JOHN HUGHES NÃO DIRIGE MINHA VIDA

E AGORA, JOSÉ?

Longe de mim fazer desse blog um muro de lamentações, mas dada as circunstâncias da última semana, não vi outra saída senão interromper a programação normal (praticamente inexistente, depois do meu sumiço maroto) para chorar um pouco das minhas pitangas e ver se assim alivio um pouco a barra por aqui. Funcionou outras vezes, vai funcionar agora também.

Mais ou menos há duas semanas eu tive uma entrevista de estágio. A vaga era maravilhosa, numa área que realmente me interessa (social media), em uma agência pequena mas muito, muito legal e que, de quebra, ainda ficava pertinho da minha faculdade. Eu nem sabia o valor do salário, mas achei tão promissor que nem me importei muito com isso. Enviei meu currículo e, para minha surpresa, recebi uma resposta quase instantânea. Marquei a entrevista e daí era só esperar. No dia e hora marcados, lá estava eu, pronta para bater um papo com um dos sócios da agência. Nessas horas a gente nunca sabe bem o que esperar, mas de uma forma geral, fiquei bem satisfeita com meu desempenho. Saí de lá com um sorriso no rosto e a promessa de uma resposta em duas semanas.

Tá, e onde eu quero chegar com essa história? Explico. Quero chegar na parte em que duas semanas se passaram desde a tal entrevista e que até hoje eu sequer recebi um sinal de fumaça como resposta. O que me deixou muito chateada, sabe? Vejam bem, não é que eu seja uma apelona que não sabe ouvir “não” como resposta, porque não é o caso. Antes eu tivesse ouvido um “não”, aliás, do que ficar aqui, esperando em vão. Eu queria uma resposta. Que fosse para dizer que, “infelizmente você não foi a escolhida para a vaga x, mas ficaremos felizes em trabalhar com você em outra oportunidade”, como já aconteceu outra vez. Soa falso, eu sei, mas é muito mais educado (e porque não, profissional), do que simplesmente deixar a pessoa esperando sentada. E eu sei, talvez eu esteja sendo ingênua por acreditar que ainda exista algum tipo de consideração nesse mercado de trabalho violento que a gente luta pra fazer parte. Mas se querem saber, antes ser assim do que começar a descartar pessoas com a mesma facilidade que descarto as folhas dos meus cadernos.

Só que tudo isso acabou me fazendo entrar numa pilha muito errada de pensar que talvez o problema esteja comigo. E foi desesperador ver que aqui estou com 21 anos na cara, no 5º semestre da faculdade, há dois anos de me formar e sem ter tido nenhuma experiência “no mercado”. Sem ter para onde ir e completamente perdida. Prazer, Ana.

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Sei que esse papo já é bem manjado, mas não deixa de ser assustador quando o lance todo acontece com a gente. E é aí que a gente vê que respostas genéricas do tipo “tudo vai ficar bem, calma”, não têm muita serventia. Conversar com minha mãe, por exemplo, por melhor que tenha sido, não foi tão bom assim, entendem? Ela me ouviu com a maior paciência do mundo, disse que tudo ia ficar bem e que eu precisava continuar correndo atrás do que queria, que Deus sabia a hora certa das coisas e que quando chegasse o momento, eu iria conseguir um estágio legal e tal. Enfim, esse papo de mãe. Foi ótimo, mas na prática tudo soa tão autoajuda que fica difícil visualizar, sabe assim? Com o Gui aconteceu mais ou menos a mesma coisa, e por mais que ele tenha as dificuldades dele e que eu não queira desmerecer nenhuma delas, a realidade dos estágios para um estudante de Engenharia é infinitamente diferente da de um estudante de Comunicação. Sendo assim, quem chegou mais perto de me entender foi a Ju, que também amarrou o jegue na Comunicação, e exatamente por isso não pode me dar muita ajuda. Estamos no mesmo barco, afinal de contas. Mais perdidas que cego em tiroteio.

O que mais me chateia nisso tudo é que sou extremamente apaixonada pelo o que faço. E daí que não conseguir convencer ninguém disso me deixa frustrada. Não me vejo fazendo outra coisa da vida, mas me questiono se essa foi uma escolha realmente acertada. Se eu realmente fiz bem em jogar a Contabilidade pro alto e me entregar de corpo e alma para a Comunicação Organizacional – um curso novo, que pouquíssima gente sequer sabe que existe e que menos pessoas ainda sabem pra quê serve. Correr em círculos é desgastante, mas o que mais dói é a frustração de ver um sonho sendo enterrado a cada novo semestre que passo sem ter a oportunidade de colocar em prática o que aprendo na sala de aula. Já prometi pra mim mesma que as coisas vão ficar bem e que, se ninguém quiser me dar uma oportunidade, eu vou fazer o favor de inventar uma. Essa perspectiva me alegra e motiva, mas só até o ponto em que coloco de volta os pés no chão e percebo que na prática as coisas não são assim tão simples. E é tão aterrorizante pensar em me formar sem saber o que é um trabalho de verdade que minha vontade é comprar uma passagem só de ida para as colinas.

Dói admitir, mas a verdade é que não sei o que fazer da minha vida daqui pra frente. Não sei se continuo investindo em algo sem retorno ou se corro direto para o plano B. Não sei se desisto do plano B e começo a estudar para um concurso público (plano C), porque afinal é isso o que as pessoas de Brasília fazem. Fico aqui, enlouquecendo com tantas questões e opções quando tudo o que eu queria era uma oportunidade de colocar em prática o que já conheço tão bem na teoria. Vejo vários dos meus colegas estagiando e só posso dizer que invejo a sorte deles. E que queria aprender o paranauê de convencer alguém de que eu sou realmente boa no que faço, porque meu currículo (por melhor que seja), parece não ser o suficiente.

Queria terminar esse desabafo dizendo pra mim mesma (e para vocês, claro) que tudo vai ficar bem e que, logo mais estarei aqui dando boas novas, mas não consigo ver sentido algum em dizer essas coisas. É abstrato demais. Não faço ideia sequer da direção que devo tomar, mesmo tendo a certeza de que qualquer caminho não serve. Minha cabeça continua um turbilhão de perguntas sem resposta. Meu futuro, uma irritante página em branco, esperando para ser preenchida. Continuo seguindo em frente, dando um passo de cada vez, correndo contra o relógio enquanto tento encontrar meu lugar ao sol, sem saber onde vou chegar. Mas eu chego. Um dia eu chego.

 ♥

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3 Comments

  • Reply Gaby 8 de setembro de 2014 at 12:03 AM

    Olá Ana, confesso que entendo perfeitamente o que você está passando, também faço faculdade da área de comunicação e por issso estou bem por dentro de certas coisas, até mesmo esta, e o que eu realmente posso dizer é para você nunca desistir dos seus sonhos, do que você tem vontade e do seu dom, não desiste da faculdade porque uma ou cem oportunidades não deram certo, é complicado mesmo, só que tem um momento que você entra, de um jeito ou de outro, querendo ou não, você ainda está no 5 semestre, pode parecer muito mais para muitas empresas não é, aproveite e se dedique ao máximo a faculdade e tire dos professores tudo o que você puder, para ficar cada vez melhor e mais preparada para a sua nova jornada!

  • Reply Ana Luísa 8 de setembro de 2014 at 8:14 PM

    Oi Ana :)
    É sempre ruim receber um não. Mas não receber nada é pior ainda :(
    Infelizmente entrar no mercado é complicado, mas não é impossível e tenho certeza que logo você consegue! Vou ficar na torcida!
    Beijos beijos!

  • Reply Debbie 12 de setembro de 2014 at 10:53 AM

    Oi Ana!
    Eu caí no seu blog meio aleatoriamente. A Ana do mvcee.blogspot.com comentou no meu blog, eu entrei no blog dela para fuçar e ela te indicou no Blog Day. Aí comecei a ler aqui e vi esse post, que me fez lembrar da minha época de faculdade (eu fiz publicidade e trabalho com social media desde o comecinho da minha carreira). Tive épocas de mandar 300 mil currículos, fazer entrevistas vários dias da semana e ninguém nem responder um “putz, não rola não! beijos” que me deixava muito frustrada.

    E isso é uma coisa que vai te frustrar para sempre. Eu entrei na faculdade há 7 anos (!!!!! GOD) e até hoje, quando mando um email bacana para alguma empresa, fico bem ansiosa com a resposta. Mesmo que não tenha nada a ver com alguma vaga, eu acho bem frustrante quando ninguém me responde. É complicado, mas eu tentava me policiar bastante para não criar expectativas demais. Só comemorar quando REALMENTE tem algo válido para comemorar. Mas às vezes eu ainda me engano e fico acessando o email a cada 10 minutos. Acontece, né?

    Enfim, eu já tinha lido esse seu post (e alguns outros) há umas 2 horas, e aí do nada apareceu um link nos meus feeds que me fez lembrar dele e voltar aqui. Eu li esse texto: https://www.linkedin.com/pulse/article/20140908152152-193436078-the-career-myth-that-is-hurting-millennials?_mSplash=1 que me levou para esse link: http://50waystogetajob.com/category/starting que talvez te dê uma motivação maior para correr atrás do seu sonho de uma forma diferente da ~convencional~. Dei uma fuçada básica no site e ele me parece cheio de insights legais. Mesmo eu, que trabalho como freelancer, não procuro mais empregos fixos e nem estou no começo da carreira, achei várias coisas úteis (já estou com o link de todos os livros aqui para baixar para o kindle, inclusive).

    Enfim, espero que seja útil de alguma forma pra você! :)

    Beijo!

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