VIDA DE FANGIRL

NÃO APRENDI DIZER ADEUS

Vocês talvez já tenham percebido, mas não custa repetir: eu tenho um timing bem diferente da maioria das pessoas. Especialmente das pessoas da internet. Sou a última a saber do que está em alta, qual é a polêmica da vez e sempre sou a última a assistir aquele vídeo que viralizou de forma supreendente. Em outras palavras, na internet eu sou aquela pessoa que conta a fofoca quando todo mundo já está sabendo, vamos pra próxima, e que ri da piada quando ninguém mais acha graça. Muito disso se deve ao fato de que meu tempo na internet é gasto, principalmente, escrevendo no blog e lendo outros blogs, de modo que eu acabo perdendo essas folias que acontecem no Twitter e, principalmente no Facebook. Mas eu também sou meio essa pessoa na vida real, porque verdade seja dita, eu demoro tempo demais absorvendo as coisas.

Foi assim com aquele último post sobre Breaking Bad (que veio tão mas tão tarde que só recebeu dois comentários em oito!!11!!11111!!!111!11 diasssss) e foi assim também quando eu li que o Zayn tinha saído do One Direction e decidi que precisava postar alguma coisa a respeito, claro, mas que antes eu tinha que absorver e aprender a lidar com a perspectiva de não ter mais o meu 1D preferido na minha boyband preferida do momento. E aí que já faz quase um mês desde que o rapaz anunciou a saída da banda, e aí que eu ainda não aprendi a dizer adeus, e aí que eu não sei onde eu vou parar desse jeito (e sinceramente, prefiro não pagar pra ver), então resolvi quebrar minhas próprias regras e postar antes que essa história de ser atrasada deixe de ser aceitável pra se tornar vergonhosa.

damn

Em algum momento do final dos meus 17 anos e início dos 18, eu decidi que já estava grandinha o suficiente para ouvir música de gente grande. Deixei pra lá minhas paixões adolescentes e abracei, principalmente, o rock antigão, porque aquilo sim era música ~de verdade~ e eu bem queria ser o tipo de pessoa que ouve música ~de verdade~. Essa foi uma fase bem gostosa e importante, que sempre traz umas ótimas lembranças minhas e do Gui dirigindo meio sem rumo por Brasília, ao som de Black Sabbath, Bon Jovi e Van Halen, com nossas jaquetas de couro e o sentimento maravilhoso de ser jovens adultos donos do próprio nariz, uma cumplicidade silenciosa rolando enquanto nossos cantores preferidos cantavam e nós curtíamos o vento na cara e o clima on the road de sempre.

Só que, musicalmente falando, essa foi uma época bem carente. Porque né, vamos combinar, eu era uma pessoa muito chata. E nesse processo de me tornar uma pessoa muito chata e cheia de frescuras, “não escuto nada que tenha sido lançado depois de 1995”, eu perdi a chance de acompanhar a carreira de muitos artistas legais desde o comecinho, de ouvir músicas incríveis em primeira mão, de me divertir de verdade dançando e sofrendo por pessoas que eu nem conhecia mas já considerava pacas.

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vocês eu não sei, migo, mas eu era, sem dúvida

A primeira música que ouvi do 1D foi, claro, What Makes You Beautiful, e naquele momento, enquanto eu ouvia a música meio duvidosa e assistia aquelas criaturas igualmente duvidosas foliando na praia, com seus cabelos duvidosos e danças ainda mais duvidosas, só conseguia pensar que o mundo ia acabar e eu ia continuar sem ver uma boyband de verdade nascer de novo. Eu não tinha visto o boom dos Backstreet Boys e nunca entendi muito o apelo do N’sync, mas se aos 12 anos eu sonhava em casar com o Kevin, um cara  velho demais pra mim e que nem era mais tão famoso assim, é porque, e só porque, em algum momento esses caras fizeram algo tão certeiro que conseguiram conquistar até as mocinhas novinhas de coração gelado que nem eu, e eu jurava, do fundo desse mesmo coração gelado, que o One Direction jamais conseguiria um feito desses. Então eu revirava meus olhinhos descrentes e sentia pena dos adolescentes dessa geração que nunca saberiam o que era música ~de verdade~.

Só que em algum momento ser chata deve ter deixado de fazer sentido, porque de repente, não mais que de repente, eu já não importava tanto assim com as danças duvidosas, muito menos com o cortes de cabelo questionáveis, e quando eu vi meu namorando dançando com os amigos, inventando coreografias e performando como se fosse o próprio Harry Styles, eu percebi que aquilo só podia ser amor.

Ser fã é um troço que não dá muito pra explicar porque só quem já viveu a experiência vai entender. Eu já fui fã de uma porção de bandas e artistas, já chorei, sofri, beijei pôsteres e sonhei em casar com caras que eu sequer conhecia e já amava pacas, mas nenhuma dessas experiências chegou perto do que é ser fã do One Direction. Eu não preciso saber muito sobre eles, não preciso beijar pôsteres (evoluí pros beijos no computador e no celular) e também não sonho em casar com nenhum deles, mas mesmo assim é só alguém falar da banda que meu olho brilha, meu coração dispara, minha pose de moça séria vai pros ares, a racionalidade foge pela janela e eu sou dominada por esses feelsssssss!!11!11!1 incontroláveis que não sei explicar, apenas sentir.

O 1D me mostrou que pagar a língua pode ser uma coisa maravilhosa e que dançar ao som de música dita duvidosa ainda é infinitamente mais divertido do que fazer o papel da hipster chata (que, convenhamos, nunca foi divertido at all). Eu ainda posso desgostar de muita coisa, mas não gosto porque não gosto mesmo, e não porque alguém vai me julgar, porque fulano me disse que nooooossa que coisa horrível é gostar de algo que todo mundo gosta, porque nooooossa isso é música teen e meu deus como música teen é terrível. Migos, superem.

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É por isso que quando alguém tenta me diminuir porque eu gosto de uma boyband idolatrada por adolescentes e pré-adolescentes no mundo inteiro, eu fico chateada sim, porque sou humana e não gosto de me sentir diminuída, mas ao mesmo tempo sinto uma pena genuína de quem não se permite curtir e dançar junto com esses meninos incríveis, tatuados, que às vezes ainda aparecem com umas danças duvidosas sim, e são maravilhosos por isso. Essas criaturas divertidas e gentis, que fazem a gente querer levar pra casa e guardar numa caixinha ou engolir todos eles de uma vez porque, gente, é amor demais.

A saída do Zayn me deixou em frangalhos. Foi uma reação que, de certa forma, me deixou surpresa, porque eu já vi muitas bandas acabarem, já vi grupos ficarem desfalcados, e mesmo assim eu nunca, nunca mesmo, tinha ficado tão triste e tão sem chão. Os outros vão continuar, seguir em frente, assim como eu e todas as meninas de 13, 15, 17 e 20 e poucos anos que curtem a banda, mas a gente sabe que as coisas nunca mais vão ser as mesmas de novo. É triste e frustrante, mas ao mesmo tempo não deixa de ser lindo pensar que eu vivi isso e que vou continuar vivendo de alguma forma – e também não custa sonhar com esse momento do futuro em que eles se reunirão de novo e farão a alegria geral da nação, meio como os Backstreet Boys estão fazendo agora.

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Enquanto isso não acontece eu continuo aqui, absorvendo a perspectiva de um One Direction sem Zayn, assistindo o This Is Us sempre que sinto saudade, dançando Best Song Ever como se ninguém estivesse olhando, chorando abraçada com minhas amigas e, principalmente, vivendo essa paixão que nos une na alegria e na tristeza. Espero que eu nunca aprenda a dizer adeus.

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4 Comments

  • Reply Ingrid A. 19 de abril de 2015 at 12:13 AM

    meniiinaaa nem sabia q vc era tao fã deles e ainda mais do menino que tinha saído! olha imagino o quanto deve ser doloroso ver uma banda se repartir, imagino se tivesse rolado isso com os Stones pra mim seria o fim…

    E sobre o comentário que você deixou no meu post eu ADOREI ADOREEEEEI e adoro ter leitoras como você no meu blog. com tanta correria, drama e preguiça eu mantenho aquele espaço lá pra justamente isso: conhecer gente maravilhosa pelo mundo. acho q meu blog funciona mais como rede social do que todas as uotras que já tive..

    ps. vou pesquisar agorinha mesmo sobre capsule wardrobe!

  • Reply Anna 21 de abril de 2015 at 2:13 AM

    Miga, queria conseguir elaborar mais, mas você sabe, né?
    I FEEL YOU.
    ponto.
    sdds Zayn. sdds Zarry.
    beijos <3

  • Reply Monique Químbely 3 de maio de 2015 at 9:43 PM

    Oie!
    Que cantinho legal. Comecei lendo seu texto do show de Fresno pulei pra esse e se não parasse pra comentar ia acabar pegando uns spoilers de BB.
    Mas, moça, a gente tem q ser livre pra gostar de qualquer coisa mesmo. Chatice alheia que se dane.
    Eu já fui meio preconceituosa tb e, gente, como é feio ser assim ~~
    Meus sentimentos pela sua dor <3

  • Reply Michelle 28 de novembro de 2016 at 11:42 PM

    Sharon, preciso confessar que tô stalkeando seu blog. Mas juro juradinho que não sou louca psicopata, ok? É que ando meio de saco cheio das internets e aí, lembrei que seu blog é bem bom e que eu adoro a sua forma de escrever e vim passear por aqui :)
    Sobre o post, miga, i feel you. Primeiro porque eu sou exatamente aquela pessoa que se atrasa no hype, sabe? PRA TUDO. O 1D, por exemplo, só foi acontecer na minha vida em FEVEREIRO DE 2016, sabe? Nem comento. Também me identifiquei horrores com essa coisa de querer escutar música ~de verdade~, música de ~gente adulta~. Eu fui assim durante boa parte dos meus early twenties e, nossa, pra quê? Acho tão pedante essa coisa de aaaah nossa só música lançada antes dos anos 1990 é que presta e, no fim, quem perde é a gente, né? Eu perdi toda a ascensão do One Direction e – choro só de pensar – deliberadamente ignorei a Taylor Swift porque eu era ~descolada~ demais para escutar as músicas dessa mocinha que falava dos boy-lixo da vida dela.
    Enfim, o bom é que a gente se liberta disso, né? E hoje somos felizes :)
    Mal posso esperar pela turnê de reencontro do One Direction, ahahahaha.
    Beijos,
    ~Michas

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