BEDA, I WANNA BE A ROCKSTAR

O MELHORES SHOWS DA MINHA VIDA

Ou: Mais um top 5.

Se tem uma coisa que amo fazer nessa vida, ir em shows é uma delas. Já disse como sonhei em trabalhar com música durante um período da minha vidinha pré-adolescente e hoje, quase 10 (!) anos depois, vejo o show como o auge da relação entre artista e público, um momento único onde tudo parece suspenso e a vida de repente faz sentido, mesmo quando ela parece tão errada o tempo inteiro. Assim como viagens e comida, gastar dinheiro com shows me dá a certeza de que eu estou fazendo a coisa certa, que ser adulto é péssimo na maior parte do tempo, mas nossa, como é bom ganhar nosso próprio dinheiro e poder comprar ingressos que são sempre caros demais. Aquela coisa de life was never worse but never better e tal.

Não fui em muitos shows na vida e perdi uma quantidade absurda de oportunidades de ver minhas bandas favoritas ao vivo, muito mais do que eu gostaria de admitir. Mesmo assim, achei legal falar sobre os melhores shows que já fui, porque recordar é viver, claro, mas também pra me lembrar de não perder os que estão por vir e, talvez, elevar esse negócio pra um outro nível, onde eu começo a viajar pra assistir minhas bandas favoritas ao vivo (Maroon 5, querido, estou olhando pra você). A ordem, como manda a regra da casa, é toda aleatória.

1) 30 SECONDS TO MARS (2014)

pelo amor de deus, vejam esse vídeo 

O mais recente da lista, o show do 30STM seguiu muito bem a cartilha do trem errado do início ao fim. Teve teto caindo, uma chuva torrencial que ninguém estava esperando, gente gritando que ia morrer, minhas amigas aflitíssimas achando que a gente estrelaria uma tragédia, bandeiras insuportáveis sendo balançadas e atrapalhando a visão de todo mundo, gente que não fazia a menor ideia do que estava fazendo ali, gente que só estava ali pra ver o Jared Leto, gente que não conhecia uma música da banda, bebida cara demais, uma organização capenguíssima, enfim, um trem errado do início ao fim. Mas foi maravilhoso mesmo assim. Jared Leto é um autêntico show man, não para um minuto sequer, é muito legal com os fãs (que ele puxa o tempo inteiro da plateia pra cantar junto com ele) e faz uma verdadeira festa em cima do palco. É lindo de ver. Ainda que a vibe tenha sido muito diferente da que eu esperava, estar ali foi como um presente muito mais especial do que meu dinheiro seria capaz de comprar, e eu cantei e pulei e achei que fosse morrer a qualquer momento, e sinceramente não dei a mínima porque, pelo menos, eu ia morrer feliz. Então sim, acho que valeu a pena no fim das contas.

Trívia: Foi nesse show que esbarrei com o Gustavo Bertoni (vocalista do Scalene) pela primeira vez, um cara que eu só conhecia de ouvir falar e pelas fotos da Vic Hollo no Instagram. Não falei com ele porque né, tô bem longe de ser esse tipo de pessoa, mas não deixou de ser engraçado ver ele ali, uma pessoa que eu sentia que conhecia mas que não conheço de verdade, curtindo o mesmo show que eu, exatamente no mesmo setor. Quando digo que Brasília parece cidade do interior, é desse tipo de coisa que estou falando.

2) NX ZERO (2007)

Então, eu tive uma fase de ser fã de Nx Zero. E quando eu digo fã, é muito fã mesmo, do tipo que sonha em casar com os caras, que grita desesperada em show e que troca de time só porque gostar de um cara é relevante o suficiente pra isso (é claro que não é, mas vamos relevar que eu só tinha 14 anos e nenhum juízo na cabeça). Enfim, eu era muito fã dos caras e, claro, quando descobri que eles iriam vir pra Brasília, fiquei louca, precisava ir e tudo, mas minha mãe não deixou. Primeiro porque eu era muito nova e onde já se viu ir num show sozinha com 14 anos; e segundo porque eu estava doente, com uma amigdalite dessas de fazer a pessoa pedir pra estar morta, ou seja, só me restava ouvir os relatos dos meus amigos no dia seguinte e torcer pra que o Nx baixasse de novo por esses bandas em breve (eles baixaram no ano seguinte e eu fui de novo, claro). Nessa época eu estava morando na casa da minha tia, porque o apartamento em que eu morava estava reformando, e no dia do show minha prima começou a se arrumar inteira pra ir, isso mesmo, pro show do Nx Zero.

O que minha prima pagodeira de carteirinha iria fazer num show emo? Explico: um dos amigos dela estava ORGANIZANDO o show, e ela ia lá pra fazer graça, ficar na área VIP bebendo uns bons drink, jogando conversa fora enquanto aquele povo estranho curtia uma música esquisita. Eu, no auge da minha insignificância adolescente, achei aquilo o máximo e morri de inveja, claro, mas aí ela perguntou se eu queria ir junto e eu disse que não ia poder porque estava doente e minha mãe não ia deixar mesmo, e que eu também não tinha roupa, mas aí ela me disse que me emprestava uma roupa, e num desses plot twists inexplicáveis da vida minha mãe resolveu deixar eu ir e então eu fui. Feia pra cacete, com o cabelo sujo, querendo morrer no meio daquele bando de gente estilosa (risos), mas fui. E gente, foi tão maravilhoso. Sinto muita falta dessa fase da banda porque, acima de tudo, eles não se levavam a sério demais, e isso ficava muito claro em cima do palco. Achei que fosse morrer ali, não por causa da febre, mas porque estava vendo pessoas que eu amava muito loucamente ao vivo, cantando minhas músicas favoritas na época, muitas das quais curto até hoje, me esgoelando e cagando baldes pra minha garganta cheia de pus. Foi uma noite memorável, que me rendeu uma doloridíssima benzetacil na bunda dois dias depois, mas que sem dúvida valeu por cada segundo.

3) IRON MAIDEN (2011)

Acho engraçado que sempre que falo que fui num show do Iron as pessoas me olham com espanto como se, em nenhum momento de suas vidas, pudessem me imaginar vivendo uma coisa assim e, ainda por cima, curtindo cada segundo da experiência. Mas eu curti demais gente, sério mesmo. O show foi meu presente de aniversário pra mim mesma e, como manda o figurino, foi uma experiência errada em muitos níveis, com direito a celular roubado, uma estrutura gigante no meio do caminho que me atrapalhava a ver os caras no palco, e gente inconveniente pra dar e vender. Foi a primeira vez que comprei o ingresso num setor mais em conta (e que mesmo assim foi caro pra cacete) e no final acabei me arrependendo horrores, por todos os motivos que já disse acima e porque fiquei longe pra cacete do palco, daí tudo acabou sendo meio trevoso demais pro meu gosto, mas ainda assim, que maravilha poder ouvir um som tão bom ao vivo. Sinto que zerei um pouquinho a vida quando penso que ouvi o solo de The Trooper ao vivo, aquele mesmo que eu me matava pra tocar no Guitar Hero. Sem contar a energia do show inteiro. Gente, aquela plateia. A vibe daquelas pessoas. Que momento. Me arrepio inteira só de lembrar.

2) CAPITAL INICIAL (2008)

Já fui numa quantidade insana de shows do Capital, num nível de quase não aguentar mais ouvir a voz do Dinho. Já fui em show de festival, já fui em show fechado (alguém contratou eles pra festa da firma, aê), mas o melhor de todos foi aquele show normalzão, só deles, pros fãs deles, e fim. Foi a primeira vez que fui com o Gui num show. A gente ainda não namorava, mas eu já gostava dele na época, e naquelas duas horas o mundo parou de girar e de repente era só eu e ele ali, ouvindo música boa e aproveitando o momento. Foi uma experiência única e muito especial pra nós dois, mas foi também uma época muito boa pra se curtir Capital e as músicas ótimas que eles ainda entregavam e que, sinceramente, não vejo entregando agora.

1) SCORPIONS (2010)

Scorpions é uma das minhas bandas preferidas da vida, mas sempre me pareceu muito insano e impossível ir num show deles. Quer dizer, os caras já são bem velhos, não passavam no Brasil desde o milênio passado, então eu meio aceitava de bom grado que, paciência, não ia ser nessa vida que eu ia ter eles ali, na minha frente por algumas horas, mas tudo bem também. Em 2010, no entanto, eles lançaram o álbum “Sting In The Tail” e saíram com aquela que, segundo a crença popular, seria a última turnê da banda. E qual não foi minha surpresa ao ver não só o Brasil, como mais especificamente Brasília, na lista de cidades que eles passariam. Foi um parto pra conseguir o ingresso, um parto ainda maior esperando o dia do show (que mania é essa de vender os ingressos com dois milênios de antecedência?), até que aconteceu. E de repente eu estava ali, perto demais daqueles caras que eu só via pela televisão e que admirava desde os 10 anos de idade, quando assisti o DVD do show acústico em Lisboa pela primeira vez. Naquele dia eu realmente achei que fosse morrer porque eu cantava, gritava, ficava louca, pulava até meu corpo pedir pra eu plmdds parar e beber uma água, o que só me dava mais vontade de pular, e o Gui me colocava no ombro de vez em quando e eu via tudo e me sentia tão próxima daquelas pessoas, como num universo paralelo. Sei que esse negócio de ser colocado no ombro é horrível pra quem está embaixo, mas gente, é tão bom tão bom tão bom pra quem tá lá, vendo tudo, que depois desse dia me senti totalmente incapaz de julgar.

Eles tocaram todas as minhas músicas favoritas, até mesmo as do álbum que, naquela época, ainda era novo, e eu nem pude ficar triste pelas que ficaram de fora. Eu esperei tanto pra ouvir “The Best Is Yet To Come”, que quando ela finalmente tocou o Gui me colocou no ombro e eu fiquei ali em cima curtindo uma vibe TÃO incrível e especial, batendo palma quando achava que devia bater, cantando aquela música que soava como uma despedida pra mim, pra eles, pra todo mundo, ao mesmo tempo que eles repetiam que sim, o melhor ainda estava por vir. E de fato estava, mas não sem antes me dar meus 15 minutos de glória quando, em determinado momento da música, eu comecei a aparecer no telão. E eu lembro como se fosse ontem do Gui pulando e mostrando que eu estava no telão, e eu comecei a rir igual uma doente e cantar ainda mais alto e bater palmas ainda mais forte, enquanto as outras pessoas lá em baixo batiam também, e a câmera não ia embora nunca mais e aquilo foi crescendo, crescendo e se tornando um momento que eu nunca, nunca mesmo, seria capaz de esquecer. Tenho fé que o Klaus me viu naquela noite. Que ele se esqueceu do meu rosto logo em seguida, claro, mas ele me olhou nos olhos por dois segundos, aquela menina maluca de óculos e cabelo bagunçado, e sorriu pra mim, o que já foi suficiente pra uma vida inteira. No final do show, naquela muvuca pra ir embora, esbarrei com uma conhecida e ela gritou “era você no telão!!11!1” e eu gritei de volta que SIM, era EU! E então nós rimos, como num sonho bom demais que infelizmente precisa acabar.

Ver uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos ao vivo foi um momento muito especial, que sem dúvida vai ser muito difícil de superar. Mas eu ainda tenho fé que alguém (e aí fica a dica pra dona Taylor, pelo amor de jesus cristinho, baixar por essas bandas) consiga qualquer dia. Aguardando ansiosamente.

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2 Comments

  • Reply Analu 28 de agosto de 2015 at 1:04 PM

    Amiga, adorei o post, adoro relatos de show <3
    AMEI a história envolvida no teu show do NX.
    Sobre o top 2, fica aqui 1 questão: ALGUÉM nunca foi num show do Capital na vida? AHAHHA
    Aguardando ansiosamente o dia que todas postaremos nosso relato do show da Taytay. Porque como a Anna bem disse no post dela, a gente vai num show nem que a gente tenha que caçar essa abusada no inferno!

    Te amo! <3

  • Reply Plan 28 de agosto de 2015 at 9:46 PM

    TO TREMENDO que tu ja foi no Iron Maiden e Scorpions!! Afffff como não te amar muito?
    Por favor me leva em um show muito foda que nem esses nessa vida?
    Quero muito.
    Te amo <3

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