NOVELA MEXICANA

SOBRE LIMÕES E LIMONADAS

Uma das coisas que mais me irritam na vida é quando vejo alguém que se sente no direito de fazer outra se sentir mal por aquilo que ela está usando. Já falei um pouco sobre isso aqui, mas fui obrigada a bater nessa tecla de novo por um lance que aconteceu comigo algumas semanas atrás.

Eu adoro usar jaqueta de couro com short. Pode ser short jeans, de linho, seda, whatever. É o tipo de combinação que, na minha humilde opinião, é super charmosa e funciona sempre. Ainda mais nesse clima louco de Brasília, que nunca sabe se quer fazer sol, chuva ou casamento da viúva, unir as duas peças é amor na certa. Pra mim já virou quase um uniforme, principalmente nesses dias de inverno que eu saio de casa no calor e volto a noite, quando o friozinho já tá dando as caras.

Um dos lugares que mais usei o tal combo, obviamente, foi na faculdade. Afinal é o único lugar que eu tenho a obrigação de bater ponto alguns dias da semana, considerando que ainda não trabalho. E veja bem, eu estudo Comunicação numa Universidade Federal. Não é, nem de longe, um ambiente onde você espera ser julgado. Mas foi lá mesmo que eu fui chamada de “sem noção”, por causa da roupa que tava usando, por uma coleguinha, digamos, bem próxima.

Na hora fiquei extremamente sem graça. Sei lá, foi como se tivessem feito uma crítica muito pesada a alguma coisa que eu gosto muito, tipo Harry Potter ou Paramore. O tipo de crítica que você fica tão surpresa que não consegue sequer dar uma resposta. Por mais que você tenha milhares de argumentos na ponta da língua, é como se ela se embolasse toda dentro da boca, te impedindo de defender seu ponto de vista. Deixei passar e continuei o que estava fazendo, mas o episódio ficou engasgado. Mesmo que eu tentasse (e olha, tentei!), fiquei muito magoada com o comentário, não só pelo considerável nível de ~maldade~, mas por ter vindo de uma pessoa, até então, muito próxima. Basicamente, minha vontade era fugir para as colinas e não voltar nunca mais.

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Martelei isso na minha cabeça por dias. Cheguei a questionar se eu não era mesmo sem noção. Logo eu, que sempre fui tão segura do que gosto ou deixo de gostar, me deixando levar por uma opinião totalmente sem crédito. Porque entendam, se alguém viesse falar comigo que minha roupa não tava legal, eu até consideraria. Acho válido quando alguém expõe suas opiniões, desde que não seja grosseira nem tente humilhar o outro. Daí fica a meu critério aceitar o conselho ou não. Mas nesse caso, foi o tipo de comentário desnecessário. Ninguém ia ganhar nada. Eu, certamente, não ganharia, mas acredito que ela também não.

Já aguentei muita gracinha nesses 21 anos, fosse pelos esmaltes exóticos que eu curtia, fosse pela roupa às vezes duvidosa. Até mesmo pela música que ouvia já fui julgada, e nem por isso deixei alguma coisa de lado só porque alguém resolveu pegar no meu pé. Imaginem que chato um mundo onde todo mundo usasse as mesmas combinações, fossem aos mesmos lugares e ouvissem as mesmas músicas? Como diz uma tia minha, o que seria do amarelo se todo mundo gostasse do azul?

Foi aí que percebi o quanto estava equivocada. Claro que é muito mais fácil simplesmente evitar o motivo de discórdia (nesse caso, minha combinação) na presença da pessoa que fez a crítica e beleza, a vida segue. Mas esse é o tipo de solução temporária, que parece muito eficaz na hora, mas a longo prazo pode se tornar um novo problema. Antes de mais nada, eu devo estar feliz comigo mesma. Não importa se alguém ache minha roupa esquisita. Ela tem, claro, todo o direito de achar o que quiser, desde que não invada meu espaço. Meu corpo, minhas regras, deal with it dude.

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É a invasão que me incomoda. Essa mania que as pessoas têm de dar pitaco onde não são chamadas. Ter opinião é importante, até mesmo pra que a gente não se torne a vítima depois, mas todo mundo precisa ter pelo menos um pouco de bom senso. Não dá pra sair falando tudo o que quer e o que não quer, correndo o risco de magoar as mina tudo, e sair de cabeça erguida se achando a pessoa mais sincera do mundo, porque existe uma linha, mesmo que muitas vezes tênue, entre sinceridade e grosseria. Os limites, eles existem.

Eu nunca tinha sido esculhambada (tá, exagerei um pouco) assim por uma pessoa próxima desse tanto. Uma pessoa que eu considero (ava?) minha amiga. Não sei o que pensar nesse sentido. Mas o lance é que eu estava acostumada com os colegas chatos da escola, que enchem o saco de qualquer um por pura zoeira (essa sim, não tem limites); ou com pessoas desconhecidas que acham conveniente julgar o que cê tá vestindo, como as meninas do Outback que olharam torto pro meu fascinator. E acho que isso foi um fator determinante pra que eu ficasse remoendo o episódio tanto tempo depois. Coisa que, eu aposto, a outra pessoa envolvida nem deve se lembrar mais.

Não vou dizer que sou melhor ou pior que ninguém, nem mesmo que a coleguinha que nos trouxe até aqui, porque, vejam bem, não tem como a gente comparar pessoas diferentes sem acabar tirando uma conclusão equivocada no final. Mas posso comparar a Ana de antes com a Ana de depois desse episódio. E a conclusão que cheguei foi que, apesar de ter me chateado pra caramba e ter dado vários passos para trás numa amizade de dois anos (que eu jurava que era ótima), a Ana de agora é muito mais segura e determinada. O que me faz pensar que as limonadas dessa vida só acontecem porque alguém nos deu um limão antes, mas que somos nós que decidimos se vamos transforma-lo em receitas deliciosas ou se simplesmente vamos chorar as pitangas (ou os limões, quem sabe). Às vezes parece difícil. Às vezes mais, às vezes menos, mas a verdade é que a gente precisa passar por certas situações para aprender. Viver para aprender, literalmente. E daí em diante, queridinha, podem te dar até uma plantação de limão que você transforma tudo em caipirinha, mousse e key lime pie. Só pra não enjoar da limonada mesmo.

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2 Comments

  • Reply Suzana 10 de julho de 2014 at 4:06 PM

    Meu que situação chata!! Mas não dá pra agradar a todos, né? E ainda bem! Deixa essa gente pra lá e segue curtindo o que você curte haha Não há nada de sem noção nisso, se você se sente bem.

  • Reply Juju 10 de julho de 2014 at 5:53 PM

    Totalmente desnecessário um comentário assim, e não pela opinião exposta, mas pela maldade contida! E, assim, pro clima que estamos, um short com jaquetinha, quebra um galho bem grande. Liga não! A moda tá aí, cada um faz a sua :*

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