JOHN HUGHES NÃO DIRIGE MINHA VIDA

EVERYTHING WILL BE ALRIGHT

As últimas semanas foram terríveis por vários motivos, mas por hora podemos colocar toda a culpa no meu inferno astral, ainda que minha relação com astrologia não seja das mais próximas. Vocês podem culpar o que quiserem, na realidade, porque não existe nenhum motivo que justifique o fato de todas as coisas de repente terem decidido dar tão errado, mas eu prefiro abraçar essa pira do zodíaco porque, pelo menos, ela tem data e hora certa para acabar.

Amanhã é meu aniversário de 22 anos e enquanto meus amigos se esforçam pra me puxar pra fora desse buraco, eu só consigo pensar que vou fazer 22 anos e que ainda não fiz nada de útil em todo esse tempo.

Lembro que aos 12 anos, meu sonho era ter 22. Tudo porque, na minha cabecinha de pré-adolescente mimada, ter 22 significava ser independente, linda, jovem e com um mundo de possibilidades na mão. Eu teria o emprego dos sonhos, moraria no exterior, ganharia rios de dinheiro, dirigiria um New Beatle e seria amiga de muita gente famosa. Eu seria um exemplo a ser seguido, teria o corpo dos sonhos, moraria com meu príncipe encantado e uma porção de cachorros num apartamento incrível e o casamento já estaria marcado pra dali alguns meses. É claro que eu ostentaria um anel da Tiffany no dedo, ainda que naquela época eu não soubesse o que era isso. Eu não precisaria me preocupar com nada senão viver, porque minha vida já estaria feita e nada poderia me parar.

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ai miga, que engraçada você rsrsrsrs

Tenho vontade de chorar quando penso nisso agora porque, há algumas horas de completar 22, eu ainda não faço a mínima ideia do que eu tô fazendo com a minha vida e muito menos o que eu quero fazer com ela. São sonhos imaturos, muitos nem sequer condizem com a Ana de hoje, mas eu ainda preferia estar vivendo essa vida do que ter que lidar com metade dos problemas que tenho agora. Então prazer, meu nome é Ana e eu sou um completo fracasso.

Em partes, culpo essa minha urgência em fazer as coisas acontecerem na velocidade da luz pelo meu medo de envelhecer. Não porque noooossa vou ter rugas (vou sim), nooooossa vou ser imprestável (não vou não), mas porque envelhecer significa um passinho a mais no meu encontro com a morte. Eu não sei quando essa jornada termina, mas um dia ela vai terminar, e eu morro de medo de que, quando esse dia chegar, eu não tenha vivido nem metade do que a Ana de 12 (14, 16, 18, 20) anos sonhava, e de não ter conquistado nada de que realmente possa me orgulhar.

Numa das minhas crises de ansiedade, minha mãe disse que quando eu for velha, nada disso vai ser importante, e que partir vai ser tão natural quanto, sei lá, dormir. Eu espero que seja assim, de verdade, mas a cada noite em claro que passo chorando, morrendo de medo de dormir e não acordar nunca mais, rezando pra que Deus me dê muito tempo pra viver, eu acredito menos nisso. Eu tenho mesmo medo de morrer, do jeito mais puro da coisa, mas já que não posso fugir disso, tenho ainda mais medo que minha existência não tenha valido a pena, e que eu tenha desperdiçado todo o tempo que passei na Terra, mesmo que no fim a gente não leve nada do que constrói aqui.

E aí que agora eu vou fazer 22 anos, ainda não terminei a faculdade, ainda não moro sozinha, não estou nem perto de morar fora e muito menos de casar, dirijo um Fox idoso que ganhei por ter passado no vestibular, continuo com as unhas descascadas, não sei andar de salto, sou tão esquisita quanto era aos 15, continuo tendo problemas com meu peso, sigo ouvindo Forfun e Simple Plan, e escrevo um blog nas horas vagas que não me leva a lugar nenhum, mas que é muito útil quando eu preciso escrever um texto meio incoerente como esse.

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Pela primeira vez em anos, eu tenho considerado a real possibilidade de não comemorar meu aniversário simplesmente porque não tenho nada pra comemorar. Eu continuo sendo happy-free-confused and lonely na maior parte do tempo, mas não tenho mais tanta certeza assim se in the best way. Porque crescer dói pacas, ser adulto tem mais contras do que prós, e tem vezes que a coisa fica toda tão feia que eu gostaria mesmo de poder pedir altas pra respirar um pouquinho. Sei que parece discurso de menina mimada e por mais que eu repita constantemente que o câncer do vizinho não cura minha gripe, sei que tem muita gente em situação pior que a minha, mas essa angústia é tão terrível que nos últimos dias eu tenho tido crises de choro repentinas dia e noite, e vivo com a sensação de ter um cubo de gelo alojado no meu estômago, que pesa uns 90kg e não tem a mínima intenção de sair de lá. A frustração é tão pesada e a ansiedade tão assustadora que esses dias, num momento de puro desespero, eu chutei o balde e pedi pra minha mãe me levar num médico porque eu não aguento mais carregar isso sozinha.

Dizem que piscianos sonham demais e se tem uma coisa que concordo de olhos fechados é com isso. Eu sonho muito e sonho grande, e no fundo eu morro de medo de me perder nesses mesmos sonhos, porque eles são sempre traiçoeiros demais e tanto me impulsionam quanto me seguram num mesmo lugar que muitas vezes não quero estar. Lembro da personagem da Marion Cotillard em “A Origem”, e apesar de tê-la achado estúpida de um tanto, no fundo eu sei que se vivêssemos num mundo em que fosse possível fugir para uma realidade paralela, aquela seria eu. Jogando a realidade pro alto das formas mais extremas, só pra poder viver a vida que sempre sonhei.

Esses dias perguntei pra uma amiga em que momento da vida nós viramos mulher incríveis, capitãs da nossa alma, donas do nosso destino, passando pelos problemas da vida em cima de um salto 15cm, com as unhas sempre feitas, uma taça de vinho na mão e a elegância digna da Grace Kelly que nunca seremos. Nós choramos e nos abraçamos (ou quase isso), mas não temos uma resposta, porque do alto das nossas sapatilhas ou nossos tênis All Star meio encardidos, vestindo moletom pra ir trabalhar e com as unhas lascadas (o vinho, coitado, nem vou comentar), a gente ainda não consegue ter uma visão desse horizonte que parece sempre tão tão distante.

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então vamo comer bolo

Eu tenho muita fé de que um dia eu ainda vou rir de tudo isso, porque sem fé eu não chegaria à lugar algum. Mas dói ver a vida passar tão rápido e acontecer tão devagar. Dói ver sonhos sendo jogados fora porque a vida aconteceu de uma forma diferente e de repente eu não tenho mais espaço pra eles. Parafraseando algo que eu disse em algum post perdido nos arquivos desse blog, agradeço pelas portas que se fecharam porque só assim outras puderam ser abertas, mas ao mesmo tempo não posso deixar de me contradizer porque é como se um pedacinho de mim morresse quando um sonho é deixado pra trás, no meio do caminho.

Queria que alguém pudesse me garantir que as coisas melhoram em algum momento. Que a gente dá uns tropeções, que às vezes a gente cai, rala a cara, o joelho e o cotovelo, mas que dá tudo certo no final. Me deixa ansiosa saber que não existe um caminho certo e que eu só vou descobrir mesmo por conta própria. Então eu vou fingindo que tá tudo bem, tentando parecer a strong, confident woman que ainda não sou, mas que um dia espero vou ser, acreditando piamente que fake it until you make it ainda é a melhor saída nessas horas.

Então amanhã, quando eu acordar com meus 22 anos, ainda vou ter as mesmas incertezas dos 20 e dos 21, e também algumas dos 12, 14, 16 e 18 e tá tudo bem. Amanhã, quando eu soprar uma vela e fizer um pedido, vou continuar com medo do que meu futuro reserva, de não me tornar a pessoa que sempre quis e ver meus sonhos caírem por terra; mas também vou ter a certeza que mesmo que o medo seja uma constante, eu ainda tenho tempo, tenho força, braços, pernas, olhos e coração pra chegar onde eu quiser chegar. Então vou abrir  meus braços para esses dois patos que tanto sonhei em ter e pra tudo o que eles reservam, e tudo bem se não for aquilo que eu desejava dez anos atrás. Vou tentar curtir o dia, minhas pessoas, meus presentes; vou ouvir Taylor Swift até não aguentar mais e também vai ter foto com legenda I don’t know about you but I’m feeling 22 porque eu esperei 22 fucking years pra poder falar isso com propriedade. Acima de tudo, vou ter muita muita muita fé que everything will be alright, mesmo que demore um pouquinho até as coisas se acertarem. Força na peruca, vejo vocês nos 22.

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E por favor, vida, vamos dar um tempo até a próxima crise.

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7 Comments

  • Reply Paloma 18 de março de 2015 at 11:41 AM

    Xará, meu amor, queria colar aqui o comentário que eu deixei lá no blog da Analu, mas eu acho que posso fazer um pouco melhor que isso, então vou tentar.
    Sonhos despedaçados doem, e tudo mais. E a sua dor é a sua dor, só você sabe exatamente como ela é e como sentir. Não vou fingir que entendo, porque esse é um dos pontos em que eu enxergo o mundo completamente diferente de você(s), então vou apenas tentar passar aqui como eu enxergo as coisas e torcer pra que de alguma forma te ajude (e espero não soar pedante, não tô mesmo dizendo que a minha forma é melhor que a sua).
    Você diz que nessa altura da sua vida queria “ser independente, linda, jovem e com um mundo de possibilidades na mão”, e meu bem, você é. Pode ser que não da forma como você imaginou, mas talvez por isso a parte do “com um mundo de possibilidades na mão” seja mais forte ainda. Flor, você tem ”””só”””’ 22 anos (parabéns, por sinal!), e se você tivesse na mão todas as outras coisas específicas que você sonhou tanto tempo atrás, você não teria esse mundo de possibilidades na mão.
    Longe de mim tentar separar alguém e sua crise. Mas abraça a crise e, depois que ela passar, contempla a vida inteira que você tem pela frente e lembra que você pode fazer o que você quiser MESMO (pode parecer exagero, mas acredita no que eu to te dizendo).
    Espero que você se sinta melhor logo e te desejo toda a felicidade e todas as coisas boas do mundo nesse ano.
    Beijos <3

  • Reply Xará 18 de março de 2015 at 11:50 AM

    Amiga, praticamente postamos sobre a mesma coisa – só que você escreveu bem mais e fez bem mais bonito que eu. Abraça aqui porque angústia dividida é angústia pela metade. E: “Eu tenho muita fé de que um dia eu ainda vou rir de tudo isso, porque sem fé eu não chegaria à lugar algum. Mas dói ver a vida passar tão rápido e acontecer tão devagar.” SOCORRO, vamos ter fé, porque sem fé, realmente, não temos nada. E ainda vamos chegar a muitos lugares e rir muito disso tudo. <3
    Te amo! Feliz 22!

  • Reply Ana 18 de março de 2015 at 2:02 PM

    É mal de Ana, Ana.

    Faço 22 anos em julho (e espero ansiosamente poder postar a música da Taytay) e faço zero ideia do que ando fazendo. A vida passa realmente rápido e acontece devagar. Eu tenho meu plano de vida. Quero estar formada em 2017, passar em um concurso até 2020-ish e ser feliz por mim mesma. Se isso não der certo, eu não faço ideia de como vou reagir.

    Não tenho noia pra sair de casa ou muito menos casar. Só vou fazer isso quando puder, ou quiser. Não sei dirigir, muito menos tenho chances de ter um carro num futuro próximo. Não sei andar de salto. Tô aqui presa num corpinho de treze anos. Pensei que ia fazer tudo o que quisesse e passo boa parte do tempo presa em rotina e cheia de conta pra pagar.

    A parte boa, eu acho (e que a gente esquece quando olha a big picture~) são os meios tempos. Quando eu tô bebendo com os amigos, tô feliz assistindo seriado com meu salgadinho, tô beijando quem me deu vontade ou tô comprando aquele ingresso pr’aquele show.

    E a gente precisa de esperança, precisa de sonhos, a gente precisa mirar em algo bom pra manter a máquina andando. E tudo isso se renova. Talvez tu até troque de sonhos, vai saber. Mas por querer algo bom no futuro não significa que o que eu tô vivendo agora seja inteiramente ruim. Porque não é.

    Mas eu te entendo. Eu entendo teu desespero, porque eu tenho disso. Penso isso. Sofro com isso.

    Mas uma hora passa. Sempre passa.

    E a calmaria é boa.

    Beijos! E feliz aniversário!

  • Reply Thais Aux 18 de março de 2015 at 6:55 PM

    Oi, tudo bem?

    Meu nome é Thais e eu tenho 31 anos (bem mais do que você!), e eu também não fiz metade das coisas que você gostaria de ter feito na sua idade. Namoro há quase 3 anos e ainda não sou nem noiva. Nunca fui pedida em casamento. Certamente não tenho rios de dinheiro e só viajei pra fora do Brasil uma vez – e para a Argentina. E só fui morar sozinha há poucos meses. E não sei andar de salto (e tenho orgulho disso! :D)

    A gente absorve a cultura americana desde criança no Brasil, e muito provavelmente isso cria expectativas irreais em nós. No Brasil, as coisas são diferentes. É tudo muito mais caro, os salários são menores, encontrar emprego é um parto, e o resultado disso tudo é morar na casa dos pais por muito mais tempo do que nosso amigos americanos.

    Quando eu tinha 20 anos – menos que você – meu pai morreu, e eu percebi que a morte não era tão ruim assim. Ainda é uma grande merda, mas aos poucos você verá que faz parte da natureza humana, e que se tudo durasse para sempre, não seria assim uma ideia tão boa.

    Crescer é uma bosta, se tornar adulto é horrível, mas acredite: tem suas recompensas. Os sonhos ficam mais distantes porque enxergamos mais a realidade como ela é. Mas apesar disso, não devemos deixar de sonhar, e tentar, e batalhar por isso. Mas tendo sempre em mente uma coisa CHATA E DETESTÁVEL chamada paciência.

    Não sei se tudo dá certo no final, mas no meio, algumas coisas dão certo sim :)

    E quem sou eu pra falar alguma coisa? 31 ainda é muito pouco. A vida tem muito mais coisas que nossas cabecinhas jovens acreditam…

    Beijos!

  • Reply Gab 20 de março de 2015 at 3:19 AM

    Sabe de uma coisa, Xará? Ninguém sabe muito bem o que está fazendo nessa vida. Nem meus avós, seus avós, os mais idosos do planeta. A gente sempre vai achar que não está fazendo nada da vida e que estamos indo para lugar nenhum, e eu acredito que somos assim porque sabemos que teremos um fim e o medo de não ter conquistado nada é muito grande. Porém, isso acaba ofuscando as coisas que de fato ja conquistamos. Acabamos por nem enxergar mais elas.
    Sobre o medo de morrer: é tão real! Na maioria das noites eu não consigo dormir porque acredito fortemente que vou morrer. E meu medo nem é ter conquistado ou não as coisas é simplesmente porque…cara, não pode ser, eu não posso morrer. Eu fico indignada com a morte, com ódio mesmo, querendo falar com o responsável por isso e pensando em meios de me tornar imortal (sério). Pessoas como nós, com esse medo, precisam mesmo de ajuda psicológica. Entra nessa comigo?
    Fora isso, amiga, aproveita teus 22! Seja feliz, tenta ver as pequenas felicidades e enxergue suas conquistas. Elas existem!
    Beijos!! <3

  • Reply Lilica 21 de março de 2015 at 6:36 PM

    Xarazinha meu amor…você está fazendo 22 e não 72! Não se desespere, não se cobre demais, não fique triste por essas coisas. O fato é que quando somos novinhas, adlescentes, a gente acha que nossa vida vai ser como os estudantes das séries ou filmes que assistimos, onde todo mundo consegue passar em Harvard, mora num alojamento super animado, conhece o amor da vida e termina feliz, casado e rico! A vida real é muito diferente e, quando mais planos a gente faz, mais frustrações acontecem. Claro que devemos correr atrás dos nossos sonhos, mas não devemos nos prender muito a esses planos sabe, porque a vida muda tudo, não tenha duvida. A vida não é um roteiro de filme!
    Então não se cobre por não ter (ainda) conquistado seus objetivos. Agradeça por ter uma família que te dá suporte, por ter um namorado que ama você, por ter amigos que estão aí para o que der e vier….o resto vem com o tempo. Não se cobre para não sofrer okay!

    Muitos beijos

    Lilica, 36 anos, 0 objetivos da adolescência conquistados, mas ainda seguindo em busca deles! :-)

  • Reply Manu 27 de março de 2015 at 2:01 AM

    Menina Ana, vim aqui porque me identifiquei tanto com esse teu texto! Mês que vem eu faço 23 (e no ano passado ao invés de Taylor Swift cantei 22 da Lily Allen pq a vida estava ótima, RISOSSSS) e às vezes olho em volta e me pergunto quando foi mesmo que eu saí dos 15 e a vida mudou tão rápido e porque eu ainda não estou morando sozinha e sendo a pessoa bem-sucedida que todo mundo sempre me disse que eu seria. Parece que o tempo começou a voar em algum ponto e muitas vezes eu também sinto que to desperdiçando o tempo e as oportunidades e que não devia estar sendo assim e que o futuro que me aguarda é uma mediocridade sem fim! Aí olho pros meus amigos e a gente acaba conversando e eu percebo que não sou a única me sentindo enganada pelas expectativas e tendo que lidar com esse negócio de não conseguir me equiparar a “eu-ideal” que a eu de 15 anos achou que eu seria. Eu acredito que conforme o tempo passa e a gente ganha mais anos vamos conseguir superar todas essas ansiedades horrorosas e nos sentir mais confortáveis! Então acredite que tudo vai ficar bem sim!!!
    beijos e felizzzzzzzzz aniversário (atrasado)!! :*

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