JOHN HUGHES NÃO DIRIGE MINHA VIDA

COME HERE, PLEASE HOLD MY HAND FOR NOW

Help me, I’m scared please show me how to fight this,
God has a master plan
And I guess
I am in his demand

Então minhas aulas começaram.

Querido leitor, me perdoe por ser repetitiva. Eu sei que a essa altura é bem possível que você já saiba que minhas aulas começaram. Quer dizer, se você me segue no twitter ou assina minha newsletter (o que você está fazendo que ainda não assinou?), é bem possível que você saiba que minhas aulas começaram na última segunda-feira. Mas daí que existem pessoas e pessoas, e ninguém é obrigado a me seguir ou assinar nada (mentira, é claro que vocês são obrigados), então achei que seria importante compartilhar essa informação logo de cara. Até porque, o início do semestre letivo é um evento importantíssimo, que pode definir todo o andamento da minha vida nos próximos meses. É aquela história: dependendo do semestre/professor/trabalho/prova, e de todas as coisas que acontecerem no meio do caminho (elas sempre acontecem em maior ou menos intensidade), talvez eu chegue em julho (ou agosto, sei lá) me sentindo mais ou menos uma pessoa de verdade.

ross

Esse também é meu primeiro semestre como estudante de audiovisual – o que é maravilhoso e terrível ao mesmo tempo. Maravilhoso porque, finalmente, estou estudando algo que realmente me interessa, que é o que eu (acho que) sei fazer e que pode me levar onde eu quero estar – onde quer que isso seja. Eu voltei a gostar de estar na faculdade, voltei a curtir as aulas, voltei a sonhar e fazer planos, e mesmo que eu não acredite em mim o suficiente pra correr atrás de todos eles, pela primeira vez eu sinto que estou no caminho certo e que, eventualmente, posso chegar lá. Terrível porque essa sensação de começar tudo de novo, não do zero, mas exatamente da metade, um ponto onde todas as pessoas já se conhecem, se entendem, um ponto em que é difícil você se juntar e se misturar e passar a fazer parte do todo, é uma bosta bem grande. Por mais que eu conheça pessoas e esteja disposta a conhecer outras, é tudo muito novo e estranho e confuso e eu não sinto como se algum dia fosse fazer parte de verdade do que está acontecendo ali.

i dont know what im gonna do with my life

Conversando com algumas pessoas que viveram ou estão vivendo a mesma coisa que eu, descobri que se sentir deslocado é quase uma regra geral entre aqueles que também resolveram arriscar e pegaram o bonde andando, confiando que o destino, no final das contas, compensaria qualquer perrengue. Porque lógico, né? Se você entra num bonde que já está andando, não dá pra ter certeza de nada, muito menos que vai sobrar um lugar pra você sentar e continuar a viagem confortavelmente. Talvez você fique em pé. Talvez você tenha que se segurar com força pra não acabar desistindo na primeira curva, acreditando que todo esforço é compensando, que o destino, no final das contas, vale o perrengue.

Uma coisa que eu ouvi, aliás, nessa primeira semana e que me marcou demais veio exatamente de uma das pessoas que, assim como eu, passaram por vários vestibulares e vários cursos e tiveram vários amigos e conheceram várias perspectivas até encontrar algo que a fizesse sentir que, finalmente, estava no lugar certo. Eu não quero só um diploma, eu quero ter algo do que me orgulhar, algo que tenha um significado pra mim, que não seja só um pedaço de papel. E enquanto eu ouvia, do fundo da sala, só conseguia pensar: é isso, é isso, é isso.

Eu preciso me apaixonar pelas coisas que faço, preciso me sentir realizada com elas, seja uma festa de aniversário, um blog ou uma graduação, preciso acreditar que elas valem à pena e preciso principalmente me importar com cada uma delas – do contrário, não vou esquentar minha cabeça com algo que não me interessa. Tive a sorte de nascer num ambiente favorável, rodeada por pessoas que valorizam isso, que me deram o privilégio da escolha e sempre me encorajaram a seguir o meu caminho, qualquer que fosse. Por mais que meu pai tenha sonhado a vida inteira com uma filha médica e minha mãe sonhe com uma filha concursada, eles me apoiaram e celebraram cada uma das minhas escolhas, certas ou não, e eu sinto que tenho uma obrigação moral de compensar isso de alguma forma, fazendo o que eu quiser da melhor forma que eu puder. É por isso que, por mais que eu tenha tentado, tentando de verdade, eu jamais seria feliz se passasse o resto da vida com a cara enfiada em planejamentos ou pesquisando sobre coisas que nunca me trouxeram nenhum tipo de satisfação. Reconheço muito do perigo que existe em se satisfazer justamente naquilo que paga as contas e acredito em vários problemas que podem surgir daí, inclusive sofro com alguns, mas eu já passei tempo demais tentando acreditar no contrário, e se não deu certo por quase quatro anos, não é agora que vai dar. Tipo, sem chance.

its really fulfilling doing something you hate for no money

(É possível que, mais uma vez, eu esteja terrivelmente equivocada, mas aí é uma coisa que eu vou ter que descobrir por conta própria)

Começar de novo, não do zero, mas de um lugar totalmente novo, é assustador porque me tira da minha zona de conforto e me coloca de frente com alguns monstros ao mesmo tempo que faz perguntas para as quais eu ainda não tenho uma resposta. O que você quer? Quem você vai ser? O que você vai fazer com a sua vida? Quando você finalmente vai começar a ganhar algum dinheiro? Onde você quer chegar? Quanto tempo você ainda tem? Eu poderia correr e me esconder de tudo e todos, eu poderia simplesmente fugir, que é o que eu mais tenho vontade de fazer na maior parte do tempo, mas aí eu não estaria sendo honesta comigo mesma.

Preciso fazer força para ser corajosa e mostrar pra mim mesma que eu posso, que eu consigo, que eu sou capaz, mesmo morrendo de medo. Não tem um dia que eu não acorde duvidando de mim mesma, pensando que se eu estou nessa sozinha, se eu sou a única irmã das minhas mágoas, a única pessoa capaz de correr atrás dos meus sonhos, então eu não vou chegar em lugar nenhum. Mas aí eu levanto da cama, porque é assim que as coisas começam a acontecer, e de repente: ufa, um dia já foi. Só faltam mais dois anos. É desesperador na maior parte do tempo, mas ninguém disse que seria fácil mesmo. Eu não tenho todas as respostas e não sei se estou perto de encontrá-las, mas temos um caminho inteiro pela frente para descobrir – ainda bem.

Quando comecei a escrever esse texto, pensei que seria só mais um resumão dos últimos dias, com tudo de bom e de ruim que tem acontecido na minha vida, e não um desabafo aleatório sobre ela, mas acho que no fundo eu precisava escrever sobre isso e talvez eu precise de um pouco de ajuda também. Sei que ninguém tem nada a ver com isso, mas só dessa vez, posso pedir pra vocês torcerem por mim? Parece que não faz diferença nenhuma, mas eu juro que a diferença é enorme.

hm

Vai dar tudo certo, né?

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8 Comments

  • Reply Ludimila 14 de março de 2016 at 1:03 PM

    “Eu não quero só um diploma, eu quero ter algo do que me orgulhar, algo que tenha um significado pra mim, que não seja só um pedaço de papel.” – passei um bom tempo repetindo isso para mim e foi por isso que saí de psicologia, por isso não entrei em publicidade e propaganda, por isso não entrei em jornalismo e por isso não vou entrar em nenhuma graduação por ora pois aqui onde eu moro não tem o curso que eu quero fazer, que curiosamente é audiovisual (seria pedir muito você compartilhar um pouco do dia-a-dia do curso aqui ou na newsletter ou onde você quiser? seria?). Em paralelo eu descobri há dois anos que amo fotografia e tô nessa, mas eu sei que lá no fundo sempre vai faltar, não o diploma, mas experiência de atravessar a universidade.

    Vai dar tudo certo! <3

  • Reply Patthy 14 de março de 2016 at 6:02 PM

    Em vez de vir aqui com frases prontas do tipo “quem começa com medo de falhar, já falhou” porque eu acho uma bobeira esse negócio de não poder ter medo, de ser destemido independente do que aconteça. Medo é normal, medo é saudável e foi o medo que impediu a humanidade de ser extinta durante esses anos todos de evolução. Se te conforta de alguma maneira, lembre-se que você está tentando seguir com essa empreitada apesar do efeito paralisador do medo de dar errado.
    E, veja só, isso quer dizer que você já tem uma fagulha dentro de si. Só não pode deixar apagar. É trabalhoso? Sim, tem vento o tempo todo tentando apagar a fagulha. Mas você já fez o mais difícil, que é acender.

  • Reply Ana Flávia 15 de março de 2016 at 1:12 AM

    “Preciso fazer força para ser corajosa e mostrar pra mim mesma que eu posso, que eu consigo, que eu sou capaz, mesmo morrendo de medo.”
    Tô achando que esse seu texto casou tão bem com o que escrevi por último. Eu, no fundo do coração, ainda não sei o que faz meu coração bater mais forte e
    o que me faria realizar aquela frase “ame o que faça que não precisará trabalhar um dia na vida”. Tipo, eu amo arquitetura e urbanismo, mas ainda não escontrei o que realmente amo sabe?
    E com a crise, o emprego fora da área, o trabalho quadriplicado, tá foda tentar encontrar o caminho, o bonde andando.
    Que bom que você fez isso, Ana! Que bom que sua família te apoia e te cuida, porque são eles quem importam.
    E claro que estou aqui torcendo por você e que dará tudo certo! <3

  • Reply Manu 16 de março de 2016 at 12:42 AM

    Miga, dessa vez não vou pedir abraços, porque a vontade que me deu ao ler esse texto foi de te abraçar bem forrrrrrrrrrrrrrrrrrte – como você ja tá careca de saber, também me sinto igualmente perdida na vida, mas assim como você, eu tenho essa convicção de que a gente só vai ser feliz e realizado na vida se seguir essa vozinha na nossa cabeça e fizer aquilo que faz nosso coração pulsar de alguma forma. To aprendendo aos poucos que os perrengues, eles nunca vão deixar de existir, independente do que a gente esteja fazendo, mas essa satisfação de querer estudar e fazer coisas e trabalhar com algo que faz todo o sentido pra você é mágico. Vai dar tudo certo sim, pode deixar que estou torcendo! Continue firme aí :) tenho certeza de que logo você já vai descobrir algumas dessas respostas e ficar mais tranquila hahahaha
    beijosss! :***

  • Reply BA MORETTI 16 de março de 2016 at 2:05 AM

    its gonna be okay ♥

    e sei bem o que é esse feeling todo. já mudei de rumo tantas vezes que virou rotina me perguntar todo dia se é isso mesmo que eu quero pra mim. e quando me fazem as clássicas perguntas sobre o que eu vou fazer da minha vida é bem a vontade de sumir, de ~deus me leva~ que dá. mas a gente precisa se agarrar nessa ideia de que uma hora vai dar certo né? porque sinceramente, não é só questão de ~manter a cabeça no lugar~ sabe? acho que uma hora a gente se acha mesmo e que tá tudo bem recomeçar do começo, do meio e do fim quantas vezes a gente achar que deve. acho que a vida só é curta quando a gente se deixa levar e não toma partido das nossas próprias vidas. mas quando a gente tem essa força pra mudar de rumo quantas vezes achar necessário, aaaah, nesse caso a vida é loooonga ♥

  • Reply Chell 16 de março de 2016 at 8:12 PM

    “Eu não quero só um diploma, eu quero ter algo do que me orgulhar, algo que tenha um significado pra mim, que não seja só um pedaço de papel.” MARAVILHOSO.
    Eu to num momento tenso de redescoberta, empreendimento e loucuras, mas a vida muda, a gente muda e ai eu me sinto culpada. =/ Bem, vai fundo nisso que se você gosta vai dar certo =D

  • Reply Cacau 23 de março de 2016 at 12:18 PM

    Miga, sim, vai dar tudo certo.
    Eu sou uma pessoa que tinha zero ideia do que fazer com a minha vida, aí fez vestibular pra uma área que eu não tinha nada a ver, mas porque administração + T.I. poderiam ser algo que eu curtisse, né? Melhor do que ficar sem fazer nada, né? Não. Eu odiei cada momento e joguei alguns milhares de reais quase que no lixo. Aí eu tive a ideia de trocar pra Publicidade e Propaganda e eu fui lá e fiz isso. Pedi a troca e paguei os 35 reais da requisição. Mas eu não fiz com convicção, eu duvidei, eu ouvi muita gente falando e eu surtei. Corri lá na secretaria chorando e por favor, eu não quero PP, eu quero Direito!!!
    E aí eu troquei. Comecei. Me dei bem e até gosto, apesar de não ser apaixonada.
    Eu tinha esse leque de três opções antes de prestar vestibular, e por um pequeno momento eu fiz um pouco de cada um. Na real, um grande momento. Mês que vem eu já posso pedir minha colação pro ano que vem. Eu pensei que isso nunca ia acontecer. Mas vai.
    E vai pra você também.
    Tô aqui torcendo pra que tudo dê certo.

  • Reply KARINE 24 de março de 2016 at 12:26 AM

    dá um abraço ♥
    primeiro: vai dar tudo certo SIM! até por essa sua vontade de ir atrás de algo que acredita e que faz seu olho brilhar. o que tenho aprendido com essas coisas de mudar de área, é que nem todo mundo é tão bem resolvido na carreira quanto a gente imagina (não estamos sós). ano passado eu tava toda pilhada, me culpando pela vontade de mandar a arquitetura pro inferno (por ter parado de acreditar e sonhar com isso, mesmo depois de formada) enquanto via conhecidos partindo pra pós, investido nisso de alguma forma. nessa época é que eu realmente comecei a pensar em uma possibilidade de ir atrás da fotografia, e pela culpa (afinal, foram 5 anos de faculdade, estágios e sofrimento) eu senti medo barra vergonha de contar pros meus amigos que eu queria tocar o foda-se, senti medo de contar pra minha mãe (!!!) e passei meses agoniada. no final, todo mundo não só me apoiou (inclusive, aqui em casa minha mãe sempre me deu apoio pra ir atrás de tudo que eu quisesse fazer da vida) como me abraçaram enchendo de elogios, amigos arquitetos falando o quanto estavam amando minhas fotografias e que eu tinha mais é que ir atrás disso mesmo. parece ser besta sentir insegurança em relação aos seus amigos e família, mas as vezes a mente da gente é uma coisa louca, né? hoje em dia eu tô tentando seguir na fotografia, ainda estudando (por conta mesmo), fazendo algumas coisas que aparecem, ainda com medo de nada dar certo, mas bem mais aliviada por estar tentando – e isso que conta, tentar, né?
    enfimmmm, boa sorte no novo curso e vai se equilibrando no bonde até arrumar um lugar cômodo pra ficar.

    (obs: li o post da carta e nem tive coragem de comentar naquilo, de tão lindo, hahah).
    beijos.

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