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STARSHIPS & QUEENS AWARDS 2015: RETROSPECTIVA LITERÁRIA

Parece piada, mas com muito atraso, preguiça e uma dose de desânimo, finalmente chegamos à última parte deste famigerado prêmio. Sempre deixo pra falar dos livros por último porque a) enquanto blogueira literária, sou uma excelente blogueira de aleatoriedades e coisas irrelevantes em geral; b) eu realmente tenho uma dificuldade enorme para escrever sobre as coisas que leio – mais uma consequência da minha péssima memória do que qualquer outra coisa; e c) de todas as etapas deste prêmio, essa é a que mais exige tempo e paciência, e eu, infelizmente, sou uma pessoa bem preguiçosa. Então sim, apesar de ser um processo divertido, eu morro só de pensar em catar livros, ler sinopses, inventar categorias, escolher quotes e linkar livro por livro.

O engraçado é que, mesmo com toda a preguiça e desânimo do mundo, eu estava realmente ansiosa para escrever esse post, primeiro porque 2015 foi um ano bem produtivo para os meus padrões: 31 livros, no total (vocês que conseguem ler 100 livros no ano, favor valorizar o meu esforço); e segundo porque, apesar de ter lido algumas coisas bem ruins, também li muita (eu disse MUITA) coisa boa e queria compartilhar isso com vocês. De início pensei em usar aquele formato criado pela Tary – que foi o que usei ano passado e foi sucesso -, mas a essa altura minha preguiça já ultrapassa qualquer limite e não ando mesmo com muita paciência, de modo que preferi chutar o balde de vez e apostar num modo mais randômico e completamente descompromissado, de acordo com o que acho mais relevante comentar.

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LIVROS LIDOS EM 2015

O Duque e EuNão Sou Uma DessasComo Eu Era Antes de VocêÓculos, Aparelho e Rock’n Roll –  ObsessãoAnexosUm DiaGaroto Encontra GarotoPreciso Rodar o MundoA Lista de BrettA Culpa É das Estrelas (releitura) – AmericanahMentirososA Trama do CasamentoAs Vantagens de Ser InvisívelA EsperançaChá de SumiçoA Rainha VermelhaBoneco de NeveContando os DiasDália AzulO Retrato de Dorian GrayO Histórico Infame de Frankie Landau-BanksToda Luz Que Não Podemos VerO Diário Secreto de Lizzie BennetO Grande GatbsyEstação OnzeClube da LutaCanção da RainhaSejamos Todos FeministasFiquei Com Um Famoso

NÃO-FICÇÃO

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Acho que a maior novidade de 2015 foi que eu finalmente comecei a dar atenção à livros de não-ficção. Pela primeira vez, pessoas que de fato me interessavam começaram a escrever sobre suas vidas e eu queria saber o que elas tinham para me contar. O primeiro dessa leva foi Não Sou Uma Dessas, da Lena Dunham, um livro mediano, mas com bons momentos. Ele foi meu primeiro contato com a Lena, uma mulher que eu conhecia mais de ouvir falar do que pelo seu trabalho, e realmente não recomendo que vocês façam o mesmo caminho. Algumas partes me incomodaram demais, demais, e eu tenho certeza que isso não teria acontecido se eu já estivesse minimamente acostumada com sua voz. No entanto, algumas partes também são maravilhosas e me fizeram pensar muito sobre várias coisas, inclusive sobre a minha vida. Não chega a ser uma identificação, mas ainda assim.

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Não há nada mais corajoso para mim do que uma pessoa anunciar que sua história merece ser contada, sobretudo se essa pessoa é uma mulher. Por mais que tenhamos trabalhado muito e por mais longe tenhamos chegado, ainda existem muitas forças que conspiram para dizer às mulheres que nossas preocupações são fúteis, que nossas opiniões não são relevantes, que não dispomos do grau de seriedade necessário para que nossas histórias tenham importância. 

Além dele, também li Preciso Rodar o Mundo, da Michelli Provensi, e aí a experiência foi completamente diferente. A Michelli é modelo e no livro conta um pouco da sua trajetória na profissão, fala sobre o começo da carreira, as vantagens e desvantagens, compartilha os perrengues que passou e um pouco sobre os lugares que conheceu. É um livro adorável, assim como a Michelli, mas que ao mesmo tempo faz questão de nos lembrar que existe muito mais no mundo da moda do que acredita nossa vã filosofia, e que ser modelo nem sempre significa ser famosa, que nem todo mundo vira Gisele. Mesmo assim é um livro delicioso, e a sensação que eu tive durante toda a leitura (que durou uma noite, no máximo) era a de que eu estava jogada no chão da sala, ouvindo uma amiga que eu não via há muito tempo contar sobre suas aventuras ao redor do mundo.

Contando os Dias foi o livro que me quebrou inteira e deixou meu coração em mil pedacinhos. Ele foi o projeto de conclusão de curso da Analu (!) e traz o relato de mulheres presas em regime semiaberto que tiveram seus filhos no ambiente prisional. Só daí já dá pra ter uma noção do tanto que ele desgraçou minha cabeça. Como a própria Analu diz nas suas primeiras impressões, o que muda entre o que pensamos das pessoas e o que elas realmente são é a distância que nos separa delas. Ler sobre a vida dessas mulheres me fez entender que a gente não sabe de nada mesmo e me lembrou do quanto ter empatia é importante, que somos todos seres humanos, no final das contas.

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Eu chorei o tempo todo de um jeito que já não chorava há muito tempo, e foi difícil e doeu por cada segundo, mas é pra isso que servem os bons livros.

SÃO QUESTÕES

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São questões, no caso, os livros que ainda não tenho uma opinião muito formada, mas que foram bons o suficiente pra eu considerar uma nova leitura. O primeiro foi A Trama do Casamento, do Jeffrey Eugenides, um livro que eu esperei que me fizesse sentir muitas coisas, mas que não me fez sentir tantas coisas assim. No fundo, acho que foi mais uma questão de ler no momento errado – era fim de semestre, eu estava louca, arrancando os cabelos, tentando (e falhando miseravelmente) conciliar faculdade, estágio e uma vida aí no meio – do que qualquer outra coisa, mas ele também tem seus momentos e o final foi de longe um dos meus favoritos de 2015.

 Mentirosos, da E. Lockhart, é uma grande questão. Porque eu gostei, mas não gostei, sabe assim? Nele acompanhamos Cady, a principal herdeira de uma família muita rica, que sofreu um acidente e agora tenta descobrir o que de fato aconteceu e por quê as pessoas se recusam a contar a verdade sobre o que aconteceu no dia que ela bateu a cabeça. Falando assim, ele é exatamente o tipo de livro que eu mais gosto, mas a quantidade absurda de diálogos me incomodou bastante, assim como o grande mistério que envolve a história que, no final das contas, acaba nem sendo tão grande assim. Por outro lado, a leitura em si foi bem ótima – rápida, fluida, interessante – e o final, apesar de não ser surpreendente, me deixou com a certeza de que esse livro daria um filme sensacional.

O CLÁSSICO

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Desde que comecei a assistir Penny Dreadful, tenho tentado dar mais atenção à personagens clássicos que até então não tinha tido muito interesse em conhecer. Foi assim que O Retrato de Dorian Gray, do Oscar Wilde, veio parar na minha estante (numa edição horrorosa que eu tenho até vergonha de mostrar, mas ainda assim) e depois acabou virando um dos meus livros favoritos da vida, ainda que seja extremamente misógino (!). Pois é. Não chega a ser uma surpresa (o livro é de 1891), mas causa sim um certo incômodo ler barbaridades mil. O tanto que eu quis jogar esse livro pela janela não tá escrito.

No entanto, eu disse que ele acabou se transformando num dos meus livros favoritos da vida, e é verdade. Apesar de ter essa visão nada gentil sobre as mulheres (pra dizer o mínimo), a história em si é maravilhosa e me fez pensar demais sobre a vida. Aliás, acho que o mais interessante é que, apesar de se passar numa realidade completamente diferente, ele fala de coisas que continuam muito atuais e traz questões que nos faz, de um jeito ou de outro, pensar em nós mesmos – o que é ser jovem e influenciável, nossa relação com a passagem do tempo, etc. Ou seja: os personagens até podem ser uns babacas e talvez o autor seja também, mas recomendo a leitura fortemente mesmo assim.

O MAIS IMPORTANTE

Sempre acho complicadíssimo falar de Americanah, da Chimamanda Ngozi Adichie, porque nada que eu diga vai ser capaz de dar pra vocês a real dimensão da preciosidade que é esse livro e, acima de tudo, o quanto ele é necessário.

Foi um livro que me fez chorar muito, o tempo inteiro, não porque ele conta uma história trágica, mas porque me fez aprender muito, demais, e aprender às vezes dói. Com Ifemelu, a personagem principal, aprendi a reconhecer meus privilégios, a abrir minha cabeça e reconhecer os perigos de uma história única, sobre a importância da representatividade, da diversidade. Ela me ensinou não apenas a ver o outro, mas principalmente a enxergar o outro, e sobre como a gente precisa, sim, ter empatia. Foi um livro que me mostrou que a gente não sabe mesmo de nada e fez com que eu me sentisse burra, muito burra, o tempo inteiro, mas, de novo, é pra isso que servem os bons livros.

Na cultura pop americana, as mulheres bonitas de pele escura são invisíveis (…). Nos filmes, as mulheres de pele escura fazem o papel da empregada gorda e maternal, ou da amiga da protagonista, que é forte, desbocada e às vezes assustadora, e que está sempre ali para dar apoio. Elas falam coisas sábias e têm atitude, enquanto a mulher branca encontra um grande amor. Mas elas nunca podem fazer o papel da mulher gostosa, linda e desejada por todos. 

OS FAVORITOS DE 2015  

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No ano mais difícil e maluco e doído e estranho e pesado e intenso da minha vida, é natural que minhas leituras favoritas tenham sido meio assim também: não difíceis ou estranhas, mas intensas, pesadas, doídas e às vezes um pouco malucas também. São livros que, sobretudo, falam sobre a vida – difícil, estranha, doída – de perspectivas muito distintas, é verdade, mas que ainda assim conversaram demais comigo.

O primeiro deles foi Toda Luz Que Não Podemos Ver, do Anthony Doerr, um catatau com mais de 500 páginas sobre a vida de uma jovem francesa cega e um jovem alemão, durante a Segunda Guerra Mundial. Tenho um interesse muito grande por histórias que se passam durante alguma guerra, mas confesso que não esperava gostar desse como acabei gostando – primeiro porque ele é enoooooorme, segundo porque a narrativa é bem lenta, e terceiro porque muita gente eu conheço e que tem um gosto bem parecido com o meu não aguentou e acabou deixando o livro pra lá. Não sei se li no momento certo ou se ele de fato conversou demais comigo (chuto um pouco dos dois), mas foi uma experiência muito preciosa, sabe? É um livro muito delicado, extremamente sensível, triste em alguns momentos, mas bonito na maior parte, que me ensinou lições que não tornaram meu ano mais fácil, mas que me deram mais força pra continuar seguindo em frente.

Às vezes o olho do furacão é o lugar mais seguro para se estar. 

Num extremo oposto, Clube da Luta, do Chuck Palahniuk, veio para desgraçar a minha cabeça já desgraçada, num momento em que a única coisa que eu queria era ler sobre gente escrota caindo na porrada. Era mais um fim de semestre na faculdade, eu tinha perdido o emprego, não tinha mais uma melhor amiga, não suportava mais passar tanto tempo em casa e comecei a descontar minhas frustrações em cima de gente que não tinha nada a ver com o que estava acontecendo. De novo eu estava loucAaAaAaAaAaAa, achando minha vida um bolo inteiro de bostAaAaAaAa. Ver uns macho apanhando era totalmente minha vibe.

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O livro, no entanto, vai além: apesar de ser uma parte fundamental, a luta não é o mais importante. Por trás de toda a pancadaria, existem discussões bem ótimas sendo feitas (mídia, consumo, a vida, etc etc) e várias questões importantes sendo levantadas enquanto acompanhamos o fluxo de consciência do narrador – e aí foi bem louco perceber que, apesar de estar longe de ser uma história bonitinha-limpinha-a-vida-é-mara, muito do que li ali era exatamente o que eu precisava pra sair do buraco que tinha me enfiado e continuar seguindo em frente com mais calma, sem a necessidade de descontar minhas frustrações em gente que não merecia aguentar as barbaridades que eu andava dizendo. Num livro tenso (e intenso!), sobre gente muito problemática, eu encontrei a calma e a serenidade que me faltavam pra seguir em frente. Vai entender.

Naquela época, a minha vida parecia completa demais, e talvez tenhamos que quebrar tudo para construir algo melhor em nós mesmos.

(I rest my fucking case)

Já o melhor livro de 2015, foi também o melhor livro da minha vida – não por ser impecável ou ter a melhor história do mundo, nem só por ter me feito pensar na minha vida, mas principalmente por tudo que ele me fez sentir. E vocês sabem: os sentimentos são os únicos fatos.

Estação Onze, da Emily St. John Mandel, nos apresenta um mundo distópico dizimado pela Gripe da Geórgia, onde os poucos sobreviventes se esforçam para tentar reconstruir o mundo em que vivem, na medida do possível. Conhecemos, então, seis personagens – Kirsten, Jeevan, Miranda, Clark, o “Profeta”, e Arthur Leander, que é quem une a história de todas essas pessoas. São personagens completos e extremamente complexos, que nos mostram diferentes perspectivas não só sobre o fim do mundo, mas principalmente sobre a vida, independente do cenário. Acho incrível como num livro relativamente curto (ele tem pouco mais de 300 páginas), a Emily consegue construir algo tão forte, único e precioso, que nos faz pensar sobre sobrevivência, família, relacionamentos, memórias, solidão, arte, fama, a efemeridade da vida e a beleza do mundo em que vivemos. Foi a melhor experiência do meu ano e eu realmente espero que vocês me levem a sério dessa vez e leiam Estação Onze.

Ultimamente, ando pensando na imortalidade. No que significa ser lembrado e pelo que desejo ser lembrado, e outras questões relativas à fama e à memória. Adoro filmes antigos. Vejo na tela os rostos de pessoas que morreram muito tempo atrás e penso que elas nunca vão morrer de fato. Sei que isso é um clichê, mas, no caso, é mesmo verdade. Não só os famosos, que todo mundo conhece, os Clark Gable, as Ava Gardner, mas também os atores secundários, a empregada que traz uma bandeja, o mordomo, os caubóis no bar, a terceira garota, da esquerda para a direta, na boate. Todos eles são imortais pra mim. Primeiro, só desejamos ser vistos, porém quando somos vistos, isso já não é mais suficiente. Depois, queremos ser lembrados.

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Uma vez a Analu me perguntou se eu tinha um livro da vida, e eu disse que não. Hoje, se ela perguntasse de novo, eu responderia com toda a certeza do mundo: Estação Onze é o livro da minha vida.

Gostaria de agradecer a todos que acreditaram em mim e aguardaram calmamente por esse desfecho. Foram quase quatro meses, mas conseguimos e agora me sinto mais aliviada. Então podemos, oficialmente, voltar com a programação normal deste blog. De novo, agradeço pela paciência, mas prometo não enrolar tanto quando o ano acabar.

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4 Comments

  • Reply Larie 16 de abril de 2016 at 11:12 AM

    Amiga, me abraça que também não consigo falar dos livros que eu leio e MORRO de preguiça de fazer a pesquisa antes de escrever. HAHAHAHA

    Fiquei meio assustada quando vi a atualização do seu blog com o título sobre LIVROS DE 2015 em ABRIL de 2016 HAHAHAHA mas adorei sua retrospectiva e já peguei algumas dicas aqui como ler Clube da Luta (é diferente do filme?), Estação Onze, A trama do casamento e ESTOU PENSANDO em dar uma chance pro livro da Lena.Vamos ver o que vira. Desde 2014 não consigo mais ler tanto e isso me deixa chateadíssima.

    Mas olha, li muitos livros que você leu em 2015 e posso dizer que realmente foi um ano muito bom de leituras pra você. Espero que 2016 seja tão bom quanto, miga.

    É isso.

    Beijos <3

  • Reply Aline 17 de abril de 2016 at 6:40 AM

    Oi Ana,
    Eu estranhei quando recebi no e-mail a sua publicação sobre os livros de 2015 hahaha. Mas antes tarde do que nunca, né?
    Eu li muito pouco mesmo nos últimos anos, mas gostei muito da sua retrospectiva, espero conseguir fazer uma esse ano *-* Vou deixar Estação Onze na minha lista de leituras pro futuro, mas antes tenho uns 10 livros pra ler hahaha, esse ano ta complicado!
    Dos outros livros que você comentou não li nenhum… Vou dar uma pesquisada.

    Um beijo!

  • Reply Alessandra Rocha 17 de abril de 2016 at 2:08 PM

    MIGA SUA LOUCA! HAHAHAH esse meme é muito velho né? Enfim…

    Achei sua retrô muito interessante, principalmente por conta da sua opinião sobre Mentirosos que eu li ano passado também e me desgraçou demais a cabeça mas eu AMEI de um jeito bem dolorido e achei o final genial porque EU JAMAIS IMAGINEI? Enfim hahaha é legal essa coisa de ler o mesmo livro que “todo mundo” e no final a gente comparar as impressões né?

    Toda luz que não podemos ver é um titulo que acho tão lindo, mas que não consigo ter força de vontade pra desbravar, PORÉM fiquei extremamente curiosa com Estação Onze que já vi nas livrarias e to considerando tentar ler esse ano. A questão é, já não leio mais como antigamente faz um bom tempo e to nem aí? hahaha

    amei o post e saudade de te ler mais!
    beijo <3

  • Reply Monique Químbely 5 de maio de 2016 at 1:35 AM

    Olaar.
    Cê teve um ano de leituras bem feliz no sentido de “que livros boons”, porque a maioria foi meio doloroso de ler pelo que você escreveu ~~ Engraçado, esses geralmente acabam virando nossos queridinhos, os que desgraçam a cabeça e nos quebram as pernas (mas ouso dizer que livros felizinhos também desgraçam a cabeça se te fazem sentir tanto, tanto como só um livro candidato a favorito é capaz, vide eu com Orgulho e Preconceito esse ano: já faz um tempo que li, mas direto me pego pensando na história e tentando organizar meus feelings sobre ela, heueheuehu).
    Da sua lista tenho muito vontade de ler Contando os Dias, Americanah, O Clube da Luta e Estação Onze (esse último conheci por um post da Analu se não me engano). Toda Luz Que Não Podemos Ver também, apesar de ter preguicinha dele.

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