CINEMA E TV

MARATONA OSCAR 2016: PARTE II

A maior diferença entre a primeira parte da minha maratona e a segunda é que, enquanto na primeira eu estava super descrente, meio desanimada e morrendo de preguiça de praticamente todos os indicados, a segunda me mostrou que, afinal de contas, as coisas não estão assim tão ruins. Achei que fosse ter muito do que reclamar esse ano, que precisaria fazer força, muita força, pra dar conta dessa maratona, mas o que aconteceu foi exatamente o contrário, e agora me sinto ligeiramente culpada por não ter colocado fé nenhuma nesses filmes. Já tivemos anos melhores, é claro, e pouca coisa mexeu comigo de fato, mas não se pode ter tudo mesmo.

Por um milagre do destino, consegui assistir todos os indicados a Melhor Filme num prazo bem curto, de modo que pude, pela primeira vez em muito (muito, muito, muito) tempo incluir na minha lista alguns indicados de outras categorias. Hoje falaremos de Brooklyn, O Quarto de Jack, O Regresso e A Grande Aposta, e também de Steve JobsA Garota Dinamarquesa e Joy, que foi mais ou menos o que deu tempo de assistir. Lembrando que o Oscar rola hoje a noite, então vamos correr porque esse post não vai se escrever sozinho e eu ainda preciso fazer minhas escolhas no bolão das migas.

BROOKLYN (JOHN CROWLEY)

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Indicações: Melhor Filme, Melhor Atriz (Saoirse Ronan) e Roteiro Adaptado.

Sobre o que é? Uma jovem que decide abandonar a vida na Irlanda para tentar a sorte nos Estados Unidos nos anos 50, longe da família, de tudo e todos que conhece. É um filme sobre amadurecimento, escolhas, sonhos e oportunidades, que conversa muito bem com todos nós, jovens de vinte e poucos anos que aos poucos vão assumindo as rédeas da própria vida.

Prestou? Demais. Apesar de falar muito sobre as dificuldades que a personagem principal enfrenta morando sozinha num novo país, o filme faz isso de uma forma muito leve e bonita, quase poética. É uma história muito honesta, que emociona e faz refletir, especialmente porque é muito fácil se identificar com os dramas da menina Eilis. A atuação da menina Saoirse é uma coisa linda de ver, e apesar de ter achado a fotografia meio brega, reconheço que ela consegue captar bem a vibe da história, além de valorizar as mudanças sutis de expressão e os olhares dos personagens, que transmitem exatamente o que eles estão sentido. É assustador de tão real.

Sinceramente? Amei profundamente. Sempre gosto de dizer que o cinema está aí para nos fazer sentir coisas, e Brooklyn me fez sentir muitas coisas, o tempo todo, todo o tempo. Ele me fez refletir muito sobre a minha vida e todas as questões aí no meio (escolhas!, sonhos!, vida adulta!, etc etc), me fez sentir como se eu de fato estivesse assistindo algo muito especial e verdadeiro, e é uma pena que ele provavelmente saia do Oscar de mãos abanando. Se fosse pra apostar em alguma coisa, eu apostaria em Roteiro Adaptado pro Nick Hornby. Mas a concorrência é forte, muitas coisas especiais e muitos nomes fortes, então acho difícil que role.

O QUARTO DE JACK (LENNY ABRAHAMSON)

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Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz (Brie Larson) e Roteiro Adaptado.

Sobre o que é? Jack, um menino de cinco anos, fruto dos estupros sofridos pela mãe ao longo dos anos que esteve presa num cativeiro, que nunca saiu do quarto onde vive. Após fingir a própria morte, ele e a mãe conseguem fugir do cativeiro, mas se adaptar ao mundo fora do Quarto pode ser mais difícil do que eles imaginam.

Prestou? Com certeza. O que eu mais gosto nele é que, apesar de mostrar a vida dos dois dentro do Quarto, ele não é um filme sobre a vida de duas pessoas em cativeiro, não é um filme sobre abuso, não é um filme sobre fuga, mas sim sobre o que acontece depois. Ver Joy e o pequeno Jack tentarem se adaptar e encontrar seu lugar no mundo (ela, de novo; ele, pela primeira vez) é de partir o coração e me fez perceber que as consequências de uma experiência tão traumática não vão embora quando o pior acaba. São monstros, e eles continuam ali, interferindo na vida das pessoas que viveram aquilo e de todos que estão ao redor deles. É um filme assustadoramente real, doído até o último minuto e com atuações brilhantes dos dois personagens principais.

Sinceramente? Gostei bem mais do que achei que fosse gostar. É um filme muito denso, com uma história pesada, narrado por uma criança que viveu sua vida inteira até ali dentro de um quarto de 10m², então calculem o estrago que isso não fez com meu emocional. Para o Oscar, Brie Larson é a grande favorita da noite e acho que a essa altura ninguém tira a estatueta da mão dela. No mais, apesar de não ter lido o livro, acho que tem grandes chances de levar Roteiro Adaptado.

O REGRESSO (ALEJANDRO G. IÑARRITU)

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Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Leonardo DiCaprio), Melhor Ator Coadjuvante (Tom Hardy), Fotografia, Figurino, Maquiagem e Cabelo, Mixagem de Som, Edição de Som, Efeitos Visuais, Design de Produção e Edição.

Sobre o que é? Leonardo DiCaprio sendo atacado por um urso, comendo o pão que o diabo amassou e sobrevivendo pra contar essa história.

Prestou? Não sei. É um filme que quer impressionar e, de fato, ele consegue. A fotografia é belíssima e a história é boa o suficiente pra segurar minha atenção durante as quase três horas de duração. Mas eu realmente odeio essa mania do Iñarritu de querer fazer tudo muito épico, muito grande, muito especial. Eu realmente odeio gente pretensiosa e taí uma coisa que esse cara é demais. Então sei lá? Só queria chegar nele mesmo e dizer: migo, seje menas.

Sinceramente? Odeio ter que admitir isso, mas gostei demais. Foi um filme que ficou na minha cabeça por dias, que me fez sentir coisas muito estranhas e não identificadas, com uma história muito forte que é mesmo tudo isso que as pessoas estão dizendo. Continuo odiando o Iñarritu e seus filmes enormes cheios de plano sequência, mas dessa vez todas as indicações são super merecidas e se levar Melhor Filme, vou ficar bem feliz. Se não levar, vai ser bem feito por ter tirado a estatueta de Boyhood no ano passado com um filme horrível como Birdman #amarga. Muito se falou sobre a atuação do Leonardo DiCaprio, então só vou me juntar ao coro e dizer que, se ele não ganhar esse ano, não ganha nunca mais (mas acho que vai ser bem difícil tirar a estatueta dele dessa vez).

A GRANDE APOSTA (ADAM MCKAY)

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Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (Christian Bale), Roteiro Adaptado e Edição.

Sobre o que é? Um bando de caras brancos que percebem que a economia dos Estados Unidos pode colapsar em breve e decidem apostar todas as suas fichas nisso, enquanto todo mundo jura de pé junto que eles enlouqueceram de vez – só pra depois perceberem, tarde demais, que eles estavam certos mesmo hehe.

Prestou? Incrivelmente, sim. Digo incrivelmente porque a primeira coisa que a gente pensa de um filme que fala sobre economia é que ele vai ser chato pra cacete. The Big Short não é. Na real, é legal demais. Lógico, tem muita economia rolando, muito termo técnico e tudo, mas ao mesmo tempo ele é bem didático e divertido. Tipo, tem a Margot Robbie e a Selena Gomez sendo elas mesmas, explicando conceitos econômicos, sabe? É genial (apesar de problemático). A edição também é muito excelente, então sério, assistam.

Sinceramente? Adorei e isso é a única coisa que posso dizer pois certeza que não entendi bulhufas (apesar de sentir que estava entendendo tudo durante o filme). Mas é muito ótimo, sério, acreditem em mim. Não acho que deve ganhar muita coisa, não sei nem se vai ganhar alguma coisa, mas se dependesse de mim, levaria Edição fácil. Eu gosto de uma zoeira, eu gosto de gente que não se leva a sério e foi exatamente isso que encontrei aqui.

A GAROTA DINAMARQUESA (TOM HOOPER)

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Indicações: Melhor Ator (Eddie Redmayne), Melhor Atriz Coadjuvante (Alicia Vikander), Figurino e Design de Produção.

Sobre o que é? Baseado no livro homônimo, ele conta a história de Lily Elbe, uma das primeiras pessoas transgênero a se submeter a uma cirurgia de mudança de sexo, e sua história de amor, compreensão e cumplicidade com a pintora Gerda Wegener.

Prestou? Muito. É um filme extremamente delicado e muito sensível também, e o tempo todo fiquei me questionando o por quê dele não estar na lista de indicados a Melhor Filme. Muito se falou sobre a atuação do Eddie Redmayne que é um cara muito porreta e que aqui entrega um trabalho tão bom quanto todas as pessoas estão dizendo, mas meus louros vão todos para a Alicia Vikander, que rouba a cena em vários momentos – tanto que me perguntei demais se essa história não era tão dela quanto da personagem do Eddie, porque essa foi exatamente a impressão que eu tive – e que me fez sentir demais do início ao fim. O que eu sofri junto com essa mulher não tá escrito.

Sinceramente? Uma surpresa bem positiva, tão positiva que o fato dele não estar pelo menos concorrendo a Melhor Filme me deixou bem chateada. Apesar de tratar de um tema que me interessa demais, não imaginei que fosse me emocionar tanto e sentir tantas coisas com uma história que não causa nenhum tipo especial de identificação em mim. Mas eu senti, então só posso mesmos agradecer aos envolvidos. Se fosse pra destacar alguma coisa que não curti tanto, eu falaria do final brega, mas a última cena me fez chorar muito, então isso meio que quebra qualquer argumento. Não acho que Eddie leve a estatueta pra casa esse ano, mas aposto fortemente no Oscar da Alicia, que também merece demais.

STEVE JOBS (DANNY BOYLE)

stevejobs

Indicações: Melhor Ator (Michael Fassbender) e Melhor Atriz Coadjuvante (Kate Winslet).

Sobre o que é? Mais uma cinebiografia sobre o cara da maçã, mostra os bastidores do lançamento de três produtos icônicos ao mesmo tempo que retrata os dramas da vida do Steve – os problemas com a filha, o temperamento difícil, as polêmicas da Apple, etc.

Prestou? É uma questão. Tenho muita preguiça de cinebiografias, especialmente quando elas falam sobre histórias de pessoas que todo mundo não aguenta mais ouvir, como é o caso aqui. Mas não sei o que aconteceu aqui, porque por mais que ele tenha alguns problemas, achei o resultado final muito bom e surpreendente. Mesmo com Fassbender na jogada, as chances de dar errado eram bem grandes. Mas não dá. Gostei demais do Fassbender no papel do Steve, Kate Winslet brilha num papel que podia ser bem qualquer coisa, e o resultado de tudo isso é tão bom que mal percebi a hora passar. Então acho que dá pra dizer que prestou, né? NÉ?

Sinceramente? Tô chorando até agora por causa da cena final e não faço a menor ideia de como isso aconteceu.

JOY – O NOME DO SUCESSO (DAVID O’RUSSEL)

joy

Indicações: Melhor Atriz (Jennifer Lawrence) (de novo).

Sobre o que é? A história da mulher que inventou um esfregão fodão.

Prestou? Nunca saberei pois me recuso a assistir. Desculpa, mas tenho mais o que fazer da vida.

Sinceramente? Não aguento mais a Jennifer Lawrence causando no Oscar e fazendo de tudo pra virar meme. Sério, galera, vamos superar.

Pra finalizar, deixo vocês com as minhas apostas:

Melhor Filme: O Regresso
Melhor Diretor: George Miller
Melhor Atriz: Brie Larson
Melhor Ator: Leonardo DiCaprio
Melhor Ator Coadjuvante: Mark Rylance
Melhor Atriz Coadjuvante: Alicia Vinkander
Roteiro Original: Spotlight
Roteiro Adaptado: O Quarto de Jack
Animação: Divertida Mente
Fotografia: O Regresso
Figurino: Cinderela
Maquiagem e Cabelo: Mad Max
Mixagem de Som: Mad Max
Edição de Som: Mad Max
Efeitos Visuais: Mad Max
Design de Produção: O Regresso
Edição: A Grande Aposta
Trilha Sonora: Os 8 Odiados

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5 Comments

  • Reply BA MORETTI 1 de março de 2016 at 1:17 PM

    querendo muito assistir ROOM. principalmente depois de assistir o pequeno jack dançando no oscar HAHAHAHA

  • Reply Thay 1 de março de 2016 at 5:57 PM

    Com o bolão que a gente fez no GSB eu notei que sou MUITO ruim pra prever resultados de premiação, hahaha. Tipo, acertei pouquíssima coisa mas pelo menos acertei o Oscar do Leo. AIN, foi tão lindo de ver ele todo contente recebendo! Fiquei feliz de verdade, foi até difícil dormir depois (imagino que ele próprio, Leo, deve estar andando para todo lado com a estatueta debaixo do braço, hahaha). Sou preguiçosa para assistir filmes, confesso, e desses todos só assisti Brooklyn (que amei muito, queria prêmio pra Saoirse, mas tudo bem) e Steve Jobs (por causa de papai, que queria ver e tal). Ainda quero assistir os outros indicados, um dia, menos Joy. UGH, passo urgente. Mais um filme com JLaw berrando? Hahahaha, não, obrigada.
    Miga, respondi o meme musical! AIN, foi difícil, vá lá me mimar #aloka
    Beijo!

  • Reply Camila Faria 3 de março de 2016 at 1:47 PM

    Eu não consegui assistir tudo ~ ainda. Estou com uma preguiça eterna de Joy também, obrigada por me acompanhar nessa jornada. Hahaha!

  • Reply Nay 3 de março de 2016 at 1:53 PM

    Sobre Room chegou a chata pra dizer: Leia o livro peloamordadeusaa! Incrível demais… Torci pela Emma Donoghue para o Oscar de melhor roteiro adaptado mas fuém. Não rolou! Mas ela merecia demais (pelo livro lindo que escreveu) pelo roteiro que na minha humilde opinião ficou MUITO bem adaptado para a telona.

  • Reply Passarinha 11 de março de 2016 at 6:26 PM

    Amiga DEMOREI VIDAS, mas cheguei. Só que agora to impossibilitada de comentar porque não consigo parar de rir com “A história da mulher que inventou um esfregão fodão.” Sério que é isso? hahahaha

    Quando você colocou Joy na lista eu jurava que você tinha visto, agora to aqui chorindo. Pfvr nunca seje menas, seje sempre mais.

    Sobre quase todos os outros, você já sabe minha opinião. Tivemos mais ou menos a mesma impressão sobre tudo. Mas ainda to bem chocada que você acertou o prêmio do Mark Rylance.

    Steve Jobs ainda quero ver, comentamos outra hora.

    Te amo <3

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