CINEMA E TV

MARATONA (PÓS) OSCAR E OUTRAS COISINHAS

Então, depois daquela cerimônia questionável, que sempre me deixa na dúvida se amei ou se odiei, mas com a certeza de que só conseguirei superar no ano seguinte, cá estou para continuar dando minha opinião não requisitada sobre os principais concorrentes deste ano. Como já faz meses que eu devia ter feito esse post, resolvi juntar com outros filminhos aleatórios que assisti nesse meio tempo só pra não ficar com o post de todo ultrapassado. Atraso é meio que a regra da casa, afinal de contas, então vamo lá.

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Garota Exemplar (David Fincher, 2014): Rendeu uma indicação de Melhor Atriz para Rosamund Pike, e eu tomei isso como uma aviso de que precisava burlar minhas próprias regras e assistir o filme mesmo sem ter lido o livro. Tanto que foi um dos primeiros que assisti durante minha maratona e eu só não falei dele na primeira parte porque ainda estava na dúvida se ia incluir indicados de outras categorias também. De modo geral, achei a história bem boa. É uma pira muito grande e sou obrigada a tirar o chapéu pra Rosamund por entregar uma personagem tão forte, determinada e louca ao mesmo tempo, sem se deixar cair em estereótipos manjados. A repercussão é super justificada, assim como a indicação, mas acho que é só isso mesmo. Não sei como é o livro, mas em alguns momentos eu gargalhei com o filme porque a história toma rumos tão absurdos que não dava nem pra fingir que aquilo estava acontecendo de verdade. Não dá pra falar demais porque a surpresa é fundamental, mas fiquei imaginando a quantidade de gente maluca que não deve ter por aí e a gente nem sabe. Não foi uma história que nossa, achei foda e aplaudi de pé, mas curti entrar na pira e ver uma mulher no papel de uma vilã pra fazer qualquer rapaz se sentir no papel da donzela em perigo.

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Whiplash (Damien Chazelle, 2014): Uma surpresa muito muito boa. Jurei que fosse morrer de agonia e que respiraria aliviada quando o filme acabasse, mas a verdade é que eu achei ele tão, mas tão bom, que mal vi a hora passar – o que não significa que eu tenha sangue frio e não tenha ficado aflitíssima com as cenas mais fortes. Antes de mais nada, Whiplash é muito mais um filme sobre o desejo intrínseco da nossa geração de ser sempre o melhor em tudo que nos dispomos a fazer do que sobre música, mas ao invés de colocar gente escrota num pedestal, ele mostra o quanto nada daquilo é saudável e muito menos desejável. Na busca pela perfeição, Andrew se torna cada vez mais uma pessoa escrota, sem amigos, sem vida e muito cheia de si. Ele treina, sangra, perde o controle e entrega aquilo que sempre quis, mas será que ter um “sou foda” estampado na testa vale tudo isso? É realmente um filme muito bom, com atuações espetaculares e uma trilha sonora de tirar o chapéu, porém Andrew e Fletcher só ganham mesmo o prêmio de personagens mais babacas do ano (mas o Oscar de J.K Simmons continua sendo merecidíssimo).

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O Jogo da Imitação (Morten Tyldum, 2014): Que filme, amigos. É uma história triste pra caramba que, basicamente, nos deixa com a lição de que uma guerra nunca é só preto no branco, com mocinhos de um lado e vilões do outro. Alan Turing foi um cara extremamente foda, com uma personalidade dificílima (o que de modo algum diminui seus feitos), e teve uma vida tão injusta e triste e fodida que o tempo todo eu só pensava em abraçá-lo e falar que as coisas ficavam um pouquinho melhores no futuro. A questão do ~crime de indecência~ me pegou completamente desprevenida, porque eu jamais podia imaginar que um dia pessoas foram condenadas por serem homossexuais, e isso mexeu comigo de uma forma muito muito intensa (o que, em outras palavras, significa que chorei pacas). Keira Knightley é um show à parte e fiquei muito feliz em ver uma moça forte no filme, que sabe de toda sua capacidade, mas também sabe que a sociedade sempre vai tentar limitá-la de alguma forma. Uma das minhas cenas preferidas é quando ela não aparece no seu primeiro dia de trabalho e Alan vai buscá-la pessoalmente, alegando que ela foi a melhor da classe em matemática, ao que ela responde que ainda não teve a oportunidade de se tornar homem. Ela sabe que é foda, mas também sabe que um par de bolas faz muita diferença, e isso é algo que, ainda hoje, acho palpável demais pra que a gente simplesmente ignore. Por fim, o que acho mais bonito é que o filme reforça a ideia de que ser diferente não é ruim, e que nós precisamos abraçar as diferenças.

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<3

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Livre (Jean-Marc Vallèe, 2015): Já começa com uma cena horrorosa, que me deixou agoniada, mas é a única, porque de resto o filme é bem paradão – o que não quer dizer, necessariamente, que ele seja ruim. A história me ganhou muito porque o tempo todo bate na tecla que mulheres podem fazer e ser o que quiserem, e que limitações físicas podem ser superadas se assim a gente quiser. É por isso que as conquistas de Cheryl acabam sendo uma grande vitória pra mim também. O tempo todo aparece gente disposta a dizer que ela deveria fugir daquela cilada enquanto pode, porque ela é uma mulher e mulheres não deveriam se aventurar por aí sozinhas. Mas ela persiste e dá um orgulho gigante de ver ela passando por cima dos próprios medos, ao mesmo tempo que supera os fantasmas do passado. O filme intercala a jornada de Cheryl com alguns episódios do seu passado, explorando principalmente sua relação com a mãe. É uma história bem triste na maior parte do tempo, mas faz a gente ter um pouquinho mais de fé no universo, na capacidade humana de superar e, principalmente, acreditar que a gente não precisa ter uma vida espetacular para ser feliz e que são mesmo as pequenas coisas que importam no fim das contas.

caminhos-da-floresta_t78207_1_jpg_210x312_crop_upscale_q90Into The Woods (Rob Marshall, 2014): Olha, vou ser bem sincera com vocês. Apesar de já ter me decepcionado com boa parte delas, eu não me canso de ver releituras de contos de fadas em live action. Então é claro que, quando soube que Into The Woods não só fazia isso, como juntava uma porção de contos num caldeirão só, ainda por cima num musical, fiquei feliz, doida pra assistir. Só que o filme é terrível, terrível, e quando eu me dei conta disso já era tarde demais pra fugir. Ele até que não começa tão ruim assim e no início achei super bacaninha ver uma história cruzar com tantos contos de fadas ao mesmo tempo. Mas aí o roteiro começa a dar umas voltas sem motivo, os contos começam a se acumular um em cima do outro sem nenhum motivo aparente, nenhum personagem parece realmente digno de interesse e quando você acha que aquela morte horrível terminou e já começa a respirar aliviada, num desses plot twists que ninguém explica, A. PORRA. DO. FILME. NÃO. ACABA. E continua tão mais chato, tão mais insuportável e totalmente nada a ver com a história do início que eu só consegui me perguntar quem é que compra um roteiro furado desses.

776d24b9eb10ac86bd1e6088e1a0ceee_jpg_210x312_crop_upscale_q90Planeta dos Macacos – A Origem (Rupert Wyatt, 2011): Tenho uma preguiça enorme de qualquer filme que tenha o James Franco porque, né, James Franco gente. Vocês que me desculpem, mas só existe um sentimento possível quando eu olho pra cara daquele moço: preguiça. Só que Planeta dos Macacos é um filme absolutamente sensacional. Não é um filme bobo, como eu imaginava que seria, muito menos preguiçoso como a cara do Franco me fez acreditar. Gosto de ler algumas resenhas antes de dar minha opinião não requisitada aqui no blog e, em uma delas, li que quem já era fã da franquia sem dúvida ia amar o filme, mas que quem ainda não era ia acabar se tornando, e cara, é bem isso mesmo. É uma história bem feliz e bonita em alguns momentos, mas muito tensa e triste na maior parte, e incrível o tempo inteiro. Se encantar com César é inevitável, sofrer junto com ele é certo e o final só vem pra coroar uma história triste porém incrível. Fiquei com vontade de esfregar esse filme na cara de um monte de gente estúpida que se acha superior e mais dono do mundo só porque tem ~um cérebro pensante~.

edc10c920ef7414e6218d761f35156e5_jpg_210x312_crop_upscale_q90Mãe e Filha (Petrus Cariry, 2011): Assisti durante uma aula de roteiro e sei lá, não tenho bem uma opinião formada. Basicamente, ele conta a história de uma filha que depois de uma longa separação, volta para a casa da mãe no interior para enterrar o filho morto. Tudo parece ok, na medida do possível, só que aí as coisas começam a ficar meio estranhas, uma vibe meio sinistra e silenciosa acontecendo, cheia de simbologias ainda mais sinistras e aí eu já estava pedindo pras minhas amigas plmdds me tirarem daquela aula, que filme horrível etc etc. Só que sendo honesta, eu não diria que ele é horrível. Porque por mais que eu tenha achado a história bizarríssima, ele tem uma carga filosófica e metafórica muito muito forte, tão pesada que chega a fazer mal. A fotografia é belíssima, num cenário praticamente só em ruínas e a narrativa é lenta, quase sem diálogos, deixando todo um clima de reflexão no ar. É assombroso, poético e retrata muito bem a decadência emocional das personagens. E tudo isso é muito incrível, tirando o fato que faz com que eu me sinta extremamente burra e gente, eu odeio me sentir burra. Então no fim das contas eu saí da sala sem saber mais nada, muito abalada emocionalmente porque é um filme que detona nesse sentido, mas nada muito além disso.

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4 Comments

  • Reply Analu 6 de abril de 2015 at 5:10 PM

    Sharon, meu amor, seu blog tá muito abusadine me cobrando identificação de IP e coisa e tal mas ó, tô aqui na luta mimando um post LISTA DE FILME q, 6 sabem, é o tipo de post que eu mais detesto na vida por motivos de GERALMENTE NUNCA VI OS FILMES DOS QUAIS 6 TÃO FALANDO pq sou eu. Reclamo porque preciso, mimo porque amo e é isso aí. Depois de toda essa introduction esquizofrênica, vou dizer que achei o livro “Garota Exemplar” uma ótima jogada, uma pira muito louca, fiquei de queixo caído e amei o fato da menina ser a vilã do relacionamento. Uma coisa meio Travessuras da Menina Má elevado a potências criminais. Fora que os dois são tão nitidamente transtornados que não tem como a gente não passar a leitura toda amando odiá-los. Preciso assistir.
    Sobre caminhos da floresta, acho um SARRO que todo mundo que cita esse filme na vida comenta essa história dele ter tido a chance perfeita de acabar e não ter acabado. Eu estava gostando de verdade até ali, mas depois daquilo, minha filha, foi ladeira abaixo, realmente. Odeio quem perde a oportunidade de acabar o que quer que seja. (Inclusive eu já perdi algumas vezes a oportunidade de terminar esse mimo pirado e gigante).
    Beijos, te amo!

  • Reply Pássara 7 de abril de 2015 at 8:02 PM

    Xará, você me fez lembrar que eu não lembro se até hoje postei sobre os últimos indicados de melhor filme que assisti. Acho que não. Paciência.

    Garota Exemplar foi o primeiro do Oscar que baixei, e até agora não assisti RISOS

    Whiplash me deixou muito num estado de nervos, e fiquei muito feliz quando ele acabou. Até agora não sei se gostei ou não. E que bela frase/questão “mas será que ter um “sou foda” estampado na testa vale tudo isso?”

    O Jogo da Imitação também me deixou tristinha. Mas amei de verdade a personagem da Keira.

    Caminhos da Floresta queria assistir antes, mas nem sei mais. Todo mundo dá o mesmo veredicto, acho melhor investir meu tempo em outra coisa.

    O Planeja dos Macacos é realmente sensa, vi no cinema. Fiquei até com vontade de assistir a franquia toda.

    E esse Mãe e Filha, nunca tinha ouvido falar na minha vidinha, mas fiquei curiosa. Vai pra lista.

    Beijos, te amo <3

  • Reply Lilica 7 de abril de 2015 at 10:52 PM

    Sharon desses que você citou só vi/li Garota Exemplar. Eu queria ver o filme mas, seguindo a tradição, li o livro primeiro. Achei em alguns pontos o livro cansativo, com muitos detalhes. Mas no final das contas o filme é bem leal ao livro.
    No filme fica mais fácil até pegar uma certa simpatia por ela, mas no livro eu só conseguia odiá-la!!! Mas o final….honestamente achei muito chato. Sei que é o final mais aceitável já que ambos não prestavam, mas sei lá…esperava por algo mais chocante!

    Livre eu quero ver, mais pela Reese do que pela história. Adoro essa lôra!!!

    Love you!
    Beijos

  • Reply Gabriela Couth 8 de abril de 2015 at 2:26 PM

    Sharon, essa é a primeira vez que mimo o seu blog!!!! COMO ASSIM SHARON?! Precisamos rever isso já.

    Ler esse post me lembrou de todos esses filmes que eu disse que ia ver e não vi (rs), então coloquei tudo numa listinha aqui. Também fiquei loka assistindo Gone Girl, mas não vi mais nenhum da sua listinha do Oscar (gente!). Estou triste com Into the Woods, porque todo mundo diz que é uma bosta, mas é um musical, então vou tentar dar uma chance. Não custa nada.

    Também adorei Planeta dos Macacos, e fiquei igualmente surpresa por ter adorado! Você tem que ver a continuação, também é boa.

    Ah, e o Petrus! Conheço a família, sou super amiga da Bárbara Cariry, que também trabalha com ele. Adorei que ele está aqui, porque já vi alguns filmes dele e do pai, e todos deixam essa sensação melancólica! Ainda não assisti Mãe e Filha, precico.

    E precico voltar sempre aqui!

    Beijos!

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