VIDA DE FANGIRL

OWANG TUDUMTS

O título deste post é um oferecimento de Ana Luísa Bussular: Títulos Creiços a Qualquer Hora da Madrugada.

Acho que vocês já sabem disso, mas no final do ano passado, depois de ser casualmente pressionada por certas amigas que abraçaram a missão de me fazer sair da minha zona de conforto e assistir mais séries que não sejam sobre demônios e gente dando porrada, decidi começar a assistir “Grey’s Anatomy”, uma série dramática sobre médicos, que foi ao ar pela primeira vez em março de 2005 e segue no ar até hoje – para alegria de muitos e tristeza de outros. Desde então, tenho vivido as dores de acompanhar uma série com uma taxa de mortalidade tão alta por temporada que faria até o George R. R. Martin morrer (risos eternos) de inveja, e que sempre me faz sofrer tão intensamente que não é difícil que eu passe um fim de semana inteiro trancada no meu quarto, chorando sem parar por gente que nem existe.

É meio por isso que, sempre que eu falo sobre “Grey’s Anatomy”, eu termino numa comparação meio tosca da série com uma sessão de terapia – mesmo que eu nunca tenha feito terapia na vida, risos eternos. Não é só porque eu choro tanto que acabo lavando minha própria alma no caminho, mas porque cada episódio tem uma mensagem maior por trás, e muitas dessas mensagens falam muito comigo. Todos os personagens são tão bem construídos que é impossível não se identificar com pelo menos um deles, porque são todos muito humanos e embora estejam inseridos num ambiente e vivam num contexto muito diferente do que eu vivo, por exemplo, eu sempre consigo tirar alguma coisa que pode servir pra minha vida também e que pode me ensinar alguma coisa, mesmo que eu não perceba isso num primeiro momento. A essa altura, por exemplo, eu tenho certeza de que Izzie Stevens é minha spirit animal e é bem possível que eu nunca supere a vez que julguei horrores a Meredith por não querer conhecer/ter contato com Lexie, sua irmã por parte de pai, até perceber que eu vinha fazendo praticamente a mesma coisa com meus irmãos por todos esses anos, só que do meu próprio jeito – o tipo de coisa que eu jamais admitiria pra mim mesma por conta própria.

Como qualquer série dramática, no entanto, muito da história de “Grey’s Anatomy” também gira em torno de seus casais. Porque relacionamentos são algo natural na vida de qualquer ser-humano e não poderia ser diferente aqui. Mesmo que eu não tenha nenhum apego especial com o tema (eu gosto de séries com demônios e coisas sobrenaturais, e raramente romances se encaixam bem nesse tipo de narrativa), é muito bom ter aquele casalzinho que faz a gente sentir o coração aquecer e que a gente torce pra ficar junto e ser feliz pra sempre, e chora horrores quando alguma coisa dá errado. Muita coisa dá errado em “Grey’s Anatomy”, é verdade (eu não teria tanto motivo pra chorar se não desse), mas é verdade também que muita coisa bacana acontece, e não é porque os casais não foram felizes pra sempre, literalmente, que significa que eles não tenham sido felizes por um tempo, da mesma forma que não é porque a história deles terminou de forma trágica – o que é mais provável de acontecer, risos eternos – que não foi bom enquanto durou. Eu mesma já entrei nesse bote sabendo de muita gente que morria e de muita gente que ia embora, e isso nunca me impediu de me divertir um bocado assistindo todos os dramas da vida dessas pessoas. Sei lá, não é porque eu sei como a história termina que eu não posso curtir a jornada, sabem?

Com isso em mente, preciso dizer que alguns dias atrás comecei a quinta temporada da série – que a essa altura já é uma das minhas favoritas – e desde então tenho andando completamente obcecada por um casal específico, ao ponto de passar tempo demais pensando nos dois, de ouvir a música que serve de trilha sonora pra uma das minhas cenas favoritas em looping, de sentir meu estômago dar cambalhotas horrorosas e ter crises bizarras de riso toda vez que vejo os dois na tela: Cristina Yang e Owen Hunt.

Pra quem não assiste a série e nunca ouviu falar nos dois personagens, aqui vai uma pequena contextualização: Cristina Yang é a melhor amiga de Meredith Grey, protagonista da série, o que também a torna uma das personagens de maior destaque, mas ela é também (e principalmente) uma das médicas mais brilhantes que o Seattle Grace Hospital (ainda não cheguei na parte que ele troca de novo, shiu!) já viu. Ela é inteligentíssima, determinada, perfeccionista e muito firme em suas opiniões, mas também é muito pragmática, o que muitas vezes faz com que ela seja tratada como uma pessoa fria e sem coração, coisa que ela definitivamente não é. Cristina tem dislexia, perdeu o pai quando ainda era criança e foi por isso, inclusive, que ela decidiu se tornar médica, e sempre ajuda aqueles que precisam, mesmo contra a sua vontade.

Já Owen Hunt é um cirurgião traumatologista que serviu no Iraque antes de trabalhar no Seatle Grace. Ele aparece no primeiro episódio da quinta temporada, quando acompanha um cara aleatório na ambulância para o hospital e imediatamente fica famoso porque fez uma traqueostomia com uma caneta (!) no cara para salva-lo. Ainda nesse episódio, ele acaba ajudando Cristina, que sofre um acidente com um pedaço de gelo desses pontudos (?), que acaba furando a barriga dela. Os dois acabam se beijando ao final do episódio, mas essa parece uma participação aleatória, porque, quando recebe uma proposta para trabalhar no Seatle Grace, ele recusa. Mais tarde, no entanto, Hunt é dispensado do exército e acaba aceitando a oferta.

O negócio é que Owen é um cara muito mais estranho do que a gente imagina pelo primeiro episódio. Ele faz umas escolhas super equivocadas, usa uns métodos de ensino que são muito, muito, MUITO errados (pensem nos porquinhos, pensem nos porquinhos) e trata as pessoas com uma grosseria muitas vezes desnecessária – inclusive a Yang. Ele também é o cara que terminou um fucking noivado por e-mail e que não teve coragem de contar pra própria mãe que tinha voltado do Iraque (essa parte eu entendi, mas ainda assim). No entanto, aos poucos a gente descobre que ele até que é um cara de bom coração, mas que possui inúmeros problemas, sendo o estresse pós-traumático um deles.

Seria de pensar, então, que um relacionamento desses jamais daria certo e que seria muito melhor eu parar de procurar chifre em cabeça de cavalo e não shippar com tanta força um casal tão errado, mas a verdade é que eu sempre gostei muito de casais problemáticos (tudo com limites, é claro) e a série consegue trabalhar tão bem todas as nuances dos dois que é impossível não torcer para que eles consigam ficar juntos de verdade em algum momento. No ponto em que cheguei, por exemplo, Cristina decide terminar com Owen justamente porque, depois de um episódio específico (e bem horrível), ela descobre que não é capaz de lidar com um problema tão pesado, uma decisão que qualquer pessoa seria capaz de entender, certo?

Só que, ao mesmo tempo, não deixo de ficar triste e querer ainda com mais força que os dois fiquem juntos e superem os problemas e consigam viver um relacionamento saudável em algum momento – e não ajuda nada que os atores que dão vida aos dois tenham uma química tão boa. Eu lembro do primeiro beijo dos dois, lembro do segundo beijo dos dois (meu preferido até agora!), lembro deles juntos curtindo um vento nas pernas (entendedores entenderão, né?), do primeiro encontro, da conversa na escada, das mãozinhas se tocando de leve enquanto os dois andam pelos corredores do hospital, e eu vos pergunto: COMO LIDAR? Sei que muita água ainda vai rolar embaixo dessa ponte e já fui avisada que devo me preparar para fortes emoções, mas no momento só consigo torcer demais pra que eles continuem sendo bem lindos juntos por aí.

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Os sentimentos, definitivamente, são os únicos fatos.

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8 Comments

  • Reply Aline 8 de agosto de 2016 at 10:20 AM

    Oi Ana,

    Eu assisiti 10 temporadas de Grey’s Anatomy quase que uma vez quando assinei Netflix e alem de expressões maravilhosas como ‘Seriously?’ aprendi muitas coisas. Adoro a Izzy também e shippei muito a Cristina e o Owen porque achei que ele era muito mais a cara dela do que o Burke, embora há quem discorde.

    To com saudade daquele hospital e daqueles médicos e ensaiando rever toda a série!

    Um beijo!

  • Reply Michelly 8 de agosto de 2016 at 9:45 PM

    Também amo esse casal! Não vejo a hora de começar a nova temporada, já prevejo várias surpresas. Minha série favorita, também pelo motivo de me fazer refletir sobre a vida, e chorar horrores… rs

  • Reply Wanila 8 de agosto de 2016 at 11:17 PM

    É claro que meu OTP também é Crowen e que por mais que eu tenha acabado de rever a série pela terceira vez, tô indo ver a quinta temporada de novo agora por causa desse post. Amo (e amei o post).

  • Reply KARINE 9 de agosto de 2016 at 3:23 PM

    miga, greys anatomy é vida, é amor e é TERAPIA SIM! tudo que você falou no começo sobre a série te tocar, e te fazer relacionar coisas de realidades diferentes com sua própria vida > É EXATAMENTE ISSO. eu lembro quando você comentou no blog que tinha começado a assistir, na mesma época que eu! mas meu vício e loucura com essa série foi tão grande que eu já estou em dia com ela, RISOS. o legal de greys é que muitas vezes acontecem coisas absurdas no meio do caminho (que eu muitas vezes fiquei me perguntando: PQP, PQ ISSO SHONDA?) mas ainda assim, a gente sabe que A VIDA É ISSO. tudo muda o tempo todo, coisas absurdas e injustas acontecem, e quem sobrevive tem que seguir e continuar lidando com isso de alguma forma. é foda. mas é exatamente isso. e em tempo: depois daquele ridículo do burke não entendendo e tentando mudar a cristina de todas as formas possíveis, eu fiquei BEM feliz com a chegada do Hunt ❤ e eles são um dos meus casais preferidos (me controlando aqui loucamente pra não dar spoiler) HAHAHA.

  • Reply Isa 9 de agosto de 2016 at 9:47 PM

    sou tão apaixonada por Owen Hunt que tô com medo de ler seu post inteiro (eu não li) e descobrir algo que eu não goste PQ EU AMO OWEN HUNT E VOU DEFENDELO

  • Reply Nicas 10 de agosto de 2016 at 12:49 AM

    ISSO! Nego vem com ~ah, porque GoT~…. migo, deixa eu te apresentar a SHONDA!

    A Christina sempre foi minha personagem rpeferida e o relacionamento dela com o Burk sempre me MATOU de preguiça. O Owen é incrível, o Owen é amor, ele é o nosso cara (está corretíssima na shippagem).

    Pelo que li, você ainda está nas melhores temporadas, a série deu uma caidinha de uns dois anos pra cá (mas ainda segue muito boa). Segue firme e não desiste!

  • Reply Thay 10 de agosto de 2016 at 12:59 AM

    Miga, claro que sei vários nadas sobre os dois, mas já entendi o amor todo e só posso dizer: MEDO de quando eu começar a assistir. Vou ser dragada para o vórtice de sofrência e ai de mim. :~~

  • Reply Claudinha 10 de agosto de 2016 at 6:17 PM

    Eu AMO Grey’s Anatomy, contra todas as possibilidades que isso poderia acontecer. A Shonda arrasa demais nos dramas e na profundidade dos personagens e isso com certeza faz toda a diferença embora eu precise confessar que adoro uma série médica rs Mas Grey’s é diferente, eu fiquei tão aloka por ela que assisti 11 temporadas e meia em 20 dias, nas férias de dezembro/janeiro kkkk

    Mas tenho que dizer também que não curto assim esse casal não, me parece sempre muito errado eles dois juntos e eu a Cristina é simplesmente meu personagem preferido pois altas identificações xD Adorei você falar da série, preciso fazer isso no meu blog também
    Bjs

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