DRAMAS REAIS

I’M NOT OKAY (I PROMISE)

Mas a essa altura vocês meio que já perceberam, né?

Incrivelmente, desde o fim do BEDA, tenho conseguido manter uma média de mais ou menos sete posts por mês. Sei que pode parecer pouco e talvez até seja mesmo, mas se eu fosse colocar numa balança, acho que é uma média até bem honesta. Esses dias a Palo escreveu sobre estar naquele lugar em que as mudanças mais recentes já deixaram de ser novidade e absolutamente tudo parece só muito normal e muito chato, sobre nossa eterna insatisfação com a vida, e como isso interfere na frequência com que a gente escreve. A mesma Paloma me disse, algum tempo atrás, que admirava a frequência com que eu conseguia postar, e foi engraçado ouvir isso assim, quando a única coisa que eu sinto quando leio meus textos é que sou uma fraude enorme.

Por trás de cada atualização existe uma pessoa que há muito tempo não sabe o que é escrever e não encontrar um defeito sequer, e que a cada novo post arrancado à fórceps, sente que nunca mais vai conseguir escrever um troço decente e espontâneo de novo na vida. Prevejo com uma clareza assustadora o dia que alguém vai aparecer e gentilmente pedir que eu me retire daqui, me acusando de tentar ser algo que nunca fui, e não é difícil que, depois de postar a mesma coisa que alguma amiga, no mesmo dia ou na mesma semana, eu me sinta uma kibadora (?) ridícula e sem limites, que não consegue ter uma ideia decente por conta própria. Da última vez que isso aconteceu, ao invés de achar a coincidência bacana e agradecer aos céus por ter amigas que gostam das mesmas coisas que eu, passei o dia andando em círculos no quarto, esperando alguém me acusar de plágio ou qualquer coisa assim, só porque, vejam só que coisa, a gente tinha postado a mesma coisa, praticamente no mesmo dia. A paranóia, ela existe – e é cruel.

it sended

Só que aí temos um problema, porque se eu não falar do que todo mundo está falando ou responder aquele meme que todas as minhas amigas já responderam, eu não sei muito o que escrever (apesar de ter muitas ideias, o que absolutamente não faz o menor sentido). Tá tudo muito normal e muito chato, e eu realmente não vejo qual a graça de escrever sobre como foi maravilhoso ouvir de um dos meus professores favoritos que minha análise sobre os filmes do Godard era instigante e muito sincera, ou que minha amiga leu a minha mão esses dias e descobriu que eu vou casar antes dos 37, mas não vou morar no exterior (talvez o Rio seja mesmo a minha casa, afinal de contas). É claro que eu sempre posso fazer um pequeno resumo e contar tudo isso, mas um milhão de pessoas já fizeram isso, um milhão de pessoas ainda vai fazer, e no final das contas eu vou ficar rondando no quarto, me sentindo uma fraude, morrendo de medo que alguém descubra. Pois é.

Não é nem uma questão de ser relevante, muito pelo contrário, mas me bate um desespero enorme de nunca mais conseguir fazer algo bom, algo decente, algo que vou olhar e pensar “não mudaria nada aqui”, sabe assim? Eu sempre fui uma pessoa que escreve e a perspectiva de conhecer uma Ana que não escreve é assustadora demais. É isso que eu conheço, foi assim que eu me encontrei e descobri quem eu sou, aposto que sou muito mais eu aqui do que jamais fui fora. Eu não quero mudar, mas e se eu tiver mudado, mesmo sem querer? E se de uma pessoa que não conseguia postar um texto com menos de mil palavras, eu tenha me transformado numa pessoa que mal escreve 140 caracteres?

No fundo, não acho que eu tenha realmente deixado de ser uma pessoa que escreve, mas o medo é inevitável. Tenho medo que a rotina atropele o blog, que eu não consiga mais fazer tudo que preciso e ainda escrever sobre isso, e também tenho medo de nunca mais escrever com a mesma facilidade, mas não acho que deixei de ser quem sou – e muito provavelmente nunca vou deixar de ser. Talvez eu só precise parar um pouquinho, tomar fôlego, me permitir não fazer nada por algum tempo e colocar a cabeça de novo no lugar, ler meus livros e dançar um pouco fora do meu quarto. O blog não vai parar, mas eu preciso admitir pra mim mesma que não tenho nenhuma obrigação real com isso aqui, que emocionalmente eu não tô legal e que me forçar a escrever não é bacana, e preciso, principalmente, parar de me cobrar por isso. 2015 foi um ano muito pesado e eu não quero que o blog se torne mais um peso nessa medida.

ops

Por hora, estarei aqui, tentando exorcizar esses monstros e provar pra mim mesma que, no final das contas, eles eram só árvores mesmo. Vocês ainda podem me encontrar no snapchat (alvesqueen) e no twitter (@alvesqueen também).

I’m okay, now
(I’m okay, now)
But you really need to listen to me
Because I’m telling you the truth
I mean this, I’m okay!
                                              (Trust me)

(Não tô ok, mas vou ficar)

(Prometo)

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2 Comments

  • Reply Thay 2 de dezembro de 2015 at 12:44 AM

    Não li o post ainda (já faço isso), mas, miga, que layout lindo, hein? HAHAHA ♥♥♥♥

  • Reply Thay 2 de dezembro de 2015 at 12:58 AM

    Acho que esse medo de parecer uma fraude é o que diferencia as pessoas que verdadeiramente amam e escrever daquelas que só fazem por fazer. Normalmente me pego pensando sobre como eu tive coragem de publicar esse ou aquele post, tipo, que abuso eu pensar que sei escrever, mas depois paro e respiro. Ok, não me contento mesmo assim, sou dessas, mas meio que aceito e sigo em frente. E se isso te trás algum conforto, eu adoro o jeito como você aborda os mais diferentes assuntos e é relevante no meu dia, de verdade. Acho válido você tomar um tempo pra si, ler e dançar fora do quarto e respirar novos ares sim – contanto que volte pra cá no final do dia, HAHAHA. #aloka Mas sério, não encare mesmo o blog como uma obrigação, que tudo o que é obrigação torna-se enfadonho, cansativo e tedioso. Antigamente eu ficava com peso na consciência se sumia do blog, mas acho melhor assim. Escrever qualquer coisa só pra atualizar não é minha praia.
    Beijo, miga. ♥

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