em quando, até porque, quando a vida adulta bate na porta, a gente não pode simplesmente deixar pra lá porque, ah, tô parindo aqui, me dá uma semana de folga aí pra me recuperar. Você até pode ganhar uma folga, você pode até ganhar um tempo livre – mas nada que não precise ser compensado depois.

2. VOCÊ VAI SENTIR FALTA DO UNIFORME

we wear pink

Azul e vermelho é uma combinação horrível, eu sei, mas juro que ainda é muito melhor do que ter que acordar todo dia de manhã e pensar numa roupa diferente por dia. A gente sempre imagina que deve ser maravilhoso poder usar a roupa que a gente quiser, quando quiser, mas não imagina que as regras continuam lá e que é muito mais fácil segui-las quando já te dão tudo pronto. Em outras palavras, você não pode usar qualquer roupa pra ir trabalhar, por exemplo, e às vezes é bem mais fácil quando as pessoas simplesmente te dão uma roupa pronta com tudo o que é permitido. A faculdade continua sendo aquele antro liberal onde as pessoas podem andar peladas se quiserem (ou quase isso), mas no fundo é um inferno não poder usar o mesmo short e o mesmo moletom todo santo dia.

3. NÃO LEVE O VESTIBULAR TÃO A SÉRIO

whatever

Passar no vestibular é importante, sem dúvida, mas passada a euforia do resultado, as coisas são mais ou menos como sempre foram. Ninguém fica te parabenizando o tempo inteiro porque nossa, que bacana que você passou hein; ninguém quer saber da sua nota; ninguém quer saber de nada além, é claro, do que você pretende fazer com seu diploma, esse tipo de coisa. Estudar numa universidade federal é muito legal e acho que é uma experiência única na vida, mas é bem menos impossível de chegar lá do que os professores fazem a gente acreditar. Quer dizer, fácil não é, mas, a não ser que você queira fazer medicina, não é assim tão difícil. E olha, não digo isso só porque quero ser legal. Sem querer parecer exibida, eu passei em três vestibulares da UnB, sempre pra cursos diferentes, e sempre pra um curso mais difícil que o anterior, e passei em todos sem estudar quase nada. O último, eu não pegava num livro de biologia ou matemática há quase dois anos e passei assim mesmo e tirei 9,32 na redação, enquanto via amigos se matando de estudar, anulando a vida por causa da prova, e recebendo uma eliminação atrás da outra. Ou seja, nem sempre é questão de inteligência, nem sempre é questão de ser melhor ou pior que alguém. Às vezes, um pouquinho de vida, lógica e livros fazem muito mais do que infinitas horas na frente de um quadro negro – e um pouquinho de sorte sempre ajuda também. O ensino médio é uma fase bem importante das nossas vidas, ainda que não seja sempre boa e cheia de flores, e a gente precisa viver isso antes de dar o próximo passo.

4. SE PERMITA ERRAR

fifth sense

Não existe vergonha em estar errado porque a gente só aprende de verdade quando erra. Eu só fui aprender equação, por exemplo, depois de passar muito tempo errando e ainda assim foi difícil entender que tudo bem errar, ninguém morre por causa disso. Às vezes olho pras minhas provas do ensino médio e vejo uns erros que agora me parecem meio absurdos, mas que me ensinaram muito mais na época do que deram motivo pra eu me envergonhar. Isso vale também pras escolhas que a gente faz, o que a gente quer estudar quando o ensino médio acabar, o que a gente quer ser quando crescer e tal. É muito melhor descobrir que estamos no caminho errado enquanto dá tempo de mudar do que quando já nos enfiamos tanto no buraco que é quase impossível sair dele. 

5. VOCÊ NÃO PRECISA SEGUIR O MESMO CAMINHO QUE TODO MUNDO

lixeira

A escolha tradicional é prestar vestibular. Foi a minha escolha e foi a que me fez feliz, mas me pouparia do desespero se alguém tivesse segurado minha mão e dito que esse não era o único caminho. O mundo é enorme e a gente não precisa se prender só porque alguém disse que a gente precisa cumprir certas etapas antes de pular pra próxima. Eu tenho colegar que foram pra faculdade, a maioria dos meus amigos foi, mas alguns casaram, outros foram viajar, fazer intercâmbio, trabalhar ou estudar pra concurso. As opções são muitas e você pode se permitir experimentar até decidir o que realmente quer fazer.

6. MESMO ASSIM, A FACULDADE É IMPORTANTE

like being famous

Não é querendo quebrar o clima, mas é importante sim. Não é só porque as pessoas vão te pagar melhor, porque você vai ter mais oportunidades, porque isso e aquilo. Sinceramente, ser um bom profissional vai dizer muito mais do que qualquer diploma, pelo menos até minha experiência de mercado vai. Mas ter um diploma de ensino superior é importante porque, junto com ele, vem um amadurecimento que, acho, só a faculdade te dá. Você vai viver muito lá dentro, sim, e você pode viver muito fora também. O que eu falo aqui é de um amadurecimento intelectual mesmo, que muda sua visão de mundo mesmo. Não é pedantismo, juro, mas é o tipo de coisa que faz muita diferença na vida. Na faculdade eu me divirto muito, eu estudo o que eu gosto, eu vou em festas e vejo todo dia pessoas que amo. Mas eu também aprendo sobre política, psicologia, gatos, o clima e, principalmente, pessoas, ainda que eu não tenha sentado num anfiteatro lotado pra isso. Se hoje eu sou um pouquinho do jeito que eu sonhei um dia, é porque a vida foi muito gentil comigo, claro, mas principalmente porque fui pra faculdade.  

7. VOCÊ AINDA VAI ESTUDAR O QUE NÃO GOSTA

AFF

O primeiro argumento de alguém contra o ~sistema de ensino das universidades brasileiras~ é que aqui é tudo muito focado em teoria ao invés de ir direto pra prática. Essa não é a regra e sempre vale fazer uma pesquisa antes de se matricular em qualquer lugar e em qualquer curso, mas de um jeito ou de outro a gente sempre vai estudar algo que não gosta. Não é porque eu tô aqui, feliz da vida na comunicação, que eu sou obrigada a ficar feliz quando me mandam mensurar os resultados de uma pesquisa, só porque eu preciso aprender a fazer isso, mesmo odiando. Eu preciso aprender e eu aprendo, mas eu odeio e é isso aí. Nem tudo é oba oba, mas juro que o balanço é sempre mais positivo do que negativo. E TEORIA É IMPORTANTE SIM!!1!11

8. AS AMIZADES CONTINUAM

friendship

Nem todas, é verdade, mas dá pra manter boas amizades com o fim do período escolar. O tempo fica mais curto, os encontros mais difíceis, mas é possível, sim, com um pouquinho de esforço, todo mundo consegue. Isso é ótimo quando a gente pensa nas amizades que se fortalecem e seguem intactas mesmo depois de tanto tempo, mas é péssimo quando seus amigos se tornam verdadeiros babacas – e acreditem, acontece.  

9. OS OUTROS SÃO SÓ OS OUTROS

why are you so obsessed with me

Não importa o quanto você tente agradar, sempre vai ter alguém desgostando de tudo o que você faça e apontando o dedo. As crianças são cruéis, os pré-adolescentes são cruéis, os adolescentes são incrivelmente cruéis, mas no fundo no fundo, todos estão no mesmo barco furado que você, cheio de inseguranças e incertezas. Não se importe se alguém falou alguma merda pra você, seja sobre seu esmalte, seu cabelo, o que você faz ou deixa de fazer porque tudo isso só interessa a uma única pessoa: você. Ninguém sabe muito bem o que está fazendo e ser diferente não é motivo de vergonha. Em tempo, o mundo dá voltas – mas juro que não vale a pena ficar guardando mágoa.      

10. NUNCA ACABA DE VERDADE

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Eu não escolhi a música que embala o post por acaso e, se você ouviu, sabe que ela já disse tudo. O ensino médio não acaba de verdade, mas eu acho que a escola, como um todo não acaba nunca. A gente não vai estar entre as mesmas paredes, mas ainda vamos fazer provas, e coisas que a gente não quer o tempo inteiro, e conhecer pessoas maravilhosas e outras terríveis. Vamos querer sair correndo às vezes e em outros momentos vamos amar demais. As pessoas vão continuar julgando o seu cabelo, você vai continuar sendo estranho, às vezes vai sentir que não pertence, mas juro que fica tudo bem. It’s miserable and magical e continua sendo o tempo inteiro.