CINEMA E TV

ÚLTIMOS FILMES ASSISTIDOS

Já faz algum tempo desde que falei sobre os últimos filmes que assisti aqui, em partes porque não tenho mesmo assistido muita coisa. A última vez aconteceu, muito provavelmente, no ano passado; um termômetro bem fiel da minha vontade de também escrever sobre cinema por aqui. Eu amo falar sobre cinema, amo escrever sobre cinema, e esse parece o grande resumo da minha vida nos últimos anos; mas queria fazer algo diferente aqui. O BEDA, entretanto, é aquele momento em que literalmente qualquer coisa acaba funcionando como pauta, o que me fez abrir uma pequena exceção. Em todo o resto do ano, acessem o Valkirias e leiam minha opinião não-requisitada sobre cinema, televisão e outras coisinhas mais. Obrigada, de nada.

O Filme da Minha Vida (Selton Mello, 2017): Não assisti Mad Men, mas tem uma frase do Don Draper que ele diz o seguinte: “Nostalgia – it’s delicate, but potent. Teddy told me that in Greek, “nostalgia” literally means “the pain from an old wound.” It’s a twinge in your heart far more powerful than memory alone. This device isn’t a spaceship, it’s a time machine. It goes backwards, and forwards… it takes us to a place where we ache to go again. It’s not called the wheel, it’s called the carousel. It let’s us travel the way a child travels – around and around, and back home again, to a place where we know are loved“. Se pudesse descrever O Filme da Minha Vida em uma quote, seria essa. É um filme lindo de morrer, de um jeito quentinho e absolutamente adorável, poético, mas também doloroso, onde a nostalgia move tudo e todos pro bem e pro mal. Virou favorito sem muito esforço; o lembrete de que nem só de piadas sem graça e machismo é feito o cinema brasileiro.

Capitão Fantástico (Matt Ross, 2016): Na correria para cobrir o Oscar, Capitão Fantástico acabou ficando de fora; em partes, porque a história de um pai que literalmente vivia com os filhos no meio do mato não me interessou tanto assim de cara, mas também porque precisava priorizar outros filmes mais relevantes pro tipo de trabalho que eu estava fazendo. Foi só em julho, quando minha vida estava uma verdadeira bagunça, que pude assistir ao filme, e foi uma surpresa gostar tanto de uma história que parecia não ter nada a ver comigo. Eu precisei parar em determinado momento porque não aguentava mais de tanto chorar, não porque ele é um filme triste, mas porque é um filme tão belo, que bateu tão forte e tão gostoso, que eu só conseguia chorar sem parar. Amo, especialmente, o fato dele se aproveitar de temas tão atuais para construir uma história sobre pessoas adoráveis e onde ninguém está exatamente livre de mudar de opinião. Queria eu viver com aquela família e ser feliz demais no meio do mato.

Upstream Colour (Shane Carruth, 2013): O Shane Carruth revolucionou o cinema independente por fazer filmes de ficção científica com um orçamento limitado para os padrões já limitados do cinema independente, e entregar um trabalho tão diferentão e cheio de personalidade. Upstream Color (ou As Cores do Destino, título brega que ganhou na tradução) é seu segundo filme e foi uma dessas produções que caem no gosto de gente que entende de cinema – críticos, estudiosos, etc etc -, mas que nunca se sabe como chegou no público, se é que chegou. Nele, Shane não só dirigiu como atuou, escreveu o roteiro, compôs a trilha sonora e cuidou da fotografia, e talvez de todo o resto. Dá pra entender como ele faz a mágica acontecer com tão pouco dinheiro, e isso é incrível. Eu realmente queria amar esse filme como todas as pessoas que conheço, mas a única coisa que ficou na minha cabeça foi uma grande interrogação e imagens de porquinhos fofinhos e cor-de-rosa.

Homem-Aranha: De Volta Ao Lar (Jon Watts, 2017): Eu gosto de filmes de super-heróis. Gosto deles o suficiente para assisti-los na estreia, mesmo com os preços exorbitantes dos cinemas de Brasília; para comprar toda a parafernalha igualmente cara que vendem no cinema e fazer folia com as pessoas que, assim como eu, aguardam ansiosamente esses lançamentos. Com Spider-Man: Homecoming isso não aconteceu: eu ainda não havia superado o fiasco de O Espetacular Homem-Aranha e parecia uma ideia ridícula tentar emplacar outro filme do cabeça de teia com pessoas diferentes. Eu estava exausta, não queria mais saber de super-heróis com pintos, querem contar histórias de adolescente, façam um filme sobre a Kamala Khan, etc etc, mas aí eu assisti ao filme e foi como ver mágica acontecer pela primeira vez. Era lindo. Era especial. Me lembrou porque a gente ainda paga tanto dinheiro pra ver essas merdas. Tom Holland, casa comigo.

The Runaways (Floria Sigismondi, 2010): Adoro o fato de que esse filme seja não só sobre mulheres no rock, numa época em que esse clubinho era tão mais restrito do que é hoje, mas sobretudo que ele seja dirigido por uma mulher. A ideia ao assisti-lo era, justamente, escrever sobre o The Runaways como uma singela homenagem ao rock, mas principalmente às mulheres do rock; contudo, fiquei tão obcecada pela história e por essas mulheres, que foi impossível terminar o trabalho a tempo, de modo que até hoje esse texto não viu a luz do dia. Em partes, a história do filme – e da banda – é triste pra cacete, e reforça alguns estereótipos que tentamos a muito custo subverter; mas isso não é realmente um problema quando sabemos que foi o que de fato aconteceu. Além disso, Floria não tem medo de mostrar o lado sujo que existe nesse universo, ainda que com uma fotografia lindíssima que nos faz querer viver nos anos 70.

O Mínimo Para Viver (Marti Noxon, 2017): Gente, esse filme. Meu Deus do céu, esse filme. Tenho certeza absoluta que quando a Marti Noxon pensou em fazer um Filme Sobre Anorexia™ que subvertesse todas as narrativas que já conhecemos de cor e salteado, não era esse filme que ela queria fazer. Muito já foi discutido sobre ele, ao ponto de eu não ter a menor paciência de fazê-lo agora (inclusive, porque já fiz isso antes), mas fiquei verdadeiramente chateada que um filme com um potencial tão grande e uma importância gigantesca seja tão, tão ruim. Sinto muito pela Noxon, que certamente acreditou nessa história e acreditou que conseguiria fazer o melhor com ela, e também pela Lily Collins, que colocou uma fé imensa no projeto; mas não foi dessa vez. De boas intenções o inferno está cheio – e o cinema, aparentemente, também.

Colossal (Nacho Vigalondo, 2016): Quando ouvi falar sobre Colossal pela primeira vez, eu literalmente revirei os olhos e segui com a vida, porque que porra é essa, que filme esquisito é esse, mas que diabos a Anne Hathaway decidiu fazer com a própria vida, etc etc. Mas eu gostei. Surpreendentemente. Antes disso, já havia lido bastante sobre o filme, o que motivou meu interesse, mas foi uma surpresa constatar que, de fato, ele era tão bom quanto todas as pessoas estavam dizendo, e que sua mensagem principal era importante & relevante; de um jeito que o cinema deveria fazer com mais frequência, mas nem sempre o faz. Parece pouca coisa quando colocamos assim, mas ainda precisamos caminhar muito para estarmos em pé de igualdade em representação e todo o resto, então é realmente revolucionário quando assistimos a história de uma mulher que não precisa ser salva e não termina com nenhum cara no final.

Shangri-La Suite (Eddie O’Keefe, 2016): Sei que vocês amam odiar a Emily Browning, mas eu amo a Emily Browning e vou defendê-la. Dito isso, Shangri-La Suite apareceu por acaso na minha timeline, e de repente eu estava baixando o filme e me apaixonando por uma história completamente maluca e esteticamente impecável, cheio de gente linda e umas cenas realmente tocantes. Ele acabou se tornando uma referência para o roteiro que eu estava escrevendo – menos uma referência narrativa, mais uma referência estética – e se tornou um dos meus favoritos da Emily. Não é um filme pra qualquer pessoa; não é um filme sempre bonitinho, merdas acontecem e o final nem sempre é aquilo que a gente espera, mas ainda é o meu tipo de filme, o tipo de cinema que eu gostaria de fazer e que me encanta ao mesmo tempo, e amo o fato de que a Emily esteja nele – o que só o torna ainda melhor.

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2 Comments

  • Reply Natália Oliveira 9 de agosto de 2017 at 11:05 PM

    Também tive uma época em que fiquei louca sobre a história da The Runnaways. Até tentei escrever um texto sobre como bandas/artistas femininas ainda sofrem com o problema de serem submetidas à empresários ou empresas que abusam delas, mas não foi pra frente. Se tu quiser ler me fala que eu te mando kkk
    Ainda não assisti Homem Aranha, mas já estou apaixonada pelo Tom Holland só por causa das entrevistas maravilhosas que ele deu, participações em programas e afins. Ele parece ser a pessoa mais divertida do mundo.

  • Reply Nicas 9 de agosto de 2017 at 11:29 PM

    O Mínimo pra Viver foi um dos filmes que acendeu a luz vermelha do “vai dar merda” aqui e aí aguardei a análise do meu site favorito Valkirias e vi que eu só ia passar nervoso mesmo. Mais um 7 a 1 pra conta, pra a gente segue tentando, um dia sai um bom.

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