BLAIR WALDORF

LIKE A PRINCESS

No ano passado, umas semanas antes do meu aniversário, fui dar uma volta no shopping. As coleções de inverno já estavam pipocando nas lojas, uma mais linda que a outra, me fazendo ter um faniquito toda vez que via uma coisa maravilhosa. Como de costume, fui dar um rolê na Zara. Tricô vai, moletom vem, acabei encontrando a peça mais incrível de toda a paróquia: uma saia midi de tule. Foi amor à primeira vista. A saia era linda, o tecido incrível e meu instinto princesa, que andava meio adormecido, acordou com força total! Eu precisava daquela saia no meu guarda-roupa, precisava muito. Minha princesa interior não ia me deixar em paz enquanto eu não levasse ela pra casa.

Infelizmente de princesa eu só tenho o interior, porque a conta bancária continua sendo de uma estudante classe média que “vive” a base de mesada. Quando vi a pequena fortuna que eu ia ter que pagar pra poder levar a tal da saia pra casa, desanimei. Ok, apesar de ser fast fashion a Zara costuma ter uns preços bem salgados, mas aqueles três dígitos não podiam ser o valor de uma saia. De um casaco, talvez, mas uma saia?! Era. Muito triste, larguei a saia na primeira arara que encontrei e continuei meu rolê, muito mais desanimada dessa vez. Quase indo embora dei uma passada na Renner, só pra não perder o costume, e qual não foi minha surpresa em encontrar… TCHAN, TCHAN, TCHAN… Uma saia midi de tule, linda, igualzinha a da Zara. Juro, era igual! Tão igual que até o preço era parecido. Três dígitos mais altos do que minha mesada daria conta. Um belo balde de água fria.

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O tempo passou e eu sofri calada até que meu aniversário chegou. A essa altura eu já tinha me conformado com a ausência da tal saia de tule no meu guarda-roupa. Eu ia sobreviver. Não era a primeira vez que eu me encantava por alguma coisa mas acabava não comprando. Mas aí que, no meio dos poucos – mas bons!!! – presentes, lá estava ela me esperando: a saia de tule mais linda de toda a paróquia. O tamanho certo, a cor certa, o presente perfeito. Agradeci loucamente, desfilei pela casa com ela e, quando cansei, guardei, com todo o carinho, num cabide especial. Agora só precisava esperar pela ocasião perfeita pra usar. E eu esperei. Esperei, esperei, esperei, esperei, esperei até não poder mais. Imaginava mil looks bacanas com a saia, mas na hora do “vamo ver” sempre acabava recorrendo aos looks menos chamativos. Afinal de contas a saia era digna de uma princesa, não era o tipo de peça que você usa e passa despercebida. E eu nunca curti muito esse lance de ser o centro das atenções anyway.

Aí a saia foi ficando ali, no guarda-roupa, pra sempre no seu cabide especial. Um ano já passou e ela continua lá, esperando a ocasião perfeita pra sair do armário. E ok, eu concordo que é uma peça atemporal e que pode esperar o tempo que for, mas convenhamos que é um desperdício enorme uma saia tão linda (e putz, tão cara!) ficar parada dentro de um guarda-roupa pra todo o sempre. Eu até comprei uma outra mais tarde, mais curta, aquela lá, da coleção da Maria Bonita Extra pra C&A. De nada adiantou, porque o destino dela foi o mesmo da incrível saia midi de tule. Ela não foi tão cara quanto a primeira, mas ainda assim é um desperdício enorme, porque a bichinha é tão linda quanto.

Mas aí eu paro e vejo um monte de looks lindos, todos com saias de tule. Várias moças, as Carries da vida real, lindas, felizes, as princesas do street style. E aí eu me pergunto: por que diabos eu fiquei tanto tempo esperando pela ocasião perfeita, quando ela estava ali, na minha frente, o tempo todo? Sem castelos, sem príncipes, sem bruxas ou espelhos mágicos. A ocasião estava sempre ali, naquele dia banal de camiseta e short jeans. Naquele dia que eu bem que poderia ter usado e bendita saia, mas preferi ficar no combo de dia sim, outro também.

Eu tô aqui falando da saia de tule mas eu sei que tem um monte de gente lendo isso aqui e lembrando daquele vestido de cetim que comprou e nunca usou, ou daquela jaqueta de paetê incrível que o único rolê que deu na vida foi da loja para sua casa. Paciência, isso acontece com todo mundo. Mas não é por isso que a gente vai se deixar levar. Que os shortinhos e as calças jeans continuem firmes e fortes no nosso dia-a-dia, mas fazer um pouco diferente não vai matar ninguém. Não é porque a saia de tule parece coisa de princesa que eu preciso me fantasiar. E não é porque o tecido é todo delicado que eu só vou usar a tal saia pra ir em “festa”. O comum é sempre tão prático, fácil e seguro que, vira e mexe, a gente se esquece de experimentar. E quem diria que a saia de princesa ficaria tão bacana com camiseta e tênis? A gente se preocupa tanto com a opinião dos outros que acaba esquecendo o que realmente importa: que nós somos as Carries do nosso próprio Sex and the City (ou Carrie Diaries, dependendo da idade). As protagonistas do nosso próprio seriado, filme, whatever. Uma saia midi de tule não vai resolver os problemas de ninguém. O mundo não vai ficar cor-de-rosa e nem um sapo vai virar príncipe do dia pra noite. Mas pode ser que ela te deixe um pouco mais satisfeita consigo mesma. E isso, senhoras e senhores, não tem preço.

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5 Comments

  • Reply I LOVE MODA! 24 de abril de 2013 at 6:32 PM

    Saias de tule são lindas e érfeitas pra montar looks românticos *-*

    Adorei :*

    http://www.ilovemoda.com.br

    http://www.boldbravefree.blogspot.com.br

  • Reply Juju. 24 de abril de 2013 at 8:12 PM

    E eu, até hoje, nunca vi a tal saia ):

  • Reply Batom nos Dentes 29 de abril de 2013 at 5:49 PM

    Adorei, haha. E bem quero fazer uma saia assim rs

    Beijos, Maria Luiza
    Batom nos Dentes

  • Reply Elisa Mello 2 de maio de 2013 at 7:22 PM

    Ai que coisa mais linda, saia de tule é linda mesmo *-*

  • Reply Vitória Araújo 7 de maio de 2013 at 1:56 PM

    Aaah, quero te ver de saia de tule! :)

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