VIDA DE FANGIRL

SO WE WALK ALONE

All light will end and the world will live in darkness.

Eu pensei em mais ou menos 149835 formas de começar esse texto, sendo todas elas uma tentativa mais ou menos ridícula de colocar em palavras o que eu tenho sentido desde o último domingo, quando descobri (assim como todos os outros fãs) que a terceira temporada de “Penny Dreadful”, uma das minhas séries favoritas do momento (e, agora, da vida também), seria a última: uma vontade incontrolável de cancelar todos os meus compromissos, me trancar no meu quarto escuro e chorar pelos próximos dias sem parar. Alguns diriam que essa é uma reação ridícula e exagerada de fã retardada que não tem mais o que fazer da vida. Eu me reservo o direito de acreditar que essa é a única reação possível.

É uma verdade universalmente conhecida (e vocês sabem disso melhor do que ninguém) que eu nunca aprendi a falar sobre as coisas que amo demais, da mesma forma que nunca aprendi a me despedir delas quando chega a hora. Eu levo essa história de sentimentos muito a sério, de um jeito que às vezes beira o ridículo, e meu nível de comprometimento com as coisas que eu amo desconhecem qualquer tipo de limite. É por isso que é tão mais fácil ser hater e falar sobre aquilo que não gosto, que incomoda, que não faz bem – movida por algum nível de raiva ou decepção, eu até consigo ser bastante coerente, exatamente o oposto do que acontece quando amo demais alguma coisa e só consigo pensar em sair por aí gritando declarações de amor, que é mais ou menos o que acontece sempre que eu abro a boca pra falar de “Penny Dreadful”. Os sentimentos, esses sempre serão os únicos fatos.

Não por acaso, o único post que escrevi sobre a série é, também, um dos que menos gosto, embora seja, também, um dos mais sentimentais e que guardo com mais carinho (pois é, sou doente). É um texto que não faz o menor sentido, que é pequeno e mal escrito, mas é também muito visceral, escrito de qualquer jeito e sem muito tempo para pensar, mas apenas sentir, e que consegue representar muito bem o que eu estava sentindo naquele momento, ao fim da segunda temporada – de todas, talvez a minha favorita – e que, consequentemente, fez muita gente se identificar também. Eu recebi e-mails, mensagens no twitter e mimos de gente que eu não conhecia e que também não me conhecia, mas com quem, de uma forma meio tosca, porém bastante honesta, eu me sentia extremamente conectada. Vivemos isso, sofremos por isso.

É preciso uma história muito forte para evocar um sentimento tão poderoso, que é capaz de fazer com que tanta gente tenha sentimentos tão parecidos e se permitam ter os corações destroçados por gente que nem existe de verdade – e isso talvez seja o mais bonito sobre “Penny Dreadful”. Por mais que não seja uma série pra qualquer pessoa e que a união de terror e sobrenatural possa assustar os mais medrosos no início (e, quando digo isso, estou falando também de mim mesma), ela consegue transcender sua própria proposta, indo muito além daquilo que é esperado, e faz com que a gente se importe genuinamente com o que está acontecendo. De repente, o mais importante não é se Vanessa vai ou não conseguir derrotar o mal que a persegue, mas se ela ficará bem, independente do que aconteça, se terá a chance de viver a vida que sempre mereceu. E o mesmo serve para todos os outros personagens. Ainda que eles sejam imperfeitos, em maior ou menor escala, é impossível não se importar com todos eles, sem ressalvas, e torcer para que trilhem o melhor caminho possível, mesmo sabendo que finais felizes seriam a saída fácil e que “Penny Dreadful” nunca foi uma série de saídas fáceis.

E é por isso que seu final foi tão especialmente doloroso. Por mais que o fim seja inevitável, que todo mundo soubesse que a série não seria longa e que um final feliz era um possibilidade minúscula diante dos fatos, ver tudo concretizado ali, sem segundas chances, partiu o coração de muita gente. Assistir aquelas pessoas tentarem salvar o dia, mesmo quando já era tarde demais, me deixou em frangalhos, mesmo que no fundo eu soubesse que aquilo era uma consequência das escolhas dessas mesmas pessoas, que seus caminhos já vinham sendo traçados há muito tempo e que fugir era mesmo inevitável, mas perceber isso não deixa a situação menos dramática. No fundo, sei que o final foi coerente com a história que vinha sendo contada, e que talvez daqui alguns meses ou anos, eu consiga olhar para trás e enxergar que foi melhor assim. Por enquanto, me reservo o direito de chorar sempre que possível e curtir minha fossa em paz.

Quase um ano atrás, eu escrevi que “Penny Dreadful” tinha chegado na minha vida sem pedir licença, que tinha colocado o pé na porta e mostrado que veio pra ficar, mesmo que pra isso ela partisse meu coração em mil pedacinhos. Hoje, me sentindo um papel amassado, quebrada feito uma promessa, tal qual naquela época, fico feliz em pensar que tudo isso se provou real e que eu vivi intensamente cada parte dessa história. Finais sempre são dolorosos e eu nunca aprendi a dizer adeus, mas o que me consola é saber que, quando a saudade bater, eu sempre terei um lugar para onde voltar.

Obrigada, “Penny Dreadful”. Foi uma honra ter meu coração partido por você.

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P.S: Na minha fanfic mental, estão todos vivendo felizes para sempre sem nenhum capeta dentuço para atormentar, beijos de luz.

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1 Comment

  • Reply Thay 24 de junho de 2016 at 2:11 AM

    AMIGA do céu, sentimentos são os únicos fatos e ainda não estou sabendo lidar com os meus (como você bem sabe). Acabei de te dizer do face como me identifiquei com o texto, e reitero: também acho que nunca consigo fazer justiça, com as minhas palavras, às coisas que amo. Sempre pareço exagerada ou sentimental demais, mas meio que entendi que é assim mesmo quando amo muito alguma coisa. É assim que me sinto com Supernatural, é assim que me sinto com Penny Dreadful. E, tá, é um seriado, é fictício, mas QUEM SE IMPORTA?! HAHA, a gente sofre, sente, ri e chora e tá tudo bem. <3

    Na minha cabeça todo mundo tá feliz, sendo lindo e maravilhoso na Londres vitoriana e pronto! Mas estou começando a aceitar o final como ele é – pelo menos tivemos a oportunidade de curtir três temporadas maravilhosas, com uma história super bem elaborada e personagens cativantes. Acho que nunca vou esquecer nenhum deles e vou sempre revisitar.

    A gente só não vai andar sozinha porque vamos choramingar juntas. <3

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