NOVELA MEXICANA

SEJA BEM-VINDO DOIS MIL E QUINZE

Eu queria ter escrito alguma coisa logo no primeiro dia do ano, mas me faltou ânimo para sentar na cadeira e escrever algo decente. Também porque tem sido particularmente difícil superar o último post, de forma que eu não podia admitir que qualquer coisa o substituísse. Só que agora, nessa madrugada deveras calorenta de Brasília, cansada de tanto ler e esgotada demais pra continuar qualquer um dos meus roteiros malucos, achei melhor começar a escrever um desses textos que não faço a menor ideia de onde vão parar, mas que servem pra dar uma movimentada básica por aqui e me ajudam a não despirocar de vez com minhas ideias meio erradas.

Depois de meses maravilhosos, vejam só, 2015 começou me trazendo uma das coisas que eu mais temia: uma amigdalite. Poderia ter sido um péssimo jeito de começar o ano, mas resolvi encarar apenas como um lembrete de que estamos sempre sujeitos a esse tipo de coisa e tá tudo bem.

Apesar dos pesares, viver esses dias tem sido tão fácil que eu me pergunto se não estou vivendo num filme delicioso com hora certa pra acabar. É uma sensação de paz constante que me faz amar coisas absolutamente improváveis, como quando acabou a luz ontem a tarde por causa da chuva de granizo e ao invés de ficar putíssima, eu só consegui agradecer. Passei a tarde maravilhosamente bem, apenas ouvindo as pedrinhas de gelo baterem no telhado e lendo mais um dos livros da minha enorme pilha de não-lidos, sem me preocupar com gente me chamando de dois em dois minutos no WhatsApp ou com o computador me encarando com aquela cara de “você deveria estar trabalhando” quando não verdade eu não preciso coisa nenhuma.

Nos últimos dias eu assisti um monte de filmes com minha mãe, coisa que eu já não fazia há muito muito tempo, e foi maravilhoso; comi pizza até passar mal; terminei de ler um livro e comecei outro logo em seguida; ouvi o último álbum da Jenny Lewis em looping e dancei no quarto com os braços pra cima, mesmo com o mal estar que ameaçava me derrubar; joguei muita conversa fora sobre tumblr girls, tattoo chokers, snaps de celebridades e cabelos de algodão doce com a prima de 10 anos do Gui e foi um dos melhores papos que tive na vida. Dormi às quatro da manhã porque não tinha nenhum motivo pra dormir antes disso; tomei açaí geladíssimo mesmo sabendo o que isso custaria à minha garganta e tirei mais snaps do que seria necessário, considerando que não tenho nada realmente interessante pra mostrar.

Eu não fiz uma lista de metas do que queria pra 2015, mas sinto lá no fundo que, de um jeito ou de outro, tenho sido atendida. Porque eu não preciso de uma lista pra saber exatamente o que eu quero. Eu quero amor, quero saúde, quero fazer pilates, trocar de habilitação e viajar pra caralho, e eu também queria ir no Lolla, no RiR, mas não faço ideia se essas coisas vão rolar por “n” motivos que talvez me impeçam, mas tudo bem, sabe, porque algumas coisas sempre dão errado e a gente não morre por isso. Normalmente não.

Mas, principalmente, o que eu quero é viver.

Sempre prometo pra mim mesma que não vou criar expectativa demais pra acabar não me frustrando. É mais fácil, mais seguro e na maioria das vezes dá certo, mas é uma coisa que, de um jeito ou de outro, acaba me segurando e não permite que eu abra espaço para certos caminhos que podem ser um erro enorme – ou um grande acerto. E toda essa paz, de certa forma, me faz ter mais vontade de viver, me aventurar, seja lá o que me espera na virada da próxima esquina. É meio contraditório, mas não posso deixar de acreditar que também faz certo sentido, porque no final das contas é tudo sobre eu, me sentindo mais segura comigo mesma, e me encontrando em mim mesma, apesar de não saber ainda qual lugar desse mundo é o meu.

Já recebi convites pra comemorar aniversário de amigos no bar, convites pra ir ao cinema e pretendo ir em ambos, assim como pretendo tirar da promessa esse churrasco que nunca sai e um carnaval incrível no sítio dos meus avós. Pode ser que eu não vá em nada e meus planos caiam por terra, mas não custa nada tentar fazer com que eles deem certo – e não posso deixar de acreditar que tanta coisa programada numa única semana só pode ser um bom sinal.

Então, que 2015 seja um ano de aventuras, de enfrentar medos e de se jogar no desconhecido; mas que também seja um ano leve e tranquilo, que me dê tempo de saborear os momentos importantes e não despirocar de vez quando alguma coisa não der certo. E é isso aí.

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3 Comments

  • Reply Daniela Pereira 4 de janeiro de 2015 at 9:44 PM

    Seus textos pessoais são incríveis. Espero que dê tudo (ou a maioria) certo, por que de vez em quando precisamos cair pra aprender a levantar melhor, né? Enfim, espero que, mesmo que 2015 tenha dificuldade, seja o melhor ano da sua vida! ♥

  • Reply Anna 5 de janeiro de 2015 at 2:13 AM

    Xará, eu AMO início de ano justamente por conta dessa vibe gostosa que a gente fica de acreditar que as coisas vão dar certo. Não que isso seja uma ilusão de janeiro, mas a gente precisa dessa dose extra de gás pra começar um ano novo e ter energias pra realizar tudo aquilo que a gente quer, ser a pessoa melhor que prometemos ser e colocar em prática nossos planos, estejam eles escritos numa listinha de metas ou só ali no ar, esperando tudo dar certo, os planetas se alinharem, para enfim acontecer.

    Enfim, que essa vibe delícia te acompanhe na próxima semana, e na próxima, e na outra também, com muitos papos maravilhosos, açaís gelados (AI EU AMO AÇAÍ, A VIDA É LINDA QUANDO TEM AÇAÍ), e Jenny Lewis, por favor, muita Jenny Lewis. Mafiosa novata que segue minhas recomendações e dá valor pra minha alma gêmea musical ganha tantos pontos que nem vai ter que me buscar café hahahahaha <3

    Beijos, Xará, e tomara que nesse ano a gente se esbarre muito por aí!

  • Reply Bruna 11 de janeiro de 2015 at 10:24 PM

    Me identifiquei muito com o seu texto, pena que ainda não consegui me desapegar das listas de início de ano. Preciso delas pra lembrar do que eu desejo para o ano seguinte, nem que seja para perceber como os meus desejos mudaram no final do ano. Mas essa vontade de viver que você disse, é também o meu desejo! Hahahhahaha A gente tem tanta coisa pra fazer o tempo todo, e é tudo tão “importante” que daqui a pouco o ano acabou, vc tá exausta e não consegue lembrar de momentos simples e livres de preocupação e nem dos momentos de verdadeira diversão!

    Bjoos
    Bru

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