JOHN HUGHES NÃO DIRIGE MINHA VIDA

PELA LIBERDADE DE SER QUEM EU QUISER

Então eu sou uma pessoa introspectiva.

Querido leitor, isso é muito mais uma constatação do que um diagnóstico. Sei lá o quanto isso diz sobre mim além do óbvio, mas até onde eu sei, ninguém sai por aí diagnosticando características alheias como se fossem doenças, opa, seus olhos são castanhos, o caso é grave, vamos fazer um tratamento pra clarear eles um pouquinho? A gente até pode mudar uma coisa ou outra quando quer e só porque a gente quer, mas ninguém morre porque nasceu com os olhos castanhos, nossa que horror. Da mesma forma, ser uma pessoa introvertida só faz de mim uma pessoa introvertida e sei lá, né, acho que ninguém nunca morreu por causa disso.

you dont always have to be what they want you to be you know

Normalmente eu não perco meu tempo pensando nisso, mas vira e mexe fico com essa ideia de que talvez esse negócio de ser introvertida is a thing, porque eu tô aqui de boas vivendo minha vidinha introvertida e do nada o mundo começa a jogar na minha cara que eu estou vivendo do jeito errado, ainda que eu esteja muito confortável e feliz assim mesmo; e eles dizem fale mais fale mais fale mais, mesmo que eu não tenha nada de relevante pra dizer, ou então insistem que eu deveria estar aproveitando mais a minha vida porque é um absurdo que uma pessoa de 22 anos prefira passar o sábado à noite em casa lendo um livro ou assistindo uma série.

Eu demorei um pouco pra construir na minha cabeça uma perspectiva onde não curtir as mesmas coisas que todo mundo não queria dizer, necessariamente, que havia algo errado comigo, e que isso só significava que (surpresa, surpresa) eu era uma pessoa que tinha gostos diferentes e, como minha mãe sempre gostou de dizer, eu não sou todo mundo. Isso foi importante na medida que me fez enxergar que ser diferente não era ruim e que eu não precisava mudar ou qualquer coisa assim pra ser feliz. Eu consegui me aceitar e ficar confortável comigo mesma, sem aquela necessidade besta de pedir desculpas o tempo inteiro ou de fazer coisas que eu não queria e me meter em situações que pra mim são extremamente desconfortáveis, só porque eu “precisava” provar algo pra alguém.

Isso não significa que eu deixei de sair da minha zona de conforto – a diferença é que toda vez que eu fiz isso, eu fiz porque eu quis, porque eu gosto de me desafiar de vez em quando, e não porque alguém disse que eu devia agir assim ou assado. Eu gosto de sair pra dançar, eu gosto de conversar, eu gosto de conhecer pessoas novas e já até viajei com pessoas que eu nunca tinha visto na vida e que já eram amigas há anos, e foi uma das coisas mais incríveis que já vivi até hoje. Ou seja, eu não fico numa bolha o tempo inteiro.

A gente cresce achando que o certo é viver de um jeito “x” e por isso é tão difícil aceitar que alguém viva (e seja feliz) do jeito “y”. Mas olha, ser introvertido não é ruim. Eu não sou uma pessoa deprimida, nem tenho uma vida ruim e eu também me importo com as pessoas que estão ao meu redor. Eu não sou essa criatura escrota que me pintam o tempo inteiro. Estranho pra mim é quem tem essa necessidade de ficar compartilhando tudo o tempo todo, que não se sente confortável com o silêncio e que tem uma facilidade enorme pra conversar com estranhos, mas tudo bem viver assim também, porque no final das contas não existe uma jeito certo de viver, uma fórmula de bolo pra ser feliz, e cada um pode (ou pelo menos deveria) ter liberdade pra escolher viver como quiser. 

yes to love yes to life yes to staying in more

Resolvi escrever sobre isso por causa de um episódio que rolou essa semana e que agora não vem ao caso, mas que me deixou bem encucada e mal comigo mesma, me sentindo desaplaudida pela vida e um tanto deslocada no universo. Felizmente eu tenho uma porção de pessoas incríveis na vida, que me fizeram ver que eu não tinha que mudar coisa nenhuma porque eu não sou uma pessoa errada (ou estou vivendo de um jeito errado) só porque nasci assim, introvertida. Não espero que o mundo mude de uma hora pra outra, mas eu espero que esse texto possa, de alguma forma, ajudar você aí do outro lado que é introvertido a se sentir um pouquinho mais confortável na própria pele; e pra você, extrovertido, fica a dica pra entender e não julgar tanto o coleguinha que prefere ficar na dele. Como disse a Thay num texto incrível sobre o assunto (que eu, inclusive, acho que vocês super deviam ler), nós somos pessoas quietas com mentes barulhentas – and I think that’s beautiful.

É mesmo.    

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9 Comments

  • Reply Manu 10 de julho de 2015 at 4:51 AM

    Vim pra dizer que você está CERTÍSSIMA e que o mundo precisa entender de uma vez por todas que não é um crime ou um pecado ou mesmo uma escolha ruim odiar badalação, não querer gastar dinheiro com roles errados simplesmente pra ter contato com gente e devorar horas de séries ou calhamaços de papel. Também sou do clubinho dos introvertidos (e já passei por essa coisa de me sentir toda errada e estranha porque às vezes eu queria só ficar sozinha) e também não entendo essas pessoas que não ficam confortáveis com o silêncio, mas…. não é o clubinho dos introvertidos que normalmente sai apontando o dedo não requisitado pros outros querendo ditar regras sobre como viver ou não uma vida bem vivida.
    Enfim, não mude jamais e foda-se quem encher o saco achando que você tá errada. hihihihi
    beijos, Ana :***

  • Reply Analu 10 de julho de 2015 at 11:36 AM

    Amiga, cada um é do jeito que é, né? E isso não nos serve de bolha ou de escudo para nunca sairmos da zona de conforto, mas SOMOS COMO SOMOS e tudo tem limite. A gente se esforça o quanto pode – e deve. Eu, pra ficar mais quietinha às vezes. Você pra falar mais. Nem sempre a gente consegue e nem sempre é tão importante assim. <3
    "até viajei com pessoas que eu nunca tinha visto na vida e que já eram amigas há anos, e foi uma das coisas mais incríveis que já vivi até hoje" HEHE <3
    Te amo!

  • Reply Passarinha 10 de julho de 2015 at 6:51 PM

    Sharon, reproduziu meus sentimentos. Sou muito introvertida também, e não vejo mal nenhum nisso. Tento sempre dosar, porque senão acabo me isolando do universo, mas o importante é (como você falou muito bem) que isso seja uma escolha minha de como lidar com o jeito de ser que é MEU e ninguém tasca. Não tem mal nenhum ser introvertido, ponto final e acabou o papo.

    Amo você <3

  • Reply Thay 10 de julho de 2015 at 6:53 PM

    Nem preciso dizer que estou toda aí no seu post, preciso? HAHA, gente, povo tem que parar de apontar dedo e deixar a gente ser quem quiser ser! Eu demorei um pouquinho para entender que tudo bem ser introvertida, mas hoje em dia dou nas fuças de quem reclama. E, que linda!, obrigada pela menção dentro do post – sempre me deixa feliz quando pessoas que admiro curtem o que escrevo. Faz valer meu dia! ♥

  • Reply Ana 13 de julho de 2015 at 1:10 PM

    Oi, Ana!

    Não sei se é mal de Ana, mas eu sou o teu post, basicamente. Eu gosto de ir pra festa, de sair às vezes, e nesses momentos parece que o pessoal aceita a gente com muita facilidade, né? Eu sinto uma dificuldade em o povo aceitar que às vezes eu (a gente) só quero ficar sozinha. Na minha. Fazendo minhas coisinhas. Sem interação social.

    Quando eu me coloco repetidamente em interações sociais, eu preciso tirar um tempo pra esvaziar a mente, porque, por mais que eu goste de todas as pessoas com as quais eu interajo, a minha cabeça fica girando num ponto em que às vezes eu me sinto até mal.

    Preciso, de verdade, de um tempo ~all by myself~ pra digerir tudo o que aconteceu, e voltar ao normal.

    Mas aí que tá. É coisa minha. EU já aceitei isso. E sou quase o quote da Meredith: “I make no excuses for how I chose viver minha vida”, porque no final do dia, eu que tenho que me deixar bem. E se isso não agrada os outros… Well, dois problemas (pra eles).

    Sou do clube Morrissey way of life.

    Beijos!

  • Reply Jéssyka Batista 16 de julho de 2015 at 7:08 PM

    Apoio muito o seu pensamento! Alguns meses pra cá, tenho lutado muito por essa “ideia” de qualquer um pode ser o que quiser, que talvez o certo pra ti, não é certo pra mim e vice versa. E sabe, é dificil ver o quanto as pessoas são ignorantes nesse aspecto. É triste.

    namesmafrequencia.com.br

  • Reply Anna 21 de julho de 2015 at 1:23 AM

    Amiga, me abraça? Eu poderia tanto ter escrito esse texto! Eu sou introvertida, claro, e fui uma criança MUITO introvertida, e as pessoas sempre faziam com que eu me sentisse mal por isso, como se fosse algo ruim que eu devesse superar. Elas falavam que eu era tímida, mas achava isso muito confuso, porque eu não sentia vergonha dos outros ou algo assim, eu simplesmente me sentia mais confortável comigo mesma do que com os outros. Foi necessário muita terapia (eu comigo mesma heheh) pra que eu entendesse que não é errado ser assim, e eu não preciso mudar, muito menos pedir desculpas. Mas os outros, sempre eles, nunca entendem, né? Sei lá, às vezes pessoas extrovertidas demais me incomodam também, mas nunca pedi pra ninguém falar menos ou ficar um pouco quieto. “Vai se trancar no quarto e ouvir música no escuro pra ser feliz, porque desse jeito aí não tá certo” – disse Ninguém, né?

    Enfim, o jeito é continuar vivendo nossa vidinha de boas, às vezes viajando para conhecer pessoas desconhecidas (POR FAVOR), às vezes ficando bem quietinha quando o corpo e cabeça pedem, e os outros são os outros. Não podemos nos esquecer disso <3

    beijocas

  • Reply Mariany 2 de agosto de 2015 at 1:15 AM

    Menina, não conhecia seu blog, mas como sou fã da Anna Vitória, acabei te “encontrando” em um dos posts dela. Super me identifiquei com tua escrita e com este post em particular. Peço licença para compartilhar essa preciosidade (com os devidos créditos, é claro), tá perfeito, tá amor. Por que as pessoas não entendem isso de uma vez por todas, hein? Por que nos tratam como coitadinhos? Não entendo. Não sou coitada. Sou tão feliz ;)

    Beijos!

    • Reply Ana Luiza 2 de agosto de 2015 at 8:10 PM

      É claro que cê pode compartilhar! Inclusive, ficarei muito feliz em ajudar porque nossa, por que é tão difícil pras pessoas assimilarem que não tem nada de errado com a gente?

      beijo e volte mais vezes <3

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