NOVELA MEXICANA

O ÚLTIMO DE DOIS MIL E CATORZE

Tenho adiado ao máximo escrever esse post porque, de um jeito meio tosco porém bastante honesto, é como se esse texto colocasse um ponto final definitivo em 2014. E, confesso, ando meio relutante em admitir que daqui algumas horas estaremos com um ano completamente novo nas mãos, uma tela em branco esperando para ser preenchida.

É engraçado porque, ao mesmo tempo que 2014 passou assustadoramente rápido, tenho a sensação de que ele durou uma eternidade. Vivi momentos maravilhosos e momentos ruins também, mas tenho certeza de que se colocasse tudo numa balança, ficaria claro que esse ano superou qualquer uma das poucas expectativas que eu tinha naquela noite de ano novo meio tosca no apartamento do meu tio, ouvindo música cafona e vendo meu primo tentar dançar meio bêbado no meio dos convidados.

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A maioria das promessas que fiz não foram cumpridas. Não li a quantidade de livros que gostaria, não cheguei nem perto de assistir todos os filmes que queria, continuo a mesma sedentária de sempre, etc etc. Vi amizades que acreditei piamente serem verdadeiras se desfazerem num passe de mágica e relacionamentos terminarem na velocidade da luz. Vi muitas das minhas certezas caírem por terra e planos pensados milimetricamente saindo dos trilhos e se tornando ciladas fenomenais. Perdi pessoas que amava e pessoas que nunca terei a oportunidade de conhecer, e isso dói mais do que eu seria capaz de imaginar. Vi o Brasil perder de 7 em casa, assisti Agosto se tornar de fato o mês do desgosto e tive mais decepções do que acreditei que fosse capaz de suportar e no entanto, cá estou, vivinha da silva.

Numa das músicas que mais tocaram esse ano tem essa parte que diz que everything that drowns me makes me wanna fly e só posso dizer que nenhuma frase me pareceu tão certa quanto essa nesse ano que passou. 2014 me derrubou e afogou de diversas formas, mas me fez querer voar de muitas mais, e se meu pessimismo me impede de ver as coisas boas que aconteceram, basta que eu coloque tudo numa balança para ver claramente que o saldo positivo foi infinitamente maior que qualquer coisa ruim que tenha acontecido.

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Eu ganhei muito em 2014. Minha família aumentou e se existe algo melhor que crianças nascendo, por favor, me digam, porque não consigo imaginar nada melhor que isso. JG chegou no final de janeiro e deixou a família inteira numa felicidade sem igual. Mesmo eu, que assumidamente não levo o menor jeito com criança, vi meu mundo virar de cabeça pra baixo com a chegada daquele pacotinho cor de rosa e me transformei numa dessas retardadas babonas de tirar o chapéu. É engraçado porque parece que foi ontem que eu recebi a notícia de que minha prima estava grávida e morria de felicidade com a perspectiva de um bebezinho na família, e agora é como se nunca tivéssemos existido sem ele. Alguns meses depois minha felicidade ficou ainda maior quando meu tio anunciou que seria papai de novo – desse vez de uma menininha. Paola chega daqui algumas semanas e depois de 21 anos sendo a moça mais nova da família (sim, acreditem), mal posso esperar pra ver a carinha dessa princesa e passar o título adiante.

amorrrrr

Tive o melhor aniversário em anos, que foi coroado pelo melhor presente que já ganhei na vida, aquele que esperei por tantos anos e que agora é tão meu que, vira e mexe, me pergunto se é mesmo realidade. Loki chegou uma bolinha de pelos miúda, com pouco mais de um mês, um laço azul que sequer cabia nele e os olhinhos assustados que só cachorros novinhos demais têm diante de qualquer novidade. Hoje continua pequeno e magrinho (não chegou nem aos 4kg,), mas é tão valente que se eu contasse vocês até duvidariam. Come igual um trator e continuar aprontando uma ou outra, apesar de já ter passado da fase de comer chinelos. É meu pequeno adolescente ingrato, que esnoba as demonstrações de carinho da mamãe e quase me matou do coração quando foi pego fazendo ~coisas~ (TÃO NOVINHO, MEU BEBÊ;;;;;;), e traz tanta alegria pros meus dias que às vezes chega a doer.

Conheci muitas pessoas especiais e ganhei tantas amigas que meu coração fica quentinho só de pensar. Também conheci muita gente falsa e escrota e assisti muitas delas caírem nas próprias armadilhas. Descartei amizades que não faziam mais sentido e às vezes sinto falta dessas pessoas na minha vida, mas não é como se eu fosse morrer por isso porque tenho muita gente maravilhosa segurando minha mão nesse instante. Conheci muita gente na faculdade e acho que nunca me senti tão em casa num lugar que eu amei desde a primeira vez que coloquei os pés. Transformei colegas em amigos do peito e fortaleci amizades que pra mim são absolutamente fundamentais. Mas foi na internet que me encontrei em pessoas tão especiais que eu jamais pensei que um dia pudesse chamar de amigas e agora chamo, com todo o orgulho e amor do mundo.

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<3

Em 2014 eu ralei demais e não preciso que ninguém reconheça isso além de mim mesma, especialmente porque as pessoas têm essa doce mania de fazer pouco caso dos esforços alheios e eu meio que cansei de me importar com isso. Mas mesmo com toda a correria, eu me diverti demais, demais, demais. Vivi a melhor Copa que esse mundo já viu e só posso dizer que ainda não superei todas as emoções que senti naqueles dias de folia. Torci, gritei, me apaixonei, chorei quando foi necessário, e me diverti de um tanto que jamais imaginei que o futebol fosse capaz de conseguir. Assisti o melhor Oscar de todos os tempos e fiquei tão feliz com os resultados que parecia que era euzinha que estava trazendo a estatueta pra casa. Enfrentei muitas horas de fila pra comprar roupa, dancei no meio da rua e fui de pijama no Mc Donalds.

Em 2014 ganhei meu primeiro aniversário surpresa, dancei ao som de Neidoca, Backstreet Boys e Xuxa até o dia raiar, vestida de gatinha e acompanhada do namorado wannabe militar mais gato que já se teve notícia. Tomei champagne pra curar ressaca, bebi a melhor caipirinha da vida e o pior Cosmopolitan também. Fui em festas horríveis e também em festas muito boas, mas rebolei em todas sem nenhuma vergonha na cara. Também dancei sozinha no meu quarto, o spray de cabelo fazendo as vezes de microfone e foi divertidíssimo fingir ser a Hayley Williams por alguns minutos. Em 2014 eu vi meu maior crush dos últimos tempos ao vivo e cantei e pulei junto com ele numa das noites mais incríveis deste ano, mas foi impossível evitar a depressão que bateu depois, porque é triste demais ter alguém que ~se ama~ tão perto e ao mesmo tempo tão longe de você. É um choque de realidade que dói, ao mesmo tempo que alivia e que na minha cabeça vira uma poesia muito bonita. Também porque não é justo que uma pessoa seja tão indecentemente bonita desse jeito. Em 2014 eu também passei uns meses em 1989, cantando junto com Tatay e juro que se ela não vier com essa turnê pra cá, ficarei decepcionadíssima.

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Vem cantar e dançar com a gente, miga

Em 2014 virei noites conversando com minhas amigas e fiz verdadeiras performances no meu carro. Cortei o cabelo sem medo de ser feliz e amei por um tempo, mas depois me arrependi horrores. Sigo amando cabelo curto mais que qualquer coisa no mundo, mas reconheço que não rola pra mim – a não ser que eu case com um secador ou um milagre aconteça. Me permiti sair, conhecer lugares novos e fazer muitas coisas, mas aprendi a dizer não quando prefiro ficar em casa lendo um livro ou assistindo seriado. Conheci restaurantes incríveis e outros nem tanto, comi comida mexicana pela primeira vez e engordei dois kg que não queria, mas tudo bem. Me esbaldei com açaí, me permiti ir ao cinema só pra comer pipoca e me diverti horrores testando receitas novas que poderiam ter sido verdadeiras ciladas, mas que acabaram dando certo no final (a maioria, pelo menos).

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Em 2014 eu troquei de computador e, depois de quase tacar o velho na parede de raiva, também troquei de celular. Amém. Também fiz seis anos de namoro, o que é maravilhoso ao mesmo tempo que assusta um pouco. As perguntas sobre um suposto casamento ficaram mais frequentes, mas se antes elas me irritavam, hoje me fazem rir com vontade. Ainda quero casar de branco e fazer festa, mas se Deus quiser ainda vou viver muita coisa com o Gui (e sem ele também) antes da gente arcar com tanta responsabilidade.

Filmei um curta maravilhoso, junto com pessoas maravilhosas e acho que nunca me dediquei, amei e acreditei tanto em um trabalho na vida. Também comecei a estagiar e por mais que as pessoas me julguem até hoje por ter trabalhado num lugar que me pagava tão mal, cresci tanto nos dois meses que fiquei lá que só posso pensar em agradecer pela oportunidade que tive. Tirei nota baixa em todas as provas deste último semestre e não dei a mínima, assim como fiz trabalhos cagadíssimos e matei um monte de aulas sem nenhum peso na consciência.

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I really really do

Em 2014 enfrentei um exame de sangue que acabou não servindo pra nada além de fazer com que eu tivesse mais fé em mim mesma, levei um susto enorme com uma aranha gigantesca (sério, não é exagero) que brotou no meu quarto do além e com uma barata que caiu do teto (literalmente) quase na mesma semana – o que provavelmente deve estar fazendo vocês se perguntarem em que tipo de lugar eu moro, mas juro que minha casa é limpinha.

Termino 2014 com o cabelo mais curto do que gostaria, sem as unhas feitas que sempre quis, sem ter me matriculado na academia e com mais celulites do que seria confortável admitir. Não fiz uma tatuagem, ainda quero ter o cabelo colorido e não fico doente com a frequência de antes, o que é uma vitória particular. Continuo não conseguindo sempre o que eu quero (seja um sorvete ou uma viagem pra Disney), ralo pra conseguir meu dinheiro e morro de medo quando tenho que resolver algum assunto de gente grande sozinha porque já sou dona do meu nariz e isso ainda me parece meio insano, mas ainda assim não trocaria minha vida por nenhuma outra nesse mundo.

Então acho que eu só posso agradecer. Agradecer por esse ano incrível, por ter chegado até aqui com saúde, inteira e feliz. Por todas as coisas que aconteceram e pelas que não aconteceram também, porque algumas portas só puderam ser abertas porque outras se fecharam. Por continuar acreditando mesmo quando tudo dá errado, por continuar tendo fé – em Deus, em mim, na vida -, e por ter tanta gente incrível do meu lado. E pra 2015 eu só peço mais saúde e mais amor, porque o resto a gente sempre dá um jeito.

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5 Comments

  • Reply Xará 31 de dezembro de 2014 at 6:18 PM

    Ai como eu amo esses últimos dois dias no ano, cheios de textos de retrospectiva, muita reflexão e também muita esperança. Pode parecer idiota a gente botar tanta expectativa num novo ano… no frigir dos ovos, são apenas dias que se seguem, e nada muda. Mas é bom que tenhamos vida nova dentro da mesma vida, precisamos demais dessas pausas. Seu ano foi intenso, Ana, assim como o de muita gente. Já estou ansiosa pra ver a carinha da Paola também (#childrenstalker). Na minha família tem gente a caminho também – o Davi ou a Alice vai chegar em junho!. E, ah, em 2015 a gente vai acompanhar mais coisa juntas, né? Agora que você é A Gente, o mundo é pequeno pra tanta folia, acredite. <3
    Feliz ano novo, querida!
    Beijo!

  • Reply Fernanda 2 de janeiro de 2015 at 6:57 PM

    Impressionante como 2014 passou voando e deixou tantas coisas boas pra todo mundo. Confesso que não sou da onda do famoso ‘esse ano vou recomeçar’ na virada do ano, mas gosto de acreditar que o ano novo sempre vai trazer coisas novas e diferentes daquelas que vivemos antes e que ao invés de ‘recomeçar’ devemos seguir em frente. O início sempre faz a gente se sentir mais inspirada pra realizar mais e é muito bom essa injeção de ânimo depois de um ano longo hehe.
    Um Feliz Ano Novo repleto de coisas maravilhosas, muitas conquistas e realizações!
    Beijão! (:

  • Reply Juu 3 de janeiro de 2015 at 9:07 PM

    Leves indiretas nos parágrafos de amizade, hein? :x Hahahahaha
    Miga, bom 2015 pra gente! Que a amizade só fortaleça, sim? <3

  • Reply Gab 4 de janeiro de 2015 at 1:47 AM

    Etaaa que ano delicioso que tu teve! Gostei.
    2015 vai ser ainda melhor, acredite.
    Beijo! <3

  • Reply Daniela Pereira 4 de janeiro de 2015 at 9:46 PM

    Que retrospectiva gostosa, hahahaha. Muita coisa boa acontece em um ano, né? É impressionante. O bom é que podemos reconhecer esses momentos que, pra mim, podem ser considerados mágicos. Que seu 2015 seja maravilhoso! <3

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