BLAIR WALDORF

SOBRE FAST FASHION E PARCERIAS

Algumas semanas atrás, a H&M anunciou sua próxima parceria, dessa vez com a francesa Isabel Marant, responsável pelas tendências mais copiadas dos últimos tempos (sabe o sneaker com salto e a ankle boot cowboy? Então, tudo dela). A notícia provocou um verdadeiro frenesi nas redes sociais. Não vi uma, NENHUMA, blogueira que não tenha falado nada a respeito da parceria, mas também pudera: Isabel Marant por um preço acessível é mesmo motivo para comemorar.

O que realmente me intriga nessa história toda não é nem o fato de que boa parte das pessoas que estão comemorando a notícia (e que leem os blogs que estão celebrando a notícia, tanto faz) não vão chegar a colocar as mãos em sequer uma pecinha da coleção; muito menos as filas quilométricas que já são parte inerente desses lançamentos, mas sim nas fast fashion brasileiras. Muita parceria já rolou por aqui. Verdade seja dita, já perdi as contas de quantas marcas fizeram coleção para a Riachuello e a C&A porque, cara, foram muitas mesmo. De estilista internacional à blogueira de moda, acho que já deu pra ver de tudo, agradar gregos e troianos, e vestir as mais diversas necessidades. É uma proposta muito boa, que me encanta desde o início porque ter a chance de levar boas peças para o guarda-roupa por um preço acessível é, no mínimo, motivo para comemorar.

O negócio é que o povo gostou tanto da ideia que, olhando agora, só consigo ver uma proposta desgastada, distante demais daquilo que foi um dia. As coleções, antes feitas com todo o cuidado, agora chegam tão rápido que as peças perderam a qualidade e, honestamente, de que compensa ter uma peça incrível com a etiqueta da marca “x” se ela vai estragar em um mês? A gente fala de um preço acessível, mas não há nada que justifique levar pra casa uma saia bandage vagabunda porque noooossa é da loja daquela socialite, quando ela tem o mesmo preço de uma saia sem a etiqueta grifada e qualidade superior. Nessas horas eu penso nas marcas e no cuidado zero das suas produções. Palmas para Stella McCartney que se preocupou em participar de cada etapa da confecção das peças que compuseram a coelção para a C&A, mas a verdade é que a maioria parece ter se esquecido que, no final das contas, não é só o nome da fast fashion ali em jogo.

Talvez por isso eu admire tanto as parcerias que a H&M faz. São poucas – duas grandes por ano, geralmente – mas que cumprem de fato a proposta: trazem peças de designers renomados por um preço mais acessível, sem perder o que, pra mim, é fundamental – a qualidade. Os estilistas são escolhidos com cuidado e o resultado é aquilo que a gente sempre vê, baba, e torce pra acontecer igual aqui, mas que depois de tanto tempo começa a ficar puxado esperar. Longe de mim querer dar algum tipo de lição porque, gente, eu nem sei como as coisas funcionam por trás de cada coleção, sabe? O que não dá é pra achar que é uma boa ideia fazer esse festival de coleções mais ou menos, empurrando uma atrás da outra pela garganta do consumidor e levando pro buraco uma ideia que tinha tudo pra dar certo, mas que não tem dado tanto assim.

Quase ninguém mais se interessa de fato no que essas coleções tem a oferecer. Pode até ser que elas ainda lotem as lojas de consumidoras frenéticas, mas elas já não tem a mesma visibilidade de antes e, se isso não for um mau sinal, eu honestamente não sei o que é. Lucro, no final das contas, é sempre o objetivo final, mas até que ponto é aceitável abrir mão de certos fatores? Vejo as pessoas tão preocupadas em agirem rápido, não ficarem pra trás, que fica fácil esquecer de coisas que fariam muito mais diferença, não fosse esse ritmo insano que domina as lojas hoje. Sei que a base do fast fashion é exatamente isso, a moda rápida, muitas vezes insana, mas será que vale a pena que ideias legais sejam banalizadas dessa forma?

Uma pena, de verdade.

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