JOHN HUGHES NÃO DIRIGE MINHA VIDA

QUEM CONSEGUE SER FELIZ SOZINHO?

Falta menos de uma semana (cinco dias, 120 horas, 7200 minutos, 432000 segundos, mais precisamente) para as minhas férias. A essa altura os trabalhos já foram feitos, as provas foram entregues, e tirando um ou outro trabalho de última hora que ainda me faz querer arrancar a calcinha pela cabeça (o que vocês me dizem de uma pesquisa que deveria ser entregue na quarta e ainda nem começou a ser feita? risos eternos), as coisas estão mais ou menos sob controle. Essa semana, por exemplo, consegui acompanhar a vida alheia pelo snapchat, fui ao cinema, li dois livros inteiros (o que é praticamente um milagre), e até fiz a unha (o que é um verdadeiro milagre). Por mais que eu ainda não consiga fazer tudo o que quero no tempo que sobra e nem consiga acompanhar o papo das minhas amigas com o afinco de sempre, sinto que aos poucos, as coisas vão se ajeitando, então é só uma questão de tempo até minha vida voltar mais ou menos ao normal.

Eu estava contando os dias (cinco dias, 120 horas, 7200 minutos, 432000 segundos, etc etc), fazendo planos pela simples graça de fazê-los, sem pensar muito se algum deles seria mesmo colocado em prática, feliz demais com a perspectiva de tanto tempo livre pra fazer algum sentido ou ter qualquer limite na vida, até que, sem mais nem menos, eu não queria tanto assim que o semestre acabasse. Claro, eu ainda quero as minhas férias, quero colocar a cabeça no lugar, cuidar de mim e pensar em mim, sem me preocupar com uma bomba nova explodindo a cada semana, mas ao mesmo tempo não deixa de ser deprimente pensar que o ano já está acabando e eu continuo aqui, com as mesmas questões de sempre, sem nenhuma resposta, me sentindo absurdamente sozinha mesmo com tanta gente maravilhosa ao meu redor, e que vou continuar no mesmo lugar pelos próximos três meses. Muito bom ficar de papo pro ar um mês inteiro, e com sorte talvez eu consiga viajar. Mas e depois? O que sobra depois de ter lido todos os seus livros, de ter ido em todas as festas, frequentado todos os restaurantes que seu dinheiro pôde pagar, assistido todos os filmes em cartaz e tirado o atraso de praticamente todas as séries que acompanha? Tipo, será que vou virar uma dessas pessoas que fazem faxina pra se divertir? Será que vou me transformar no tipo de pessoa que vai pra academia num sábado a noite pra curtir o ~barato da endorfina~? Nada contra, inclusive sonho com o dia que serei ativa o suficiente pra faxinar a casa pelo menos uma vez por semana e cumprir com louvor meu calendário do Blogilates – só não é isso que eu quero lembrar dos meus 22 anos, sabe assim?

O negócio é que eu ando me sentindo terrivelmente sozinha. Por mais que eu esteja cercada de pessoas (e, principalmente, amigas) maravilhosas, ontem foi um daqueles dias que eu me dei conta de que às vezes a gente não tem escolha, senão estar sozinha. Passei o dia de pijama e querendo muito uma amiga pra dividir a preguiça comigo, rolar na cama e ficar o resto da tarde de papo pro ar, jogando conversa fora, comendo pizza e dividindo um saco de balas fini. Eu queria dividir aquilo com uma pessoa específica, uma pessoa que, por motivos que agora não vêm ao caso, não faz mais parte da minha vida, e que a essa altura eu já devia ter superado, mas não superei.

Sei lá, só queria seguir com a vida e fingir que tá tudo bem.

alone

Quem consegue ser feliz sozinho?

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9 Comments

  • Reply Luh 22 de novembro de 2015 at 7:54 PM

    Tenho me sentido terrivelmente sozinha desde o ano passado. Perdi tanta gente que era importante pra mim de lá pra cá que às vezes me dá vontade de ficar enfiada em casa em posição fetal. E parece que esse inferno não acaba, sabe? Quando eu penso que agora tá tudo mais ou menos ajeitado, lá se vai mais alguém embora.
    O problema disso tudo é que cada vez mais eu me fecho num casulo e evito contato social, porque não aguento mais sofrer por causa dessas coisas. Em contrapartida, também acredito que é impossível ser feliz sozinho (maldito Tom Jobim), então fico aqui nessa espiral de tristeza que nunca parece ter fim.
    Tudo que eu queria dizer com esse comentário é: eu entendo essa sus sensação de querer dividir pequenos momentos com uma pessoa que não faz mais parte das nossas vidas. Uma coisa meio “se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre sem saber que o “pra sempre” sempre acaba?” (malditas músicas nacionais hahahaha)
    Esse comentário foi mais um desabafo do que qualquer outra coisa hahaha foi mal =P

  • Reply Yuu 23 de novembro de 2015 at 2:09 AM

    Ana, você tem postado textos tão bons ultimamente que eu poderia divagar muito nos comentários, mas não o tenho feito, porque não tenho estado muito ativa na blogosfera e não quero escrever palavras mais tortas do que eu já escrevo, não sei se você me entende. Estou tentando me reformular, reformular o blog, e depois mimar todas as migas como se fosse a primeira vez, mas enquanto isso não acontece, vou abrir uma exceção pra ti, por motivos de empatia. Eu vivo fazendo planos pela simples graça de fazê-los, e até executo alguns, faço as mesmas coisas que você listou, e cheguei ao ponto de organizar por diversão. Não acho ruim, na maioria das vezes, só é repleto de falta de emoção. Pra mim, que sempre vivi em “isolamento”, um estilo de vida tranquilo não incomoda, mas minha psicóloga discorda, dizendo que isso é justamente o que estanca no estado que eu estou. Ainda não decidi se ela tem razão ou não. A questão, acho, é medo de mudanças, de apostar alto, de não saber o que vai acontecer mais pra frente. Veja bem: minha duas melhores amigas estão namorando; uma foi para a cidade da namorada no feriado, e a outra veio pra cá, ficar com a família, namorado e outra amiga. E mesmo precisando conversar pra elas tentarem me ajudar a esclarecer essas questão, estou terminando esse feriado me sentindo sozinha e digitando um textão nos comentários pra você (sorry). The bottom line é aquela velha coisa de “eu não sei como te ajudar, mas se te consola, estou no mesmo barco”. Acho que eventualmente vamos seguir com a vida e fingir que tá tudo bem.

    Beijinhos. <3
    Depois eu volto pra te mimar nos outros posts.

  • Reply Larie 23 de novembro de 2015 at 11:23 AM

    Cadê teletransporte pra gente ficar uma tarde toda assistindo seriado e comer bala fini? DROGA DE DISTÂNCIA!!!111!!

    Amiga, me sinto igual e acho que cê sabe disso por causa das coisas que escrevo no blog. Férias são ótimas quando a gente tem MUITA coisa acontecendo de divertido na vida, mas quando ficamos no mesmo lugar é……………E entendo essa melancolia de estar sozinha. Minha bff e eu ainda estamos afastadas por motivos idiotas. Bem idiotas, na real, e tô usando como desculpa que ela tá estudando pra OAB.

    Mas ó, as coisas vão melhorar. A gente precisa ter fé nas reviravoltas do segundo ato, sabe? Coisas acontecem e rotina existe em qualquer lugar do mundo. Não se deixe tomar por um vazio absurdo, ok?

    Beijos <3

  • Reply Fran 23 de novembro de 2015 at 1:29 PM

    Trechos que eu queria destacar pelo nível de identificação:

    “mas ao mesmo tempo não deixa de ser deprimente pensar que o ano já está acabando e eu continuo aqui, com as mesmas questões de sempre, sem nenhuma resposta, me sentindo absurdamente sozinha mesmo com tanta gente maravilhosa ao meu redor, e que vou continuar no mesmo lugar pelos próximos três meses.”

    “só não é isso que eu quero lembrar dos meus 22 anos, sabe assim?”

    Apesar de eu estar te devendo uma resposta no FB, rs, você deve imaginar o quanto eu me identifico com isso. O quanto eu penso nisso o tempo todo. O quanto eu surto com isso e, principalmente, o quanto eu faria um excelente brigadeiro pra gente se estivéssemos mais perto pra assistir qualquer coisa e falar sobre bobagens ou comentar sobre livros. Infelizmente eu não ando sabendo nem lidar com minha própria solidão e menos ainda consigo terminar um livro (regredindo sempre). Também sei do que você tá falando e sei da barra que é não superar pessoas então, no fim das contas, só posso deixar aqui meu abracinho.

    Muito amor de uma cabeça com pensamento acelerado pra outra.

  • Reply Thay 23 de novembro de 2015 at 2:29 PM

    Esse texto soou tão eu que até assustei. Sempre fui uma pessoa tranquila, de lidar bem com o “estar sozinha”, inclusive não vejo problema algum nisso. Só que, de vez em quando, o “estar sozinha” muda para um sentimento de solidão, e eu não gosto disso. Acho que mesmo as pessoas mais introvertidas (eu) precisam de alguém de vez em quando, nem que seja pra compartilhar um dia de preguiça assistindo Netflix. A gente não pede muito, afinal, só uma companhia que entenda a nossa vibe do momento e aceite isso como ok. Será que estou fazendo confusão nos comentários? HAHA. O que estou querendo dizer é que, como vemos a vida do outro em recortes, sempre pensamos que é melhor estar naquele momento do que no nosso, que vivemos 24hs sem filtros. É uma coisa estranha, acho. Não estou conseguindo me explicar, mas se você quiser conversar sobre tudo ou sobre nada, só me chamar na janelinha do chat daquele site. <333

  • Reply Fernanda 23 de novembro de 2015 at 2:48 PM

    Sua linda, dei uma choradinha básica com o teu comentário <3 não tá 100% por aqui, mas eu olho pra maio, e junho, e sei que tá melhor – e eu tenho fé de que as coisas vão melhorar pra você também. Se eu puder ajudar em qualquer coisa, seja simplesmente postando besteira, seja pra ouvir, estou aqui.

    Sabe, eu acho é que às vezes a gente não tem mesmo opção se não estar sozinha, como você disse. E sobre seu último parágrafo, como eu falei ontem, eu fiquei sem saber como fingir que tá tudo bem esse ano. Talvez a gente precise passar por essas coisas, sabe? Tem um verso num poema do Frost que eu nunca esqueci: "the best way out is always through" – a gente até pode fingir que tá tudo bem e sair pela tangente, mas o quanto isso vai ser produtivo, o quanto isso vai realmente ajudar? (Eu lembro sempre do quote do John Green, sobre a dor precisar ser sentida). Então, Ana, a verdade é que eu não sei o que dizer, porque te entendo justamente porque estou no mesmo barco. Mas eu posso dizer que espero que hoje seja um dia melhor do que ontem. Se eu pudesse dar um conselho, só um, seria pra você tentar ao máximo fazer as suas coisas e não pensar muito sobre como quer lembrar dos 22 anos. É incrivelmente difícil fazer isso, e eu escorrego todos os dias, mas fui obrigada a aprender esse ano que só tenho mesmo o dia de hoje. E se no dia de hoje o que me deixou feliz foi simplesmente caminhar no sol sentindo um vento no rosto, tudo bem.

    Feliz por ter voltado com você pra ler. Beijo, fica bem.

  • Reply Suelen 23 de novembro de 2015 at 9:58 PM

    Ai miga, fica assim não </3
    Ás vezes també me sinto muito sozinha mesmo com muita gente ao meu redor, e acho esse o pior tipo de solidão, Mas miga, bola pra frente e força na peruca (conselho que a senhorita mesmo me deu) que tenho certeza que essa faze vai passar e coisas, pessoas e dias melhores virão pra nós <3

  • Reply Manu 25 de novembro de 2015 at 11:13 AM

    Fico ligeiramente assustada com a quantidade de coisas que você escreve aqui e que me representam. Essa imagem mental de passar o dia de pijama curtindo a preguiça com uma amiga (que by the way, também seguiu em frente e eu ainda aqui tentando superar) colocou em palavras muito do que eu estava sentindo e não sabia explicar. Por mais que coisas legais estejam acontecendo, parece que a satisfação nunca é a mesma quando falta alguém pra compartilhar o negócio com a gente, né mesmo? Sei lá, não sei ser feliz sozinha não – não sem umas choradinhas antes, ao menos.
    Fica meu abraço virtual pra você <3

  • Reply BA MORETTI 7 de dezembro de 2015 at 9:01 PM

    olha, talvez até exista algum ser nesse planeta que seja super feliz sozinho. só sei que não é o meu caso. apesar de eu curtir lá minhas horas totalmente alone com as minhas coisinhas, é bom ter alguém por perto pra dividir a preguiça né? mas sabe, queria aprender a ser auto suficiente nisso porque depender das pessoas pra se sentir suficientemente bem sempre é cansativo e dá uns nervosos (principalmente quando a pessoa cancela o role). se aprender, me ensina? beijo :*

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