COM AMOR

DOIS MINUTOS PARA AGRADECER

Uma pequena história: este blog nasceu porque, depois de passar dois anos escrevendo sobre moda e beleza em um outro blog, eu queria ter liberdade para escrever sobre qualquer coisa que me desse na telha, quando me desse na telha. Eu queria um blog, e apenas um blog, onde eu pudesse de alguma forma registrar o que estava acontecendo na minha vida e falar de coisas que às vezes as pessoas ali, do meu lado, não estavam realmente interessadas em ouvir. Eu queria falar sobre coisas boas e às vezes ruins também, coisas que fazem parte de quem eu sou, da pessoa que quero ser e, principalmente, da história que estou tentando escrever. Vocês já sabem de tudo isso, é claro, mas acho sempre importante relembrar porque às vezes é fácil esquecer que existe gente que só entrou nessa pra ter um blog (e apenas um blog), por mais maluca que a ideia possa ser.

Digo isso porque essa semana acompanhei uma discussão no twitter e, embora não tenha participado na hora, fiquei bem incomodada com algumas coisas que li – o suficiente pra ficar remoendo essa história e resolver escrever sobre isso depois. Eu realmente ia escrever sobre isso, sobre como as pessoas se acham donas da internet, sobre como eu odeio essa cagação de regra sem fim, “ah mas não pode isso”, “ah mas também não pode aquilo”, “ah contratem um designer aí, mas Deus me livre ganhar dinheiro com blog”, sobre como as pessoas se acham tão melhores e tão donas da verdade o tempo inteiro, sobre essa mania de apontar o dedo na cara do coleguinha que faz diferente, como se a internet não fosse grande o suficiente pra todo mundo brincar numa boa sem invadir o espaço do outro. Eu realmente estava disposta a fazer um post inflamado sobre pessoas que acham que inventaram os flamingos, que se acham donas do BEDA, que desejam que 2016 seja um ano com menos blogs usando os temas do Solo Pine, que acreditam, mesmo sem se dar conta disso, que “ditadura é quando mandam e eu tenho que obedecer; democracia é quando eu mando e todo mundo obedece”, mas aí eu lembrei de um trecho do último livro que li em que um dos personagens se dá conta de que era um homem que se arrependia de quase tudo na vida, que os arrependimentos se aglomeravam à sua volta como mariposas ao redor de uma lâmpada, mas ao invés de se apegar à tudo de ruim que tinha acontecido – às amizades que tinha negligenciado, ao filho que deixou partir, ao irmão que nunca conheceu – ele preferiu se agarrar àquilo que aconteceu de bom – e incrivelmente eu descobri que prefiro também.

2015 já foi um ano bem ruim pra todo mundo que conheço (e também pra uma porção de gente que não conheço) (mas, por favor, se manifeste se ele tiver sido um ano bom pra você), e eu não quero chegar no último mês do ano falando mais uma vez sobre as coisas que me incomodam, sobre as pessoas que tentam a todo custo impor regras dentro de um espaço que deveria ser livre, sobre pessoas que acham que são melhores que os outros e que sabem o que é melhor pros outros quando, na verdade, aquilo não é, necessariamente, o melhor pra todo mundo. Eu acho importante que a gente converse sobre isso, que exista um debate, e fico feliz que exista tanta gente bacana disposta a discutir o assunto. Mas nós tivemos um ano inteiro pra falar sobre isso e escrever textos inflamados, e uma vez na vida eu queria só poder olhar pro lado bom e pensar no que faz tudo isso aqui valer à pena.

Porque quando eu penso na internet, eu quero lembrar de todas as coisas maravilhosas que eu vivi aqui, com o blog e por causa do blog. Eu quero lembrar de todos os textos que li, escritos por pessoas que eu nem conhecia (e obviamente das que eu conhecia também) e que de alguma forma me ajudaram a sair das fossas que eu me enfiei neste ano; quero lembrar de todas as coisas que escrevi, mais pra mim do que pra vocês, e que acabaram sendo de vocês também; quero lembrar das mensagens que eu recebi de gente que nem me conhecia e que eu também não conhecia, me agradecendo por ter escrito algo que de alguma forma foi importante pra elas.

Quero lembrar, principalmente, das pessoas que eu conheci.

Das que me fizeram entrar num avião sozinha pro Rio de Janeiro, que dançaram comigo de coroa na balada, que se revoltaram quando eu perdi um avião, que me deram a mão nos momentos que eu mais precisei, que comemoraram minhas vitórias, que cantaram comigo no telefone e, principalmente, me mostraram que querer às vezes é poder; das pessoas que se preocuparam comigo, que me ofereceram colo e receitas de brownie, que não passaram a mão na minha cabeça, mas que ao mesmo tempo me fizeram ver que às vezes a gente erra e tudo bem. Pessoas que estavam ali, dispostas a falar sobre a vida, me ajudar com códigos, e discutir sobre como a terceira temporada de Arrow foi uma bosta, pessoas que me elogiaram mesmo quando eu me sentia horrorosa, pessoas que me fazem comprar roupas que eu não deveria só porque me mostraram suas compras (e eu definitivamente não tenho maturidade pra ver as compras dos outros), pessoas que me deram coragem pra correr atrás dos meus sonhos, que me ensinaram a usar batom vinho, que me chamam pra ir pra casa delas só porque aqui não chove de jeito nenhum, pessoas que eu jamais teria conhecido, não fosse essa vontade maluca de ter um blog e apenas um blog, pra escrever sobre o que desse na telha, quando desse na telha.

Então eu realmente poderia falar de todas as coisas ruins que existem na internet (existem muitas, vocês sabem), mas eu acho que a vida é um eterno processo de aprendizado, e se eu aprendi alguma coisa com tudo que existe de ruim na internet é que também existe algo muito bonito e especial acontecendo nesse mesmo lugar, que as pessoas às vezes são a pior parte, mas às vezes elas podem ser a melhor também, e que é sempre melhor lembrar daquilo que aconteceu de bom e não ficar remoendo mil vezes tudo que existe de ruim. Esse não é meu post de final de ano, não ainda, mas eu queria poder agradecer à todos vocês que fizeram parte disso de alguma forma. Por favor, não parem nunca. E que em 2016 mais pessoas possam enxergar tudo de maravilhoso que acontece aqui. 

group hug

(E por favor, vamos tentar cagar menos regra por aí no ano que vem)

> Notaram alguma coisa de diferente? Sim, estamos com layout novo! Ainda estamos em fase de teste, vira e mexe rola alguma mudança e ainda preciso fazer alguns ajustes (alguém notou o espaçamento bizarro no título dos posts com duas linhas? Risos eternos), mas fiquei bem feliz com o resultado e queria muito agradecer minhas amigas e colegas de blogosfera, Palo e Thay, que me ajudaram a dar uma cara nova pra essa casinha.

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6 Comments

  • Reply Gabriela 13 de dezembro de 2015 at 1:46 PM

    Analu. Ok. First things first. Que texto lindinho <3 achei uma chuva de amor. Eu sou, com certeza, do time que teve um 2015 puxadíssimo, sofreu, chorou, se desesperou, mas tá se apegando a tudo de bom que aconteceu nesse ano. E COM CERTEZA ter achado seu blog por essa internet foi m a r a v i l h o s o. Às vezes você escreve coisas que eu quero ler, e, às vezes, você escreve coisas que eu preciso ler. Então é isso aí. Seu blog me fez muitas vezes descobrir que eu não estou pensando coisas sozinha nesse mundão. Continue com ele em 2016 porque eu tenho fé num ano melhor de lacração do início ao fim. E se não for assim, sejamos fortes e sigamos em frente cantando alguma música da Taylor.

  • Reply Thay 14 de dezembro de 2015 at 12:27 AM

    AIN, ANA, que amor esse post! <333 Acho que estamos mesmo precisando de coisas queridas assim na internet, ultimamente tem sido uma tempestade de coisas ruins que não tá fácil de lidar. E, tenho certeza, de que precisamos de mais amor no mundo e no trato diário com as pessoas, tá tudo tão sobrecarregado de bizarrice e rancor. E o mais fofinho no seu post foi pegar as referências, HAHAHA, que lindo! E reitero: venha pra cá porque temos chuva pra dar, vender e emprestar! E, só assim, nunca deixe de ser essa pessoa querida e especial, por favorzinho. <333

    (e sempre que precisar de ajudas – nem tão eficientes assim – é só chamar!) <333

  • Reply Yuu 14 de dezembro de 2015 at 11:25 AM

    Oi, Ana! Não quero parecer puxa-saco, mas esse fim de semana fiquei bem mal, só desejando ser engolida pelo chão, quando li o seu texto e me senti um pouquinho mais leve. Achei muita doçura da sua parte escolher não ser mais uma a reclamar, e sim agradecer só para variar um pouco. Sabe, quando eu conheci o teu blog durante o BEDA, não passou pela minha cabeça que em pouco tempo eu iria gostar tanto de acompanhar os teus posts. Apenas amo quando cruzo com alguém, na vida real ou virtual, que de primeira impressão não causa aquele impacto, mas vai crescendo em ti aos pouquinhos e quando a gente vê a pessoa está enraizada com um singela simpatia. Minha oferta como ouvinte e fornecedora de receitas de brownie é sincera, basta você me dar uma cutucada em qualquer rede social. <3 E que o ano que vem não seja tão barra quanto esse ano, amém.

    Beijinhos! <3

  • Reply Patthy 14 de dezembro de 2015 at 4:07 PM

    Uma das lembranças que terei de 2015 é de que tirei meu blog de um coma de 3 anos. Só depois de fazer isso mergulhei de volta no mundo blogueiro e vi que ainda tinha muita gente que interessante escrevendo sobre “nada”. Textos para rir junto, pra chorar junto, para se identificar. Tantos blogs que conheci.
    Li muita groselha na internet esse ano, mas também li muita coisa fantástica e é o que eu quero guardar para mim.

  • Reply Analu 16 de dezembro de 2015 at 4:48 AM

    Amiga, que texto lindo <3 Você arrasou dando tapa na cara da galera e agradecendo pelas coisas boas ao invés de botar pilha em picuinha. Quando eu crescer quero ser assim. E agradeço demais por ter você na minha vida, que bom que você fez esse blog! Que bom que você aceitou entrar na máfia e viajar para conhecer um monte de malucas que você não conhecia.
    Te amo muito!

    PS: Vejo as pessoas comentando aqui no seu blog te chamando de Ana, ou até, Jesus, de Analu, e me dá um mindfuck! HAHAHA

  • Reply Ana 21 de dezembro de 2015 at 2:58 PM

    Ainn, Ana. Que texto gostosinho. Meu 2015 também foi uma merda tremenda, e apesar de ter adorado conhecer tanta gente nesse mundão internético, ao mesmo tempo me decepcionei com ele. A internet é algo poderoso, e algo que pode propagar o bem, e fazer com que a gente conheça tanta gente legal, também é ferramenta pra gente podre tentar nos deixar mal — e se esconder atrás do papo de “é só internet, não é algo real”. Meu bem, é real sim. Sentimentos são reais, e no momento em que eu me sinto bem ou mal por algo, aquele algo geralmente existe, né? Pode existir por meio de fios e conexões wireless, pode existir no cara a cara, mas existe.
    Mas ainda bem que ainda tem muita coisa boa pra nós aqui, muito espaço pra todo mundo brincar e falar sobre isso. Ainda bem.
    Beijão!

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