VIDA DE FANGIRL

NOT A GOSSIP GIRL

Quando comecei a assistir Gossip Girl, eu tinha 17 anos e nada – absolutamente nada – melhor pra fazer da vida senão acompanhar as mutretas dos adolescentes do Upper East Side. O ano era 2010 e depois de sair do ensino médio para cursar uma faculdade que não tinha nada a ver comigo antes de todos os meus colegas, eu acabei num limbo pavoroso. Eu passava dias inteiros de pijama em casa, me sentia inútil por não ter absolutamente nada pra fazer além de assistir séries e escrever pro blog que eu tinha na época. Eu não tinha mais o que conversar com as pessoas, meus amigos não tinham tanto tempo livre quanto eu e foi nessa mesma época que eu comecei a gastar um bocado de dinheiro em roupas e sapatos que não tinha a menor intenção de usar. Claramente, uma época maravilhosa.

Daí que eu comecei a assistir Gossip Girl e de repente as coisas não pareciam mais tão ruins. Por mais que eu continuasse passando a maior parte dos meus dias em casa e de pijama, eu finalmente tinha algo com o que me divertir e que, em alguma medida, também me inspirava a cuidar melhor de mim mesma – da minha aparência, do meu corpo e da minha mente. Com Blair Waldorf eu aprendi a usar o que quisesse, quando quisesse, e ser a rainha da minha própria vida. Eu já usava o “queen” naquela época, mas estaria mentindo se hoje dissesse que ela não teve muita influencia na minha decisão de manter o nome mesmo tanto tempo depois. Mesmo com outras personagens, eu consegui aprender um bocado, mesmo que fossem coisas mais bestas, tipo que eu podia usar salto mesmo já sendo alta de natureza, algo que a Serena me ensinou muito bem; e até hoje eu morro de rir quando lembro do dia que eu bebi champagne na frente do computador enquanto assistia a um episódio de pijama velho e cabelo sujo, ou então do réveillon daquele ano, que depois de beber aproximadamente 182357 taças de vinho, eu inventei de assistir só um episódio e acabei literalmente fazendo o teclado do notebook de travesseiro. No meio daquele tédio horroroso, eu encontrei algum tipo de luz na vida irreal daquelas pessoas e foi isso que, em partes, me ajudou a levantar de novo e voltar a tomar as rédeas da minha vida.

Acontece que em algum momento entre o final da segunda temporada e o início da terceira eu parei de assistir Gossip Girl de vez. Não foi algo programado: um dia, simplesmente, eu comecei a ter outras prioridades e pouco a pouco fui deixando os sonhos e dramas do Upper East Side de lado. Ao mesmo tempo, outras séries foram aparecendo na minha vida, séries que conversavam muito mais com aquela nova versão de mim mesma e era com elas que eu queria passar meu pouco tempo livre. É claro que eu prometia voltar para Gossip Girl assim que possível, mas depois de um tempo eu comecei a perceber que cada novo episódio realmente não tinha muito mais a me dizer. Odeio ser o tipo de pessoa que olha para séries adolescentes como se fosse de alguma forma superior, mas eu estaria mentindo se dissesse que as armações da Blair, as canalhices do Chuck e os namorados da Serena continuavam fazendo meu olho brilhar. Porque não fazia. Eu não tinha mais paciência pra nenhum daqueles personagens, nem mesmo os pais (meu deus, os pais!), tão problemáticos quanto os filhos que colocaram no mundo, e era impossível não começar a revirar os olhos pra tudo e pra todos. Então eu parei e segui em frente.

Ou quase isso.

O negócio é que, por mais que eu dissesse pra mim mesma que não fazia o menor sentido voltar a assistir Gossip Girl, no fundo, uma voz me dizia que aquilo era fase e que todas as fases passam em algum momento. Então, em breve, eu poderia abraçar todos aqueles absurdos de novo e me divertir com cada um deles. Era algo que eu queria que acontecesse. E foi assim que eu decidi começar a assistir Gossip Girl de novo, na esperança de que as coisas voltassem a ser como foram um dia ou pelo menos perto disso. Comecei exatamente de onde tinha parado, na terceira temporada, e foi uma surpresa bastante desagradável perceber que tudo continuava exatamente igual. Os personagens estavam ali, suas vidas desgraçadas porém privilegiadas também, mas eu não via mais nenhuma graça naquilo. As armações se tornaram repetitivas, os conflitos também, e o troca-troca de casais começou e me irritar muito profundamente. Sério, será que ninguém nunca vai ser capaz de escrever sobre o que acontece com um casal depois que eles finalmente ficam juntos? Existem aproximadamente um milhão de conflitos possíveis, mas de novo (e de novo e de novo e de novo) eles preferiam mostrar o fim, porque lógico, ninguém é capaz de resolver nada senão de uma maneira drástica.

Como se isso já não fosse suficiente, Rufus e Lily, um dos meus casais favoritos da série, começaram a sofrer com uns problemas que não faziam o menor sentido. Em uma série com tanta gente problemática, eles podiam ser o ponto fora da curva, o casal que oferece um pouquinho mais de estabilidade num universo que sempre teve os pés fora do chão, mas o que acontece é justamente o contrário. Da mesma forma, casais que antes pareciam tão shippáveis, de repente, já não faziam o menor sentido. Dan e Serena deixaram de ser legais já na segunda temporada, mas foi realmente desesperador assistir o relacionamento da Blair e do Chuck tomar um rumo tão errado. Toda a história da perda do hotel foi a gota d’água, que me fez assumir pra mim mesma de uma vez por todas que eu jamais seria capaz de fechar meus olhos e shippar um troço tão problemático de novo.

Muita gente já tinha me alertado que depois de um tempo a série começava a ficar um tanto repetitiva e que alguns personagens se tornavam totalmente descartáveis, enquanto outros só reforçavam o que de pior existia naquele universo – eu só não esperava que as coisas fossem ficar tão ruins tão rápido. Mas no final das contas, pelo menos assistir de novo serviu pra me mostrar que as pessoas de fato mudam e que depois que a gente enxerga algumas coisas, fica realmente impossível desver.

Tem outros troféu.

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2 Comments

  • Reply Larie 14 de dezembro de 2016 at 2:10 PM

    Amiga, eu revi GG todinho esse ano e adorei porque serviu de válvula de escape para as merdas que estavam acontecendo na minha vida lá em Portugal, mas confesso que em outra situação não conseguiria rever. Realmente todos os relacionamentos desse seriado são muito questionáveis. Todo mundo ama Chuck e Blair e entendo o apelo, mas puta que pariu o cara é um escroto que faz um monte de merda também. O Nate era meu crush da adolescência, mas revendo agora mais velha não tive paciência nenhuma (gosto do sorriso though). O Dan que era meu personagem favorito vira um chato (inclusive quando a gente já sabe o final, você fica com um certo desgosto) e RUFUS E LILY FORAM A GRANDE QUEBRA DE OTP da minha vida. Então quando a gente vê por esse ângulo, não faz sentido nenhum gastar 45 minutos por episódio da sua vida com isso.

    Você sabe que não perdeu nada, né? Tem muita série melhor. HAHAH

    Beijo <3

  • Reply Michelle 14 de dezembro de 2016 at 4:45 PM

    Oi, miga
    Pois é, mudanças estão sempre acontecendo em nossas vidas e penso que por isso, acabam por alterar também a forma como a gente enxerga as coisas. Que pena que Gossip Girl deixou de dialogar com você, mas esse tipo de coisa acontece e a vida segue, né? Talvez a série já tivesse cumprido um papel na sua vida, chegou na hora que você precisava dela. Pelo menos vocês tiveram bons momentos juntas e as boas memórias vão perdurar :)
    E agora, é só focar nos outros troféu, né? hehehe
    Falando sobre a minha relação com a série, lembro que ela estreou quando eu tinha 16 ou 17 anos e lembro de ter me recusado a assistir porque tinha me convencido de que ela seria uma The O.C. wannabe, sabe? Aquelas tosqueiras que adolescentes pensam às vezes. Aí, só parei para ver GG, quando estava quase terminando a faculdade e só consegui assistir a última temporada com todo mundo. Assim, a série nunca dialogou comigo e eu só curtia por causa das intriguinhas bobas – acho que elas traziam alguma leveza para a vida de quem tava fazendo TCC. Contudo, lembro que achava tudo muito absurdo e, principalmente nas últimas temporadas, completamente incoerente. Detestei o final. Hoje, penso bem e acho que não gosto de ninguém na série, acredita? Acontece, acho.
    Adorei ler o texto <3
    Beijos

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