CINEMA E TV

(PEQUENA) MARATONA PRÉ OSCAR

Então o Oscar é hoje. Como já é de praxe, prometi pra mim mesma que assistiria pelo menos os indicados a Melhor Filme mas, claro, acabei falhando miseravelmente. Isso, por si só, já seria suficiente pra me fazer largar de mão essa ideia de compartilhar minha opinião irrelevante sobre os indicados e assistir a premiação quieta no meu canto. Mas como eu não resisto a uma folia, preferi ignorar o relógio e assistir o que desse tempo, só pra dar meus pitacos com um pouquinho mais de propriedade. É claro que eu gostaria de ver mais coisas e ainda pretendo assistir outros indicados assim que puder, mas por hora é isso aí.

BIRDMAN (OU A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA)
(Alejandro Gonzales Iñárritu, 2014)

Birdman

Esse poderia ter sido mais um daqueles filmes chatos e pretensiosos que a Academia tenta a todo custo empurrar pra gente, mas por incrível que pareça não é. Mesmo que a história não tenha me cativado de verdade, consegui dar algumas boas risadas e não posso negar que a premissa me levou a uma reflexão muito boa sobre crítica, atores, fama e entretenimento. Em determinado momento, Mike (personagem de Edward Norton) fala que “a popularidade é o primo pobre do prestígio” e eu fiquei tão arrasada com a dureza dessa afirmação que não pude deixar de me colocar na pele do ator fracassado que tenta mostrar seu real valor enquanto o mundo conspira contra ao seu redor. Outro momento que achei particularmente marcante foi a cena em que Thomson (Michael Keaton) diz que os críticos só se importam em rotular as coisas e, por mais que eu não goste de generalizar, não pude concordar mais. Basicamente, é isso. Um filme com ótimas quotes, um bocadinho de coisas pra pensar, e planos sequência sensacionais.

O que vai levar: Não é uma das minhas grandes apostas, apesar de ter sido indicado em várias categorias, mas fazer um filme praticamente todo em plano sequência não é brincadeira, então vai na fé Alejandro, que se Deus (e a Academia) quiser, cê leva Diretor.

A TEORIA DE TUDO
(James Marsh, 2014)

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Fiquei com um pouco de bode quando o filme estreou porque desde o início ele me lembrou demais uma outra produção que fala da época em que o Hawking conheceu a Jane, mas que certamente não tem o hype do filme – o que, na minha humilde opinião, é injusto demais. A questão foi que, em algum momento desse meu bode, eu acabei assistindo o trailer e me surpreendi não só por me pegar chorando pacas com ele ou por ter achado tudo incrivelmente bonito e de extremo bom gosto, mas principalmente por me ver genuinamente interessada em ver o resto. O trailer promete e o filme entrega tudo o que a gente espera. Não se trata de uma história sobre a doença, mas sim sobre duas pessoas que se amam e precisam enfrentar obstáculos – normalmente causados pela doença, claro, mas é muito mais uma questão de contexto do que qualquer outra coisa. É uma história lindíssima e me fez chorar horrores mesmo depois dos créditos começarem a subir.

O que vai levar: Por mim podia levar todas as categorias que tá concorrendo (brinks), mas como não vai rolar, arrisco que pelo menos Melhor Ator o Eddie Gracinha Redmayne leva pra casa <3

O GRANDE HOTEL BUDAPESTE
(Wes Anderson, 2014)

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Como bem disse Anna Vitória, super achei que o filme fosse sobre o hotel, mas na realidade a história é muito mais sobre o conciérge e o garoto de recados que, após o assassinato de uma velhinha, precisam provar que não tiveram nada a ver com o crime e recuperar um quadro valiosíssimo. Não é nada assim tão agitado quanto parece, mas o filme é divertidíssimo. Consegui dar boas risadas com ele, mas também fiquei triste em certos momentos porque ele também aposta numa pitada de melancolia e é algo que funciona muito bem aqui. A fotografia é lindíssima e a trilha sonora espetacular, assim como a direção de arte mata a pau, mas o roteiro é a melhor parte. Os diálogos são riquíssimos, toda uma coisa especial acontecendo.

O que vai levar: Fotografia, dá licença e Melhor Roteiro Original PELO AMOR DE DEUS!!11!11

BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE
(Richard Linklater, 2014)

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Adiei enquanto pude porque tinha muito muito medo de me decepcionar com um filme que eu já tinha me apaixonado antes mesmo de conferir, mas felizmente ele é tudo isso que promete e me emocionou de uma forma que nenhum dos outros indicados conseguiu (dos que eu assisti, claro). É um filme sobre a vida e não precisa ser nada além disso mesmo. Mexeu demais comigo ver aqueles doze anos da vida de Mason porque eu só conseguia pensar em tudo que a Ana viveu nesse tempo também. Acho a proposta de filmar em doze anos sensacional e não acredito que o filme teria o reconhecimento que teve se tivesse sido feito de uma forma diferente, mas isso nem de longe significa que ele seja SÓ isso. É uma história simples demais, gostosa demais, que me trouxe os melhores feelings, e honestamente, num mundo com tanta firula, às vezes é só disso que a gente precisa.

O que leva: Melhor Filme, porque sim. Birdman pode ser ótimo, mas juro que taco uma bomba na casa dos membros da Academia se Boyhood não levar essa pra casa. E de preferência que também leve Melhor Atriz Coadjuvante com Patricia Arquette.

O red carpet já começou então vou parar por aqui. A parte #2 fica pra depois da cerimônia, mas deixo vocês com minhas apostas.

Melhor Filme: Boyhood
Melhor Direção: Alejandro G. Iñárritu – Birdman
Melhor Atriz: Julianne Moore – Para Sempre Alice
Melhor Ator: Eddie Redmayne – A Teoria de Tudo
Melhor Atriz Coadjuvante: Patricia Arquette – Boyhood
Melhor Ator Coadjuvante: J.K. Simmons – Whiplash
Melhor Roteiro Original: O Grande Hotel Budapeste
Melhor Roteiro Adaptado: A Teoria de Tudo
Melhor Fotografia: O Grande Hotel Budapeste
Melhora Longa de Animação: Operação Big Hero
Melhor Trilha Sonora Original: A Teoria de Tudo
Melhores Efeitos Visuais: Interestelar
Melhor Figurino: O Grande Hotel Budapeste

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2 Comments

  • Reply Paloma 23 de fevereiro de 2015 at 7:08 PM

    Achei Birdman arrogante. Já não me conquistou antes, depois de todos os acontecimentos de ontem peguei birra mesmo #maturidade Mas concordo que o prêmio de diretor foi merecido.

    Sobre A Teoria de Tudo, concordo que é um filme muito bonito esteticamente , e concordo que Eddie mereceu (tava torcendo por ele, inclusive), mas também não me emocionou como eu gostaria. Não odiei, mas não amei — gostei (e não chorei, fico chateada com isso).

    Grande Hotel <3 <3 Gostei dele de graça e achei que perdeu em algumas categorias que merecia levar.

    Boyhood, amei tanto e me tocou exatamente como você descreveu. E continuo amando, não importa o que aquele bando de trouxas diga.

    Beijos!

  • Reply Fernanda 25 de fevereiro de 2015 at 12:19 AM

    Que tristeza me dá ver a nossa inocência e ingenuidade em acreditar que a Academia não ia mandar o prêmio direto pro filme que fala, olha só, sobre atores e sobre cinema – ou seja, sobre eles mesmos. (Mas eu gostei muito do que o Iñárritu falou num dos discursos dele, sobre arte não poder ser comparada, ou ser derrotada e tal, e que é julgado pelo tempo, porque eu acho sinceramente que Boyhood vai passar no teste do tempo) (Birdman talvez também, eu nem vi ainda, não vem ao caso).

    Eu concordo com as suas opiniões sobre os filmes que vi, e amei que você também amou muito A Teoria de Tudo. Queria que tivesse levado mais prêmios, mas pelo menos a Academia não ousou tirar o Oscar do Eddie Redmayne, nos proporcionando grandes #momentos.

    Beijo!

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