BLOGS ETC

DOIS ANOS E UM PAPO SOBRE BLOGS

Meu primeiro blog foi criado em 2009. Quer dizer, o primeiro blog que eu levei verdadeiramente a sério foi criado em 2009. Antes disso, tive vários projetos de diários virtuais, mas nada que realmente rendesse alguma história pra contar. Eu não tinha tanta paciência assim pra escrever sobre a minha vida (ser pré-adolescente não era exatamente interessante) (não que ser adulto seja de fato), se fosse pra escrever, que fosse uma fanfic muito maravilhosa sobre meus artistas favoritos. Mas aí que, com 16 anos e um monte de ideia errada na cabeça, eu achei que seria legal esse negócio de ter um blog, não pra falar da minha pessoa, mas sim das coisas que eu gostava. Na época, eu gostava de moda, e foi assim que eu criei o meu “””””primeiro””””” blog, inspirado no finado Glamour Paraguaio, com um nome enorme e meio ridículo que não fazia sentido pra mais ninguém além de mim. Só sucesso.

this is good

Ao contrário da maioria das minhas amigas que muito antes disso já conheciam as maravilhas dos blogs pessoais, eu criei um blog pra falar de moda, numa época em que as pessoas criavam blogs pra falar de moda porque ter um blog de moda era super cool. No fundo, eu só queria poder compartilhar aqueles editoriais bizarros e super conceituais que só eu achava legal, mas é claro que fui muito influenciada pelo o que eu via por aí. Sei que vocês acham blogs de moda o horror dos nossos tempos, e eu me permito concordar, em partes, que eles são sim bastante problemáticos, mas ao mesmo tempo era muito divertido participar daquele movimento, descobrir pessoas que também se interessavam pelas mesmas coisas que eu, pessoas que estavam dispostas a discutir o desfile do Valentino, que choraram a morte do Alexander McQueen, e que babaram nas fotos da Lindsay Lohan pra Elle UK. Se hoje sei um pouco sobre moda e consigo me virar no Photoshop, foi muito por causa das horas que eu passava nos fóruns do The Fashion Spot, das infinitas montagens que eu precisava (precisava?) fazer na época das fashion weeks, e dos inúmeros programas que assisti e textos que li ao longo do tempo. Foram noites viradas, muitas cagadas, e eu sempre com o sorriso no rosto de quem ama muito o que faz.

Até que aquilo deixou de fazer sentido. Acho que foi um processo natural, porque de repente eu não só não queria mais compartilhar imagens de desfiles ou falar sobre a coleção y do estilista z, não tinha mais paciência pra futricar fóruns e nem queria falar da roupa dos outros, como também não aguentava mais ler sobre esses assuntos. Ou melhor: eu até queria ler sobre esses assuntos, mas não queria só ver uma porção de imagens gigas com comentários rasos. Sei que esse formato funciona pra muita gente, funcionou pra mim por muito tempo, as pessoas gostavam e tudo, só não era mais o que fazia meu olho brilhar. E eu não sei vocês, mas eu levo muito a sério esse negócio do olho brilhar. Eu queria escrever sobre outras coisas – sobre a minha vida desinteressante, sobre os filmes do Oscar e não só sobre as roupas que as atrizes estavam usando; eu queria falar do meu dia bosta e teorizar sobre a beleza do Jensen Ackles – mas não tinha espaço pra nada disso. Óbvio, né? Não era isso que as pessoas esperavam ver quando abriam meu blog. E se eu me sentia desconfortável postando algo que não tinha nada a ver com a proposta, dá pra imaginar o estranhamento de quem de repente tinha entrado num blog declaradamente de moda e se deparou com textão sobre vídeo game.

Li uma vez que um bom escritor, antes de mais nada, deve escrever primeiro pra si, e só depois pros outros. Eu acredito muito nisso. Eu acredito em identificação, eu acredito que todas as histórias são sobre nós, eu acredito no amor comum que une pessoas, e acho que nada disso é possível se quem escreve pensar no que o outro quer ler. Como disse um professor na semana passada, nós colocamos um pouco de nós mesmos nas histórias que escrevemos, mesmo quando elas não são exatamente sobre nós, e acho que poucas coisas são tão honestas quanto isso. Nossa percepção de mundo, nossas experiências, tudo isso influencia a forma como contamos uma história. Sem querer, a gente acaba usando nossa vida como matéria prima. Não é bonito isso? Não é especial?

Recentemente recebi uma mensagem no Twitter de uma moça que tinha se identificado com um texto meu – um texto que eu jurei que só faria sentido na minha cabeça e que ia ser a coisa mais idiota do mundo – e foi uma das coisas mais especiais que já me aconteceram. Eu sei que parece meio besta quando a gente fala assim, eu sei que talvez eu esteja exagerando, mas ler aquela mensagem foi muito, muito gratificante. Uma pessoa que eu não conhecia e que também não  me conhecia, leu meu texto e se identificou com ele, e achou bacana vir me dizer isso. Não é muito louco isso? Não é muito muito especial? Eu criei o Starships & Queens porque queria ter um espaço onde eu pudesse falar do que me desse na telha, quando me desse na telha (não foi por acaso que eu escolhi esse nome aí sem pé nem cabeça), mas eu nunca imaginei que fosse ganhar e viver coisas tão especiais por causa de um blog, nem que fosse receber algum feedback, quem dirá um feedback tão bonito e sincero.

clueless

como eu me sinto quando cês vêm falar comigo <3

É por isso que sempre que vejo alguém falar dos blogs pessoais como algo irrelevante, imediatamente tiro a faca da bota e subo no meu palanquinho. Mas por quê irrelevante? Quer dizer, eu entendo que existe uma diferença gritante entre falar sobre a crise política, por exemplo, e o meu dia bosta, mas não entendo como uma coisa pode anular a importância da outra. Claro, se a gente for analisar de forma objetiva, falar sobre a crise política é imediatamente mais relevante do que o meu dia bosta. Mas isso não quer dizer que nossa vida, nossas angústias, nossos medos, receios, e episódios bobinhos do nosso sitcom particular, também não sejam importantes. Olho pros comentários que recebo, pros e-mails, pras mensagens no twitter e pra todas as pessoas que conheci e que hoje chamo de amigas, ao mesmo tempo que leio e me identifico horrores com o que essas pessoas têm a dizer, e não consigo ignorar que algo realmente importante está acontecendo por aqui.

Aliás, taí uma coisa que não consigo entender: as mesmas pessoas que estão sempre prontas pra apontar a total irrelevância dos blogs pessoais (blá blá blá produzir conteúdo blá blá blá whiskas sachê), são as mesmas que reclamam que não se fazem mais blogs como antigamente, que agora todo mundo só quer saber de ganhar dinheiro e ficar famoso na internet, e que ninguém mais escreve por amor. Concordo que existe muita gente que só está interessado em ter um blog pra ganhar dinheiro e ficar famoso na internet, mas não acho que essa seja a regra nem que essas pessoas estão erradas, muito pelo contrário. Se ter um blog foi a forma que elas encontraram pra ganhar dinheiro e fama na internet, tudo bem, cada um faz o que quiser, agora é só focar nisso e correr atrás. Não sou eu quem vai apontar o dedo na cara de alguém e dizer o que é certo ou errado. Claro, tem muita gente fazendo um trabalho bem porco e ganhando muito dinheiro em cima disso, independente do nicho, o que é bastante problemático. Mas se eu, Ana Luíza, não gosto do trabalho delas, não quer dizer que mais ninguém possa gostar. A gente precisa falar sobre isso, problematizar e tudo? Sem dúvida. Mas, mais uma vez, não sou eu quem vai apontar o dedo na cara de ninguém.


Da mesma forma, quem tá aí reivindicando por blogs mais vida real, na minha humilde opinião, ou precisa rever esse tal conceito de vida real, ou não está procurando no lugar certo. Lógico que, se a gente for comparar, os blogs pessoais vão acabar sendo bem menos numerosos que os de moda, por exemplo, mas isso não significa que eles tenham morrido ou que não tenha muita gente por aí fazendo um trabalho bem honesto, mesmo quem chegou ontem e já está sentando na janela (me incluo nesse bonde). Tenho aí um blogroll cheio de blogs queridos pra indicar, e sigo muitos mais (amigos ou não) no Bloglovin. Aliás, se hoje acho muito mais fácil encontrar blogs pessoais do que blogs de moda/beleza foi só porque, em algum momento, eu mudei meu referencial e passei a procurar por isso. É um processo natural e juro que, quando você menos espera, vai estar seguindo tanto blog que de repente não vai ter tempo de ler tudo. Triste, porém real, risos.

Ontem o blog fez dois anos e resolvi aproveitar a data pra falar sobre isso não porque me acho a dona da verdade, mas porque me incomoda muito ver como as pessoas se preocupam com a blogosfera e com o que ela está se tornando. Eu até entendo que a gente se chateie com algumas coisas. Eu fico irritada com várias coisas, inclusive. Mas eu não vou deixar de me divertir por causa disso. A internet é um lugar enorme e eu acho, só acho, que sempre vai ter espaço pra todo mundo se divertir numa boa, sem precisar cagar regra em cima do coleguinha e tentar privatizar um espaço que, de verdade, não é de ninguém.

Nesses dois anos aprendi muita coisa, não sobre blogs, pelo menos não só sobre eles, mas principalmente sobre a vida, sobre mim. Escrever foi a forma que eu encontrei de falar sobre tudo que eu queria, quando eu queria, mesmo que ninguém estivesse interessado em ouvir – até eu descobrir que tinha sim, gente interessada, muito mais até do que eu podia imaginar. Eu me conheci melhor nesse processo, mas conheci muitas pessoas também. Pessoas que hoje me conhecem muito melhor do que muitas que convivem comigo, que cantam Taylor comigo no WhatsApp, que estão dispostas a teorizar a beleza do Jensen Ackles no twitter, que entendem meu amor por Penny Dreadful, que não me julgam por ter chorado a saída do Zayn Malik do One Direction, que me fizeram subir sozinha num avião rumo ao Rio de Janeiro, que se questionam se a Avril morreu mesmo, e que entendem quando digo que não faço a menor ideia do que estou fazendo com a minha vida. Ninguém faz ideia mesmo – e acho que fica um pouco mais fácil quando a gente sabe que não está sozinho. E eu queria que todo mundo pudesse viver isso também.

Obrigada a todo mundo que faz parte dessa história. Por estarem comigo sempre, por deixarem a minha vida um pouquinho mais divertida. E, claro, obrigada pra você também, querido leitor, fantasma ou não, que entra aqui só pra ler as coisas que eu escrevo. Vocês são malucos, e eu amo vocês por isso. E sempre é importante reforçar: esse cantinho tá sempre aberto pra vocês, não se esqueçam jamais.

happy birthday

No mais, desejando muito fortemente ser blogueira rica pra fazer uma festa. Infelizmente não se pode ter tudo, mas a gente segue se divertindo mesmo assim. Ainda bem.

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7 Comments

  • Reply Couth 19 de outubro de 2015 at 3:01 PM

    Miga, não sabia desse seu passado de ~ blogs de moda~, mas acho que serviu para várias coisas sim. Primeiro é o seu estilo, que é maravilhoso, a sua curadoria de roupas é uma das melhores coisas que já vi na vida – sério. Você se veste muito, muito bem, e isso com certeza vem da bagagem que você juntou nesse período. Eu já fui mais interessada por moda (quando fazia faculdade óbvio), e hoje acho que devia voltar a me interessar mais um pouco.

    Segundo, amo que você veio pro mundo dos blogs pessoais, porque aí a gente pôde te conhecer melhor e te amar <3

    Amo você, continue postando.
    Beijoosssss

  • Reply Karine 19 de outubro de 2015 at 4:17 PM

    Esses dias li um post de uma blogueira x reclamando sobre posts patrocinados, que a blogsfera tinha se perdido e mimimi e eu fiquei pensando: miga, qual blog que você lê? (detalhe que nos comentários do post tinham muitas pessoas falando que ela tb era desse mundo e fazia o mesmo, comecei a rir quando vi isso, HAHAA).

    Desde que voltei pro mundo dos blogs (no meu primeiro, que até que durou, eu tinha uns 11 anos e ele era cheio de gifs animados e dolls) eu criei uma lista enorme de blogs pessoais que são uma delicia de acompanhar. Eu sigo alguns blogs ~famoso tb, mas eles não ocupam nem 10% dessa minha lista, sério. E é muito amor ler tantos posts bons de gente que tá ali claramente escrevendo porque gosta – mesmo que seja algum post falando sobre produto de beleza – mas eu sei que a pessoa tá falando porque realmente gosta, sabe? Tipo dica mesmo que você daria pra alguma amiga e sem ganhar $$$ por isso.

    Não que seja errado ganhar.
    Mas eu tb n quero ler só posts patrocinados quando visitar algum blog, eu quero ler sobre a vida da pessoa, ouvir umas musicas, dar risadas com casos engraçados, ver fotografias e enfim – esses são os blogs que mais amo, sempre.

    BTW, feliz aniversário – meu blog completou um ano esses tempos e foi a maior felicidade (depois de tantos que tive desde os 11 que não duraram nem 1 mês, sei como é se orgulhar e colocar amor em algum lugar, haha).
    Beijos :)

  • Reply Thay 20 de outubro de 2015 at 12:01 AM

    Aonde é que eu assino? Perfeito teu texto, Ana! Acho que quem reclama do atual estado da blogosfera é porque não está procurando no lugar certo, nem lendo os blogs certos. A internet é tão grande e cheia de coisas, basta dar uma olhada.

    Não julgo quem quer ficar famoso ou ganhar dinheiro às custas do blogs, só não é a minha realidade. Sei que não tenho traquejo (ou cara de pau) pra ficar fazendo vídeo ou foto de look do dia, não sou assim. Mas sei que tem gente que vive disso, e por mim tudo bem. Gosto de um ou dois blogs mais famosos, o Chata de Galocha e o Just Lia, mas é só. Não é exatamente a minha praia, gosto mais de blogs gente como a gente, tipo o seu e o meu. Claro que meu dia na máquina de eletroencefalograma não vai mudar a vida de ninguém, mas eu achei que seria uma boa compartilhar a experiência e pronto, sabe? Acho que tudo bem colocar nossa irrelevância pra jogo, já tem tanta gente preocupada com as notícias séries que a gente pode se permitir ser livre.

    Encerrando aqui (antes que eu repita o comentário enorme do post anterior), parabéns pelo aniversário do blog! E que ele esteja por aqui muitos anos mais. ♥

  • Reply Yuu 20 de outubro de 2015 at 12:26 AM

    Ana! Em primeiro lugar, parabéns pelos dois aninhos do blog. Eu te acompanho há alguns meses só, mas espero que você nunca abandone a vontade de escrever, porque eu adoro ler os teus textos, de verdade. Eu não sabia que você teve um blog de moda antes, mas não me surpreendo, porque os looks que você posta no Instagram me dão vontade de roubar o seu guarda-roupa todo.

    Sinceramente, acho que as pessoas deveriam se preocupar menos com rotulações e com os diversos ramos que surgiram na blogosfera nos últimos tempos, e focar no nicho que elas se sentem mais confortáveis pra ser feliz. Blogar não é tão complicado e cheio de regras como fazem parecer e as pessoas deveriam colocar na cabeça que ninguém é dono de nada aqui na internet pra determinar como a gente deve fazer o quê.

    Enfim, fico feliz por você ter vindo pro lado dos blogs pessoais, caso contrário, acho que ainda não teríamos nos conhecido. Enfim, sucesso migs. Conquistastes uma leitora em mim. ♥

    AH! E post com as músicas favoritas de Sandy & Junior: QUERO. Inclusive, me chame. Faço junto, solto confete, porque Sandy & Junior é amor.

    Beijinhos!

  • Reply Patthy 20 de outubro de 2015 at 5:58 PM

    Logo depois que eu voltei a blogar vi alguém falando sobre a loucura que é essa necessidade de produzir conteúdo e ser relevante na internet… Então eu vi que a blogosfera “old school” ainda existia.
    E relevância é um troço muito relativo: podem fazer mil posts falando que o acessório do verão é um chapéu cor de melancia, mas eu vou ler aquele em que o autor descreve as razões porque não gosta de chuchu e eu vou ficar tipo “nossa… eu também!”. Quando eu estiver vivendo minha vidinha pacata não me lembrarei do chapéu cor de melancia, mas assim que tiver chuchu para o almoço em casa vou me lembrar do outro post e rir sozinha. Talvez eu seja amiga do blogueiro do chuchu daqui uns anos e nem me lembre mais do nome de quem escreveu o post do chapéu.
    Parabéns pelos 2 anos de blog e continue assim que, não tenho propriedade para afirmar que você tá indo pelo caminho certo, mas ó, você está indo por um caminho ótimo. XD

  • Reply Ana 21 de outubro de 2015 at 12:27 PM

    Ana! Parabéns pelos dois anos de blog. <3 Não sabia que tu havia tido um blog de moda, mas adorei saber disso. Eu concordo com todo o teu texto, particularmente, é claro, tenho um certo bode de certos tipos de blogs e dessa necessidade louca de ~produzir conteúdo~, mas não condeno, só não é pra mim. Quando eu criei o meu blog eu tinha a ideia de falar sobre coisas que ninguém queria ouvir, especialmente minhas séries, meus filmes, meus livros. Essas coisas, tu sabe. No meio do caminho comecei a falar da minha vida, das angústias, dos meus causos, e às vezes sinto que deveria mudar de nome. Só que não consigo, porque esse é o que combina comigo. Eu sou uma fangirl que bebe muita água, curte batata e fala mal de professores. Tudo bem? Espero que sim.

    É extremamente gratificante quando as pessoas dizem que nos entendem e se identificam. O mundão é lindo às vezes. Hoje em dia sigo uma lista enorme de pessoas e não dou nem conta de acompanhar tudo. Hahahahah. Quando fico uns dias sem entrar e volto, sinto que tenho que mimar todo mundo e todos os posts, e aí não consigo. </3

    Mas achei meu ~povo, daqui eu não saio.

    Beijão!

  • Reply Passarinha 26 de outubro de 2015 at 4:34 PM

    Feliz aniversário de blog, amiga! Estou atrasada, sim, mas de tempos em tempos largo tudo pra vir aqui só porque você é uma blogueira maravilhosa que posta sempre e me deprime.

    Amo seus textos e fico muito feliz que você tenha vindo parar no mundo dos blogs pessoais, e eu também. e a gente se conheceu.

    Amei tudo o que você disse e você está absurdamente certa em tudo. Tem blog pessoal, sim, tem muito blog pessoal e vai continuar tendo blog pessoal. Só não vê quem está procurando no lugar errado.

    te amo <3

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