BEDA, VIDA DE FANGIRL

SAUDADES, SON OF DORK

Vocês se lembram de quando era legal ter um perfil fake no Orkut? Não pra fingir ser outra pessoa, pelo menos não como vocês devem estar imaginando. Não, estou falando daqueles perfis onde a gente podia ter o rosto dos nossos artistas preferidos e um nome alternativo, assim como uma vida muito diferente da que a gente conhecia na maior parte do tempo. Na vida real eu acordava cedo pra ir pra escola, tinha que dar satisfação pra minha mãe o tempo inteiro e tinha que lidar com meus hormônios adolescentes em tempo integral. Mas no fake, eu podia ser a Mary-Kate Olsen, a Hilary Duff ou a Hanna Beth, dava festas badaladíssimas no msn com gente que eu nem conhecia de verdade, onde as pessoas *iam pegar uma bebida* assim, entre asteriscos, e se divertiam ao som do que quisessem, e podia até escolher se queria namorar o Chad Michael Murray ou o Pierre Bouvier (namorei os dois, só por via das dúvidas).

No fundo, éramos só crianças apaixonadas demais por pessoas que nem conhecíamos, sonhando com uma vida que não era a nossa o tempo inteiro, mas que podia ser naquele intervalo de tempo onde a internet era cobrada por pulso e a gente não precisava se preocupar se a conta de telefone viria alta demais. Era perigoso? Sem dúvida. Errado? Talvez. Mas sei lá? Não era como se eu estivesse fingindo ser uma pessoa que eu não era só porque sim. Pelo menos não até o Strike.

Sei lá o que me deu na cabeça, mas em algum momento eu e minha melhor amiga na época cansamos de controlar mocinhas e decidimos que era hora de dar um passo rumo à fama e dar vida aos nossos mocinhos preferidos, com quem queríamos casar e parir um monte de filhos. Acho que é mais ou menos a mesma coisa que acontece quando você joga The Sims por tempo demais e de repente se cansa daquelas pessoas, então começa a dar atenção pra’quele filho com vida muito mais promissora que os pais ou qualquer coisa assim. A novidade, tão sedutora, tão perigosa. Então, movidas pelas nossas novas paixões, nasceram Strike e Stroke, uma versão do James Bourne e do Dave Williams com as personalidades que imaginamos pra eles. Nunca me diverti tanto na vida. Strike e Stroke tocaram o terror na internet, fizeram uma porção de amigos que eu levo até hoje, ficaram famosos e eram cobiçados pelas melhores fakes do pedaço. Strike pegou várias, fez algumas bobagens, got twenty seven kids but he doesn’t know e tal, até que ele encontrou Cabritona, o grande amor de sua vidinha fake, e o resto, queridos leitores, é história.

as good as this

É claro que em algum momento as coisas começaram a sair do meu controle e então eu tive (tive?) que mentir sobre minha identidade real, e sendo a pessoa inteligentíssima que sou, disse que era o menino que eu era afim na época, o que obviamente deu um rolo enorme quando todo mundo descobriu que era mentira, claro, mas depois as coisas voltaram a ser como antes e seguiram assim por mais um tempo, até que os fakes foram deixados de lado e nós, jovens adolescentes, fomos viver nossas vidas de verdade. Ainda tenho bons amigos dessa época (beijo, Roberta!), e acompanho a vida dos outros de vez em quando – tipo a Cabritona, que esses dias descobri que ficou loira e virou funkeira no Rio de Janeiro (ou quase isso) – e não deixa de ser engraçado ver como as coisas estão acontecendo agora.         

Lembrei de tudo isso porque hoje fui pro trabalho ouvindo um cd com músicas do Son of Dork, uma das minhas bandas preferidas na época, e bateu uma saudade imensa de tudo isso. De quando a vida era muito mais fácil do que é agora, com certeza, mas principalmente de ser jovem e se permitir ouvir músicas erradíssimas só porque elas eram legais demais, sabe assim? Músicas que falavam de caras que ficaram famosos e tiveram 27 filhos que eles nem sabem que existem; músicas que falavam sobre deixar de ser loser, ainda que só por um breve período; e sobre como deve ser ótimo ser um nerdzão depois que você cresce e vai trabalhar na NASA e vive feliz da vida com sua mulher e seus três filhos; tudo com ar de quem fala de um amigo e não de uma pessoa meio aleatória que pode nem existir de verdade (não que eu acredite que elas existam o tempo inteiro). Foi ouvindo Son Of Dork que eu encontrei um hino que dizia exatamente o que eu queria dizer pras pessoas que fingiam ser quem não eram, uma coisa tão comum nesse universo adolescente e talvez na vida inteira; que não era vergonhoso gostar de Backstreet Boys e, junto com os caras do McFly, me ensinaram que ET’s existem sim e que se the Universe is a place that we call home, should we believe that we’re here on our own? Acredito em extraterrestres de verdade desde então. Não como nos filmes, mas acredito sim, é claro que acredito.

Pra quem não sabe, o Son Of Dork era um projeto do James Bourne, que ficou mais conhecido como o amigo dos caras do McFly que escrevia algumas músicas pra eles nas horas vagas e que agora sai com eles em turnê disfaçardo de McBusted, uma coisa meio esquisita e de conceito duvidoso que já cansei de tentar compreender. A banda, aliás, nasceu exatamente por causa do fim do Busted, uma banda criada por Bourne e mais um amigo (e que mais tarde virou um trio) que não fez tanto sucesso aqui quando fez lá fora, igualzinho ao SOD. Deveria eu pensar que tudo não passa de uma praga do Bourne, que não consegue ter uma banda por tempo demais? Seria ele uma pessoa difícil de lidar? Seria apenas um músico escroto que só olha pro próprio umbigo? Talvez. Agradeço pelo fim do Busted e pela criação do Son Of Dork todo santo dia? Sem dúvida. Então é isso aí.

O McBusted é só uma prova de como as coisas mudaram nesse tempo. De repente eu virei uma adulta e os caras do McFly tiveram filhos e o James infelizmente terminou com a Gabriela Arciero, uma das minhas pessoas preferidas no mundo inteiro, ainda que nunca tenha feito nada de relevante pra receber o título. Não faço ideia de onde andam os outros caras, além do Dave, que toca em uma banda alternativa com nome de mulher, mais ou menos como as notícias vagas que chegam das pessoas que fizeram parte da minha vida na mesma época que eles estavam no auge. Acontecem coisas e a vida passa pra todo mundo, mas a música continua aí, sendo um conforto sempre que a gente precisar.

♥ 

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4 Comments

  • Reply Gab 19 de agosto de 2015 at 1:33 AM

    Hahahaahhaahah ai amiga, que saudades de fake do orkut.
    Eu acompanhava um jogo de rpg do Harry Potter pelo orkut e até criei uma fake chamada Manuela, mas não lembro qual avatar usei. Era uma menina famosa, disso eu sei… Que tempos, né?

    Não conhecia essa banda??? Mas curti a música??? Vou procurar mais músicas???

    Te amo! <3

  • Reply Passarinha 19 de agosto de 2015 at 1:37 AM

    Nunca ouvi falar em Son of Dork e não ouvia McFly, mas esse seu texto me deu uma saudade enorme da minha época de fandom de MCR, escrever fics e interagir com aquelas pessoas estranhíssimas (que nem eu) porém sensacionais. A vida passa tão rápido, né? Queria voltar um pouquinho.

    Beijos te amo <3

  • Reply Analu 19 de agosto de 2015 at 12:06 PM

    Amiga, tô com a passarinha: nunca tinha ouvido falar de Son of Dork e também não ouvia McFly, mas, além disso, eu não brincava de fake no Orkut e achava MUITO bizarro, HAHAHA. Eu tinha uma amiga que era viciada nisso, ela se apaixonou por um fake e tudo, e ela me contava que era um verdadeiro mundo (!), as pessoas casavam, tinham filhos, iam pra balada, e eu sempre achei O.O. Preferia o The Sims. HAHAHA

    Te amo! <3

  • Reply Anna 21 de agosto de 2015 at 2:41 AM

    Amiga, eu acompanhei muito de longe esse mundo dos fakes. Tinha uma menina da minha sala que a gente não era bem amiga, mas a gente conversava sempre porque éramos as ~alternativas~ da escola, as únicas da sala que realmente gostavam de internet e ~rock~ (The Killers, Mcfly, Fresno e NX Zero), numa sala cheia de gente muito careta. Então ela me contava as modas dela, eu contava as minhas, coisa e tal. Enquanto eu estava viciadíssima no fotolog e pensando em manter um blog pra valer, ela me mostrava o mundo dos fakes. Lembro que ela teve fake da Ashley Tisdale, da Hayley Williams e também dos caras do McFly. Eu não entedia direito, mas era uma entusiasta mesmo assim. Depois teve meu affair hobbit, não sei se já te contei a história dele, mas eu tive um affair muito baixinho e por uma época ele também teve um fake, e a melhor parte, era do WILL I M DO BLACK EYED PEAS. Se você conhecesse ele hoje saberia o tanto que isso é engraçado e absurdo, por isso amo jogar isso na carinha dele, hahaha mas momentos, né? Que época pra se estar viva e ser jovem.
    beijos!

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