CINEMA E TV

ÚLTIMOS FILMES ASSISTIDOS

Já faz bastante tempo desde que escrevi sobre os filmes que andei assistindo por aqui, o que pode ser uma coisa boa ou não, depende do referencial (pro blog é péssimo, mas bear with me porque juro que a causa dos meus sumiços são quase sempre boas se levarmos em conta todo o resto, risos). Muita coisa aconteceu nesse meio tempo, é verdade, e eu pretendo colocar o papo em dia em algum momento, mas ainda não. Porque incrivelmente, desde o meu último sumiço tenho assistido bastante coisa, inclusive filmes – em casa, daquele jeito que eu até pouco tempo atrás morria de preguiça -, e se não falar deles agora, as chances de que minhas opiniões fiquem perdidas no tempo são muito grandes.

Por favor, não desistam de mim.

0a8b3ace9e72710b3c96125466006b40A Onda (Dennis Gansel, 2008): No início do semestre, meu professor de Tecnologia da Comunicação sugeriu que assistíssemos a esse filme como um complemento para o texto que estávamos trabalhando em sala de aula (que eu nem lembro mais qual era, perdão). Ele conta a história de um professor que decide fazer um experimento em sala de aula que seja capaz de explicar os mecanismos utilizados por regimes fascistas – até que, claro, a coisa sai completamente de controle. O mais assustador é que, embora tudo não passe de ficção (baseada em fatos reais, mas ainda assim), toda a situação parece muito real e muito possível, especialmente no momento político que vivemos. Ainda quero muito escrever sobre ele e prometo fazer isso em algum momento. Por enquanto, assistam “Die Welle” (título original) e deixem a cabeça de vocês explodirem com ele.

8b0f8ce0521791aebac9f745b9b22af2Meia-Noite em Paris (Woody Allen, 2011): Não sei se é uma benção ou se é uma tragédia que eu tenha vivido pra pagar minha língua e favoritar um filme do Woody Allen com toda a força do meu coraçãozinho pisciano sofredor. Não é uma história inovadora muito menos livre de problemas – um protagonista fraco, alguns personagens que são extremamente estereotipados, fora o final que é bastante preguiçoso -, mas ainda assim é um filme adorável e muito gostosinho de assistir, que celebra Paris e a literatura de um jeito muito delicado e especial, e que deixa o coração quentinho no final. Gosto, principalmente, da forma como personalidades como Scott e Zelda Fitzgerald, Ernest Hemingway e Gertrude Stein aparecem na história, tão maravilhosos que a gente até esquece que Gil é um homem bem dispensável e um péssimo protagonista.

8ed15c51494c1a54cd7e387d3db31fdaAos Treze (Catherine Hardwicke, 2003): Já fazia muito tempo que eu queria assistir esse filme, mas foi só uns dois meses atrás que consegui sentar de fato na cadeira e entender o que, afinal de contas, esse filme sobre duas garotas muito loucas de treze anos com piercing na língua tinha para me contar. Só que eu acho que esperei tanto, mas tanto tempo, que a experiência acabou sendo… decepcionante? Na teoria, Aos Treze é um filme excelente. A história merece todo o hype que (ainda) tem e, embora minha adolescência não tenha sido tão trevosa, muita coisa presente ali me fez pensar nos meus 13 anos – que também não foram tão limpinhos quanto meus pais costumavam imaginar.  Só que, no fundo, não foi um filme que me causou muita emoção. É bom e tal, mas é só isso mesmo. Evan Rachel Wood segue maravilhosa, tho.

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Clube da Luta (David Fincher, 1999): David Fincher é aquela unanimidade que, ao contrário do Woody Allen, eu sinto muitíssimo por não fazer parte. Não é que eu não goste dele, muito menos do seu trabalho, mas ao mesmo tempo não consigo entender o que diabos faz esse cara ser tão especial pra tanta gente. O Clube da Luta, por exemplo, é um bom filme em vários aspectos, mas ele não chegou nem perto de causar em mim o mesmo impacto que o livro causou, sabe assim? Odeio entrar nesse mérito principalmente porque defendo 100% a teoria de que cinema e literatura são coisas bem diferentes, logo, possuem prioridades muito diferentes, mas né. Acontecem coisas. Continua sendo um bom filme e eu recomendo especialmente se você está bem afim de ver uns caras sem noção apanhando e levar uns tapas na cara metafóricos de quebra, mas é isso aí.

be5491460ad93cc9b28e0f8fd5c65c2aAs Vantagens de Ser Invisível (Stephen Chbosky, 2012): Nunca imaginei que fosse gostar tanto, tanto, tanto desse filme, mas eu gostei. Muito. Do fundo do meu coraçãozinho pisciano sofredor. Amo como ele consegue contar uma história tão simples, mas ao mesmo tempo cheia de significados e descobertas e sentimentos. Ezra Miller me conquistou pra todo sempre, Emma Watson segue sendo a rainha dos nossos corações e até o Logan Herman ganhou um cantinho especial pra chamar de seu – embora eu continue achando o Charlie um pé no saco em vários momentos. Muito diferente do livro, o filme foi realmente capaz de me fazer entender a dimensão de seus problemas e conflitos e me solidarizar com sua história de uma forma muito profunda e honesta, ao mesmo tempo que me senti jovem, livre e principalmente infinita. É um filme realmente precioso e que eu recomendo de olhos fechados.

o-bebe-de-rosemary_t5550_sdhb4ajO Bebê de Rosemary (Roman Polanski, 1968): Esqueçam tudo que vocês sabem sobre filmes de terror – sangue que espirra nas paredes, jovens inconsequentes, monstros que adoram aparecer para as câmeras, loucos usando máscaras e tocando o terror, esse tipo de coisa – e abracem duas horas do terror mais maravilhoso que vocês já viram. Sem exagero. Odeio que ele seja um filme justamente do Polanski, um cara tão babaca e nojento que por mim poderia arder no fogo do inferno, mas que infelizmente é um cineasta muito do competente. Filme de terror que dá medo, mas não entrega exatamente o que está acontecendo, roteiro incrível, trilha sonora ESPETACULAR e uma história tão cheia de detalhes e misticismos que é um abuso não ser real (brinks). Fora Mia Farrow, rainha de todos as coisas, minha filha terá nome de santa, etc.

fc52fc43a1539814dbbd36b18c96cd3aStar Trek (J. J. Abrams, 2009): Preciso ser sincera aqui e admitir que antes de assistir Star Trek, eu já odiava Star Trek. Sério, só de pensar em um filme que se passava no espaço e que ainda tinha o Chris Pine como protagonista já me fazia querer estar morta, de preferência em uma dimensão em que o Chris Pine nem existisse pra começo de conversa. Aparentemente, minha missão na Terra é pagar pela minha enorme língua, porque bastou assistir ao primeiro filme da trilogia pra me render totalmente e ficar completamente obcecada porque that’s how we roll. Nunca imaginei que fosse possível gostar tanto de um filme com o Chris Pine no papel principal, mas Star Trek é um trocinho adorável demais, excelente entretenimento que ao mesmo tempo deixa o coração mais quentinho e que entrega uns personagens tão maravilhosos que missão impossível é não morrer de amores.

b7e66fd211cff977e1216e661dff844bStar Trek: Além da Escuridão (J. J. Abrams, 2013): Porque pagar a língua uma vez é bobagem. Ainda acho que o primeiro filme se sobressai justamente por apostar numa história mais simples e sem grandes reviravoltas (é um filme de origem, afinal de contas), mas isso não significa que Além da Escuridão seja ruim, muito pelo contrário. Se o primeiro foi capaz de me fazer voltar atrás e pagar a língua, foi o segundo filme que reforçou todos os sentimentos, que me fez chorar e rolar na cama de tanto amor só pra depois querer esfregar a cara de todos esses personagens maravilhosos no asfalto. Kirk e Spock seguem sendo um dos melhores bromances que esse mundo já viu e Benedict Cumberbatch mata a pau como um vilão horrivelmente maravilhoso que por si só já vale o filme inteiro.

star-trek-sem-fronteiras_t77719_83fzj6iStar Trek: Sem Fronteiras (Justin Lin, 2016): MELHOR FILME, MELHOR ELENCO, MELHORES PERSONAGENS, MELHOR HISTÓRIA. Sério, pensem num filme maravilhoso, delicado, diverso, doce, cheio de mocinhas badass e vilões horrorosos e discussões relevantes sendo feitas, tudo ao mesmo tempo. É disso que eu estou falando. Star Trek: Sem Fronteiras é um filme incrível que te faz rir, chorar e pular na cadeira de tanta empolgação, mas que também te aflige um bocado e te faz querer salvar todos os personagens porque MEU DEUS ESSAS PESSOAS SÃO MUITO ADORÁVEIS E MERECEM SER PROTEGIDAS. Mensagem linda que deixa o coração quentinho e te faz ter mais fé na vida, no universo e tudo mais. Definitivamente um dos melhores filmes do ano and i’m not even sorry.

b9b609003d70c51b0cbde3b243a48ae5As Virgens Suicidas (Sofia Coppola, 1999): Baseado no romance homônimo, As Virgens Suicidas se passa na década de 70 e conta a história de cinco irmãs adolescentes criadas por pais muito rígidos que em determinado momento decidem que o suicídio é a única saída que lhes resta. Assim como no livro (que não li hehe) a história é contada pelo ponto de vista dos garotos que moram na mesma rua das meninas e são apaixonados por elas – ou, pelo menos, pela ideia delas. E é aí que mora o perigo porque, se por um lado, o filme me fez pensar imediatamente nas dificuldades enfrentadas por adolescentes, especialmente garotas adolescentes, ele também me fez questionar porque diabos essa bosta de história tem que ser contada por um bando de garotos com titica na cabeça. Estética linda, atuações bem boas e trilha sonora impecável, mas não é meu favorito de Coppola Filha.

god-help-the-girl_t61290God Help The Girl (Stuart Murdoch, 2014): Eu não ouço Belle & Sebastian, eu odeio filme com pegada hipster (na real, eu odeio qualquer coisa com pegada hipster) e por mais que ame a Emily Browning do fundo do  meu coração, sua presença nunca foi suficiente pra me convencer a assistir qualquer coisa. Mesmo assim eu decidi assistir God Help The Girl e essa acabou sendo uma das melhores decisões que eu podia tomar na vida. Embora ele trate de temas que são, por si só, bastante densos (doenças mentais, etc etc) é incrível como o filme consegue construir uma história tão leve e com uma vibe tão positiva, cheia de musiquinhas bonitinhas que te fazem querer jogar os braços pra cima e dançar junto com os personagens. Fotografia gracinha, figurino super inspirador e uma mensagem que – surprise, surprise! – deixa o coração super quentinho no final. Virou favorito sem nem precisar se esforçar pra isso.

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Jovens, Loucos e Rebeldes (Richard Linklater, 1993): Queria sinceramente saber o que o Linklater tinha na cabeça quando achou que tirar esse filme do papel era uma boa ideia porque meu deus, que filme horrível. Que morte tenebrosa, que pavor desses jovens inconsequentes e sem noção que só querem saber de fumar maconha e encher a cara. Ou serem escrotos com seus calouros. Odeio o fato desse filme ser considerado um retrato da juventude dos anos 70 porque isso só me faz pensar que os anos 70 foram uma época horrorosa para ser adolescente (e mulher, principalmente), cheio de gente machista e ignorante que mereciam arder no fogo do inferno. Figurinos lindinhos e trilha sonora espetacular, mas é só isso. Fujam enquanto ainda é tempo que ninguém é obrigado. Eu avisei.

louder-than-bombs_t81587Louder Than Bombs (Joachim Trier, 2015): Sonhei um sonho lindíssimo de amar esse filme com todo a minha alma e meu coração, mas infelizmente não rolou. Ele conta a história de três homens – um pai e seus dois filhos – que foram marcados pela morte da esposa/mãe, que é vivida pela Isabelle Huppert. É uma história que até certo ponto se questiona sobre o luto, a perda e essa mania que a gente tem meio de santificar uma pessoa após a morte quando ela na verdade era só um ser-humano, que também cometia uma porção de erros, etc, fora a própria imagem da mãe, que por si só já transforma a mulher numa espécie de santa. Falando assim parece incrível e realmente é. Mas é bem menos incrível do que eu esperava. Não é um filme que eu vou esquecer facilmente, mas não é um filme que eu indicaria de olhos fechados, não é um filme tão forte quanto a temática exige, muito menos um filme que eu levaria pra vida.

65fbab95bc460afa97ee564ace0729e3Footloose (Herbert Ross, 1984): Pendência de anos que só fui resolver agora, Footloose é o típico filme dos anos 80 que a sua mãe amava quando tinha a sua idade: brega até dizer chega, cheio de estereótipos típicos da época, personagens tão ruins que chegam a ser maravilhosos, cidadezinha do interior repleta de pessoas absolutamente malucas, jovens loucos para rebolar a bunda protestando contra uma cidade inteira pelo direito de rebolar a bunda, esse tipo de coisa. Definitivamente, não tem como ficar ruim. Figurinos bregas até dizer chega, porém maravilhosos, Kevin Bacon sendo o galã mirim que nós nunca seríamos capazes de imaginar com aquela boca murcha, Bíblia sendo usada como argumento para jovens poderem fazer um baile de formatura e rebolar a bunda até o dia raiar, e toda a creicisse dos anos 80 diretamente na sua casa. É maravilhoso demais.

c9a67d82726812c29b84602101f5c665Persépolis (Marjane Satrapi & Vincent Paronnaud, 2007): Nada que eu diga sobre esse filme vai ser capaz de dar pra vocês a dimensão do quão realmente importante é a história de Marjane Satrapi – uma iraniana que viu sua cabeça, e a de sua família, virar de cabeça pra baixo por causa da Revolução Iraniana – e, acima de tudo, necessária, ou o quanto ela é uma mulher incrível, cheia de opiniões fortes e extremamente inspiradora, embora muito já tenha sido dita sobre ela ao longo dos anos. Nunca achei que sua história fosse me tocar tão profundamente, especialmente porque sua realidade parece muito distante num primeiro momento, mas é aí que mora toda a mágica, porque Marjane, com uma delicadeza ímpar, consegue nos transportar diretamente para aquele ambiente e nos faz entender do jeito mais dolorido possível o que é viver uma guerra. É um filme verdadeiramente precioso e que dói o tempo inteiro, mas é pra isso, afinal de contas, que servem as boas histórias.

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