BEDA, BLOGS ETC

THE ROAD SO FAR

Ou: Wake me up when september ends.
Ou ainda: O que aprendi postando todo santo dia durante um mês inteiro.

Pra ler ouvindo (porque eu sou ridícula desse tanto mesmo, me deixem): 

Então chegamos ao fim do BEDA. Se eu acredito nisso? Nem um pouco, mas acho que a ficha cai eventualmente.

Postar por 30 (agora 31) dias seguidos foi uma mistura de euforia, ansiedade, desespero e exaustão. Um exercício constante de persistência, escrita (claro), planejamento, paciência e, principalmente, aceitação. 

Lembro que no primeiro episódio dessa novela, eu disse que postar todo santo dia era maravilhoso pra quem lia, mas o terror pra quem estava ali, do outro lado, escrevendo o dia inteiro. Isso nunca me pareceu tão verdadeiro quanto agora, mas sei que em determinado momento acompanhar também se tornou um exercício difícil e a essa altura acho que todo mundo já tá meio num esquema de só querer um pouquinho de sossego, umas semanas pra não pensar em nada nem ler nada ou mimar nada, só ficar de boas assistindo Netflix e comendo um pote de Nutella. Vocês se sentem meio assim também? Eu tenho me sentido o tempo inteiro.

A maioria dos posts que programei foram deixados de lado no meio do caminho. Não é que eu tenha desistido deles. Aliás, nunca antes na história deste blog eu tive tantas ideias (algumas muito boas, outras bem ruins), mas poucas puderam ser realmente colocadas em prática. Cheguei a brincar que de repente eu tinha muito mais ideia do que dias no mês e nossa, parece ótimo quando a gente fala assim, mas vai lá tentar desenvolver tudo pra ver de qual é. Escrever sempre envolveu muito mais do que sentar e colocar uma palavra depois da outra, pelo menos no meu caso, e era muito desesperador quando eu via aquele monte de ideias ficando pra depois porque eu tinha perdido o feeling do texto ou simplesmente porque as coisas não fluíam. Ao mesmo tempo eu também percebi que a maioria das pessoas que conheço e admiro funcionam da mesma forma. Se isso é bom ou ruim eu realmente não sei dizer, mas no final eu me sentia um pouquinho mais tranquila por não ser a única pessoa tendo uma porção de ideias e arrancando a calcinha pela cabeça porque não conseguia desenvolver nenhuma delas.

Escrever todos os dias durante um mês me ensinou que às vezes simplesmente não dá. Que alguns dias a cabeça não funciona direito, seja por exaustão ou por qualquer outra coisa, e tudo bem – talvez a gente transforme isso num texto sobre não conseguir escrever, vai saber. Nesses (agora) 31 dias, eu me obriguei a postar algo que não teria postado em qualquer outra circunstância. Textos ruins mesmo, que eu queria jogar numa fogueira e esquecer pra sempre, mas que ao mesmo tempo me ensinaram que de vez em quando a gente precisa deixar o perfeccionismo de lado e ser feliz. Eu, que nunca soube pegar leve e ser gentil comigo mesma, me vi curtindo textos que foram escritos só pra encher linguiça, textos que nunca teriam saído dos rascunhos se eu não tivesse deixado de lado essa mania insuportável de perfeição. “A done something is better than a perfect nothing.”  

Nesses 31 dias de BEDA eu chorei de desespero quando não conseguia pensar em alguma coisa pra postar ou quando precisava passar a madruga em claro escrevendo porque não teria tempo durante o dia. Foi desesperador e terrível, mas nada paga o alívio e, por que não?, alegria de ver o texto ali, prontinho e pensar que ufa, um dia já foi. 

Cilada só tem graça quando compartilhada e é isso mesmo. Sei que é redundante dizer, mas se não fossem minhas amigas me segurando, dando ideia e incentivo, chorando e fazendo piada ao mesmo tempo, desabando pra em seguida levantar a cabeça e seguir em frente, eu certamente não teria conseguido chegar aqui. Eu entendi que querer às vezes é poder, que às vezes a gente nem sabe do que é capaz até que se obrigada a sair do lugar e, de repente, faz o que tem que ser feito; que se eu estiver disposta a correr atrás, eu posso sim conseguir o que eu quiser – mas é sempre muito mais legal e divertido quando a gente tem alguém pra correr de mãos dadas com a gente pela estrada.

Também conheci uma porção de gente incrível e me senti mais próxima daquelas que já conhecia, fosse por tweets desesperados ou mimos cheios de identificação. Com o BEDA eu descobri que as pessoas estão sim dispostas a ler o que eu escrevo, seja sobre uma coisa séria ou alguma bobagem do dia-a-dia, que a gente não precisa ser relevante o tempo inteiro e que, às vezes, um post super aleatório e diferente de qualquer coisa que você já fez pode ter uma recepção bem surpreendente. Fiquei encantada com a quantidade de pessoas que me visitaram, com os mimos enormes de gente que nunca tinha me visto na vida mas, como alguém que chega na nossa vida sem pedir licença e de repente já está com os pés no sofá, batendo um papo comigo tal qual uma amiga de infância  que passa tempo demais longe e de repente tem uma porção de coisas pra compartilhar.  

De novo, eu não teria chegado até aqui sozinha.  

Hoje é o Blogday e ao contrário do ano passado que indiquei vários blogs, tudo bonitinho como manda o figurino, resolvi apenas dedicar esse post às pessoas que muito me inspiram nesse universo e fora dele também, que me levaram pra esse barco furado, que todos os dias me lembram porquê ter um blog é tão divertido e que sempre alegram meus dias (pensem nas melhores reuniões de pauta da vida. pois é). Estou, claro, falando das minhas amigas incríveis e parceiras de crime: Palo, Analu, Chica, Couth e Iralinha, que me mostraram, acima de tudo, que a gente consegue o que quiser. Vamos conquistar o mundo? Vamos sim senhor.

Dedico também pra todas as pessoas que estavam aí de alguma forma, dando força e acompanhando, mimando e se desesperando também, comemorando os avanços e sempre prontas pro abraço virtual quando as coisas começavam a desandar. Dá pra acreditar que já acabou? Não, dá né? Ana, Alê, Ana Flávia, Yuu e também a Thay, que não participou do BEDA, mas que foi importante nessa jornada mesmo assim. Esse post também é pra vocês.

Por fim, queria agradecer demais as pessoas que visitaram, que comentaram ou não, que fizeram festa e choraram junto comigo, essas pessoas que eu nem conheço mas já considero pacas, que param o dia pra ler as abobrinhas que eu escrevo e que movimentaram bastante o blog durante esse mês. Essa casinha tá sempre aberta pra vocês.              

Escrever esse texto é mais ou menos como fechar um ciclo, um ponto final que não me impede de começar um parágrafo novo daqui a pouco – mas por favor, me deixem respirar um pouquinho antes, colocar minhas séries em dia, voltar a ler alguma coisa que não sejam blogs e me dedicar aos trabalhos da faculdade. Eu preciso, sério mesmo. Mas eu volto – talvez mais rápido até do que a gente imagina. Se eu encararia tudo isso de novo? Sem dúvida. Mas só depois de muito descanso. Quem sabe no ano que vem? A gente vai vendo. Vou dormir aqui rapidinho. Me acordem quando setembro acabar (brinks).

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4 Comments

  • Reply Yuu 1 de setembro de 2015 at 11:23 PM

    ANA! Que maravilha de título, de música e de post. Sério, ler “The road so far” ao som de Kansas sempre me dá arrepios. Se isso é ridículo, seremos ridículas (e felizes) juntas. Eu ia fazer a mesma coisa no meu post sobre SPN mas agora lembrei que esqueci de postar a música, damn. Enfim…

    Conseguimos! ♥ BEDA concluído, agora estou na mesma vibe que você. Quero dar um tempo desse ritmo frenético no mundo blogueiro – assistindo Netflix, mas sem Nutella, porque… acabou. Lágrimas.

    Me identifiquei muito contigo no trecho em que você fala que nunca soube pegar leve e ser gentil consigo mesma e que acabou curtindo textos de encher linguiça. Sou assim também, e o BEDA me ajudou muito a exercitar esse meu lado de pegar mais leve. No fim, os feedbacks foram melhores do que eu podia imaginar, e a gente aprende que os assuntos que parecem irrelevantes pra gente, são justamente aqueles que cativam o público. No meu ciclo social bloguístico tem muitos blogs diarinho e acompanhá-los foi muito amor. Chega de pomposidade e importância, ler resumos semanais, listinhas e memes é o que nos aproxima das pessoas. Não quero ser comprada, quero ser conquistada – do mesmo jeito que o Starships & Queens me conquistou. :)

    Agora vamos relaxar um pouco, né? E a próxima cilada que nos aguarde. ♥

    Beijinhos! :*

  • Reply Manu 2 de setembro de 2015 at 4:26 AM

    Aeeeeeeeeeee! Cabou o BEDA, parabéns menina! Imagino o quão trabalhoso deve ter sido esse mês. Até eu que não embarquei nessa canoa tenho me sentido meio precisada de um pote de Nutella e um cobertor (e esse frio indo embora, lágrimas), não só na vida real como na vida blogueira, pq olha, esse sentimento de ter várias ideias pra postar e nenhuma fluir me acompanhou o mês inteiro. Comolidar? Mas fico aqui, orgulhosa de ver o BEDA completo aqui no Starships, cheio de posts que graças ao teu exercício de espantar um pouquinho o perfeccionismo foram uma companhia superlegal pra esse mês aborrecido. Inclusive, fiquei enrolando pra comentar naquele do roteiro e queria dizer que achei ele super legal – sério mesmo! hahahaha
    Bom descanso!
    :***

  • Reply Thay 4 de setembro de 2015 at 2:55 AM

    “The road so far” me dá 39 tipos de sentimentos, OMG, mas você já sabe disso, haha. Achei lindo você colocar Kansas pra tocar, estava aqui ouvindo com a mão no coração, porque hino. ♥

    Fiquei muito feliz em ver todas vocês terminando seus respectivos BEDAs! Foi lindo de ver, envolveu muito suor e lágrimas (#drama), mas foi incrível. E, GENTE, você é um linda mesmo de me colocar no meio! Sei que não participei do BEDA, mas fiquei super contagiada pela energia de vocês – até meu ritmo de posts subiu esse mês!

    Parabéns, Ana! Super orgulhosa do esforço de todas vocês, foi lindo de verdade. ♥

  • Reply Ana 4 de setembro de 2015 at 12:07 PM

    Demorei mas cheguei.

    O BEDA acabou e nem mais minha rotina de sentar, ler e mimar aguentou. Acho que peguei um bode do BEDA, mas ao mesmo tempo sinto saudadezinha.

    “Escrever sempre envolveu muito mais do que sentar e colocar uma palavra depois da outra, pelo menos no meu caso, e era muito desesperador quando eu via aquele monte de ideias ficando pra depois porque eu tinha perdido o feeling do texto ou simplesmente porque as coisas não fluíam.” SIM SIM SIM. Às vezes eu tenho ideias que simplesmente somem porque eu perdi a vibe do texto.

    E porfa, preciso muito parar e colocar as séries em dia, ler, fazer trabalhos, porque agosto pra isso foi péssimo.

    Obrigada por me indicar, sua linda.

    E não some.

    Não vamos sumir.

    Beijão!

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