DRAMAS REAIS

THE ONE WHEN SOMEONE EATS THE ONLY GOOD THING IN MY LIFE

Ou: First world problems. 

Aqui em casa a gente tem um problema sério com comida, que sempre começa quando alguém come alguma coisa de outra pessoa sem permissão, e termina numa discussão acalorada e cheia de gritos, com acusações variadas de todos os lados envolvidos, mais ou menos como naquele episódio de “Friends” em que o Ross leva um sanduíche pra comer no trabalho e outro professor acaba comendo. Uma alegria só.

someone ate the only good thing in my life

Normalmente, a pessoa que come é, quase sempre, meu primo mais novo, Bruno, um adolescente capricorniano insuportável e incontrolável de 14 anos, que poderia comer um javali e ainda assim sentir fome. Já as pessoas que deixam de comer geralmente são eu, minha mãe e minha avó, três gerações de mulheres que insistem em guardar um pouquinho do que quer que seja pro dia seguinte, só pra que alguém vá lá e coma o que foi guardado em nosso lugar, uma situação que me irrita em mais níveis do que vocês são capazes de imaginar. Só nas últimas duas semanas, por exemplo, eu me vi dando chiliques fenomenais dentro de casa, primeiro por causa de um brownie, depois por uma porção de frios, só pra terminar numa discussão acalorada na última segunda-feira por causa de duas fatias de pizza e um resto choco de Coca-Cola. Pois é.

É uma situação ridícula pensar que a gente sai do controle por coisas tão idiotas, mas de uns tempos pra cá a situação tem ficado cada vez pior, e a cada ano que passa, tenho a sensação de que fica mais insuportável a convivência em casa, já que os atritos acabam acontecendo com uma frequência maior e isso sempre gera um desconforto pra todo mundo.

O que me irrita, na realidade, não é exatamente a comida, mas não ter o meu espaço respeitado dentro da minha própria casa e a falta de respeito absurda que é meter a mão em uma coisa que não é sua sem pedir permissão. Desde sempre minha mãe me ensina que é importante dividir o que a gente tem e eu nunca tive nenhum problema com isso, mesmo sendo filha única (supondo que filhos únicos tendem a ser mais egoístas, uma ideia que acho bem equivocada). Sou da opinião de que quase (eu disse, quase) tudo nessa vida é muito melhor quando compartilhado, especialmente comida, e é por isso que não é difícil que, quando perguntada com educação, eu acabe cedendo aquele pedaço de pizza que guardei com tanto carinho pra comer no dia seguinte ou o último pedaço de bolo de chocolate que minha mãe guardou especialmente pra mim, ou então, se eu estiver com muita vontade mesmo de comer, que eu divida com a outra pessoa, assim todo mundo fica feliz. Mas eu quero a opção de poder fazer isso, e não acabar tendo uma surpresa desagradável toda vez que abro a geladeira morrendo de fome.

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Além disso, me incomoda demais o desrespeito que é não só comer uma coisa que não é sua sem permissão, mas comer e acabar com aquela coisa, como se não existisse uma pessoa que, antes de mais nada, guardou aquilo ali pra comer em algum momento futuro, e que de repente não vai ter mais o que comer. É uma falta de consideração absurda, além de tudo, e me incomoda muito ver isso acontecer dentro da minha própria casa. Já perdi as contas de quantas vezes abri meu armário e não encontrei meus pacotes de biscoito ou então me deparei com um pote vazio de Nutella, ou, ainda, por todas as vezes que guardei um pacote de balas de gelatina no meu quarto, porque deixar no armário da cozinha era brincar com a própria sorte, e saí pra resolver alguma coisa, e quando voltei e quis comer, encontrei o conteúdo do pacote pela metade, quando ainda existia um pacote pra contar história. Mas o pior mesmo é quando eu guardo alguma coisa não só porque quero comer aquilo mais tarde, mas porque eu sei que não vou ter tempo de fazer qualquer outra coisa, que vou passar o dia inteiro fora e provavelmente vou chegar cansada em casa, e preciso de alguma coisa fácil, que só precise ir no micro-ondas rapidinho pra ficar pronto. Eu gosto de comer, é uma coisa que me conforta e me faz sentir automaticamente melhor, e sempre me frustra horrores ter que chegar em casa cansada e não poder ter uma refeição decente, e aí termino o dia comendo um biscoito, uma maçã ou só tomando um chá porque fui passada pra trás – de novo.

Eu sei que é uma situação ridícula, mas eu juro, do fundo do meu coraçãozinho mimado, que só queria pisar na minha casa e encontrar minha comida no devido lugar, e não precisar fazer planos de comprar um frigobar e começar a colocar meu nome nas minhas vasilhas (desculpa, sou doente).

A vida seria muito mais fácil se eu fosse como Joey e realmente não dividisse minha comida com ninguém, risos nervosos.

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(Por favor, não me odeiem por ser uma pessoa tão horrível)

 

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9 Comments

  • Reply Manu 12 de agosto de 2016 at 11:53 AM

    Amiga VOCÊ NÃO É UMA PESSOA HORRÍVEL!!!!
    Aqui em casa somos só eu e mamãe, mamãe e eu, e por isso, GRAÇAS AO BOM DEUS DA COMIDA, nunca passei por esse tipo de situação. Nem mesmo nas repúblicas da faculdade, onde a gente se arrisca morar com gente filha da puta (heh). Mas sei que, se acontecesse, me sentiria igualzinha a você: desrespeitada. É a sua casa! Sei lá, não custa nada perguntar antes de devorar até a última migalha de comida na geladeira se alguém ainda vai querer dividir aquilo, se alguém está guardando, etc etc etc. Sou a favor de você botar post-its com o seu nome na geladeira, ou enfiar um cadeado num armário. Desculpa, talvez EU seja a filha única mimada. HAHAHAHAH
    :****

  • Reply Patthy 12 de agosto de 2016 at 12:12 PM

    Olha, eu te entendo: não tenho problema em dividir comida – inclusive coloco ao alcance de todos com o intuito de dividir – mas a falta de consideração comigo. Fico bem puta se coloquei uma barra de chocolate na geladeira e encontro só um pedacinho quando resolvo comer – porque resolvi comer apenas um quadradinho ao dia, mas as pessoas não desconfiam e a barra que era pra durar uma semana, dura dois dias. Um dia comprei um chocolate caro e tive que esconder no guarda-roupa (!) pra não ficar sem. Me senti egoísta, mas custa ter comigo a mesma consideração e não me deixar sem as ditas comidas, da mesma forma que procuro não deixar os outros sem?

  • Reply Camila Faria 12 de agosto de 2016 at 4:30 PM

    Geladeira compartilhada é realmente um desafio. Em casa, quando morava com meus pais, nunca tive esse problema. Acho que a galera respeitava ~ ou sempre tinha MUITA comida sobrando em casa, sempre, então não aconteciam esses causos. Mas já trabalhei numa empresa onde simplesmente-não-respeitavam-nem-nome-no-potinho. Comiam tudo, na cara dura, lanche, almoço dos outros. Como pode, né? Chegou no ápice de alguém colocar laxante no iogurte e “deixar” na geladeira para ver quem não iria sair do banheiro naquele dia. Maldade? Pode ser. Mas eu juro que achei a ideia genial e me senti vingada.

  • Reply Nicas 12 de agosto de 2016 at 4:54 PM

    MIGA, VOCÊ NÃO É HORRÍVEL!
    Mexa no meu dinheiro, mas não mexa na minha comida, levo comida muito a sério e sinto meu dia ARRASADO se mexem em algo que eu estava esperando pra comer! Você está coberta de razão!

    Tente relevar um pouco seu primo adolescente, a fase de crescimento dessas crianças é horrorosa, eles estão sempre com fome, sempre com espinha e sempre de mau humor, é da natureza deles.

  • Reply Tati 13 de agosto de 2016 at 1:53 PM

    Vou me juntar ao coro de MIGA, VOCÊ NÃO É HORRÍVEL!
    Quando meu pai ainda morava na mesma casa que eu era um inferno, absolutamente nada sobrava pra ninguém, e queria eu estar falando de alimentos que a gente guardava pra depois (também, na verdade) na maioria das vezes, ainda durante a janta, quando eu ou minha mãe pensávamos em pegar um pouco da salada pela primeira vez meu pai já tinha comido tudo, era horrível.
    E agora que só moramos eu e minha mãe ela come as coisas que eu guardo pra mim.
    A vida, ela é esse eterno chocolate desaparecido.

    (Te indiquei pra uma TAG: http://novembroinconstante.blogspot.com.br/2016/08/tag-o-poderoso-chefao-beda-12.html)

    Novembro Inconstante

  • Reply Rapha 14 de agosto de 2016 at 11:42 PM

    MIGA TU ESCREVEU O MELHOR POST DESSA VIDA, não se sinta horrivel sinto isso com meu irmão mais velho que sempre come tudo como se não houvesse amanha e isso me mata de raiva. Compartilho esse sentimento segura na minha mão aqui e vamo matar geral, zoas vamos nos acalmar, mas lutar por nossas comidas guardadas com tanto carinho para um futuro proximo <3

  • Reply Michelle 15 de agosto de 2016 at 12:49 AM

    Sharon, eu sinto a sua dor. Aqui em casa não é sempre que tenho problemas assim, mas de vez em quando acontece e é sempre culpa da minha irmã. Ela tem um hábito HORRÍVEL de começar a comer as coisas compradas para todos (tipo, pão de queijo, biscoitos, etc) e só porque ela acha muito bom, come tudo sem nem cogitar a possibilidade de que, sei lá, tem mais gente em casa que gosta disso, sabe? Tipo, pode comer, mas deixa um pouco ou pergunta se outra pessoa vai querer. Fico irritada porque eu sempre faço isso, sempre deixo um pouco para os outros. Só queria a mesma consideração.
    Aí, quando eu compro doces (porque sim, doces são o que há de melhor no mundo) e escondo na ~gaveta de doces~ da minha mesinha de cabeceira, eu que sou egoísta, que não quero dividir, sabe? Não é que eu não queira dividir, se eu não esconder, não sobra pra mim! Parece muito coisa de mundo selvagem, sabe? Preciso esconder a comida dentro de casa, hahaha!

  • Reply BA MORETTI 31 de agosto de 2016 at 2:27 PM

    mulher, ME ABRAÇA (!) que comecei a espumar de norvousis só de lembrar disso acontecendo comigo todo fucking dia quando eu dividia apartamento. não é a toa que peguei trauma e todo dia pulo de alegria porque morando sozinha eu posso abrir a geladeira e sei que o que é meu continua lá. e o foda é bem isso que tu falou. o problema não tá em dividir, o problema tá em ser passada pra trás mesmo. falta de respeito absurda! e fora o desgaste de ter que explicar o óbvio, sair por louca, cansada, sem comida e tudo continuar se repetindo porque o serumaninho achou fiasqueira demais e ainda te chama de egoísta. POR DEEEEEEEUS. i can’t.

  • Reply Flávia 3 de outubro de 2016 at 8:22 PM

    Menina, acho que tu traduziu o sentimento de todo mundo ahuehauhea Sim, nos sentimos horríveis, somos taxadas de egoístas quando tomamos providências, enfim… No meu caso tinha guardado um brownie que fiz com meu namorado, porque tava doente e sem sentir gosto de nada. Imagina minha alegria ao finalmente sentir o gosto das coisas, chegando felizona lá na geladeira catar meu brownie e cadê?? Não vou mentir que chorei e bufei de raiva. Só digo uma coisa: NUNCA MAIS. É o jeito. Espero que tu encontre uma saída pra lidar com isso também. </3

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