MEMES

DEZ LIVROS QUE ME MARCARAM ATÉ AQUI

Como todos já sabem, o blog segue respirando com a ajuda de aparelhos. São tempos difíceis para as blogueiras, especialmente para esta que vos escreve, e infelizmente tenho tido que priorizar algumas coisas na minha vida. No entanto, enquanto lia meus blogs favoritos hoje, me deparei com um meme super gracinha no blog da Thay e imediatamente fiquei com uma vontade bem sincera de responder. Sei que essa é uma saída bem preguiçosa pra quem passa tanto tempo longe, mas a essa altura vocês já estão carecas de saber que os memes são a salvação oficial dos blogueiros em crise. Além disso, essa é uma ótima oportunidade pra que eu fale sobre livros, já que esse é um assunto que amo demais mas que, por motivos diversos, raramente falo aqui.

Não vou indicar ninguém dessa vez, mas sintam-se à vontade para responder. A única regra é que não pode repetir autores. E sempre importante lembrar: a ordem é completamente aleatória.

HARRY_POTTER_E_A_PEDRA_FILOSOFAL_1389761588B1) Harry Potter e a Pedra Filosofal, J.K. Rowling: Não dava pra ser mais clichê do que isso, mas a verdade é que, assim como boa parte da geração que viveu o auge de Harry Potter, a história do menino bruxo foi responsável por alavancar meu gosto por literatura, abrindo espaço para muitas outras histórias que viriam por aí. Lembro que ganhei esse livro da minha tia aos 9 ou 10 anos, numa edição mais antiga, quando as letras da capa ainda vinham numa fonte diferente (e sem o raio!), mas naquela época achei tudo meio estranho, especialmente porque o livro não tinha ilustrações e eu nunca tinha lido um livro sem ilustrações. Foi só quando meu padrasto alugou o filme pra mim (em VHS!) que eu fui descobrir a história incrível que aquelas páginas escondiam – e aí foi um caminho sem volta. Desnecessário dizer que, a partir daquele momento, a história do Harry se tornou uma das minhas favoritas da vida, para onde eu volto sempre que posso só pra poder viver tudo de novo, não importa quantas vezes já tenha feito isso antes.

LOS_ANGELES_1366213838B2) Los Angeles, Marian Keyes: É uma verdade universalmente conhecida que eu amo a Marian Keyes. Não tenho a menor vergonha de dizer que ela é uma das minhas autoras favoritas porque, bom, ela é mesmo. Ainda que seus livros mais recentes tenham me decepcionado um pouco, nunca deixo de ler algo que tenha o dedo dessa mulher, sempre na esperança de encontrar mais uma história incrível com o qual eu possa me identificar. Entre todos, no entanto, Los Angeles é de longe meu livro favorito, aquele que marcou uma época muito específica da minha adolescência e que, ao mesmo tempo, me influenciou no nível de, mais tarde, justificar minhas escolhas profissionais (?). Foi vendo Emily, melhor amiga da protagonista, ganhar a vida como roteirista, que surgiu em mim a vontade de fazer o mesmo. Por mais que ela passe por muitos perrengues (acreditem, ela passa por vários!), me imaginar tendo uma profissão tão legal (ainda que bem difícil) era o que fazia meu olho brilhar e até hoje, quando as coisas ficam meio estranhas na faculdade, é esse sentimento que me faz seguir em frente.

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3) O Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde: Difícil falar de um livro que, ao mesmo tempo que consegue ser tão incrível, é também tão descaradamente misógino. Por mais que seja uma obra de 1891 e que Oscar Wilde, por si só, já tenha um currículo bastante negativo nesse sentido, não deixa de ser incômodo (além de extremamente revoltante) ler barbaridades mil sobre mulheres, que são constantemente tratadas como seres superficiais e sem nenhum tipo de característica marcante além da beleza (ou a falta dela). Deixando essa questão de lado, no entanto, a história é realmente maravilhosa, e me fez refletir bastante sobre várias questões da minha vida, de um modo geral, mas também sobre essa coisa que é ser jovem e altamente influenciável, nossa relação com a passagem do tempo, a corrupção da alma, etc. Além disso, o livro também traz uma discussão bastante pertinente sobre a sociedade, o que é considerado certo, o que é considerado errado.

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4) Carta de Amor aos Mortos, Ava Dellaira: Carta de Amor aos Mortos é um livro que divide opiniões. Enquanto algumas pessoas amam profundamente e se identificam horrores, algumas odeiam com todas as forças. A maioria das pessoas que conheço (inclusive, muitas das minhas amigas) odeiam horrores, logo eu meio que comecei a odiar também – pelo menos até ler o livro e ele se tornar uma preciosidade na minha vida. De um jeito simples, acho que esse livro conversou comigo de uma forma que As Vantagens de Ser Invisível conversou com muita gente. Os dois, aliás, possuem uma proposta muito parecida, sendo a principal diferença (além das histórias, lógico) o fato de aqui temos uma personagem principal feminina, o que, pra mim, mudou absolutamente tudo. Eu me identifiquei demais com os dramas e questões da Laurel, ainda que não tenha vivido nada parecido, e acompanhar sua jornada foi algo muito bonito de ver. É um livro precioso esse e eu queria realmente que mais pessoas me levassem a sério quando digo isso.

1984_1388816485B5) 1984, George Orwell: Eu sempre tive um problema considerável com clássicos – uma consequência do modelo nada favorável seguido pelas escolas que me obrigou a vida inteira a ler livros que não me chamavam a atenção e que eu não tinha a menor vontade de conhecer naquela época. 1984 foi, talvez, o primeiro grande clássico que li por interesse próprio, não por sugestão ou obrigação, e acho que isso fez toda a diferença do mundo. Porque, para além de uma história única e tão forte, esse foi um livro que de fato mudou a minha vida, a minha visão de mundo, que elevou meu medo de regimes totalitaristas em níveis e, principalmente, fez com que eu começasse a me interessar por política e história de um jeito que eu jamais tinha me interessado antes. Foi um livro que doeu o tempo inteiro e me deixou em frangalhos, mas acho que é pra isso que servem boas histórias.

AMERICANAH__1406135526B6) Americanah, Chimamanda Ngozi Adichie: Tanto já se falou sobre Americanah que tenho a impressão de que qualquer coisa que eu diga agora vai ser totalmente irrelevante, mas mesmo assim me sinto na obrigação de falar sobre ele sempre que possível, não só porque ele se tornou um dos meus livros favoritos, mas principalmente porque foi um livro que me ensinou muito sobre privilégios, sobre o perigo de uma história única e, principalmente sobre diversidade e a importância da representatividade – todos esses conceitos que eu já estava bastante familiarizada quando li o livro, mas que só fui entender a real dimensão e importância depois da leitura. É uma história extremamente forte, que nos mostra o mundo de uma perspectiva completamente nova, e que pode nos ensinar demais – e é por isso que ele é um livro tão importante mas, acima de tudo, necessário.

CLUBE_DA_LUTA_1335983381B7) Clube da Luta, Chuck Palahniuk: Acredito fortemente que alguns livros aparecem na nossa vida quando mais precisamos deles e Clube da Luta é um exemplo perfeito disso. Uma leitura que começou como uma intenção vazia de ver gente escrota levando muita porrada, acabou se tornando uma das mais importantes do ano passado graças à genialidade do autor, que vai muito além do clube que move a trama ao construir uma história que abre espaço para discussões sobre mídia, consumo e a vida, de um modo geral. Numa época em que minha vida parecia completamente fora dos trilhos, o livro mostrou ser o que eu precisava pra sair do buraco que tinha me enfiado e continuar seguindo em frente, e de repente o inesperado, aconteceu: num livro sobre gente muito escrota e problemática, eu encontrei a paz e a serenidade que eu precisava para tomar as rédeas da minha vida de novo e voltar a ser uma pessoa de verdade.

A_ARTE_DE_PEDIR_1423501322435327SK1423501322B8) A Arte de PedirAmanda Palmer: Para além do título com ares de autoajuda, A Arte de Pedir foi o livro que literalmente mudou a minha vida. Nele, Amanda conta sua história, cruzando memórias da sua trajetória como artista e seu sucesso no Kickstarter, ao mesmo tempo que fala sobre sua vida pessoal, seu relacionamento com Neil Gaiman, e nos ensina lições sobre amor, vulnerabilidade, confiança e a importância de se permitir pedir – ajuda, abraços, biscoitos, qualquer coisa. Num mundo que estimula a competição e nos ensina a não confiar em ninguém, Amanda mostra que ser vulnerável não é algo ruim, que algumas pessoas são horríveis, é verdade, mas que não devemos tomar isso como a regra, mas sim como a exceção, e que todos nós merecemos ser amados. Foi um livro que conversou muito profundamente comigo, que me ensinou demais e que eu marquei inteiro sem dó: uma forma de nunca esquecer todas as lições que aprendi.

O_OCEANO_NO_FIM_DO_CAMINHO_1369426298B9) O Oceano no Fim do Caminho, Neil Gaiman: Meu primeiro e único Neil Gaiman até o momento foi também um dos livros mais marcantes que li até hoje – o que justifica todas as maravilhas que ouço sobre o autor desde sempre. O livro é descrito como fábula e, assim como a Thay, também acredito que não exista uma definição melhor para a história. Porque é exatamente isso que ela é: uma fábula extremamente sensível e preciosa sobre a vida e como os acontecimentos da nossa infância moldam os adultos que nos tornamos, em maior ou menor medida. Ainda que a maior parte da história aconteça com um menino de sete anos, o livro me fez sentir muito o tempo inteiro – uma mistura de identificação profunda e um medo surreal, ao mesmo tempo que trouxe memórias muito fortes da minha infância, coisa que só um livro muito poderoso e bem escrito poderia fazer. É dele, aliás, uma das minhas citações favoritas: Os adultos também não se parecem com adultos por dentro. Por fora, são grandes e desatenciosos e sempre sabem o que estão fazendo. Por dentro, eles se parecem com o que sempre foram. Com o que eram quando tinham sua idade. A verdade é que não existem adultos. Nenhum, no mundo inteirinho.

ESTACAO_ONZE_1431639968450329SK1431639968B10) Estação Onze, Emily St. John Mandel: Até pouco tempo atrás, se alguém me perguntasse se eu tinha um livro favorito da vida, eu provavelmente responderia que não. Hoje, no entanto, posso dizer sem medo de parecer precipitada, que Estação Onze é meu livro favorito. Ele nos apresenta um mundo distópico dizimado pela Gripe da Geórgia, que matou quase 90% da população mundial. Conhecemos, então, seis personagens – Kirsten, Jeevan, Miranda, Clark, o “Profeta”, e Arthur Leander, que é quem une a história de todas essas pessoas. O livro, no entanto, vai além da distopia tradicional, e usa o fim do mundo muito mais como um cenário do que qualquer outra coisa. É incrível como, num livro relativamente curto, a autora consegue trabalhar tantas sensações e percepções ao mesmo tempo que nos faz refletir sobre sobrevivência, família, relacionamentos, memórias, solidão, arte, fama, a efemeridade da vida e a beleza do mundo em que vivemos, construindo algo forte, único e extremamente precioso. Sobreviver não é suficiente.

♥ 

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4 Comments

  • Reply Thay 11 de junho de 2016 at 10:59 PM

    AMO que seus três últimos livros também estão na minha lista e praticamente pelos mesmos motivos! “A Arte de Pedir” me surpreendeu tanto e falou tão de perto comigo que estou sempre relendo alguma página, pensando sobre alguma coisa que Amanda narrou nele. É meio assustador como baixar um pouquinho as barreiras podem te dar o mundo. Ainda não estou pronta pra isso, mas o que li no livro de Amanda me fez ver as coisas de outra maneira. “O Oceano” é a coisa mais linda dessa vida, é outro livro que sempre pego pra folhear, abraçar e reler. Me confortou tanto quando li! E “Estação Onze” também mexeu muito comigo, não imaginava.
    Beijos de luz, hehe! <3

  • Reply Yuu 12 de junho de 2016 at 2:47 AM

    Estava com saudades de te ler além do Valkirias e da sua newsletter – eu já disse isso antes, mas sempre bom repetir: sou apaixonada pela sua escrita. Mesmo, mesmo. Eu leria sua lista de supermercado se você deixasse. A essa atura você já sabe que eu gosto de analisar a maneira como as pessoas escrevem, mas acho que não tive a oportunidade de falar que não é sempre que eu tenho vontade de fazer isso. Antes de prestar atenção no vocabulário especifico de alguém, no costume de posicionar as vírgulas e fazer outras pontuações, preciso sentir *algo mais* fluindo do texto. E a maneira como você escreve passa uma calma tão grande, que sinto muita vontade de ficar conversando com você.

    Enfim, chega de discurso meloso?

    Da sua lista de 10, li apenas Harry Potter (todos) e O Retrato de Dorian Gray. Conheço todos os outros, pois não vivo numa caverna, e tenho muita vontade de ler alguns – Orwell, Palmer, Gaiman -, mas é a Estação Onze que mais tem atiçado minha curiosidade de tantas resenhas positivas que eu li sobre o livro. Parece proporcionar o tipo de sensação que me alimenta.

    Posso te dar uma recomendação? Leia Claros Sinais de Loucura. É um livro que li no final de 2014 e provavelmente vai estar na minha lista. É curtinho, agridoce e muito sensível. Acho que você vai gostar.

    Beijinhos!

  • Reply Nay 15 de junho de 2016 at 4:18 PM

    Eu sou do time das que odiaram cartas de amor aos mortos mas estranhamente ainda o mantenho na minha estante na esperança de no futuro ter um insight, lê-lo e adorar. As vezes acontece essas questões de timing comigo em relação a livros. Na sua lista dois dos livros que mais amo na vida: Clube da Luta e A Arte de Pedir. O primeiro é genial. GE-NI-AL. Não tem outra palavra pra descrever, já Amanda Palmer nem consigo sintetizar numa palavra. A leitura me deu tantos tapas na cara quanto carinhos na minha alma. É um livro que levo pra vida e sempre revisito.

  • Reply Nicas 16 de junho de 2016 at 1:41 AM

    Esse livro da Amanda Palmer mexeu demais comigo! Mudou minha rotina e me fez mais feliz de verdade! Até hoje quando alguém vem com alguma hst´roia de uma pessoa que foi sacaneada, generalizando a humanidade todo como uma coisa ruim, lembro de todas as histórias de Amanda e de como se cada um fizer um pouquinho todo mundo pode ser mais feliz.

    Americanah achei um livro INCRÍVEL! Não é qualquer autora que escreve uma história excelente, te ensinando TANTO e de uma perspectiva totalmente nova! E com uma protagonista imperfeita, que também tem suas fraquezas e seu problemas e que pode ser muito mala as vezes (desculpa, tenho muita birra dela). É um combo maravilhoso demais, diferente de tudo que eu já li.

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