BLAIR WALDORF

SOBRE VESTIR O QUE QUISER E NÃO SE IMPORTAR COM A OPINIÃO DOS OUTROS

É estranho falar sobre isso porque, no geral, as pessoas imaginam que quando você tem um blog, automaticamente fica desencanada e para de se importar com o que o resto do mundo vai pensar sobre o que você faz (veste, ouve, come, etc) ou deixa de fazer. Na verdade eu conheço várias blogueiras que parecem mesmo ser assim, mas pra mim, as coisas nunca funcionaram desse jeito. Eu sempre tive um estilo diferente das pessoas com quem convivo. No ensino médio, sempre fui a doida que usava esmalte amarelo, óculos de nerd e mochila rosa choque; mas nunca, por exemplo, tive coragem de pintar o cabelo de laranja ou usar calça colorida, porque sabia que iam me gongar até o fim dos tempos – ou, pelo menos, até o fim do colegial. Começar a namorar o Gui me deixou muito mais livre nesse sentindo. Ter alguém que não fosse da minha própria família mas que, ainda assim, me aceitasse do jeito que eu quisesse ser, me fez experimentar uma liberdade que eu nunca tinha tido antes. Eu podia usar o que quisesse, a hora que quisesse, porque eu sabia que ele jamais iria me julgar.

Nessa mesma época tive meu primeiro contato com blogs de moda e, apesar de sempre ter curtido o assunto, fui apresentada à um mundo completamente novo. Foi como se, através dos blogs – e das tantas blogueiras por trás deles, que me inspiram até hoje – , eu tivesse recebido uma carta de alforria: “Vai lá, garota, você pode ser quem você quiser!”. E a proposta era tão tentadora que eu não pude resistir. Lembro de um dia que fui jantar com o Gui no Outback, uns três anos atrás. Não era nenhuma data importante, nem nada, mas decidi usar um fascinator que tinha comprado algumas semanas antes, na Accessorize. Eu sabia desde o início que o restaurante australiano não era o lugar mais adequado do mundo pra fazer a Kate Middleton, mas eu tinha curtido tanto do look com o fascinator que seria um pecado deixar o bichinho em casa. Hoje, quando penso naquele dia, vejo que ele foi um divisor de águas. Eu estava tão feliz, tão bem comigo mesma, que não me deixei levar pelos olhares reprovadores ou pelas risadinhas na mesa ao lado. Claro que agora reconheço que exagerei um pouquinho, mas aquele fascinator espalhafatoso acabou abrindo caminho para um lugar onde eu não só posso usar fascinators sem medo de ser feliz, mas também tiaras, coroas, saias de tule e batom vermelho. E não, não é da Disney que eu tô falando.

As pessoas costumam ter essa mania chata de julgar a roupa dos outros quando, na realidade, isso não é da conta de ninguém. Claro que não somos obrigados a gostar de tudo, mas existe uma diferença gigante entre um simples “não gostar” e o “fazer a pessoa se sentir ridícula”. É cruel tentar limitar o que os outros vestem ou deixam de vestir. Ninguém é igual à ninguém, então porque diabos deveríamos nos vestir como iguais?!

Usar short curto não faz de você uma piriguete, assim como usar um fascinator não faz de mim uma louca. Roupa, no final das contas, é apenas roupa. Elas não nos fazem mais ou menos importantes do que ninguém. Moda é, antes de mais nada, uma grande brincadeira, e se a vida já é tão séria, porque eu deveria seguir a ditadura do “pode x não pode”? As pessoas sempre vão julgar uns aos outros e não importa o quanto você tente, sempre vão encontrar um defeito, alguma coisa para criticar. E sabe por quê? Porque ninguém é perfeito, gente. Ponto.

Ninguém precisa ser um poço de inspiração o tempo todo. Se minhas amigas gostam das minhas roupas, legal, mas eu sei que muita gente me acha estranha e sem noção. E eu vou deixar de usar aquilo que gosto por isso? Claro que não! Não é porque alguém disse que quem tem quadril largo não pode usar calça skinny, ou que meu braço de biscoitera não combina com camiseta cavada, que eu vou deixar de vestir o que eu gosto. Ninguém paga minhas contas e eu uso o que EU quiser! Não vale a pena gastar todas as suas forças tentando ser outra pessoa apenas para agradar os outros. A gente não precisa disso porque nós, com defeitos e qualidades, somos melhores que todas essas regras. Então vai lá! Corta o cabelo, usa aquela roupa exótica, aquele batom vermelho. Mude, experimente, seja quem você quiser. Mas faça isso por você, não pelos outros.

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7 Comments

  • Reply Ray 18 de março de 2014 at 2:13 PM

    Ana, que reflexão maravilhosa! Concordo com tudo o que você disse.
    Ainda me sinto um pouco amarrada aos padrões, sabe? Mas aos poucos estou tentando não ligar para isso e me jogar na vida, ser mais livre. Admiro seu exemplo!

    Beijos!

  • Reply suuh 18 de março de 2014 at 4:18 PM

    Não podia concordar mais com você! ♥ Principalmente aqui na minha cidade que é interior e pequena, TODO MUNDO julga. No meu último emprego, um dia fui o centro das atenções porque resolvi ir trabalhar com um batom vermelho. Eu fiquei tipo ~sério??~
    Uma vez me preocupava mais com o que os outros iam achar, mas depois que comecei a namorar também me libertei… É bom saber que alguém me ama sem julgar se eu quero me vestir exageradamente, hehehe

    Beijos.

  • Reply Thami 19 de março de 2014 at 1:48 AM

    Adorei tanto esse post que vou compartilhá-lo no facebook. Olha, já cansei de me vestir, me sentir bem, sair na rua e minhas amigas ficarem me zoando falando que é roupa de velha, dai sempre que a gente vai nessas lojas de departamento que tem aquelas araras de roupas, elas ficam puxando roupas de gente mais velha mesmo e falando “aqui Thamiris, ideal pra você” e eu apenas ignoro. Porque meu pai me ensinou, desde sempre, que eu tenho que me vestir de acordo com o meu conforto. Se eu me sentir confortável com tal roupa, vou com a tal roupa e não to nem ai. Muitas vezes já quis sair na rua de pijama, porque eu tenho uns pijamas tão confortáveis que da até pena de trocá-los por roupas que as vezes incomodam, hahaha!

    Bitocas!

  • Reply Monique 19 de março de 2014 at 11:33 AM

    Primeiro texto sobre moda que não me faz querer dormir ou desistir da leitura antes de terminar. Adorei o seu texto, e o jeito descomprometido que você usou pra abordar o assunto, você vai longe! Quanto a isso, você tem razão de não se importar, porque o que riem por você estar usando hoje, todos estaram usando amanhã, aprendi isso quando fiz minha primeira mecha no cabelo hahaha.

    http://leitecombiscotos.blogspot.com.br/

  • Reply Mariana de lima leite 21 de março de 2014 at 1:12 PM

    Se importar com os que os outros pensam sempre vai ser perda de tempo. Eles nunca vão ficar satisfeitos com nada mesmo. Eu já tive uma fase que me vestia mais roqueira, e muitas pessoas me olhavam estranho, até minha familia me zuava, mas eu não ligava. Eu era daquele jeito e pronto. Hoje em dia tem um estilo um pouco mais diferente pq mudei muito minha personalidade eai de alguma forma meu estilo mudou junto, mas ainda amooo umas roupas mais roqueiras, e acho o estilo maravilhoso. Mas, é isso você tem que ser você mesmo.
    Ps: escrevi demais kkk
    Blog: http://teoremademari.blogspot.com.br/

  • Reply Sammy 25 de março de 2014 at 5:36 AM

    Amei esse teu texto. Preciso copiar essa frase nesse comentário porque é um fato na minha vida: “mas eu sei que muita gente me acha estranha e sem noção”. E eu também sei que vão continuar achando, talvez um grupo x deixe de achar e ao mesmo tempo forme-se um grupo y que comece. É um ciclo. Eu nunca me importei com essas coisas e faço o que eu quero desde os onze anos. Eu até gosto de ser esquisita, e vivo falando que sou com um orgulhinho no peito. É legal ser esquisita quando você vê 500 pessoas se vestindo igual só porque a moda ditou aquilo.

    La Diabolique/Fan Page/Instagram do Blog

  • Reply Monique Lima Verde 26 de fevereiro de 2016 at 7:30 PM

    Esse texto veio a calhar hoje. Decidi ir à escola com um Look diferente e fiquei com o pé atrás em sair fora do comum, mas é libertador me ver diferente no meio de mil meninas que se vestem arrumadinhas do mesmo jeito. Parabéns pelo texto e por ter tanta coragem. Você ganhou mais uma admiradora. Beijos <3

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