JOHN HUGHES NÃO DIRIGE MINHA VIDA

O QUE ACONTECEU ENQUANTO EU ME FINGIA DE MORTA POR AÍ

Ou: Mais ou menos as mesmas crises de sempre.

Existem muitas formas de saber quando as coisas estão mal. Eu, por exemplo, sei que as coisas não estão assim tão boas pro meu lado quando começo a ficar gripada com muita frequência. Ou cheia de alergias. Também quando 95% das minhas conversas envolvem reclamações sobre a vida em geral, quando eu começo a matar aulas só porque sim, porque estou sempre cansada/não sou obrigada/odeio esse curso, ou ainda quando eu me sinto tão exausta física e emocionalmente que só quero saber de ficar no meu quarto escuro embaixo do meu edredom quentinho. Outro bom termômetro é a minha autoestima, que costuma cair drasticamente quando minha vida não está lá tão boa quanto me venderam, e aí eu começo a ter crises na frente do espelho que eu normalmente não teria, mas que parecem fazer todo sentido do mundo quando o reflexo grita que minhas coxas são grossas demais. Nessa altura eu já estou arrancando os cabelos e me perguntando quando foi que a vida virou essa bosta, opa parece que comprei um troço com defeito, pfvr quero meu dinheiro de volta.

enhanced-buzz-20959-1373410172-6

vai lá brincar de ser adulta

Junho foi um mês difícil de engolir. Estava tudo indo muito bem, claro, até que de repente não estava e ao contrário do que eu espero de mim nessas horas, eu simplesmente não aguentei. Ainda tentei continuar brincando no modo overkill e fingir que nada estava acontecendo, não porque eu quisesse, mas porque precisava mesmo, até que meu corpo começou a dar sinais claros de que não ia aguentar por muito mais tempo aquele ritmo bizarro e antes que eu tivesse que andar por aí com os dois braços imobilizados e vomitasse até morrer, resolvi jogar uma ou duas bombas pro alto e tocar o foda-se porque eu não era obrigada. Falando assim parece que nossa, foi ótimo, mas no final essa revolta não serviu pra nada porque minha consciência pesou e eu me obriguei a voltar atrás e fazer tudo que eu tinha dito que não faria porque não era obrigada.

Meio que apelidei esse semestre de quinto dos infernos porque, como se não bastasse ter uma única matéria realmente interessante na grade inteira, aquelas que pareciam ter salvação foram sufocadas por um festival de trabalhos ridículos e sem sentido nenhum. Eu não odeio meu curso o tempo todo, mas ser obrigada a sacrificar trabalhos realmente legais em função de outros insuportáveis e que não me interessavam nem um pouco me matava. Passei metade do semestre preocupada com um observatório (ou o que quer que aquilo fosse, porque um observatório definitivamente não era) que não serviu pra nada além de matar meu tempo e paciência. Enquanto isso abandonei meu roteiro e entreguei uma história meia-boca porque foi o que deu pra fazer, paciência, tem outros troféu, fica pra próxima.

Ao mesmo tempo que eu tentava não surtar com a faculdade e com as pessoas insuportáveis que me rodeavam como urubus, achei que seria uma boa ideia viver um pouquinho, só pra não pensar demais na merda que eu tinha me metido e não deixar que essa realidade insana sugasse minha alma num canudinho, mas no final isso acabou me estressando muito mais do que qualquer outra coisa. Saí todos os fins de semana, sem exceção, e também em alguns dias no meio da semana, mas não consegui curtir nenhum desses momentos, assim, de verdade. Em uma das festas eu ouvi minha música preferida do Paramore e mesmo assim não tive a menor vontade de dançar, enquanto que na outra, pra vocês terem noção, eu briguei com o Gui porque as pessoas passavam esbarrando na gente e nossa, é claro que um jovem bêbado esbarrar em mim de forma grosseira era um sinal do universo de que o problema era comigo, e como sou muito adulta e madura, claro, lidei com isso chorando. no. meio. da. festa. Momentos.

Gosto de comparar isso à um filme porque no fundo, no fundo, é bem o que parece. É como se minha vida estivesse passando numa tela bem na minha frente, e é tudo muito legal e promissor, mas ao mesmo tempo tão distante que não é como se eu estivesse aproveitando de verdade, sabe assim? É como se algo essencial estivesse faltando e eu não pudesse fazer nada senão esperar e continuar assistindo tudo sem poder de fato agir. Isso meio que começou depois de eu ter sido privada, no início do mês, de viver algo que eu queria muito e me segurei com todas as forças, como um bote salva-vidas que de alguma forma me salvaria da maré ruim que estava por vir. Eu fiz o possível e o impossível pra que tudo desse certo e ainda assim, no final das contas, não deu. Foi desesperador em tantos níveis que nem sei, mas a essa altura eu sinto que já devia ter superado isso de alguma forma e voltado a viver a minha vidinha de sempre, que não é ruim mas não é boa também, sem essa sensação de estar perdendo uma parte muito importante da vida o tempo inteiro. 

sometimes you lose

Ou seja, a vida estava muito interessante enquanto eu me fingia de morta por aí.

Hoje é o último dia desse mês tenebroso. Quinta entrego o último trabalho da faculdade (um curta que, literalmente, tem tirado meu sono) e aí eu vou poder respirar um pouquinho mais aliviada. Esse post foi a forma que eu encontrei de colocar uma pedra nesse furacão de uma vez por todas e provar pra mim mesma que as coisas às vezes ficam horríveis sim e elas vão ficar de novo e de novo e de novo, mas que eu não posso me deixar levar por um período ruim. A gente conversa sobre o que aconteceu e segue em frente. Sempre em frente.

>>> Além de reclamar da vida, às vezes eu sei ser legal e abraço a zoeira sem dó no Snapchat! Pra acompanhar meus passeios de carro ao som de Taylor Swift, me ver falando muita (eu disse muita) groselha, acompanhar o dia-a-dia emocionante do Loki e ver alguns ~looks~ aleatórios que não vão pro instagram, é só seguir: alvesqueen     

Previous Post Next Post

5 Comments

  • Reply Analu 30 de junho de 2015 at 1:03 PM

    Amiga!! Não é que postar é bom? Acaba gerando um efeito dominó. A Anna postou, me senti intimidada, dei um jeito de postar, aí você postou também, olha só que beleza. E quer saber outra beleza, no seu caso? JUNHO ACABOU, pronto. A partir de amanhã as “tragédias” já não serão tão contemporâneas, terão acontecido LÁ NO MÊS PASSADO e o mês passado, olha que maravilha, foi ruim mas já passou.
    Eu não consigo reclamar de junho porque tive meu bote salva-vidas, mas espero que julho seja um alento.
    Te amo! <3

  • Reply Ju 30 de junho de 2015 at 4:21 PM

    Coisas da vida.
    Esse semestre tá acabando, bichinha!
    Fé e calma ♥️

  • Reply Ana 30 de junho de 2015 at 4:54 PM

    Putz, guria, mas que bela bosta.

    A pior parte desses períodos é que eles parecem que não terminam nunca, e qualquer coisa é motivo pra fazer a garganta trancar e a vontade de chorar aparecer. Sei como é. Acredite.

    Sobre o quinto dos infernos: foi o meu semestre passado. Esse eu não consigo nem ligar pra nada. Não odeio meu curso, mas aproveito 97% dele estudando sozinha em casa do que os 3% ouvindo merda na faculdade.

    Te desejo boas vibes. ♥

    Beijos!

    Obs.: te adicionei no snap! O meu é anaaack.

  • Reply Pássara 30 de junho de 2015 at 7:06 PM

    Cabou, amiga. Fim. Bola pra frente. Às vezes tudo parece ruim mesmo e paciência. A vida pode até nem estar ruim, mas se a gente não ta boa, a gente não tá boa. E não estar boa também é um direito fundamental de todo mundo. O mais importante é que logo vai estar tudo bem, e enquanto isso tem a gente que te ama e tá sempre aqui, mesmo quando não está.

    Te amo muito, logo a gente se vê. <3

  • Reply Marcela 1 de julho de 2015 at 4:08 PM

    O meu mês de bosta foi Maio. Nossa eu estava me sentindo igual você, mas aí a solução é internalizar que nada dura para sempre e que dias melhores virão. As vezes tudo o que a gente precisa é de um bom clichê. Beijos!

  • Leave a Reply