NOVELA MEXICANA

SEMPRE EM FRENTE

Passei a semana inteira tentando escrever esse texto, sem no entanto chegar à lugar nenhum. Queria desabafar, dizer o quanto a barra andou pesada e chorar minhas pitangas, porque agosto tem feito jus à máxima que diz que ele é o mês do desgosto. Pra vocês terem uma noção, em duas semanas eu perdi uma pessoa da família, Loki ficou doente, eu e o Gui vomitamos como se não houvesse amanhã, eu ganhei três terçóis de brinde e meu computador resolveu que era hora de dar tchau depois de uma atualização deveras exótica do Windows, mesmo ele tendo menos de uma semana de uso, vejam só.

Eu ando tentando ao máximo ver o lado bom das coisas, sabe? Longe de mim tentar ser uma Pollyanna bitolada, mas antes rir da desgraça do que transformar minha vida num dramalhão mexicano ou coisa parecida. Só que tem horas que tudo parece tão errado que é muito mais fácil incorporar o Paola Bracho way of life. E essas duas últimas semanas foram uma bom exemplo disso. Vivi numa montanha russa, um sobe e desce infinito, com vários loopings no meio do caminho, uma loucura.

Quando meu computador pifou era sexta, e no sábado de manhã resolvi dar um pulo na autorizada, mas dei com a cara na porta. Na volta pra casa, ainda meio irritada, meio segurando o choro, começou a tocar Tempo Perdido na rádio. E eu não sei se foi a fragilidade momentânea ou qualquer outra coisa, mas naquele dia senti a música de um jeito completamente novo. Sentir, gente, sabe assim? Comecei cantando baixinho, acompanhado Renato naquela letra que já era uma velha conhecida, enquanto atravessávamos o Eixão, de uma ponta à outra nas asas de Brasília. À medida que a música avançava, minha voz ficava mais alta, e quando dei por mim, já estávamos eu e o Gui fazendo uma festa dentro do carro, cantando à plenos pulmões. E foi ali que, pela primeira vez desde que agosto começou, eu me senti verdadeiramente leve. Tudo ia ficar bem.

Li em algum lugar, na semana passada, que as pessoas tentam a todo custo ter uma vida sem altos e baixos. Fugimos dos baixos como o diabo foge da cruz, e passamos a vida procurando por essa tal estabilidade, quando basta olhar para um desses monitores cardíacos de UTI pra ver que são essas oscilações que nos mantém aqui, vivos. Continuo achando que colei chiclete na cruz, mas a vida segue. O trem sai dos trilhos vez ou outra, e por mais desesperador que pareça, no final a gente aprende. Faz um drama, mas aprende. Aprende a lidar, a encontrar soluções, e aprende a enxergar coisas boas mesmo nos momentos mais complicados, por mais impossível (e clichê) que isso pareça. Poucas coisas são tão certas quanto um arco-íris ao fim de cada tempestade. Nem sempre a gente enxerga, mas ele está lá, escondido em algum lugar. A gente só precisa aprender a encontrar.

tumblr_mzwl9w4N5r1s39hlao1_500

Previous Post Next Post

3 Comments

  • Reply Mila 26 de agosto de 2014 at 8:41 PM

    A maioria das pessoas, infelizmente, só aprende na dor. E me incluo nessa maioria.
    A gente não valoriza coisas pequenas, momentos simples, como a oportunidade de ter a companhia de alguém pra cantar alto sem medo ou vergonha, por exemplo.
    O bom é quando a gente tem essa consciência de que estamos aqui é pra aprender mesmo. Só precisamos nos acostumar a aprender sem a dor.
    =)

    (Nicky Nichols ♥)

  • Reply Suzana 27 de agosto de 2014 at 1:10 AM

    Passei pra avisar que sua opinião saiu lá no post do blog, obrigada por participar ♥
    http://www.adolecentro.com/2014/08/avozdosleitores.html

  • Reply Manu 30 de agosto de 2014 at 3:59 AM

    Ai, que gostoso ler esse texto, Ana! Acho que você conseguiu me passar essa sensação de calma no meio do furacão pelo post… ainda bem que temos desses momentos, no meio das crises que a vida tem, pra parar, olhar, chorar cinco minutos e seguir em frente. O mundo não para de girar… e eu, particularmente, acho que não tem jeito melhor de encontrar essa calma do que cantando bem alto. hahaha
    beijos! ;***

  • Leave a Reply