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VIDA DE FANGIRL

VIDA DE FANGIRL

UM PEQUENO REGISTRO DE SONHOS

Há coisas nessa vida que podemos tomar como certas – uma delas é que piscianos sonham demais. Quando digo que piscianos sonham demais, estou dizendo isso de forma literal e também metafórica; nós sonhamos o tempo inteiro, de um jeito que desconhece limites e sem qualquer compromisso com a realidade (pois lógico), mas que muitas vezes se parece tanto com ela que difícil é aceitar que aquilo jamais aconteceu. Me parece o tipo de coisa com chances altíssimas de se tornar problemática, principalmente porque sonhos são perfeitos de um jeito que a realidade jamais vai ser, e é muito fácil se deixar levar por esse infinito de possibilidades. Um dos meus filmes favoritas conta, não por acaso, a história de um casal – na verdade é a história do cara, mas o relacionamento entre os dois é o ponto central da coisa toda – que tem seu casamento e a vida que conhecia destruído por… sonhos. No filme, Don é um ladrão que invade os sonhos das pessoas para roubar segredos ou implantar ideias, em um universo onde muita gente literalmente pagava pra sonhar. A história é complexa pra caramba, com direito a um milhão de dimensões de sonhos e sonhos e mais sonhos, mas a grande questão paralela da vida de Don é que aquele mesmo trabalho tirou a vida de sua mulher, e ele se culpa, não sem alguma razão, por tê-la jogado naquele mundo, ao ponto dela já não ser mais capaz de distinguir fantasia e realidade.

Gosto de como o Nolan (se não ele, quem?) constrói esse universo de um jeito meio cínico, que não enxerga sonhos como algo necessariamente bom ou ruim, mas um híbrido entre as duas coisas. A gente passa muito tempo dizendo que sonhos são importantes, preciosos, que a gente precisa sonhar acima de qualquer coisa, e eu acredito muito nisso na maior parte do tempo. Mas e se não? E se eles também forem perigosos pra caralho? Eu, por exemplo, acredito muito em todas essas coisas – sobre a importância dos sonhos, etc etc – e ainda assim tive momentos de me entregar ao mundo que era criado na minha cabeça, ao ponto de literalmente querer fechar os olhos e dormir o tempo inteiro porque tudo na minha mente parecia tão melhor. É assustador, mas ainda é um ponto que a gente deixa passar quando romantiza a coisa toda; ninguém te diz que isso existe de verdade, ninguém diz como nossa mente é perigosa até que ela saia de controle. O que não significa que sonhos não sejam importantes – apenas que existe mais sobre eles do que normalmente nos dispomos a ver. Nossa mente não produz nada por acaso, eis aí um fato, e é bacana prestar atenção naquilo que ela diz; às vezes pode ser simplesmente que você tem uma crush pelo Harry Styles, mas também pode comunicar coisas mais importantes, como medos que a gente tem e nem sempre entende, ou qualquer coisa assim. Não entendo tanto de sonhos quanto gostaria, mas tenho uma memória muito boa e um apego especial por alguns deles, de modo que o post de hoje nada mais é do que um registro daquilo que se passa na minha cabeça quando estou dormindo.

1) SONHO 01: Rolando na grama com Sam Winchester
É uma verdade universalmente conhecida que a melhor forma de confirmar uma crush é… sonhando com ela. Não tem erro: você acha a pessoa bonita, tem uma quedinha por ela, mas então, e só então, sonha com ela e aquilo que antes era uma atração meio besta se transforma na crush do milênio – ou da semana. Dizem que nosso cérebro não é capaz de criar rostos, de modo que as pessoas com as quais sonhamos possuem características já conhecidas, que podem passar despercebidos para nós, mas não pra nossa mente. Eu sonho bastante com celebridades, o que significa que muito tempo da minha vida é gasto olhando foto dessas pessoas; é parte do meu trabalho e também da diversão. Meu sonho com o Sam Winchester foi assim: a descoberta de uma crush que eu nem sabia que existia. Jared Padalecki é lindo. Jared Padalecki é tão lindo que meu estômago dá cambalhotas só de pensar naquele homem enorme e maravilhoso. Mas Sam Winchester sempre foi aquela pessoa cuja minha admiração e atenção estavam muito mais voltadas para o fato de parecer uma pessoa muito gente boa do que, necessariamente, para o fato de ser lindo de morrer. Até, claro, o dia que sonhei com ele. No sonho, a versão do Sam ainda era a mesma das primeiras temporadas de Supernatural, o jovem de vinte e poucos anos com cabelo bonito e sorriso encantador, que queria ir para uma boa faculdade e viver uma vida normal. Era uma versão que eu odiava, sobretudo por ser tão distante da família, por negar o family business e querer ter uma vida diferente. O que é um desejo muito genuíno, é claro, mas que me parecia idiota pra alguém que vinha de uma família tão maneira apesar de todos os pesares. Então o sonho mudou tudo. Nele, eu e Sam estávamos deitados em um gramado imenso, longe de tudo e todos, e ele sorria pra mim e me olhava de um jeito que imagino que seja a mesma forma como o Jared olha pra Gwen. Eu me senti profundamente amada, de um jeito lindo e meio idiota, e tentava devolver esse mesmo amor em forma de sorrisos sinceros e olhares apaixonados. E só. Não teve confusão, não teve romance proibido, não teve demônio querendo estragar tudo; só nós dois num gramado nos amando demais.

2) SONHO 02: Casando com Dean Winchester
Eu me apaixonei pelo Dean, nas palavras de Hazel Grace, do mesmo jeito que alguém cai no sono: gradativamente e de repente, de uma hora pra outra. E, ainda assim, foi só depois de anos, literalmente anos, que sonhei com ele pela primeira vez. No sonho, eu chegava na porta de uma igreja abandonada, vestindo moletom, jeans e um tênis, o cabelo preso meio de qualquer jeito, e quando finalmente entrava na igreja, o Dean estava lá, me esperando, com seu combo de camiseta/camisa/parka e o sorriso mais lindo do mundo estampado no rosto. “Você estava me esperando?”, eu me perguntava enquanto um sorriso começava a surgir no meu rosto; e ele respondia de volta, apenas com o olhar, como quem diz “sim, sim, sim”. Então o tempo pareceu suspenso, e mesmo que na minha cabeça uma voz repetisse que aquilo não poderia ser verdade, que aquilo jamais aconteceria sob qualquer circunstância, eu não me importei. Eu não me importei e fiquei ali, pelo o que pareceu um pequeno infinito, sorrindo feito idiota, quase sem conseguir me conter de tanta felicidade. O sonho acabou antes mesmo que eu tivesse a chance de walk down the aisle e ter uma aliança colocada no meu dedo, mas naquele pequeno espaço de tempo, eu acreditei estar vivendo aquela cena, e foi eterno enquanto durou – um eterno precioso e pequenino, que guardei com carinho no meu coração, quase como se a vida toda tivesse esperado por esse momento; e esperei de fato.

3) SONHO 03: Fugindo de alguma coisa com o Jared Leto
Um dos meus maiores medos nessa vida é ser perseguida – pelo menos, é isso que meus sonhos dizem. Desde pequena, tenho pesadelos horrorosos com pessoas estranhas que me perseguem, e quando tento gritar por socorro, minha voz jamais sai; ou então com situação mais dramáticas em que literalmente alguém quer me matar e eu preciso tentar sobreviver. Já perdi as contas de quantas vezes sonhei que Lord Voldermort queria me pegar ou que fugia de regimes totalitários que queriam me ver morta e enterrada. Às vezes, dou a sorte de encontrar nesses cenários pessoas que me ajudam ou simplesmente decidem percorrer essa jornada macabra junto comigo, exatamente o que o Jared Leto fez. Sem saber como ou por quê, ele estava ao meu lado, me ajudando enquanto fugíamos, os dois, de algo que a essa altura já não me lembro mais (um bruxo das trevas? um ditador maluco? um assassino de aluguel? são questões). O medo era um sentimento real e constante, e nós fugíamos, pulávamos telhados, nos escondíamos em lugares improváveis e escuros, numa aventura com hora certa para acabar. Como num filme B, eventualmente nós acabávamos nos apaixonando, e foi lindo e intenso enquanto durou, mas como todo sonho, chegou ao fim – tal qual minha crush, que foi perdendo força à medida que eu descobria que o Jared da vida real não era um cara tão bacana assim.

4) SONHO 04: Filha do David Bowie
Uma das maiores falhas da minha formação musical foi nunca ter tido um contato mais profundo com a vida & obra de David Bowie. Em uma família que sempre me apresentou artistas de décadas passadas e me incentivou a curtir essas coisas, independente do que fosse dito fora de casa, é irônico que Bowie nunca tenha aparecido de forma significativa nessa construção de gostos que me acompanham até hoje. Estou cercada de pessoas completamente obcecadas pela obra do artista e pelo seu trabalho em diferentes âmbitos; o fato de nunca ter me aproximado dele não fazia sentido algum. Quando faleceu, eu vi meus amigos e pessoas próximas lamentarem, e eu lamentei também; um sentimento totalmente gratuito que fazia com que eu me sentisse uma mentira perto dos verdadeiros fãs de David Bowie. À época, lembro de ver uma foto lindíssima dele com a Iman e a filha dos dois, o que me fez lamentar profundamente. Não era só o mundo que perdia um grande artista, não eram só os meus amigos que perdiam um ídolo; um pai, um esposo, um amigo também eram perdidos ao mesmo tempo. Na mesma semana, eu tive um sonho muito bonito em que o Bowie era meu pai, e ele era um pai tão, tão legal e amoroso que foi difícil acordar e, de repente, ter a realidade jogada na minha cara: eu não apenas não era filha do David Bowie como ele nem sequer estava vivo. O sonho, entretanto, fez com que minha admiração gratuita por ele crescesse; se ele foi ou não o pai amoroso e dedicado com o qual eu sonhei, é uma coisa que jamais vou saber, mas no fundo, não consigo imaginá-lo de forma diferente.

5) SONHO 05: Stalker do Tiago Iorc
A essa altura, chega a ser meio idiota pensar que um dia eu não apenas sonhei com o Tiago Iorc, como fiz o papel ridículo de stalker, que não parava de seguir o cara por um minuto sequer, quando a única coisa que consigo pensar quando olho aquele belo rosto é que ele deveria voltar a ser um artista menos conhecido e longe da péssima influência da Tatá Werneck, mas divago. No sonho, Tiago era um rapaz muito, muito legal mesmo, mas cujo interesse não estava na minha pessoa – pelo menos, não o tempo inteiro. Nossa relação era um pouco confusa, porque ao mesmo tempo que me lembro de persegui-lo de um jeito que às vezes fazia com que eu me sentisse num papel realmente ridículo, em outros momentos nós éramos apenas colegas de trabalho ou conhecidos, que conversavam de forma amigável quando estavam no mesmo ambiente – a única diferença é que eu não queria ser apenas uma colega de trabalho ou mera conhecida, enquanto ele parecia se satisfazer plenamente nessa perspectiva. Lembro de vê-lo se interessar por outra garota cujo rosto não lembro qual é, e eu me sentir trocada e injustiçada por passar tanto tempo sendo legal quando ser legal não me deu nada em troca; então o sonho acabou e eu voltei a viver feliz minha vida em que o amor é um lugar infinitamente mais seguro e gentil.

6) SONHO 06: Show do Harry Styles
Eu, Anna Vitória, Analu Bussular, Paloma Engelke e Michas Borges invadindo o camarim do Harry Styles e fingindo ser da produção do show, observando tudo meio de longe, com o coração batendo com força e nos enturmando com pessoas que nem imaginavam quem a gente era de verdade. Ainda lembro como foi a primeira vez que vi o Harry de pertinho, só o batente da porta separando nós dois enquanto ele dava uma entrevista, e ele me viu ali e sorriu, do jeito lindo como só ele sorriria, e eu sorri de volta meio sem graça, voltando aos meus afazeres logo em seguida. Por algum motivo que não me lembro mais, acabei perdendo o show, mas foi um sonho delicioso e memorável, e eu gosto como na versão da minha cabeça o Harry é sempre uma pessoa doce e absolutamente adorável, algo que, no fundo, acredito que ele seja de verdade.

7) SONHO 07: Visita do Jensen Ackles e do Jared Padalecki
Um dos meus maiores medos (medo, na realidade, é um jeito meio exagerado de colocar a situação, mas bear with me) é receber a notícia sobre o fim oficial de Supernatural. São anos, literalmente anos, sendo assombrada por esse possibilidade, que ganha cada vez mais força à medida que o tempo passa: já são dez anos de história, afinal, e eventualmente esse ciclo também terá que ser fechado. A cada temporada que passa, no entanto, me sinto menos preparada para o momento em que isso vai acontecer, algo que só piorou quando a coisa toda pareceu ganhar contornos mais sérios, e as conversas sobre um possível fim, de fato, começaram a se tornar uma realidade. A visita de Jensen e Jared, ainda que só em sonho, serviu pra acalmar meu coraçãozinho e dizer que tudo bem, tudo chega a um fim, mas isso não é necessariamente ruim. Nele, os dois vinham ao Brasil para uma despedida e passavam na minha casa para passar alguns dias comigo e a Thay – alguém que também os ama profundamente, mas lida com o fim infinitamente melhor do que eu. Dessa vez, não havia qualquer traço de romance, mas sim uma amizade bonita e sincera entre nós quatro, e eu me senti profundamente amada durante todo o tempo. Foi um sonho longo em comparação aos outros, onde muitas conversas foram jogadas fora e nós passamos horas explorando lugares, jogando jogos de tabuleiro, trocando abraços, confidências e dando risadas até o dia que eles inevitavelmente tiveram que ir embora. Foi triste, mas não só triste, e embora fosse muito difícil dizer adeus, eu me sentia incrivelmente em paz por deixá-los ir em busca de novas aventuras. De certa forma, foi como fazer as pazes com algo que eventualmente vai acontecer, e vai ser difícil e triste demais, mas muito especial também, e hoje já consigo ser grata por ter tido a oportunidade de amar a série e seus personagens e sofrer pelo fim iminente porque isso só significa que foi bom demais enquanto durou.

8) SONHO 08: Descendo por um corredor/escorregador com infinitas portas
De todos, esse talvez seja o sonho mais antigo e também o mais memorável, ainda que até hoje eu não faça a menor ideia do que ele significa. Como diria a Madonna, não tinha começo, muito menos um fim; de repente, eu estava escorregando por um imenso corredor, que mais parecia a pista do arco-íris do Mario Kart, e de um lado e do outro haviam infinitas portas que eu sequer podia tentar entrar, já que escorregava rápido demais para conseguir segurar na maçaneta de qualquer uma delas. Então eu fiquei ali, escorregando ad infinitum, ao lado de criaturas esquisitas, porém inofensivas, sem nunca chegar a lugar algum. Até hoje não sei como esse sonho terminou, muito menos se cheguei em algum lugar de tanto escorregar, ou, ainda, que diabos significa escorregar entre um milhão de portas, mas fica o registro.

9) SONHO 09: Harry Styles, o cara mais legal do mundo
Eu não lembro como, muito menos quando comecei a me interessar pelo Harry e ter uma crush assumida por ele, mas sei exatamente por quê isso aconteceu: o Harry é um cara legal. Ou finge muito bem ser, de modo que é impossível não se apaixonar. Existe algo realmente especial naqueles olhos, naquelas tatuagens horrorosas e principalmente naquele sorriso que poucos caras com os quais sonhei um dia, tem. O Harry me dá a impressão de ser uma pessoa muito gente boa de verdade e com a cabeça no lugar, do tipo que eu adoraria ser amiga, colega, o pinguim da geladeira. Seu álbum (ainda vou falar sobre ele, prometo) reforçou essa impressão, que já vinha desde a época do One Direction, e hoje só posso sentir muito pelos meus sentidos terem me enganado tão fortemente ao ponto de eleger o Zayn como meu favorito. Mas essa é outra história. Nesse sonho especificamente, eu e o Harry nos amávamos demais, de um jeito muito sincero e poético, como eu imagino que amar o Harry seja também. Desde o lançamento do seu álbum, tenho imaginado histórias para as canções ali contidas – algo que faço com frequência, mas que me dediquei a fazer especialmente nesse caso – e acho que, de certa forma, sonhar com ele foi a concretização dessas histórias meio idiotas que só existiam na minha cabeça e onde eu podia me permitir ser a protagonista ou qualquer coisa assim. Gosto de lembrar que, mesmo sendo um ano mais novo do que eu, ele agia como um cara realmente maduro, gente boa e especial, como ele era apaixonado – não só por mim, mas pela vida – e como por alguns minutos, a fantasia pode se tornar realidade.

10) SONHO 10: Jared Padalecki no aeroporto
Percebo agora que, ainda que o Jared não seja exatamente uma crush na minha vida, ele aparece com demasiada frequência nos meus sonhos – o que significa, muito provavelmente, que passo tempo demais com ele na minha cabeça, risos. Nesse caso, mais uma vez, nós não éramos amantes, mas duas pessoas que se conheceram de forma casual no aeroporto e decidiram passar o tempo que esperavam jogando conversa fora. No sonho, eu estava com a Thay, voltando de uma viagem aos Estados Unidos, e nós esbarramos com ele no aeroporto, enquanto esperávamos o nosso voo. Como sempre, Jared foi uma pessoal totalmente adorável, nos convidou para tomar um café – que acabou se transformando numa conversa de horas e horas e horas – e ainda esperou que eu fizesse compras numa farmácia, indecisa demais com todas as opções disponíveis. Nós conversamos sobre a Gwen, conversamos sobre seus filhos, seus trabalhos, e sempre que eu falava alguma bobagem, ele ria alto, como se fosse a coisa mais engraçada que ele havia ouvido em anos. Eu não sou uma pessoa engraçada, eu sequer me acho uma pessoa interessante, mas junto com o Jared eu quase acreditava que não só era essas duas coisas, como era com bastante força. Mais uma vez, o sonho acabou de repente e sem grandes explicações, me deixando com aquela sensação maravilhosa de que, ao menos por alguns instantes, eu quase fui melhor amiga de Jared Padalecki himself.

VIDA DE FANGIRL

MIJANDO NO POSTE: O RETORNO

Ou: As vantagens de ser crusher (ou não). 

Desde que me entendo por gente, eu sou uma crusher. Desde que eu me entendo por gente é o jeito exagerado de dizer que desde o final da minha infância e início da adolescência, eu basicamente encontro crushes por onde passo, paixonites agudas, mas absolutamente inofensivas, que me fazem sonhar e perder noites de sono por gente que nem existe de verdade, ou que então é fruto da idealização da fã retardada que sempre fui e sempre serei. Foi pensando nisso e movida pela inspiração da música “All I Want For Christmas Is You”, que dona Michas Borges sugeriu que nessa sexta-feira falássemos sobre nossas crushes, separando-as em categorias maravilhosamente criadas por nós em uma conversa muito séria e adulta sobre o assunto. Bless our little hearts, risos.

1. NA LITERATURA


Mr. Darcy, de Orgulho e Preconceito. Eu disse pra mim mesma que não queria soar repetitiva, mas preciso quebrar minhas próprias regras já de cara. Isso porque recentemente – ou nem tão recentemente assim, pra dizer a verdade – comecei a ler Orgulho e Preconceito e embora a leitura esteja muito mais lenta do que eu gostaria (a vida, ela não perdoa nada), o livro foi responsável por elevar meu amor pelo personagem – um amor que já existia, graças ao filme de Joe Wright – a um novo patamar e agora eu não sei fazer mais nada senão suspirar e invejar dona Maria Elizabeth Pereira Bennet (risos) por ser uma mocinha de tanta sorte.

2. NO CINEMA


Han Solo, de Star Wars (dã). Seu nome grita trouble, trouble, trouble, mas como resistir? Harrison Ford é o melhor representante da categoria Homão da Porra™, o que por si só já ajuda o personagem um bocado. Mas o que seria de um belo rosto (e um maravilhoso sorriso, risos) sem esse jeitinho cafajeste e esse coração enorme, que faz nossa razão gritar de pavor ao mesmo tempo que nosso coração implora por mais cinco minutos ao seu lado e nosso útero dá cambalhotas de tanta emoção. I knew you were trouble when you walked in, berra nossa melhor amiga famosa no fundo das nossas cabeças, mas como resistir? Os sentimentos, queridos leitores, eles são os únicos fatos.

3. NA TV


Dean Winchester, de Supernatural. Tentei fugir dessa escolha óbvia e do qual vocês certamente não me aguentam mais falar a respeito, mas foi impossível. Se já é mesmo uma verdade universalmente conhecida que Dean Winchester é a crush que eu jamais serei capaz de superar, então tudo bem continuar falando sobre ele de novo, e de novo, e de novo. Dean não é o cara típico de se colocar uma aliança no dedo e apresentar para a vó, mas é o único com o qual eu consigo me imaginar casando e apresentando pra minha avó, talvez pelo fato de que, embora sua vida seja uma bagunça, nada disso realmente importa. Não por acaso, em uma das poucas vezes que sonhei com ele, a gente estava se casando em uma igreja abandonada e eu usava moletom e calça jeans. Foi uma cena linda, porque ele sorria pra mim de um jeito muito apaixonado, mas ao mesmo tempo brincalhão, e eu não conseguia conter o meu sorriso de nervoso enquanto andava na sua direção. Foi lindo, foi muito nosso e eu realmente quis chorar quando acordei e descobri que não era verdade. Bless my little heart.

4. NA MÚSICA


Jon Bon Jovi, do Bon Jovi (risos). Sendo bem sincera, escolher uma crush nessa categoria foi quase uma missão impossível. Porque, tirando o fato de que a maior parte das minhas crushes na música eram crushes de adolescência (#spoiler) e que não fazem mais o menor sentido hoje, todos os outros eu, hoje, só gostaria de ser amiga, trocar uma ideia e ouvir umas músicas, e não dar uns beijos e casar em Vegas. Claro que eu sempre podia citar o Adam Levine, um cara com quem eu sem dúvida casaria em Vegas, ou então o Harry Styles, essa pessoa maravilhosa e de sorriso tão encantador. Porém, se for pra ser sincera, bem sincera, eu já não entendo mais tanto assim o apelo do Adam Levine e por mais que eu ame o Harry Styles, eu tenho certeza absoluta que seria muito mais legal ser sua amiga do que sua namorada. Assim, tive que apelar para as crushes do passado, aquelas que têm idade suficiente para seu meu pai, mas que no passado foram jovens bem maravilhosos que me fazem suspirar até hoje. Jon Bon Jovi é um exemplo bem maravilhoso disso e eu não confirmo nem nego que até hoje fico assistindo os vídeos de um show que ele fez no final dos 80 ou início dos anos 90, de bandana na cabeça e jaqueta jeans, sonhando em ser uma daquelas meninas que gritavam na plateia. Definitivamente, uma crush.

5. ADOLESCÊNCIA (OU TEMPOS DE ESCOLA)


Evan Taubenfeld. Deixa eu contar pra vocês que num passado nem tão distante assim, eu já fui bem fã da Avril Lavigne. Fã nível se vestir igual, comprar todos os álbuns, chorar porque ela só fazia show em São Paulo e eu não podia ir em nenhum, de querer passar maionese no cabelo e arrumar briga com gente que falava mal dela ou que se achavam mais fãs do que eu #madura. Nessa época, eu ainda não conhecia o conceito de girl crush, de modo que, ao invés de crushar (?) a Avril, eu crushava (?) os membros da sua banda, mocinhos com carinha de neném e essa vontade irremediável de ser rockstar. Foi assim que eu me apaixonei pelo Evan Taubenfeld, uma crush que se tornou crush antes mesmo de eu saber que diabos era um crush (risos). Se eu passei minha adolescência inteira atrás de caras de cabelo liso e que curtiam um rock limpinho, pode ter certeza que o Evan era 100% culpado. Não seria o tipo de homem que eu procuraria hoje se solteira fosse, mas fica aí o registro pela memória da Ana de uns 10 anos atrás.

6. CELEBRIDADE


Hugh Dancy. A lista, queridos leitores, essa poderia ser enorme. Porque a quantidade de celebridades pelas quais eu tenho uma queda é tipo, insana. De uns meses pra cá, no entanto, voltei a pensar e fantasiar muito com o Hugh Dancy, e depois de resgatar das profundezas abissais da internet a foto dele no gramado, de macacão, escrevendo e tomando uma taça de vinho, eu tive certeza de que ele era 100% meu tipo de homem – o que quer que isso seja. São os olhos maravilhosos, o sorriso que poderia iluminar uma cidade inteira, esse jeitão de homem de humanas e essa carinha de bom moço que me fariam perder o rumo de casa em questão de segundos. Claire Danes, definitivamente uma mulher de muita sorte.

7. GIRL CRUSH


Olivia Wilde. Girl crush é um conceito difícil, né? Há quem diga que se trata daquelas mulheres que a gente gostaria muito de ser amiga e eu acho que é um conceito bastante válido. Mas eu também gosto de pensar que são aquelas mulheres tão lindas e maravilhosas que seriam capazes de me fazer questionar minha própria sexualidade. Assim, não tinha como escolher outra pessoa senão Olivia Wilde – uma crush comum que divido com meu homem, risos. Olivia é essa pessoa linda de morrer, uma mulher que inspira e que faz meu útero declarar sua existência, mas ao mesmo tempo tempo é aquela pessoa de quem eu gostaria de ser amiga, que eu vejo sorrir e queria dar um abraço, que queria conhecer os filhos e poder dividir confidências. Assisti uma entrevista com ela algum tempo atrás em que ela falava sobre o fim de seu casamento anterior e como ela amava comer, porque comida dava essa sensação de que alguém estava te abraçando por dentro. Ali, eu tive certeza que eu e Olivia seríamos excelentes amigas, parceiras de crime, e tudo aí no meio.

8. CRUSH MORTA (!)


Gus Waters, de A Culpa É Das Estrelas. Gente, o Gus. O que dizer do Gus, esse rapaz tão maravilhoso e romântico, que sabe usar metáforas como ninguém. Eu, que nunca tive muitas crushes literárias e que raramente me interesso por gente mais nova que eu, me vi completamente apaixonada por esse rapaz de 17 anos que tem medo de ser esquecido e que nunca tinha viajado de avião. Eu queria pegar o Gus e enfiar numa caixinha, viajar com ele pelo mundo inteiro e proteger de tudo e de todos. Logo, vocês já devem imaginar que o que eu não chorei com a morte desse menino não tá escrito.

9. CRUSH INTELECTUAL


Neil Gaiman. Crush intelectual nada mais é do que aquela crush que você admira, gostaria de bater um papo, trocar uma ideia, mas que não tem a menor intenção de dar uns beijos, enfiar uma aliança no dedo e apresentar pra vó. Neil Gaiman é esse cara pra mim. Embora não tenha lido tantos livros dele quanto gostaria, Neil é uma pessoa que eu admiro muito profundamente, com quem eu queria tomar um café e passar horas trocando ideia sobre fantasia, escrita e outras coisas igualmente maravilhosas. Além disso, ele é o marido da Amanda Palmer, o que por si só já é suficiente pra garantir que ele seja essa pessoa realmente maravilhosa que aparenta ser.

10. CRUSH ESTRANHA


Mads Mikkelsen. Que existe alguma coisa muito estranha com o Mads Mikkelsen, ninguém pode negar. Não sei se é a boca de pato, o formato dos olhos, aquele cabelo que ninguém sabe se é a coisa mais maravilhosa ou sebosa do mundo, etc etc. Mas ao mesmo tempo alguma coisa inexplicável acontece com esse cara, porque você começa a assistir alguma coisa com ele e de repente está pensando se não seria uma boa ideia dar uns amassos nele ou qualquer coisa assim. Minha primeira vez (risos eternos) foi ainda em Hannibal, mas depois comecei a assistir outros filmes com ele e minha reação era sempre a mesma: meu deus que cara estranho, mas por que diabos eu fazia 100% com ele? São grandes questões.

11. CRUSH SOBRENATURAL


Mr. Chandler, de Penny Dreadful. Porque lógico. Embora eu tenha demorado horas pra chegar em seu nome, bastou que lembrasse para que todos os feels voltarem com força total. Como explicar Mr. Chandler para aqueles pouco familiarizados com a trama e o drama de Penny Dreadful? É uma questão que eu jamais serei capaz de responder. Pensem apenas no melhor lobisomem que vocês respeitam, o rosto mais lindo que vocês já viram e uma alma atormentada, porém com um coração enorme. Mr. Chandler é o homem que vai dançar com você numa cabana no meio do nada enquanto o mundo cai lá fora, e isso por si só já é suficiente pra que eu queira parir pequenos meninos lobos por aí, risos.

12. CRUSH GUILTY PLEASURE


Logan Huntzberger, de Gilmore Girls. Se Gilmore Girls foi uma das melhores coisas que aconteceu no meu ano (e aqui preciso agradecer inteiramente a Yuu, essa pessoa maravilhosa, amor da minha vida, que me fez assistir a série logo de uma vez), Logan Huntzberger foi a melhor crush que podia me acontecer. O fato de ser uma pessoa questionável em muitos momentos, boyzinho privilegiado e um claro problematic fave infelizmente não me incomodam tanto quando eu vejo ele sendo tão lindo por aí, com aquela bela face e o sorriso que automaticamente me faz querer gritar YES, I DO!. Limites, claramente não trabalhamos.

13. MENÇÃO HONROSA


Sebastian Stan. Não tem nem pra onde fugir. Acho que uma das melhores coisas sobre ter voltado a assistir Gossip Girl é que finalmente eu posso ter um pouco mais de Sebastian Stan na minha vida e reacender a chama que ele acendeu quando eu tinha meus 17 anos. Odeio o fato que ele ainda não tenha feito tanta coisa de sucesso, considerando o ator incrível que ele é, e sonho com o dia que ele não vai ser só conhecido como o Soldado Invernal (que ele faz belamente, aliás), mas como um bocado de personagens icônicos. Além de talentoso e lindo de morrer, Sebastian também parece ser um cara muito divertido, gente como a gente, e que sempre trata todos muito bem. Eu jamais vou conseguir lidar com as fotos dele nos meet & greets da vida levantando fã no colo, fazendo cara de surpresa e rindo todo bobo no meio daquela folia. Sebastian é uma pessoa adorável, linda de morrer e extremamente talentosa, e é por isso que ele conquistou 100%  meu coraçãozinho pisciano sofredor, que faz com que meu estômago dê cambalhotas e com quem eu sonho em dançar sob a luz da geladeira, risos.

VIDA DE FANGIRL

NOT A GOSSIP GIRL

Quando comecei a assistir Gossip Girl, eu tinha 17 anos e nada – absolutamente nada – melhor pra fazer da vida senão acompanhar as mutretas dos adolescentes do Upper East Side. O ano era 2010 e depois de sair do ensino médio para cursar uma faculdade que não tinha nada a ver comigo antes de todos os meus colegas, eu acabei num limbo pavoroso. Eu passava dias inteiros de pijama em casa, me sentia inútil por não ter absolutamente nada pra fazer além de assistir séries e escrever pro blog que eu tinha na época. Eu não tinha mais o que conversar com as pessoas, meus amigos não tinham tanto tempo livre quanto eu e foi nessa mesma época que eu comecei a gastar um bocado de dinheiro em roupas e sapatos que não tinha a menor intenção de usar. Claramente, uma época maravilhosa.

Daí que eu comecei a assistir Gossip Girl e de repente as coisas não pareciam mais tão ruins. Por mais que eu continuasse passando a maior parte dos meus dias em casa e de pijama, eu finalmente tinha algo com o que me divertir e que, em alguma medida, também me inspirava a cuidar melhor de mim mesma – da minha aparência, do meu corpo e da minha mente. Com Blair Waldorf eu aprendi a usar o que quisesse, quando quisesse, e ser a rainha da minha própria vida. Eu já usava o “queen” naquela época, mas estaria mentindo se hoje dissesse que ela não teve muita influencia na minha decisão de manter o nome mesmo tanto tempo depois. Mesmo com outras personagens, eu consegui aprender um bocado, mesmo que fossem coisas mais bestas, tipo que eu podia usar salto mesmo já sendo alta de natureza, algo que a Serena me ensinou muito bem; e até hoje eu morro de rir quando lembro do dia que eu bebi champagne na frente do computador enquanto assistia a um episódio de pijama velho e cabelo sujo, ou então do réveillon daquele ano, que depois de beber aproximadamente 182357 taças de vinho, eu inventei de assistir só um episódio e acabei literalmente fazendo o teclado do notebook de travesseiro. No meio daquele tédio horroroso, eu encontrei algum tipo de luz na vida irreal daquelas pessoas e foi isso que, em partes, me ajudou a levantar de novo e voltar a tomar as rédeas da minha vida.

Acontece que em algum momento entre o final da segunda temporada e o início da terceira eu parei de assistir Gossip Girl de vez. Não foi algo programado: um dia, simplesmente, eu comecei a ter outras prioridades e pouco a pouco fui deixando os sonhos e dramas do Upper East Side de lado. Ao mesmo tempo, outras séries foram aparecendo na minha vida, séries que conversavam muito mais com aquela nova versão de mim mesma e era com elas que eu queria passar meu pouco tempo livre. É claro que eu prometia voltar para Gossip Girl assim que possível, mas depois de um tempo eu comecei a perceber que cada novo episódio realmente não tinha muito mais a me dizer. Odeio ser o tipo de pessoa que olha para séries adolescentes como se fosse de alguma forma superior, mas eu estaria mentindo se dissesse que as armações da Blair, as canalhices do Chuck e os namorados da Serena continuavam fazendo meu olho brilhar. Porque não fazia. Eu não tinha mais paciência pra nenhum daqueles personagens, nem mesmo os pais (meu deus, os pais!), tão problemáticos quanto os filhos que colocaram no mundo, e era impossível não começar a revirar os olhos pra tudo e pra todos. Então eu parei e segui em frente.

Ou quase isso.

O negócio é que, por mais que eu dissesse pra mim mesma que não fazia o menor sentido voltar a assistir Gossip Girl, no fundo, uma voz me dizia que aquilo era fase e que todas as fases passam em algum momento. Então, em breve, eu poderia abraçar todos aqueles absurdos de novo e me divertir com cada um deles. Era algo que eu queria que acontecesse. E foi assim que eu decidi começar a assistir Gossip Girl de novo, na esperança de que as coisas voltassem a ser como foram um dia ou pelo menos perto disso. Comecei exatamente de onde tinha parado, na terceira temporada, e foi uma surpresa bastante desagradável perceber que tudo continuava exatamente igual. Os personagens estavam ali, suas vidas desgraçadas porém privilegiadas também, mas eu não via mais nenhuma graça naquilo. As armações se tornaram repetitivas, os conflitos também, e o troca-troca de casais começou e me irritar muito profundamente. Sério, será que ninguém nunca vai ser capaz de escrever sobre o que acontece com um casal depois que eles finalmente ficam juntos? Existem aproximadamente um milhão de conflitos possíveis, mas de novo (e de novo e de novo e de novo) eles preferiam mostrar o fim, porque lógico, ninguém é capaz de resolver nada senão de uma maneira drástica.

Como se isso já não fosse suficiente, Rufus e Lily, um dos meus casais favoritos da série, começaram a sofrer com uns problemas que não faziam o menor sentido. Em uma série com tanta gente problemática, eles podiam ser o ponto fora da curva, o casal que oferece um pouquinho mais de estabilidade num universo que sempre teve os pés fora do chão, mas o que acontece é justamente o contrário. Da mesma forma, casais que antes pareciam tão shippáveis, de repente, já não faziam o menor sentido. Dan e Serena deixaram de ser legais já na segunda temporada, mas foi realmente desesperador assistir o relacionamento da Blair e do Chuck tomar um rumo tão errado. Toda a história da perda do hotel foi a gota d’água, que me fez assumir pra mim mesma de uma vez por todas que eu jamais seria capaz de fechar meus olhos e shippar um troço tão problemático de novo.

Muita gente já tinha me alertado que depois de um tempo a série começava a ficar um tanto repetitiva e que alguns personagens se tornavam totalmente descartáveis, enquanto outros só reforçavam o que de pior existia naquele universo – eu só não esperava que as coisas fossem ficar tão ruins tão rápido. Mas no final das contas, pelo menos assistir de novo serviu pra me mostrar que as pessoas de fato mudam e que depois que a gente enxerga algumas coisas, fica realmente impossível desver.

Tem outros troféu.

VIDA DE FANGIRL

BABY YOU LIGHT UP MY WORLD LIKE NOBODY ELSE

Ou: Meu melhor de One Direction.

Não é nenhuma novidade que One Direction é a minha boyband favorita. Embora tenha tido uma fase bastante de amor verdadeiro e eterno pelos Backstreet Boys (#TeamKevin), foram os meninos do One Direction que me ensinaram a ser fã sem ressalvas e mostraram do jeito mais divertido possível que ser ridícula é bom demais. Hoje, não tenho a menor vergonha de admitir que Made In The A.M é um dos meus álbuns favoritos no mundo inteiro, que o Harry Styles é a pessoa mais adorável que eu já se teve notícia e que só entra no meu carro quem souber cantar pelo menos uma música da melhor boyband do mundo – e ai de quem não souber qual é. Critérios, a gente vê por aqui.

Pensando nisso – e depois de uma conversa particularmente produtiva com a Michas, minha mais nova parceira de ciladas -, decidi seguir seu maravilhoso exemplo e compartilhar minhas vinte músicas favoritas da boyband mais deliciosamente creiça de todos os tempos. Abracem os sentimentos, pois eles continuam sendo os únicos fatos.

1) What Makes You Beautiful: Impossível não começar com a música responsável por me fazer pagar a língua e descobrir que por trás dos jovens creiços de cabelo duvidoso, existiam pessoas adoráveis com corações que batiam com força, e que era muito mais divertido dançar com eles do que sustentar uma pose too cool for school o tempo inteiro. Esqueçam a problematização por hoje e apreciem toda a creicisse que só um clipe de jovens adolescentes absolutamente adoráveis pode fornecer, risos.

2) One Thing: One Thing é exatamente o tipo de música que me conquista de cara e eu não preciso nem fingir que não. É a letra gracinha, a melodia que poderia servir de trilha sonora pra um filme gracinha qualquer, e o que dizer desses mocinhos adoráveis, não é mesmo? I’ve tried playing it cool / But when I’m looking at you / I can’t ever be brave / ‘Cause you make my heart race. Tão lindos. Tão novinhos meus bebês. Os sentimentos, definitivamente são os únicos fatos.

3) Live While You’re Young: Acho que, de todas as músicas do One Direction, Live While You’re Young continua sendo a minha favorita até hoje, aquela que eu não consigo ficar parada quando ouço tocar e que me remete a um momento muito bom da minha vida, cheio de festinhas na casa de amigos, banhos de piscina e programas de índio marcados em cima da hora, e que me faz sentir muito viva e incrivelmente jovem – mesmo com minha alma de uma idosa de 84 anos, risos. Minha realização será o dia que puder dançá-la com minhas amigas em uma pool party bem maravilhosa e lembrar porque ser jovem é, afinal de contas, maravilhoso demais.

4) Little Things: Unpopular opinion: é uma verdade universalmente desconhecida que eu não costumo ser muito fã das baladas do One Direction. Acho todas meio bregas e embora as letras costumem ser uma gracinha, nem sempre são o suficiente pra me convencer. Little Things é uma das poucas que fogem à regra, mais por insistência do que qualquer outra coisa. A letra é adoravelmente brega, mas ao mesmo tempo um amor, e mais legal do ouvi-la em looping, só ter um desses meninos cantando diretamente pra você, risos. I’m in love with you – 01 verdade da qual é impossível fugir.

5) Kiss You: SO TELL ME GIRL IF EVERY TIME WE TOUCH YOU GET THIS KIND OF RUSH, BABY, SAY YEAH, YEAH, YEAH, YEAH, YEAH. IF YOU DON’T WANNA TAKE IT SLOW AND YOU JUST WANNA TAKE ME HOME BABY, SAY YEAH YEAH YEAH YEAH, YEAH AND LET ME KISS YOU.

6) Best Song Ever: Eu disse que Live While You’re Young era minha favorita, mas eu estava mentindo. Quer dizer, ela é também uma das minhas favoritas, mas perde várias posições com Best Song Ever. Por mais que eu já gostasse desses meninos antes, alguma coisa aconteceu ali pelo Midnight Memories, porque eles de repente não eram só adolescentes bonitinhos e absolutamente adoráveis, mas uns caras assim que você sente vontade de agarrar pelo pescoço, colocar uma aliança no dedo e apresentar pra vó. Definitivamente, acontecem coisas. Best Song Ever entra no hall de músicas que me fazem querer dançar no ato e que não me deixa parada sempre que toda. Eu faço dance parties no meu quarto ou no carro com ela, e quando me falta energia ou ânimo pra fazer qualquer coisa, ela é tiro certo em me animar. Ser jovem nunca foi tão maravilhoso, etc etc.

7) Story Of My Life: Sempre que ouço essa música, lembro de tantas noites que voltava da faculdade com ela servindo de trilha sonora e pensava na vida, no universo e tudo mais. É uma música que, embora tenha uma letra meio “x” – sei lá, não conversa muito diretamente comigo? – é ainda muito bonita e já me acompanhou em várias ~reflexões~. É o clipe, no entanto, a minha parte favorita. Adoro as fotos penduradas, o passado dos meninos aparecendo ali enquanto eles cantam sobre a história da minha vida (de quem quer que seja, porque da minha é que não é, risos) e revivem momentos do passado. Foi mais ou menos nessa época que eu parei de encará-los como uma boyband divertida, porém que eu não tinha muita coragem de admitir que gostava, pra uma que eu admitia que gostava e ainda em voz alta, sem nenhum medo de ser feliz.

8) Diana: Não confirmo nem nego que penso em colocar o nome da minha filha de Diana só por causa dessa música (e da princesa, of course), risos eternos.

9) Midnight Memories: Eu não gosto dessa música tanto quanto a maioria das pessoas parecem gostar, mas gosto o suficiente pra colocar no meu seleto grupo de favoritas pois TÃO MARAVILHOSA! Em comparação com as outras citadas até agora, acho que ela tem uma pegada radicalmente diferente e talvez por isso tenha demorado um bocado até eu finalmente entender o que ela tinha assim de tão incrível. O clipe, por outro lado, não demorou nem um pouquinho para amar: é maravilhoso e não tem nem pra onde fugir.

10) You & I: Mais uma que me lembra demais quando eu ainda estudava à noite e voltava tarde pra casa, sozinha, de carro. Ouvir essa música é quase como voltar para aqueles dias de pistas vazias e sinais piscando sem funcionar enquanto eu pensava na vida, no universo e tudo mais. Aliás, mais uma baladinha que foge da regra e que eu consegui amar apesar dos pesares.

11) Steal My Girl: Apenas visualizem essa cena: eu e Guilherme no carro, cantando essa música a plenos pulmões, como se nossa vida verdadeiramente dependesse disso. Risos eternos. Muito mais do que uma música favorita, Steal My Girl é uma música que me traz memórias maravilhosas de todas as noites que saímos de carro – fosse pra comprar comida, fosse pra uma festa – e cantávamos junto com nossos garotos favoritos. Arranjem um namorado que cante One Direction com vocês, fica a dica.

12) Ready to Run: Não é uma música que costumo ouvir com frequência, mas ainda assim é uma das minhas favoritas. Ela tem uma melodia que também remete demais aos filminhos gracinha que eu tanto amo e sempre que eu a ouço, imediatamente me imagino vivendo em um filme de tons pasteis, dirigido pela Sofia Coppola. É uma imagem realmente maravilhosa e se a arte imita tanto a vida, então nada mais justo que ter One Direction como a trilha sonora de vários ~momentos~ do meu filminho particular.

13) Fireproof: Foi só recentemente que eu descobri essa música e foi com um sorriso no rosto que eu descobri que, mesmo já tendo revirado o trabalho desses garotos de cabeça pra baixo, ainda era possível me apaixonar por novas faixas. De todas, Fireproof talvez seja a música que mais me faz vontade de levantar da cadeira, não pra pular ou qualquer coisa assim, mas pra fechar meus olhos e balançar meus braços pra lá e pra cá enquanto imagino eu e minhas amigas em um show deles, nos amando demais enquanto cantamos que devemos ser à prova de fogo – e nós somos mesmo.

14) Perfect: MÚSICA DO HARRY STYLES PARA TAYLOR SWIFT. I REST MY FUCKING CASE.

15) Infinity: Acontecem coisas é a única coisa (?) que explica o fato de eu amar tanto essa música, mesmo depois de ter achado uma choradeira sem limites nas primeiras vezes que ouvi. Ela é, também, uma música que me lembra a Thay, uma pessoa que eu amo profundamente e com quem tenho muitas coisas em comum, ao ponto de enxergá-la como uma irmã de alma mesmo. Eu jamais vou esquecer o dia que, enquanto todo mundo gongava essa música e eu curtia uma fossa particular, fui gritar a letra no twitter e a Thay começou a gritar de volta. Definitivamente um momento maravilhoso demais pra eu esquecer.

16) If I Could Fly: Música brega até dizer chega que me faz chorar toda vez que eu escuto. Bless my little heart.

17) What A Feeling: A primeira vez que eu ouvi essa música foi no dia 13 de novembro, quando o álbum saiu (foi nesse dia mesmo? não lembro), e eu achei a coisa mais horrorosa do mundo. Quer dizer, o que mais a gente pode achar de uma música tão genérica, não é mesmo? Pois é. Nada como pagar a língua, porque bastou que eu fosse presenteada com o álbum mais recente dos meninos pra morder a minha própria língua e começar a amar muito profundamente. A letra não é exatamente a coisa mais profunda do mundo, mas é o suficiente pra me fazer querer cantar com vontade enquanto balanço meus bracinhos pra lá e pra cá.

18) I Want To Write You A Song: De todo o Made In The A.M – também conhecido como meu álbum favorito do One Direction – essa música é, de longe, a minha favorita. Ela se parece demais com uma outra música que eu também amo muito profundamente, no nível de até o título ser praticamente o mesmo, mas não consigo ficar chateada porque amor, esse sim, nunca é demais. É uma música que me acalma muito e que me lembra que, embora a vida seja um tanto complicada, pelo menos eu tenho pessoas do meu lado para construírem um barquinho pra eu saber que todas as vezes que eu pensar que meu coraçãozinho vai afundar, eu ter certeza que ele não vai.

19) History: Acho linda a forma como, no álbum que antecede o hiato da banda, eles resolveram incluir tantas músicas que falam sobre amizade e, principalmente, sobre a história do One Direction. History, como o próprio nome já entrega, é uma música que fala da trajetória deles juntos e que celebra a amizade de um jeito doce e totalmente adorável, o tipo de coisa que só uma banda de rapazes tão doces e absolutamente adoráveis seria capaz de fazer. Eu ouço essa música e penso nas minhas amigas, na história incrível que estamos escrevendo juntas e como elas foram – e continuam sendo – uma parte tão importante da minha vida, e é incrível como conseguimos construir relações tão fundamentais. É como diz a máxima: amigos são mesmo a família que a gente escolhe.

20) A.M: Foi a primeira música de Made In The A.M que eu amei verdadeiramente. Apesar de fazer 100% o meu estilo e isso, por si só, já ser suficiente para que ela esteja no meu seleto grupo de favoritas, ela é mais uma música que fala sobre a amizade, sobre a história dos rapazes, o universo, a vida e tudo que existe aí no meio. Entretanto, ao contrário de History, ela realmente me lembra as minhas amizades de um jeito mais íntimo. Enquanto a ouço, sou totalmente capaz de viver lembranças muito especiais que só tenho porque o caminho de pessoas incríveis cruzou com o meu, algo que eu serei grata por todos os dias da minha vida. É como se eu quase pudesse ter todas as sensações de novo, como se eu vivesse tudo aquilo mais uma vez, dessa vez de fora, com a certeza de que, mesmo em um mundo tão problemático, ainda existem coisas que fazem a vida valer muito à pena – ainda bem.

 ♥

P.S: Esqueci de colocar Temporary Fix. Me odiarei eternamente.

VIDA DE FANGIRL

07 EPISÓDIOS FAVORITOS DE SUPERNATURAL

Não é novidade pra ninguém que “Supernatural” é minha série favorita. Embora não fale sobre ela com muita frequência por aqui, visto que não tenho maturidade para falar das coisas que amo demais e não sou obrigada a lidar com gente sem coração dizendo que essa série não presta, devia ter acabado na quinta temporada, será que essa merda não acaba nuncaAaAaAaAa?, etc etc (não está fácil ser fã de “Supernatural”), já comentei sobre a série por vezes suficientes para que vocês não tenham nenhuma dúvida sobre meu amor pelos irmãos Winchester e seu negócio de família. Por mais que eu reconheça muitos dos problemas da série, “Supernatural” foi uma das primeiras séries a me conquistar de verdade, ainda na adolescência, e que continua sendo minha favorita quase dez anos depois.

Pensando nisso e tentando falar um pouco mais sobre minha série do coração (que aparentemente nunca terá fim, risos histéricos), decidi compartilhar com vocês alguns dos meus episódios favoritos – uma ideia que, claro, tirei do blog da Thay, essa pessoa maravilhosa e que, não por acaso, divide o mesmo amor sem limites pela série que eu. Com mais de 200 (!) episódios para escolher, é quase uma missão impossível selecionar apenas sete e já adianto que tive que deixar de fora vários episódios icônicos, mas tentei fazer o melhor que pude, escolhendo episódios que faziam meu coração bater mais forte e que me marcaram de alguma forma, mas que também tinham alguma coisa a mais para oferecer além da bela relação dos irmãos e dos seres sobrenaturais que são regra (também excluí as seasons finales, porque acho praticamente todas sensacionais). Não custa avisar: o texto contém vários spoilers sobre a série (se é que dá pra considerar spoiler quando falamos de um episódio que foi ao ar há mais de dez anos), então se você se importa demais com esse tipo de coisa, vá tomar um café e volte outra hora.

1) “PILOT” (1×01)

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Quase nada é tão clichê quanto escolher o primeiro episódio de uma série como favorito, mas sou da opinião de que clichês não se tornam clichês por acaso, e no caso de “Supernatural” é absolutamente impossível fugir de uma escolha tão óbvia. Mesmo eu, que raramente gosto de primeiros episódios e nunca sou convencida por uma série na largada, tenho um carinho enorme por esse – que é também o que assisti mais vezes até hoje. Gosto muito da história da Mulher de Branco, de todo o clima típico dos filmes de terror da segunda metade dos anos 90 e início dos anos 00 – que me transporta diretamente para todas as tardes que passei explorando locadoras atrás de filmes de terror na infância, num nível tão intenso que eu quase posso sentir o cheiro (!) das capas dos filmes empoeiradas nas prateleiras -, e da trilha sonora cheia de rock clássico mas também lotada de músicas instrumentais que complementam todo o ambiente e o suspense necessário na história. No entanto, gosto principalmente de como ele consegue apresentar seus personagens de forma tão adequada, construindo relações tão humanas que, ao contrário do que muita gente acredita, é um dos pontos altos da série.

Nele, conhecemos os dois protagonistas da série, Sam e Dean, irmãos que tiveram a mãe brutalmente assassinada por um demônio ainda na infância e que veem suas vidas mudarem radicalmente após o episódio, quando o pai dos dois decide partir numa caçada ao demônio de olhos amarelos responsável pelo assassinato de sua esposa. 22 anos se passaram desde o assassinato, Dean e Sam se tornaram homens e seguiram seus caminhos. No entanto, após John sumir sem deixar vestígios, Dean se vê “””obrigado””” a pedir ajuda para seu irmão caçula. A partir daí, começamos a entender as principais diferenças entre os dois, sendo a relação de cada um com o pai talvez a mais gritante delas. É justamente por isso que, embora “Supernatural” seja uma série sobre caras muito gatos caçando criaturas sobrenaturais, sempre gosto de dizer que ela é muito mais uma história sobre família do que qualquer outra coisa, e isso é algo que o próprio episódio piloto faz questão de deixar bem claro. 

2) “SCARECROW” (1×11)

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Também conhecido como “o episódio do espantalho”, Scarecrow foi o episódio da série que mais me deu medo até hoje, que me fez ficar acordada à noite e ter vários pesadelos quando eu finalmente conseguia pegar no sono. Ele começa quando John Winchester, pai dos rapazes, liga para os dois depois de algum tempo sem dar notícias e pede que eles parem de procurá-lo, dando indicações para um possível caso na pequena cidade de Burkitsville, em Indiana, onde um casal de jovens desaparecera nos últimos três anos, sempre na segunda semana de Abril. Contrariado pelas ordens do pai, Sam briga com Dean e decide agir por conta própria, indo para a Califórnia atrás do pai e do demônio que matou sua mãe e namorada, enquanto Dean prefere seguir as instruções do pai e viaja para Burkitsville, onde descobre a existência de um deus pagão nórdico que exige o sacrifício de um casal por ano para continuar mantendo a prosperidade da pequena cidade. É assim que os moradores da cidade, ano após ano, enviam casais para serem mortos pelo Espantalho e depois acobertam cada um dos assassinatos. 

Na tentativa de impedir que os moradores continuem sacrificando pessoas inocentes por causa de maçãs (!), Dean acaba sendo capturado e é oferecido, junto com a filha adotiva de um dos casais da cidade, como sacrifício, já que o prazo está se esgotando e as árvores começam a morrer. No final das contas tudo acaba dando certo, mas até hoje acho incrível como os criadores da série foram capazes de construir um caso tão rico e um cenário tão bonito quanto assustador, explorar uma mitologia tão rica de um deus pagão, adicionar mais camadas à relação dos dois irmãos e introduzir uma personagem que seria recorrente na trama, tudo num único episódio. Além disso, uma das minhas quotes favoritas da série está nesse episódio e, embora ela seja dita por uma personagem terrível, que só diz isso para se aproximar de Sam – porque esse era bem o tipo de coisa que ele precisava ouvir, afinal de contas -, não consigo gostar menos dela por isso: “the food migh be bad and the beds might be hard, but at least we’re living our own lives“. Obrigada por essa, Meg!

3) “THE MAGNIFICENT SEVEN” (3×01)

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Após abrirem os portões do inferno e com o relógio correndo para Dean – que fez um acordo com um demônio da encruzilhada para salvar a vida de Sam, e agora tem apenas mais um ano de vida até que hellhounds venham buscá-lo -, o primeiro episódio da terceira temporada de SPN marca muito bem o início de uma das melhores temporadas da série, mas também uma das mais tristes, onde os irmãos Winchester precisam lidar com demônios que não são vistos há muito tempo – em alguns casos, desde a Idade Média – e que são muito mais poderosos do que muitas criaturas com os quais tiveram que lidar até então, ao mesmo tempo que precisam lidar com outros caçadores que se revoltaram com o vacilo dos rapazes, e a morte de Dean, que se aproxima cada vez mais e gera cenas de partir o coração.

Em The Magnificent Seven, conhecemos os Sete Pecados Capitais, demônios que representam cada um dos pecados e que são capazes de fazer com que seres-humanos cometam atos terríveis sob sua influência. Um bom exemplo disso é a família que morre, literalmente, de preguiça, ou então a mulher que mata outra por pura inveja. O episódio, no entanto, aproveita o gancho dos sete pecados capitais para fazer uma discussão bastante pertinente sobre a presença deles nas nossas vidas, sobre a hipocrisia do ser-humano e como os pecados são inerentes à nossa existência, sendo a maior diferença apenas o fato de que consumimos doses homeopáticas deles, enquanto demônios elevam isso ao nível máximo – algo que me fez pensar um bocado. Além disso, é nesse episódio que uma das minhas personagens favoritas – e que, posteriormente, se tornou uma das mais odiadas (pois é) – é inserida: Ruby. Odeio a segunda versão dela, tão insuportável que tenho vontade de vomitar, mas amo demais essa primeira, interpretada maravilhosamente pela Katie Cassidy, e adoro especialmente a forma como ela chega, enfiando o pé na porta, chutando bundas e salvando a vida de Sam no processo. Who the hell are you? I’m the girl who just saved your ass.

4) “MONSTER MOVIE” (4×05)

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De todas as criaturas que já apareceram em “Supernatural”, metamorfos são os que eu menos gosto e episódios com eles são, consequentemente, os que eu menos curto. Acho uma bosta esse povo que pode se transformar em qualquer pessoa e ao invés de usar isso para algo bacana, preferem sair por aí tocando o terror, acabando com a vida de tanta gente e causando um tanto de problema só porque sim. Além disso, sempre fico muito incomodada de pensar que eles podem ser QUALQUER PESSOA, literalmente, de modo que os personagens nunca estão seguros em lugar nenhum. No entanto, Movie Monster foge completamente à regra justamente por ter um metamorfo que, embora faça coisas ruins – ele mata uma galerinha, afinal de contas – faz isso inspirado em filmes clássicos, assumindo a forma de personagens icônicos da ficção, e que tem uma história verdadeiramente triste por trás de seus atos.

No episódio, Sam e Dean vão para uma pequena cidade onde está acontecendo uma edição da Oktoberfest, um festival que celebra as tradições alemãs, e onde mortes misteriosas começaram a acontecer desde então. O problema é que as únicas testemunhas dos crimes acusam criaturas sobrenaturais como vampiros, lobisomens e múmias, e ninguém acredita em nenhuma delas – além, claro, dos irmãos, que já viram de tudo nessa vida mesmo e não teriam motivo nenhum pra duvidar. Entretanto, ao longo do episódio, eles vão descobrindo que cada um dos personagens não são nem um pouco parecidos com os vampiros e lobisomens com os quais estão acostumados, sendo criaturas idealizadas, muito parecidas com aquelas que ficaram famosas no cinema. É depois de um encontro com o “””Drácula””” que Dean descobre que se trata de um metamorfo, e a partir daí os dois vão atrás do verdadeiro culpado. O mais interessante no episódio, além da história absurdamente divertida, é que, esteticamente, ele é bem diferente do que estamos acostumados, e utiliza vários elementos que remetem ao cinema clássico. A fotografia em preto e branco, as sombras típicas do expressionismo alemão, os créditos na abertura, as transições, a trilha sonora, o intervalo (!) no meio do episódio e os próprios personagens, fora todas as brincadeiras tão características da série, que em todos esses anos nunca se levou a sério demais (ainda bem!). É absolutamente impossível esquecer os agentes Angus e Young, a teoria de Dean sobre ter voltado a ser virgem depois de passar um tempo no inferno, ou então do Drácula recebendo uma pizza em casa e querendo usar um cupom de desconto (mas só depois de se certificar que não tinha alho nela, pois lógico).

 5) “YELLOW FEVER” (4×06)

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Sendo a pessoa retardada que sou, estranho mesmo seria deixar Yellow Fever de fora da minha lista de episódios favoritos. Nele, Sam e Dean investigam três casos de pessoas absolutamente saudáveis que tiveram um infarto e faleceram do nada em uma pequena cidade do Colorado. Ao que tudo indica, não existe nada de sobrenatural acontecendo, mas os irmãos logo descobrem padrões, de modo que eles decidem ficar e investigar. O negócio é que não demora muito para que Dean comece a apresentar os mesmos sintomas das vítimas e temer coisas absolutamente ridículas, tipo um yorkishire ou um gatinho inofensivo num armário, e se tornar cautelo com coisas que ele nunca deu a mínima, tipo dirigir dentro do limite de velocidade e não andar na contra-mão, ou se recusar a segurar uma arma porque ela pode disparar sozinha a qualquer momento e achar que ser caçador só pode ser coisa de gente doida – e é justamente aí que mora toda a graça.

Dean sempre foi um cara extremamente corajoso, que enfrenta coisas que colocariam medo em qualquer pessoa, que nunca se preocupou em se sacrificar pelas pessoas que ama e sempre esteve disposto a colocar sua vida em risco para salvar pessoas que ele nem conhece, e vê-lo ter medos tão aleatórios é no mínimo curioso (além de muito engraçado). No fundo, sempre me bate uma pena real quando vejo a carinha dele de assustado, fora que a história por trás do caso é bem triste na realidade, mas como ver o Dean fazendo o maior escândalo por causa de um gato e não se dobrar de tanto rir? Além disso, esse é o episódio em que Jensen Ackles, ator que interpreta o Dean, faz toda uma performance ao som de Eye of the Tiger, do Survivor, o tipo de coisa que você assiste e não esquece nunca mais, e que sempre me dá a certeza de que ele deve ser uma pessoa tão legal e divertida na vida real quanto faz parecer na ficção.

6) “SYMPATHY FOR THE DEVIL” (5×01)

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Eu ia começar dizendo que a quinta temporada é minha favorita, mas aí eu lembrei que todas as temporadas são minhas favoritas (menos a sétima, porque realmente não dá pra defender uma temporada que achou uma boa ideia investir em leviatãs aleatórios), ou seja, eu não tenho nenhum motivo especial para escolher esse episódio além dele ser muito, muito bom e absolutamente impecável na missão de contextualizar o maior evento da temporada e, muito provavelmente, de toda a série: o Apocalipse. Embora essa seja justamente a tal temporada que muita gente jura que a série deveria ter sido finalizada – uma questão que ainda divide bastante as opiniões dos fãs -, não dá para discordar de que ela realmente é uma das melhores e que consegue passar toda a urgência digna do fim do mundo já no primeiro episódio. Ele começa exatamente de onde parou: após quebrar o 66º selo e libertar Lúcifer de sua jaula, os irmãos são salvos misteriosamente e a partir daí começam uma corrida contra o tempo para impedir que o capeta himself concretize seus planos. Ao mesmo tempo, eles vão fazendo novas descobertas sobre o Apocalipse, mas também sobre o papel de cada um nessa história, coisa que determina o rumo da série no final da temporada.

Entretanto, o que mais gosto nesse episódio – e que, inclusive, também mais me assusta – é a forma como Lúcifer vai cercando “seu escolhido”, a pessoa que ele precisa tomar o corpo para poder colocar seus planos em prática. Ao contrário dos demônios, que podem possuir qualquer pessoa sem a permissão da mesma, Lúcifer é um anjo, de modo que ele precisa da permissão do seu receptáculo para possuir seu corpo. A série apresenta, então, Nick, interpretado por Mark Pellegrino (melhor Lúcifer EVER), um cara que matou a mulher e o filho durante o sono e passa a ser atormentado por visões da mulher morta, que informa que ele é o escolhido e pede para que ele aceite sua missão; além de ver sangue no berço do filho, objetos em movimento sem nenhuma explicação aparente e ouve barulhos que não vêm de lugar nenhum. São cenas realmente terríveis, mas muito bem feitas e pensadas, e que fazem total sentido no contexto em que a série se encontra nesse ponto. É o começo do fim do mundo, Lúcifer está à solta e ninguém faz a menor ideia do que fazer em seguida, e esse episódio é suficiente para me fazer temer o futuro como se o fim do mundo fosse, de fato, uma realidade.

7) “THE FRENCH MISTAKE” (6×15)

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Por último, mas não menos importante, The French Mistake é um desses episódios que nos lembram uma das coisas mais importantes sobre “Supernatural”: embora seja uma série com uma carga dramática enorme e que faça a gente sofrer um bocado com e por seus personagens, ela também é uma série que nunca se leva a sério demais e que está sempre pronta para quebrar barreiras e fazer graça de si mesma, o que, no meio de tanta coisa ruim que invariavelmente acontece, acaba sendo um respiro muito bem-vindo pra todo mundo. Nesse episódio, por exemplo, Sam e Dean vão parar numa realidade alternativa onde os dois não são mais Sam e Dean, mas sim Jensen e Jared, dois atores que interpretam os irmãos Sam e Dean (!) em um seriado chamado “Supernatural” (!). Não é sensacional?

Tudo isso acontece graças à Balthazar, um anjo pentelho que às vezes é bom, às vezes nem tanto, mas que sempre toma umas decisões bem equivocadas (tipo roubar e quebrar o cajado de Moisés, wtf, cara?). Nesse episódio, no entanto, Balthazar só estava tentando salvar os irmãos Winchester de um ataque surpresa de Rafael, um dos quatro Arcanjos criados por Deus (os outros três são Gabriel, Miguel e Lúcifer), e acaba enviando os dois para uma realidade alternativa. Embora o plano não dê muito certo e os anjos acabem encontrando os dois irmãos – o que consequentemente traz para o set e para a vida das pessoas que trabalham ali alguns episódios bem ruins -, o que torna The Frenck Mistake diferente dos outros episódios e tão, tão marcante é justamente essa proposta de sair do lugar comum e fazer graça com todo mundo enquanto os dois irmãos tentam desvendar o caso da vez. É divertido demais assistir Sam e Dean tentando ser Jensen e Jared – e falhando miseravelmente -, além de todas as piadinhas, referências e surpresas que aparecem no meio do caminho (a cara deles quando encontram Genevieve Cortese, mulher do Jared Padalecki na vida real e que interpretou a Ruby 2.0, é impagável). Como sempre, tudo se resolve no final e os dois irmãos retornam para sua realidade de caçadores, mas é por essas e outras que “Supernatural” continua sendo minha série favorita mesmo depois de tanto tempo.