CINEMA E TV

MARATONA OSCAR 2017 – PARTE III

Antes tarde do que nunca, cá estou para a terceira e última parte da minha maratona. Infelizmente, não consegui cobrir todos os filmes que queria, mas foi o ano que consegui cobrir mais categorias e fico feliz por ter superado minhas expectativas, embora o cansaço seja muito, muito real. Não confirmo nem nego que minha vontade sincera era ficar alguns meses sem assistir filme nenhum – o que será absolutamente impossível, mas bear with me. A maior parte dos filmes desse ano são maravilhosos, então apesar do cansaço, a maior parte da maratona foi igualmente maravilhosa – eu só estou feliz demais que acabou e depois de hoje vou poder dormir em #paz.

Como de costume, mais tarde vou estar lá no twitter comentando, me revoltando e dando pitacos não requisitados sobre os indicados. Sigam-me os bons e não me deixem falando sozinha. Grata.

LION – UMA JORNADA PARA CASA (Garth Davis)

Indicações: Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Dev Patel), Melhor Atriz Coadjuvante (Nicole Kidman), Melhor Roteiro Adaptado (Luke Davis), Melhor Fotografia (Greig Fraser) e Melhor Trilha Sonora (Dustin O’Halloran e Hauschka).

Sobre o que é? Um jovem indiano que se perde da família e acaba indo viver na Austrália com uma família adotiva. Vinte anos depois, ela tenta reencontrar a mãe, redescobrir suas raízes e entender o que aconteceu naquele dia em que ele saiu de casa com seu irmão mais velho para nunca mais voltar.

Prestou? Muito, muito, muito! A história é realmente linda, as atuações são impecáveis e você se emociona sem nem fazer força. Embora o filme não se dê o luxo de passar tempo demais explorando os vários aspectos da vida de Saroo, o personagem principal, você consegue entender as relações que ele constrói com cada pessoa, entender suas necessidades, suas frustrações, e se importar verdadeiramente com tudo o que está acontecendo. Por mais que eu nem sempre concordasse com sua atitudes, era impossível ficar com raiva de uma pessoa que perdeu tanto, mas que ao mesmo tempo era tão adorável, simples, com um sorriso enorme no rosto e que realmente valorizava as oportunidades que teve – e num filme que fala tanto de raízes quanto fala de privilégio, é realmente incrível ver um personagem que entende os privilégios que adquiriu, entende que aquilo não é a regra, mas sim a exceção, e que nunca cospe no prato que comeu. É um filme delicado demais, sensível demais, bonito demais, e que despertou em mim sentimentos muito preciosos. Então sim, é um filme que eu recomendo e recomendo com força.

Sinceramente? O que esse filme me destruiu não tá escrito. Queria dar um abraço no Dev Patel, pedir pra ser amiga, colega, pinguim de geladeira, qualquer coisa; e levar pra casa o pequeno Sunny Pawar, a criança mais adorável que você respeita. Infelizmente, numa disputa que só existe pra cumprir protocolo como a desse ano, acho bem difícil que leve alguma coisa. No entanto, se eu pudesse dizer alguma coisa é: assistam Lion, se apaixonem pela história e me agradeçam depois.

LOVING (Jeff Nichols)

Indicações: Melhor Atriz (Ruth Negga).

Sobre o que é? O casal Loving que se casou na década de 50, quando o casamento inter-racial ainda era proibido no estado da Virgínia, onde ambos residiam. Como punição, os dois são exilados do estado e só podem voltar separados, e é dessa forma que eles vivem durante alguns anos – pelo menos até que Mildred Loving, cansada de viver longe da família e em um lugar tão pouco favorável para se criar uma criança, escreve para Bobby Kennedy, que passa o caso dos Loving para a UCLA. A partir daí, o casal entra em uma briga na justiça contra o estado da Virgínia em busca do direito de viverem felizes onde bem entenderem.

Prestou? Horrores. A história de Mildred e Richard Loving é real e eles foram responsáveis por mudar toda a constituição dos Estados Unidos, estabelecendo que sim, o casamento inter-racial era um direito de todos os cidadãos norte-americanos, onde quer que eles estivessem – uma luta que não só beneficiou os dois, mas muitos outros casais que se viram contemplados pela decisão da Suprema Corte. Ruth Negga faz um trabalho espetacular como Mildred, uma mulher tímida, mas cheia de vontade de viver uma vida plena ao lado do marido e dos filhos, e com uma força que quase nunca está associada à mulher no cinema. É um filme lindo de verdade.

Sinceramente? O fato de ter recebido tão poucas indicações já diz um bocado sobre a opinião da Academia. Por mais que seja um filme lindo, sensível do início ao fim e com uma personagem tão fundamental em um momento que tanto se fala sobre a representatividade da mulher no cinema, é realmente uma pena que Loving não tenha sido indicado em mais categorias, e que saia de mãos abanando logo mais.

MOONLIGHT – SOB A LUZ DO LUAR (Barry Jenkins)

Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor (Barry Jenkins), Melhor Ator Coadjuvante (Mahershala Ali), Melhor Atriz Coadjuvante (Naomie Haris), Melhor Roteiro Adaptado (Barry Jenkins e Tarell Alvin McCraney), Melhor Fotografia (James Laxton), Melhor Edição (Nat Sanders e Joi McMillon) e Melhor Trilha Sonora (Nicholas Britell).

Sobre o que é? Procurei um milhão de sinopses diferentes, mas nenhuma delas faz jus à história que Moonlight de fato conta. Porque ele não é apenas um filme sobre um jovem negro descobrindo a si mesmo enquanto vive a implacável realidade que o maltrata em tempo integral. É sobre isso também, é claro, mas é muito mais, infinitamente mais – e talvez por isso seja tão difícil escrever sobre ele. É sobre um jovem tentando fugir da criminalidade quando esteve a vida toda no meio dela. É sobre relacionamentos. É sobre pessoas que são boas e más ao mesmo tempo, complexas como qualquer ser humano. É sobre negritude. É sobre a socialização masculina. É sobre o tráfico, sobre bullying. Mas é, principalmente, um filme sobre pessoas, tão delicado quanto deveria ser.

Prestou? Nada que eu diga vai ser suficiente pra dizer o quanto esse filme prestou, então só posso dizer que sim, prestou e prestou demais. A história é extremamente sensível, e embora trate de assuntos pesados como o tráfico de drogas, bullying e o uso de drogas, tudo é contado com uma delicadeza e um cuidado que deveria ser regra no cinema, mas infelizmente ainda é a exceção. Gosto particularmente de como a sexualidade é introduzida na vida de Chiron, das conversas com Juan e Teresa, e da relação com a mãe, que embora seja muito complexa e extremamente conturbada, é tratada com o mesmo cuidado de todo o filme – que não assume uma postura condenatória para com a personagem, dando a dimensão das consequências de suas escolhas não somente na vida do filho, mas na dela própria.      

Sinceramente? Podia sair rapando os prêmios tudo que ia ser bem merecido. Ainda tenho esperanças que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas esteja realmente empenhada em não só indicar negros e negras nas categorias principais, mas também a premiar essas pessoas quando elas merecerem – e Moonlight merece demais. Nada contra La La Land (inclusive, amo profundamente!), mas alguns filmes merecem infinitamente mais levar o prêmio pra casa e é importante que a gente reconheça isso também. Moonlight é um desses – que a Academia não dê mais uma bola fora esse ano.

Pra finalizar, a lista com minhas apostas (lembrando que esses não são, necessariamente, os filmes que estou torcendo para levarem o prêmio, mas aqueles que eu acredito que têm mais chances, mesmo ainda estando MUITO confusa e sem muita certeza de nada. 2017, definitivamente um ano estranho pra cacete).

Melhor Filme: Moonlight – Sob a Luz do Luar
Melhor Diretor: Damien Chazelle
Melhor Atriz: Isabelle Huppert
Melhor Ator: Casey Affleck
Melhor Ator Coadjuvante: Mahershala Ali
Melhor Atriz Coadjuvante: Viola Davis
Melhor Roteiro Original: La La Land
Melhor Roteiro Adaptado: Moonlight – Sob a Luz do Luar
Melhor Animação: Zootopia: Essa Cidade é o Bicho
Melhor Canção Original: “Audition (The Fools Who Dream)” – La La Land
Melhor Fotografia: A Chegada
Melhor Figurino: La La Land
Melhor Maquiagem e Cabelo: Star Trek: Sem Fronteiras
Melhor Mixagem de Som: Até o Último Homem
Melhor Edição de Som: A Chegada
Melhores Efeitos Visuais: Doutor Estranho
Melhor Design de Produção: La La Land
Melhor Edição: Até o Último Homem
Melhor Trilha Sonora: La La Land

> Esqueci de avisar no último post: agora estou devidamente registrada no Gato Curioso, o que significa que vocês estão liberados para me perguntarem o que quiserem sobre a vida, o universo e tudo mais. Como sou completamente maluca, prometo responder até as perguntas mais cabeludas, então vão lá, deixem suas perguntas, façam confissões e é isso aí.

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