BEDA, TOO COOL FOR SCHOOL

SÓ MAIS UM TEXTO SEM SENTIDO

Ou: Porque vocês não deviam me deixar escrever de madrugada.

Quando alguém te convida pra fazer parte de um grupo no WhatsApp com pessoas que estudaram com você quando acreditar em Papai Noel ainda era aceitável (claro que acredito até hoje), o que você faz? Finge que não é com você? Diz que não, fica pra próxima? Aceita mas silencia o grupo na primeira oportunidade ou paga pra ver e participa de tudo?

Isso aconteceu comigo essa semana, quando uma das minhas melhores amigas da época de escola (e atual veterana na faculdade, vejam só como o mundo dá voltas, risos) me convidou pra participar do grupo que ela estava criando. Normalmente sou a primeira pessoa a fugir desse tipo de cilada, entre outras coisas, porque sou essa criatura sociável que vocês conhecem. Mas incrivelmente eu me vi topando. E de repente eu estava batendo papo e rindo e me divertindo horrores com pessoas que eu não via há mais de dez anos e sequer pensei que fosse ver de novo, curtindo genuinamente relembrar o passado e sequer considerando a possibilidade de silenciar a conversa. Plot twist!

É claro que a folia não durou muito mais que dois dias e nós acabamos todos silenciados pela rotina. Acontece que estar com aquelas pessoas, ainda que não fisicamente, que brincavam de Harry Potter comigo no intervalo e davam porrada quando algum menino exibido vinha dizer que era meu namorado, me fez pensar em algo que parece muito óbvio agora, mas que eu nunca tinha parado pra pensar antes, pelo menos não da forma que penso agora: eles também estão envelhecendo. Não é óbvio demais? É sim senhor.

Aquelas pessoas que passaram quase 10 anos dividindo a mesma sala de aula comigo, que me conhecem desde que eu tinha três anos de idade, que me viram fazer xixi nas calças na terceira série, no meio de toda a sala, só porque fiquei com vergonha de pedir pra ir ao banheiro, aquelas pessoas que dançaram quadrilha comigo e dividiram as responsabilidades de um fã-clube da Sandy, todas elas cresceram e se tornaram adultos como eu, ou talvez nem tanto, mas jovens adultos que não fazem muita ideia do que estão fazendo com a própria vida e que se assustam com a velocidade com que aparecem os cabelos brancos.

Eu sempre tive muito medo de envelhecer. Muito. Não porque eu não quero viver coisas novas ou amadurecer e ser adulta de verdade, mas porque o novo sempre me assustou e envelhecer é um ótimo lembrete de que nosso tempo é limitado. No entanto, acompanhar a vida dessas pessoas mais de perto me faz perceber que tudo isso é muito natural e que estranho seria simplesmente parar a vida e ter a mesma idade pra sempre. Assisti “The Age of Adaline” esses dias e ao invés de sentir inveja, eu só conseguia agradecer por ser normal. Em outro momento eu talvez estivesse reclamando porque não sou eterna, porque um dia eu ia ter rugas e os cabelos brancos de repente iam se tornar a maioria. Mas então eu lembrei de todas aquelas pessoas que fizeram parte da minha vida um dia e que levam com eles um pedaço importante da minha história, e que também estão envelhecendo e se desesperando com os cabelos brancos que aparecem vez ou outra. 

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É por isso que eu sempre me sinto abraçada quando resolvo choramingar sobre esse deck de cilada que é a vida. Às vezes tudo parece meio errado e então você conversa com suas amigas e está tudo muito errado pra elas também, e de repente a coisa não tá boa pro pessoal da faculdade, nem pro seu namorado, nem pros seus colegas de 10 anos atrás, nem pro seu cachorro que não para de choramingar de saudade porque sua mãe viajou (a minha mãe, no caso, porque a mãe do cachorro em questão sou eu). Ou seja, sempre parece que as pessoas ao redor de você have the shit totally together, mas no fundo estamos todos no mesmo barco furado e é isso aí. Tá todo mundo mal, e tá tudo bem – mas talvez eu coma uma trufa por via das dúvidas.

Como a maioria dos textos que escrevo sobre isso, esse não faz o menor sentido. Mas quem foi que disse que a vida faz algum sentido?                 

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5 Comments

  • Reply Passarinha 8 de agosto de 2015 at 3:08 PM

    Ai, miga, me abraça. Estou viajando junto com minha prima mais nova e comecei a reparar como ela já é praticamente adulta e to planejando escrever um texto mais ou menos com essas mesmas reflexões. É muito verdade que de “longe” a vida dos outros parece perfeita, mas só a gente sabe os fantasmas que estão por dentro (nossa, que cafona).

    Te amo muito <3

  • Reply Anna 8 de agosto de 2015 at 8:36 PM

    Amiga, seu post sem sentido fez muito sentido, viu? As pessoas da época do ensino fundamental e médio com quem eu ainda mantenho contato são os meus amigos de sempre, então vejo eles crescendo da mesma forma como eu me vejo crescendo: às vezes levo uns sustos, mas é normal. Mas sempre que fico sabendo de outros colegas pelo Facebook, acho estranho pensar que eles crescem. Na minha cabeça, é como se a vida deles tivesse parado de acontecer depois que eu parei de fazer parte dela. É estúpido e egocêntrico pensar assim, mas é engraçado pensar que a vida das pessoas segue.

    Ter com quem compartilhar as frustrações é muito, muito bom. Nessa semana mesmo eu fiquei meia hora no telefone com um amigo, nós dois listando as coisas que tínhamos que lidar mas não queríamos lidar de jeito nenhum e foi ótimo. Estamos na merda, mas nunca sozinhos. É um começo.
    beijos, amo você <3

  • Reply Alessandra Rocha 8 de agosto de 2015 at 9:19 PM

    Ana, me dá um abraço porque fiquei toda quentinha com esse texto!

    Você acabou de resumir a vida de todo mundo e apesar de eu já estar bem longe antes mesmo da pessoa terminar o convite, é bom às vezes esses “choques” de realidade pra gente ver que o instagram e o facebook mentem e que estamos todos perdidos nessa vida!

    Muito obrigada por esse texto viu? <3

    beijo!

  • Reply Gab 8 de agosto de 2015 at 10:42 PM

    Amiga, é claro que esse post faz sentido, peloamor.
    Sabe que me da um certo conforto pensar que ta todo mundo envelhecendo também? Todos aqueles que eu convivi, que fizeram parte da minha história, todos que são da minha geração estão envelhecendo e as coisas não estão fáceis pra ninguém AND THAT’S OK.
    Não da um alívio? Que texto incrível, amiga. Obrigada por ele.
    Te amo. <3

  • Reply Analu 9 de agosto de 2015 at 1:32 AM

    Amiga! Amo posts sem sentido que fazem todo o sentido do mundo (?). É estranho quando a gente é obrigado a lembrar que as pessoas que conviveram com a gente em determinada época também cresceram enquanto a gente não estava olhando. Eu acho engraçado que eu sou super acostumada com mimha irmã tendo 19 anos, mas se dou de cara na internet com alguma das amiguinhas de escola dela, que iam na minha casa aos 8 e depois eu nunca mais vi, absolutamente não consigo assimilar que elas são adultas hoje também. A gente parece São Tomé: só acredita vendo mesmo, hahaha.
    Te amo!!

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