I WANNA BE A ROCKSTAR

THIS NIGHT WE SING, WE SING

A essa altura do campeonato, eu meio que já tinha desistido de relatar a noite incrível e também um pouco assustadora em que eu tive Jared Leto em pessoa (e sem camisa) pirulitando na minha frente por algumas horas. Não porque não quisesse falar sobre esse dia, mas porque o tempo costuma ser um inimigo cruel nessas horas e eu não queria correr o risco de escrever algo que não fizesse jus à todos os sentimentos que estiveram comigo naquela noite, me abraçando enquanto eu pulava e gritava e perdia minha dignidade. Só que ontem, depois de ler o texto de uma amiga, eu tive a certeza que confiar essas lembranças à minha memória só podia ser cilada, e que antes fazer um relato falho porém honesto, do que relato nenhum. Então aqui estou – e eu espero que vocês ainda tenham paciência pra me ouvir falar sobre isso.

10732004_714287348654403_728812328_n30 Seconds O Mars, sertinhos 

Brasília provou mais uma vez que é uma terra democrática, mas que ainda tem um mercado de entretenimento dominado por gente que caiu nessa de paraquedas e não faz a mínima ideia do que está fazendo. Problemas básicos de estrutura e organização acontecem com uma frequência escandalosa, longe demais do que seria considerado profissional, e enquanto eu via o teto ceder à chuva e pequenas placas de gesso caírem no chão, só conseguia pensar que a pessoa que escolheu aquele local não podia estar muito preocupada com a segurança alheia – e que alguém deveria estar seriamente fiscalizando tudo isso.

Ainda na entrada, eu e minhas amigas respiramos aliviadas porque a chuva tinha começado e ter um teto acima da cabeça nessas horas é, na maior parte do tempo, motivo de alívio. A gente mal sabia que logo mais estaríamos meio desesperadas, ameaçando seriamente ir embora e choramingando que não queríamos morrer daquele jeito horrível. Às vezes eu fazia piada, mas a verdade é que secretamente eu não parava de calcular quanto tempo levaria pra chegar até a saída caso o teto começasse a cair de vez. Acho que em algum momento deve ter ficado difícil sustentar aquela situação porque de repente brotaram uns caras dispostos a por fim nas goteiras e dar um jeito nos pedaços do teto que não paravam de cair, subindo nas estruturas gigantes sem nenhum equipamento de segurança. Profissionalismo, a gente vê por aqui.

Qualquer inconveniente, no entanto, é esquecido quando o artista sobe no palco, e quando eu vi Jared, Shannon e Tomo na minha frente, fiquei tão fora de mim que quase subi nas costas da moça que estava na minha frente, enquanto tentava manter o equilíbrio no meio da folia. Esse é um momento verídico e eu espero que ninguém tenha notado além de nós duas, mas nem me importei quando ela lançou seu olhar de basilisco pra mim porque se ela não conseguia sentir o que estava acontecendo naquele momento, eu só podia lamentar. Nessa hora, já não me importava se o teto ia cair e matar todo mundo, porque Jared Leto estava cantando na minha frente, e eu me sentia infinita demais pra me importar com qualquer coisa além de viver o momento.

10724246_1503323449925495_1744954049_nque homem, migas

É por isso que eu nunca me preocupo em registrar essas experiências. Tenho por mania guardar ingressos de shows porque ainda quero ter a certeza de que aquilo foi mesmo real e não só mais um sonho maluco. Quero ter alguma prova de que vivi aquela experiência e que ninguém jamais poderá contestar esse fato. Mas ao mesmo tempo quero ter a certeza de que estive ali e que vivenciei aquilo de fato, e que não fiquei só assistindo tudo pelo visor do celular. É por isso que as únicas fotos que eu tenho daquele dia são as fotos tiradas pelas minhas amigas – as mesmas que ilustram esse post.

Jared Leto ao vivo supera qualquer expectativa. Esqueçam as fotos, esqueçam os snaps esquizofrênicos, a beleza daquele homem é fora do normal. E eu, que já estava quase curada de um crush violentíssimo, fiquei abaladíssima com aquela criatura peculiar pulando e cantando e tirando a camisa e ameaçando tirar o short na minha frente. É terrível porque, Shannon e Tomo, coitados, quase ficam esquecidos e DEUS COMO EU AMO AQUELES DOIS!!111!11ONZE, mas com Jared no páreo, não tem pra ninguém.

10731677_296767717183654_1756861081_nentra na minha casa, entra na minha vida

Eu nunca tinha visto uma crush assim ao vivo e foi uma experiência bastante peculiar. Nada que me fizesse gritar e chorar ou ainda implorar pra subir no palco quando ele começou a chamar pessoas na plateia, mas fiquei atordoada pensando no quanto era injusto que uma pessoa fosse tão absurdamente bonita, que aquele cabelo fosse tão absurdamente desejável e que tudo aquilo estivesse tão absurdamente distante da minha realidade, mesmo estando suspenso na minha frente por algumas horas. É um choque de realidade que dói, e de repente você se sente pequena demais no mundo, insignificante demais perto de tudo aquilo; mas ao mesmo tempo é maravilhoso, porque você sabe que teve a oportunidade de um dia olhar naqueles olhos tão azuis, mesmo que de longe, e que o preço pago é sempre pequeno demais perto desses instantes preciosos. .

Não foi exatamente como eu imaginava. Não teve gente cantando como eu esperava, não teve um público tão apaixonado como eu imaginava, mas a cada pessoa que eu via cantando um refrão como um hino eu tinha a certeza de que estava no lugar certo, e que os dias ouvindo os álbuns da banda em looping não foram em vão. Depois de chegar em casa e tomar banho, vesti uma camiseta qualquer e deitei na cama, ainda absorvendo o que tinha sido aquela noite. Ela foi errada em muitos sentidos, mas ainda continua sendo um dos momentos mais certos que já vivi. Eu gritei, tomei chuva, pulei até realmente pensar que pudesse morrer ali mesmo e que tudo bem se isso acontecesse, porque eu estava feliz demais pra me importar. Quando fechei os olhos, enfim, tive a certeza que são esses momentos que fazem a vida valer a pena, e que assim como passagens de avião e comida, shows ainda são uma das melhores coisas que o dinheiro pode comprar.

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5 Comments

  • Reply Rafaela Venturim 13 de março de 2015 at 10:30 PM

    AMIGA COMO ASSIM MEU DEUS EU TO SEM AR!!!!!!

    EU AMOOOOOOOO MARS!!!!!!!

    EU FUI NO SHOW DO RIO!!!!!!!!!!!!!!! AMIGA SOS!!!!!!! NÃO SABIA QUE VC AMAVA!!!!!

    SENTI ESSE POST INTEIRINHOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!

  • Reply Rafaela Venturim 13 de março de 2015 at 10:30 PM

    AI QUE IRMÃS!

    SOU O JARED, VC PODE SER O SHANNON

  • Reply Anna 13 de março de 2015 at 11:12 PM

    Xará, confesso que nunca ouvi mais de duas músicas do 30 Seconds e que não acho o Jared Leto essa coca-cola toda (DSCLP), mas sei exatamente do que você tá falando. Acho que o principal motivo pra eu querer ser rica é pensar que gente rica pode ir em todos os shows do mundo, porque se tem uma coisa que me dói pacas é saber que eu não posso ir em todos os shows que eu quero. É uma das coisas que eu mais amo no mundo, uma coisa que me leva à falência felizona e querendo mais, então senti cada linha do seu texto, a dilema entre pensar nos perrengues versus viver o momento, a chance de ver alguém que a gente curte tanto tão de perto e isso ser maravilhoso e horrível ao mesmo tempo, e o que acontece depois, quando a gente fica pensando naquilo e se pergunta se foi de verdade. São #momentos maravilhosos mesmo <3
    beijos

  • Reply Lilica 14 de março de 2015 at 9:31 PM

    Xará, confesso que nunca ouvi mais de duas músicas do 30 Seconds e que não acho o Jared Leto essa coca-cola toda (DSCLP) – 2 membros!!!

    Mas olha super te entendo porque se tem uma coisa que me emociona no mundo são shows de artistas que eu gosto. Não sei se é pela atmosfera, pela energia sincronizada das pessoas, pela ansiedade que normalmente os shows nos trazem (afinal os ingressos são vendidos meses antes), não sei, só sei que choro sempre! Às vezes quando o artista entra, às vezes em alguma música que gosto mais, às vezes no fim…só sei que choro! Queria muito ter din din para ir em todos os shows que quero (e na pista VIP, claro). E ah, se tem algo que me irrita profundamente é o povo que fica O TEMPO TODO tirando foto com o celular/máquina na frente, atrapalhando quem quer assistir o show. Acho super válido querer registrar o momento com foto e até o video de alguma musica, mas gente, não pago uma grana preta pra ficar lá bancando o J.R. Duran o tempo todo! Tô lá pra curtir e viver o momento pôxa!

    Beijos

  • Reply Paloma 15 de março de 2015 at 11:28 PM

    Ai, Xará. Que vontade de ir num shooooow. Adoro a experiência de shows e sempre vivo momentos muito intensos, mas seu texto só me lembrou um show, de 7/8 anos atrás, que me deu exatamente esse feeling. Foi o show do My Chemical Romance, que eu quase não ouço mais, mas ai que vontade de voltar praquela noite. Coincidentemente também teve algumas tretas perigosas, será que faz parte?
    E acho que você mandou muito bem registrando, porque tenho certeza que você não vai esquecer dessa noite nunca, mas ainda assim é bom ter registrado (eu também registrei: http://www.vizinhadacapitu.com/cotidiano/e-agora/).
    Beijos <3

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