NOVELA MEXICANA

EU ACREDITO. ACREDITO, ACREDITO.

Passei os últimos dias ouvindo e lendo muito sobre o Neymar. A fratura, o fim do sonho, torcedores esperançosos, outros (a maioria) nem tanto. Famosos e não-famosos mandando energias positivas pro cara se recuperar enquanto a Globo, EXAUSTIVAMENTE (em caps lock mesmo), renovava as mesmas pautas: Neymar tá fora da Copa. A Fifa precisa punir o responsável. Quem vai substituir o craque?

Fiquei muito triste na hora que recebi a notícia. Triste mesmo. O tipo de tristeza que não consegui entender muito bem até agora, mas que, de um jeito ou de outro, acabou tomando conta de mim. Nunca fui fã do tal menino Neymar. Era um jogador, que namorava uma atriz, que tinha um filho e jogava muito bem. Nenhuma novidade. Eu até entendia as meninas loucas, os meninos que viam no cara um ídolo, mas sei lá, pra mim não tinha nada demais. E mesmo assim sofri. Do meu jeito, quietinha, segurando o choro enquanto lia tweets desesperados. Postei uma carinha triste pra não dizer que passei impune pela rede social. Mas depois de três dias lendo as mesmas coisas, vendo as mesmas reportagens e ouvindo os mesmos comentários, comecei a ficar meio irritada.

Nunca entendi a razão que as pessoas encontram para ficar chorando o leite que já foi derramado. Ele tá lá, sabe, já era. Não tem como colocar no copo de novo e beber. Assim como não dá para fazer um milagre e trazer o nosso camisa 10 de volta ao campo. Paciência, a vida é assim mesmo e nem por isso ela para, fica estagnada no mesmo ponto esperando as coisas melhorarem. Ela continua. Mesmo que a gente queira esperar até que tudo pareça bem o suficiente para continuar. O que mais me incomoda, de fato, é ver a descrença que, de uma forma geral, tomou conta do país. Uma descrença sem razão, como se o mérito de chegar na semifinal fosse de um único jogador. Não quero desmerecer ninguém, mas se a tática desse certo, provavelmente teríamos uma final entre Portugal e Argentina. Portugal, no entanto, voltou pra casa logo na primeira fase, enquanto a Argentina… Bem, vamos esperar para ver. De certa forma, é até injusto. É como se cada um dos outros jogadores que brilharam até agora não representassem muito e como se a única chance de chegarmos ao título fosse ter Neymar de volta.

Eu nunca fui muito fã de futebol. Não torço pra nenhum time, tenho preguiça dessa rivalidade que muitas vezes extrapola o bom senso e só pisei em um estádio porque o Gui queria muito ver um jogo do Vasco (foi um experiência legal, admito). Mas na Copa é tudo muito diferente. Não estamos falando de algumas (muitas!) pessoas parando para torcer para um determinado time. Estamos falando de um país inteiro que para pra ver sua seleção jogar. E isso, como diria um professor meu, não é pouca coisa.

Sabe, eu fui super a favor dos protestos em junho do ano passado – pelo menos antes que eles se tornassem um verdadeiro carnaval fora de época (a.k.a micareta) – e continuo sendo contra a forma como as coisas foram organizadas, mas nem por isso consegui ficar imune a essa alegria que tomou conta dos quatro cantos do país. É um clima contagiante, que me fez pagar a língua por ter achado que tudo ia acabar sendo uma grande merda. Não foi e tá bem longe de ser. Como dizem por aí, tá tendo Copa pra caralho. É, tá mesmo.

Minhas lembranças são muito limitadas quando falo de Copa do Mundo. Nasci em 93, num Brasil que já era tri, mas que se tornaria tetra no ano seguinte – o que obviamente, não me lembro. As únicas memórias que tenho de 98 são as fotografias onde eu, no auge dos meus 5 anos, exibia minha roupa amarela ou azul, no melhor estilo “É o Tchan” de ser. Com direito a barriga de fora e short coladinho. Ah, e dos foguetes que meu tio adorava soltar. Foi em 2002 que tive verdadeiramente a noção do que era o evento e da dimensão do sentimento que tomava conta dos brasileiros a cada quatro anos. Lembro de pedir para minha mãe me acordar de madrugada para assistir os jogos, mesmo quando tinha aula no outro dia, de manhã bem cedo; e de me mijar de nervoso quando soube que a final seria contra a Alemanha. Lembro, principalmente, do dia da final, quando nos reunimos cedinho no apartamento do meu tio (o mesmo que soltava fogos em 98). Eu doente, vestindo uma calça laranja bizarra de moletom (odeio laranja), no auge dos meus 9 anos. Foi ali, doente e com minha combinação duvidosa, que eu me apaixonei. Não por mozões, como viria a acontecer mais tarde, nem tanto pelo futebol em si, mas pela experiência incrível que era ver o Brasil ganhar uma Copa. Passamos o dia comemorando. Doze anos já se passaram, e ainda lembro desse dia como se tivesse sido ontem. A coisa mudou de figura nos anos seguintes, como todo mundo tá careca de saber, mas nada que fosse capaz de apagar a lembrança e, principalmente, a esperança de que, cedo ou tarde, eu viveria a experiência da vitória de novo. E de novo.

Pagamos caro desde o início. Faltas duras, arbitragens ruins, um certo receio de que pareça puxa saquismo defender o país sede – e logo, favorito ao título. Perder o maior nome do nosso time foi só uma consequência de todas as falhas que aconteceram até aqui. A pior, sem dúvida alguma, mas uma consequência. Seria ingenuidade acreditar que isso não influenciaria em nada, que não se tornaria um peso, um porém. Mas pessoas ganham e perdem todos os dias, e a gente precisa aprender a lidar com isso. Ter esperanças foi a forma que eu encontrei de lidar. Não vai ser fácil e ninguém precisa ficar lembrando o quanto os alemães são bons de cinco em cinco minutos. Eu sei, todo mundo sabe. Mas se chegamos onde eles também chegaram, ah queridinhos, quer dizer que também somos muito bons. Nós já ganhamos da Alemanha antes. Enfrentamos Ballack, Klose e balançamos a rede de ninguém menos que Oliver Kahn. Antes disso ganhamos uma Copa sem Pelé e vimos Ronaldo dar a volta por cima, depois de ter sido desacreditado pelos médicos. Quem acredita sempre alcança, já diria Renato Russo. Acreditar é uma arma poderosa. E é por isso que eu acredito na nossa Seleção. Com todos os “mas” e “poréns”. Eu acredito. Acredito, acredito.

Previous Post Next Post

1 Comment

  • Reply Jéssyka 9 de julho de 2014 at 2:07 AM

    Depois do jogo de hoje, vão esquecer da situação do Neymar. To abismada até agora :/ Um beijo, Na Mesma Frequência

  • Leave a Reply